Revisão do Trato de Deus com o Profeta Joseph — A Vinda à Luz do Livro de Mórmon — A Coligação, Etc.
Orson Pratt
Tendo sido solicitado a dirigir-me à congregação nesta tarde, faço-o com a maior boa vontade. Há uma passagem das Escrituras que eu gostaria muito de tomar como texto, se soubesse onde encontrá-la. Está em algum lugar do livro de Jeremias ou de Ezequiel. Não tenho tempo agora para procurá-la, e talvez seja melhor tomar algum outro texto que tenha relação com o mesmo assunto. O texto para o qual eu gostaria de dirigir a atenção do povo refere-se à colonização deste país por um dos descendentes de Zedequias, rei de Judá. Diz mais ou menos assim: "Assim diz o Senhor Deus: Também eu tomarei do principal ramo da alta cedro, e o plantarei; do principal dos seus renovos cortarei um terno, e o plantarei sobre um monte alto e sublime; no monte alto de Israel o plantarei, e produzirá ramos, e dará fruto, e se fará um cedro excelente; e habitarão debaixo dele todas as aves de toda a espécie; à sombra dos seus ramos habitarão." ¶
Lemos o cumprimento desta profecia no Livro de Mórmon; mas, como não posso dirigir vossa atenção à passagem, lerei outro texto, que se encontrará no versículo 11 do Salmo 85: "A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus." ¶
Há quarenta e cinco anos, nesta manhã, esta profecia, na parte em que se refere à "verdade brotar da terra," cumpriu-se. Há quarenta e cinco anos, bem cedo nesta manhã, placas semelhantes a ouro foram tiradas da terra, na manhã, se bem me recordo, de 22 de setembro de 1827. Por causa desse grande acontecimento, o Território de Utah está hoje colonizado pelo povo chamado Santos dos Últimos Dias. Por causa do cumprimento desta profecia, este Tabernáculo foi construído aqui nestas montanhas; e, não fosse esse acontecimento, é provável que o Território de Utah ainda fosse um deserto, um distrito de terra árido, solitário e despovoado. Às vezes, grandes coisas são realizadas e crescem a partir de coisas que parecem muito pequenas em sua natureza. Assim tem sido com esta profecia — "A verdade brotará da terra." ¶
Para que o significado destas palavras possa ser mais plenamente compreendido, talvez não seja demais ler o contexto ou as passagens que a precedem. Começa o Salmista — ¶
Senhor, tu te tens mostrado favorável à tua terra: fizeste voltar o cativeiro de Jacó. ¶
Perdoaste a iniquidade do teu povo, cobriste todos os seus pecados. Selá. ¶
Retiraste todo o teu furor, desviaste-te do ardor da tua ira. ¶
Volta-te para nós, ó Deus da nossa salvação, e faz cessar a tua ira contra nós. ¶
Estarás sempre irado conosco? Estenderás a tua ira de geração em geração? ¶
Não voltarás tu a vivificar-nos, para que o teu povo se regozije em ti? ¶
Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia, e concede-nos a tua salvação. ¶
Escutarei o que o Senhor Deus falar: porque falará paz ao seu povo, e aos seus santos, contanto que não voltem à sua loucura. ¶
Certamente que a sua salvação está perto daqueles que o temem, para que a glória habite na nossa terra. ¶
A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram. ¶
A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus. ¶
Sim, o Senhor dará o que é bom, e a nossa terra dará o seu fruto. ¶
A justiça irá adiante dele, e a pôr no caminho dos seus passos. ¶
Assim se lê o Salmo 85. É bem evidente que o Salmista Davi, cheio do espírito de profecia, viu a condição do povo de Israel, e viu também que estaria sob o desagrado do Todo-Poderoso por muitas gerações, e ora para que o Senhor os contemple com compaixão, e se desvie do ardor de sua ira, para que ela não se estenda sobre eles por todas as gerações, e profere esta oração: "Volta-nos, ó Deus da nossa salvação, e mostra-nos a tua misericórdia," etc. O Senhor, em resposta a esta oração, prometeu falar paz ao seu povo, mas disse: "Que não voltem à sua loucura." E então lhes informa como falaria paz a eles, e como se desviaria do ardor de sua ira, para que ela não se estendesse sobre eles por todas as gerações. Informa-lhes que começaria esta grande obra, que resultaria em paz e salvação para Israel, fazendo a verdade brotar da terra, ocasião em que a justiça olharia desde os céus. A justiça, a verdade e a paz se beijariam mutuamente, e o Senhor faria a terra de Israel voltar a dar o seu fruto. Sabemos quão árida, estéril e inabitável é a terra que outrora foi prometida àquele povo escolhido. O Senhor não somente amaldiçoou o povo e o fez motivo de escárnio e provérbio entre todas as nações por onde foram expulsos, mas sua ira também esteve sobre a terra deles. Reteve as chuvas do céu, e a amaldiçoou com esterilidade e aridez; e as cidades que outrora cobriam sua face e erguiam suas altas torres ao céu, agora jazem em ruínas, e de algumas delas mal se pode encontrar vestígio. Mas, quando o Senhor fizesse a verdade brotar da terra, falaria paz a seu povo e à sua terra, e ela daria seu fruto; e a verdade iria adiante dele e os poria no caminho de seus passos. ¶
