Pulpit

Consagração — Igualdade Temporal — Superação do Egoísmo — Ressurreição — Retorno ao Condado de Jackson — Glória de Sião

Orson Pratt

1873-03-09

Na página 235 do Livro de Doutrina e Convênios há uma revelação dada a esta Igreja em 9 de março de 1832, que contém estas palavras:

Pois em verdade vos digo: Chegado é o tempo e está perto; e eis que é necessário que haja uma organização de meu povo, para regulamentar e estabelecer os negócios do armazém para os pobres de meu povo, neste lugar e na terra de Sião — Como estabelecimento e ordem permanente e eterna para minha igreja, a fim de promover a causa que abraçastes, para a salvação do homem e para a glória de vosso Pai que está nos céus; Para que sejais iguais nos vínculos das coisas celestiais, sim, e também das coisas terrenas, para obtenção de coisas celestiais. Porque se não sois iguais em coisas terrenas, não podeis ser iguais na obtenção de coisas celestiais; Pois se desejais que eu vos dê um lugar no mundo celestial, é preciso que vos prepareis, fazendo as coisas que eu mandei e que requeri de vós.

Leremos a seguir uma passagem contida na última parte do terceiro parágrafo de uma revelação dada em março de 1831. Encontra-se na página 218 do Livro de Doutrina e Convênios.

Mas não foi determinado que possuísse um homem mais do que o outro; portanto, o mundo se acha em pecado.

Vou agora ler uma parte de uma revelação dada em 22 de junho de 1834. Encontra-se no parágrafo 2, Livro de Doutrina e Convênios, página 295. Falando da Igreja, diz o seguinte —

Mas eis que não aprenderam a ser obedientes às coisas que exigi de suas mãos, mas estão cheios de toda sorte de maldades e não repartem seu sustento com os pobres e aflitos dentre eles, como convém a santos; E não estão unidos segundo a união exigida pela lei do reino celestial; E Sião não pode ser edificada a não ser pelos princípios da lei do reino celestial; de outra forma, não posso recebê-la para mim mesmo. E meu povo precisa ser corrigido até aprender obediência, ainda que seja pelas coisas que sofre.

Li estas passagens de nova revelação em benefício dos Santos dos Últimos Dias que aqui se encontram nesta tarde, e convém que nos examinemos, para ver se estamos vivendo em estrita conformidade com elas, e, caso não estejamos, para ver se há pessoas em todo o Território de Utah que as estejam cumprindo. Em uma dessas revelações, dada em março de 1831, antes de o Senhor ter conduzido este povo ao Condado de Jackson e antes de sabermos onde a Nova Jerusalém seria edificada, ou onde seria o grande ponto central de reunião dos Santos dos Últimos Dias, o Senhor nos informou: "Não foi determinado que possuísse um homem mais do que o outro; portanto, o mundo se acha em pecado." Ora, deixai-me perguntar aos Santos dos Últimos Dias: Somos todos iguais nos vínculos das coisas terrenas, ou temos ricos e pobres entre nós? A resposta que todos dariam a esta pergunta é que cada pessoa e cada família acumulou tanta riqueza quanto pôde, para seu próprio uso ou de sua família apenas, e esta ordem de coisas tem existido entre nós desde que a Igreja foi organizada, há quase quarenta e três anos. Por quanto tempo mais continuará isto? Por quanto tempo cada família cuidará apenas de si mesma, a energia e a capacidade de cada homem sendo exercidas apenas para si mesmo e sua família, cada homem procurando enriquecer-se? Ele não se importa com seu próximo, e, se pensa nele, a indagação que lhe surge na mente é: "Tenho eu tanta riqueza quanto meu vizinho, ou quanto esta ou aquela pessoa? Se não tenho, devo esforçar-me para obter tanta quanto ele; pois tenho notado que nossos cidadãos ricos estão criando distinções de classe entre nós. Se organizam uma festa em suas próprias residências particulares, ou uma ceia luxuosa, por exemplo, geralmente só são convidados os que são ricos em aparência, e, a menos que eu possa acumular tanta riqueza quanto eles têm, serei posto de lado e cairei numa classe inferior."

Falo agora de fatos tal como realmente existem. Quando vedes um homem rico entre os Santos dos Últimos Dias que, ao dar uma grande festa, convide os pobres e os coxos, os aleijados e os cegos, e os que se acham em circunstâncias indigentes? Tais acontecimentos são raros. O Salvador nos ordenou estritamente que, ao darmos nossas festas, em vez de convidarmos os que têm abundância e nadam nas boas coisas e luxos da vida, devemos convidar os mais pobres entre nós, os coxos, os cegos e os enfermos, e os que talvez não tenham alimento suficiente para comer. Fazeis isto, Santos dos Últimos Dias? Não, receio que não. Pode haver pessoas que fazem estas coisas; se assim é, bem-aventuradas são elas, se observam este e todos os outros mandamentos do Senhor.

