O Sacramento da Ceia do Senhor
Joseph F. Smith
Enquanto se preparava o Sacramento, o pensamento se impôs em minha mente de fazer algumas observações sobre o assunto, embora não prometa me limitar a ele. Desejo ser conduzido pelo Espírito do Senhor. ¶
O Sacramento da Ceia do Senhor é uma ordenança muito importante e sagrada; por mais simples que possa parecer a nossas mentes, é uma que contribuirá para nossa aceitação diante de Deus, ou para nossa condenação. ¶
Foi instituído pelo Salvador no lugar da lei do sacrifício que foi dada a Adão, e que continuou com seus filhos até os dias de Cristo, mas que se cumpriu em sua morte, sendo ele o grande sacrifício pelo pecado, do qual os sacrifícios ordenados na lei dada a Adão eram uma similitude. ¶
O Senhor projetou, no princípio, colocar diante do homem o conhecimento do bem e do mal, e lhe deu um mandamento de se apegar ao bem e abster-se do mal. Mas se ele falhasse, dar-lhe-ia a lei do sacrifício e lhe proveria um Salvador, para que pudesse ser trazido de volta à presença e ao favor de Deus e participar da vida eterna com ele. Este era o plano de redenção escolhido e instituído pelo Todo-Poderoso antes de o homem ser colocado na terra. E quando o homem caiu ao transgredir a lei que lhe fora dada, o Senhor lhe deu a lei do sacrifício, e a tornou clara ao seu entendimento, de que era com o propósito de lhe recordar aquele grande acontecimento que ocorreria no meridiano do tempo, pelo qual ele e toda sua posteridade poderiam ser trazidos, pelo poder da redenção e da ressurreição dentre os mortos, e participar da vida eterna com Deus em seu reino. Por esta razão, Adão e sua posteridade, de geração em geração, observaram esta lei, e continuamente olharam para o futuro, para um tempo em que lhes seria provido um meio de redenção da queda e de restauração da morte para a vida, pois a morte era a pena da lei transgredida, que o homem não tinha poder de evitar, sendo o decreto de Deus: "No dia em que dela comeres, certamente morrerás," e esta pena haveria de recair sobre toda a carne, sendo todos tão desamparados e dependentes quanto ele o era neste assunto. Sua única esperança de redenção da sepultura e do poder da morte estava no Salvador que Deus tinha prometido, que sofreria a morte, mas sendo sem pecado, jamais tendo ele mesmo transgredido lei alguma, sendo sem mácula, puro e santo, teria poder para romper as cadeias da morte e ressurgir da sepultura para a vida imortal, abrindo assim o caminho para que todos os que o seguissem na regeneração pudessem ressurgir para a vida novamente, redimidos da pena da lei, e do pecado da transgressão, para a vida eterna. Em antecipação, portanto, deste grande sacrifício que seria oferecido por Adão e sua semente, ofereciam sacrifícios, mais ou menos aceitáveis, e em conformidade com o padrão dado, na proporção do conhecimento de Deus e do Evangelho que tinham, e de sua fidelidade de geração em geração, até os dias de Jesus. ¶
Tomavam os primogênitos de seus rebanhos, os melhores frutos de seus campos, e aquelas coisas que eram emblemáticas de pureza, inocência e perfeição, simbólicas daquele que era sem pecado, e como "um cordeiro morto desde a fundação do mundo," e ofereciam sacrifícios a Deus em memória dele, e a incomparável e maravilhosa libertação que seria realizada para eles por meio dele. ¶
Sem dúvida o conhecimento desta lei e de outros ritos e cerimônias foi levado pela posteridade de Adão a todas as terras, e continuou com eles, mais ou menos puro, até o dilúvio, e por meio de Noé, que foi um "pregador da retidão," até aqueles que o sucederam, espalhando-se por todas as nações e países, sendo Adão e Noé os primeiros de suas dispensações a recebê-los de Deus. Que admirar, então, que encontremos relíquias do Cristianismo, por assim dizer, entre os pagãos e nações que não conhecem a Cristo, e cujas histórias remontam a antes dos dias de Moisés, e mesmo antes do dilúvio, independentemente e à parte dos registros da Bíblia. O argumento levantado por incrédulos, de que o "Cristianismo" surgiu do paganismo, por se descobrir que têm muitos ritos semelhantes aos registrados na Bíblia, etc., é apenas uma tentativa vã e tola de cegar os olhos dos homens e dissuadi-los de sua fé no Redentor do mundo, e de sua crença nas Escrituras da verdade divina, pois se os pagãos têm doutrinas e cerimônias que se assemelham em certa medida às registradas nas Escrituras, isso apenas prova, o que é claro para os Santos, que estas são as tradições dos pais transmitidas de geração em geração, desde Adão, por meio de Noé, e que se apegarão aos filhos até a última geração, embora possam