Estabelecimento Permanente do Reino de Deus A Igualdade Deve Ser Mantida Entre os Santos Cobiça Dízimo Consagração Distinções
Orson Pratt
É um prazer para mim testemunhar da grande obra que Deus revelou, e que ele está estabelecendo na terra. Tem sido um prazer para mim fazê-lo por quase quarenta e três anos. No início desta Igreja, quando eu era apenas um jovem de dezenove anos, Deus me revelou a verdade a respeito desta grande obra dos últimos dias, e desde aquele dia até o presente tenho me sentido impelido a testificar da mesma, sendo assim ordenado a fazê-lo. Tenho-o estimado acima de todas as outras coisas. As coisas deste mundo não têm significado nada para mim, comparadas com o ministério, ou com declarar a verdade à humanidade. Temos uma das mensagens mais importantes a entregar aos filhos dos homens que já foi comunicada a mortais -- uma dispensação do mesmo Evangelho que foi confiado aos homens nas primeiras eras do mundo, e nas diferentes dispensações até a vinda de Cristo. Além disso, o que torna nossa mensagem de ainda maior importância para a família humana é o fato de que vivemos na última dispensação que será dada à humanidade, chamada a dispensação da plenitude dos tempos. Todas as dispensações precedentes chegaram ao fim, ao que parece, e aqueles que abraçaram as doutrinas ou princípios que lhes foram comunicados desapareceram, e a escuridão interveio. Mas nesta última dispensação que Deus deu ao homem, não haverá desarraigamento nem destruição de seu reino da terra -- ele foi estabelecido para nunca mais ser derrubado, em cumprimento da profecia antiga. É isso que torna esta dispensação de maior importância do que todas as que a precederam. ¶
Aqui nestas montanhas está estabelecido um reino, não terreno nem transitório em sua natureza, com oficiais que são chamados por homens não inspirados, mas um reino que é divino, e que reconhece o Grande Redentor e Salvador como seu Rei e Legislador. Ele há de durar para sempre. ¶
Olho para trás com grande prazer para a história deste povo, desde o começo até o presente. Vejo o que Deus operou em seu favor; vejo o que ele realizou entre as nações. É verdade que não temos permanecido fiéis em todas as coisas como deveríamos. Não fizemos aquele progresso neste reino que deveríamos fazer. Temos sido talvez lentos em atender, em todas as coisas, aos conselhos que Deus deu, e à ordem que ele revelou, e que se destinava a ser da maior vantagem para os Santos do Altíssimo, e a produzir a maior quantidade de felicidade entre eles. Digo que, em alguns aspectos, temos sido lentos em obedecer à ordem do Céu. Em muitas coisas temos feito bem. Quando as doutrinas de fé, arrependimento e batismo para a remissão dos pecados, o batismo de fogo e do Espírito Santo pela imposição das mãos dos servos de Deus nos foram ensinadas, apegamo-nos a elas com pleno propósito de coração. Fizemos convênio diante do alto céu de que guardaríamos os mandamentos do Senhor, segundo o melhor de nossa habilidade. Fizemos bem em abraçar estes princípios celestiais. ¶
Quando Deus nos falou há uns quarenta e dois ou quarenta e três anos, e nos ordenou -- então espalhados pelo Estado de Nova York -- que nos reuníssemos em Ohio, fizemos bem em atender a esse mandamento, e nos congregarmos em Kirtland -- então no Condado de Geauga. Novamente, quando Deus deu um mandamento por intermédio de seu servo, o Profeta Joseph, para nos reunirmos de todas as partes dos Estados Unidos e formarmos um núcleo no Condado de Jackson, no Estado de Missouri, fizemos bem em obedecer a esse mandamento. Quando Deus, pela boca de seu servo, ordenou que fôssemos oficiar e sermos batizados por e em favor de nossos parentes falecidos, fizemos bem em executar o que nos foi ordenado a fazer. Quando ele ordenou a seus Santos, espalhados pelos países estrangeiros, que se reunissem a este