Que espécie de revolução operaria entre os Santos dos Últimos Dias se a revelação dada em março de 1831 fosse por eles cumprida — "Não foi determinado que possuísse um homem mais do que o outro; portanto, o mundo se acha em pecado"? Quanto de revolução isto operaria em Salt Lake City, se esta ordem de coisas se estabelecesse? Creio que operaria uma revolução maior entre este povo do que qualquer outra já testemunhada entre eles desde que existem como Igreja.

Outra vez, em outra revelação, dada em 1832, pouco depois de ser dado a conhecer o lugar da localização da cidade de Sião, o Senhor declarou que chegara o tempo de estabelecer entre seu povo uma ordem que exigia que certas pessoas, cujos nomes foram mencionados, consagrassem uma parte de seus bens. Deveriam colocar tantos dólares no tesouro, e isto seria propriedade comum entre esses indivíduos, para seu próprio benefício e para o benefício da Igreja. Entre as pessoas chamadas a entrar nesta ordem estava o grande Profeta e vidente dos últimos dias.

Esta ordem foi parcialmente cumprida pelos indivíduos assim nomeados, mas nem mesmo eles estavam todos preparados para esta ordem parcial pertencente ao reino celestial de Deus. Era demasiado sagrada, demasiado oposta às tradições da época, tradições que existiam havia muitas gerações. Todos sabemos que, desde os dias dos Apóstolos, o mundo inteiro, com exceção dos nefitas e lamanitas neste continente, tem-se dividido quanto à sua riqueza e propriedade. Em qualquer nação por onde se viajasse no hemisfério oriental, e também neste hemisfério, desde que foi descoberto por Colombo e povoado pelos europeus, este individualismo tem existido entre todas as classes de pessoas, com raras exceções. Entre essas exceções podemos mencionar os Shaking Quakers. Esta seita está em grande erro em muitos aspectos, mas seus membros de fato entraram em uma comunidade de bens. Suas propriedades eram consagradas e postas em um armazém, e controladas por certos homens escolhidos para esse propósito. Não me cabe dizer quão sabiamente usaram essa propriedade ou como viveram sob este princípio de bens comuns; mas basta dizer que, no que respeita à consagração e a uma comunidade de bens, eles as cumpriram. Mas a grande massa da família humana tem procurado, ao longo dos séculos, e ainda procura, acumular dólares e centavos, casas e terras para si mesma, a fim de legá-los a seus herdeiros ou a quem bem entender. Este individualismo, que tem existido em todo o mundo, tem sido um dos principais meios de introduzir quase todos os crimes que existem entre os homens, pois, como disse o apóstolo Paulo — "O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males."

Os Apóstolos procuraram introduzir o princípio de bens comuns em seus dias entre os Santos, mas o povo, já naquele tempo, estava tão habituado a acumular riqueza para si e suas famílias, em vez de tê-la em comum, que os Apóstolos acharam impossível estabelecer este princípio sobre um fundamento permanente, e ele não perdurou. Pode ter sido cumprido por um ano ou dois, e talvez um pouco mais; mas, de acordo com os escritos dos Apóstolos aos primeiros cristãos, este princípio parece ter sido abandonado, e o individualismo prevaleceu entre eles.

Deixai-me indagar agora como este princípio egoísta produz a grande variedade de males que existem no mundo. Referir-me-ei a alguns que dele têm brotado, e que têm surgido entre os Santos dos Últimos Dias, e que aumentarão a menos que nos reformemos a este respeito. Por exemplo, as pessoas ricas têm o poder de educar seus filhos com mais esmero do que o pobre pode fazer. Podem enviá-los às melhores escolas e instituições de ensino, e podem mantê-los ali ano após ano até que adquiram o que se chama educação completa. Então, pensam os pais: "Nossos filhos foram treinados em vários ramos do saber e dos negócios, entendem de contabilidade e outros ramos necessários às atividades mercantis; sabem como acumular meios e como manter tudo em ordem. Podemos, portanto, confiar-lhes os meios que lhes deixaremos, e, sabendo fazer bom uso deles, poderão manter-se à frente do monte", ou, em outras palavras, ficarão acima dos pobres que não tiveram a educação que eles tiveram.

Um homem rico pode educar suas filhas, e fazer que lhes ensinem música e tudo o que possa torná-las refinadas, polidas e gentis. Isto permite a essas filhas fascinar os ricos, e, se um homem pobre vier bater à porta do homem rico e lhe disser que deseja cortejar suas filhas, dir-lhe-ão que não tem nada que fazer ali. Diz o homem rico: "Minhas filhas hão de casar-se com homens ricos, hão de ser exaltadas e ficar entre a classe superior dos Santos dos Últimos Dias."

As classes mais pobres, vendo que não têm nem os meios nem a educação e informação comercial para competir com os ricos, arrastam-se na pobreza e na ignorância, e surge uma distinção de classes. Com o tempo, esses jovens ricos vêm com suas belas carruagens, e, se um pobre por acaso atravessa a rua, olham-no com desprezo e desdém, e gritam: "Sai da frente", quando, se fosse um homem rico, teriam desviado sua carruagem até que ele houvesse passado; mas o "pobre coitado", como chamam o homem pobre, deve ser insultado e ridicularizado, e tratado como escravo ou como pessoa que não tem direito de aparecer na sociedade dos ricos.

