O Verdadeiro Natal e o Ano Novo
Orson Pratt
Estamos, esta tarde, comemorando segundo nosso costume habitual, um dos acontecimentos mais importantes que já se deram em nosso mundo, e aquele que mais concerne a toda a família humana, a saber, a morte e os sofrimentos do Senhor Jesus Cristo pela redenção da família humana. Nenhum outro acontecimento pode ser comparado a este em sua importância, e em seus efeitos sobre a família humana. Tudo o mais é apenas uma consideração secundária, quando comparado com a expiação que foi realizada em favor do homem pelo grande Redentor; contudo, estranhamente, há aqueles no mundo cristão, assim chamado, que professam crer no cristianismo e, ainda assim, negam a eficácia do sangue expiatório derramado por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Mais especialmente este tem sido o caso nos últimos anos. Suponho que há muitos milhares que hoje negam isto, onde havia poucos na época do surgimento desta Igreja. Isto surgiu, provavelmente, da multiplicação de influências espirituais que agora prevalecem em grande extensão no mundo cristão — influências que são más, revelações, visões falsas, batidas espíritas e médiuns. Quase sem exceção, estes espíritos falsos ensinaram àqueles que os ouviram que não há eficácia na Expiação. ¶
Não há assunto mais plenamente desenvolvido e manifestado aos filhos dos homens na revelação moderna do que o da expiação. Muito se diz a respeito de outras doutrinas, todas as quais têm relação com a expiação, a qual está na fundação de tudo. Se o maligno pode prevalecer sobre a família humana a ponto de fazê-la negar esta doutrina fundamental, ele sabe que estão seguros, no que diz respeito a servi-lo e falhar em sua salvação. Se conseguir apenas fazê-los crer, iludidos, que não creem na doutrina da expiação, não importa a Satanás o que mais eles creiam. Não é minha intenção, contudo, esta tarde, a menos que assim seja guiado pelo Espírito do Senhor, deter-me muito neste assunto. É um assunto tão profundamente ensinado aos Santos dos Últimos Dias, que considero quase desnecessário repetir aquilo com que estão tão familiarizados. Ao participarmos da ordenança da Ceia do Senhor todo dia de Sabá, comemoramos aquele grande acontecimento. Se não pregamos tanto a respeito dele por palavra de boca, certamente cumprimos o mandamento que Deus nos deu, exigindo que nos lembremos, diante do Pai, do corpo crucificado e do sangue derramado de seu Filho, sem o qual não teria havido remissão do pecado, nem redenção, e a humanidade teria permanecido em seu estado caído. Nenhuma luz poderia ter penetrado nos corações dos filhos dos homens, e não teria havido ressurreição, nenhuma exaltação no reino de Deus sem a expiação. Quando falamos de depravação total, isto se refere a certas condições. O homem não está totalmente depravado agora, e a razão é que houve uma expiação; mas afastai isto, como muitos fazem, e a depravação total reinaria, e os homens viveriam e morreriam seres totalmente degradados. Toda a luz que veio ao mundo, e que ilumina todo homem que vem ao mundo, veio por causa da expiação. É um acontecimento que todas as sociedades cristãs comemoram mais ou menos, ou ao menos comemoravam antigamente. Estão ficando mais relaxadas agora, desde que o diabo e seus anjos deram tantas revelações contra a expiação. ¶
Os Católicos Romanos, cerca de 532 anos depois de Cristo, estabeleceram um dia chamado Natal, o qual, sem dúvida, criam então ser o dia do nascimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A razão pela qual estabeleceram o Natal, e mantiveram sua comemoração desde aquele dia até o presente, foi porque certo monge, membro de sua igreja, chamado Dionísio, começou um cálculo para averiguar, se possível, o período de tempo desde o nascimento de Cristo até a época em que o cálculo foi feito; e de toda a informação que pôde reunir, fixou-o em 532 anos. Não tinham obras impressas naqueles dias como temos agora; não tinham acesso à abundância de informação histórica e cronológica que temos agora; mas de toda a informação que Dionísio pôde reunir, e fazendo um cálculo sobre ela, chegou ao resultado acima. ¶
Ele também fez um cálculo a respeito do dia em que supunha que o Salvador tivesse nascido, e este foi estabelecido como um dia a ser celebrado pela igreja Católica Romana. Têm certas ordenanças a respeito daquele dia, que podeis ver observadas em sua igreja nesta cidade. As pessoas, antes deste tempo, não datavam seus documentos a partir do nascimento de Cristo. Se estivessem escrevendo uma carta, não diziam, no ano de nosso Senhor de 520, no ano de nosso Senhor de 416, e assim por diante; isto nunca foi feito até que o cálculo de Dionísio fosse feito, então foi adotado pelos Católicos Romanos e por todas as nações sobre as quais tinham poder e influência. Com o tempo, outros cronologistas fizeram cálculos quanto à época do nascimento de Cristo, e da informação que puderam reunir, descobriram que Dionísio cometera um erro, e que Cristo nascera cerca de um ano antes da época por ele fixada. Mas a esta altura já havia grande número de importantes documentos e papéis de Estado e outros em existência, todos datados segundo o cálculo incorreto deste monge romano. Como remediar isto, o povo não sabia, pois não convinha alterar todas estas datas. ¶
