Sião — O Dever de Seus Cidadãos — Testemunho
Erastus Snow
Deus disse que Sião será como uma cidade edificada sobre um monte, cuja luz não pode ser escondida. Somos chamados a ser os filhos de Sião. O Senhor declarou que Sião consiste nos puros de coração. Disse, além disso, que as nações da terra corromperam seu caminho diante dele, e, referindo-se a Babilônia, seu mandamento a seus santos é — "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas." A Bíblia está repleta de profecias proferidas pelos Profetas e Patriarcas, e pelo Salvador e seus Apóstolos, a respeito do dia e época em que vivemos. O fim se aproxima e o tempo se avizinha rapidamente em que o Senhor porá fim total a todas as nações que lutam contra Sião, que rejeitam sua lei e endurecem seus corações contra ele, seus preceitos e seu governo. É nosso elevado privilégio dar este testemunho, e o testemunho que temos a dar ao povo do século XIX é apenas uma renovação daquele que foi dado pelos Profetas e santos em dias passados e idos. Falaram do tempo em que vivemos pelo espírito de profecia e revelação, que era como quem olha por um espelho obscuramente, contudo é nosso privilégio contemplar com nossos olhos e ouvir com nossos ouvidos aquelas coisas que Profetas e Patriarcas há muito desejaram ver, mas morreram sem vê-las. O dever especialmente imposto a nós hoje é despertar para a retidão, e considerar o chamado com que Deus nos chamou. Devemos considerar que Deus nos separou pela pregação de sua palavra e pelo testemunho de Jesus; e nos chamou para sermos um povo distinto, distinto neste particular, que nos separamos do pecado e da maldade, e, tanto quanto possível, da companhia dos pecadores e de todos aqueles costumes e hábitos que tendem a escurecer, degradar e rebaixar a mente humana, e cultivar aqueles que santificarão os afetos, purificarão o coração e enobrecerão todo o ser do homem, e nos capacitarão, tanto quanto está em nós, a regenerar a nós mesmos e nossa raça. Em suma, Deus deseja, e estendeu sua mão, para exaltar seu povo de sua condição inferior, e elevá-lo e fazer dele um povo adquirido, uma nação santa, um reino de Sacerdotes para o Deus Altíssimo e o Cordeiro. ¶
Em tudo isso, há algo que possa ferir, destruir ou prejudicar, de qualquer forma, qualquer porção de nossos semelhantes que não se sintam dispostos a se unir a nós nesta gloriosa obra, ou se engajar conosco nesta nobre empresa? De forma alguma. A salvação de Deus é revelada para o bem de todos os homens que a receberem. O Evangelho é oferecido sem dinheiro e sem preço a toda carne, e o testemunho que damos ao mundo é que Jesus morreu por todos, e que, pelo derramamento de seu sangue, a salvação pode vir a todos os homens que crerem e se sujeitarem às exigências de seu Evangelho. O governo que é inaugurado e estabelecido entre os homens pela pregação do Evangelho, e pela administração de suas santas ordenanças, é um governo de paz, amor e boa vontade para com os homens, incitando aqueles que o recebem a fazer o bem a todos, mas especialmente aos da casa da fé. ¶
Os deveres que nos são impostos são, primeiro, a nossa própria casa — a casa de Deus, aqueles que foram batizados em Cristo por terem nascido de novo da água e do Espírito, e se tornado filhos de Deus por adoção. Em seguida, a todos os homens que ainda não foram assim trasladados do reino das trevas para o reino do amado Filho de Deus; e aquele amor que é produzido nos santos de Deus pelo fogo do Espírito Santo por meio da fé e da obediência ao Evangelho leva todos os que são trazidos sob sua influência a se sujeitarem às suas exigências e a trabalharem pelo bem-estar de toda criatura que traz a forma de Deus. ¶
Não há nada na constituição do Evangelho, ou na organização da Igreja de Cristo e do reino de Deus entre os homens, e nos preceitos ensinados por Deus e seus servos, que causasse, em qualquer grau, dano ou retivesse bênçãos de qualquer membro da família humana, na medida em que se coloquem em condição de recebê-las, e estejam dispostos a aceitá-las. Mas Deus ordenou certos princípios eternos de verdade pelos quais seu povo pode ser exaltado, e sem os quais não pode ser exaltado à sua presença e ao desfrute de sua glória. Todas as coisas são governadas pela lei, e todas as leis boas e sadias, que são ordenadas e promulgadas pelos homens, destinadas à paz, prosperidade e bem-estar de seus semelhantes, deveriam ser respeitadas, mantidas e honradas por todo o povo, e este é um dos deveres impostos a todos os santos em todos os mandamentos e revelações de Deus a seu povo. ¶