vaguear na escuridão e na perversão, até que apenas uma leve semelhança com sua origem, que era divina, possa ser vista. Contudo, isto é uma pedra de tropeço para alguns, e há aqueles que se esforçam por progredir sobre este fundamento contra a obra de Deus, mas é absoluta tolice. Como sabemos que os relatos bíblicos de Adão e das gerações sucessivas são corretos? Como sabemos qualquer coisa a respeito de Deus e de seus tratos com os homens antigamente? Sabemos muitas coisas por tradição, naturalmente, por intuição. "Há um espírito no homem, e a inspiração do Todo-Poderoso lhe dá entendimento." Há um princípio inerente no homem que o conduz à fé num Ser superior ou Supremo, que projetou e criou todas as coisas. Sendo o relato bíblico o mais racional e, de fato, o único relato histórico da criação e dos tratos de Deus com os homens, somos compelidos a aceitá-lo, no essencial, como verdade. Então contemplamos as maravilhosas obras de Deus estendidas diante de nós, os céus estrelados, o sol e a lua, a terra em que habitamos, e seus tempos e estações, seus frutos e grãos, suas ervas e variadas produções, suas fontes e rios, montanhas, vales e planícies, e o poderoso abismo, todos fervilhando de vida e animação; também as leis que governam estas vastas criações, e o homem, a obra coroadora de Deus nesta terra, a obra-prima, se quiserdes, a quem a inspiração nos ensina ser a prole daquele ser eterno que é o Criador de todas as coisas, sendo ele o mais perfeito em sua organização, possuindo maiores atributos, poderes de razão e inteligência do que todos os outros seres, constituindo-o "senhor da criação," e o mais próximo em semelhança ao Criador. Olhamos para estas coisas e não podemos deixar de chegar à conclusão de que isto não é obra do acaso, mas o resultado de propósitos e desígnios amadurecidos e oniscientes, de que o homem é filho de Deus, possuindo os atributos e a imagem de seu Pai, e no princípio muito desta inteligência, a ponto de ser o companheiro e associado de Deus e habitar com ele, e não conhecer o pecado. O Senhor lhe deu a terra como posse e herança, e leis para seu governo, para que pudesse preencher a medida de sua criação e nela ter alegria. ¶
Olhamos para estas coisas desta maneira, e parecem racionais e verdadeiras, e estamos convencidos de que são verdadeiras, de que as Escrituras, a Bíblia e o Livro de Mórmon, são de origem divina. ¶
Mas é isto tudo o que temos para nos convencer da verdade destas coisas, e confirmar em nossas mentes os princípios estabelecidos como o Evangelho de Cristo, que se chama "Mormonismo"? Estes são os únicos meios de conhecer a respeito da verdade da religião que o mundo alega ter, ou que tínhamos antes de nos familiarizarmos com as doutrinas desta Igreja, e estávamos, em certa medida, satisfeitos porque era a melhor luz que possuíamos. Há milhares dos homens mais inteligentes e mais bem educados que vivem, e algumas das maiores e mais brilhantes mentes em muitas nações, agora empenhados na disseminação do que creem ser o Evangelho de Jesus Cristo, não reivindicando outro meio de conhecer a verdade senão a tradição e a razão, e parecem estar satisfeitos com suas convicções e fé. Milhões de dólares são gastos anualmente na promulgação de sua religião, "rodeiam terra e mar para fazer prosélitos," sem outra evidência reconhecida da verdade da Bíblia, ou da missão divina de Jesus Cristo, senão a que citei. ¶
Mas vamos além disto, embora a meu ver este modo de raciocinar seja conclusivo até onde vai, e nenhuma dúvida resta quanto à existência de nosso Pai e Deus, ou de que criou todas as coisas para um sábio propósito, para sua glória, e para a glória e felicidade de seus filhos, que a terra e sua plenitude são de Deus, embora projetadas para o homem e seu uso; e finalmente para lhe serem dadas como herança eterna, quando ele, por meio da obediência, provar ser digno delas. Mas, como disse antes, vamos além disto — há "uma palavra mais segura de profecia, à qual fazemos bem em atentar." Há revelação, um meio de comunicação direta de Deus com o homem, um poder que pode rasgar o véu entre nós e Deus, abrir os olhos de nosso entendimento, e nos aproximar dele, de modo que possamos conhecê-lo tal como é, e aprender de sua própria boca e das bocas de seus santos mensageiros suas leis e vontade a nosso respeito, como antigamente. Este é o princípio pelo qual Adão conheceu a Deus no jardim onde foi colocado no princípio. Deus vinha a ele dia a dia, e conversava com ele como um homem conversa com outro, dando-lhe instruções e conselho, pois o homem era puro. E quando foi expulso, Deus não o abandonou, mas apareceu-lhe, enviou seus anjos para se comunicarem com ele a respeito do plano de salvação, e lhe deu o Espírito Santo para ser uma luz em seu caminho pelo mundo, tornado triste para ele por ser banido da presença imediata de Deus. ¶
