Pulpit

Circunstâncias Alteradas do Israel Reunido—As Seduções de Satanás em Ação—O Egoísmo e a Avareza Devem Ser Postos de Lado—Devoção à Obra de Deus—A Ordem de Enoque, o Meio de Estabelecer uma Igualdade nas Coisas Temporais—Poderes Celestiais Cooperando com os Santos

George Q. Cannon

1873-06-29

As instruções que tivemos nestas reuniões, considero-as da mais alta importância. Creio que virão acompanhadas de excelentíssimos resultados para aqueles que as ouviram, e que o comparecimento a estas reuniões também é extremamente importante para os Santos dos Últimos Dias. Provavelmente nunca houve, desde a organização desta Igreja, um tempo em que os Santos dos Últimos Dias precisassem mais de instrução clara, direta e enfática do que hoje. Chegamos a um ponto em nossa história em que se exige de nós, como Élderes e Santos, em todas as relações da vida, um aumento de poder que nos permita suportar e resistir às provações com que nos deparamos. Por mim, posso testificar que nunca senti como sinto hoje, e como tenho sentido ultimamente, a extrema necessidade de estar desperto para a obra de Deus, e de ter o espírito e o poder da religião de Jesus Cristo repousando sobre mim. Olho ao redor e vejo as circunstâncias que cercam meus irmãos e irmãs. Vejo a grande mudança que se operou nestes últimos dois ou três anos. Estes vales, que outrora eram tão reclusos e isolados, e tão raramente visitados por estranhos, mas eram quase inteiramente ocupados pelos Santos de Deus, mudaram em muitos aspectos. Já não somos o povo recluso que éramos há cinco anos. As ferrovias penetraram em nossos vales, a chamada civilização nos assalta em todos os nossos povoados e cidades, o vício percorre nossas ruas, e a injustiça e o mal encontram-se em lugares onde deveriam reinar supremas a justiça e a retidão; e, em muitos aspectos, temos coisas a enfrentar que nunca antes tivemos de combater desde nossa organização como povo.

Estamos agora nos tornando um povo numeroso. Desde nossa chegada a estes vales, milhares de crianças cresceram da infância à juventude, e da juventude à idade adulta, sem conhecer os caminhos do mundo, e sem estar familiarizadas com as tentações, provações e males que abundam na sociedade fora de nosso lar nas montanhas. Esta numerosa classe de nossa comunidade agora se vê frente a frente com uma nova ordem de coisas. A riqueza aumenta ao nosso redor, e aqueles que resistiram à sua influência em dias passados, talvez enfraquecidos por alguma causa, ficam novamente expostos às suas tentações, e, em alguns casos, os assim enfraquecidos caem vítimas de seu poder. Estas circunstâncias inspiram sérias reflexões. Nenhum homem ou mulher pensante pode contemplar a presente condição de Sião sem ter pensamentos sérios, e sem sentir que, se o "mormonismo" e as instituições "mórmons" nunca antes estiveram à prova, certamente estão agora. Contudo, sempre estiveram à prova, e nós, como povo, também estivemos à prova. Mas surge o pensamento: como melhor nos fortificarmos contra as investidas dos ímpios? Como melhor nos entrincheirarmos, para que a iniquidade não prevaleça sobre nós, para que nossa posteridade seja preservada na pureza da santa fé, e para que, por meio dela, possamos transmitir às gerações futuras a inestimável herança de verdade que Deus nos deu?

Esta é uma pergunta que se apresenta a todas as nossas mentes, e, se fizermos como devemos, o primeiro pensamento de cada um de nós é: que rumo devemos seguir para que possamos cumprir mais eficazmente os deveres que nos incumbem? Os servos de Deus indicaram, durante estas reuniões, com extrema clareza, o caminho que está diante de nós. Se nos permitirmos ser vencidos pelo amor do mundo, então adeus a nosso futuro — adeus à gloriosa perspectiva que nos é oferecida nas revelações de Jesus Cristo. Mas alimento pensamentos, sentimentos e esperanças diferentes quanto ao futuro deste povo. Sem dúvida, como no passado, haverá os que negarão a fé, se rebelarão contra o Sacerdócio, serão vencidos pela sedução das riquezas, e transgredirão as leis de Deus, e cairão vítimas da apostasia; mas sinto-me seguro, e posso testificar nesta manhã, que a maior parte deste povo permanecerá firme e constante, e manterá sua integridade até que Sião esteja plenamente estabelecida e redimida sobre a terra. Mas é necessário, de nossa parte, uma devoção aos princípios do Evangelho. Devemos nos arrepender verdadeira e sinceramente de todo pensamento e sentimento que seja contrário à mente e à vontade de Deus, nosso Pai celestial. Devemos obedecer ao santo Sacerdócio, que ele colocou em nosso meio, ao custo de tudo, se for exigido, e não permitir que qualquer sentimento sórdido ou de autoengrandecimento entre em nosso coração ou nele tenha lugar. Não consigo conceber que algum homem possa alcançar a glória celestial se não estiver disposto a sacrificar tudo o que possui pela causa de Deus. Se tenho um pedaço de terra, uma casa, dinheiro, gado, cavalos, carruagens, ou poderes de mente e corpo, e não estiver disposto a devotar quaisquer ou todos estes bens ao avanço da obra de Deus, conforme ele possa exigir, não concebo que me seja possível entrar no reino celestial de Deus, nosso Pai celestial.