Outro conjunto de cronologistas fez cálculos, e descobriram que Dionísio cometera um erro de dois anos a respeito da época do nascimento do Salvador. Quatro outros, homens muito eruditos, buscaram diligentemente, e da informação que obtiveram, descobriram que Jesus nascera três anos antes da época publicada por Dionísio. Cinco outros o fixaram em quatro anos; alguns poucos o fixaram em cinco anos antes, e alguns em sete anos antes da época especificada por este monge romano. Todos os cronologistas modernos que trataram do assunto concordam que Dionísio estava incorreto, ao menos por vários anos. Mas alterou o povo as datas de seus documentos e manuscritos quando seu erro se tornou plenamente manifesto? De modo algum; continuaram aquela velha e errônea contagem até o presente ano. Mas atribuíram-lhe o nome de era vulgar, a fim de indicar que é incorreta. Era vulgar! Creio que o nome é inapropriado, pois há milhares de pessoas no presente dia, incluindo a juventude de nossa terra, e talvez muitos que tiveram educação universitária, que jamais souberam ou indagaram sobre o significado de era vulgar, ou por que o termo foi introduzido. Seu real significado é: era ou data incorreta. Por exemplo, escrevemos uma carta hoje, e a chamamos de 29 de dezembro de 1872. Isto é segundo a era vulgar, ou data errônea, ou a contagem de Dionísio; mas esta não é a data verdadeira. A probabilidade é que, independentemente da Bíblia ou do Livro de Mórmon, da grande massa de testemunho que se tem acumulado por gerações passadas, Jesus nasceu quase quatro anos antes do início desta era vulgar, de modo que nosso ano presente, 1872, deveria ser 1876. Encontrareis um relato completo destes assuntos nos escritos dos eruditos, em enciclopédias, e em várias obras que tratam de cronologia, de modo que não precisais tomar apenas meu testemunho sobre este assunto, pois tendes acesso à nossa biblioteca aqui nesta cidade, e podeis examinar obras sobre cronologia e ver que estou correto. Poderá haver aqui aqueles que gostariam que eu citasse algumas obras sobre este assunto. Citarei uma que li enquanto estava na Inglaterra, um dicionário bíblico, de um autor muito erudito chamado Smith. Este assunto é tratado de forma muito clara e completa naquela obra. Creio que o senhor John W. Young, desta cidade, tem esta obra em sua biblioteca particular. A razão pela qual faço estas observações é que este é o primeiro Sabá depois do Natal, e o dia em que creio que os Católicos Romanos nesta cidade estão celebrando certas ordenanças em sua igreja em comemoração deste acontecimento. ¶
Tendo descoberto que há um erro a respeito do ano do nascimento de Cristo, indaguemos agora se o dia observado pelo mundo cristão como o dia de seu nascimento, o 25 de dezembro, é ou não o verdadeiro Dia de Natal. Muitos autores descobriram, por suas pesquisas, que não é. Creio que dificilmente há um autor no presente dia que creia que o dia 25 de dezembro foi o dia em que Cristo nasceu. Ainda assim, é observado por certas classes, e nós, quer façamos qualquer profissão de fé ou não, somos apenas tolos o bastante para observar este velho festival Católico Romano. Os meninos e meninas todos aguardam com grande expectativa o Natal. Muitos deles, é verdade, não sabem o significado disto, ou por que é celebrado; mas quando refletimos sobre o assunto, é tudo um absurdo celebrar o 25 de dezembro como o aniversário de Jesus. Servirá como feriado, de modo que se poderia escolher qualquer outro dia para este propósito. É geralmente crido e admitido pelos eruditos, que investigaram o assunto, que Cristo nasceu em abril. Vi vários relatos — alguns deles publicados em nossos periódicos — de homens eruditos em diferentes nações, nos quais se declara que, segundo o melhor de seu juízo, das pesquisas que fizeram, Cristo foi crucificado no dia 6 de abril. Isto é, o dia em que esta igreja foi organizada. Mas quando estes homens eruditos retrocedem do dia de sua crucificação ao dia de seu nascimento, ficam perdidos, não tendo evidência ou testemunho certo pelo qual possam determiná-lo. Pretendo esta tarde lançar luz sobre este assunto a partir de nova revelação, na qual nós, como Santos dos Últimos Dias, podemos confiar. Ler-vos-ei do Livro de Mórmon algumas coisas que aconteceram, na época da crucificação, neste grande hemisfério ocidental, e direi que temos ali uma data dada em conexão com estes acontecimentos, mostrando quantos anos tinha Jesus na época de sua crucificação. Talvez não seja indevido, contudo, que eu faça algumas observações antes de começar a ler, para informar aos estranhos que possam estar presentes que os habitantes da América antiga, e aqueles que escreveram o Livro de Mórmon, eram Israelitas! Que, quando vieram da cidade de Jerusalém, 600 anos antes de Cristo, eram um povo justo, e tinham profetas entre eles, e guardavam a lei de Moisés. Ora, os sacrifícios e holocaustos daquela lei eram típicos da grande oferta que seria feita por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Os antigos habitantes deste continente, a quem me referi, entendiam a natureza destas ordenanças, e aguardavam a vinda do verdadeiro Messias, e a celebravam por estas ordenanças, da mesma forma que nós olhamos para trás e celebramos sua morte e sofrimentos ao participar dos símbolos, como fizemos esta tarde. ¶