continente, todos os que se reuniram em obediência àquela exigência, com pleno propósito de coração de fazer sua vontade, fizeram bem. Quando fomos expulsos de nossas heranças no Condado de Jackson, Missouri, e nossas terras, casas e bens foram saqueados, fizemos bem em sermos fiéis a Deus. Quando nossos inimigos, poucos anos depois, se levantaram en masse e nos expulsaram de nossa formosa cidade de Nauvoo para estas inóspitas terras selvagens do oeste, onde, segundo toda aparência humana, deveríamos perecer de fome, fizemos bem em enfrentar os perigos do deserto, e as dificuldades que tivemos de encontrar ao vir a estas montanhas. Em muitas outras coisas, também, temos feito bem. Há, porém, algumas poucas coisas que desejo mencionar, nas quais penso que uma grande reforma é necessária entre o povo de Deus. Leio neste livro, chamado o Livro de Mórmon, sobre certa ordem, a respeito das coisas temporais, que existiu logo após os dias de Cristo, a qual foi revelada e estabelecida por ele para o benefício dos Santos que viviam neste Hemisfério Ocidental. Era a mais elevada ordem e lei do reino de Deus a respeito das coisas temporais. Leio que os antigos Santos deste continente entraram naquela ordem de todo o coração. Não eram um pequeno punhado de pessoas, como os Santos dos Últimos Dias, mas estavam espalhados por toda a América do Norte e do Sul. Milhões e milhões de pessoas habitavam grandes e populosas cidades nos quatro cantos deste grande Hemisfério Ocidental, e todos entraram nesta ordem celestial que Deus havia estabelecido neste continente, e nela permaneceram por 167 anos. ¶
Qual era essa ordem? Tinham todas as coisas em comum. Não um punhado isolado onde Jesus lhes ministrou; não alguns poucos indivíduos que habitavam certa região do país, mas, tendo o Salvador escolhido doze discípulos dentre a multidão a quem apareceu, eles foram enviados por toda a face da terra, e tão grandes foram as evidências dadas a respeito do aparecimento de Jesus, que todo o povo se converteu ao Senhor, e estavam dispostos a serem guiados por aqueles servos que foram chamados e ordenados para administrar em seu meio. ¶
Antes daquele tempo havia ricos e pobres entre o povo, e, pela história que nos foi dada, sem dúvida uma ordem de coisas existia neste continente naqueles dias, semelhante à que agora existe entre todas as nações e reinos da terra -- alguns exaltados em orgulho e popularidade por causa de sua grande riqueza, outros curvados no pó por causa de sua pobreza, e distinções de classe prevaleciam até que esta nova ordem de coisas foi estabelecida. Que povo abençoado! Como deviam ser felizes! Não havia pobres nem na América do Norte nem na do Sul. Não havia mendigos nas ruas de suas grandes cidades, mas toda a propriedade -- o ouro e a prata, os rebanhos e manadas, e tudo o que era próprio para tornar a vida feliz -- era possuída e desfrutada, como mordomia, por todo o povo. Nenhuma desigualdade, no que a isto se refere, pois o padrão seguia a ordem das coisas celestiais. ¶
Ora, façamos a pergunta -- Deus alguma vez revelou aos Santos dos Últimos Dias a necessidade de entrar nesta ordem celestial a respeito de suas riquezas? Ele revelou. Quando? Quando nos reunimos no Condado de Jackson, no Estado de Missouri. No ano de 1831, a terra foi consagrada e separada por revelação para a edificação ali de uma grande e celestial cidade para o Deus Altíssimo. Não a antiga Jerusalém, mas uma nova Jerusalém, uma cidade de Sião. Deus, pela boca de seu servo Joseph, que por um curto espaço de tempo habitou no meio do povo ali, revelou a lei da consagração, não a lei do dízimo, mas a lei da consagração. Deixai-me repetir essa lei, Santos dos Últimos Dias, pois, sendo uma lei que entrará em vigor em algum período futuro de nossa história, não será impróprio que compreendamos sua natureza e nos preparemos