Pulpit

Pré-Existência de Nossos Espíritos

Orson Pratt

1872-12-15

Teria sido minha escolha esta tarde sentar e ouvir os outros, mas tendo sido solicitado a dirigir-me à congregação, cumpro-o de bom grado, tendo em meu coração o desejo de que Deus derrame seu Espírito Santo sobre mim e sobre os ouvintes, para que sejamos mutuamente edificados. Chamamo-nos filhos do Deus Altíssimo. É um termo de natureza escriturística, e que tem sido aplicado ao povo de Deus em todas as épocas. No hino que foi cantado, na abertura desta reunião, este assunto foi mais plenamente retratado, segundo as concepções dos Santos dos Últimos Dias, do que geralmente é expresso pelo povo religioso do mundo, pois creio que todo povo religioso reivindica ser, e a si mesmo se denomina, filhos de Deus. Talvez não seja indevido investigar, por um pouco, a realidade deste título, e ver se podemos chegar a algum tipo de entendimento a respeito de sermos filhos e filhas do Deus Altíssimo. Dizem alguns que somos seus filhos e filhas apenas por adoção, ou por meio da obediência ao Evangelho; que nos tornamos seus filhos e suas filhas por nascermos da água e do Espírito. Ora, admito que é necessário que a família humana seja assim adotada; contudo, não teria havido necessidade desta adoção se a humanidade jamais se tivesse tornado ímpia e corrupta. Se nunca tivesse havido pecado no mundo, não creio que a adoção fosse necessária. Segundo minhas concepções, e creio que segundo as concepções dos Santos dos Últimos Dias, e também dos antigos Santos, fomos em determinado período legitimamente seus filhos e filhas, independentemente da adoção, e isto nos levará às primeiras ideias manifestadas por revelação, a respeito da origem do homem. Muitas pessoas supõem que, quando Adão foi colocado no jardim do Éden, então se originou o primeiro da família humana. Admito que aquela foi a origem, no que diz respeito à existência temporal do homem aqui na terra; mas não tivemos existência prévia? Foi aquele o início do homem? Foi, em realidade, sua origem? Esta é uma questão muito importante, e uma resposta correta a ela certamente seria capaz de alegrar os corações dos filhos dos homens. Que o homem teve uma origem secundária aqui nesta terra, e foi colocado no Jardim do Éden, são fatos escriturísticos que todos cremos; mas não tiveram nossos primeiros pais, e todos os seus descendentes, uma existência antes que houvesse qualquer Jardim do Éden nesta terra? Creio que é admitido por todo o mundo cristão que o homem é um ser composto de corpo e espírito, ao menos todas as sociedades cristãs com que estou familiarizado creem nisto. Todas creem que dentro do corpo do homem, ou tabernáculo de carne e ossos, habita um espírito imortal. Todas as sociedades cristãs, com talvez pouquíssimas exceções, creem que este espírito humano, que habita dentro do tabernáculo, existirá após a dissolução do corpo. Poderá haver alguns poucos cristãos que creem que o espírito se desorganiza ou morre entre o tempo da morte e a ressurreição. Creio que esta opinião é sustentada por alguns poucos indivíduos, mas a grande massa da família humana crê que, quando este corpo adormece e desmorona de volta à sua mãe terra, o espírito ainda sobrevive como ser ou personagem organizado. Alguns, contudo, não creem que o espírito seja uma personagem. Pensam que é algo que não pode ser definido, algo que não tem forma nem propriedades das que atribuímos a qualquer tipo de substância material. As concepções do imaterialista são que o espírito não ocupa espaço algum, e não tem relação alguma com a matéria, algo inteiramente separado e distinto da matéria. Há, contudo, poucos no mundo cristão que se aprofundaram tanto nestes mistérios, como os chamam, a ponto de crer em tais absurdos como estes. Eu não poderia crer nisto por um momento sequer — jamais cri. Supor que há um espírito no homem e que aquele espírito não tem forma, nenhuma semelhança e não ocupa espaço algum, como os imaterialistas nos informam em seus escritos, é algo em que não creio, e jamais poderia crer, a menos que ficasse perfeitamente fora de mim, e transtornado de mente.

Nós, como Santos dos Últimos Dias, cremos que os espíritos que ocupam estes tabernáculos têm forma e semelhança similares ao tabernáculo humano. É claro que pode haver deformidades existentes em conexão com o tabernáculo externo que não existem em conexão com o espírito que o habita. Estes tabernáculos ficam deformados por acidente de várias formas, algumas vezes ao nascer, mas isto pode não deformar de modo algum, ou em grau algum, os espíritos que habitam dentro deles; portanto, cremos que os espíritos que ocupam os corpos da família humana são mais ou menos semelhantes aos tabernáculos.

