Pulpit

O Surgimento de Sião nos Últimos Dias

Orson Pratt

1873-06-15

Chamarei vossa atenção para as duas primeiras linhas do primeiro hino que foi cantado nesta tarde —

"Levanta-te, ó gloriosa Sião, tu, alegria dos últimos dias."

Em conexão com estas duas linhas, chamarei a atenção da congregação para o primeiro versículo do capítulo 60 de Isaías —

"Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor já vai nascendo sobre ti."

A passagem que citei de Isaías refere-se à Sião dos últimos dias, sobre a qual o coro cantou na abertura da reunião. Para que não haja mal-entendido quanto ao povo a que o profeta se referia, lerei algumas outras passagens ligadas a ela — "E um Redentor virá a Sião e aos que se convertem da transgressão em Jacó, diz o Senhor." A Sião de que aqui se fala é chamada a "levantar-se e resplandecer, porque a glória do Senhor nasceu sobre ela." Não há coisa alguma mais plenamente revelada nas Escrituras da verdade eterna do que o surgimento da Sião de nosso Deus nos últimos dias, revestida com a glória de Deus vinda dos céus — uma Sião que atrairá a atenção de todas as nações e povos de toda a terra. Não será algo que acontece num canto, em alguma ilha distante do mar, ou entre algum povo obscuro; mas será algo que chamará a atenção de todos os povos e nações sobre a face de toda a terra. O surgimento de Sião, a Sião dos últimos dias. Que devemos entender pelo significado de Sião? O que entendo, e o que as Escrituras retrataram quanto ao significado de Sião é: um povo que receberá a lei de Deus, e que será reconhecido pelo Senhor como seu povo — um povo que será reunido das nações da terra, e construirá uma casa ao nome do Senhor nos últimos dias. Um povo que terá sua morada nas montanhas, e que construirá uma cidade que se chamará Sião. Todas essas coisas estão claramente retratadas na profecia. O povo de Deus deve ser um povo que preste a mais diligente atenção à sua palavra; será guiado pela revelação vinda dele, e entre eles seu poder se manifestará de modo conspícuo. Estas são características desta Sião dos últimos dias, faladas pelos antigos profetas, que, se o Espírito do Senhor me permitir compreender claramente o assunto, procurarei, nesta tarde, em minha linguagem simples e à minha maneira simples, apresentar a esta congregação.

Encontramos, no capítulo 40 das profecias de Isaías, que o povo de Sião deve ser levantado em preparação para o segundo advento do Filho de Deus. Isaías usa uma exclamação assim — "ó Sião, que trazes boas novas, sobe a um monte alto." Parece, por isso, que o povo chamado Sião, onde quer que estivesse, deveria ser removido das regiões que originalmente habitava, e ser localizado num monte alto, ou numa região muito elevada. Se desejais saber a que tempo esta exortação profética ao povo de Sião se refere, lede todo o capítulo 40 de Isaías, e vereis que, naquele período, a glória de Deus há de ser revelada, e toda a carne a verá junta, referindo-se evidentemente ao grande dia em que o Filho de Deus virá em sua glória, quando todo olho o verá, e também os que o traspassaram, e todos os povos, nações e línguas sob o céu, que forem poupados para aquele dia, o contemplarão descer com poder e majestade a esta terra. Neste capítulo 40, o profeta Isaías nos disse que então os montes serão abaixados, os vales exaltados, os lugares ásperos aplanados, a glória do Senhor revelada, e toda a carne a verá junta. Então as iniquidades do antigo Israel terão sido suficientemente punidas, pois o Senhor os terá recompensado em dobro por todos os seus pecados. Quando esse tempo chegar, ao povo chamado Sião será exigido que suba aos montes altos, e trarão boas novas aos habitantes da terra.

Aqueles que ouviram a proclamação dos Santos dos Últimos Dias podem julgar se trouxemos ou não boas novas a esta geração. Fomos chamados pelo Todo-Poderoso e seus santos anjos a sair e declarar às nações da terra que Deus falara novamente dos céus, e que, por meio de santos anjos enviados do céu, ele revelara novamente o Evangelho eterno em toda a sua plenitude, e por quarenta anos temos declarado isso ao mundo. Também testificamos que muitos dos servos de Deus foram ordenados por santos anjos e enviados a publicar estas novas entre os habitantes da terra, e que outros foram ordenados por aqueles que receberam sua ordenação de mensageiros celestiais.

