Pulpit

Deus a Fonte de Todo Bem — O Amor Comum do Homem pelo Aumento — A Necessidade de Dirigir Retamente Nossos Poderes

John Taylor

1873-01-05

Tenho prazer em me reunir com os Santos. Gosto de partir o pão com eles em memória do corpo partido de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e também de participar do cálice em lembrança de seu sangue derramado, e então refletir sobre as associações ligadas a isso: nosso relacionamento com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; nosso relacionamento uns com os outros como membros do corpo de Cristo, e nossas esperanças quanto ao futuro; a segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, quando, nos é dado entender, ele se cingirá e nos servirá, e comeremos pão e beberemos vinho com ele no reino de seu Pai. Gosto de refletir sobre tudo isso e mil outras coisas ligadas à salvação, felicidade e exaltação dos Santos de Deus neste mundo e no mundo vindouro.

Temos um dia separado em sete para a adoração de Deus, e considero uma grande misericórdia tê-lo, pois assim podemos afastar-nos do mundo, de seus cuidados, perplexidades e ansiedades, e, como seres racionais, inteligentes e imortais, refletir sobre algo pertencente ao futuro. Estamos muito ocupados, em geral, com as coisas do tempo e dos sentidos. Nossos corações, sentimentos e afetos parecem voltar-se nessa direção, e são as únicas coisas que muitas pessoas têm em vista. Jesus, falando a seus discípulos, diz-lhes que não se preocupem com o que hão de comer ou beber, ou com que se hão de vestir, pois, disse ele, todas essas coisas os gentios buscam. Devemos, é claro, tomar isso como dirigido especificamente a seus discípulos nas circunstâncias em que então se encontravam; o princípio envolvido em suas palavras, contudo, é verdadeiro. Diz ele: "Considerai os lírios do campo, eles não trabalham nem fiam, e contudo nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles." Novamente, diz ele, refleti sobre as aves do céu, elas não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros, contudo vosso Pai celestial cuida delas, e não cuidará ele também de vós, ó vós de pouca fé?

Há algo de belo em refletir sobre muitos desses assuntos, e algo, muito frequentemente, que está bastante em harmonia com nossos sentimentos quando estão em concordância com o Espírito da verdade e a luz da revelação. Sentimos, então, que vivemos em Deus, e, como dizem as Escrituras, que nele nos movemos e temos o nosso ser. Se temos vida, ou saúde, ou posses; se temos filhos, e amigos, e lares; se temos a luz da verdade, as bênçãos do evangelho eterno, as revelações de Deus, o Santo Sacerdócio, com todas as suas bênçãos, governo e regra, tudo isso e todo verdadeiro gozo que possuímos vêm de Deus. Nem sempre percebemos isso, mas é, contudo, verdade que a Deus devemos todo dom bom e perfeito. Ele organizou nossos corpos como existem em toda a sua perfeição, simetria e beleza. Ele, como o poeta o expressou,

"Faz a relva adornar as colinas, E veste os campos sorridentes de milho, As feras com alimento suas mãos supre, E os jovens corvos quando clamam."

Ele é misericordioso, bondoso e benevolente para com todas as suas criaturas, e é bom para nós refletirmos sobre essas coisas às vezes, pois assim percebemos nossa dependência do Todo-Poderoso.