Ora, surge uma questão: se este espírito pode existir separado e independente do tabernáculo, quando o tabernáculo morre, não é irracional supor que ele pudesse existir antes que o tabernáculo fosse formado? Esta é uma questão importante, e a meu ver não há nada de absurdo ou irracional, no menor grau, em crer que aquela personagem a que chamamos o espírito inteligente, que pode existir entre a morte e a ressurreição, separado e distinto do corpo, também pudesse ter tido uma existência antes que o corpo fosse formado, isto é, uma pré-existência. Esta é uma doutrina escriturística, pois há muitas passagens na Escritura que, a meu ver, provam que o homem teve uma pré-existência. Se nos voltarmos para o primeiro e segundo capítulos de Gênesis, encontraremos claramente indicado que o homem teve uma existência antes de ser colocado no Jardim do Éden. No primeiro capítulo de Gênesis somos informados de que Deus fez a terra, e os mares, e a relva, e as ervas e as árvores em cerca de seis dias de tempo. Também lemos que no quinto dia da criação ele fez os peixes e as aves; que no sexto dia fez os animais, e por último de tudo que fez o homem, macho e fêmea os criou. Este parece ter sido o último trabalho da criação no sexto dia. Lede mais adiante, no segundo capítulo de Gênesis, e somos informados que no sétimo dia ainda não havia homem para lavrar a terra. Ora, como vamos reconciliar isto com o que se declara no capítulo anterior — no quinto dia ele fez as aves e os peixes, e no sexto dia fez os animais antes de fazer o homem, e no sétimo dia ainda não havia homem para lavrar a terra? E então somos informados a respeito do homem ser colocado no jardim no sétimo dia; e também que naquele dia os animais foram formados e trazidos ao homem para ver como ele os chamaria. Este parece ter sido outro departamento de trabalho que o Senhor realizou na manhã do sétimo dia. Ele plantou um jardim no sétimo dia no Éden, colocou o homem naquele jardim no sétimo dia; e então somos informados que trouxe os animais do campo e os vários animais que fizera diante do homem, e o homem deu-lhes nomes no dia de Sabá; mas no sexto dia foram feitos macho e fêmea. Reconcilio isto dando ao homem uma pré-existência; tal é minha fé. Creio que o homem teve uma existência antes que o Senhor iniciasse o grande trabalho temporal da criação, no que diz respeito a este planeta. Por quanto tempo ele existiu antes da formação deste planeta, não sei, mas é certo que Deus parece ter formado a parte espiritual dela nos seis dias, e quando chega à parte temporal, esta parece ter sido o trabalho do sétimo dia. No sétimo dia, a Bíblia diz que Deus terminou sua obra. Não a terminou inteiramente no sexto, mas a terminou no sétimo dia.

Quando chegamos à nova revelação que Deus se dignou dar a seu povo nestes últimos tempos, este assunto se torna muito claro; e sobre estas novas revelações, em conexão com as antigas, a pouca luz que pudemos obter por meio do hino que foi cantado na abertura da reunião, foi fundada — "Quando recobrarei tua presença," como expresso no primeiro verso, mostrando que outrora estivemos em sua presença e existimos onde ele está, mas por alguma razão fomos banidos dali, e que, quando formos redimidos, voltaremos novamente, ou como um dos escritores inspirados o diz — "o espírito retornará a Deus que o deu."

Este retorno do espírito a Deus que o deu mostra claramente à minha mente que o espírito uma vez existiu com Deus e habitou em sua presença, caso contrário a palavra "retornar" seria inaplicável. Se eu fosse à China, seria inaplicável dizer que estou retornando à China. Por quê? Porque nunca estive lá, consequentemente a palavra "retornar" seria uma palavra imprópria. Assim, a respeito do dito do profeta, seria inteiramente impróprio dizer que, depois que o corpo se desfizesse em pó, o espírito "retornaria" a Deus que o deu, se ele nunca ali tivesse estado.

