Pulpit

O Espírito de Luz e Verdade — Seu Valor — Seu Oposto Necessário — Triunfo Final da Luz e da Verdade

Orson Pratt

1872-11-24

Tenho, em mais de quarenta anos de experiência no ministério público, aprendido algumas poucas lições a respeito de falar em público. Em primeiro lugar, sei que a sabedoria do homem de muito pouco serve, e que nosso próprio juízo, pensamentos e reflexões não são o que o Senhor requer; mas ele requer, e tem requerido, desde o surgimento desta Igreja, que seus servos falem pelo poder do Espírito Santo. Uma revelação dada aos Élderes desta Igreja no ano de 1831 diz que meus servos serão enviados ao leste e ao oeste, e ao norte e ao sul, e levantarão suas vozes e falarão e profetizarão, como me parecer bom; mas se não receberdes o Espírito, não ensinareis. Este é um mandamento que o Senhor deu a seus servos há mais de quarenta anos. Vi algumas vezes, desde o início de meu ministério, quando minha mente parecia estar inteiramente fechada, e quando as poucas palavras que eu conseguia gaguejar diante de uma congregação eram de todo insatisfatórias à minha própria mente, e presumo que também aos que me ouviam. Mas sinto-me grato a Deus porque ultimamente, de ano em ano, ele me tem favorecido com liberdade de expressão e com o poder e o dom do Espírito Santo. Reconheço sua mão nisto, pois sei que veio dele, e tendo experimentado as duas condições da mente, conheço a diferença. Sei que, não apenas como oradores públicos, mas como membros individuais da Igreja do Deus vivo, há muitas coisas pertencentes aos nossos deveres cotidianos, as quais, se claramente entendêssemos pela luz do Espírito, escaparíamos a muitas coisas que causam infelicidade. É a falta de entender claramente a vontade do Senhor sob todas as circunstâncias que nos faz cair em muitos dos males pelos quais passamos na vida. Posso olhar para trás, para minha vida passada, e posso falar por experiência nestas questões. Recordo-me de muitas vezes em que, se eu tivesse sido guiado pelo Espírito do Senhor em relação a assuntos temporais, teria sido bom para mim; mas, não compreendendo inteiramente qual era a mente do Espírito, o rumo que tomei por vezes foi muito desvantajoso para mim. Relatarei uma circunstância deste tipo como exemplo. Há alguns anos, eu tinha algumas centenas de dólares em mercadorias e propriedades, e despendi tudo o que tinha numa loja. Não uma dessas lojas cooperativas, mas uma loja mantida em Fillmore. Sendo solicitado pelos comerciantes daquele lugar a comprar-lhes um lote de mercadorias, e a dar minha própria nota promissória até que pudessem liquidá-la; e estando ansioso para que seus negócios prosperassem, fui tolo o bastante para fazer o que desejavam, com o que me trouxe grandes dificuldades, e perdi mais de dois mil dólares nesta transação. Tive de pagar o lote de mercadorias, e perdi tudo o que investira, além disso. Se eu tivesse entendido os ensinamentos do Espírito — e tive algumas impressões a respeito do assunto, mas se as tivesse entendido plenamente, não teria caído nestas circunstâncias desagradáveis. Não tenho dúvida de que há muitos outros entre o povo de Deus que podem ver onde erraram, porque não tinham o Espírito de Deus sobre si naquele momento.

Posso ver também muitas vezes em que o Espírito do Senhor me sussurrou, e eu mal sabia se eram meus próprios pensamentos e imaginações ou se eram as revelações do Espírito; contudo, parecia ser o Espírito do Senhor, e segui os ensinamentos, e fui prosperado ao fazê-lo.

Se nós, como povo, vivêssemos à altura de nossos privilégios, quantas dificuldades poderiam ser evitadas! Quantos Santos dos Últimos Dias viveriam constantemente na luz da revelação! Isto me faz lembrar de um texto que tenho ouvido citar frequentemente, mas não sei que tenha dito muito a seu respeito. Também não sei onde está registrado, mas creio que se encontra em algum lugar nos escritos de Salomão. A passagem a que me refiro diz que há um espírito no homem, e o Espírito ou candeia do Senhor — não me lembro qual — lhe dá entendimento. A ideia é que nestes nossos tabernáculos temos um espírito inteligente que Deus ali colocou, e ele ordenou que o Espírito do Senhor ilumine estes nossos espíritos humanos, para que possamos seguir nos caminhos da luz, da verdade e da retidão, e obter a vida eterna.

Este texto também me faz lembrar de outro, registrado em algum lugar no Livro de Doutrina e Convênios, no qual o Senhor, falando diretamente a este povo, diz que a palavra do Senhor é verdade, e tudo o que é verdade é luz, e tudo o que é luz é Espírito, sim, o Espírito de Jesus Cristo, e o Espírito dá luz a todo homem que vem ao mundo; e o Espírito ilumina todo homem no mundo que dá ouvidos à voz do Espírito. Não posso dizer-vos em que página nem em que seção do Livro de Convênios isto pode ser encontrado; mas vós que tendes o hábito de ler aquele livro encontrareis estas palavras, como as citei. "Tudo o que é verdade é luz, tudo o que é luz é Espírito" — consequentemente, se pudéssemos sempre seguir na luz, em vez de seguir no canal das trevas, sempre seguiríamos no caminho que conduz à paz e à felicidade, e evitaríamos dez mil dificuldades que assediam nosso caminho.

