Pulpit

As Manifestações do Poder de Deus em Favor de Seu Povo nos Tempos Modernos São Diferentes das de Eras Anteriores — Consagração — Ordem de Enoque — Dízimo — Mordomias — Redenção de Sião

Orson Pratt

1873-08-16

Fui chamado, há poucos minutos, a dirigir-me à congregação aqui reunida, o que desejo fazer por meio de vossa fé unida e vossas orações em meu favor. Sem o auxílio do Espírito do Senhor, é impossível a qualquer pessoa, em capacidade religiosa, edificar e instruir seus semelhantes. Mas, se temos o Espírito do Senhor, por mais imperfeitas que sejam nossas habilidades, certamente edificaremos e esclareceremos o povo, e a pessoa que fala também será edificada; pois está escrito no Livro de Doutrina e Convênios: "Aquele que prega e aquele que recebe se compreendem um ao outro e ambos são edificados e juntos se regozijam", se o Espírito do Senhor for derramado do alto sobre nós. Diz-se em outra revelação que "o Espírito ser-vos-á dado pela oração da fé". Exige-se fé da parte do povo para obter todas as bênçãos de natureza espiritual. E, para termos fé, é importante que façamos a vontade de Deus, do contrário nossa fé será, na verdade, muito fraca. Aquele que faz a vontade de seu senhor, e tem dentro de si o desejo de praticar a retidão, pode aproximar-se do Senhor com fé; mas, se não guardamos seus mandamentos, e não temos este desejo, e não fazemos sua vontade, nossa fé se torna extremamente pequena.

É, em minha opinião, muito semelhante ao que vemos acontecer aqui na terra, entre pais e filhos. Quando os filhos se tornam rebeldes, e não cumprem a vontade de seus pais, é com um grau muito pequeno de confiança que se apresentam diante deles buscando qualquer espécie de favor ou bênção. Vêm tremendo, duvidando. Sabem que sua conduta tem sido tal que os impede de receber os favores que particularmente desejam. Às vezes, talvez, o pai concederá o pedido de um filho rebelde, quando este tem confiança suficiente para lhe apresentar uma petição. Mas, se aquele filho rebelde se afastou tanto do pai que não tem confiança para se aproximar dele, e não lhe apresenta petição alguma, é muito duvidoso que o pai leve em consideração suas necessidades, em certos aspectos, e conceda os favores que ele realmente deseja. Assim é entre nós e nosso Pai celestial.

Às vezes o povo, por suas transgressões, por sua desobediência, por sua rebelião aos princípios que Deus revelou, pode ter perdido de tal modo sua fé que não se apresentará diante de seu Pai, não pretenderá pedir-lhe um favor, pensando que suas transgressões são grandes demais, e que o Senhor não os favorecerá. Nesta condição, é muito duvidoso que o Senhor leve em consideração suas peculiares necessidades, e as bênçãos especiais que gostariam de receber.

Quantos são os mandamentos e instruções que Deus deu a este povo? Fomos abençoados, nesta geração, com abundância das manifestações das bênçãos espirituais do reino. Talvez jamais tenha havido, desde o princípio do mundo, um povo que tivesse tanta informação, em tão curto período de tempo desde sua organização, quanto a Igreja dos Santos dos Últimos Dias. Quando levamos em consideração este único livro, o Livro de Mórmon, que Deus, em sua misericórdia, trouxe à luz, e a informação nele contida, e combinamos esta informação com o registro judaico do Antigo e do Novo Testamento, e depois, em conexão com estes dois livros, as revelações contidas no Livro de Doutrina e Convênios; toda a informação que existe, e que tem sido dada de tempos em tempos, naquele livro. Depois, além destes três livros, todas as revelações que Deus nos entregou pela boca de seus servos, de tempos em tempos, algumas das quais foram publicadas, outras não foram publicadas, mas ainda assim são consideradas por este povo tão sagradas quanto as que foram publicadas. Digo que, quando levamos em conta esta torrente de luz e inteligência que irrompeu sobre o mundo, no período de cerca de quarenta anos, podemos dizer que fomos abençoados, no que toca a luz e informação, muito além de qualquer outro povo com quem estejamos familiarizados. É verdade que não temos a história completa de todas as várias dispensações, e todas as manifestações da misericórdia, bondade e poder de Deus entre aqueles diferentes povos e nações nas eras passadas. Não poderíamos dizer com certeza quanta informação Deus possa ter concedido naquelas dispensações. Lemos, em algumas revelações, o que Deus revelou sobre a organização da antiga Sião. Na sétima geração desde a criação — desde os dias de Adão — lemos sobre a pregação de Enoque. Como saiu e profetizou às nações. Como edificou a Igreja entre as várias nações. Como edificaram Sião. Na história desta antiga Sião, achamos que Enoque continuou sua pregação em retidão, trezentos e sessenta e cinco anos, antes que Sião estivesse preparada para uma translação. Quanto foi revelado durante aquele tempo não sabemos; sem dúvida muito foi dado; mas duvido que houvesse a centésima parte da informação comunicada, durante os primeiros quarenta anos da existência da antiga Sião, que nos tem sido comunicada, como povo, em nossos dias.

Às vezes achamos ser o caso que Deus manifesta sua bondade e misericórdia a um povo, não pela via da revelação, mas pela via do poder, sem muita informação. Achamos ser este o caso entre o antigo Israel. Foram escravos no Egito por longo período. Foram ensinados, desde a infância, a trabalhar o barro e fazer tijolos, e labutar e trabalhar para os egípcios — seus capatazes. Durante este período de tempo não tiveram oportunidade de aprender muito. É necessário um pouco de lazer para que a mente seja ensinada, instruída e educada; mas parece que toda a sua educação, por duas ou três gerações, ou por longo tempo depois de serem levados ao cativeiro, foi dada por seus capatazes — como formar tijolos ou adobes, ou o que fosse — trabalho pesado. Se tivessem um pouco de lazer, em vez de o usar para acumular o conhecimento de Deus, precisavam dele para recuperar suas forças físicas, para que pudessem descansar de seus trabalhos, e no dia seguinte de novo labutar.