Falando dos assuntos deste mundo, muitos frequentemente perguntam: "Por que não deveríamos cuidar deles?" Naturalmente devemos. Não falamos de edificar Sião? Naturalmente falamos. Não falamos de construir cidades e fazer belas habitações, jardins e pomares, e nos colocarmos numa posição em que nós e nossas famílias possamos gozar as bênçãos da vida? Naturalmente falamos. Deus nos deu a terra e todos os elementos necessários para esse fim, e nos deu inteligência para usá-los. Mas a grande coisa que ele teve em vista é que, ao usarmos a inteligência que nos dá para a realização dos vários objetos desejáveis ao nosso bem-estar e felicidade, não devemos esquecer aquele que é a fonte de todas as nossas bênçãos, sejam elas pertencentes ao presente ou ao futuro. A humanidade, em toda parte e em todas as épocas, tem manifestado universalmente um desejo de obter as coisas deste mundo — ouro, prata, casas, terras, posses, etc. Esse desejo é inerente ao homem; foi plantado em nosso peito pelo Todo-Poderoso, e é tão correto quanto qualquer outro princípio, se pudermos apenas compreendê-lo, controlá-lo e apreciar corretamente as posses e bênçãos que gozamos. A terra foi feita para nossa posse. As terras, águas, montanhas, vales, as árvores, os minerais, a vegetação de todo tipo, plantas, arbustos e flores — todas essas coisas foram feitas para o uso do homem, e cabe a nós apropriá-las ao seu devido uso, estimá-las em seu devido valor e, como seres racionais, inteligentes e imortais, compreender o objeto da criação dessas coisas, bem como o objeto de nossa criação, e por que, como e sob que circunstâncias podemos gozá-las, e por quanto tempo podemos reter a posse delas. Ao examinar a mente humana, encontrareis muitos sentimentos e instintos corretos ali plantados, se os homens se deixassem governar por eles. Não sei se não é a isto que o Profeta se refere quando diz: "Há um espírito no homem, e a inspiração do Todo-Poderoso lhe dá entendimento." Outra Escritura diz que "Deus deu a cada homem uma porção de seu Espírito para dele se aproveitar"; mas então, muitos homens não se aproveitam dele; e embora tenham essa luz ou intuição dentro de si mesmos, não se deixam governar por ela. Há um grupo de religiosos no mundo, chamados Quakers, tão fortemente impregnados dessa ideia, que pensam que esse mentor interior é suficiente para guiar os homens em todos os seus atos na vida.

Há certos princípios políticos (refiro-me à liberdade da mente humana) que são muito pertinentes a este ponto. Quando os autores da Declaração de Independência se reuniram neste continente, longe de outras nações e povos, refletindo sobre governos e sobre o homem, a primeiríssima coisa em que se depararam foi isto: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, e são dotados por seu Criador com certos direitos inalienáveis, entre os quais estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade." Quase simultaneamente com eles, ou creio que um pouco depois, não afirmarei com certeza quanto à data, um grupo de senhores se reuniu em Paris, França, para lançar o fundamento de um governo que julgavam ser um governo do povo, e se expressaram em palavras quase semelhantes às que foram expressas aqui. E vereis, ao examinar a história do mundo, que sempre que a humanidade foi oprimida ou subjugada, geralmente houve uma reação, um contínuo esforço entre o povo para se libertar de sua escravidão, para obter liberdade e o exercício desses direitos inalienáveis de que falei.

Um grande princípio que existiu entre os homens desde o princípio da criação até agora é um desejo, plantado neles pelo Todo-Poderoso, de possuir propriedades — terras, casas, fazendas, etc., e, numa capacidade nacional, possuir território, aumentar suas fronteiras, e estender seu domínio e governo. Como disse antes, esse princípio é correto, só que precisa ser controlado de acordo com as revelações de Deus.

Nosso tempo na terra é muito curto e transitório. Não importa o que adquirimos, pouquíssimo isso importa, e logo o deixamos. Não há grande estadista, guerreiro, rei, imperador ou general que tenha adquirido vasto território, que não tenha tido de deixá-lo em breve. Esta é a história universal da humanidade. Podeis remontar aos antigos impérios assírios, ou examinar a história dos reis da Babilônia e de Nínive, e os mais poderosos entre eles passaram após um breve exercício do poder, por mais extensas que fossem suas posses. Lede sua história na Bíblia e, embora alguns finjam desprezar esse livro, é a melhor história que temos, e contém cem vezes mais informação a respeito daquelas antigas nações do que se pode encontrar em qualquer outro lugar. Quando os medos e os persas desapossaram os assírios, tinham exatamente as mesmas ideias que os assírios tinham — queriam estender seu território, e o fizeram, mas de que adiantou? Não muito, quando falamos disso como seres imortais; quando falamos disso como seres mortais, como borboletas que esvoaçam por um curto tempo e depois morrem, poderia ser uma espécie de glória transitória e passageira, como um raio de sol quando o sol brilha por trás de uma nuvem — parece muito brilhante, mas logo passa. Assim foi com a glória deles, e onde está agora? Ora, dificilmente se pode encontrar onde ficavam suas cidades mais poderosas. As pessoas pensam que podem, mas não há nada definido a respeito, e sua glória, pompa e majestade não têm mais existência agora do que suas cidades. Tinham um princípio correto plantado em seu peito, mas foi pervertido e corrompido, e buscaram, por fraude, estratagema, guerra, roubo e pilhagem, apossar-se de domínio, império e autoridade, e quando terminaram, tiveram de deitar-se entre os mortos silenciosos; e não puderam mover uma mão, mexer um braço, mover uma perna nem abrir um olho, mas tiveram de ser devorados por vermes.