para nos aproximarmos de suas exigências, de modo que, quando for introduzida entre nós, possamos abraçá-la de todo o coração. Quando subimos àquele país em 1831, o mandamento do Altíssimo aos Santos era que consagrassem tudo o que tinham. Não apenas um décimo, não o excedente de sua propriedade, mas tudo o que tinham, fosse ouro, prata, móveis domésticos, vestuário, joias, cavalos, gado, carroças, ferramentas mecânicas, maquinário, ou qualquer riqueza ou propriedade que possuíssem, deviam consagrar tudo e entregá-lo ao juiz do Senhor no meio de Sião. Quem era ele? O Bispo. Naqueles dias não tínhamos a necessidade de tantos Bispos como agora. Éramos um pequeno povo então, e o Bispo em Sião, sob a direção das mais altas autoridades da Igreja, sendo ele guiado e inspirado pelo Espírito Santo, deveria tomar conta de todas as consagrações do povo do Altíssimo. Isto os tornava todos iguais, cada pessoa estava sobre a mesma plataforma, não possuindo nada para começar. Tudo era consagrado e se tornava propriedade comum da Igreja. ¶
Ora, como devia essa propriedade comum ser usada? Primeiramente, os Santos precisavam de terra, precisavam de meios para construir habitações; precisavam de instrumentos de lavoura; precisavam de rebanhos e manadas; precisavam de estabelecimentos manufatureiros; precisavam que todos os tipos de negócios mercantis e mecânicos fossem introduzidos em seu meio, tão depressa quanto obtivessem meios suficientes. Por quem eram demarcadas as mordomias dos Santos? O juiz do Senhor, ou bispo em Sião, comprava terra dos Estados Unidos, e depois demarcava a cada homem a sua mordomia, segundo o número de sua família. Aqueles que eram mecânicos recebiam as ferramentas necessárias para trabalhar; aqueles que eram chamados a se ocuparem em algum negócio no qual se necessitasse de maior capital tinham capital correspondente. Isto é, essa era a intenção, à medida que a propriedade comum da Igreja aumentasse. ¶
Talvez se pergunte se esta igualdade poderia ser mantida daquele tempo em diante, para sempre. Se não houvesse sido dada nenhuma lei instruindo-nos sobre como essa igualdade poderia ser mantida, o povo, antes de passarem doze meses, teria se tornado desigual novamente. Por quê? Porque um homem, talvez, de pequeno talento ou habilidade, poderia administrar mal sua mordomia ou herança, e, em vez de ganhar algo, perderia. Outro homem, tendo um pouco mais de talento e diligência, e talvez um pouco mais de sabedoria, ganharia um pouco. O tino e conhecimento comercial de outro homem seriam talvez tais que poderia conduzir um grande estabelecimento manufatureiro, e em pouco tempo ganharia seus milhares, e assim, no decorrer de um ano, teríamos novamente ricos e pobres, se Deus não tivesse provido contra isso. ¶
Que providências o Senhor tomou a fim de manter essa igualdade entre seus Santos permanentemente? Ele fez este arranjo por lei -- que todo homem fosse considerado primeiramente um mordomo, e provasse a si mesmo ser um mordomo sábio antes de poder ter direito a uma herança eterna. Esses mordomos deveriam prestar contas ao juiz em Sião de suas mordomias, ou, em outras palavras, como está escrito no Livro de Doutrina e Convênios -- "o Senhor requer que todo mordomo preste contas de sua mordomia, tanto nesta vida como na eternidade." (Doutrina e Convênios, Seç. XC: Parág. 1.) ¶