Esta parece ter sido a condição de Israel na terra de Gósen, no Egito. Consequentemente, quando Moisés desceu ao Egito, encontrou um povo ignorante. É verdade que mantinham a forma do Sacerdócio entre eles. Antes de o Sacerdócio de Arão ser confinado àquela tribo particular, temos relato deste Sacerdócio existindo. Depois de serem conduzidos pelo Mar Vermelho, antes de o Senhor separar Arão e seus filhos, antes de confinar o Sacerdócio a Levi, quando os filhos de Israel vieram e acamparam diante do Monte Sinai, lembramo-nos de que foi dada uma lei estrita. O Senhor disse-lhes que estava para descer sobre o Monte Sinai, e ordenou ao povo que não ultrapassasse certos limites, para que não perecesse, pois, se qualquer pessoa ou animal tocasse o Monte, seria apedrejado até a morte. O povo, sendo ignorante e não plenamente familiarizado com a severidade dos mandamentos do Altíssimo, teve sua curiosidade despertada, e alguns da congregação, quando Moisés subiu ao Monte Sinai, quiseram aproximar-se, e o Senhor enviou Moisés a descer para advertir o povo novamente, uma segunda vez. E os Sacerdotes foram ordenados a não ultrapassarem, para que não perecessem. Que Sacerdócio? Não um Sacerdócio confinado a Levi, ou aos descendentes de Arão, ou ao próprio Arão; mas um Sacerdócio que existia entre Israel. Esse mesmo Sacerdócio mencionado em uma das revelações do Livro de Doutrina e Convênios, onde, ao falar dos dois Sacerdócios, diz que continuam juntos na Igreja de Deus, em todas as gerações, quando Deus tem um povo sobre a face da terra; não confinado a linhagem alguma especial, no que toca ao Sacerdócio. Descei e ordenai aos Sacerdotes que não ultrapassem. Esta organização pode ter existido durante todo o período da escravidão dos filhos de Israel, por várias gerações, ainda que não possamos supor que tivessem sido plenamente instruídos. Não tinham registros impressos como temos nós. Não tinham grande coleção de livros, na forma de Bíblias judaicas, a que recorrer para informação. Não tinham grande coleção de livros semelhantes ao Livro de Mórmon, pois a impressão ainda não era conhecida. Se algum de seus escribas encontrasse um pouco de lazer para copiar algumas das revelações, seria apenas uma cópia avulsa ou duas, nas mãos dos filhos de Israel. Podemos, portanto, ver a diferença entre eles e os Santos dos Últimos Dias. Foi-lhes permitido desfrutar, de modo especial, do poder do Todo-Poderoso em seu meio. Isto mostra que, em alguns de seus tratos com o povo, Deus manifesta seu poder, ainda que não manifeste suas revelações.

Há grande perigo quando o povo vê grande poder existindo em seu meio. Por falta de experiência e informação, por falta de mais conhecimento, há a possibilidade de pecar contra todo este poder que se manifesta em seu meio; e isto traria destruição repentina. Esta é, sem dúvida, a razão pela qual Deus, em tão curto tempo, enviou tão rápidos juízos sobre as cabeças dos filhos de Israel. Tinham visto as manifestações de seu poder enquanto estavam no Egito; passaram pelo Mar Vermelho, e depois contemplaram a glória de Deus sobre o Monte Sinai. Se se permitissem rejeitar este poder assim manifestado, isto lhes trazia destruição rápida.

Quando Moisés estava no Monte, fizeram um bezerro de ouro. Sem dúvida somos levados a nos perguntar por que, enquanto a glória de Deus repousava sobre o Monte, e enquanto o Senhor assim mostrava seu poder onipotente — somos levados a nos perguntar por que — construiriam bezerros de ouro, e se prostrariam para adorá-los. Foi por causa de sua ignorância. Esta glória lhes apareceu no Monte como um fenômeno natural. Alguma causa natural, talvez, lhe fosse atribuída. Viram as nuvens como vemos as nuvens sobre nossas montanhas. Podem ter pensado que havia uma erupção vulcânica no Monte, e concluído que ali não havia Deus algum; e, portanto, que precisavam fazer para si deuses de seus próprios anéis, e prostrar-se para adorá-los.

A consequência foi que o Senhor mandou Moisés descer do Monte novamente. E ameaçou destruir toda a nação, e fazer de Moisés uma grande nação. Mas Moisés citou as promessas que o Senhor fizera a seus pais, e o Senhor decidiu atender às palavras de Moisés e poupar o povo. Moisés desceu, e, ao se aproximar, ouviu grande estrondo, e viu-os dançando ao redor de um bezerro de ouro, e estavam despidos. E assim tinham afastado seus corações do Senhor.