Essa é também a história dos reinos grego e romano. Disse-se de Alexandre que, depois de haver conquistado o mundo, sentou-se e chorou porque não havia mais nada para ele subjugar, e ouvi dizer frequentemente, a respeito de indivíduos, que queriam tudo em suas próprias mãos; e se tivessem um mundo, não seria grande o bastante, quereriam um pedacinho a mais para fazer um jardim. Vemos o homem aqui lutando ansiosamente pela posse de terras, casas e assim por diante. Isso é bastante correto, mas precisa ser corrigido. Reportar-me-ei a alguma Escritura a respeito de Abraão. Lemos que Deus o levou a certa colina, e lhe disse que levantasse os olhos para leste, oeste, norte e sul, e lhe disse: "A ti e à tua semente depois de ti darei esta terra." Aqui houve uma promessa feita por Deus. Naturalmente Abraão deveria ter-se sentido interessado nela. Mas era ela pertinente apenas a este mundo? Não, certamente não. Quero dizer, a promessa estava limitada à vida de Abraão? Não, certamente não. Então a que se referia? Estas são questões que exigem nossa séria atenção e consideração. Encontramos também que houve uma promessa feita a José, de que ele possuiria uma terra rica e fértil, abundante nas coisas preciosas da terra, e nas coisas preciosas dos montes, e dos outeiros eternos; que abundaria em trigo, vinho e azeite, e nas ricas bênçãos da vida, e que ele se tornaria uma multidão de nações no meio da terra. Essas bênçãos foram proferidas por homens que estavam, por assim dizer, à beira do túmulo, por Moisés e Jacó, por exemplo, que puseram as mãos sobre as cabeças de seus descendentes e os abençoaram antes de sua partida. Como foi quanto à promessa feita a Abraão? Possuiu ele realmente o que lhe foi prometido? Certamente não. Contudo Deus prometeu. Então por que Abraão não possuiu o que lhe foi prometido? Porque não era necessário naquele tempo. Estêvão, falando disso, suponho que uns mil oitocentos anos depois, diz que "Deus prometeu essas coisas a Abraão, mas contudo não lhe deu herança nela, nem sequer o espaço para pôr o pé"; mas, diz ele, ele a dará a ele e à sua semente. Isto é, hão de, com o tempo, herdá-la. Esta era a ideia e o sentimento que tinham a respeito deste assunto. Não consideravam o mundo, naquele tempo, em estado perfeito, e os homens que se compreendem a si mesmos não o consideram em estado perfeito hoje. Abraão e sua semente receberam aquela terra dada a eles, e a possuirão, redimida e renovada, quando valer a pena possuí-la. Bem, então, como é isso? Muito parecido com o que se deu com o homem rico de que Jesus falou em seu tempo. Ele havia ajuntado ao seu redor grande quantidade de bens, e disse: "Alma, senta-te e descansa, não te preocupes mais, toma teu à-vontade, come, bebe e regozija-te, pois tens muitos bens guardados para muitos anos." Jesus diz: "Louco, esta noite te pedirão a tua alma," e então, de quem serão as coisas que possuis? Teria ele a posse delas? Não. Quem teria? Talvez seus filhos e esposa, talvez não, tal como acontecesse; não havia então mais certeza a respeito dessas coisas do que agora. Tudo o que o homem rico sabia era que sua alma partiria, e que seu corpo seria posto na terra para alimentar os vermes. Essas coisas devem levar-nos à reflexão. Como disse antes, o princípio ou desejo de adquirir os bens deste mundo é em si mesmo bom, mas tem sido pervertido pelo homem; e quando gentios e "mórmons" não buscam senão o que hão de comer e beber, e com que hão de se vestir, ambos são loucos, pois não sabem em que hora suas almas serão exigidas.