É, além disso, dever de todos os que são incumbidos da administração da lei, em qualquer departamento que seja, agir de boa-fé, com toda pureza e integridade, e em boa consciência, pelo bem-estar e felicidade de seus semelhantes na administração da justiça, verdade e juízo; e deveria ser o objetivo de todos os legisladores consultar os melhores interesses do povo do qual derivam sua autoridade, ou em cujo nome são chamados a agir. É dever dos Santos dos Últimos Dias, e de todo bom povo, honrar todas as leis e regulamentos ordenados para a liberdade de toda carne. E se há pessoas que não se sentem dispostas a, ou que não podem receber o testemunho do Senhor Jesus, ficam com tanta liberdade de desfrutar os direitos e privilégios que são concedidos a elas, como filhos de Deus sobre a terra, quanto se cressem, arcando e sofrendo as consequências de sua própria incredulidade, consequência esta que será uma falha em alcançar as bênçãos que são reveladas, e que Deus se digna a conceder aos obedientes e fiéis. ¶
A palavra do Senhor a toda carne é: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma; porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." Se alguém duvida que o jugo de Cristo seja suave e seu fardo seja leve, que faça a experiência, e o demonstre a si mesmo. Se há alguns, dentro ou fora da Igreja de Cristo, que sentem seu jugo pesado e irritante, e seu fardo não leve, posso informar-lhes que não tomaram sobre si o jugo de Cristo, não estão carregando seu fardo, pois não são mansos e humildes de coração, não aprenderam corretamente suas lições — como governar e controlar seus próprios espíritos pelos princípios e espírito do Evangelho eterno. Não há nada em sua natureza que seja opressivo, irritante ou difícil de suportar. Ao dizer isto, dou a experiência de minha vida, pois ela tem sido dedicada, desde minha infância, à contemplação destas gloriosas verdades, com um esforço sincero de aplicá-las praticamente a mim mesmo, e as tenho demonstrado, e falo aquilo que sei e experimentei, e mais seguramente creio e testifico delas. E há muitos que creem neste testemunho e são capazes de corroborá-lo; e aqueles que não creem, e não o experimentaram em suas vidas, têm o privilégio de fazê-lo. ¶
É nosso dever santificar o Senhor nesta terra que ele nos deu por herança, não apenas observando a lei do dízimo, que é um dos meios que ele nos deu para esse propósito, mas observando todo preceito que dele emana, e vivendo de toda palavra que procede de sua boca, sem esquecer as palavras de sabedoria, destinadas a nos melhorar de um ponto de vista físico, a fortalecer nossos corpos, prolongar nossas vidas, aumentar nossos poderes de resistência, e aumentar a força, eficiência e poder da nova geração. Toda instituição que Deus estabeleceu em nosso meio — social, política e religiosa — é destinada ao nosso aprimoramento, individual e coletivamente, como povo e como famílias, para prolongar nossas vidas e aumentar nossa utilidade e nossa capacidade para o bem na terra; e se observarmos estes princípios e os aplicarmos diligentemente em nossas vidas, orando fervorosamente com nossas famílias e em secreto ao Senhor por sabedoria ao fazê-lo, nossa luz continuará a brilhar, nossa força a aumentar e nossa influência tanto em casa quanto no exterior, na terra e nos céus, diante de Deus, dos anjos e dos homens bons, e a força, a união, a fé, a luz e a pureza das vidas dos Santos dos Últimos Dias serão um terror para os malfeitores. ¶
O que podem os homens fazer contra o Senhor, e contra o povo que o teme e está unido em boas obras? O que pode o braço de carne realizar senão sua própria derrota? As armas do povo de Deus não são carnais, mas são poderosas por meio da fé. Não guerreamos contra a carne e o sangue, mas contra a maldade espiritual nas alturas, e contra a corrupção onde quer que seja encontrada, repreendendo o pecado, a insensatez, o engano, a desonestidade e a maldade de toda espécie. E se há aqueles que professam ser santos, e que não vivem a vida de santos, cuja luz não brilha, cujas lâmpadas não estão aparadas e acesas, cujas vidas e caráteres, preceitos e exemplos não correspondem aos princípios do Evangelho, isso apenas testifica da fraqueza dos homens e nada é contra a verdade, o testemunho de Jesus, ou contra o testemunho daqueles que vivem sua religião e engrandecem seu chamado como santos, e cujos preceitos e exemplos correspondem. Se alguns não creem, isso tornará a verdade de Deus sem efeito ou menos valiosa? E se alguns não fazem suas vidas corresponder às suas doutrinas e preceitos, isso apenas mostrará mais vívida e claramente o caráter daqueles que são limpos e puros, e que amam a verdade e se deleitam em honrá-la. ¶