Jesus parece ter sido um padrão em todas as coisas pertencentes aos seus irmãos, e encontramos que ele teve uma existência prévia — seu espírito existiu antes que ele viesse e tabernaculasse na carne. Isto é abundantemente provado nas Escrituras. Na oração que ele ofereceu a seu Pai celestial, suplicando-lhe que fizesse seus discípulos um só, ele diz: "E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse." Ora, se Jesus habitou com o Pai antes que o mundo existisse, por que não o resto da família, ou em outras palavras, o resto dos espíritos? Certamente não foi seu tabernáculo que habitou ali antes que o mundo existisse, pois ele veio no meridiano do tempo, e seu espírito entrou num tabernáculo de carne e ossos, e nasceu de uma mulher, exatamente como todo o resto da família humana. O que significa então aquela Escritura que fala de Jesus como o irmão mais velho? Certamente não poderia referir-se a ele ser o mais velho no que diz respeito a seu nascimento natural nesta terra, pois certamente não foi o mais velho, pois geração após geração o precedera durante os quatro mil anos que haviam decorrido, desde o tempo da criação até que ele nasceu; mas ainda assim ele é chamado o "irmão mais velho." Em outra Escritura, diz-se dele que era "o primogênito de toda a criatura." Isto implicaria, então, que Jesus, no que diz respeito à grande família do homem, foi o primogênito de toda ela. Como e quando ele nasceu? Ele nasceu no mundo eterno, não sua carne e ossos, mas aquele espírito inteligente que habitava dentro de seu tabernáculo nasceu antes que este mundo fosse feito, e ele parece ter sido o primeiro espírito que nasceu, e por esta razão tornou-se o irmão mais velho; e nos é dito em muitas Escrituras no Novo Testamento que somos seus irmãos, e que ele não se envergonha de nos chamar seus irmãos. Considero-o como tendo a mesma origem que tivemos, apenas ele era o mais velho; e se ele nasceu no mundo eterno milhares de anos atrás, por que não todo o resto de seus irmãos, no que diz respeito a seus espíritos? Sei que a objeção surgirá imediatamente na mente de indivíduos que não refletiram sobre este assunto: se éramos personagens inteligentes milhares de anos atrás, e habitávamos na presença de Deus, e de Jesus, nosso irmão mais velho, como é que não temos lembrança alguma de nada que transcorreu em nossa pré-existência? Respondo a esta pergunta dizendo que, quando viemos a este mundo de nosso estado prévio de existência, e tivemos nossos espíritos encerrados dentro destes tabernáculos mortais, isto teve a tendência de tirar-nos as memórias no que diz respeito ao passado. Assim foi em relação a Jesus. Ele tinha grande conhecimento antes de nascer neste mundo — suficiente para criar os céus e a terra, por isso lemos em Hebreus que Deus, por seu Filho, fez os mundos. Isto foi antes que Jesus viesse aqui, e ele deve então ter sido possuidor de grande conhecimento para ter sido capaz de fazer isto; mas quando tomou sobre si carne e ossos, esqueceu ele este conhecimento? Lemos nas Escrituras, falando de Jesus vindo aqui e tomando um corpo de carne e ossos, que "em sua humilhação, seu juízo foi tirado." Que humilhação? Sua descida da presença de Deus, seu Pai, e sua descida abaixo de todas as coisas, seu juízo foi tirado, isto é, sua lembrança das coisas que haviam passado, e aquele conhecimento que, enquanto na presença de seu Pai, o capacitava a fazer mundos, e ele teve de começar pelos primeiros princípios do conhecimento, exatamente como todos os seus irmãos que vieram aqui na carne. Lemos que Jesus, ao crescer em estatura, crescia também em sabedoria e conhecimento. Se ele possuísse toda a sabedoria, e não tivesse esquecido aquilo que outrora possuía, como poderia crescer em sabedoria à medida que crescia em estatura? Isto mostra claramente que a sabedoria que ele possuía milhares de anos antes lhe fora tirada, por um sábio propósito. "Seu juízo foi tirado," e ele foi deixado, por assim dizer, no mais profundo da humildade, começando pelos primeiríssimos princípios do conhecimento e crescendo de graça em graça, como dizem as Escrituras, de um grau a outro, até que recebeu uma plenitude de seu Pai. Então, quando recobrou todo o seu conhecimento e sabedoria prévios, teve a plenitude do Pai dentro de si, em outras palavras, "nele habitava toda a plenitude da Trindade corporalmente."

Ora, se seu conhecimento foi esquecido, e seu juízo tirado, por que não o nosso? Constatamos que este é o caso. Que pessoa, entre toda a família humana, pode compreender o que se passou em sua primeira existência? Ninguém, está apagado da memória, e penso que há grande sabedoria manifestada em reter o conhecimento de nossa existência prévia. Por quê? Porque não poderíamos, se tivéssemos todo o nosso conhecimento pré-existente nos acompanhando a este mundo, mostrar a nosso Pai nos céus e à hoste celestial que seríamos obedientes em todas as coisas; em outras palavras, não poderíamos ser postos à prova como o Senhor pretende nos provar neste estado de existência, para nos qualificar para um estado superior no futuro. Para provar os filhos dos homens, é preciso que se retenha deles um certo grau de conhecimento, pois não seria tentação alguma para eles se pudessem entender, desde o início, as consequências de seus atos, e a natureza e os resultados desta e daquela tentação. Mas para que possamos provar-nos diante dos céus obedientes e fiéis em todas as coisas, temos de começar pelos primeiríssimos princípios do conhecimento, e ser provados de conhecimento em conhecimento, e de graça em graça, até que, como nosso irmão mais velho, finalmente vençamos e triunfemos sobre todas as nossas imperfeições, e recebamos com ele a mesma glória que ele herda, glória que tinha antes que o mundo existisse.