Se o homem vivesse à altura dos privilégios de que está cercado; se seguisse a luz da revelação e buscasse e se familiarizasse com Deus e com os princípios corretos a respeito do futuro, não desejaria acumular tanto os tesouros da terra quanto os tesouros da vida eterna. Mas estais agora falando de coisas espirituais? Não, não estou; estou falando de coisas temporais, e voltarei a examinar alguns homens que viveram aqui na terra, Jó, por exemplo. Disse ele: "Sei que o meu Redentor vive, e que nos últimos dias se levantará sobre a terra, e que o verei; e ainda que os vermes se alimentem de meu corpo, contudo em minha carne verei a Deus." Jó, quando ressuscitasse, esperava permanecer e herdar a terra nos últimos dias, quando a terra fosse redimida.

Outro profeta, falando das mesmas coisas, diz: "Estarei em minha sorte no fim dos dias." Ele também esperava uma herança sobre a terra. E então, os antigos apóstolos, falando dessas coisas, disseram que os Santos viveriam e reinariam sobre a terra depois da ressurreição, quando a terra tivesse sido purificada. Daí ser muito natural que um sentimento deste tipo esteja plantado no peito dos homens, isto é, um apego à terra, pois ela é a herança eterna do homem, mas esse sentimento deve ser santificado.

Quem possuirá a terra? Serão aqueles antigos monarcas que lutaram, conquistaram, subjugaram e mataram seus milhares, atravessando mares de sangue para obter império? Não, de modo nenhum. Será o homem que, por fraude, engano, trapaça, desonestidade e chicana, tirou vantagem daqueles ao seu redor, e assim acumulou grande riqueza e posses? Em verdade não. Quem, então? Deixai Jesus falar. Diz ele: "Bem-aventurados os mansos: porque eles herdarão a terra." São eles os que se regozijarão diante de Deus na posse das bênçãos da terra, e não os reis e outras personagens a quem me referi. Um dos profetas viu o fim desses reis e governantes, e diz: "Foram ajuntados, como são ajuntados os prisioneiros, num fosso, e foram encerrados por muitos dias, e depois de muitos dias serão visitados." Terão alguma oportunidade de salvação e de exaltação, mas têm de permanecer na prisão por muitos dias, assim como os antediluvianos tiveram, antes que Jesus fosse pregar aos espíritos em prisão, que outrora foram desobedientes nos dias de Noé.

Temos muitos princípios inatos em nossa natureza que são corretos, mas precisam ser santificados. Deus disse ao homem: "Sede fecundos e multiplicai-vos, e enchei a terra e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e os répteis que se arrastam sobre a face da terra." Bem, ele plantou, de acordo com isso, um desejo natural na mulher para com o homem, e no homem para com a mulher, e um sentimento de afeto, estima e simpatia existe entre os sexos. Trazemos isso conosco ao mundo, mas isso, como tudo o mais, tem de ser santificado. Uma satisfação ilícita desses sentimentos e simpatias é errada aos olhos de Deus, e leva à morte, enquanto o exercício adequado de nossas funções leva à vida, felicidade e exaltação neste mundo e no mundo vindouro. E assim é a respeito de mil outras coisas.