Outra revelação que concorda com esta se encontrará no Livro de Doutrina e Convênios, numa comunicação bastante longa feita pelo Senhor a esta Igreja, a qual mostra bem claramente que a luz é o princípio e a lei pela qual tudo é governado. Citarei a revelação tão próximo quanto puder me lembrar. Falando de sua presença, ele diz: "Como também ele está no sol e é a luz do sol e o poder pelo qual foi feito; como também ele está na lua e é a luz da lua e o poder pelo qual foi feita; e nas estrelas; e a luz que brilha é a mesma luz que vivifica vossos olhos, que é a mesma luz que vivifica vosso entendimento, a luz que está em todas as coisas, e que dá vida a todas as coisas, e que é a lei pela qual todas as coisas são governadas, sim, o poder de Deus, que se assenta em seu trono, que está no seio da eternidade, que está no meio de todas as coisas, luz essa que procede da sua presença para encher a imensidade do espaço." Quando reunimos todos estes textos, encontramos que este grande princípio de luz, o qual deveria iluminar a mente do homem, e pelo qual ele deveria ser continuamente conduzido, é algo que não está confinado a uma pequena parte do espaço; não apenas ilumina o sol, a lua e as estrelas e todos os corpos celestes, mas está em todas as coisas e as circunda, e dá vida a todas elas.

Aqui está algo que não entendemos perfeitamente. O princípio da vida pelo qual somos capazes de mover-nos, pensar e raciocinar; o princípio do movimento e do poder é um princípio de luz. E parece haver uma conexão ou relação entre estes princípios que governam o movimento dos seres vivos e a luz que procede do sol. Mas não compreendemos essa relação. Deus nos disse que é a lei pela qual tudo é governado; e não podemos encontrar uma lei em todo o espaço universal em que a luz não tenha algo a ver. Mas não sabemos em todos os casos como ela opera. Não sabemos, por exemplo, como a luz faz uma lâmina de relva crescer da terra. Não podemos entender como uma partícula chega a outra, como é organizada numa certa forma, e finalmente produz a lâmina de relva completa. Não sabemos como isto se realiza, mas o Senhor nos disse que se faz pelo princípio da luz. Também não sabemos como é que podemos nos comunicar com diferentes e distintas partes da terra quase instantaneamente por meio dos fios elétricos. Entendemos que este fenômeno existe, mas não sabemos a causa dele; se soubéssemos, encontraríamos, segundo a revelação que Deus deu, que se realiza por meio da luz. Como aquela luz opera, não sabemos; Deus não revelou isto. Ele apenas nos disse que a luz é a causa e o poder pelo qual tudo é governado.

Vemos uma pedra, e quando a seguramos em nossas mãos e a soltamos, ela não fica parada, nem cai para cima, nem se move horizontalmente, mas cai para baixo, para a superfície da terra. Chamamos a isto gravitação. Mas qual é a causa? Ninguém sabe. Nenhuma pessoa pode dizer por que aquela pedra não fica parada. Vemos-a cair, e vemos todos os corpos terrestres caírem para a superfície da terra, mas não podemos dizer por que assim é. A causa, contudo, é a luz, mas como aquela luz opera, não sabemos.

Vemos o sol brilhar, e sabemos que ilumina a face deste mundo e de muitos outros mundos. Sua luz procede daquele centro e se irradia a distâncias imensas. Vemos tudo isto, mas que conexão há entre isto e o entendimento ou a luz que está no homem, que o assiste em seu poder de pensamento e movimento? Que conexão há entre o brilho daquela luz e a luz que está dentro de nós? Não sabemos, e contudo Deus disse que a luz que procede destes corpos celestes é a mesma luz que vivifica o entendimento do homem e que dá vida a todas as coisas. Não entendemos todas estas coisas que Deus falou e deu. Por exemplo, vemos uma vela colocada sobre uma mesa; acendemos um fósforo, e imediatamente há luz onde antes havia trevas. Os químicos nos dizem que isto é uma operação química; que a luz não procede do sebo, mas de um princípio chamado oxigênio — uma certa porção do ar atmosférico que respiramos; que aquele princípio tem uma grande tendência a unir-se com os materiais da vela, e ao fazê-lo produz sua luz. Mas como esta luz é produzida e sustentada por uma combinação dos elementos da vela e do oxigênio da atmosfera, não sabemos; sabemos apenas que é o poder de Deus, sabemos que é a luz que está em todas as coisas. Mas o que denomino conhecimento, e o que todos deveríamos denominar conhecimento, é entender não apenas os fenômenos, mas a causa destas coisas. Procuramos distinguir entre a luz natural e a luz espiritual, mas haverá algo assim como traçar uma linha de distinção entre as duas? Quem pode fazê-lo? Onde está o homem ou filósofo que possa dizer a distinção, e onde uma termina e a outra começa? Não podem fazê-lo. Se tomarmos a revelação que Deus deu, aprendemos que não há diferença; é a mesma luz que produz ambos os efeitos, e a luz que percorre o fio elétrico é a mesma que vem dos corpos distantes do universo, apenas com um nome diferente, e operando um pouco diferentemente. Chegará o tempo em que os Santos dos Últimos Dias, se fiéis, terão entendimento de todas estas coisas. Começamos no rumo certo; colocamo-nos numa atitude de aprender os primeiros princípios nesta grande e divina universidade chamada o reino de Deus. Deus nos deu seu Espírito Santo, que é o início do conhecimento, da luz e da inteligência. Mas a menos que andemos segundo a luz e a mente daquele Espírito, em que somos beneficiados? Não somos beneficiados em nada. "Se as minhas palavras estiverem em vós," diz Jesus, "pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito." Esta promessa é dada a todo Santo dos Últimos Dias. O Livro de Mórmon, contudo, qualifica um pouco este dito. Diz: "Tudo quanto pedirdes em fé, que seja justo, acreditando que recebereis, eis que vos será dado." Estas palavras — "que seja justo" — qualificam grandemente a promessa. O Senhor não se comprometeu por promessa a dar aos filhos dos homens tudo o que pedirem, a menos que seja absolutamente justo que o peçam. Se o que pedimos em fé é justo, então ele está comprometido.