Ora, em vez de suportar tudo isto, o Senhor inspirou Moisés a dizer ao povo que aqueles que estivessem do lado do Senhor se apresentassem; que cada homem pusesse sua espada ao lado, e passasse de porta em porta por todo o acampamento, e matasse cada um a seu irmão, e cada um a seu companheiro, e cada um a seu vizinho. E caíram do povo, naquele dia, cerca de três mil homens. Nesta ocasião, grande destruição lhes sobreveio, por causa de sua transgressão. Isto ocorreu entre um povo que fora iluminado apenas por milagres, sinais e prodígios. Achamos ser este o caso durante toda a peregrinação dos filhos de Israel no deserto. Tornavam-se rebeldes; e o Senhor tinha de enviar-lhes juízos, juízos milagrosos, de tempos em tempos. Seus cadáveres caíram no deserto. Às vezes irrompia terrível praga, e o único modo pelo qual Arão podia deter a praga era colocar-se entre eles e a praga, e oferecer sacrifícios. As serpentes voadoras que infestavam aquele grande deserto os destruíam, e o único modo de serem curados era olhar para uma serpente de bronze. E, afinal de contas, qual era sua informação? Qual era seu conhecimento a respeito das coisas do reino de Deus? O próprio conhecimento que tinham quando saíram do Egito, o conhecimento do Evangelho, de seus primeiros princípios — mesmo este conhecimento parece ter-lhes sido tirado, e uma lei de mandamentos carnais lhes foi dada em seu lugar.

O Senhor, nesta dispensação, está começando a operar de modo um pouco diferente do que fez em eras anteriores. Em primeiro lugar, realiza alguns pequenos milagres, tais como destapar os ouvidos dos surdos, e fazer andar os coxos, falar os mudos, repreender algumas febres, deter algumas pragas, e expulsar demônios e espíritos imundos. Em vez de descer sobre um monte, e fazer a terra tremer por seu poder; e em vez de mostrar uma coluna de fogo de noite, e uma nuvem de dia, ele tomou um rumo diferente: "Primeiro, dai ao povo conhecimento, dai-lhe compreensão, mostrai-lhe os princípios de meu Evangelho, os princípios de minha lei, fortalecei-o no conhecimento de Deus, e mostrai muito pouco poder em seu meio." Isto parece ser sabedoria, para que tenhamos conhecimento proporcional ao poder que se manifesta, de modo que, quando ele mostrar seu poder, não voltemos nossos corações para longe dele. No princípio desta obra, parecia necessário que certas pessoas fossem levantadas para testificar do Livro de Mórmon — de sua divindade —, para que a obra pudesse começar. Mas continuou o Senhor a enviar seus anjos? Ah, não. Depois de ter levantado três testemunhas em 1829, as visitas de anjos tornaram-se mais raras, porque o povo não estava preparado para elas. Mesmo estas três testemunhas não estavam preparadas para um dia de provação; pois se afastaram do Senhor, e caíram em transgressão, e não guardaram os mandamentos de Deus. Que se passou com eles? Tiveram maior poder manifestado em seu meio do que conhecimento para os manter na fé. Se tivessem tido mais conhecimento, isto não os teria derrubado. Achamos que Oliver Cowdery, David Whitmer e Martin Harris contemplaram as placas que foram traduzidas, e ouviram a voz do Senhor vinda do céu, proclamando a seus ouvidos que a tradução fora realizada pelo dom e poder de Deus. E puseram por escrito seu testemunho, e este se espalhou. Mas isto era poder grande demais para o pouco conhecimento que tinham. E a consequência foi que tiveram provações, e estas provações os dominaram. Mas jamais ouvimos dizer que estas testemunhas tenham negado seu testemunho. Por não estarem sempre contemplando o poder de Deus manifestado, afastaram-se. Ora, isto deveria ser uma lição para os Santos dos Últimos Dias: que, quando vemos alguns pequenos milagres realizados, devemos nos esforçar por fortalecer-nos no espírito de nossa religião, com luz, conhecimento e informação — para ganhar tudo o que possamos, a fim de sermos espiritualmente fortalecidos; um milagre é externo aos sentidos, e tem apenas um efeito excitante sobre a mente. A menos que seja acompanhado pelo Espírito do Deus vivo no coração, de que nos beneficia? Somos capazes de testificar do que nossos olhos viram, mas de que nos beneficiamos, a menos que o Espírito Santo seja derramado em nossos corações?

Além disso, Deus determinou que, em nossos dias, ele manifestará novamente seu poder. Quando digo nossos dias, deveria dizer nos dias desta última dispensação da plenitude dos tempos. Antes que ela se encerre, virá a ser uma das mais magníficas eras já manifestadas ao mundo, no que toca ao poder. O Senhor tomou este método, durante os últimos quarenta anos, para nos preparar para o que está por vir. E, se guardarmos o que o Senhor nos deu, e permitirmos que sua vontade seja escrita em nossos corações, e impressa em nossos pensamentos, e prestarmos atenção aos ensinamentos e conselhos dos oráculos vivos em nosso próprio meio, estaremos preparados, de modo que, quando vier o dia do poder, não sejamos derrubados.