Ora, se Deus conduziu uma companhia de Israelitas da Palestina para colonizar este continente, e lhes ensinou a guardar a lei de Moisés com seus sacrifícios e holocaustos, típicos do grande sacrifício que seria feito em Jerusalém, não seria estranho que ele lhes desse um sinal a respeito de Jesus, de quando ele nasceria, e de quando morreria. Ele o fez pela boca de profetas. Numerosos profetas foram levantados nesta terra, e profetizaram aos habitantes dela, e ensinaram-lhes a respeito da vinda de Jesus, e que sinais seriam dados na época de sua vinda. Ensinaram-lhes que, na noite anterior ao nascimento de Jesus, não haveria trevas nesta terra, mas que estaria perfeitamente clara. Veriam o sol pôr-se à tarde, e que, durante a noite, até que se levantasse na manhã seguinte, não haveria trevas; que grandes sinais e luzes apareceriam nos céus, e que estes lhes serviriam de indicações do nascimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Estes sinais foram dados, e por eles o povo neste continente soube o próprio dia em que Jesus nasceu. ¶
Alguns anos depois disto, antes da crucificação de Jesus, caíram em grande maldade. Perseguiram os profetas, derramaram seu sangue, apedrejaram-nos até a morte, e os expulsaram do meio deles, e estavam cheios de ira e indignação, e pecaram contra grande luz, de modo que o Senhor teve de enviar-lhes outros Profetas, dizendo-lhes que, na época da crucificação, se não se arrependessem, muitas de suas cidades seriam queimadas com fogo, muitas destruídas por tempestades, e que seriam visitados com severos juízos e calamidades; e que, durante o tempo em que Jesus fosse levantado na cruz, haveria terríveis terremotos por toda a face deste continente, e que depois disso haveria três dias e três noites de trevas, e que esta escuridão viria imediatamente depois da execução do Salvador. Ora, leiamos o que o Profeta diz na página 450 do Livro de Mórmon a respeito destes acontecimentos, que se deram exatamente como haviam sido preditos. ¶
"E aconteceu que no trigésimo quarto ano, no primeiro mês, no quarto dia do mês, levantou-se uma grande tormenta como nunca antes havia sido vista em toda a terra." De que período foi esta data contada? Somos informados na página 435 deste livro que os Nefitas começaram a contar o início de seu ano a partir do sinal que lhes foi dado ao nascimento do Salvador — a noite sem trevas. Antes disso, haviam contado a partir de sua saída de Jerusalém, 600 anos antes de Cristo, e continuaram assim por cerca de cinco séculos, até que mudaram a forma de seu governo neste continente, e introduziram os juízes; então passaram a contar seu tempo a partir do começo do reinado dos juízes. Este modo de contar durou noventa e um anos. Tendo passado quinhentos e nove anos antes que o reinado dos juízes começasse, e acrescentando-se noventa e um a isso, deram 600 anos desde a época em que Leí e a colônia saíram de Jerusalém. Então mudaram seu modo de contar, e contaram a partir da época em que este grande sinal foi dado nos céus, de modo que sabemos o que esta data significa — "no trigésimo quarto ano, no primeiro mês, e no quarto dia do mês." Ora, creio que isto nos dá uma pista da idade de Jesus quando foi crucificado, mas continuemos lendo, e vejamos a respeito da tormenta. ¶
"Levantou-se uma grande tormenta, tal como nunca havia sido vista em toda a terra. E houve também uma grande e terrível tempestade; e houve terríveis trovões, de tal forma que sacudiu toda a terra como se estivesse prestes a rachar-se ao meio. E houve relâmpagos excessivamente resplandecentes, tais como nunca haviam sido vistos em toda a terra. E a cidade de Zaraenla incendiou-se." ¶
Zaraenla era sua grande cidade capital. Estava localizada na parte norte da América do Sul, num dos ramos daquele rio que chamamos rio Magdalena, que desce das montanhas em direção ao norte, e desemboca no Mar do Caribe. No lado oeste daquele rio estava localizada a grande cidade de Zaraenla. Continuemos a leitura: ¶
"E a cidade Zaraenla incendiou-se. E a cidade Morôni submergiu nas profundezas do mar, e seus habitantes se afogaram. E a terra cobriu a cidade de Moronia, de modo que em lugar da cidade apareceu uma grande montanha." ¶
Ora, se nossos mineiros, os que vão à América do Sul, chegarem a escavar alguns milhares de pés, e chegarem a encontrar edifícios antigos, não precisam se surpreender, pois o Senhor causou uma terrível revolução na terra. Surgiu uma grande montanha no lugar em que aquela cidade se erguia; "e houve uma grande e terrível destruição na terra do sul" — o que chamamos América do Sul. ¶