Isto me faz lembrar de uma passagem nas revelações contidas no Livro de Doutrina e Convênios a respeito da oração. Ele diz: "Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome vos será dado, se for para vosso bem; e se pedirdes alguma coisa que não seja para o vosso bem, tornar-se-á em vossa condenação." Devemos, em primeiro lugar, procurar ter luz suficiente para discernir o que é certo ou conveniente para nós; em segundo lugar, pedir a Deus, o Pai Eterno, em nome de seu Filho Jesus Cristo, as coisas que sabemos que ele está disposto a conceder-nos. Então podemos pedir em fé, pois temos a promessa de que receberemos.

A grande dificuldade comigo, e presumo que seja também a experiência de quase todo homem e mulher na Igreja do Deus vivo, é que não somos tão fiéis quanto alguns dos servos de Deus foram em dias passados. Alguns deles foram tão fiéis que viveram constantemente na luz da revelação. Suas mentes estavam abertas a ela, e dificilmente algo poderia acontecer sem que eles o entendessem de antemão. Não precisavam que as notícias ou informações lhes fossem trazidas de longe, mas havia um espírito dentro deles, e a candeia do Senhor dava àquele espírito entendimento a respeito de coisas que aconteciam a milhares de milhas de distância. Viveram para isto; andaram diante do Senhor tão fielmente que tinham direito de saber, não apenas coisas que lhes eram presentes e que beneficiariam a eles próprios e ao povo entre o qual habitavam, mas também coisas futuras — eras e eras por vir se abriam às suas mentes, e suas mentes as compreendiam ao permitir que esta candeia do Senhor brilhasse sobre eles e os iluminasse.

É meu mais ardente desejo viver de modo a discernir, sob toda condição e circunstância da vida, precisamente o que seria mais agradável aos olhos de Deus para eu fazer, e quando compreendo isto posso agir como pessoa que não anda tateando na escuridão, como o cego que apalpa a parede; mas se eu viver para isto, o caminho pelo qual devo andar será claro, sendo o Espírito de Deus, por assim dizer, uma lâmpada para meus pés, e meu guia e instrutor de dia e de noite. Não desejais vós que os Santos dos Últimos Dias sejam instruídos desta forma? Toda pessoa de coração honesto responderá que sim. Todo aquele que tem fome e sede de justiça, e que deseja a vida eterna, reconhecerá que deseja ser assim guiado e conduzido.