Ora, que há de vir um dia do poder, todo Santo dos Últimos Dias que conhece as predições dos Profetas tem certeza. Ele espera que venha no tempo especificado naquelas revelações. Deus nos disse, no Livro de Doutrina e Convênios, que, quando se cumprirem os tempos dos gentios, então virá o dia do meu poder. "Teu povo se oferecerá voluntariamente", diz um dos antigos Profetas, "no dia do teu poder." Os Élderes desta Igreja têm saído a muitas nações. Regozijam-se no poder que se manifesta, em certa medida. Deus disse que iriam pregar o Evangelho a todas as nações da terra; e que sinais os acompanhariam, os que crerem. Em meu nome farão muitas obras maravilhosas. Em meu nome expulsarão demônios, falarão em outras línguas; e os olhos dos cegos serão abertos. Os Élderes têm achado ser isto verdade. Na medida em que o povo tem tido fé, tem visto este poder, em certa medida, manifestado. Mas isto não se pode dizer, comparativamente, que seja o dia de seu poder. Quando vier o dia do poder do Senhor, então será um tempo em que não somente os enfermos, os coxos e os cegos, mas também os próprios elementos serão operados pelo poder de Deus, como o Senhor falou, e serão subservientes aos comandos de seus servos. Serão as águas divididas? Ah, sim. Disse-se-nos, nas profecias de Isaías, que, quando a casa de Israel voltar à sua própria terra, ele ferirá o rio Nilo, em suas sete grandes correntes, pelas quais entra no mar Mediterrâneo. Em vez de conduzi-los por acima destas sete diferentes correntes, ele fará um caminho pelas sete correntes do rio Nilo; e o povo de Israel voltará a passar a pé enxuto, como fez antigamente. No capítulo onze de Isaías, versículo 15, lemos que "o Senhor destruirá totalmente o braço do mar do Egito" — não o corpo principal do mar. Os que conhecem a porção norte do Mar Vermelho sabem que há dois braços, um dos quais se chama a língua do mar do Egito; e os filhos de Israel passarão a pé enxuto, pelas sete correntes do rio Nilo, como fez Israel no dia em que saiu da terra do Egito.

Aqui se realizará um milagre maior do que o de falar em línguas ou curar os enfermos — mais convincente em sua natureza. Quando isto se fizer, juntamente com muitas outras coisas, os filhos de Israel não mais sentirão necessidade de se referir ao dia em que o Senhor operou maravilhas quando saíram da terra do Egito. Sabeis que tem sido um ditado entre os judeus, há alguns milhares de anos, que o Deus de Israel vive. "Não adoramos o tipo de deus que vós, gentios, adorais. Adoramos aquele Deus que dividiu as águas, que desceu sobre o Monte Sinai." Sempre se referem de volta a milagres de quatro mil anos, dizendo que seu Deus é um Deus de milagres. Este antigo provérbio há de ser abolido, no Israel moderno. Em vez de se referirem de volta aos antigos milagres, dir-se-á: "Vive o Senhor, que trouxe os filhos de Israel da terra do norte, e das terras para onde os expulsou, à terra de seus pais." Este será o tempo em que Israel se oferecerá voluntariamente. Todo Israel se oferecerá voluntariamente para reconhecer o poder e a glória daquele Deus a quem serve. Parece que o Senhor vai realizar novamente algo que fez depois que passaram pelo Mar Vermelho. Depois que passaram pelo Mar Vermelho, o Senhor conduziu os filhos de Israel ao deserto, e ali os manteve por quarenta anos, de modo que todo o povo pereceu, exceto Josué e Calebe. Quando o Senhor trouxer o povo da Casa de Israel, nos últimos dias, em vez de os conduzir diretamente à terra da Palestina, os conduzirá novamente ao deserto, o que encontrareis registrado no capítulo 20 de Ezequiel. "Levar-vos-ei ao deserto dos povos, e ali entrarei em juízo convosco face a face." Ora, se o Senhor entrou em juízo com eles face a face no deserto da terra do Egito, e ali lhes deu revelações, se sua presença, no princípio, esteve com eles, e não lhes foi tirada no princípio, assim fará ele novamente — entrará em juízo com eles face a face.

Não creio, contudo, que, nos últimos dias, transgridam a tal ponto que tragam sobre si a maldição que veio sobre seus pais, nos tempos antigos; pois então ele lhes tirou as glórias do convênio do Evangelho, e introduziu outro convênio, o convênio da lei. As primeiras tábuas de pedra, somos informados pelo tradutor inspirado, continham não apenas muitas instruções para o governo do povo, mas revelações contendo o Evangelho do Filho de Deus; os princípios da lei superior, calculados para fazer com que todos os que a obedecessem entrassem em seu descanso, o qual descanso era a plenitude de sua glória. Estas tábuas foram quebradas em pedaços, por causa da adoração de um bezerro de ouro. O primeiro convênio foi quebrado. E quando Moisés subiu ao monte pela segunda vez, os dez mandamentos foram as únicas coisas contidas nas segundas tábuas, que estavam nas primeiras. Mas, além disso, foi acrescentada a lei de mandamentos carnais. Portanto o Evangelho foi retirado. Suas ordenanças superiores foram retidas. O Sacerdócio superior foi retido. O sistema destinado a fazer deles um reino de Sacerdotes foi retido. E lhes restou a lei de mandamentos carnais. Uma lei pela qual não podiam viver. Estatutos que não eram bons, e juízos pelos quais não podiam viver. Mas, nos últimos dias, temos razão para crer que os filhos de Israel jamais experimentarão tal maldição como esta. Que a presença do Senhor não lhes será retirada como então foi. Mas, voltando ao capítulo 20 de Ezequiel, achamos que, depois que o Senhor os houver conduzido ao deserto, somos informados de que "vos farei passar debaixo da vara, e vos farei entrar no vínculo do convênio" — não a lei de mandamentos carnais, mas o vínculo do novo e eterno Convênio, que será renovado para eles. Isto será algo obrigatório. "Trazer-vos-ei ao convênio, e separarei dentre vós os rebeldes." Não entrarão na terra da promessa; ele não os deixará entrar. Deus fez estas coisas nos tempos antigos, e predisse o que faria nos últimos dias.