Temos proclamado por quarenta e dois anos este Livro de Mórmon, que declaramos ter brotado da terra pelo poder do Todo-Poderoso, para o benefício, primeiramente, das nações gentias. A proclamação, segundo as palavras do livro, deve ir a todo povo, nação e língua debaixo de todo o céu, chamadas as nações gentias, depois do que o Senhor prometeu, em numerosas passagens deste registro, que iria aos remanescentes da casa de Israel. Mas aquilo que o Senhor pretende realizar em primeiro lugar com a vinda à luz deste livro é a redenção de tantos quantos derem ouvidos às suas palavras em todas as nações gentias da terra, e reuni-los em um; pois não somente a casa de Israel e a casa de Judá hão de ser coligadas de volta às suas próprias terras, mas todos os cristãos por toda a terra hão de ser coligados em um nos últimos dias, segundo uma profecia que encontrareis no capítulo 43 de Isaías: "Trarei a tua semente desde o oriente, e te ajuntarei desde o ocidente. Direi ao norte: Dá; e ao sul: Não retenhas: trazei meus filhos de longe, e minhas filhas desde a extremidade da terra; todos os que são chamados pelo meu nome." Isto se refere aos filhos e filhas do Deus vivo, ao povo chamado Santos; não particularmente à semente literal da casa de Israel, mas a todos aqueles que nele creem, e que são chamados pelo seu nome. Todos hão de ser coligados; todos hão de vir das extremidades da terra. Nenhum cristão ficará espalhado pelas nações, como muitos supõem que acontecerá enquanto durar o tempo. Uma coligação completa e plena do povo de Deus tem de acontecer nos últimos dias, chamada, por Paulo, a dispensação da plenitude dos tempos. Encontrareis esta predição no primeiro capítulo de sua epístola aos Efésios. Ali declara Paulo que uma nova dispensação tem de vir, e ele a denomina a dispensação da plenitude dos tempos. Diz-nos que, nessa dispensação, o Senhor congregará em um todas as coisas em Cristo. Toda pessoa que crê nele, e que se revestiu de Cristo pelo batismo e pelo arrependimento do pecado, tem de ser coligada em um nessa dispensação; não somente os que estão na terra, mas os que estão no céu — todas as congregações que estão em Cristo, que habitaram na terra em eras passadas, hão de ser unidas com aqueles que estão na carne sobre a terra. Uma grande e vasta assembleia geral de todos os que estão em Cristo — os mortos assim como os vivos — desde os dias de Adão até que a obra se complete. ¶
A fim de começar esta grande obra, o Senhor fez a verdade brotar da terra. Ele falará paz ao seu povo, e o Salmista lhes pede que, quando o Senhor empreender esta obra, nunca mais voltem à loucura. ¶
Agora tentarei dar aos meus ouvintes um breve relato de como Joseph Smith obteve as placas do Livro de Mórmon da terra. Ele era apenas um rapaz, filho de um fazendeiro, quando o Senhor começou a falar-lhe e a enviar-lhe seus anjos, não tendo ainda completado quinze anos de idade. Era quase jovem demais para ser um impostor descarado, não era? Lançai os olhos por esta congregação em busca do jovem de quinze anos, e vede se acreditais que seria possível a alguém dessa idade tão precoce tornar-se um dos impostores mais desavergonhados de que o mundo já ouviu falar, pois assim era Joseph Smith considerado pelo mundo em geral, com poucas exceções; e assim ele teria de ser, desde muito cedo, se esta obra não for verdadeira, pois ele mesmo não poderia ter sido enganado a respeito dela. Não havia possibilidade alguma de engano, no que a ele mesmo dizia respeito. Por quê? Porque as circunstâncias eram de tal natureza que ele não poderia ser enganado. Deus lhe revelou que havia certas placas depositadas a cerca de três milhas da casa de seu pai. Ele viu, em visão, o lugar onde estavam depositadas. Ouviu o santo anjo declarar-lhe a respeito destes registros. Mas, primeiro, cerca de quatro anos antes disto, a primeira visão que teve foi em resposta à oração. Sendo ainda jovem, e ansioso pela salvação de sua alma, ele orou secretamente, no deserto, para que o Senhor lhe mostrasse o que deveria fazer, a qual igreja deveria se unir. O Senhor ouviu e respondeu a esta oração. Não vos surpreendais, bons cristãos, porque o Senhor