Esta é a forma como nós, como povo, encaramos nossa existência prévia. Há algo verdadeiramente animador em contemplar a existência prévia do homem, muito mais do que na velha ideia do mundo sectário — de que Deus está constantemente criando, que ele não terminou sua obra há cinco ou seis mil anos, mas que está criando todo o tempo. Dir-vos-ão que têm espíritos em seus corpos capazes de existir depois que os corpos se desfizeram de volta à mãe terra. Perguntai-lhes a origem destes espíritos, e vos dirão que se originaram por volta da época em que os tabernáculos infantis de carne e osso se originaram. Por isso, segundo suas ideias, Deus tem estado o tempo todo criando cerca de uma pessoa a cada vinte segundos, o que creio ser cerca da taxa média em que as pessoas nascem no mundo; em outras palavras, cerca de três por minuto, e segundo suas ideias o Senhor está ocupado fazendo espíritos a esta rapidez, e enviando-os a este mundo.

Não posso, por minha parte, ver que haja mais absurdo em crer que ele os fez milhares de anos antes de virem aqui, do que supor que os fez pouco antes de virem aqui, e entrarem no tabernáculo. Um certamente não é mais irracional do que o outro.

O fato de não nos recordarmos de nossa existência anterior não é prova alguma de que não a tivemos. Posso provar isto. No que diz respeito à presente existência, que pessoa há nesta congregação que possa se lembrar dos primeiros seis meses de sua infância? Não há homem nem mulher sobre a face da terra, presumo, que possa lembrar-se disto; mas ninguém argumentará, por essa razão, que ele não existia naquele tempo. Oh não, dirá o objetor, isso seria um método impróprio de argumentar. Nossas memórias nada têm a ver com uma existência prévia. Se nos lembramos dela, tudo bem; se não nos lembramos, isso não altera aquela existência.

Se nascemos no céu antes que este mundo fosse feito, poderia surgir a questão quanto à natureza daquele nascimento. Foi por comando que a substância espiritual, espalhada pelo espaço, foi miraculosamente reunida, e organizada numa forma espiritual, e chamada de espírito? É desta forma que nascemos? É desta forma que Jesus, o primogênito de toda a criatura, foi trazido à existência? Oh não; todos nascemos ali da mesma maneira que nascemos aqui, isto é, toda pessoa que teve uma existência antes de vir aqui teve um pai literal e uma mãe literal, um pai pessoal e uma mãe pessoal; por isso o Apóstolo Paulo, falando aos pagãos em Éfeso, diz: "Porque somos também sua geração." Ora, considero todo homem e mulher que já veio a este globo, ou que virá, como tendo um pai e uma mãe nos céus pelos quais seus espíritos foram trazidos à existência. Mas por quanto tempo residiram nos céus antes de virem aqui, não foi revelado.

Referir-nos-emos agora ao 19º capítulo de Jó, para mostrar que havia filhos de Deus antes que este mundo fosse feito. O Senhor fez a Jó uma pergunta a respeito de sua pré-existência, dizendo: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens entendimento." Onde estavas, Jó, quando todas as estrelas da manhã cantavam juntas, e todos os filhos de Deus bradavam de alegria; quando o núcleo desta criação foi iniciado? Se Jó tivesse sido doutrinado em todos os mistérios dos religiosos modernos, teria respondido a esta pergunta dizendo: "Senhor, por que me fazes tal pergunta? Eu não existia naquele tempo." Mas a própria pergunta implica a existência de Jó, mas ele havia esquecido onde estava, e o Senhor lhe fez a pergunta como se ele de fato existisse, mostrando-lhe, na declaração, que, quando fundou a terra, havia ali muitos filhos de Deus, e que todos juntos bradaram de alegria. Quem eram estes filhos de Deus? Certamente não eram os descendentes carnais de Adão, pois este ainda não fora colocado no Jardim do Éden. Quem eram então? Eram Jesus, o irmão mais velho, e toda a família que veio daquele dia até agora — milhões sobre milhões — e todos os que virão futuramente, e tomarão tabernáculos de carne e ossos até a cena final desta criação. Todos estes estavam presentes quando Deus iniciou esta criação. Jesus também estava ali e superintendia a obra, pois por ele Deus fez os mundos, consequentemente ele deve ter estado ali, e todos se sentiram alegres, e bradaram de alegria. O que produziu sua alegria? Foi o pré-conhecimento. Sabiam que a criação então sendo formada era para sua morada, onde seus espíritos iriam e tomariam sobre si tabernáculos de carne e ossos, e alegraram-se com a perspectiva. Tinham então mais conhecimento do que o mundo dos homens tem agora. Viram que era absolutamente necessário, para seu avanço na escala do ser, ir e tomar tabernáculos de carne e osso; viram que seus espíritos sem tabernáculos jamais poderiam ser aperfeiçoados, jamais poderiam ser colocados numa posição de alcançar grande poder, domínio e glória como seu Pai; e compreendendo que a terra estava sendo criada para dar-lhes a oportunidade de alcançar sua posição, cantaram juntos de alegria. Compuseram um hino, e se pudéssemos ter uma cópia dele, encontraríamos, sem dúvida, que era um hino a respeito da construção da terra e sua futura habitação por aqueles espíritos na forma de homens. Gostaria eu mesmo de ver aquele hino, e se o tivéssemos, faríamos nosso coro aqui cantá-lo. Creio que nos transmitiria bastante informação, e talvez bradássemos de alegria novamente.