Fomos trazidos aqui como o princípio do grande reino dos últimos dias — trazidos das nações — estabelecidos nestas elevadas regiões de nosso continente — nestes vales montanhosos. Fomos trazidos aqui, e instruídos, e ensinados por muitos anos. Em quê? Não numa lei de mandamentos carnais. Creio que retirarei parte disto. Direi que fomos instruídos na lei, nos princípios do novo e eterno convênio, que ainda não nos foi tirado; mas, além disso, por causa da dureza de nossos corações, somos privados de algumas bênçãos pertencentes a este novo e eterno convênio. Desejais saber que bênçãos nos foram retidas, pertencentes à lei superior? Eu vos direi. No ano de 1831, pouco depois de Deus estabelecer pela primeira vez esta Igreja, quando tomou seu servo, o Profeta Joseph, e muitos dos primeiros Élderes desta Igreja, e os reuniu nas fronteiras ocidentais do Estado de Missouri, e lhes apontou onde a cidade da Nova Jerusalém deveria ser edificada, e onde o Templo deveria ser localizado, certas leis foram reveladas. Estas leis, se adotadas, estavam calculadas para fazer deste povo um só coração e uma só mente, não somente em doutrina, não somente em algumas coisas espirituais, não somente em algumas ordenanças exteriores, mas para fazê-los um em relação a suas propriedades. Deus apontou certas leis em 1831, mais plenamente reveladas em 1832 e 1833, e nos disse qual era a ordem do reino quanto às nossas propriedades. Ora, qual era a lei? O Senhor ordenou que todo homem que viesse das igrejas do estrangeiro àquela terra escolhida, onde a Sião de Deus há de ser edificada nos últimos dias, consagrasse todas as suas propriedades. De que modo? Como consagrá-la? Em que forma? Ora, neste Território tivemos uma forma de consagração, alguns cumpriram aquela forma, mas onde há um homem que tenha sido chamado a cumpri-la de fato? A lei era: consagrai todas as vossas propriedades, seja ouro, seja prata, sejam mulas, ou carroças, ou carruagens, ou mercadorias de loja, ou qualquer coisa que tivesse alguma riqueza — tudo devia ser consagrado, para vir ao armazém do Senhor. Foram designados agentes para receber estas consagrações. Não consagrar a homem algum, ou a estes agentes, mas consagrar ao Senhor, para seu armazém. Ora, pergunto: não nos tornava isto todos iguais? Suponhamos que um homem viesse ao Condado de Jackson com quinhentos mil dólares, e outro viesse com cinco dólares. Se ambos consagrassem tudo o que tinham, não estariam em pé de igualdade? Ambos sem nada. No que toca à propriedade, eram iguais. Ora, depois desta consagração, então quê? Não éramos considerados realmente dignos de receber heranças de boa-fé imediatamente, mas vos direi do que fomos considerados dignos: fomos considerados dignos de ser mordomos do Senhor, como lereis em muitos lugares no Livro de Doutrina e Convênios. Que é um mordomo? É ele um proprietário de boa-fé de propriedade? Não. Se eu fosse chamado a ser mordomo sobre certa fazenda ou fábrica, o negócio não é meu, sou apenas como um agente ou mordomo encarregado do empreendimento, e devo agir nele como mordomo sábio, e prestar contas a alguém. O Livro de Convênios nos informa que se exige de todo mordomo que preste contas de sua mordomia, tanto no tempo quanto na eternidade. A quem? Àqueles que Deus escolhe e designa. Se for a primeira presidência da Igreja em conexão com o Bispo, então estes são os agentes próprios a quem se deve prestar rigorosa conta desta mordomia. Mas como nos tornamos mordomos? Indaguemos sobre isto. Como o povo, depois de consagrar conforme a lei exigia — como se tornariam mordomos? Os agentes do Senhor, os Bispos, que tinham conhecimento das coisas de Deus, deviam comprar terras com esta propriedade consagrada, do Governo Geral, ou de indivíduos, conforme o caso. Deviam comprar carroças, mulas, e tudo o que fosse necessário para conduzir negócios mecânicos, e lojas, de acordo com a quantidade de propriedade consagrada e posta em suas mãos. Isto devia ser feito pelos agentes do Senhor, e por aqueles a quem chamassem para ajudar. Quando toda esta terra, e ferramentas e maquinário, e cavalos, e ovelhas, e assim por diante, forem obtidos com o dinheiro do Senhor; então quê? Recebe cada homem uma igualdade exata, ou quantidade, desta propriedade? Não. Por quê? Porque alguns homens têm mais habilidade para administrar uma mordomia do que outros homens. Alguns homens, talvez, tenham passado toda a vida acostumados a dirigir grandes estabelecimentos e sabem como conduzir grandes estabelecimentos. Deve-se supor que tal homem seria limitado à mesma quantidade de mordomia que o homem que tem cinquenta acres de terra? Pode ser necessário vinte, ou cem vezes a quantidade de mordomia a ser colocada nas mãos de tal homem, do que se exige de outros mordomos que administram apenas agricultura. Não os torna isto desiguais? Não. Todos são mordomos. A propriedade pertence ao Senhor. Mas, pergunta alguém, não tem este homem de grande capacidade mais dos luxos da vida? Não. Porque ele tem de prestar contas de sua mordomia ao Bispo, e, se este homem de alta capacidade fez, ao fim do ano, cem mil dólares, é obrigado a entregar contas ao Bispo, ao fim do ano, e, se se fizeram cem mil dólares, lucro líquido, é dele a propriedade? Não. É trazida ao armazém do Senhor. O homem pobre, que ganhou cinquenta dólares extras de suas mãos de fazenda, entrega seus cinquenta dólares e conta de sua mordomia. Se o homem que administrou uma mordomia de quinhentos mil dólares a usou impropriamente, a conta o mostrará. "Fiz assim e assim. Comprei tal e tal maquinário." Se gastou sua mordomia para engrandecimento próprio ou propósitos insensatos, outro homem é colocado em seu lugar. E o homem pobre, que ganhou seus cinquenta dólares, se comprou algo insensato e desnecessário, e se limitou àqueles cinquenta dólares como lucro líquido, será removido de sua mordomia. Ao fim do primeiro ano, todas estas mordomias tornam-se novamente iguais; tudo é consagrado ao armazém do Senhor, todos estão novamente em pé de igualdade. Então, novamente, durante o ano, antes de estas contas serem prestadas, se forem mordomos sábios, não haverá vantagem alguma, cada um estará em guarda o tempo todo, para que sua mordomia não deixe de ser aprovada.