Mas, tendo agora falado tanto a respeito dos benefícios desta luz, e de quão bom seria ser continuamente guiado e instruído pelo espírito de revelação, há outra coisa relacionada a isto que talvez não entendamos todos plenamente. Suponhamos que uma pessoa fosse assim guiada todo o tempo, desde que despertasse pela manhã até se recolher para descansar à noite; e depois, quando adormecida, se seus sonhos também fossem dados pelo mesmo espírito, e esta fosse a condição ininterrupta de um indivíduo, pergunto: onde estariam suas provações? Isto nos levaria a perguntar: não é absolutamente necessário que Deus, em certa medida, retenha até mesmo daqueles que andam diante dele com pureza e integridade, uma porção de seu Espírito, para que possam provar a si mesmos, a suas famílias e vizinhos, e aos céus, se são cheios de integridade mesmo em tempos em que não têm tanto do Espírito para guiá-los e influenciá-los? Penso que isto é realmente necessário; consequentemente não sei se temos razão para nos queixarmos da escuridão que ocasionalmente paira sobre a mente. Recordo-me de que Leí teve um sonho muito grande e importante comunicado a ele, e seu filho Néfi teve o mesmo renovado a ele. Enquanto Leí estava a caminho desta terra, sonhou que vagou muitas horas nas trevas; que havia certa barra de ferro, não obstante estas trevas que pareciam reunir-se ao seu redor, na qual o ancião se apoiava firmemente. Tão grande era a escuridão que ele temia perder o caminho se soltasse a barra de ferro; mas apegou-se a ela, e continuou vagando até que, por fim, foi conduzido a um campo grande e espaçoso, e também foi conduzido a um lugar mais iluminado, e viu certa árvore que produzia um fruto muito precioso. E ele foi e participou do fruto desta árvore, o qual era o mais precioso e desejável de todos os frutos que já havia provado; e parecia iluminá-lo e enchê-lo de alegria e felicidade. Leí era um bom ancião — um homem que fora levantado como um grande profeta em meio a Jerusalém. Havia profetizado em meio a toda aquela maldade que rodeava os judeus; e estes procuravam tirar-lhe a vida, por causa de sua profecia. Mas, não obstante este dom de profecia, e os dons do Espírito que ele desfrutava, o Senhor mostrou-lhe por este sonho que haveria estações de trevas pelas quais teria de passar, e que mesmo assim havia um guia. Se ele nem sempre tivesse o Espírito de Deus sobre si em grande medida, havia a palavra de Deus, representada por uma barra de ferro, para guiá-lo; e se ele se apegasse firmemente a ela em suas horas de escuridão e provação, quando tudo parecesse voltar-se contra ele, e não se separasse dela, ela finalmente o traria até onde pudesse participar do fruto da árvore preciosa — a árvore da vida. Consequentemente, não estou tão certo de que seja destinado aos homens de Deus desfrutar todo o tempo de uma grande medida de seu Espírito.

Referir-me-ei a outro exemplo — um que tenho citado frequentemente. Encontra-se na "Pérola de Grande Valor." É uma revelação que foi dada renovadamente a Joseph Smith, a respeito do que Deus revelou a Moisés, antes que este fosse permitido descer e ser um libertador para os filhos de Israel. O Senhor provou severamente a Moisés, assim como o iluminou. Ele teve de passar por ambas as condições de experiência — uma condição de grande luz, verdade, conhecimento e entendimento nos caminhos de Deus, e uma condição de escuridão e grande tentação. Por isso encontramos que, em certa ocasião, Deus chamou Moisés a um monte muito alto, onde ele se curvou diante do Senhor e clamou fortemente a ele, e o Senhor ouviu sua oração, e a glória de Deus desceu e repousou sobre ele, e ele contemplou muitas coisas grandes e maravilhosas. Sua mente foi aberta a coisas que jamais havia entendido antes — coisas grandes e maravilhosas. Contudo, o Senhor lhe mostrou apenas pouquíssimas de suas obras, pois disse a Moisés naquela ocasião que nenhum homem poderia ver todas as suas obras, exceto se contemplasse toda a sua glória; e nenhum homem poderia contemplar toda a sua glória e depois permanecer na carne. Contemplar todas as obras de Deus era mais do que qualquer homem mortal poderia suportar.

Moisés, ao receber esta notável visão, teve tal grande conhecimento e inteligência desdobrados diante dele que se maravilhou grandemente, e enquanto contemplava as obras de Deus, o Espírito de Deus se retirou dele, e ele foi deixado a si mesmo, e caiu por terra, pois sua força natural o deixou. "Ora," disse Moisés, "sei por esta razão que o homem nada é, coisa que jamais havia imaginado." Mas aprendera pelo contraste que o homem, em si mesmo, era como nada, e, comparativamente falando, menos do que o pó da terra, que se move de um lado para outro pelo comando do grande Deus; mas que o homem, sendo um agente para si mesmo, e não tendo Deus a disposição de controlar este agente contrário a certas leis e princípios, quando este agente foi deixado a si mesmo, descobriu que nada era. O Senhor então permitiu que Satanás aparecesse em forma pessoal e visitasse este grande homem de Deus. Aqui, então, havia um confronto. Satanás veio diante de Moisés, não em toda a sua feiura e malícia, mas assumindo a forma de um anjo de luz. Satanás disse: "Moisés, filho de homem, adora-me!" Moisés olhou para Satanás e disse: "Quem és tu, que eu deveria adorar-te? Pois eu não poderia olhar para Deus, exceto se sua glória viesse sobre mim, mas posso olhar para ti como homem natural." Aqui estava a diferença. Ele podia olhar para este indivíduo que vinha a ele fingindo ser um anjo de bondade e luz, e não ter nenhum dos sentimentos gloriosos que tivera antes. Por isso disse Moisés: "Posso discernir a diferença entre Deus e ti. Retira-te daqui, Satanás!" Satanás não se sentiu disposto a desistir do ataque, e ordenou-lhe novamente que o adorasse, e exerceu um grande poder, e a terra tremeu e estremeceu, e Moisés se encheu de temor e tremor, mas ainda assim invocou a Deus, pois estava convencido em sua própria mente de que seu visitante era alguém das regiões infernais, uma personagem de trevas, e sentiu-se levado a repreendê-lo, e em seu temor viu a amargura do inferno, isto é, o temor e o tremor que vieram sobre ele, e a escuridão que o rodeava, deram-lhe uma experiência da amargura e da miséria daqueles que estão em tormento. Depois de certo período em que Satanás tentou dominá-lo, Moisés recebeu forças de Deus, e ordenou a Satanás, em nome de Jesus Cristo, que se retirasse, e ele se retirou. Moisés então recebeu forças, e continuou a invocar a Deus, e a glória de Deus novamente repousou sobre ele, de modo que contemplou as obras do Criador, e começou a indagar muito diligentemente a respeito da terra em que habitava. O Senhor achou próprio naquela ocasião, depois de testar severamente Moisés com o poder oposto, mostrar-lhe toda a terra. Não meramente porções de sua superfície, mas mostrou-lhe todo o interior assim como o exterior, pois a revelação diz: "Não houve uma partícula dela que ele não visse, discernindo-a pelo Espírito de Deus." Se subimos ao topo de uma montanha muito alta, só podemos contemplar uma paisagem muito limitada, pois as porções mais distantes de nossa visão geralmente são obscurecidas pelos vapores da terra ou pela fumaça, de modo que só vemos um contorno indistinto. Mas aqui estava um homem de Deus, tendo o Espírito de Deus iluminando sua mente a tal grau que podia ver cada partícula da terra. Este foi um desenvolvimento maravilhoso da mente e dos poderes do homem. Não suponho que a mente de Moisés fosse constituída de modo diferente das mentes da congregação agora diante de mim; cada um de nós tem o mesmo tipo de espírito humano que ele tinha. Embora não chamados com o mesmo chamado, temos contudo o mesmo tipo de espírito, e somos filhos do mesmo Pai. Ora, se Moisés tinha dentro de si certo princípio não desenvolvido, o qual, por espaço de uns oitenta anos, não soube que possuía, até que Deus naquela ocasião o iluminou e o trouxe à tona, de modo que fosse capaz não apenas de olhar para a superfície de nosso globo, mas de olhar para seu interior, não sei por que cada um e todos os que agora estão presentes diante de mim não teriam a mesma faculdade e dom, se apenas fosse desenvolvido.