Gostamos de gozo aqui. Isso é correto. Deus deseja que nos alegremos. Não acredito numa religião que torna as pessoas sombrias, melancólicas, infelizes e ascéticas. Eu não gostaria de passar minha vida num convento, se fosse mulher, ou num mosteiro se fosse homem; e não julgaria muito enobrecedor ser eremita, e viver sozinho de modo pobre e miserável. Não penso que houvesse nada de grande ou bom associado a isso, enquanto tudo ao redor, as árvores, os pássaros, as flores e os campos verdes, era tão agradável, os insetos e as abelhas zumbindo e esvoaçando, os cordeiros brincando e retouçando. Enquanto tudo o mais gozava a vida, por que não gozaríamos nós? Mas queremos fazê-lo corretamente e não pervertermos nenhum desses princípios que Deus plantou na família humana. Ora, há algumas pessoas que pensam que o violino, por exemplo, é um instrumento do demônio, e que é bastante errado usá-lo. Não penso assim, penso que é uma coisa esplêndida para dançar. Mas algumas pessoas pensam que não devemos dançar. Sim, devemos gozar a vida de qualquer maneira que pudermos. Algumas pessoas se opõem à música. Ora, a música prevalece nos céus, e entre os pássaros! Deus os encheu dela. Não há nada mais agradável e deleitoso do que ir aos bosques ou entre os arbustos de manhã cedo e ouvir o trinar e a rica melodia dos pássaros, e isso está estritamente de acordo com as simpatias de nossa natureza. Não temos ideia da excelência da música que teremos no céu. Pode-se dizer disso, como um dos Apóstolos disse a respeito de outra coisa — "Olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem entrou no coração do homem conceber as coisas que estão preparadas para os que amam e temem a Deus." Não temos ideia da excelência, beleza, harmonia e sinfonia da música nos céus.

Nosso objetivo é obter e apegar-nos a tudo o que é bom, e rejeitar tudo o que é mau. Uma razão pela qual as pessoas religiosas no mundo se opõem à música e aos teatros é por causa da corrupção que se mistura a eles. Homens perversos e corruptos se associam a essas coisas, e as degradam; mas será isso razão para que os Santos não gozem dos dons de Deus? Será esse um princípio correto? Certamente não. Cabe a eles agarrar-se a tudo o que é bom, e calculado para promover a felicidade da família humana.

Lembro-me muito bem do tempo, e muitos de vós também, em que costumávamos começar nossas diversões teatrais aqui com oração. Já não fazemos tanto isso agora. Essa prática foi posta de lado. Suponho que uma coisa era certa e a outra é certa. Apenas menciono essas coisas. Todos os nossos atos devem ser santificados a Deus. Sabeis que temos o costume de dar festas ocasionalmente. Dar-vos-ei minhas ideias a respeito de algumas delas. Assisti a uma ou duas ultimamente, e penso que estamos correndo um tanto soltos, e que não agimos tanto como cavalheiros e senhoras deveríamos, nem tanto como Santos deveríamos. Penso que há muita insolência e atrevimento, uma grande quantidade de interferência nos direitos alheios nesses lugares, e penso que precisamos de correção, isto é, em nossa Ala. Não sei como é aqui na vossa. Talvez façais melhor aqui. Estou falando das coisas como as vejo. Penso que devemos elevar tudo desse tipo ao seu devido padrão. Não devemos intrometer-nos nem tirar vantagem de ninguém, mesmo em diversões. Quando isso não é observado, dir-vos-ei aonde leva: leva a uma separação na sociedade, induzindo homens e mulheres que desejam ser educados, refinados e corteses, a manter-se afastados da companhia daqueles que não seguem esse rumo, e produz, se quiserdes, algo como uma aristocracia, o que é muito repugnante aos desejos das pessoas de bom sentimento. Mas ou fazem isso ou são atropeladas em muitos casos.

Falo dessas coisas para vossa informação. Não sei se precisais de informação desse tipo aqui. Suponho que eu devesse ter proferido esta preleção em nossa Ala. Em todas as nossas diversões devemos zelar para que as coisas sejam conduzidas corretamente, e nunca devemos esquecer de agir como damas e cavalheiros, e devemos abandonar a insolência e o atrevimento, e tratar a todos com bondade, cortesia e respeito. Falo dessas coisas porque chamam minha atenção. Mas talvez tenha dito o bastante sobre este assunto.