ouve a oração no século dezenove. Sei que é muito popular orar ao Senhor na Cristandade; mas, quando se fala sobre o Senhor responder a orações, dando revelações, visões, ou enviando anjos, isso é muito impopular. Mas, por impopular que fosse, este jovem se atreveu a ir e pedir ao Senhor sabedoria, tendo, em primeiro lugar, lido uma passagem no Novo Testamento, que diz: "Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e não o lança em rosto, e ser-lhe-á dada." Joseph Smith não estava tão cheio de tradição a ponto de não poder apossar-se desta promessa. Não sei se lhe haviam ensinado tempo suficiente a ideia de que o Senhor não ouviria a oração. De qualquer modo, tendo lido esta passagem, orou, crendo verdadeiramente em seu coração que o Senhor lhe responderia, pois queria sabedoria, queria saber qual era a verdadeira Igreja cristã, para a ela se unir; e, enquanto suplicava e orava ao Senhor por esta informação, que era para ele de grande importância, os céus se abriram, e duas personagens vestidas de luz ou de fogo desceram e se puseram diante dele. Assim que esta luz o cercou, e ele se viu envolto ou envolvido nela, sua mente foi arrebatada dos objetos e coisas terrenas, e ele viu estas duas gloriosas personagens, seus semblantes brilhando com extraordinário fulgor. Uma delas, apontando para a outra, dirigiu-se a ele nestas palavras: "Este é o meu Filho amado, a ele ouvi." Todo o medo foi tirado deste jovem durante o transcurso deste maravilhoso acontecimento, e ele se sentiu feliz, mas ansioso por saber a respeito das coisas sobre as quais estivera orando, e repetiu seu pedido, para que lhe fosse dito qual era a verdadeira Igreja cristã. Foi-lhe informado que não havia verdadeira igreja cristã sobre a terra, que não havia povo estabelecido ou organizado segundo a ordem apostólica; que todos se haviam desviado do caminho e se afastado da antiga ordem das coisas; que haviam negado o poder da santidade, os dons, os milagres, o espírito de revelação e profecia, as visões, que todas essas coisas tinham sido abolidas pela incredulidade dos filhos dos homens, e que não havia profetas nem homens inspirados sobre a terra, como sempre havia quando havia uma verdadeira Igreja sobre a terra. Foi-lhe estritamente ordenado que a nenhuma delas se unisse. O Senhor também lhe informou que, em algum período futuro, se fosse fiel em atender às instruções que então lhe foram dadas, e em suas orações ao Senhor, ele lhe transmitiria sua própria doutrina em simplicidade e clareza. ¶
Passaram-se uns quatro anos desde essa época, tendo o rapaz então quase dezenove anos de idade, e, num domingo à noite, ele voltou para seu quarto, meditando sobre a promessa que lhe fora dada, e começou a orar ardentemente de novo para que o Senhor lhe mostrasse o verdadeiro evangelho de seu Filho, segundo a promessa; e, enquanto assim orava na casa de seu pai, em seu aposento, uma luz irrompeu no quarto, tornando-se mais brilhante gradualmente, brilhando e depois se retirando parcialmente, de modo que o medo não se apoderou de seu peito em grande grau. Enquanto continuava orando, a luz se tornava cada vez mais brilhante, e finalmente uma personagem vestida de um manto branco se pôs diante dele. Esta personagem era um pouco maior que os homens comuns de hoje em dia, e seus braços e pés estavam parcialmente descobertos. Seus pés não pousavam no chão do quarto, mas a certa distância acima, e seu semblante brilhava como relâmpago. Este anjo pareceu tão agradável, belo e glorioso, e seu semblante irradiava tanta felicidade à mente deste jovem que todo o medo lhe foi tirado, como na ocasião anterior. Esta personagem lhe disse que era um anjo de Deus, e que fora enviado, em resposta à sua oração, com uma mensagem muito importante a entregar-lhe; que Deus tencionava realizar uma grande obra sobre a terra, e que ele seria instrumento escolhido para lançar o fundamento de, e estabelecer, esta obra. Começou a lhe contar sobre os antigos habitantes deste continente. Disse-lhe que os atuais índios americanos eram descendentes de Israel; que seus antepassados haviam sido trazidos de Jerusalém cerca de seis séculos antes de Cristo; que, quando chegaram, eram um povo justo e tinham profetas entre si; que, ao desembarcarem neste continente, começaram, por mandamento do Senhor, a manter um registro de sua história, de suas profecias e de seus atos sagrados sobre placas metálicas; que aquela nação, depois de haver habitado ali cerca de mil anos, caiu em grande maldade; que se dividiu em duas grandes nações; que a porção que tinha estas placas, os