Trago estas coisas para mostrar como Deus trata com seus filhos — seus filhos e filhas — iluminando a mente, e depois deixando-os por algum tempo na escuridão. Não é provável que muitos de nós, com a pouca experiência que temos, pudéssemos resistir a tão grandes tentações como Moisés resistiu. Se tais poderes fossem exercidos sobre nossas mentes, poderiam sobrepujar-nos e destruir-nos, mas ele estava preparado de antemão; havia contemplado a glória de Deus, e recebera força dos céus, consequentemente, quando os poderes opostos o assaltaram, sua experiência anterior o fortaleceu, e ele se apegou à barra de ferro, não obstante as trevas com que teve de lutar.

Quando Moisés recebeu esta grande luz e viu toda a terra, sentiu uma ansiedade muito grande de saber como a terra fora formada. Seria muito natural que um homem subitamente dotado do poder de contemplar cada partícula da terra perguntasse: "Como isto foi feito?" E Moisés disse: "Sê misericordioso para com teu servo, ó Deus, e mostra-me a respeito dos céus e da terra, e então teu servo ficará satisfeito." O Senhor disse a Moisés que havia muitos céus, e muitos mundos que haviam passado pelo seu poder, e que, assim como um céu e uma terra passariam, assim também viria outro, e não havia fim para suas obras e para suas palavras. Então Moisés limitou seus desejos.

Aqui vemos algo que Moisés pediu ao Senhor que não era conveniente, não era sabedoria da parte do Senhor revelar-lho, ele não podia saber tudo a respeito dos muitos céus. Então ele pediu ao Senhor, dizendo: "Mostra a teu servo a respeito desta terra e deste céu, então teu servo ficará satisfeito." O Senhor então lhe deu o que chamamos de Livro de Gênesis, um dos primeiros livros de Moisés, dizendo-lhe, em resposta à sua oração, como havia formado e criado esta terra e este céu, e os vários estágios disso, tal como realizados nos vários dias, até que no sexto e sétimo foi completado. Isto, segundo a nova revelação contida na "Pérola de Grande Valor," é a forma como Moisés obteve conhecimento da história desta criação. Outros homens, antes de seus dias, também o obtiveram. Abraão, que viveu várias centenas de anos antes de Moisés, teve o Urim e Tumim, que o Senhor Deus lhe deu na terra da Caldeia, e por meio deste instrumento ele também obteve conhecimento da história desta criação, e não apenas desta, mas de muitas outras, tendo Deus também dado os nomes de muitas delas, tais como Kolob e outras, que não é necessário repetir. Mas o Senhor, em várias épocas, tem manifestado estas grandes coisas aos filhos dos homens. Mas todos estes grandes Profetas, Videntes e Reveladores tiveram de experimentar suas estações de escuridão e provação, e tiveram de mostrar sua integridade diante de Deus no meio das dificuldades que tiveram de enfrentar. Desanimarão então os Santos dos Últimos Dias, porque possam ter estações de escuridão, e possam ser levados a provações e dificuldades? Não! Sejamos firmes, apegando-nos à barra de ferro — a palavra de Deus — e à nossa honestidade, integridade e retidão, para que Deus se agrade de nós, quer tenhamos muito ou pouco do Espírito. Não sei como poderíamos ter muitas provações, se estivéssemos todo o tempo cheios do Espírito e continuamente tendo revelações.