Que espécie de sentimentos isto produz nos corações dos humildes pobres que desejam e se esforçam por servir ao Senhor? Sentem em seus corações que não têm comunhão com essas pessoas ricas, e isto causa ressentimentos entre estas classes. Isto é certo ou é errado? É errado, gravemente errado, e temos permanecido neste erro por mais de quarenta anos. Quando terá fim? Quando aprenderemos a guardar os mandamentos de Deus e a tornar-nos um só povo, não só na doutrina, mas nos "vínculos das coisas terrenas"? Tal tempo há de vir, e, se não nos submetermos a ele, ficaremos para trás. Profetizarei a este povo sobre este assunto. O Senhor me mandou profetizar quando eu tinha cerca de dezenove anos, mas raramente o faço, por temer profetizar erradamente. Mas profetizarei a respeito desta Igreja e povo, que todos os que não entrarem nesta ordem de coisas, quando Deus, por meio de seus servos, assim os aconselhar, deixarão de crescer no conhecimento de Deus, deixarão de ter o Espírito do Senhor repousando sobre eles, e se tornarão gradualmente mais e mais obscuros em sua mente, até que percam o Espírito e o poder de Deus, e seus nomes não serão contados entre os nomes dos justos. Podeis anotar e registrar isto.

Verificamos, poucos anos depois de dadas estas revelações que li, que o Senhor viu que estávamos tão cobiçosos e cheios do princípio egoísta que nossos antepassados haviam instilado em nossas mentes, que não daríamos ouvidos à lei que ele deu a respeito das consagrações que deveriam ser feitas no Condado de Jackson, Missouri, e determinou em sua própria mente que aquela não seria a terra de Sião para a atual geração daquele povo, tomando-os como povo; e fez este decreto, depois de lhes dar revelação sobre revelação, advertindo-os pela boca de seu servo Joseph, que foi pessoalmente adverti-los, e lhes enviou suas revelações a mil milhas de distância de Kirtland, advertindo-os. Depois de terem sido suficientemente advertidos, por uns dois anos e mais, a partir do início da colonização do Condado de Jackson, Missouri, o Senhor cumpriu o que havia falado a seu respeito — que seriam expulsos da terra de Sião. Isto se cumpriu literalmente. Por quê? Por causa da cobiça. Recordar-vos-eis de eu ter lido, creio que na última Conferência, uma carta escrita pelo Profeta Joseph Smith. Creio que se encontra no décimo quarto volume da Estrela, em conexão com a história desta Igreja ali publicada. Aquela carta foi escrita a um dos irmãos em Sião, a respeito das consagrações das propriedades do povo. O Senhor disse naquela revelação que o princípio que havia revelado a respeito das propriedades de sua Igreja deveria ser cumprido à risca na terra de Sião; e os indivíduos que não lhe dessem atenção, mas procurassem obter suas heranças de forma individual, comprando-as eles mesmos do Governo, teriam seus nomes riscados do livro dos nomes dos justos, e, se seus filhos seguissem o mesmo caminho, seus nomes também seriam riscados; nem eles nem seus filhos seriam conhecidos no livro da lei do Senhor como tendo direito a uma herança entre os Santos em Sião.

Verificamos, pois, que o Senhor expulsou este povo porque éramos indignos de receber nossas heranças por consagração. Como povo, não cumprimos estritamente o que o Senhor exigia. Nem tampouco o cumpriram em Kirtland. Muitas dessas pessoas foram chamadas nominalmente a entrar numa ordem inferior, depois chamada a Ordem de Enoque, na qual apenas uma parte de sua propriedade era consagrada, e mesmo assim não cumpriram, mas alguns deles quebraram os mais sagrados e solenes convênios feitos perante o Céu a respeito daquela ordem. O Senhor disse a respeito deles que seriam entregues aos açoites de Satanás neste mundo, bem como punidos no mundo vindouro. Disse-lhes também que a alma que pecasse e não cumprisse o convênio e a promessa que fizeram perante ele a respeito de suas propriedades teria seus antigos pecados devolvidos a ela, pecados que haviam sido antes remidos no batismo.