Sou testemunha da verdade que Deus revelou ao homem, pertencente à plenitude do Evangelho: que Jesus é o Filho de Deus, o Salvador daqueles que o receberem, e que ele lançou o fundamento para uma salvação mais gloriosa e ampla do que a maioria de nós é capaz de conceber e compreender apropriadamente; e sua obra avança na terra, e continuará avançando e ascendendo, até que as nações da terra sejam advertidas, e todo o povo que quiser ouvir possa ouvir e receber o Evangelho, ser contado entre seus filhos, ser reunido em seu redil, tornar-se filhos de Sião, e ser preparado para sua vinda, pois, no tempo determinado, que ele predisse, e que tempo está no seio do Pai, o Filho certamente virá nas nuvens do céu, e os santos Anjos com ele, para assumir as rédeas do governo sobre a terra, e reinar como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Então, todos os que não se curvarem a seu cetro, se sujeitarem a seu domínio, e aceitarem seu governo e sua soberania serão eliminados. Então vem o tempo de que se falou, quando todo joelho que restar se dobrará, e toda língua confessará, para a glória de Deus Pai, que Jesus é o Cristo. ¶
É para lançar o fundamento desta obra, e preparar um povo para esta era, que o Senhor chamou seu servo Joseph Smith, e lhe revelou a plenitude do Evangelho neste, o século XIX. O Élder Rich testificou que sabia, pelas revelações de Deus a ele próprio, que Joseph Smith era um Profeta de Deus. A pergunta surgirá na mente dos incrédulos: como pode ser isso? Maravilham-se, como Nicodemos se maravilhou quando Jesus lhe disse que precisava nascer de novo. Perguntou-se como um homem poderia nascer de novo — como, sendo velho, poderia entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer. A dúvida surge na mente de muitos: como pode um homem saber por si mesmo que Joseph Smith foi verdadeiramente chamado para ser um Profeta, vidente e revelador para esta geração? Que Deus lhe revelou a plenitude do Evangelho? Que o Livro de Mórmon contém a plenitude do Evangelho — o mesmo que foi ensinado e revelado pelo Salvador e seus discípulos, tal como registrado no Novo Testamento? Como pode um homem saber que Anjos lhe ministraram? Que Deus abriu as visões dos céus ao Profeta Joseph Smith? Respondo: podem sabê-lo exatamente como o Apóstolo Pedro soube que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo. É desta forma que o Élder Rich sabe que Joseph Smith foi um Profeta; é desta forma que eu sei que ele foi um Profeta e um servo de Deus levantado para começar esta obra na terra, e para lançar o fundamento da Igreja e do reino de Deus sobre a terra. Quando Jesus perguntou a Pedro e ao resto dos Apóstolos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" Responderam: "Uns, João Batista, outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas." "Mas vós, quem dizeis que eu sou?" Pedro respondeu — "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." "Bem-aventurado és tu Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus; e também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Não sobre Pedro, não sobre sua pessoa, pois era carne, e havia de passar como a flor do campo. Não foi sobre Pedro, ou seus sucessores no cargo, como ensina a igreja romana. Então, quem e o que era esta pedra a que Cristo se referiu? Era a pedra da revelação, revelação do Deus vivo. "Sobre esta pedra," disse o Salvador, "edificarei minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." E repito que sei a verdade do Evangelho, assim como Pedro sabia que Jesus era o Cristo, por revelação a mim do Pai que está nos céus, e dou este testemunho a vocês. ¶
Sei que há muitos, muitíssimos, cujo testemunho foi proclamado aos ouvidos desta geração, e está registrado no céu. Suas palavras são como as coisas preciosas que João viu nas taças que estavam diante do trono de Deus, e seu testemunho permanecerá, e benditos são todos os que o recebem. Bendito seja o Senhor Deus que revelou estas coisas a Pedro e a seu servo Joseph, e que as revelou a muitos mais que o buscaram com sincero desejo de conhecer seus caminhos! Benditos são os que o temem e guardam seus mandamentos! ¶
Que Deus nos ajude a viver como santos, e que nossa luz brilhe! Que Deus sele o testemunho dos Doze nos corações daqueles que o desejam, para que possam vir e andar na luz, ser salvos pela verdade, e herdar exaltação com os santificados, é minha oração, por amor de Cristo. Amém. ¶