Isto me faz lembrar da experiência de nosso Profeta Joseph, e de David Whitmer, Oliver Cowdery e outros. Estais familiarizados com muitas coisas contidas na história de Joseph, a respeito de suas horas de provação. Ele teve algumas antes que o Senhor lhe permitisse tirar as placas do monte Cumora. Deus lhe mostrou onde estavam aquelas placas, e ele foi ordenado pelo anjo a ir vê-las. Ele o fez, e quando as viu primeiro, estendeu a mão para tomá-las. Mas foi-lhe permitido fazê-lo? Não. Qual era o motivo? Ele ainda não tivera as provações necessárias para provar sua integridade, e isto tinha de ser provado antes que pudesse lhe ser confiado tão sagrado tesouro. Por isso lhe foi dito que fosse e fosse obediente ao Senhor, e que voltasse ali de tempos em tempos, conforme lhe fosse ordenado pelo anjo do Senhor; e quando o tempo se cumprisse plenamente, foi-lhe permitido tomá-las.

Supondes que, desde o momento em que viu as placas pela primeira vez até o dia em que lhe foi permitido tomá-las, sendo cerca de quatro anos, ele não teve tentações, provações, escuridão ou dificuldades para enfrentar? Somos informados em sua história que, além das glórias do céu que se abriram à sua mente, os poderes das trevas também lhe foram retratados. O Senhor lhe mostrou os dois poderes. Para quê? Para dar-lhe a experiência necessária para capacitá-lo a discernir entre o que vinha de Deus e o que vinha da fonte oposta. Ele viu, como Moisés, estes seres malignos pessoalmente. Foram-lhe manifestados em sua fúria, malícia e maldade. Teve também muitas estações de tristeza, tribulação, dificuldade e tentação; e quando se provou diante dos Céus, e diante dos Santos no Paraíso que outrora habitaram este continente, e mostrou que estava cheio de integridade, Deus lhe permitiu tomar as placas, e ele traduziu o registro nelas contido para a língua inglesa.

Talvez tenha falado o suficiente a respeito destes dois poderes. O que disse foi com o propósito de confortar e encorajar os Santos, para que não pensem que, porque alguns são provados desta forma, e outros daquela, e ainda outros de outra maneira, algo lhes tenha acontecido diferente do que aconteceu à família humana antes deles, e que sejam mais provados do que qualquer outro indivíduo que já esteve sobre a terra. Não penseis isto, Santos dos Últimos Dias, mas fortalecei-vos em Deus, e na hora de vossa provação clamai a ele, e ele vos concederá força e fé, iluminará vosso entendimento, e vos conduzirá vitoriosamente através dela, e vossas bênçãos serão ainda maiores do que antes que viessem sobre vós vossas tentações.

Com o tempo, chegará o tempo em que o véu que oculta esta terra, e afasta seus habitantes da presença de Deus, será removido. Lemos isto no Livro de Convênios. A terra está agora afastada da presença de Deus, e todos os habitantes, e a criação animal, as aves do ar e os peixes do mar, e tudo em que há vida, todos estão afastados da presença de Deus. Por causa da queda do grande chefe e ser que deveria ter domínio sobre esta criação, ela é banida, um véu é abaixado que nos oculta da presença de Deus. Este véu ou cobertura logo será removido, e a terra rolará de volta à presença de Deus. Quando falo do rolar da terra de volta, não quero dizer que o Senhor vá transladá-la de sua órbita atual em torno do sol; não quero dizer que ela vá ser movida de sua posição atual, que ocupa há seis mil anos; mas quero dizer que o véu que nos afasta da presença de Deus será removido.

Àqueles que forem suficientemente puros para suportar aquele dia são feitas grandes promessas. Encontrareis estas promessas registradas no Livro de Doutrina e Convênios. Somos informados de que, quando aquele dia chegar, o povo de Deus, sejam os que morreram e ressuscitaram, ou os que vivem na terra, saberão todas estas coisas de que tenho falado. Saberão a respeito da terra, e de todas as coisas nela, sob ela ou ao redor dela, e todo o poder que ela contém e os materiais que entram em sua constituição. Todas estas coisas estarão abertas à mente do homem, e será um de seus dons naturais, aparentemente. Digo natural, porque será tão frequente. Aquilo a que chamamos natural é algo que, geralmente falando, acontece o tempo todo, e a frequência da coisa a torna natural para nós. Ora, quando esta cobertura de que tenho falado for removida, o conhecimento que o povo então terá dos mistérios e maravilhas da criação será tal que muitas vezes estarão praticamente na mesma condição em que Moisés estava durante o breve intervalo de luz e glória que lhe foi manifestado. Se aquele homem de Deus pôde manter sua existência como ser mortal depois daquela grande manifestação do poder de Deus para com ele naquela ocasião, não sei por que as mentes de todos os que forem considerados dignos de viver, quando o Senhor remover o véu, não poderão ser desenvolvidas da mesma forma que a mente de Moisés foi, para que possam captar e compreender as coisas de Deus da mesma forma que ele o fez. Não posso, em minha própria mente, ver tanta diferença, como muitos supõem, entre os antigos e os modernos. Creio que Deus está disposto a abençoar todos os seus filhos, antigos ou modernos, se viverem dignamente diante dele.