Que novas maiores ou mais gloriosas poderiam ser proclamadas aos filhos e filhas caídos dos homens do que o Evangelho eterno, o mesmo Evangelho que foi proclamado antigamente por Jesus e seus Apóstolos? No sexto versículo do capítulo 14 do Apocalipse de São João, lemos do Evangelho sendo revelado por um anjo, e que, depois de revelado, deveria ser publicado a todo povo, nação e língua sob todo o céu, dizendo que chegara a hora do juízo de Deus, mostrando claramente que o dia em que o anjo seria enviado com o Evangelho eterno deveria ser especialmente caracterizado por terríveis juízos derramados sobre as nações dos ímpios.

Quando o profeta disse: "ó Sião, tu que trazes boas novas, sobe a um monte alto," sem dúvida ele contemplou em visão a grande obra de reunir os filhos de Sião, das várias nações da terra, para uma região montanhosa ou elevada de nosso globo.

Antes da morte do profeta Joseph Smith, o Senhor predisse, por meio dele, que este povo seria reunido de todas as nações sob o céu, e seria estabelecido nas montanhas, ou regiões elevadas, deste continente; e dois ou três anos depois de sua morte — vinte e seis anos atrás, nesta próxima estação — esta predição começou a se cumprir, pois, no ano de 1847, os pioneiros fizeram uma jornada de 1.400 milhas desde o rio Mississippi, e, pela inspiração do Espírito do Deus vivo, descansaram nesta região montanhosa, então selvagem e desolada. Começaram um povoado onde hoje se ergue o sítio desta cidade, e, desde então, este povo, reunido de toda nação pela pregação do Evangelho eterno, revelado nestes últimos dias por meio do profeta Joseph, estendeu suas fronteiras, e construiu vilas e cidades por uma área de muitas centenas de milhas de extensão. Em obediência ao mandamento do Todo-Poderoso, este povo deixou seus países natais e os túmulos de seus antepassados, e veio aos milhares, a cada ano subsequente, e povoou esta alta e elevada região de nosso país. Viemos aqui porque profetas modernos abriram sua boca pelo espírito de revelação e declararam serem estas montanhas a morada da Sião dos últimos dias. Viemos para cumprir profecias modernas, bem como as predições dos antigos profetas. Não lestes, Santos dos Últimos Dias e estranhos, neste bom e velho livro, uma predição, proferida há cerca de dois mil e quinhentos anos, pela boca de Isaías, a respeito da casa do Senhor que seria construída nos últimos dias no cume dos montes? Presumo que a tenhais lido muitas vezes; de fato, já ouvi denominações cristãs de quase todas as seitas, em seus salmos e cânticos, referirem-se a esta profecia. Falaram do monte da casa do Senhor, que seria estabelecido nos últimos dias sobre os montes.

Permiti-me agora referir-vos àquela profecia, que está registrada no capítulo 2 de Isaías, e que assim diz — "E acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes, e se exalçará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. E irão muitos povos, e dirão: 'Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine acerca dos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor.'"

Parece, então, que o povo que construiria esta casa de Deus nos últimos dias, nas montanhas, é chamado Sião, e dele sairia a lei. Que lei? Significa isso a lei civil do país, para governar todo o povo? Não. O povo desta república americana, por seus representantes no Congresso, promulgou leis civis e formou um grande e livre governo sobre a face deste continente, pelo qual o povo, em capacidade civil, é governado. Isto, portanto, deve referir-se à lei do Evangelho, que Deus revelaria nos últimos dias a Sião. De Sião sairá a lei, diz o profeta, e então, para mostrar mais plenamente a natureza desta grande obra dos últimos dias, ele exclama no versículo seguinte — "E julgará entre as nações, e repreenderá muitos povos; e converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; não alçará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear."