A quem presta ele esse relatório ou conta? Ao bispo ou bispos do Senhor, conforme o caso; ele relata o que fez com os meios confiados aos seus cuidados. Se um homem foi confiado com cinquenta ou com mil dólares, ou com um milhão, para conduzir algum ramo de negócio, deve, no fim do ano, prestar contas dessa mordomia. Se um homem é confiado apenas com uma pequena fazenda, presta contas de sua mordomia no fim do ano, e assim todos os que estão ocupados nesses diferentes ramos de comércio prestam contas de suas mordomias, consagrando, ao fim do ano, tudo o que ganharam, exceto o que custou para alimentá-los e vesti-los. Não são eles iguais? Sim, e isto mantém uma igualdade permanente; pois o homem que ganhou cem mil em sua mordomia consagra tudo o que não usou; e o homem com uma mordomia menor, que em todo o ano só ganhou cinquenta dólares acima do que usou, consagra esses cinquenta. O homem que ganhou mais consagra mais, o homem que ganhou menos consagra menos. Isto os reduz anualmente à mesma posição e condição em que estavam quando começaram esta ordem celestial. ¶
Cumpriu o povo essa lei? Não. Por quê? Porque haviam absorvido as noções que prevaleciam entre o povo de toda a terra, e essas noções eram diretamente opostas à ordem do céu. As noções e tradições do mundo eram que todo homem devia ser para si mesmo, toda família para si mesma, e deviam trabalhar com toda a sua força, mente e vigor para ganhar tudo o que pudessem ganhar, e usá-lo apenas para si mesmos e para suas gerações futuras, sem se importarem com seus vizinhos. Essas tradições haviam sido instiladas em nossas mentes, e estávamos demasiado cheios de cobiça e de falsas noções sobre propriedade para cumprir a lei de Deus, e por isso muitos, ao chegarem a Sião, olharam para aquele solo formoso e rico, e para os excelentes bosques de madeira, e para as belas pradarias e prados, com fontes brotando em numerosos lugares, como fazem no Condado de Jackson, e suas almas cobiçaram essas coisas, e o rico disse: "Não, não consagrarei toda a minha propriedade, irei ao Escritório Geral de Terras e comprarei para mim mesmo, e comprarei em grande quantidade a fim de poder vender a meus irmãos pobres quando eles chegarem aqui. Comprarei terra e especularei com ela, e farei minha fortuna." Esse era o sentimento que existia no coração de alguns dos Santos dos Últimos Dias. Deus viu isso, e nos repreendeu por revelação, e disse ao povo no Condado de Jackson, pela boca de seu servo Joseph, que se não se arrependessem dessa cobiça ele os arrancaria e os enviaria para fora de Sião, pois, disse ele, "os rebeldes não são do sangue de Efraim, portanto serão arrancados, e enviados para fora da terra." Deus cumpriu essa revelação -- ele de fato arrancou o povo; ele de fato os expulsou daquela terra no ano de 1833. Cerca de dois anos e alguns meses depois de termos começado a colonizar aquele país, fomos expulsos da terra -- arrancados, exatamente como o Senhor havia predito, e nos foi dito que era por causa de nossos pecados e cobiça que fomos enviados para fora. ¶
Nos abandonou o Senhor? Não; ele teve compaixão de nós, como teve do antigo Israel, quando foram expulsos de sua terra de tempos em tempos. Em que aspecto ele teve compaixão de nós? Quando viu o domínio que as tradições em que fomos treinados tinham sobre nossos corações, ele revogou, por algum tempo, a lei da consagração plena. Diz alguém: "Como! Deus revoga um mandamento?" Sim, foi assim que ele fez nos tempos antigos, e ele é o mesmo Deus ainda. Ele o fez para o nosso bem; pois, se aquela lei estivesse em pleno vigor, este povo não estaria hoje nestas montanhas. Nosso egoísmo e cobiça são tão grandes que, como povo, jamais teríamos cumprido com ela. Alguns poucos entre nós talvez o tivessem feito, mas, como povo, teríamos sido vencidos e arruinados; mas, devido a essa lei ter sido revogada, muitos de nós agora, talvez, seremos salvos. ¶