Entendeis, compreendeis, que tudo o que temos é exigido por Deus, nosso Pai, para ser posto sobre o altar? Há algo mais próximo do vosso coração do que o Evangelho do Senhor Jesus Cristo? Há algo que se interponha entre vós e a obediência, a obediência perfeita, à vontade de Deus, tal como revelada a vós por meio do Santo Sacerdócio? Se há, deveis vos livrar disso. Devemos nos humilhar diante do Senhor a tal ponto que tenhamos maior amor por sua obra, um grau maior de obediência em nosso coração ao Santo Sacerdócio do que agora temos pelas coisas que tão altamente valorizamos. De nenhuma outra maneira podemos esperar nos tornar o povo que Deus deseja que sejamos. A cada dia, parece-me, as circunstâncias do povo tornam cada vez mais evidente a necessidade de uma mudança completa em nossas circunstâncias temporais. Lemos no Livro de Mórmon que, quando os antigos nefitas começaram a aumentar em bens e a se tornar ricos, como agora estamos aumentando, o Espírito de Deus começou a diminuir em seu meio. Havia alguns que possuíam propriedades e podiam vestir e educar seus filhos melhor do que seus vizinhos. Os ricos podiam ter carruagens, cavalos e vestes finas, e outras comodidades e vantagens que seus irmãos e irmãs mais pobres não podiam ter. Em consequência dessas coisas, dividiram-se em classes. Os ricos se elevavam, em seus sentimentos, acima dos pobres. Os pobres eram humildes e mansos, e buscavam ao Senhor, em muitos casos ao menos. Predominaram as divisões em classes, e todos os males que a isso se ligam. Encheram-se de orgulho, e o Senhor permitiu que os lamanitas viessem sobre eles e os açoitassem, e, depois que as guerras haviam consumido suas forças, e a magnitude das destruições que os atingiram os havia humilhado, começariam de novo a se voltar e a se humilhar diante do Senhor, e a buscar que seu Santo Espírito habitasse em seu coração.

Estamos agora expostos precisamente às mesmas influências que eles estavam. Estamos aumentando em riqueza, e, se permitirmos que nosso coração se apegue a ela, teremos de suportar ou de passar por dificuldades semelhantes em caráter às que eles tiveram de suportar. O Senhor não permitirá que nos tornemos alienados de sua obra sem nos açoitar. Ele deixará que nossos inimigos venham sobre nós, ou fará outra coisa para nos castigar, para nos abater e nos humilhar diante dele. Ele proveu um meio pelo qual podemos escapar de todos esses males, e desejo, nesta manhã, nas poucas observações que possa fazer, chamar vossa atenção para este assunto, porque pesa sobre minha mente, e parece ser o pensamento predominante em meu coração.

Nos primeiros dias desta Igreja, Deus revelou a seu povo um sistema segundo o qual deveria viver. É conhecido entre nós como a Ordem de Enoque; e parece-me, a cada dia, que os acontecimentos estão se avolumando sobre nós de tal modo que nos obrigam a refletir e a preparar nosso coração para entrar na prática desta ordem; e que, a menos que nela entremos, mais cedo ou mais tarde, conforme Deus dirigir por meio de seu servo Brigham, seremos sujeitos a todos os desastres e consequências funestas que têm acompanhado o presente sistema de coisas, sob o qual todos os homens parecem viver e trabalhar apenas para si mesmos, e poucos, muito poucos, pensam no bem de todos.