É bem evidente, por esta última predição que li, que uma obra muito grande e importante deveria ser feita nos últimos dias sobre as montanhas. O Senhor há de preparar ou construir uma casa nas montanhas. Não será uma obra maravilhosa e um prodígio o Senhor ter uma casa nos últimos dias sobre a terra? Creio que sim, especialmente quando lembramos que a terra esteve sem uma casa de Deus por muitíssimas gerações. Se sempre tivesse havido uma casa de Deus sobre a terra, o profeta jamais teria proferido esta profecia; mas, nos últimos 1.600 anos, poderíamos ter ido de leste a oeste, e de norte a sul, nos quatro cantos da terra, e depois às ilhas do mar, buscando uma casa de Deus, e não a teríamos encontrado. O que quero dizer com uma casa de Deus é uma que o próprio Deus mandou construir. Sei que há muitas casas construídas em todas as grandes cidades desta República, bem como na Europa, pelas diferentes seitas religiosas, muitas delas edifícios soberbos, e geralmente encontrareis escrito sobre elas: "a casa do Senhor," "a casa de Deus," "a igreja de Jesus," a casa de Deus chamada "igreja de São Paulo," a casa de Deus chamada "igreja de São Pedro," ou "igreja de São João." Podemos encontrá-las em abundância em Nova York, e em todas as grandes cidades e vilas de nossa nação, também na Grã-Bretanha, e em todas as nações cristãs da Europa, edifícios muito grandiosos, soberbos, que custaram uma imensa soma de dinheiro. Mandou Deus construir alguma dessas casas? Se não mandou, então não são suas casas, e recebem, dos construtores ou proprietários, o apelido de casas do Senhor, embora, na realidade, ele nada tenha a ver com elas. Já enviou ele algum anjo a alguma dessas casas? Não. Quando apareceu ele em sua glória nessas casas? Nunca. Já disse ele ao povo: "construístes-as segundo o modelo que vos dei, e agora as aceito"? Nenhuma declaração assim jamais se ouviu entre todas essas nações cristãs. O Senhor não teve casa alguma sobre a terra por muitíssimos séculos, e por essa mesma razão o profeta Isaías foi movido pelo Espírito de revelação a declarar que tão grande acontecimento, como o Senhor ter uma casa sobre a terra nos últimos dias, se cumpriria, e sua localização seria nas montanhas. Disto podemos tirar a conclusão de que deve ser numa região muito elevada, quando comparada com o nível geral ou a superfície do país onde será construída.

Há uma coisa que caracterizará a Sião dos últimos dias: seu povo não apenas receberá o mandamento de subir a um monte alto, mas também receberá o mandamento de construir ao Senhor uma casa nas montanhas, o modelo dessa casa sendo dado por inspiração, tudo o que a ela pertence sendo ditado pelo poder da profecia pelos servos do Deus Altíssimo; e, quando a casa for construída, se nenhuma coisa impura for permitida entrar nela para profaná-la, Deus virá a seu tabernáculo; mas, se alguma coisa impura entrar naquela casa e a profanar, ele não entrará, pois não habita em templos profanos, e não aceitará tal casa como oferta das mãos de seus Santos. Mas lemos que, nos últimos dias, Deus aceitará a casa que for construída, e não somente a casa erigida a seu nome, mas também as casas de habitação de seu povo, mostrando que devem ser um povo muito puro, ou ele não aceitaria suas moradas particulares.