"Mas eis que houve uma destruição muito maior e mais terrível na terra do norte" — América do Norte — "pois eis que toda a face da terra foi mudada por causa da tempestade e dos furacões e dos trovões e relâmpagos e dos violentos tremores de toda a terra. E romperam-se os caminhos, desnivelaram-se as estradas, e muitos lugares planos tornaram-se acidentados. E muitas cidades grandes e importantes foram tragadas, e muitas se incendiaram, e muitas foram sacudidas até que seus edifícios ruíram; e seus habitantes foram mortos, e os lugares ficaram devastados. E houve algumas cidades que permaneceram; mas sofreram grandes danos, e muitos de seus habitantes foram mortos. E houve alguns que foram levados pelo furacão; e onde foram parar, ninguém sabe, salvo que se sabe que foram levados. E assim a face de toda a terra ficou desfigurada, em virtude das tempestades e trovões e relâmpagos e tremores de terra. E eis que as rochas se fenderam ao meio; elas foram despedaçadas em toda a face da terra, de tal forma que foram encontradas em fragmentos e rachadas e partidas em toda a face da terra." ¶
Podeis ver por isto que terríveis convulsões ocorreram neste continente, mesmo aqui nestas montanhas. Nas montanhas a oeste deste vale, encontrareis os estratos de rocha erguidos quase perpendicularmente; não foi assim que se formaram primeiramente. Encontrareis também ali, como em outros lugares, estratos mergulhando em ângulo maior ou menor para dentro da terra. A causa de tudo isto foram as terríveis convulsões pelas quais nosso globo passou, e mais especialmente na época da crucificação. ¶
"E aconteceu que, quando cessaram os trovões e os relâmpagos e a tormenta e a tempestade e os tremores de terra — pois eis que duraram cerca de três horas, sendo dito por alguns que duraram mais tempo; contudo, todas essas coisas grandes e terríveis duraram cerca de três horas — e então, eis que houve trevas sobre a face da terra." ¶
Poderia continuar lendo, se necessário fosse, a respeito do choro, do lamento e do pranto do povo durante estes três dias de intensa escuridão — nem sol, nem lua, nem estrelas se viam, e o vapor era tão denso que os habitantes da terra podiam senti-lo, da mesma forma que a escuridão foi sentida na terra do Egito. Não era, é claro, a escuridão que se sentia, mas o vapor, que era tão espesso. Há uma coisa, contudo, à qual desejo chamar vossa atenção especial, antes de fazer quaisquer outras observações a respeito da data aqui dada. Quando esta escuridão se dissipou, diz-se que era de manhã. Encontrareis isto na página 454. "E aconteceu que assim se passaram os três dias. E era de manhã e dissipou-se a escuridão da face da terra e a terra cessou de tremer e as rochas cessaram de fender-se; e cessaram os espantosos gemidos e todos os barulhos tumultuosos terminaram." ¶
Poderíeis dizer que isto não foram três dias e três noites, pois Jesus foi crucificado e morreu na cruz às 3 horas da tarde em Jerusalém, e consequentemente, para que fossem exatamente três dias e três noites, poderíeis supor que a escuridão deveria ter se dissipado à tarde. Mas este livro nos diz que, quando os três dias e três noites de trevas haviam passado, era de manhã. Ora, por que esta discrepância — pois parece ser uma — entre a Bíblia e o Livro de Mórmon? Podeis explicá-la, e dizer por que teria sido de manhã na América? A razão é a diferença de longitude. O escritor do relato no Livro de Mórmon residia na parte noroeste da América do Sul. Ora, tomai um mapa do mundo, e vede a diferença de longitude entre o lugar em que Jesus foi crucificado, e aquele em que vivia o escritor do Livro de Mórmon, e vereis que é de cerca de sete horas e meia. Ora, subtraí sete horas e meia das 3 horas da tarde, e que hora seria quando as três horas de tremores e a destruição das cidades expirassem, ou quando a escuridão começasse? Não seria de manhã? Tirai sete horas e meia de longitude das 3 horas — a hora em que Jesus expirou — e não seriam sete e meia da manhã para os habitantes desta terra, enquanto era de tarde para os habitantes em Jerusalém? ¶
Presumo que Joseph Smith, sendo homem sem instrução, nunca percebeu isto até o dia de sua morte; isto é, jamais o entendeu. Nunca o ouvi, nem a homem erudito algum referir-se a isto até depois de sua morte; mas, lendo por mim mesmo, vi, a princípio, que havia uma aparente discrepância entre este livro e o Novo Testamento; um colocando-o pela manhã, e o outro à tarde. Ao pensar nesta aparente discrepância, a diferença de longitude ocorreu-me à mente, e é exatamente o que deveria ser para explicar a diferença de tempo dada nos dois livros; e isto, embora não direto, é prova incidental de que o homem que traduziu este livro foi inspirado por Deus. Não creio que Joseph Smith, até o dia de sua morte, soubesse que a diferença de tempo em diferentes lugares da terra fosse causada por sua diferença de longitude. ¶