No Livro de Mórmon lemos que, depois que Jesus veio, os nefitas tinham todas as coisas em comum, ou, para usar a linguagem do livro, que "tinham todas as coisas em comum; portanto, não havia ricos nem pobres," regulados, é claro, pelas revelações que ele lhes deu. Entraram na prática desta ordem, segundo o relato, no trigésimo sexto ano de nossa era, isto é, dentro de dois anos após o aparecimento de Jesus. É provável, contudo, pela leitura, que a tenham iniciado imediatamente após o aparecimento de Jesus em seu meio. Estavam então em boas circunstâncias para entrar nela. Os ímpios haviam sido eliminados, e a terra limpa de sua presença. Cidades haviam afundado, e água havia se erguido em seu lugar. Montanhas haviam caído sobre outras cidades, e grandes destruições haviam sido realizadas na terra, e o remanescente que restou era um povo comparativamente puro. Por 165 anos depois, ou até 167 anos após o aparecimento de Cristo, isto é, até cerca do ano 201 de nossa era, os nefitas viveram sob esta ordem. Espalharam-se por toda a terra da América do Norte e do Sul. Viviam em retidão, tanto assim que Jesus, falando deles pelo espírito de profecia, disse que nenhuma alma daquelas gerações se perderia. Foi um milênio, no que diz respeito à paz, à verdade, à virtude, à retidão e à bondade fraternal. Naturalmente não foi mil anos, mas viveram juntos como uma só família por 167 anos. Nenhuma divisão, nenhuma contenda, nenhuma inimizade, nenhuma classificação, nenhum rico e nenhum pobre, mas todos participando igualmente do dom celestial, e Deus disse em suas revelações a nós: "Se quiserdes ser iguais nas coisas celestiais, deveis ser iguais nas coisas terrenas." Eles eram iguais nas coisas terrenas, e eram iguais também nas coisas celestiais.

Ler sobre aquele período, por breve que seja o relato que nos é dado, quase faz com que alguém deseje ter podido viver em tal dia e habitar entre tal povo. O Senhor previu e predisse, por meio de seus servos os profetas, que haveria um tempo, na quarta geração, em que o adversário recuperaria seu poder sobre o coração dos filhos dos homens, e eles seriam desviados e cairiam no mal. E qual foi a primeira coisa que fizeram para preparar o caminho para o cumprimento desta terrível predição? Foi rejeitar este sistema ou ordem, e recomeçar a se classificar em ricos e pobres. Começaram a construir igrejas para si mesmos, começaram a se separar de seus irmãos, e a criar distinções de classes, e isso preparou o caminho para a destruição final da nação nefita.

Não duvido, meus irmãos e irmãs, que este será o modo pelo qual Satanás recuperará seu poder sobre o coração dos filhos dos homens ao fim dos mil anos de que lemos. Creio que os mil anos de glória milenar serão inaugurados pela prática deste sistema pelos Santos dos Últimos Dias. Quando esse sistema for praticado, o coração dos filhos dos homens poderá se devotar a Deus a um grau que seria impossível sob a atual organização das coisas. Agora somos tentados e provados e expostos a males dos quais nada saberíamos se vivêssemos sob a ordem a que me referi. Não creio que, se vivêssemos como agora vivemos por mil anos, Satanás pudesse jamais ser amarrado em nosso meio de modo que não pudesse ter poder sobre nosso coração. Deve haver uma mudança em nossos assuntos temporais, deve ser lançado um fundamento que nos una e nos torne um só. Como é conosco agora? Se um homem tem um cavalo e quer vendê-lo a seu irmão, ele tenta obter o máximo possível por ele. Se tem uma carroça ou qualquer outro bem, e quer vendê-lo, consulta ele o interesse de seu irmão? Talvez o faça, mas nem sempre os homens agem assim; ele obtém o melhor preço que pode por aquele artigo, sem consideração pelo bem-estar e proveito de seu irmão. Há um apelo constante ao egoísmo sob o presente sistema, há uma tentação constante para que o homem faça o melhor por si mesmo à custa de seus semelhantes, e não há como remediar isso plenamente; de fato, há uma luta constante, como agora, para reprimir em nós o desejo de nos beneficiarmos à custa de nossos semelhantes.