A fim de provar isto, referir-vos-ei agora ao capítulo 4 de Isaías. Ali lemos — "E criará o Senhor sobre toda habitação do monte Sião, e sobre as suas congregações, uma nuvem de dia, e uma fumaça, e um resplendor de fogo flamejante de noite; porque sobre toda a glória haverá proteção. E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva." Creio que este edifício se chama Tabernáculo, e acomodará de doze a quinze mil pessoas, e é um lugar razoavelmente fresco para o povo no calor do verão, especialmente sendo uma sombra de dia contra o calor, e um lugar de refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva. Não creio que tempestades ou temporais afetariam uma congregação que estivesse reunida no Tabernáculo do Senhor; mas desejo particularmente chamar vossa atenção ao versículo anterior — "o Senhor criará sobre toda habitação do monte Sião, e sobre todas as suas congregações, uma nuvem e fumaça de dia, e o resplendor de uma chama ou coluna de fogo de noite." Não vejo nenhuma nuvem cobrindo esta casa, ou a congregação que está diante de mim. Qual é a razão? O tempo ainda não chegou. Há de vir o tempo em que Deus se reunirá com toda a congregação de seus Santos, e, para mostrar sua aprovação, e que de fato os ama, fará um milagre, cobrindo-os com a nuvem de sua glória. Não me refiro a algo invisível, mas àquela mesma ordem de coisas que outrora existiu na terra, no que dizia respeito ao tabernáculo de Moisés, que era carregado no meio dos filhos de Israel enquanto peregrinavam pelo deserto. Manifestou-se Deus naquele tabernáculo, construído segundo o modelo que deu a seu servo Moisés? Sim. De que maneira? De dia, uma nuvem enchia aquele tabernáculo. O Senhor pretendia que seu povo fosse continuamente coberto pela nuvem, e pretendia revelar-se a eles, e mostrar mais plenamente sua glória entre eles; mas pecaram tanto diante dele que declarou — "minha presença não subirá contigo, para que eu não irrompa contra ti em meu furor e te consuma num momento no caminho." Por causa de sua iniquidade, ele retirou sua presença, e sua glória, em grande medida, lhes foi tirada; mas ainda assim Moisés teve permissão para entrar no tabernáculo, e contemplar a glória de Deus, e diz-se que falava com o Senhor face a face — uma bênção que Deus pretendia conceder a todo o Israel, se tivessem guardado sua lei e não tivessem endurecido seu coração contra ele. Mas, nos últimos dias, haverá um povo tão puro no Monte Sião, com uma casa estabelecida no cume das montanhas, que Deus se manifestará, não somente em seu Templo e sobre todas as suas congregações, com uma nuvem visível durante o dia, mas, quando vier a noite, se estiverem reunidos para adorar, Deus se reunirá com eles por sua coluna de fogo; e, quando se retirarem para suas moradas, eis que cada morada será iluminada pela glória de Deus — uma coluna de fogo flamejante de noite.

Já ouvistes falar de alguma cidade assim favorecida e abençoada, desde o dia em que Isaías proferiu esta profecia? Não; é uma obra dos últimos dias, uma que Deus há de consumar nos últimos tempos, quando começar a se revelar, e a manifestar seu poder entre as nações. Isto é o que significam as palavras de nosso texto, o primeiro versículo do capítulo 60 de Isaías — "Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor já vai nascendo sobre ti."

Ora, para vos mostrar que isto não é algo espiritual, algo que será invisível e não discernível pelos Santos dos últimos dias, ou pelos habitantes da terra em geral, permiti-me referir-vos ainda mais ao capítulo 60 de Isaías. O profeta, no primeiro versículo, usa as palavras de nosso texto: "Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor já vai nascendo sobre ti"; e no versículo seguinte diz — "porque eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão, os povos; porém sobre ti o Senhor virá nascendo, e a sua glória se verá sobre ti." Será algo discernível. E agora, para mostrar que será discernível por todos os povos da terra, quando vierem visitar Sião, lede o versículo seguinte — "e as nações caminharão à tua luz, e os reis, ao resplendor da tua aurora"; mostrando clara e evidentemente que os gentios, e até os reis da terra, serão naquele dia despertados pela glória de Deus, que resplandecerá sobre Sião, a qual será como uma cidade posta sobre um monte, cuja luz não se pode esconder.

Voltemos novamente ao segundo versículo do segundo capítulo de Isaías. Quando o Senhor cumprir as palavras que o profeta falou, fazendo construir uma casa a seu nome no cume das montanhas, ele diz: "Muitos povos irão e dirão: 'vinde, subamos aos montes do Senhor, à casa do Deus de Jacó; e ele nos ensinará acerca de seus caminhos, e andaremos em suas veredas!'" O que causa esta grande agitação entre as nações da terra naquele dia? Ouvirão da glória e do poder de Deus, tal como se manifesta entre seus Santos em Sião. O Senhor, por vinte ou quarenta anos, tem trabalhado para estabelecer entre os homens meios de transmitir conhecimento aos cantos mais remotos da terra. Dentro da memória de muitos ainda vivos, foi feita a descoberta do telégrafo elétrico, por meio do qual notícias dos feitos dos homens em qualquer país podem ser enviadas ao redor da terra em menos de vinte e quatro horas. E, se não houvesse impedimento, o fluido elétrico levaria notícias de qualquer ponto às nações mais distantes num segundo de tempo, e agora a terra está quase coberta por uma grande rede de fios para facilitar a rápida comunicação entre as várias nações. Para que serve tudo isso? É simplesmente para satisfazer a cobiça dos homens em seus negócios comerciais? Não; o Senhor tinha em vista um objetivo mais grandioso. Os homens usam o telégrafo para o propósito que mencionei, e, em muitos aspectos, é usado com bom proveito, e tem sido o meio de trazer as nações a uma relação muito mais próxima do que antes, e de estender entre elas o conhecimento das artes e ciências; mas o grande objetivo que o Senhor tinha em vista, quando esta grande invenção ou descoberta foi trazida à luz, era permitir que o conhecimento fosse enviado dos cumes das montanhas, do meio de Sião, quando sua glória começasse a se manifestar entre seu povo nos últimos dias. A pergunta será então feita, entre as nações distantes: "que notícias de Sião?" "Que está o Senhor fazendo entre aquele povo?" Supondes que ouvirão com indiferença sobre uma cidade que, com cada morada que contém, será iluminada por uma luz sobrenatural? Não; esta é uma das coisas que farão os povos distantes, e seus reis, dizerem: "subamos a Sião," "subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó." Para quê? "Para que nos ensine acerca de seus caminhos, e para que andemos em suas veredas." Começarão então a discernir a diferença entre a casa de Deus e as casas feitas pelos homens, entre o que Deus está fazendo na terra e o que será feito pela sabedoria dos homens.