Esta é a ordem do céu. Esta é a antiga ordem, e foi a ordem instituída no ano de 1831. Que disse o Senhor a respeito dos que não cumprissem sua ordem? Alguns de nossos fazendeiros do leste, ao deixarem seus lares em Vermont, ou no Estado de Nova York, e chegarem e verem a beleza daquela terra, e a profundidade do solo, e a bela madeira do Condado de Jackson, esqueceram-se de que deviam ser mordomos do Senhor, e começaram a pensar que poderiam usar sua própria propriedade, em vez de cumprir a lei da consagração. "Que bênção será", diziam, "se eu puder comprar esta terra por um dólar e vinte e cinco centavos por acre; pois posso vendê-la por cem vezes mais e me fazer homem rico; não sacrificarei minha propriedade." Estes eram alguns dos sentimentos que enchiam o coração de alguns. Mas o Senhor enviou uma revelação, dada por meio de seu servo Joseph, em Kirtland, advertindo os Santos contra receberem sua mordomia sem cumprir esta lei de consagração. Que, se não a cumprissem, seus nomes seriam apagados, e os nomes de seus filhos; seus nomes não estariam no livro da lei do Senhor. Que pereceriam, etc. Achamos que o povo não cumpriu, e portanto o Senhor, em cerca de dois anos e quatro ou cinco meses, permitiu que nossos inimigos se levantassem contra nós, e os Santos foram expulsos da terra. Foram expulsos, no frio e sombrio mês de novembro, a vagar para onde pudessem, em busca de proteção. Qual foi a razão? O Senhor nos diz que permitiu isto, por causa de nossas transgressões. O Senhor nos informou que havia cobiça em nosso meio, e "por esta razão os permiti serem removidos". O Senhor nos ordenou comprar toda aquela terra, mas, em vez de fazê-lo, muitos se apegavam a seus dólares, e pensavam que o Senhor pretendia enganá-los tirando-lhes sua propriedade, e diziam — "Veremos o que o Senhor fará por seu povo. Se ele mostrar seu poder, por fim, quando tudo se tornar agradável, tomaremos nossa propriedade e iremos nos estabelecer entre os Santos." Não creram no que o Senhor exigia, e por isso foram espalhados de sinagoga em sinagoga. Numa das revelações, diz o Senhor: "Eu me lembrarei deles no dia de meu poder, quando chegar o tempo, mas sofrerão tribulação por um curto período. E, quando forem suficientemente castigados, os que restarem voltarão com seus filhos para reedificar os lugares devastados de Sião."

Relatei estas coisas para que compreendamos onde tivemos, uma vez, o privilégio de cumprir a lei celestial no que toca à nossa propriedade, e onde um grande princípio foi posto em nosso meio. Em todas as nossas peregrinações, a lei celestial jamais foi posta em prática, no que toca à nossa propriedade. Mas o Senhor não nos abandonou mais do que abandonou os filhos de Israel, quando eram rebeldes. Em vez de os rejeitar inteiramente, e denunciá-los e repudiá-los como seu povo, ainda assim deu ao antigo Israel uma lei. Em vez de nos rejeitar inteiramente, deu-nos outra lei. Uma inferior à lei celestial, chamada lei de Enoque. A lei de Enoque é assim chamada no Livro de Doutrina e Convênios, mas, em outras palavras, é a lei dada por Joseph Smith Jr. A palavra Enoque não existia na cópia original; nem alguns outros nomes. Os nomes que foram incorporados quando foi impresso não existiam ali quando as revelações manuscritas foram dadas, pois eu mesmo os vi. Alguns deles copiei. E quando o Senhor estava para dar o Livro de Convênios ao mundo, julgou-se sábio, em consequência das perseguições de nossos inimigos em Kirtland e em algumas regiões ao redor, que alguns dos nomes fossem mudados, e Joseph foi chamado Baurak Ale, que era palavra hebraica, significando Deus te abençoe. Foi também chamado Gazelam, sendo pessoa a quem o Senhor dera o Urim e Tumim. Foi também chamado Enoque. Sidney Rigdon foi chamado Baneemy. E a revelação onde se lia tantos dólares no tesouro foi mudada para talentos. E a Cidade de Nova York foi mudada para Cainenoque. Portanto, quando falo da Ordem de Enoque, não me refiro à ordem do antigo Enoque, refiro-me à Ordem dada a Joseph Smith em 1832-3-4, que é uma lei inferior à lei celestial, porque a lei celestial exigia a consagração de tudo o que um homem tinha. A lei de Enoque exigia apenas uma parte. A lei da consagração, em sua plenitude, exigia que todo o povo consagrasse tudo o que tinha; e ninguém era isento. A lei de Enoque convocava apenas certos homens a consagrar.