Há algo de antinatural nesta condição de coisas, algo oposto a Deus. Por que devemos estar sujeitos a essas coisas, e ter de lutar continuamente com elas? Muitos Santos dos Últimos Dias abstiveram-se de se dedicar ao comércio e a outros ramos, porque, fazendo-o, se exporiam a riscos muito perigosos para eles enfrentarem. Havia a tentação de obter lucros imensos às custas das necessidades de seus irmãos e irmãs. Sob a Ordem de Enoque, os homens não seriam assim tentados. O benefício individual não seria então o objetivo e o alvo da vida e do trabalho dos homens. Deus não nos criou com o propósito de nos esforçarmos apenas por nós mesmos; e, quando estivermos corretamente situados, sob um sistema adequado, nossos desejos fluirão naturalmente, e encontraremos espaço para o exercício de toda faculdade da mente e do corpo sem pôr em perigo a salvação de nossa alma. Poderemos então negociar e trocar, vender e comprar, e nos dedicar aos negócios sem estarmos cercados destes males com que agora temos de lutar.

Deus revelou o plano, e é muito simples; mas exigirá fé da parte dos Santos para nele entrarem. Há muitíssimos males que seriam eliminados da existência se aquele sistema fosse praticado. Por que são os homens tentados a serem ladrões? Por que roubam — tomam propriedade que não lhes pertence? Fariam isso, se a sociedade fosse devidamente constituída? Não, não seriam tentados a fazê-lo. As tentações a que estamos expostos são o resultado, em grande parte, da falsa organização da sociedade. Creio que há milhares de homens no mundo cristão que hoje são adúlteros, que não o seriam se soubessem mais e pudessem praticar o sistema de matrimônio que Deus revelou. São adúlteros por causa do falso estado de coisas que existe no mundo. E, ao falar desta prática, poderia estendê-la a muitas outras. O diabo empregou todos os meios em seu poder para embaraçar os filhos dos homens, para colocar barreiras em torno deles, a fim de impedir que cumprissem a vontade de Deus. E, quando obedecermos aos mandamentos de Deus, derrotaremos o adversário de nossas almas. Quando cumprirmos os propósitos e as revelações que Deus nos deu e nos deu a conhecer, ganharemos imensamente. Ganharemos poder e força, e, dentro de pouco tempo, o adversário será amarrado em nosso meio, de modo que não terá poder para nos tentar, e isso será realizado por nossa obediência aos mandamentos de Deus e às revelações do Senhor Jesus Cristo. Creio também que, quando Satanás for novamente solto por um pouco de tempo, ao fim dos mil anos, será porque a humanidade se afastou da prática dos princípios que Deus revelou, e provavelmente esta Ordem de Enoque entre eles. Ele não pode, de nenhum modo melhor, obter poder sobre o coração dos filhos dos homens do que apelando à sua cobiça, avareza e desejos baixos e egoístas. Esta é uma causa fecunda de dificuldade. Podeis lidar com os homens melhor de qualquer outra maneira do que quando chegais a seu dinheiro, e a todas essas coisas temporais que os cercam. Espero ver uma mudança a este respeito, oro por isso, estou disposto a trabalhar por isso. Espero que dediqueis atenção a este assunto, e busqueis, com toda a fé em vosso poder, vos prepararmos para ele, e prepararmos vossos filhos para ele, de modo que, quando os servos de Deus julgarem sábio entrar neste sistema, estejamos preparados.

Houve alguma alusão, que ouvistes, à designação de um distrito de terra neste vale para tal propósito. Se eu morasse aqui, saudaria com alegria tal empreendimento, embora pudesse temer e tremer por mim mesmo, temendo que, por alguma fraqueza, não fosse capaz de suportá-lo, ou de passar por ele, ou de praticá-lo como deveria. Não obstante, saudaria com alegria, se aqui morasse, pois pouco importa o que possa ser feito de mim, pouco importa o que possa ser feito de qualquer um de nós individualmente, apenas na medida em que a nós, individualmente, diga respeito, contanto que a obra de Deus siga avante, contanto que seus propósitos sejam consumados, e que a salvação da terra e de seus habitantes se realize. Sinto que pouco importa qual seja meu destino, contanto que isso seja realizado, e a glória de Deus se cumpra na terra, e o reinado da retidão e da verdade seja inaugurado.