Alguns supuseram que a manifestação da glória de Deus nos últimos dias não se daria até que Jesus viesse nas nuvens do céu; mas isso é um engano, ela se dará antes desse tempo. Antes do segundo advento do Redentor, o povo de Sião será reconhecido por Deus como a grande Igreja dos últimos dias, que estará preparada para sua vinda, e terá as chaves do poder para ensinar a humanidade nos caminhos do Senhor. Que estará fazendo o resto do povo? Diz Isaías: "eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão, os povos." Esta será a distinção entre Sião e o resto das nações. O Senhor virá nascendo sobre Sião, e sua glória se verá em seu meio, e diz Isaías — "os gentios virão à tua luz, e os reis, ao resplendor da tua aurora. Levanta em redor os teus olhos, e vê: todos estes já se ajuntaram, e vêm a ti; teus filhos virão de longe, e tuas filhas se criarão a teu lado." "Quem são estes que vêm voando como nuvens, e como pombas, às suas janelas?" Com certeza viremos com grande rapidez. Como disse Isaías no capítulo 5 — o Senhor assobiaria a ti desde as extremidades da terra, levantaria um estandarte para as nações, e elas viriam apressada e ligeiramente; assim como fazeis vós, emigrantes, quando embarcais nestas ferrovias, quando, em vez de noventa ou cem dias para chegar a esta região elevada, como era o caso durante vários anos, chegais em dois ou três dias. "Virão apressada e ligeiramente, e ele levantará um estandarte de longe." Não na Palestina, onde o profeta proferia sua predição, o que teria sido próximo. Não um estandarte que seria erguido em Jerusalém, ou em qualquer lugar daquela terra; mas Deus haveria de começar a grande obra dos últimos dias longe de Jerusalém. Este estandarte é mencionado no capítulo 18 de Isaías, ao qual agora me referirei. O terceiro versículo daquele capítulo diz: "vós, todos os habitantes do mundo, e vós os moradores da terra, quando se levantar a bandeira nos montes, o vereis; e quando se tocar a trombeta, o ouvireis." Não era uma proclamação a alguns milhares de pessoas reunidas em algum pequeno trecho de terra, mas a todos vós, habitantes da terra. Ninguém escapa a esta proclamação, mas todos vós, habitantes da terra, vede quando ele levantar uma bandeira. Onde? Sobre os montes. Ali está o lugar onde Sião há de ser erguida, quando o estandarte da verdade for revelado do céu nos últimos dias.