Isto deveria servir de exemplo para nós, que vivemos num período posterior da história da Igreja do Deus vivo, e que já deveríamos, a esta altura, estar plenamente familiarizados com a lei de Deus. É verdade que não somos agora obrigados a consagrar tudo o que temos; esta lei não tem sido vinculante para nós desde que fomos expulsos da terra de Sião. A razão pela qual esta lei foi revogada é que o Senhor viu que todos iríamos à destruição em consequência de nossa antiga tradição a respeito da propriedade, se esta lei continuasse a ser observada depois de sermos expulsos, e por isso a revogou por certo tempo, como se encontra registrado em uma das revelações dadas em 22 de junho de 1834, depois de sermos expulsos do Condado de Jackson. Repetirei as palavras — "Que os mandamentos que dei com respeito a Sião e sua lei sejam executados e cumpridos após sua redenção." Percebeis aqui que, para a salvação deste povo e das nações da terra entre os gentios, Deus achou por bem revogar este mandamento e adiá-lo para um período futuro, ou até depois da redenção de Sião. Sião ainda não está redimida, e por isso não estamos sob a lei da consagração total. Mas será isto motivo para que não estejamos sob alguma outra lei diferente daquela que antes nos foi exigida praticar? Vivemos de acordo com a lei chamada Ordem de Enoque, que é inferior àquela lei que exige consagrações totais? Não, não vivemos. Desçamos mais um degrau na escada da obediência, e indaguemos se estamos cumprindo uma lei inferior à Ordem de Enoque, isto é, a lei do dízimo? Cumprem os Santos dos Últimos Dias esta lei, e, para começar, quando vêm das nações da terra, consagram sua propriedade excedente ao Senhor, colocando-a nas mãos do Bispo de sua Igreja, e, depois disso, pagam um décimo de sua renda anual no tesouro do Senhor? Onde há uma pessoa que cumpra esta lei, revelada no ano de 1838 e que nunca foi revogada? É uma das leis mais simples e inferiores, muito abaixo da ordem das consagrações totais e muito abaixo da Ordem de Enoque, mas teremos, como povo, cumprido esta lei? Penso que não. Podeis encontrar uma pessoa entre cem, em Salt Lake City, que tenha cumprido esta lei? Já a cumpristes? Os Bispos, cujo dever é recolher o dízimo, podem responder a esta pergunta melhor do que eu, mas duvido muito que os registros dos Bispos mostrem que o povo cumpriu a última cláusula desta lei — a saber, pagar um décimo de sua renda anual, sem falar de sua propriedade excedente. Estamos ou não sob condenação? Julgai vós mesmos. Que será deste povo, se não nos reformarmos e nos arrependermos de nossos pecados a este respeito? Aquilo que já falei se cumprirá sobre suas cabeças — perderão o espírito do Evangelho.

Estamos esperando a redenção de Sião. Qual seria a nossa condição se o Senhor nos dissesse nesta estação: "Levantai-vos, meus Santos, levantai-vos, voltai à terra que prometi dar-vos, a vós e a vossos filhos, como possessão eterna; voltai e edificai a Nova Jerusalém segundo a lei do reino celestial", como está registrado na revelação em que o Senhor diz que, a menos que seja edificada segundo aquela lei, não pode recebê-la para si mesmo? Que espécie de Sião edificaríamos, se fôssemos chamados nesta presente estação a voltar ao Condado de Jackson? Teríamos de começar inteiramente uma nova ordem de coisas. Estamos preparados para isto? Penso que não. Se o povo tivesse cumprido fielmente estas leis inferiores, estaria mais bem preparado; mas, quando vejo o atraso de muitos dos habitantes deste Território que se chamam Santos dos Últimos Dias, quanto ao pagamento de seu dízimo, recusando-se a fazê-lo ou sendo descuidados a respeito, digo em meu coração: "Ó Senhor, quando estará teu povo preparado para voltar e edificar os lugares devastados de Sião segundo a lei celestial?"

O Senhor disse neste livro (D. e C.) que virá o tempo em que Sião será redimida. Lerei a passagem. Começa na página 292, e é como se segue —

Eis que esta é a bênção que vos prometi depois de vossas tribulações e das tribulações de vossos irmãos — vossa redenção e a redenção de vossos irmãos, sim, sua volta à terra de Sião, para que se estabeleçam a fim de não mais serem derrubados. Contudo, se profanarem suas heranças, serão derrubados; porque não os pouparei se desonrarem suas heranças. Eis que vos digo que a redenção de Sião precisa vir por poder; Portanto, suscitarei um homem para meu povo, que o guiará como Moisés guiou os filhos de Israel. Pois sois os filhos de Israel e da semente de Abraão; e necessário é que sejais tirados da escravidão por meio de poder e com um braço estendido. E assim como vossos pais foram guiados no princípio, assim será a redenção de Sião. Portanto, que não desfaleça vosso coração, pois não vos digo como disse a vossos pais: Meu anjo irá adiante de vós, mas não minha presença. Mas digo-vos: Meus anjos irão adiante de vós e também minha presença; e, dentro de algum tempo, possuireis a boa terra.