É bastante evidente que esta era a crença do povo nos dias do Salvador. Até mesmo os Apóstolos e aqueles que estavam com Jesus evidentemente criam na pré-existência do homem. Isto se manifesta por certa pergunta que fizeram a Jesus na ocasião de um cego se apresentar diante dele. Disseram-lhe: "Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?" Em outras palavras, este homem pecou antes de nascer, e em consequência de seu pecado nasceu cego? Ou foi que seu pai pecou, e por isso ele nasceu cego? Esta pergunta teria sido muito tola de se fazer ao Salvador, a não ser que cressem na pré-existência do homem. Mas não apenas criam nela, também criam que era possível ao homem pecar naquela pré-existência, e que a pena daquele pecado poderia ser trazida até este estado de existência, e ser a causa da cegueira ao nascer, e com esta crença fizeram a pergunta ao Salvador. Aquela teria sido uma oportunidade muito favorável para ele os corrigir, se suas ideias a respeito da pré-existência fossem falsas. Ele poderia ter-se voltado a eles e dito que ele não poderia ter pecado antes de nascer, e que isto fosse a causa de ter nascido cego, porque não teve existência prévia alguma. Mas ele não disse nada disso, respondeu: "Nem ele pecou nem seus pais, mas para que a glória de Deus se manifestasse."

No primeiro e segundo capítulo de Gênesis, na nova tradução dada por inspiração através do profeta Joseph Smith, este assunto se torna muito claro. Depois que Joseph traduziu o Livro de Mórmon das placas de ouro, o Senhor lhe ordenou traduzir a Bíblia. Ora, sabeis que não temos tradutor inspirado nos dias atuais entre nenhuma das nações. Temos traduções da Bíblia feitas pela sabedoria e aprendizado dos homens, mas como cada tradutor diferiu em suas opiniões, nenhum de dois deles concorda. De fato, quando voltamos à história da Bíblia, encontramos que cerca de quatrocentos e cinquenta anos antes de Cristo, Esdras compilou num só volume os diferentes livros do Antigo Testamento, na medida em que haviam sido dados. Antes disso, estavam em manuscritos dispersos. Os cinco livros de Moisés eram guardados na Arca do Testemunho. Os escritos de Josué e outros que se seguiram a Moisés eram guardados aqui e ali, e muito poucas cópias eram encontradas naqueles primeiros dias. De fato, tão escassas eram as cópias da Bíblia, que nos dias dos reis de Israel haviam perdido quase todo o conhecimento de qualquer cópia escrita da Bíblia. Retinham muitas de suas ordenanças, o culto em seu Templo, e assim por diante, mas as cópias escritas da Bíblia tinham quase desaparecido de todo, de tal forma que, ao repararem o Templo em certa ocasião, encontraram uma cópia dela escondida, mas não sabiam se era verdadeira ou não. Nada tinham com que compará-la, e a única forma de averiguar se era uma cópia verdadeira da Bíblia era mandar chamar um homem de Deus — um Profeta — e pedir-lhe que perguntasse ao Senhor se era genuína ou não. Assim vemos que o povo naquelas eras primitivas não era favorecido como o somos nós nestes dias com cópias da Bíblia. Mas Esdras, segundo a história, reuniu estes fragmentos tanto quanto pôde.

Duzentos anos antes de Cristo, houve setenta e dois israelitas, disse-se que seis de cada tribo, reunidos na cidade de Alexandria, no Egito, e traduziram a lei de Moisés, os profetas e os salmos, a partir das cópias hebraicas que tinham em seu poder, para o grego. Isto foi chamado a tradução dos Setenta. Jerônimo, um firme católico romano, traduziu esta versão grega chamada os Setenta para o que se chamou a Vulgata — uma tradução latina. Aquela, e cópias dela feitas por escribas por muitas gerações, tornou-se a Bíblia dos Católicos Romanos; e até este dia, na medida em que usam o latim, recorrem àquela edição das Escrituras chamada a Vulgata.

No ano de 1610, a edição da Vulgata foi traduzida para o inglês. Isto foi chamado a Bíblia de Douai, porque foi publicada na cidade de Douai, na França, e é a Bíblia Católica Romana, no que diz respeito à tradução inglesa, até o dia de hoje. Ela difere materialmente da Bíblia Protestante.

Por volta da mesma época em que a tradução de Douai foi publicada — em 1607, o rei Tiago I nomeou cinquenta e quatro homens, dos quais seis ou sete não serviram, para traduzir a Bíblia do hebraico original, e nos deram aquela versão chamada tradução do rei Tiago.

Todos estes tradutores de que falei traduziram por sua própria sabedoria, segundo o melhor entendimento que tinham. Nenhum deles era profeta ou revelador, e nenhum entendia o significado do texto original como um homem de Deus cheio do Espírito Santo. Mas fizeram, não obstante, uma tradução muito boa, especialmente os quarenta e sete que trabalharam sob a nomeação do rei Tiago. Diferentes partes das Escrituras foram distribuídas entre seis diferentes classes de tradutores, e creio que nos deram a melhor cópia da Bíblia existente, no que diz respeito a traduções pela sabedoria humana.