Como este estandarte deveria ser erguido de longe, como se prediz no capítulo 5 da profecia de Isaías, indaguemos agora onde ele há de ser localizado, e que tipo de país é aquele em que há de ser erguido. É uma terra distante de Jerusalém, lembrai-vos, e, a fim de averiguar algo sobre o caráter do país, leremos o primeiro versículo do capítulo 18 — "Ai da terra que ensombreia com as suas asas, que está além dos rios da Cuxe." Onde estão os rios da Cuxe? A sudoeste da Palestina, onde Isaías proferiu esta profecia. Supondo que tivésseis o mapa da América do Norte e do Sul, e de todo o mundo, estendido diante de vós, e depois vos imaginásseis ao lado do profeta, na Palestina, quando disse: "ai da terra que ensombreia com as suas asas, que está além dos rios da Cuxe," e lançásseis os olhos, se tivésseis poder para fazê-lo, além dos rios da Cuxe, que tipo de terra contemplaríeis, se pudésseis abarcar em vossa visão a terra da América do Norte e do Sul? Veríeis uma terra que se pareceria com as duas asas de uma ave. Raramente a olho, tal como aparece em nossos mapas, sem que me lembre das duas asas de uma grande ave. Uma terra que ensombreia com asas — em outras palavras, tendo a aparência de asas. Uma terra distante, além dos rios da Cuxe, ali, naquela terra, será erguido o estandarte para as nações; não para alguns poucos indivíduos, mas para todas as nações. Não é de admirar que o profeta tenha dito que a proclamação deveria ser universal — "todos vós, habitantes do mundo, todos vós, moradores da terra, vede quando ele levantar este estandarte."

Que o Senhor pretende que seja para o benefício tanto dos gentios quanto de Israel, permiti-me referir-vos ao versículo 22 do capítulo 49 de Isaías. "Assim diz o Senhor Deus: eis que levantarei a minha mão para as nações, e aos povos levantarei a minha bandeira; então trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas sobre os ombros, e os reis serão teus aios, e as suas rainhas, tuas amas," etc.

Esta é também uma grande obra dos últimos dias para a reunião da casa de Israel — uma obra que começará entre os gentios. Nos dias antigos, o Senhor começou sua obra entre Israel. O reino dos céus foi pregado entre os judeus, mas eles se provaram indignos, e diz Paulo: "eis que nos voltamos para os gentios," e o reino foi tirado dos judeus e dado a uma nação que dele produzisse os frutos. Os ramos naturais de Israel foram cortados, e os ramos da oliveira brava — os gentios — foram enxertados. Mas os gentios, desde que foram enxertados, há 1.800 anos, caíram segundo o mesmo exemplo de incredulidade dos antigos judeus, e perderam o poder e a autoridade que outrora possuíam; e, por muitos séculos, não tiveram apóstolos, nem profetas, nem anjos do céu, nem poder de piedade manifestado entre eles, e nada além dos ensinamentos e preceitos de homens não inspirados. Mas, na grande obra dos últimos dias, o Senhor começa onde parou — "os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros." Assim como os judeus, nos dias antigos, foram os primeiros, e os gentios os últimos, assim, na grande obra dos últimos dias, os gentios serão os primeiros, e Israel será o último. Por isso diz o profeta: "eis que assim diz o Senhor Deus: levantarei minha mão para os gentios, e eles trarão teus filhos em seus braços, e tuas filhas sobre seus ombros, e levantarei meu estandarte para os gentios."

Que é um estandarte? O mesmo que uma bandeira — uma bandeira que há de ser erguida sobre as montanhas, sobre uma terra distante. É o estandarte do Todo-Poderoso, o mesmo estandarte de que se falou em conexão com a grande estrada que seria construída por todo este continente. Não me voltarei a ela, mas procurarei repetir a substância da profecia a seu respeito. Isaías, falando desta grande estrada, ou ferrovia, diz: "passai, passai pelas portas; preparai o caminho ao povo; aplainai, aplainai a estrada, limpai-a das pedras; arvorai a bandeira aos povos." A mesma obra que Deus pretendia realizar nas montanhas, e ele quis que uma estrada fosse construída, para que o povo pudesse ir com rapidez e presteza àquela terra.