Lemos em Isaías de um tempo em que certo povo chamado Sião seria revestido da glória de Deus, e sua cidade seria iluminada por uma nuvem de dia e pela luz de um fogo flamejante de noite, e seriam tão altamente favorecidos que, no que diz respeito à luz, não precisariam da luz do sol de dia, nem da lua de noite, pois o Senhor seu Deus seria sua luz eterna, e os dias de seu luto teriam fim. Também lemos na mesma passagem que, quando aquele dia vier, "teus filhos," falando de Sião, "serão todos justos"; isto é, seriam um povo sobre e ao qual Deus poderia manifestar-se como fez a Moisés e outros; que o conhecimento de Deus cobriria a terra como as águas cobrem o grande abismo. Jeremias disse que chegaria o tempo em que o novo convênio produziria seu pleno efeito aqui sobre a terra; que não haveria mais necessidade de ministros e sacerdotes para ensinar o povo, embora ainda houvesse necessidade de ordenanças a serem administradas, e do sacerdócio para administrar em outras capacidades; mas, no que diz respeito a ensinar o povo a conhecer o Senhor, seria desnecessário. Naquele dia, ninguém precisaria dizer a seu vizinho: "Conhece ao Senhor." Por quê? Porque todos o conheceriam, do menor ao maior, pois Isaías diz que todos seriam ensinados pelo Senhor, todos seriam justos, todos receberiam revelação e visões, todos profetizariam e sonhariam. Isto é, Deus revelaria por seu Espírito de diferentes formas, em diferentes tempos e por diferentes métodos, a seu povo, aquelas coisas que os confortariam e os edificariam em sua fé santíssima.

Quando vemos a grande necessidade que há no presente de ensinar, e vemos quão propensos os homens são a esquecer aquilo que lhes é ensinado, dizemos que são como aquele que contempla o próprio rosto natural num espelho e se afasta, e logo esquece que tipo de homem é. É exatamente assim com respeito a ensinar o povo; precisam ser continuamente estimulados, por causa da fraqueza de suas mentes e memórias; e, considerando naturalmente esta fraqueza, parece quase impossível crer que algum dia será diferente, enquanto os homens estiverem em estado mortal. Contudo, não vejo isto sob esta luz. Espero uma grande mudança e revolução entre os habitantes de nosso globo. Espero que o véu seja retirado não apenas da terra, mas de toda criatura de toda carne que habita sua face; e todos estarão na presença de Deus. O próprio Deus será seu Deus, e eles serão seu povo. O próprio Deus enxugará todas as lágrimas de seus olhos, e não haverá mais morte, nem mais tristeza nem pranto, pois todas as coisas se tornarão novas, e Deus estará com seu povo daquele momento em diante e para sempre.

Isto significa que Deus habitará todo o tempo na terra? Não. Haverá uma conexão, uma abertura entre o homem e Deus, que nos trará à sua presença, e se ele estiver longe ou perto, não fará diferença. Aqui está um princípio que nenhum de nós compreende plenamente. Falamos frequentemente de ir e voltar de Deus, de ir ao céu, e assim por diante. Não tenho dúvida de que muitos de nós seremos considerados dignos de aproximar-nos dele, no que diz respeito à distância. Mas então, quando refletimos que a distância será comparativamente aniquilada entre Deus e os mundos que ele fez, de modo que não fará diferença, no que diz respeito à sua presença, se ele estiver perto ou a milhões de milhas de distância — haverá comunicação mútua entre o Criador e seus filhos todo o tempo, consequentemente haverá união e comunhão com ele, e regozijo em sua presença, ainda que ele esteja num mundo muito além de Kolob, do qual fala Abraão.

Como ilustração deste princípio, permiti-me trazer alguns fenômenos temporais aqui na terra. Poucos anos atrás, quando eu era menino, nada semelhante era sonhado como conversar com nossos vizinhos a duzentas ou trezentas milhas de distância. E se tal coisa tivesse sido pensada e mencionada, o sonhador teria sido de imediato tido por fanático ou entusiasta, ou por alguém fora de si, louco ou fraco de mente. Esta era a ideia que nossos pais tinham, e a ideia que alguns de nós, homens idosos, tínhamos quando meninos. Mas desde então Deus achou próprio inspirar certos indivíduos com informação e conhecimento, para erguer postes de telégrafo, e por meio de fios presos a estes postes, colocados sobre não-condutores de eletricidade, somos capazes de conversar quase instantaneamente com as partes mais distantes da terra; e se houver a conexão de fio apropriada, podemos enviar nossa mensagem ao outro lado do globo em um ou dois segundos e receber resposta com a mesma rapidez. Não é isto tornar as nações vizinhas? No que diz respeito a este único meio de comunicação, é bastante vizinhal. Nós, em Salt Lake City, podemos sentar-nos junto ao calor de nossas lareiras e conversar com pessoas sentadas junto às suas. O povo destas duas cidades pode conversar, embora ainda seja bastante dispendioso fazê-lo.