Estamos aqui — um número de Santos. Bem, tendes forasteiros entre vós. Isso não é da nossa conta, eles não são nós. Estou agora falando aos Santos. Viemos aqui para temer a Deus e guardar seus mandamentos. Não espero moldar minha religião, ideias ou diversões para agradar aos sentimentos de nenhum homem sob os céus. Quero receber minha inspiração de Deus, e ser guiado por ele, e quero honrá-lo em todos os meus atos. Não me importo com o que este, aquele ou o outro homem faça. Não sabeis que Deus nos chamou do mundo para plantar entre nós os princípios da verdade eterna, para nos ensinar princípios corretos, e para nos mostrar como nos conduzir uns para com os outros, e para com todos os homens? Para nos mostrar também como gozar a vida, que rumo seguir para nos elevarmos no mundo, e trazer outros ao nosso padrão? Nunca devemos descer aos outros. Este é o meu sentimento, mas vi alguns fazerem isso. Ide entre os índios aqui, e vereis comerciantes entre eles que, em vez de elevar os índios, descem diretamente até eles. Não me oponho, eu mesmo, a ter homens bons, decentes, respeitáveis, honrados associados conosco mais ou menos; mas oponho-me a descer à moralidade dos ímpios e corruptos. Não creio na bebida, nem na lascívia e desonestidade praticadas por muitos que se dizem homens honrados. Não quero nada com eles, e digo: "Minha alma, não entres em seus segredos; e minha honra, com eles não te unas."

Viemos aqui com o propósito de nos elevarmos, e de elevar o povo entre o qual estamos. Viemos aqui para edificar Sião, para sermos ensinados pelo Senhor, para estabelecer a justiça, e para preparar um povo para sua vinda. Que há no mundo que não conhecemos? Conhecíamos sua religião, filosofia e moralidade antes de virmos aqui. Viemos aqui para que pudéssemos preparar um povo para o tempo em que os céus que se abrem revelarão o Filho de Deus, quando a criação sentirá seu poder e cessará de gemer, e quando todo o povo sob os céus dirá: "Bênção, glória, honra, poder, força, majestade e domínio sejam atribuídos àquele que se assenta no trono e ao Cordeiro para sempre." Viemos aqui para introduzir princípios a respeito de nossa religião, moral, condição social, os convênios que fazemos com Deus, e todas as coisas pertencentes a este mundo e ao mundo vindouro. E por causa disso, pesadas responsabilidades recaem sobre nós como pais, Élderes em Israel, Bispos, Presidentes, Sumos Sacerdotes, Setentas, e em todo ofício no Sacerdócio e em todas as várias vocações da vida, para que possamos finalmente dizer: "Combati o bom combate, acabei a minha carreira, guardei a fé, fiz o que é reto, fui cheio de integridade, virtude, santidade e pureza, e por isso está reservada para mim uma coroa de justiça, que o Senhor, o Juiz Justo, me dará, e não somente a mim, mas a todos os que amam a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." Estas são algumas das coisas que buscamos, cujo alcance deveria ser o objeto de nossa existência.