Em uma revelação dada em 22 de junho de 1834, o Senhor nos diz que, antes que o povo de Sião seja redimido, o exército de Israel há de tornar-se muito grande. O que ele quis dizer com isto foi "grande" em comparação com os poucos indivíduos a quem esta revelação foi dada. Recordar-se-á que certo número foi requerido como a força da casa do Senhor para subir e redimir Sião, como supunham. Reuniram-se, uns cem ou duzentos, e subiram para este fim; e o Senhor disse que a força de sua casa não deu ouvidos à sua voz, e não subiu de acordo com seu mandamento e revelação, mas disse em seu coração: "Se esta é a obra do Senhor, o Senhor redimirá Sião, e nós ficaremos em casa em nossas heranças." Puseram desculpas e não quiseram subir. O pequeno punhado que subiu foi chamado o Acampamento de Sião. Alguns poucos deles ainda vivem. Quando chegamos nas proximidades da Terra de Sião, não tendo a força da casa do Senhor dado ouvidos à sua voz, o Senhor deu uma revelação, dizendo primeiro: "Deixai que meu exército se torne muito grande, e que seja santificado perante mim, para que se torne formoso como o sol, e claro como a lua, e que suas bandeiras sejam terríveis a todas as nações." Como supondes que cumpriremos isto, em preparação para a redenção de Sião? Estamos agora seguindo um caminho para nos santificar diante dos Céus? É verdade que o exército de Israel é agora muito grande, comparado com aquele pequeno punhado que subiu com o Acampamento de Sião, mas, embora abençoados com números, não somos abençoados com aquela santificação de que o Senhor falou naquela revelação. Quanta fé temos agora, em nossa desobediência à lei do dízimo, e a muitos outros princípios? Bem-aventurados os que fielmente pagaram seu dízimo todo este tempo, e bem-aventurados seus filhos, pois receberão sua herança na Terra de Sião, quando o Senhor vier. O Senhor os abençoará, a eles e a seus descendentes, para sempre. Mas aqueles que não cumpriram esta lei não se estão santificando diante de Deus, nem se estão preparando para a redenção de Sião. Seus corações estão postos nas coisas tolas deste mundo, ansiando por riquezas para engrandecerem a si mesmos.

Esta é pregação franca, e talvez alguns de vós não gosteis dela. Não posso evitá-lo, estas são as coisas que se apresentam à minha mente. Há de haver uma reforma, haverá uma reforma entre este povo, pois Deus não rejeitará este reino nem este povo, mas suplicará com os fortes de Sião, suplicará com este povo, suplicará com os que estão em altas posições, suplicará com o Sacerdócio desta Igreja, até que Sião se torne limpa diante dele. Não sei se seria uma impossibilidade absoluta começar e levar a cabo alguns princípios pertencentes a Sião bem no meio deste povo. Eles se desviaram tanto que, para obter um povo que se conforme às leis celestiais, pode ser necessário conduzir alguns do meio deste povo e recomeçar em algum lugar nas regiões vizinhas destas montanhas. Perguntai a este povo se estão dispostos a viver segundo a lei de Deus, e como votariam? As mãos de todos se levantariam quase sem exceção, mas quando se chega ao ponto exato, quando a consagração em parte lhes for exigida, é essa a hora de os provar e ver se seriam ou não obedientes. "Ah, tenho uma casa tão boa, uma carruagem e cavalos tão bons, tanta abundância de mercadorias e boas coisas. Levei anos e anos para conseguir estas coisas, e é difícil dar a metade, três quartos ou nove décimos delas para estabelecer outra ordem de coisas, e acho melhor ficar em segundo plano, e ver como a ordem prospera. Deixai que outros experimentem primeiro, e, se lhes correr bem e ficarem ricos, talvez então eu me arrisque a dar um pouco de minha propriedade." Estes são os sentimentos que existem no coração de alguns indivíduos entre os Santos dos Últimos Dias, mas têm de ser desarraigados, ou aqueles que a eles se entregarem perderão o Espírito do Senhor.

Não sei quantos se levantarão e obedecerão à lei do Senhor até o sacrifício de todos os seus bens terrenos, nem quanto tempo levará até que o povo seja chamado a fazer este sacrifício. Não sei quanto tempo levará até que este povo seja levado ao ponto de prova, para ver quem é e quem não é do Senhor; mas aconselharia os Santos dos Últimos Dias a se prepararem para isto, pois pode vir mais cedo do que alguns de vós esperam. Se o Senhor se dispuser a trazer uma ordem de coisas diferente da que agora existe, e estabelecê-la não exatamente no meio deste povo, mas em algum lugar onde possam recomeçar, espero que o povo comece a orar ao Senhor, a fazer um exame de si mesmo e a examinar seu próprio coração, e ver se está disposto e preparado, se chamado, a colocar tudo o que tem, ou tanto quanto lhe for exigido nessa ordem de coisas, e a cumpri-la.

Quando voltarmos ao Condado de Jackson, voltaremos com poder. Supondes que Deus manifestará seu poder entre um povo não santificado, que não tem consideração nem respeito por suas leis e instituições, mas está cheio de cobiça? Não. Quando Deus manifestar seu poder entre os Santos dos Últimos Dias, será porque há uma união de sentimento a respeito da doutrina, e a respeito de tudo o que Deus colocou em suas mãos; e não somente uma união, mas uma santificação de sua parte, de modo que não haja mácula nem ruga, por assim dizer, mas tudo seja tão formoso como o sol que brilha nos céus.