Os homens têm gozado privilégios desde aquele dia até este, na proporção de seu merecimento, por meio de cada dispensação do Evangelho, obtendo assim um conhecimento de Deus por si mesmos, não sendo deixados apenas às tradições dos pais e à razão. De tempos em tempos o Senhor levantou Profetas, aos quais apareceu, quer ele mesmo quer por meio de seus mensageiros, como a Abraão, Jacó, Moisés, Samuel, Isaías, Jeremias, Ezequiel, e todos os Profetas desde o princípio, revelando sua vontade e dando a conhecer seus requisitos, de modo que tiveram um conhecimento positivo de Deus mesmo dado a eles. ¶
Reivindicamos que, nesta dispensação, esta chave do conhecimento foi restaurada ao homem, e estamos na mesma posição que os antigos, e não somos deixados na incerteza ou na dúvida, sendo a verdade do Evangelho confirmada em nossos entendimentos por inspiração e revelação de Deus, "linha sobre linha, e preceito sobre preceito," até que tenhamos obtido um conhecimento de Deus, "a quem conhecer é a vida eterna." ¶
As ordenanças do Evangelho foram restauradas em sua pureza. Sabemos por que a lei do sacrifício foi dada a Adão, e como é que se encontram relíquias do Evangelho entre os pagãos. ¶
Quando Jesus veio e sofreu, "o justo pelo injusto," ele que era sem pecado por aquele que havia pecado, e ficou sujeito à pena da lei que o pecador tinha transgredido, a lei do sacrifício se cumpriu, e em seu lugar ele deu outra lei, que chamamos "Sacramento da Ceia do Senhor," pela qual sua vida e missão, sua morte e ressurreição, o grande sacrifício que havia oferecido pela redenção do homem, deveriam ser guardados em memória eterna, pois disse ele: "Fazei isto em memória de mim, pois todas as vezes que comerdes deste pão, e beberdes deste cálice, mostrais a morte do Senhor até que venha." Portanto, esta lei é para nós o que a lei do sacrifício era para aqueles que viveram antes da primeira vinda do Filho do Homem, até que ele venha novamente. Portanto devemos honrá-la e guardá-la sagradamente, pois há uma pena ligada à sua violação, como veremos ao ler as palavras de Paulo: 1 Coríntios 11:27-30. ¶
"Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber este cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. ¶
"Mas examine-se cada um a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice. ¶
"Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para si mesmo a condenação, não discernindo o corpo do Senhor. ¶
"Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos dormem." ¶
E é dado ainda mais claramente no Livro de Mórmon, que lerei. Néfi, capítulo 8, versículo 9, página 471. ¶
E aconteceu que, quando Jesus proferiu estas palavras, voltou novamente os olhos para os discípulos que havia escolhido, e disse-lhes: Eis que, em verdade, em verdade vos digo, dou-vos outro mandamento, e então devo ir a meu Pai, para que possa cumprir outros mandamentos que ele me deu. E agora, eis que este é o mandamento que vos dou, que não permitireis que ninguém, cientemente, participe indignamente de minha carne e sangue, quando o ministrardes; Pois quem comer e beber minha carne e sangue indignamente come e bebe condenação para sua alma; portanto, se souberdes que um homem é indigno de comer e beber de minha carne e sangue, proibi-lo-eis. ¶
Estas são algumas das injunções e mandamentos dados a respeito de participar da Ceia do Senhor. Ora, sejamos cuidadosos com o que fazemos, para que não incorramos na pena imposta à transgressão desta lei, lembrando-nos de que as ordenanças que Deus deu são sagradas e obrigatórias, que suas leis estão em vigor, especialmente sobre todos os que fizeram convênio com ele no batismo, e sobre todos aqueles a quem chegam, quer as abracem quer não, como disse Jesus: "Esta é a condenação do mundo, que a luz veio ao mundo, mas vós amais mais as trevas do que a luz." Portanto, todos os homens serão responsabilizados pelo uso que fazem da luz que possuem. Por esta razão nos é ordenado pregar o Evangelho a toda criatura, para que os que obedecerem e forem batizados possam ser salvos, e os que o rejeitarem possam ser condenados. ¶
Dou meu testemunho destas coisas. Sei que Joseph Smith foi e é um Profeta do Deus vivo, e o Presidente Young também é um Profeta de Deus, e que isto é por inspiração e revelação, e não do homem. Que Deus vos abençoe e nos ajude a ser fiéis, é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