Voltemos agora à data, no início do trecho que tenho lido — "no trigésimo quarto ano, no primeiro mês, e no quarto dia do mês" — o que o faria ter trinta e três anos, três dias e parte de outro dia de idade, na época de sua crucificação, segundo o relato dado no Livro de Mórmon. Mas isto não decide sua idade exatamente, a menos que possamos saber que tipo de anos os Nefitas contavam. Contavam seus anos como os ingleses e americanos fazem? Não, presumo que não. Como podemos saber a duração de seus anos? Não conheço método melhor do que voltar aos primeiros historiadores espanhóis que viveram contemporaneamente a Colombo, o descobridor da América. Quando penetraram no México, e conquistaram aquela terra, descobriram que os mexicanos eram parcialmente civilizados, de modo que tinham muitos registros, embora seu modo de mantê-los fosse muito diferente do de outras nações. O calendário mexicano dava suas opiniões e ideias a respeito da duração do ano, e seu modo de contá-lo. Isto foi por volta do final do século XV, pois Colombo descobriu a América em 1492. Logo depois, estes historiadores espanhóis se familiarizaram amplamente com a literatura mexicana, sua forma de escrever, e a semicivilização que existia entre eles. Tenho em minha posse nove grandes volumes, elaborados pouco depois de o Livro de Mórmon ter sido traduzido, por Lord Kingsborough, sobre antiguidades mexicanas. Os nove volumes provavelmente pesarão mais de duzentas libras. Cinco deles contêm apenas pranchas de antiguidades, os outros quatro contêm traduções, em inglês, espanhol e francês, das declarações dos historiadores a respeito da literatura mexicana e seu conhecimento a respeito da duração do ano. Contavam 365 dias por ano, mas não acrescentavam o que se chama o dia intercalar a cada quatro anos, para fazer o que chamamos ano bissexto. Faziam isto apenas uma vez a cada cinquenta e dois anos, e então acrescentavam treze dias, o que fazia um dia para cada quatro anos. Isto mostra que tinham uma ideia bastante boa da duração do ano. ¶
Quando Jesus foi crucificado, com a idade de cerca de trinta e três anos, se os Nefitas contavam segundo a porção mexicana dos Israelitas, não haviam acrescentado os oito dias que acrescentaríamos para o ano bissexto, consequentemente isto encurtaria seus anos, e em vez de serem trinta e três anos, três dias e parte do quarto dia, resultaria, segundo nossa contagem, oito dias a menos que a data do Livro de Mórmon, ou trinta e dois anos, trezentos e sessenta dias e quinze horas. Isto, então, é altamente provável que tenha sido o real período que existiu entre o nascimento e a crucificação de nosso Salvador. ¶
Ora, temos uma pista no Novo Testamento quanto à época de sua crucificação, mas não de seu nascimento; isto é, sabemos que foi crucificado numa sexta-feira, pois todos os Evangelistas testificam que o sábado era o Sabá judaico, e que na sexta-feira Jesus foi pendurado na cruz, e segundo o testemunho dos eruditos, aquilo foi no dia 6 de abril; consequentemente, retrocedendo da crucificação 32 anos, 360 dias e 15 horas, fazendo a devida correção pela longitude, dá quinta-feira para seu aniversário. Novamente, fazendo a correção pelos erros do monge Dionísio, acrescentando quatro anos, ou quase isso, à era vulgar ou incorreta, faria a organização desta Igreja acontecer precisamente, até o próprio dia, 1.800 anos desde o dia em que ele foi levantado na cruz. ¶
Isto é algo muito maravilhoso em minha mente. Joseph Smith não escolheu o 6 de abril para organizar esta Igreja: ele recebeu um mandamento de Deus, o qual está contido no Livro de Doutrina e Convênios, estabelecendo aquele dia como o dia em que a Igreja deveria ser organizada. Por que estabeleceu ele seu reino precisamente 1.800 anos desde o dia em que Cristo foi levantado na cruz? Não sei por quê. O Senhor tem seu próprio tempo determinado para realizar seus grandes propósitos. Se Joseph Smith tivesse sido erudito em cronologia e nos escritos do mundo; se tivesse sido um homem de meia-idade ou idoso, de experiência, ou um homem que tivesse acesso a bibliotecas, em vez de um rapaz agricultor, então poderíamos ter suposto que talvez tivesse estudado cronologia, buscado a verdadeira era, descoberto como distinguir entre a verdadeira e a vulgar, e então descoberto a verdadeira data do nascimento de Cristo e sua crucificação, e organizado tudo bem arrumadamente em harmonia, e então fingido que tivera uma revelação para organizar a Igreja precisamente 1.800 anos depois daquele grande acontecimento. Isto é o que teríamos de conceder se quiséssemos fazer da obra uma impostura; mas o próprio fato de que Deus ordenou àquele rapaz organizar a Igreja naquele dia deveria ser considerado forte evidência colateral da autenticidade divina do Livro de Mórmon. ¶
Talvez tenha dito tudo o que é necessário sobre este assunto. Se eu fosse celebrar o Natal, ou o aniversário de Cristo, recuaria um pouco menos de trinta e três anos de sua crucificação, e isso o traria para quinta-feira, dia 11 de abril, como o primeiro dia do primeiro ano da verdadeira era cristã; e contando trinta e dois anos, 360 dias e quinze horas a partir daí, isso o traria à crucificação, e a traria também numa sexta-feira. ¶
Ao dizer que "foi no trigésimo quarto ano, primeiro mês e quarto dia do mês" que ocorreram a grande tormenta e os terremotos, há outra coisa a notar — que isto deve ter acontecido numa sexta-feira, segundo a contagem nefita, a fim de que sua crucificação ocorresse numa sexta-feira. Se terça-feira fosse o primeiro dia do trigésimo quarto ano, o segundo dia seria quarta-feira, o terceiro quinta-feira, e sexta-feira teria sido o quarto dia do mês, exatamente como diz o Livro de Mórmon, tornando-o correto segundo a contagem dos dias da semana. ¶