Espero que Deus faça uma obra maior em nosso meio, quando isso se cumprir, do que ainda podemos conceber. Temos pensado que o Senhor Deus atrasa sua vinda. Já estamos há quarenta e três anos organizados como Igreja, e às vezes sentimos como se a obra de Deus não estivesse progredindo como deveria. Há razões para isso. Ela não está parada nem atrasada; pelo contrário, está progredindo, embora provavelmente não com a rapidez com que progredirá quando tivermos mais fé, e formos mais perfeitos em nossas práticas. Meus pensamentos foram atraídos, em consequência de uma visita que o irmão Brigham, Jr., e eu fizemos ao monte Cumora há cerca de três semanas, aos três nefitas que estiveram nesta terra, e fiquei grandemente confortado ao ler as promessas de Deus a respeito de seus trabalhos e da obra que deveria ser realizada por eles entre os gentios e entre os judeus, também antes da vinda do Senhor Jesus. Não duvido que estejam hoje trabalhando na grande causa sobre a terra. Há agências trabalhando para a realização dos propósitos de Deus e para o cumprimento das predições dos santos profetas, das quais temos, no presente, pouca concepção. Estamos absortos em nossos próprios trabalhos. Vós, no Vale de Cache, tendes vossos pensamentos centrados nos trabalhos que vos incumbem. Nós, em Salt Lake e alhures, temos os nossos na obra que imediatamente atrai nossa atenção; e, embora nós, ou todos entre nós que somos fiéis, sejamos sem dúvida instrumentais nas mãos de Deus para realizar seus propósitos e cumprir a obra que ele predisse em relação às dez tribos, aos lamanitas, aos judeus e às nações gentias, não devemos pensar que essas coisas dependem apenas de nós. Há poderes empenhados em preparar a terra para os acontecimentos que a aguardam, e em cumprir todas as grandes predições a seu respeito, dos quais nada sabemos, e não devemos pensar que isso depende apenas de nós, Santos dos Últimos Dias, e que somos os únicos agentes nas mãos de Deus para realizar essas coisas. Os poderes dos céus estão empenhados conosco nesta obra.

Esta terra é a herança dos filhos de Deus. Ela foi dada aos fiéis que viveram antes de nós, assim como a nós; eles observam nossos trabalhos com intensa ansiedade, e trabalham, em sua esfera, para a realização dos mesmos grandes e gloriosos resultados. Habitaram aqui, e cantam o cântico mencionado por João, o Revelador — "Para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra," e as almas dos que sofreram martírio clamam de debaixo do altar — "Até quando, ó Deus, não vingarás nosso sangue sobre os que habitam na terra?" Estão ansiosos pela redenção de Sião, pela realização dos propósitos de Deus, e pelo estabelecimento de seu reino universal sobre a face desta nossa terra. Mas, se não cumprirmos nosso dever, Deus nos tirará aquela herança que nos prometeu, e as coroas que de outro modo teríamos serão tomadas e dadas a outros. Nós as perderemos, a menos que façamos aquilo que Deus exige de nossas mãos com perfeita boa vontade e alegria, pois não há alegria que qualquer ser humano experimente que se aproxime da alegria de servir a Deus e guardar seus mandamentos. É mais doce do que o mais doce mel, e mais desejável do que todas as demais alegrias da terra. Vós, Santos dos Últimos Dias, sabeis disso pelo derramamento do Espírito Santo, pelo dom do precioso Espírito que recebestes, que repousou sobre vós de noite e de dia, e que fez vosso coração amolecer-se e vossos olhos chorarem lágrimas de alegria pela bondade de Deus para convosco. E, contudo, somos indolentes, e, contudo, pensamos em um pouco de propriedade, e, contudo, arriscaríamos nossa salvação porque temos medo de fazer algo que Deus exige de nossas mãos. Ó povo insensato! Como haveremos de nos apresentar diante do tribunal de nosso Deus e responder pelo uso que fizemos das inestimáveis bênçãos que ele nos concedeu? Como haveremos de nos apresentar diante daquele terrível tribunal, se não formos fiéis? Como poderemos justificar-nos por nossa infidelidade? Não podemos fazê-lo, mas nos sentiremos encolher diante da presença de nosso Juiz Todo-Poderoso quando assim nos virmos face a face com ele.

Que possamos ser fiéis até o fim, que possamos amar o Senhor mais do que amamos todas as demais coisas da terra, que possamos nos devotar a seu serviço todos os nossos dias, e legar a verdade como preciosa herança a nossos filhos que virão depois de nós, é minha oração em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “Circunstâncias Alteradas do Israel Reunido—As Seduções de Satanás em Ação—O Egoísmo e a Avareza Devem Ser Postos de Lado—Devoção à Obra de Deus—A Ordem de Enoque, o Meio de Estabelecer uma Igualdade nas Coisas Temporais—Poderes Celestiais Cooperando com os Santos”, (1873-06-29). Pulpit Vault, 1873-06-cannon-gq-altered-circumstances-of-gathered. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).