Mas voltando ao que dizia antes, depois de ter traduzido o Livro de Mórmon, este jovem, Joseph Smith, homem sem educação nem instrução, comparativamente falando, foi ordenado a traduzir a Bíblia por inspiração. Ele começou a obra, e o primeiro e segundo capítulos de Gênesis, contendo a história da criação, são muito claros e completos. No primeiro capítulo, o Senhor fala da criação espiritual de todas as coisas antes de serem feitas temporalmente. No segundo capítulo, ele passa a declarar que ainda não havia homem para lavrar a terra, "pois no céu os criei." Isto explica o mistério a respeito da obra anteriormente mencionada no primeiro capítulo, e mostra que se referia à grande obra que Deus realizara nos céus antes de fazer esta terra temporalmente. Esta mesma doutrina é inculcada em pequeno grau no Livro de Mórmon. Contudo, não creio que jamais a teria discernido naquele livro se não fosse pela nova tradução das Escrituras, que, lançando tanta luz e informação sobre o assunto, me levou a pesquisar o Livro de Mórmon para ver se havia indicações nele relacionadas à pré-existência do homem. Encontrei-as numa grande revelação que foi dada ao profeta que conduziu a primeira colônia a esta terra, desde a Torre de Babel, na época em que a língua foi confundida. Este grande profeta teve uma notável visão antes de chegar a este continente. Nesta visão, ele viu a personagem espiritual de nosso Salvador como ele existia antes de vir a tomar sobre si carne e ossos; e Jesus, falando a este grande homem de Deus, informou-lhe que, assim como lhe aparecera em espírito, assim apareceria a seus irmãos na carne, em gerações futuras, e disse: "Eu sou aquele que foi preparado desde antes da fundação do mundo, para redimir meu povo." Ele, além disso, dirigiu-se a este grande homem dizendo: "Vês então que és criado à minha própria imagem?" Isto é, o homem aqui na terra está à imagem daquele corpo ou personagem espiritual de Jesus, na medida em que não sejamos deformados. "Vês que és criado à minha própria imagem, sim, mesmo no princípio criei todos os homens à minha própria imagem." Esta é praticamente a única passagem que se refere pontualmente à pré-existência do homem no Livro de Mórmon. Creio que há uma ou duas outras passagens em que apenas se faz referência a isto.

Ora, admiti, como fazem os Santos dos Últimos Dias, que tivemos uma existência prévia, e que quando morrermos voltaremos a Deus e à nossa antiga morada, onde contemplaremos a face de nosso Pai, e a pergunta surge imediatamente: teremos nossas memórias tão aumentadas pelo Espírito do Deus vivo que sempre nos lembraremos de nossa existência prévia? Creio que sim. Jesus parece ter obtido isto mesmo aqui neste mundo, caso contrário não teria orado, dizendo: "Glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse," mostrando claramente que ele obtivera por revelação um conhecimento, dado por seu Pai, de algo a respeito da glória que tivera antes que o mundo existisse. Sendo este o caso com Jesus, por que não seus irmãos mais jovens obteriam também esta informação por revelação? E quando voltarmos à presença de nosso Pai, não teremos ali também nossas memórias tão avivadas que nos lembraremos de sua face, tendo habitado em sua presença por milhares de anos? Não será como ir visitar estranhos que nunca vimos antes. Não é isto um conforto para as pessoas que esperam partir desta vida, como todo o resto da família humana? Têm o consolo de que não vão entre estranhos, não a um ser cujo rosto nunca viram, mas a um a quem reconhecerão, e de quem se lembrarão, tendo habitado com ele por eras antes que o mundo existisse. Olhando isto sob a luz da razão, independentemente da revelação, se uma pessoa fosse formar um sistema de religião segundo a melhor luz que tivesse, não seria mais gratificante e calculado, por sua natureza, para dar alegria e paz à mente, supor que estávamos voltando a uma personagem com quem estávamos bem familiarizados, em vez de a alguém de quem não tínhamos ideia alguma? Creio que preferiria, no que diz respeito à razão, estar bem familiarizado com as pessoas entre as quais vou.

Estas são as expectativas dos Santos dos Últimos Dias: não esperamos ir entre estranhos. Quando voltarmos ali, esperamos que aquele lugar nos seja familiar, e quando encontrarmos este, aquele e outro, de toda a família humana que esteve aqui na terra, os reconheceremos como aqueles com quem habitamos milhares de anos na presença de nosso Pai e Deus. Esta renovação de velhas amizades e conhecimentos, e o desfrutar novamente de toda a glória que outrora possuímos, será uma grande satisfação para todos os que forem privilegiados a fazê-lo.