Mas dirá alguém: "que quer dizer o profeta quando diz, passai pelas portas?" Creio que, se eu fosse Isaías, e tivesse tido a visão de minha mente aberta para ver a ferrovia e os grandes trens de vagões, sem nenhuma vida animal aparente atrelada a eles, indo com rapidez e presteza, se os tivesse visto disparar para dentro da montanha e, depois de observar alguns minutos, os tivesse visto sair do outro lado, e então desejasse descrever em palavras o que havia visto, não creio que pudesse ter encontrado nada mais apropriado do que aquilo usado pelo antigo profeta — "passai, passai pelas portas, aplainai, aplainai a estrada, limpai-a das pedras, e arvorai a bandeira aos povos." Então, para mostrar que este estandarte e esta estrada estavam ligados, o profeta, no versículo seguinte, diz: "eis que o Senhor fez ouvir até as extremidades da terra: dizei à filha de Sião: eis que a tua salvação vem; eis que vem com ele o seu galardão, e a sua obra, diante dele. E chamá-los-ão: povo santo, remidos do Senhor; e tu serás chamada: buscada, a cidade não desamparada." O povo de Sião não será um povo profano. O mundo olha para os Santos dos Últimos Dias como os mais corruptos de todos os povos sobre a face da terra. Mas, segundo as palavras do profeta, o povo que habita nas montanhas, onde o estandarte há de ser erguido, será um povo santo. "Eis que teu Redentor vem, eis que o Senhor virá." Esta tem sido a proclamação do povo de Sião, desde que começamos, há cerca de quarenta anos, a declarar que Deus estava para vir em sua glória, poder e majestade, na grandeza de sua força, com todos os seus santos anjos com ele, nas nuvens do céu, para reinar sobre a terra. Esta proclamação irá até os confins da terra, todos os povos serão convidados a subir a estas montanhas, e virão em bandos, como nuvens, e como pombas às suas janelas.

Isto cumprirá a profecia de Daniel. Lede o segundo capítulo de Daniel, se quiserdes saber sobre o reino dos últimos dias. Estudai-o cuidadosamente. Não sei se terei tempo para me deter nele, mas vos referirei a algumas poucas coisas relativas ao reino dos últimos dias. Daniel, ao interpretar o sonho de Nabucodonosor, rei da Babilônia, descreve os vários reinos da terra, de seus dias em diante, enquanto houvesse reinos humanos sobre a terra, sob a forma de uma grande imagem, com a cabeça de ouro, o peito e os braços de prata, o ventre e as coxas de bronze, as pernas de ferro, os pés em parte de ferro e em parte de barro de oleiro. Representavam os vários reinos do mundo, e mais especialmente os quatro grandes reinos que deteriam domínio universal. Depois de ver esta imagem em toda a sua completude, do ouro até os últimos remanescentes das nações da terra, representados pelos pés e artelhos da imagem, ele então vê um reino e um governo inteiramente distintos e que não formam parte alguma da imagem, mas que dela estão inteiramente separados. Foi representado como uma pedra cortada da montanha sem mãos, e rolou para diante, e diante do poder deste novo reino todos os reinos da terra foram despedaçados pelo poder do Todo-Poderoso. Que foi feito deles? Deveriam ser como a palha da eira de verão — o vento os levou, e não se achou lugar para eles.

Podeis tirar vossas próprias conclusões sobre todos os governos humanos. Daniel diz que este reino que sairia da montanha seria o reino de Deus, que o próprio Deus estabeleceria nos últimos dias, e permaneceria para todo o sempre, jamais seria despedaçado, nem seria dado a outro povo, enquanto todos esses reinos terrenos passariam e seriam esquecidos, como a palha levada por um tremendo temporal, sem que se achasse lugar para eles.

O reino de Deus dos primeiros dias, estabelecido nos dias dos Apóstolos, foi vencido, em cumprimento da profecia de Daniel. Ele viu que os poderes deste mundo guerreariam contra o reino então estabelecido, e o venceriam. João, o Revelador, também predisse que certo poder se levantaria e guerrearia contra os Santos, e os venceria. Essa é a razão pela qual aquele reino não continuou sobre a terra: foi vencido, e todo vestígio dele destruído. Nenhum profeta, revelador ou apóstolo inspirado restou para edificar o reino; nenhum homem inspirado entre todas as nações; mas, depois de haver passado um longo tempo, Deus enviaria um anjo do céu com o Evangelho eterno. Para quê? Para organizar novamente seu reino sobre a terra; e, quando Deus o estabelecesse nos últimos dias, depois que os artelhos e os pés da grande imagem se formassem, então não haveria mais despedaçamento daquela pequena pedra, mas, à medida que rolasse, ganharia força e se tornaria cada vez maior, como disse Daniel, até se tornar um grande monte e encher toda a terra. E o reino e a grandeza do reino, debaixo de todo o céu, seriam dados nas mãos dos Santos do Deus Altíssimo.

Esse reino se chama Sião — a Sião dos últimos dias, sobre a qual nosso coro cantou em seu primeiro hino nesta tarde. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “O Surgimento de Sião nos Últimos Dias”, (1873-06-15). Pulpit Vault, 1873-06-pratt-the-rise-of-zion-in-the. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).