Para trazer isto a efeito, quem sabe quantos castigos Deus ainda terá de derramar sobre o povo que se chama Santos dos Últimos Dias? Não sei. Às vezes temo, quando leio certas revelações contidas neste livro. Em uma delas, o Senhor diz: "Se este povo for obediente a todos os meus mandamentos, começará a prevalecer contra seus inimigos a partir desta mesma hora, e não cessará de prevalecer até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de seu Cristo." Esta promessa foi dada há quase quarenta anos. No mesmo parágrafo diz — "Na medida em que este povo não for obediente a meus mandamentos e não viver de cada palavra que tenho falado, eu os visitarei com aflições dolorosas, com pestilência, com peste, com espada e com a chama do fogo devorador." Não é o bastante para fazer uma pessoa temer, sendo isto o que Deus falou a respeito dos Santos dos Últimos Dias? Não sei todas as coisas que nos aguardam. Uma coisa sei — que os justos não precisam temer. O Livro de Mórmon é muito explícito sobre este assunto. No último capítulo do primeiro livro de Néfi, o Senhor, por meio do profeta, fala a respeito da edificação de Sião nos últimos dias sobre a terra. Diz que seu povo estaria, por assim dizer, em grandes apertos, em certas ocasiões, mas disse o profeta:

Pois aproxima-se o dia em que a plenitude da ira de Deus será derramada sobre todos os filhos dos homens; porque ele não permitirá que os iníquos destruam os justos. Portanto, ele preservará os justos pelo seu poder, mesmo que venha a plenitude de sua ira e os justos tenham de ser preservados com a destruição dos seus inimigos pelo fogo. Os justos, portanto, não precisam temer, porque assim diz o profeta: Eles serão salvos, ainda que seja por fogo.

Isto se cumprirá se necessário. Que os justos entre este povo permaneçam em sua retidão, e que se apeguem ao Senhor seu Deus; e, se houver entre eles os que não guardarem seus mandamentos, serão eliminados pelos juízos de que tenho falado. Mas, se a maioria deste povo for fiel, o Senhor os preservará de seus inimigos, da espada, da pestilência e da peste, e de toda arma que se levantar contra eles. Deus nos protegerá com seu poder, se formos conduzidos para fora do cativeiro como nossos pais foram conduzidos, no princípio. Isto indica que pode haver cativeiro adiante, e que os Santos dos Últimos Dias podem ver tempos difíceis, e que, a menos que guardemos os mandamentos de Deus, podemos ser levados a circunstâncias que farão tremer nossos corações, isto é, os que não são retos diante de Deus. Mas, se este povo for levado ao cativeiro, como os israelitas foram nos dias antigos, Sião há de ser conduzida para fora do cativeiro, assim como Israel o foi no princípio. Para fazer isto, Deus profetizou que levantará um homem semelhante a Moisés, que conduzirá seu povo dali.

Se este homem já existe agora, ou se ainda há de nascer; ou se é nosso atual líder, que nos conduziu a estes vales das montanhas, se Deus nos concederá a grande bênção de ter sua vida poupada para conduzir seu povo como um Moisés, talvez não o saibamos todos. Ele tem realizado uma grande e maravilhosa obra ao conduzir este povo até esta terra e edificar estas cidades neste país desértico; e sinto em meu coração dizer: Prouvera a Deus que sua vida seja prolongada como a de Moisés, nos dias antigos, que, quando tinha oitenta anos de idade, foi enviado a redimir o povo de Israel do cativeiro. Deus não está sob a necessidade de escolher um homem jovem; pode fazer um homem de oitenta anos de idade cheio de vigor, força e saúde, e pode poupar nosso atual líder para conduzir este povo em nosso retorno ao Condado de Jackson. Mas, seja ele ou outra pessoa, Deus certamente cumprirá esta promessa. Isto foi dado antes de nosso Profeta Joseph Smith ser tirado do meio de nós. Muitos de nós, sem dúvida, pensamos, quando aquela revelação foi dada, que Joseph seria o homem. Eu tinha esperança de que fosse Joseph, pois não tinha ideia de que ele seria morto, embora eu pudesse ter sabido, por certas revelações, que tal coisa provavelmente aconteceria, pois o Senhor lhe havia dito, antes do surgimento desta Igreja, que lhe concederia vida eterna ainda que fosse morto, o que certamente era um indício de que ele poderia ser morto. Mas ainda assim tínhamos esperança de que viveria e seria o homem que, como Moisés, conduziria este povo para fora do cativeiro. Não sei se ainda o será. O braço de Deus não está encurtado a ponto de não poder levantá-lo mesmo do túmulo. Vivemos na dispensação da plenitude dos tempos, a dispensação da ressurreição, e pode haver alguns que despertarão de seus túmulos para certos propósitos e para realizar certas transações na terra decretadas pelo grande Jeová; e, se o Senhor achar por bem trazer aquele homem pouco antes da cena final, para conduzir o exército de Israel, ele o fará. E, se ele se dispuser a enviá-lo como uma personagem espiritual para conduzir o acampamento de Israel à terra de sua herança, tudo bem. Mas, seja como for, seja ele o homem, seja o Presidente Young o homem, ou levante o Senhor mais tarde um homem para esse fim, sabemos que, quando chegar aquele dia, o Senhor não somente enviará seus anjos adiante do exército de Israel, mas sua presença também estará ali.