Se algum dia ali habitamos, é bastante provável que Deus nos fizesse algumas promessas enquanto ali estávamos. Ele conversaria conosco, e nos animaria. Sendo sua prole — seus filhos e filhas — ele não seria austero nem indisposto a conversar com seus próprios filhos, mas lhes ensinaria muitas coisas. E tudo isto nos será familiar. Lemos no Novo Testamento que Deus nos fez promessas antes que este mundo fosse feito. Recordo-me de uma passagem numa das epístolas de Paulo, seja a Timóteo ou a Tito, o Apóstolo diz: "Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos." A quem fez ele aquela promessa? Sustento que tivemos a promessa da vida eterna antes que o mundo começasse, sob certas condições — se cumpríssemos o evangelho do Filho de Deus, arrependendo-nos de nossos pecados e sendo fiéis em guardar os mandamentos de Deus.

Há muitas Escrituras no Novo Testamento que se relacionam com a existência prévia do homem, as quais não me sinto inclinado a citar neste momento. Podem ser pesquisadas pelos Santos dos Últimos Dias, e por todos os que forem suficientemente curiosos para indagar sobre estas coisas. Há outras coisas, contudo, que sinto ansiedade em trazer à tona em conexão com a pré-existência do homem. Uma coisa é nossa origem mais plenamente. Já declarei que os espíritos dos filhos dos homens nasceram para seus pais. Ora, quem são os pais destes filhos?

Há certas promessas feitas aos Santos dos Últimos Dias, sendo uma delas que, quando tomamos uma esposa aqui neste mundo, é nosso privilégio, por obediência às ordenanças do céu, ter aquela esposa casada conosco por tempo e por toda a eternidade. Esta é uma promessa que Deus fez por revelação a sua Igreja, por isso os Santos dos Últimos Dias creem na eternidade do convênio do matrimônio. Esta é uma de nossas doutrinas fundamentais. Consideramos que um casamento apenas por tempo é segundo a velha ordem gentia, e eles perderam todo o conhecimento das verdadeiras ordenanças e ordem do céu. Casam-se até que a morte os separe. Creio que quase toda sociedade religiosa, em sua cerimônia matrimonial, usa esta frase: "Eu vos declaro marido e mulher até que a morte vos separe!" Este tipo de casamento nunca se originou com Deus; o casamento que se originou com ele é o mesmo que tivemos como exemplo no princípio — o primeiro casamento que jamais foi celebrado aqui na terra. Perguntais qual foi a forma daquele primeiro casamento entre Adão e Eva? Explicá-lo-ei em poucas palavras. Foram unidos como marido e mulher pelo próprio Senhor; quando foram unidos, nada sabiam a respeito da morte, pois não haviam participado do fruto da árvore que fora proibida, e eram então seres imortais. Aqui estavam dois seres unidos, tão imortais quanto sereis quando saírdes de vossas sepulturas na manhã da primeira ressurreição. Sob estas condições, Adão e Eva se casaram. Não creio que o Senhor usasse a cerimônia que agora se usa — caso-vos até que a morte vos separe. Por que meios entrou a morte no mundo? Depois deste casamento, ao participar do fruto proibido, trouxeram a morte tanto sobre o macho quanto sobre a fêmea, ou, como diz o Apóstolo Paulo, "por um homem entrou o pecado e a morte no mundo, assim também todos serão vivificados, e cada um em sua própria ordem."

Parece então que, se não houvesse pecado, a morte jamais teria vindo sobre Adão e Eva, e eles estariam vivos hoje, imortais, quase seis mil anos depois de terem sido colocados no Jardim do Éden, e não continuariam ainda marido e mulher? Certamente, e assim continuariam ainda que se passassem milhões e milhões de eras, e não poderíeis apontar período algum no futuro em que esta relação cessasse; não importa quantas miríades de eras pudessem passar, a menos que, pelo pecado, trouxessem a morte ao mundo. Todos admitirão, ao refletir sobre o assunto, que este casamento era para a eternidade, e que a morte interferiu com ele apenas temporariamente, até que a ressurreição os trouxesse de volta e os reunisse.