Há outra coisa que, talvez, muitos dos Santos dos Últimos Dias e muitos do mundo não tenham refletido; isto é, que o começo de nosso presente Ano Novo é incorreto, contando os anos a partir do nascimento de Cristo, pois o primeiro dia de janeiro não foi o dia de seu nascimento. Chamamo-lo o primeiro dia do ano, mas não tem referência alguma ao dia do nascimento de Cristo. O primeiro dia do ano da verdadeira era cristã deveria ser o dia do nascimento do Salvador — o 11 de abril. Cerca de 122 anos atrás, não tínhamos o primeiro dia de janeiro para o Ano Novo. Naquela época, ou por volta dela, todos na América e na Inglaterra contavam o Dia de Ano Novo em 25 de março. Aquele fora o primeiro dia do ano por muitas gerações. Como veio a ser mudado para o primeiro dia de janeiro? Em 1751, o Parlamento da Grã-Bretanha aprovou uma lei segundo a qual o ano deveria ser movido de volta, do dia 25 de março para o dia 1º de janeiro, tornando o ano de 1751 cerca de oitenta e quatro dias mais curto do que todos os outros anos haviam sido. Por que fizeram isto? A fim de colocar o Ano Novo em conexão com certo acontecimento astronômico. Aqueles que estão familiarizados com o movimento da terra ao redor do sol sabem que o caminho pelo qual ela se move não é um círculo, mas uma elipse, ou círculo alongado. Fazei um arame na forma de um círculo e depois esticai-o, e essa é a forma de uma elipse. O sol está situado num dos focos desta elipse, e está mais próximo da terra no dia 1º de janeiro, ou no dia 31 de dezembro, cerca de três milhões de milhas, do que está no dia 1º de julho. O objetivo de recuar o ano era fazer com que o ano começasse quando a terra estivesse em seu periélio, ao girar ao redor do sol. Esta não foi a única alteração que se fez, mas isto explica as expressões "estilo novo" e "estilo antigo," com as quais ocasionalmente vos deparais em documentos históricos, a primeira referindo-se ao novo modo de contar, a última ao modo antigo. ¶
Disse que esta não foi a única mudança feita no tempo. No ano de 1752 — quando chegou o segundo dia de setembro, a fim de fazer o ano corresponder às estações, achou-se necessário adiantar o tempo, de modo que o dia 3 de setembro fosse chamado 14, sendo removidos onze dias do calendário. Isto também foi estabelecido por lei parlamentar; e desta forma as estações foram, em certa medida, trazidas a corresponder com a duração do ano. Todas estas coisas devem ser levadas em consideração em nossas datas; e quando lemos o dito no Livro de Convênios de que o Senhor organizou sua Igreja no ano de nosso Senhor de 1830, no quarto mês, e no sexto dia do mês, o Senhor fez sua linguagem corresponder ao nosso presente modo de contar, isto é, adotou a contagem dos ingleses, estabelecida por lei parlamentar. Em vez de contar o ano como começando em 25 de março, ele diz: "Sendo no ano de nosso Senhor de 1830, no quarto mês, e no sexto dia do mês, que a Igreja foi organizada." Não devemos, por esta razão, tomar isto como a data real, mas está adaptada ao nosso presente modo de contar. Fiz estas observações para que ninguém, se sentir inclinado a pesquisar sobre cronologia, seja induzido ao erro a este respeito. Estando tão próximo do Natal e do Ano Novo, julguei apropriado deter-me neste assunto, com o propósito de esclarecer as mentes de todos os que possam estar presentes, na medida em que tenho informação a respeito disto. ¶
Ora, se ainda não ocupei demasiado tempo, desejo deter-me um pouco no assunto da cronologia de nosso mundo. Não temos datas em que possamos confiar quanto ao período ou história de nosso globo, desde a criação até o presente tempo. Os cronologistas diferem a respeito da história e idade do mundo. Alguns fazem a idade do mundo, desde a criação até a vinda de Cristo, ser quatro mil anos. O Arcebispo Usher introduziu esta cronologia na Bíblia do rei Tiago; e nela encontrareis todas as datas adaptadas àquela contagem particular; e segundo sua contagem, encontrareis que Cristo veio no ano do mundo 4004. Devemos confiar nisto? De modo algum. Muitos cronologistas, igualmente eruditos, e que fizeram pesquisas mais profundas do que ele sobre este assunto, discordam materialmente dele. Há muitos que colocam o nascimento de Cristo a 5.500 anos da criação; outros o colocam a 5.490, outros a 5.508 ou 9 anos. Há cerca de duzentos cronologistas que todos discordam a respeito deste assunto. Muitos cronologistas judeus fazem-no mais de seis mil anos, desde a criação até o nascimento de Cristo, de modo que vedes que, quando tentamos tratar do assunto com base no saber do mundo, estamos em meio à confusão — ninguém sabe nada a respeito disto. Não é realmente necessário que saibamos, mas temos uma pequena luz sobre este assunto. ¶