Bem, mas não é correto termos terras? Certamente, viemos aqui com o propósito de edificar Sião, e devemos usar toda diligência para sua realização. Vós, Santos, possuís aqui facilidades que o povo nunca possuiu antes. Percebeis isso? Talvez isso seja um pouco exagerado. Suponho que nos dias de Enoque eles tenham tido um tempo esplêndido e vivido de maneira muito feliz. Mas estamos vivendo na dispensação da plenitude dos tempos, quando Deus está reunindo todas as coisas em uma, e ele nos trouxe de diferentes nações, países, climas e povos. Para quê? Para nos tornarmos loucos? É nosso objetivo viver como os ímpios vivem — sermos "cobiçosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos pais, obstinados, orgulhosos, desprezadores dos que são bons, tendo aparência de piedade sem seu poder"? Não, viemos aqui para que pudéssemos aprender as leis do Todo-Poderoso, e nos prepararmos, a nós e à nossa posteridade, para tronos, principados, poderes e domínios no reino celestial de nosso Deus. Falamos às vezes de Sião, que há de ser edificada no Condado de Jackson; também de uma Nova Jerusalém que há de ser construída e preparada para encontrar uma Jerusalém que descerá dos céus. Como se comparam nossas vidas e ações com essas coisas? Estão nossos corações, sentimentos e afetos voltados para elas, ou somos esquecidos e nossas mentes absorvidas pelos assuntos do tempo e dos sentidos? Estamos preparando nossos filhos para este tempo, e espalhando uma influência ao nosso redor onde quer que vamos, para conduzir as pessoas nos caminhos da vida e elevá-las a Deus? Ou estamos tomando um rumo descendente — passa um dia, passa outro, tal como acontece? Penso que devemos despertar e estar vivos, e nos empenhar em seguir um rumo que assegure o sorriso e a aprovação do Todo-Poderoso. Cada um de nós, como pais, mães e Élderes de Israel, deve cultivar o Espírito Santo em nossos corações, e deixá-lo arder ali como um fogo vivo. Devemos nos aproximar de Deus, e receber dele luz, vida e inteligência. Devemos buscar sabedoria para dirigir nossa juventude, para que cresçam no temor de Deus. Bem, estamos fazendo isso, mais ou menos? Sim, muito bem em muitos aspectos, e em muitos aspectos muito mal. Sinto-me levado a falar dessas coisas, e do que sou levado a mencionar, falo a respeito. Devemos preparar nossa juventude para trilhar nossos passos, se forem retos, para que sejam membros honrados na sociedade, para que, quando terminarmos aqui neste mundo e partirmos para o outro, deixemos atrás de nós aqueles que estão cheios de integridade, e que guardarão os mandamentos de Deus. Devemos ensinar a nossos filhos mansidão e humildade, integridade, virtude e o temor de Deus, para que ensinem esses princípios a seus filhos. Não importa muito quanto a essas frivolidades, ou se sabem dançar as danças de roda ou não; isso não é de muita importância. Não importa se estão na mais alta moda, ou se suas plumas e fitas estão todas certas, apenas tende o espírito, o coração e os sentimentos certos. Que o coração seja voltado para Deus. Que haja um altar em cada casa, e que o fogo sagrado arda nesse altar. Buscai implantar nos corações de vossa juventude princípios calculados para torná-los honrados, elevados, inteligentes, virtuosos, modestos, homens e mulheres puros, cheios de integridade e verdade, que vos representem corretamente, isto é, se andardes corretamente, e senão, que representem, de qualquer modo, os princípios da verdade que professais crer, para que convosco possam ter uma herança no reino de Deus, e herdar a terra, pois Jesus diz que são os mansos que herdarão a terra.

Há muitas coisas que podemos ouvir e que não compreendemos plenamente; e talvez vejamos muitas coisas desagradáveis. Mas não vos preocupeis com os atos dos homens, especialmente dos líderes da Igreja e do reino de Deus. Não sois seus juízes. Deus é. Segui o seu conselho, e se eles e vós tiverdes o Espírito de Deus, vereis olho a olho. A Escritura diz: "Os vigias verão olho a olho quando Deus trouxer de volta Sião," perfeita em santidade. Se cometestes pecado, orai para que Deus o perdoe. Se vossa família pecou, orai para que Deus a perdoe, e a conduza pelo caminho certo, e não sejais demasiado censores em relação aos outros. Nenhum de nós é perfeito, todos precisamos de misericórdia, e se exercermos julgamento sem misericórdia, talvez julgamento sem misericórdia nos seja imposto. Sejamos misericordiosos. Diz Jesus: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus." Tenhamos nossos corações retos, nossos espíritos puros e nossos afetos santificados, e busquemos promover o amor a esses princípios entre nossa juventude por onde formos, para que sejamos abençoados do Senhor, e nossa descendência conosco. Então, quando Sião for redimida e os propósitos de Deus forem cumpridos, não importa se possuímos muito ou possuímos pouco, Deus estará conosco, e nos fará sair vitoriosos, e nos uniremos para cantar: "Digno é o Cordeiro que foi morto, e ressuscitou, para receber glória e honra, e poder, e força e majestade e domínio;" e se formos fiéis, viveremos e reinaremos com Cristo na terra.

Que Deus nos ajude a ser fiéis o nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Deus a Fonte de Todo Bem — O Amor Comum do Homem pelo Aumento — A Necessidade de Dirigir Retamente Nossos Poderes”, (1873-01-05). Pulpit Vault, 1873-01-05-taylor-god-the-source-of-all-goodthe-common-love-of-man-for-increasethe-necessity-of-righteously-directing-our-powers. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).