Supondes que o Senhor permitirá que alguma coisa impura esteja naquele exército? De modo algum, pois seus anjos e ele mesmo hão de ir adiante de nós. Deus não habitará no meio de um povo que não se santificar diante dele. Foi por essa razão que retirou sua presença de Israel antigo. Moisés procurou diligentemente santificar aquele numeroso povo e trazê-lo à sujeição à lei de Deus; procurou ensinar-lhes as ordenanças e a lei superior do Evangelho, que os teriam exaltado ao reino celestial de Deus, mas não pôde fazê-lo; eram um povo obstinado e de dura cerviz, e não davam ouvidos às suas palavras nem às palavras do Senhor; e, na ausência de Moisés, fizeram para si um bezerro de ouro e o adoraram como o deus que os havia tirado da terra do Egito. Se seguirmos o mesmo caminho e fizermos para nós deuses de ouro, e amontoarmos os tesouros da terra e os adorarmos e pensarmos mais neles do que nas leis do céu, podemos cair sob o mesmo exemplo de incredulidade e transgressão, e sob o mesmo juízo que veio sobre o antigo Israel. Mas Moisés não teve culpa, pois procurou diligentemente santificá-los, mas, quando transgrediram vez após vez, Deus se irou tanto com eles que finalmente jurou em sua ira que não subiria no meio daquele povo, para que não irrompesse em sua ira e furor e os consumisse num momento. Foi assim que se sentiu para com eles por causa de sua maldade, e, para que não fossem consumidos, mas que um remanescente fosse poupado, e que semente fosse suscitada para o velho pai Abraão e para Isaque e Jacó, retirou sua presença do meio do acampamento de Israel. Mas não os abandonou inteiramente. Disse ele: "Meu anjo poderá ir adiante de vós. Podeis ter um anjo, e podeis ter Moisés por uma estação, mas eu não irei convosco." Jurou que aquele povo, no deserto, não entraria em seu descanso, o qual descanso é a plenitude de sua glória.

Espera-se que não haja nada disto entre os exércitos de Israel nos últimos dias. Temos a promessa do Todo-Poderoso, e espero que jamais seja revogada, de que "não vos digo como disse a vossos pais: Meu anjo irá adiante de vós, mas não minha presença, mas digo-vos que meu anjo irá adiante de vós e também minha presença." Para que a presença de Deus vá conosco, devemos reter o Sacerdócio superior, pois, sem ele e as ordenanças que lhe pertencem, nenhum homem pode contemplar a face de Deus e viver; portanto, se quisermos reter este Sacerdócio superior, devemos santificar-nos pela obediência às leis superiores. Se fizermos isto, poderemos então reivindicar o cumprimento desta promessa que o Senhor fez e que repeti, de que sua presença irá conosco.

Espero que, quando o Senhor conduzir seu povo para edificar a cidade de Sião, sua presença será visível. Quando falamos da presença do Senhor, falamos de uma manifestação de poder. Sua presença esteve com os filhos de Israel como uma nuvem de dia, e como o brilho de um fogo flamejante de noite. Embora Israel não fosse digno de entrar no tabernáculo e contemplar a pessoa do Senhor e falar com ele, Moisés, não tendo perdido esse direito, podia entrar no tabernáculo do Senhor enquanto sua glória repousava sobre ele, e podia falar com o Senhor face a face. Por quê? Porque possuía o Sacerdócio superior e havia sido obediente à lei superior e assistido às ordenanças superiores. Não estava sujeito à lei dos mandamentos carnais; havia se santificado de modo a poder suportar a presença do Senhor e não ser consumido.

Voltaremos ao Condado de Jackson. Não que todo este povo deixará estas montanhas, ou que todos se reunirão num só acampamento, mas, quando voltarmos, haverá uma organização muito grande, composta de milhares e dezenas de milhares, e marcharão para frente, a glória de Deus cobrindo seu acampamento de dia sob a forma de uma nuvem, e uma coluna de fogo flamejante de noite, a voz do Senhor sendo proferida diante de seu exército. Tal período virá na história deste povo, e, quando chegar, os montes e as colinas estarão prontos para irromper em alta voz perante o Senhor exército, e as próprias árvores do campo se moverão para lá e para cá pelo poder de Deus, e baterão palmas como mãos. As eternas colinas se regozijarão, e tremerão diante da presença do Senhor; e seu povo irá adiante e edificará Sião de acordo com a lei celestial.

Não produzirá isto terror sobre todas as nações da terra? Não causarão exércitos desta espécie, embora não sejam tão numerosos quanto os exércitos do mundo, terror às nações? O Senhor diz que as bandeiras de Sião serão terríveis. Se apenas um ou dois milhões deste povo fossem descer e edificar os lugares devastados de Sião, atingiria isto o povo da Ásia e da Europa com terror? Não particularmente, a menos que houvesse algum poder sobrenatural manifesto. Mas, quando a presença do Senhor ali estiver, quando sua voz for ouvida, e seus anjos forem adiante do acampamento, isto será telegrafado às extremidades da terra, e o temor se apoderará de todos os povos, especialmente dos ímpios, e os joelhos dos ímpios tremerão naquele dia, e os que estão nas alturas, e os grandes homens da terra.