Sabemos que não foram seis mil anos, desde a criação até o nascimento de Cristo. Como sabemos isto? Deus nos disse, em nova revelação, que esta terra está destinada a continuar sua existência temporal por sete mil anos, e que, no princípio do sétimo milênio, ele fará com que sete anjos toquem suas trombetas. Em outras palavras, podemos chamá-lo o Milênio, pois o significado da palavra milênio é mil anos. Seis mil anos devem passar, desde a criação até a época em que Jesus vier nas nuvens do céu, e ele não virá exatamente ao término dos seis mil anos. Quando o profeta Joseph perguntou ao Senhor o que significava o toque das sete trombetas, foi-lhe dito: "Assim como Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo dia terminou sua obra, santificando-o, e também do pó da terra formou o homem, assim também, no princípio do sétimo milênio, o Senhor Deus santificará a Terra e consumará a salvação do homem e julgará todas as coisas e redimirá todas as coisas, exceto aquelas que ele não pôs sob o seu poder, quando terá selado todas as coisas, até o fim de todas as coisas; e o toque das trombetas dos sete anjos é a preparação e a consumação de sua obra, no princípio do sétimo milênio — a preparação do caminho antes do tempo de sua vinda." Esta citação será encontrada na Pérola de Grande Valor, p. 34. ¶
Nenhuma destas trombetas soou ainda, mas em breve soarão; e isto nos dá uma pequena pista do período e idade de nosso mundo. Sabemos que seis mil anos ainda não decorreram desde a criação, mas sabemos que estão muito próximos de expirar. Sabemos que Deus estabeleceu este reino 1.800 anos a partir da data de sua crucificação, preparatório à sua vinda nas nuvens do céu para receber o reino que ele estabelece aqui na terra, e para governar e reinar sobre todos os povos, nações e línguas que forem poupados vivos. Talvez isto seja suficiente sobre a história e cronologia do mundo; mas para o benefício dos Santos, e não fará mal aos estranhos, embora não creiam em nossas revelações, referir-me-ei a mais alguma evidência e testemunho sobre este assunto. ¶
Na nova tradução que Joseph Smith foi ordenado a fazer do Antigo e do Novo Testamento, achamos que algumas das datas dadas na tradução do rei Tiago de acontecimentos antes do dilúvio estão incorretas, mas são corrigidas na nova tradução. Por exemplo, a idade de Enoque, tal como dada na Bíblia do rei Tiago, está incorreta. A nova tradução dá uma longa profecia que lhe foi feita antes do dilúvio, e esta profecia se relaciona a gerações futuras assim como a coisas passadas. Enoque, em sua visão, viu a grande obra que estava destinado a realizar na terra, pregando o Evangelho entre as nações, e reunindo um povo e edificando uma cidade chamada Sião. Viu que, com o tempo, o povo de Sião se tornaria santificado diante do Senhor, que o Senhor viria e habitaria em seu meio, e que, com o tempo, depois que a cidade tivesse existido 365 anos, ela, com todo seu povo, seria elevada aos céus. E todos os dias de Sião, nos dias de Enoque, diz a nova tradução, foram 365 anos, fazendo de Enoque um homem de 420 anos de idade quando ele e seu povo foram translados, o que é mais velho que a idade dada a ele na tradução não inspirada. ¶
Nesta nova tradução, temos também uma história muito maior da criação do mundo do que a dada na tradução não inspirada, feita pelos quarenta e sete homens empregados pelo rei Tiago. Naquele livro temos uma história muito breve daquele grande acontecimento; mas a tradução inspirada mostra que os períodos de tempo chamados dias, nos quais foram realizadas as várias porções da obra da criação, não eram de modo algum de tão limitada duração como os dias de que falamos, mas, segundo o que é revelado no Livro de Abraão, eram provavelmente períodos de mil anos cada um. Deus pode ter passado o espaço de mil anos organizando certa porção desta criação, e isto foi chamado a tarde e a manhã do primeiro dia, segundo a contagem do Senhor, sendo um dia com ele como mil anos, e mil anos como um dia. Com o tempo, foi realizado outro dia de trabalho, o qual não suponho que fosse um dia de vinte e quatro horas, mas um período indefinido de tempo, chamado o segundo dia — a tarde e a manhã do segundo dia. Com o tempo, foi feita a obra do terceiro dia, e então houve a tarde e a manhã do terceiro dia. Provavelmente três mil anos se passaram na realização destas três obras dos três dias. No quarto dia, o Senhor permitiu que o sol e a lua brilhassem para dar luz à terra. O que regulava a tarde e a manhã dos três primeiros dias, não sabemos, pois nem o sol nem a lua foram permitidos brilhar até o quarto dia. Não tenho dúvida de que o Senhor tem uma variedade de métodos de produzir luz. A nova tradução nos dá alguma informação sobre este assunto, pois ali lemos que "Eu, o Senhor, fiz com que as trevas cobrissem a face do abismo." Na tradução do rei Tiago, diz que havia trevas sobre a face do abismo, e eu, o Senhor, disse: "Haja luz, e houve luz." Ora, como criou o Senhor esta escuridão? Ele tem um poder, o mesmo que teve ao causar três dias e noites de trevas sobre esta terra americana. Mas antes que aquela escuridão fosse criada, o que produzia a luz? Deve ter havido luz aqui nesta terra, e provavelmente assim foi por milhares de anos antes que o Senhor criasse a escuridão; e então ele teve os meios de produzir a escuridão, e depois de dissipá-la, e