Ora, guardou o povo esta segunda lei — inferior à primeira? O Senhor escolheu alguns dos melhores homens da Igreja, e os experimentou para ver se a guardariam. "Agora", diz ele, "experimentarei os melhores homens que tenho na Igreja, não com a lei celestial, mas eles consagrarão em parte, e terão entre eles uma propriedade em comum." E, para os estimular à diligência, fixou certas penalidades a esta lei, tais como: será entregue às tentações de Satanás; os pecados que lhe foram remidos retornarão a ele e serão respondidos sobre sua cabeça. Como se saíram, então? O Senhor nos diz que o convênio fora quebrado. E, consequentemente, ficava a seu critério fazer deles o que lhe parecesse bom. Muitos apostataram desde aquele dia. Sidney Rigdon, por exemplo, Oliver Cowdery, por outro, e John Johnson, por outro. Por que apostataram? Não cumpriram o convênio que fizeram quanto à lei dada a Joseph Smith, que depois foi chamada lei de Enoque.

Abandonou-nos o Senhor, então? Não, teve compaixão de nós — ainda nos considerava o reino dos últimos dias — não tirou o reino de nosso meio, mas continuou a suplicar conosco e a suportar as fraquezas do povo. "Agora", diz ele, "os experimentarei com outra lei." Assim, no ano de 1838, deu-nos outra lei, chamada a lei do Dízimo. Permiti-me agora mencionar algumas das condições do Dízimo, segundo aquela lei. O Senhor deu um mandamento de que o povo que viesse — reunido com os Santos — consagrasse, não toda a sua propriedade, mas toda a sua propriedade excedente, e, depois de terem consagrado toda a propriedade excedente, houvesse certa porção, não chamada excedente, que deveriam reter; e, dessa porção que não se chama propriedade excedente, deveriam tentar obter uma renda, e, se conseguissem obter uma renda, deveriam consagrar a décima parte dessa renda.

Ora, de vós que estais neste Território há vinte ou vinte e seis anos, quantos cumpriram esta lei do Dízimo? Quantos tiveram propriedade excedente, além da décima parte? Quantos viriam aqui com quinze ou vinte mil dólares de propriedade, e pagariam um décimo, como se isto fosse excedente? Será esta a lei do Dízimo? Se for, não a compreendo. Se compreendo a lei do Dízimo, ela exige que um homem que tenha quinze, ou vinte, ou cinquenta mil dólares, ao subir a Sião, vá ao agente do Senhor, o Bispo, e diga: "Tenho tanto dinheiro, e tal família; ora, dizei-me, Bispo, quanto disto é propriedade excedente?" Ah, diz alguém, isto deveria ficar ao nosso próprio julgamento. Nosso próprio julgamento! Quem, entre todos os Santos dos Últimos Dias, teria propriedade excedente alguma, se isto ficasse a seu próprio julgamento? Quantos, em Ogden, entregaram propriedade excedente hoje? Percorrei toda esta cidade e perguntai-lhes se têm propriedade excedente. "Ah, não, não tenho o suficiente para conduzir meu negócio segundo minha própria mente. Tenho aqui um estabelecimento de manufatura, gostaria de ter alguns milhares de dólares a mais do que tenho para nele investir. Quero mais vinte mil dólares. Não tenho propriedade excedente." Outro homem inicia outro negócio, e não tem propriedade excedente. E podeis percorrer todas as cidades e vilarejos e não encontrar homem algum que tenha propriedade excedente. Não se poderia encontrá-lo. Então eu julgaria que os homens a quem cabe determinar o que é propriedade excedente, e o que não é, são aqueles homens que Deus ordenou para este poder, a saber, os Bispos, que têm conhecimento destas coisas pelo poder do Espírito Santo, e em virtude de seu chamado. O Presidente desta Igreja estará preparado para dizer se um homem tem propriedade excedente ou não, e deixá-lo especificar, e o homem ficar satisfeito. Esta é a lei do Dízimo, inferior à lei plena da consagração, e também inferior à lei de Enoque.

Ora, quanto à outra parte da lei do Dízimo. Digamos que um homem chegue aqui com cinquenta mil dólares, e se julgue, por autoridade própria, que quarenta mil são excedentes. Ele trabalha com os dez mil restantes e obtém uma fazenda e um lar, e entra em algum outro negócio, e não apenas obtém o suficiente para seu sustento, mas descobre, ao fim do ano, que ganhou mil dólares: tem de pagar um décimo disso, ou seja, cem dólares. Este é realmente o significado da palavra Dízimo. Mas a propriedade excedente, os quarenta mil dólares, são consagrados, como se exige na primeira parte do primeiro parágrafo da revelação sobre o Dízimo.