No ano de 1834, poucos meses depois, fomos expulsos daquela boa terra. Deus nos disse numa revelação, dada no Fishing River: "Deixai que essas leis e mandamentos que dei a respeito de Sião e suas propriedades sejam executados e cumpridos após a sua redenção." Assim, vedes, Santos dos Últimos Dias, que não estamos sob a lei da consagração plena, e, se não estamos sob a lei, não estamos sob a penalidade dela. Onde há lei há penalidade, e quando transgredimos a lei incorremos na penalidade; mas, tendo sido aliviados, por um período, da execução dessa lei, fomos colocados sob outra lei, que, em alguns aspectos, pode ser considerada uma lei inferior. Quando essa lei foi dada? Em 1838, uns cinco anos depois de termos sido expulsos de nossas mordomias. Qual é essa lei? Chama-se a lei do dízimo. Qual é a lei do dízimo? Parte dessa lei impõe aos Santos, como um dever, pagar ao armazém do Senhor um décimo de toda a sua renda anual. Mas permiti-me remeter-vos à plenitude da lei do dízimo, pois, embora seja uma lei inferior, temo que, como povo, não a tenhamos guardado. A primeira parte dessa lei exige que todo homem, ao entrar no meio do povo de Deus, consagre toda a sua propriedade excedente, reservando para si certa porção. Isto não é uma consagração plena como a lei superior. Santos dos Últimos Dias, temos guardado essa lei inferior? Terá o homem que possuía grandes riquezas, ao chegar a estas montanhas e se contar entre o povo de Deus, consagrado toda a sua propriedade excedente, e depois pago um décimo de toda a sua renda anual? Direi o que temos feito -- em geral nós, ricos e pobres, temos conservado toda a propriedade que tínhamos ao chegar aqui, e alguns têm consagrado um décimo de sua renda, e, no que se refere a isso, o povo sem dúvida tem se saído muito bem, com algumas poucas exceções; e tenho a satisfação de poder declarar, por informações que obtive de alguns dos Bispos da Igreja, que os Santos dos Últimos Dias, agora, estão mostrando maior determinação de pagar seu dízimo do que jamais mostraram anteriormente. ¶
Mas voltemos à outra parte dessa lei inferior. Sentimos disposição de consagrar nossa propriedade excedente? Ide ao leste, oeste, norte e sul, a todos os nossos povoados, e achareis que são poucos e distantes entre si os homens que consagraram sua propriedade excedente quando chegaram aqui. Em primeiro lugar, têm sido poucas as pessoas ricas que vieram entre nós, e o povo tem sido seu próprio juiz. Todo homem pensava que não tinha excedente, quando chegou aqui. Se tinha cem mil dólares à chegada, dizia ou pensava: "Ó, fiz tais e tais cálculos. Desejo tornar-me comerciante no meio do povo, e preciso de milhares e milhares de dólares para me estabelecer. Desejo tirar trinta, quarenta, cinquenta ou cem por cento desse povo pobre, e para poder fazê-lo, não penso que nenhuma parte desses cem mil dólares possa ser chamada propriedade excedente. Preciso de tudo, não posso conduzir meu comércio a não ser que tenha tudo para me estabelecer." ¶
Outro homem que deseja iniciar algum outro ramo de negócio faz seus cálculos de modo a cobrir toda a sua propriedade, pois pensa que precisará de tudo para poder levar adiante o ramo particular de negócio que deseja introduzir nestas montanhas, pois quer ficar extremamente rico antes que a lei da consagração plena venha. Quando são assim deixados a serem seus próprios juízes, onde está o homem honesto o bastante em seus sentimentos para dizer: "Penso que posso dispensar cinquenta, vinte, dez, cinco ou mil dólares como propriedade excedente?" Isto, em minha opinião, está errado. Não deveriam ser seus próprios juízes. Quem deveria ser os juízes nesta questão? Os Bispos que o Senhor designou em Sião, sob o conselho da Primeira Presidência de sua Igreja e os conselhos do Espírito Santo que repousam sobre eles para guiar suas mentes. O povo deveria ser honesto o bastante, ao chegar aqui com meios, para dizer aos Bispos -- "Aqui, tenho tantos meios, julgai vós quanto disto deve ser excedente, e quanto devo reter." ¶