Suponde agora que fosse possível inventar algo ainda mais, pelo qual pudéssemos ver nossos vizinhos em Londres, e o povo de Londres pudesse ver-nos em Salt Lake City, então poderíamos ambos conversar e ver. E se pudéssemos fazer isto, não vedes que, até esse ponto, a distância seria quase aniquilada?

Novamente, suponde que por algum meio agora desconhecido a nós, pudéssemos absolutamente ser capazes de ouvir, não pelas vibrações desta atmosfera grosseira nossa, mas pelas vibrações de algum fluido espalhado pelo espaço, mais refinado, operando sobre os órgãos do ouvido imortal, transferindo sons a uma distância imensa, digamos milhões e milhões de milhas, transmitindo-os com a rapidez do próprio fluido elétrico, e talvez com uma velocidade mil vezes maior, então poderíamos ambos ver e ouvir, e também conversar com nossos vizinhos a longas distâncias de nós; e se tais meios de comunicação fossem abertos entre as diferentes nações da terra, todas seriam vizinhas.

Ora, estendei este princípio, e suponhamos que houvesse um meio de comunicação pelo qual seres imortais pudessem ver, ouvir e comunicar-se da terra até o sol, e do sol até a terra; da terra até Júpiter, e de Júpiter de volta à terra; do sol aos corpos planetários mais distantes de nosso sistema, e de volta destes corpos ao sol; e depois do próprio sistema solar a algumas daquelas esferas estelares, e de uma esfera a outra, abrangendo grupos inteiros de sistemas, até que finalmente tivéssemos meios de comunicação com todos os diferentes mundos do universo, como agora temos entre Salt Lake e Londres, apenas por um meio mais refinado e perfeito, seria necessário sob estas circunstâncias que nosso Pai e Deus estivesse diretamente aqui na terra para que estivéssemos com ele? De modo algum. Ele poderia estar situado num mundo tão distante quanto algumas das estrelas fixas de nós, e ali poderia balançar seu cetro sobre milhões de mundos e sistemas, e todos eles estariam em sua presença, tendo sido removido o véu; enquanto aqueles poderes que agora estão latentes, por assim dizer, na mente de seres caídos como o homem, sendo desenvolvidos entre todos os habitantes destes mundos, eles poderiam comunicar-se com ele e ele com eles. Não seria dito, sob estas circunstâncias, que todos estavam na presença de Deus? Sim, e isto tornaria desnecessário viajar e gastar milhões de anos em longas jornadas pelo espaço para chegar à sua presença.

Espero que, em eras futuras, todas estas coisas sejam manifestadas aos filhos de Deus. Se devemos crescer em luz, inteligência e verdade, e tornar-nos deuses, sim, filhos de Deus; se devemos ser cheios de luz, entendimento e conhecimento; se devemos entender todas as coisas pertencentes à nossa terra e a outros mundos, então parece-me que devemos aproximar-nos muito da plenitude das bênçãos que agora são desfrutadas por aquele que é nosso Pai e nosso Deus. Não considero que o homem tenha todos os seus sentidos desenvolvidos aqui, e porque ainda não exercitamos alguns dos nossos sentidos que dormiram desconhecidos de nós desde nosso nascimento, isto não é argumento de que não possuímos tais sentidos, nenhuma evidência alguma. Poderíeis tomar um homem que tivesse a faculdade de ver em perfeição, e se ele tivesse nascido onde nunca um lampejo de luz entrou em seus olhos, ele não saberia que possuía tal faculdade, e não poderíeis, por meio de conversação, instilar a ideia em sua mente; ele não poderia compreendê-la. Ele diria: "Tenho o sentido do tato, e o sentido do olfato, e o sentido da audição, mas este sentido da visão de que falais, não faço ideia, o que é?" Teria de experimentá-lo para descobrir o que se entendia por ver objetos à distância, definindo suas cores, e assim por diante. Mas quando ele olhasse para a superfície da natureza com o auxílio da luz, quando esta fosse trazida a incidir sobre ele, que mundo de conhecimento se precipitaria em sua mente, não tudo de uma vez, mas por graus. Assim será com os Santos de Deus, quando suas faculdades latentes começarem a ser desenvolvidas e trazidas à tona, de modo que possam contemplar as obras de Deus.

Esta grande recompensa futura vale a pena viver por ela, e é isto que devemos buscar, sim, mesmo pelo esclarecimento do Espírito. É isto que devemos procurar cultivar em todas as nossas transações comerciais, e em todos os nossos negócios aqui na vida. Se cultivarmos este Espírito, ele aumentará sobre nós, e brilhará cada vez mais, até o dia perfeito, e nos elevaremos por graus àquela alta posição que Deus destina a seus filhos, para fazê-los deuses, para habitarem em sua presença para todo o sempre. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “O Espírito de Luz e Verdade — Seu Valor — Seu Oposto Necessário — Triunfo Final da Luz e da Verdade”, (1872-11-24). Pulpit Vault, 1872-11-pratt-spirit-of-light-and-truth-its-value-its-opposite-necessaryfinal-triumph-of-light-and-truth. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).