Quantos dos Santos dos Últimos Dias cumpriram sequer o mínimo do que Deus deu em matéria de propriedade? Talvez poucos, e sem dúvida muitos têm se saído bem; e outros têm sido descuidados; não sentindo rebelar-se contra Deus, mas um tanto descuidados ou indiferentes quanto a pagar um décimo de sua renda. Ora, será isto correto? Podemos ser prosperados como povo? Não deveríamos nos envergonhar, se não podemos cumprir uma das leis menores? Parece ser a última lei, no que toca à propriedade, que Deus deu para salvar este povo. Deveríamos perguntar a nós mesmos: "Estou cumprindo esta lei? Estou me preparando para o dia em que Deus exigirá que eu entre na lei superior?" Direi que aquele dia virá, e não está distante, quando esta lei superior será posta em prática, não apenas em teoria, mas na prática. No presente, Deus aliviou em parte a lei, isto é, há uma revelação dada no ano de 1834, no Rio Fishing, na qual o Senhor diz: "Que os mandamentos que dei com respeito a Sião e sua lei sejam executados e cumpridos após sua redenção." Isto é o mesmo que dizer: "Não estais preparados para guardá-los. Se eu não vos aliviar agora, em certa medida, desta responsabilidade, eles vos trarão sob grande condenação." A revelação não diz que não entraremos naquela ordem, mas não estamos obrigados por penalidades a fazê-lo. Ora, creio que, antes da redenção de Sião, haverá um sentimento voluntário de realizar a lei celestial. Fundamento minha crença nas profecias dadas no Livro de Doutrina e Convênios. O Senhor disse que, antes de Sião ser redimida, ela será tão bela como o sol, clara como a lua, e seus estandartes serão um terror para todas as nações. E que é necessário que Sião seja edificada segundo a lei do reino celestial, ou ele não pode recebê-la a si mesmo. Ele não pode recebê-la senão edificada segundo a lei plena da consagração. Todas as Siões já redimidas, de todas as criações que Deus fez, foram redimidas sobre este princípio. E Deus nos disse, na revelação dada ao antigo Enoque: "Arrebatei Sião para meu próprio seio, dentre todas as criações que fiz." Ora, se ele fez isto — se escolheu Siões, fê-lo entre os diferentes mundos, pela lei celestial; e são santificadas pela mesma lei, e habitam em seu seio — isto é, sob seu conselho e cuidado vigilante, na presença de sua glória, exaltadas diante dele, todas redimidas pela mesma lei, portanto participantes da glória, da mesma exaltação, da mesma plenitude nos mundos eternos. Portanto, se a Sião dos últimos dias for considerada digna de se misturar com a antiga Sião de Enoque, arrebatada antes do dilúvio, se forem considerados dignos, quando vier a Sião de Enoque, de serem arrebatados a seu encontro, e caírem sobre seus pescoços, e eles caírem sobre os pescoços dos Santos dos Últimos Dias, e se desfrutarem da mesma glória, da mesma exaltação com a antiga Sião, devem cumprir a mesma lei. "Não posso receber Sião a mim mesmo", diz o Senhor, "a menos que edificada por esta lei."

Haverá grande preparação antes da redenção de Sião. Suponhamos que todos fôssemos devolvidos, digamos, neste outono, ou no próximo ano, ao Condado de Jackson. Digamos que uma grande maioria fosse devolvida à terra de nossas heranças, no Missouri, e nas regiões ao redor, e se nos dissesse: "Ide, meus filhos, e edificai Sião segundo a lei celestial, pela consagração da propriedade de minha Igreja, como ordenei" — estaríeis preparados para esta obra? Tendes experiência nisto? Aprendestes a lição pela experiência? Não, não; anos após anos se passaram desde que aquela lei foi dada; os que então eram de meia-idade agora cambaleiam para suas sepulturas; os jovens cresceram e se tornaram homens, e a lei não foi praticada em nosso meio. Temos apenas a letra da lei. A teoria tem existido, mas quem a praticou? Tomar-nos-eis em nosso estado de ignorância? Enquanto temos sido cada homem por si, e acumulando tudo o que podia agarrar, e quase negligenciando a lei menor do Dízimo, poder-se-ia esperar que o Senhor dissesse a um povo assim situado, e sem experiência nestas coisas, voltai ao Condado de Jackson? Deve haver uma preparação aqui; e não me surpreenderia se o Espírito do Senhor viesse sobre a Presidência deste povo, e nos dissessem para entrarmos na lei superior no que toca à nossa propriedade. O Senhor deseja tirar de todo homem o poder de se elevar acima de seu irmão ou sua irmã, no que toca à riqueza ou propriedade, tornando seu povo igual, mantendo-o igual; não por uma divisão de propriedade, mas sobre o princípio das mordomias. Isto os mantém iguais. Não há chance de se tornarem desiguais. Está fora de seu poder ser desiguais. Se um homem perde tudo o que tem num incêndio, e todo o seu rebanho morre, o fato é que ele é tão rico quanto todos os outros, porque é mordomo. Não possui nada, nem eles tampouco. "Mas," pergunta alguém, "jamais nos tornaremos possuidores de boa-fé?" Sim. Como agora vemos, os filhos podem agir por seu pai, mas ainda assim são considerados na mente do pai como herdeiros de sua propriedade em certo tempo; assim com os Santos dos Últimos Dias. Podem ser feitos mordomos, mas virá o tempo em que serão herdeiros de boa-fé. A revelação nos diz quando virá aquele tempo. Que, quando o sétimo anjo tocar sua trombeta, e depois que o povo se tiver provado em suas mordomias, e quando Jesus vier em sua glória, serão feitos possuidores, e serão feitos iguais a ele. Consequentemente, quando o Senhor prometeu a Abraão, Isaque e Jacó a terra de Canaã, não era testemunho algum de que entrariam na posse daquela terra no dia seguinte à promessa. Tiveram de peregrinar nela, e provar sua dignidade, até que chegasse o tempo em que saíssem de suas sepulturas, e a terra fosse transfigurada e purificada da maldição, então seriam feitos possuidores. Assim com os Santos dos Últimos Dias. O Senhor disse, em 2 de janeiro de 1831: "Pretendo dar-vos uma terra de promissão, sobre a qual não haverá maldição, quando o Senhor vier: eis este é meu convênio convosco, que a recebereis por herança, enquanto a terra existir, e a possuireis novamente na eternidade, para não mais passar." Isto não significava que entraríamos na posse naquele momento, ou em 1831; mas, quando nos tivéssemos provado sábios mordomos, e prestado contas de nossa mordomia, e sido aceitos, então receberíamos uma herança, não somente no tempo, mas enquanto a eternidade perdurar. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “As Manifestações do Poder de Deus em Favor de Seu Povo nos Tempos Modernos São Diferentes das de Eras Anteriores — Consagração — Ordem de Enoque — Dízimo — Mordomias — Redenção de Sião”, (1873-08-16). Pulpit Vault, 1873-08-pratt-the-manifestations-of-gods-power-in-behalf-of. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).