A razão pela qual faço estas observações é que desejo que este povo compreenda plenamente que há uma lei dada, uma lei inferior à da consagração plena, e que todo homem indague se cumpriu essa lei conforme a sua letra. Talvez ainda não tenha chegado o tempo para que esta lei se cumpra em toda a sua exatidão. De qualquer modo, estamos seguindo mais ou menos o mesmo curso que o mundo, no que se refere à nossa propriedade, com exceção do pagamento de um décimo de nossa renda anual ao armazém do Senhor, e a consequência é que se tornaram ricos e pobres em Sião, alguns possuindo suas centenas de milhares, e outros escavando, por assim dizer, no pó, de ano a ano. ¶
Como remediar isto? Chegou o tempo de executarmos a lei superior da consagração? Ao empreendermos fazê-lo nos povoados deste Território, que revolução produziria! Quantos apostatariam e se afastariam da Igreja! Quantos daqueles que são comparativamente trigo seriam arrancados juntamente com o joio, se empreendêssemos fazer cumprir a lei superior da consagração, ou a lei do dízimo em toda a sua plenitude! E produziria os mesmos resultados revolucionários na maioria dos povoados antigos, porque não estamos preparados para isso. Não vejo, pela minha parte, como podemos começar a nos aproximar dessa lei de unidade a respeito de nossa propriedade, a menos que comecemos em algum lugar novo, onde a Igreja e os colonos possam ser reunidos e estabelecer um padrão para todo o restante. Não sei se poderíamos alcançá-lo desse modo. Espero que vejamos algo que acabe com essas distinções de classes. Detesto vê-las no meio do povo de Deus. ¶
Há muitos homens de riqueza, homens bons, honestos, retos, que estariam dispostos a fazer tudo o que o Senhor exigisse de suas mãos; enquanto há outros que abraçam sua propriedade junto ao coração, como se lhes fosse mais querida do que qualquer coisa, seja neste mundo, seja no mundo por vir. Certamente existem agora entre nós distinções de classes que, se não forem contidas, podem provocar a ruína de muitos. Por exemplo, os ricos podem educar seus filhos e filhas nas melhores escolas, academias e universidades; outros não podem fazer isso, por causa de sua pobreza. Isto faz com que os filhos dos ricos se sintam acima dos filhos dos pobres. Não vimos, em nossas reuniões de diversão, essas distinções manifestadas? Eu vi. Vi aqueles que estavam pobremente vestidos entrar em nossas festas e tomar assento nos fundos, e ali ficavam sentados, como diz o velho ditado, como "flores de parede," durante toda a festa. Quem estaria no salão, se divertindo? Os ricos. Mas, em muitos casos, há festas de prazer e diversão organizadas entre os Santos, para as quais os pobres jamais são convidados; são organizadas apenas para aqueles que podem se vestir com fino estilo, que podem varrer o chão do salão de baile com duas ou três jardas de seus vestidos arrastando atrás de si. ¶
Com os sentimentos gerados por essas distinções de classes, não há aquela comunhão que deveria existir entre os Santos do Deus vivo. Se desejamos, irmãos e irmãs, voltar e edificar os lugares desolados de Sião, e ver a nova Jerusalém erguida sobre o solo consagrado, procuremos nos aproximar mais da lei celestial, para que, quando voltarmos para lá, e essa lei entrar mais plenamente em vigor, possamos ser capazes de nela entrar; pois assim diz o Senhor, neste Livro de Convênios: "Sião não pode ser edificada senão de acordo com a lei do reino celestial, do contrário não a poderei receber a mim mesmo." Temos que chegar a isso, e é bom, em minha opinião, que comecemos a nos aproximar o mais rápido possível, para que, quando o tempo chegar, estejamos preparados para a consagração plena. ¶
Por quanto tempo nosso Presidente tem trabalhado no meio do povo aqui para conseguir que introduzam as manufaturas caseiras? Por quanto tempo e em alta voz ele tem levantado sua voz, em conjunto com seus conselheiros e os Doze Apóstolos, para trazer isto; mas o povo, em vez de atender ao seu conselho, tem importado do exterior quase tudo de que necessitava. O Presidente está disposto, mas alguns do povo não estão. Amém. ¶