então a chamou de manhã. Mas por quanto tempo aquela manhã existiu, não sabemos, a menos que recorramos ao Livro de Abraão, traduzido por Joseph Smith de papiro egípcio. Este nos diz claramente que a forma como o Senhor e a hoste celestial contavam o tempo era pelas revoluções de certo grande corpo central chamado Kolob, o qual tinha uma revolução em seu eixo em mil de nossos anos, e isto era um dia com o Senhor, e quando o Senhor disse a Adão: "No dia em que dela comeres, certamente morrerás," o Livro de Abraão diz que ainda não fora dada ao homem a verdadeira contagem do tempo, e que se contava segundo o tempo do Senhor, isto é, mil anos conosco era um dia com ele, e que Adão, se participasse do fruto proibido, morreria antes que aquele dia de mil anos expirasse. Por isso, quando voltamos à história da criação, achamos que o Senhor não estava com tanta pressa como muitos supõem, mas que tomou períodos indefinidos de longa duração para construir este mundo, e reunir os elementos pelas leis da gravitação para lançar o alicerce e formar seu núcleo, e quando viu que todas as coisas estavam prontas e devidamente preparadas, então colocou o homem no Jardim do Éden para governar sobre todos os animais, peixes e aves, e ter domínio sobre toda a face da terra. ¶
Há outra coisa muito curiosa revelada na tradução de Joseph Smith, e uma que explica algumas passagens misteriosas no primeiro e segundo capítulos de Gênesis. No primeiro capítulo de Gênesis, na tradução do rei Tiago, lemos que no quinto dia o Senhor fez as baleias, os peixes e as aves do ar. No sexto dia, fez os animais, feras e répteis, e por último de tudo fez o homem, macho e fêmea. Ora, lede adiante, na tradução do rei Tiago, até o sétimo dia, e somos informados que não havia homem para lavrar a terra, contudo os fizera macho e fêmea no sexto dia. Ora, onde foram feitos? Foram feitos primeiro no céu. Todos os filhos dos homens, macho e fêmea, todos os espíritos das feras, aves, peixes e répteis foram feitos espiritualmente no céu antes de serem colocados temporalmente aqui na terra, e a criação espiritual difere da criação temporal. A nova tradução diz que o homem foi a primeiríssima carne feita aqui na terra; ao passo que, segundo o relato na tradução do rei Tiago, a carne das feras, aves e peixes foi feita no quinto dia, antes que o homem fosse feito. Mas na grande obra temporal de colocar o homem na terra, ele foi a primeira carne formada e colocada aqui entre todas as obras de Deus. Ele fizera os espíritos dos peixes, aves e feras, mas nenhum deles teve permissão de vir à terra em seus tabernáculos carnais até que o homem, a grande obra-prima, fosse colocado ali — então foram trazidos diante dele — para que ele lhes desse nomes. ¶
Na obra da criação, o primeiro é o último, e o último o primeiro. Deus fez a parte espiritual desta criação durante estes seis dias de obra de que lemos; então começou a obra temporal no sétimo dia. Plantou o jardim no sétimo dia; colocou o homem naquele jardim no sétimo dia; formou os animais e os trouxe diante do homem no sétimo dia, sendo tudo isto a obra temporal, sendo a primeira espiritual. Não assim no último de sua obra — a grande obra que há de vir. Quando o sétimo milênio chegar, o Senhor redimirá o homem e o trará da sepultura, e começará a redimir esta criação, não a tornando inteiramente imortal e espiritual, como um mar de vidro. Ela existirá por mil anos numa condição temporal, como era antes da Queda. Esta será a primeira de sua obra temporal nos últimos dias. Com o tempo, quando o milênio tiver passado, e a terra passar e morrer, e seus elementos se derreterem com calor ardente, e não se encontrar lugar para ela como corpo organizado, ele falará novamente e haverá outra criação — uma criação desta terra a partir dos velhos materiais; em outras palavras, uma ressurreição da terra, uma ressurreição literal. Aquela será a última de sua obra. Na manhã da criação, primeiro espiritual, e por último temporal. Mas no fim, temporal primeiro na redenção, e por último espiritual, o que será a perfeição ou o encerramento de sua obra. ¶
Há muitas coisas que Deus nos revelou como Santos dos Últimos Dias, e seria bom para nós, para nossos Élderes e para todos, pesquisar estas revelações, para preparar suas mentes a entender o que Deus pretende fazer com nossa criação, e aqueles que estão preparados para herdá-la, quando ela for feita nova. Nós, se fiéis, a herdaremos em sua condição temporal antes que o milênio termine. Embora nossos corpos possam ir para a sepultura, Deus nos trará de volta. Ele nos redimirá e reunirá osso a seu osso, organizará a carne, os tendões, os músculos e cada parte do corpo em seu devido lugar, cobri-lo-á de pele, fará com que o fôlego entre em nós, e o Espírito das alturas nos vivifique, e o espírito humano, que habitará num paraíso celestial, retorne e tome posse do corpo. Então habitaremos a terra, não a princípio em seu estado glorificado — estado esse que finalmente a aguarda — mas no início de sua redenção, em sua condição temporal, durante os mil anos, dos quais a obra anterior à Queda era típica. ¶
Deus vos abençoe. Amém. ¶