Os "Mórmons," ou Santos dos Últimos Dias, creem neste tipo de casamento, e o primeiro que foi realizado na terra é um padrão para nós. Além disso, Deus nos revelou a natureza do matrimônio, e que seus relacionamentos hão de existir após a ressurreição, e que se deve atendê-lo nesta vida a fim de assegurá-lo para a próxima vida. Por exemplo, se desejais obter muitas bênçãos pertencentes ao mundo futuro, tendes de assegurar aquelas bênçãos aqui. Não podeis ser batizados no próximo estado de existência para a remissão dos pecados; essa é uma ordenança pertencente à carne, à qual deveis atender aqui. E assim é com todas as outras ordenanças que Deus ordenou; deveis participar delas aqui a fim de ter uma reivindicação sobre as promessas no futuro. Assim é com respeito ao matrimônio; e isto concorda com o que Jesus disse a respeito de não se casarem nem se darem em casamento naquele mundo. Não haverá tal coisa ali. Por quê? Porque este é o mundo para que todas estas ordenanças sejam atendidas. Aqui é o lugar para assegurar todas as bênçãos para o próximo mundo. Temos de mostrar nesta provação que seremos obedientes em cumprir os mandamentos do céu, para que possamos ter uma reivindicação sobre toda bênção pertencente à próxima vida. Consequentemente, temos de assegurar este casamento para a eternidade enquanto estamos neste mundo. Quando uma mulher na Igreja dos Santos dos Últimos Dias se casa com uma pessoa fora da Igreja, isto não é um casamento, a nosso ver, no sentido escriturístico da palavra, é apenas uma união até que a morte os separe. Quando uma pessoa faz isto, realmente a consideramos fraca na fé; de fato, é equivalente, a meu ver, não apenas a ser fraco na fé, mas, uma vez que estas revelações foram dadas sobre o assunto, se pessoas, com os olhos bem abertos, ainda assim rejeitarem estas coisas importantes, e se casarem com pessoa fora da Igreja, isto me mostra bem claramente que ele ou ela não tem consideração alguma pela palavra de Deus, nem por sua própria salvação. Faltam-lhes não apenas fé, mas o princípio da obediência. Não têm esperança quando se casam fora da Igreja, mas quando se casam na Igreja segundo esta ordem, e as pessoas que oficiam declarando-os marido e mulher, sendo comissionadas por Deus e tendo autoridade para administrar em todas as ordenanças de seu reino, aquele casamento não é apenas por tempo, mas por toda a eternidade.

Outra pergunta. Tendo sido casados para a eternidade, morremos e nossos espíritos vão para o paraíso celestial. Saímos na manhã da primeira ressurreição como machos imortais e fêmeas imortais. Nossas esposas, casadas conosco para a eternidade, saem, e são nossas em virtude daquilo que Deus pronunciou sobre elas por meio daqueles a quem ele nomeou, e a quem deu autoridade. Temos uma reivindicação legal sobre elas na ressurreição. Mas aqui surge uma pessoa que se casou fora. Ela sai sem marido, ele sem esposa, ou reivindicação alguma sobre quaisquer das bênçãos. Aqui está a diferença entre estas duas classes de seres. Um habita como anjo, sem poder algum de aumentar sua espécie, família ou domínios, sem o poder de gerar filhos e filhas. Esta classe serão anjos. Talvez muitos deles sejam dignos de obter certo grau de poder, glória e felicidade, mas não uma plenitude. Por quê? Porque não chegaram àquela posição de seu Pai e seu Deus. Ele tem poder de gerar e trazer à luz filhos e filhas no mundo espiritual; e depois de haver trazido milhões e milhões de espíritos, tem poder de organizar mundos, e enviar estes espíritos a estes mundos para tomarem corpos temporais, a fim de prepará-los, por sua vez, para serem redimidos e se tornarem Deuses, ou em outras palavras, filhos de Deus, crescendo como seu pai, possuindo todos os seus atributos, e propagando sua espécie por toda a eternidade. Aqui, então, está a diferença entre estas duas classes de seres — uma que perdeu o que poderia ter obtido e desfrutado se tivesse tido fé em Deus e disposição de obedecer a seus mandamentos. Mas os outros são dignos, como disse o Apóstolo Paulo, de obter um peso de glória muito mais excelente e eterno, ao passo que os outros serão anjos ou servos, para ir e vir à ordem daqueles que são mais exaltados.

É isto que Paulo quis dizer quando afirmou que, no Senhor, o homem não é sem a mulher, nem a mulher sem o homem; como quem diz que, para estar no Senhor e obter uma plenitude de sua glória e exaltação, não podeis estar separados; ou em outras palavras, para falar segundo a frase comum, não podeis viver como velhos solteirões ou solteironas e descer a vossas sepulturas nesta condição. Esta não é a ordem do céu, por quê? Porque o matrimônio é essencialmente necessário para qualificá-los a propagar sua espécie por toda a eternidade, para que, por sua vez, tenham mundos criados nos quais estes filhos e filhas de sua própria geração possam receber tabernáculos de carne e ossos como nós fizemos. Esta é a ordem pela qual todos os mundos são povoados por espíritos que nasceram nos mundos eternos; e estes mundos são organizados expressamente para eles, para que possam ir e ter outra mudança, outro estado de ser diferente de seu estado espiritual, onde possam possuir corpos de carne e ossos, que são essencialmente necessários para gerar sua própria espécie. Espíritos não podem gerar, multiplicar-se e aumentar. Precisam ter corpos.

Dissemos tanto quanto isto a respeito do hino que foi cantado pela manhã, e estas ideias são plenamente inculcadas nele, e estão estabelecidas e fundadas nas revelações que Deus deu em diferentes épocas. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Pré-Existência de Nossos Espíritos”, (1872-12-15). Pulpit Vault, 1872-12-15-pratt-pre-existence-of-our-spirits. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).