Em tempo devido, iremos ao Condado de Jackson e edificaremos os lugares devastados de Sião. Erigiremos naquele condado uma bela cidade, segundo a ordem e o padrão que o Senhor revelar, parte do qual já foi revelado. Deus pretende ter uma cidade edificada que jamais será destruída nem vencida, mas que existirá enquanto durar a eternidade; e apontará o padrão e mostrará a ordem da arquitetura; mostrará a seus servos a natureza das ruas e seu pavimento, o tipo de pedras preciosas que entrarão nas construções, a natureza da rocha e das pedras preciosas que adornarão os portões e os muros daquela cidade; pois os portões estarão continuamente abertos, diz o profeta Isaías, para que os homens tragam a força dos gentios.

A natureza da cidade de Sião não está em parte alguma plenamente descrita. João, o revelador, descreveu em seu capítulo 21 duas cidades descendo de Deus, do céu. A primeira é a Nova Jerusalém. Ela descerá sobre a terra de José. Depois de João ter visto isso, um dos anjos que tinha uma das taças das sete últimas pragas veio a ele e disse: "Vem cá, João, e eu te mostrarei outra cidade, aquela grande cidade, a santa Jerusalém." Levou-o ao cume de um alto monte e mostrou-lhe aquela grande cidade descendo de Deus, do céu, e João descreve aquela cidade, a altura de seus muros, o número de seus portões, os nomes que hão de estar sobre os portões, e muitos outros pormenores a respeito daquela cidade são claramente revelados. Mas a Nova Jerusalém não está descrita em parte alguma tão plenamente, a não ser como diz o salmista Davi:

Formosa elevação, e alegria de toda a terra é o monte Sião sobre os lados do norte, a cidade do grande Rei.

Diz também Davi, falando desta mesma cidade:

Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu Deus.

Destas declarações podemos ao menos crer que Sião será uma cidade muito bela — "a perfeição da formosura" —, quer seja construída segundo a ordem da antiga Jerusalém, quer não. Basta dizer que Deus, por revelação, inspirará seus servos e lhes ditará a ordem das construções daquela cidade — o número e a largura das ruas, o tipo de casas, o caráter do Templo que ali será edificado, o tipo de rocha, madeira e os vários materiais que terão de ser trazidos de longe para entrar na composição daquela bela cidade.

Quando o Templo for edificado, os filhos dos dois Sacerdócios, isto é, os que forem ordenados ao Sacerdócio de Melquisedeque, aquele Sacerdócio que é segundo a ordem do Filho de Deus, com todos os seus complementos; e os que tiverem sido ordenados ao Sacerdócio de Arão com todos os seus complementos, os primeiros chamados os filhos de Moisés, os últimos os filhos de Arão, entrarão naquele Templo nesta geração, ou na geração que vivia em 1832, e todos os que forem puros de coração contemplarão a face do Senhor, e isto antes mesmo de ele vir em sua glória nas nuvens do céu, pois ele virá subitamente a seu Templo, e purificará os filhos de Moisés e de Arão, até que estejam preparados para oferecer naquele Templo uma oferta que seja aceitável aos olhos do Senhor. Ao fazer isto, purificará não somente as mentes do Sacerdócio naquele Templo, mas purificará seus corpos até que sejam vivificados, renovados e fortalecidos, e serão parcialmente mudados, não para a imortalidade, mas mudados em parte, de modo que possam ser cheios do poder de Deus, e possam estar na presença de Jesus, e contemplar sua face no meio daquele Templo.

Isto os preparará para novas ministrações entre as nações da terra; preparará-os para irem adiante nos dias de tribulação e vingança sobre as nações dos ímpios, quando Deus os ferir com pestilência, peste e terremoto, tais como as gerações anteriores nunca conheceram. Então os servos de Deus precisarão estar armados com o poder de Deus, precisarão ter aquela bênção de selamento pronunciada sobre suas frontes, para que possam permanecer no meio dessas desolações e pragas e não serem vencidos por elas. Quando João, o Revelador, descreve esta cena, diz que viu quatro anjos enviados, prontos para sustentar os quatro ventos que haviam de soprar dos quatro cantos do céu. Outro anjo subiu do oriente e clamou aos quatro anjos, dizendo:

"Não firais a terra agora, mas esperai um pouco." "Até quando?" "Até que os servos do nosso Deus estejam selados em suas frontes."

Para quê? Para prepará-los a permanecer no meio dessas desolações e pragas, e não serem vencidos. Quando estiverem preparados, quando tiverem recebido uma renovação de seus corpos no Templo do Senhor, e tiverem sido cheios do Espírito Santo e purificados como ouro e prata numa fornalha de fogo, então estarão preparados para permanecer diante das nações da terra e pregar boas novas de salvação em meio aos juízos que hão de vir como um redemoinho sobre os ímpios.

Tencionava expor-vos algumas coisas pertencentes à ordem da consagração total que será observada quando voltarmos ao Condado de Jackson, mas o tempo não permite entrar nisso agora.

Que Deus vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Consagração — Igualdade Temporal — Superação do Egoísmo — Ressurreição — Retorno ao Condado de Jackson — Glória de Sião”, (1873-03-09). Pulpit Vault, 1873-03-09-pratt-consecration-temporal-equality. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).