nefitas, tinha-se apostatado tanto do Senhor, que ele ameaçou destruí-los, se não se arrependessem. Os profetas iam entre eles profetizando que, se não se arrependessem, a outra nação, chamada lamanitas, os destruiria da face da terra. Mas eles não se arrependeram, e Mórmon, um profeta que viveu naquela época, recebeu do Senhor o mandamento de tomar todas as placas que continham os registros de seus pais, e fazer um resumo delas sobre um novo conjunto de placas. Assim, ele começou e resumiu sua história, desde que saíram de Jerusalém até aquele período, incorporando nisso muitas das profecias e revelações dadas durante aqueles mil anos. Depois de fazer este resumo, entregou-o nas mãos de seu filho Morôni, sabendo que sua nação seria destruída, e que Morôni, segundo as revelações que Deus lhe dera, seria poupado para guardar os registros, e para ver a queda de sua nação. Mórmon escondeu os registros a partir dos quais fez este resumo num monte, chamado monte Cumora, sendo este seu nome antigo, e este monte ficava cerca de três milhas de onde este jovem residia, na cidade de Manchester, condado de Ontário, estado de Nova York. Ali todos os registros foram depositados, e, segundo o Livro de Mórmon, devem ter sido muitíssimo numerosos. A história dos antigos habitantes desta terra era mantida por seus reis, e os registros se tornaram muito volumosos; e todos foram depositados pelo profeta Mórmon naquele monte; mas o resumo do qual foi tirado o Livro de Mórmon foi entregue nas mãos de seu filho Morôni, para concluir o registro. A última data dada nestes registros é de 420 anos depois de Cristo. ¶
Podeis perguntar como o povo desta terra sabia sobre o nascimento de Cristo. Direi que eles conheciam o cristianismo neste hemisfério ocidental tão bem quanto no hemisfério oriental. Aqui não foram deixados nas trevas quanto ao Salvador do mundo e sua expiação. Sabiam tudo sobre isso. Como? Jesus, que é o Deus de toda a terra, apareceu-lhes depois de sua crucificação e ressurreição dentre os mortos. Mostrou-lhes as feridas em suas mãos, pés e lado, e entregou-lhes seu evangelho em toda sua simplicidade e plenitude, e foi-lhes ordenado que o escrevessem em placas. Sabiam também de seu nascimento, na terra de seus antepassados, pelos sinais que Deus lhes deu nesta terra. Foi-lhes dito que, no momento do nascimento de Jesus, haveria dois dias e uma noite sem nenhuma escuridão; veriam o sol pôr-se à noite e nascer pela manhã, e que, durante todo esse tempo, seria claro como o dia. Começaram a contar seu tempo a partir desse período. Antes disso, haviam contado seu tempo a partir da data em que deixaram Jerusalém, precisamente seiscentos anos antes do nascimento de Cristo. Quatrocentos e vinte anos depois desse grande acontecimento, o profeta Morôni nos informa que também recebeu ordem de esconder este resumo na mesma colina, mas em outra parte dela, onde seu pai Mórmon escondera os registros sagrados. E o Senhor fez uma promessa a Morôni, também a Mórmon, e a muitos outros profetas que habitaram esta terra em gerações anteriores, de que estas placas jamais seriam destruídas, mas que seriam preservadas por sua mão, e que seriam trazidas à luz da terra nos últimos dias, com o propósito de trazer a coligação de seu povo desde as extremidades da terra, e a entrada da plenitude dos gentios e o cumprimento dos seus tempos, depois do que a tradução destes registros iria a todos os remanescentes da casa de Israel, espalhados por toda a face da terra; e que estes registros seriam instrumentais nas mãos de Deus para coligar Israel desde os quatro cantos da terra. ¶
Estas eram as promessas de Deus aos antigos profetas deste continente, e o anjo falou a Joseph Smith a respeito destas placas, e de onde estavam depositadas. Ao mesmo tempo, a visão do Todo-Poderoso se abriu à mente de Joseph, e ele viu o próprio lugar. Depois que o anjo conversou com ele por algum tempo sobre este assunto, e lhe revelou as profecias dos santos profetas a respeito da grande obra que seria realizada nos últimos dias, ele se retirou, e Joseph continuou orando. Alguns talvez pensassem que isto fosse um sonho; mas não era, ele estava bem desperto. Enquanto continuava orando, o anjo veio novamente, pela segunda vez, e lhe deu ainda mais informações sobre a instauração do reino de Deus dos últimos dias sobre a terra, e a grande obra que o Todo-Poderoso pretendia realizar preparatoriamente à vinda de seu Filho dos céus com todos os seus Santos. O anjo então se retirou de novo, mas, em resposta às orações de Joseph, veio uma terceira vez, e lhe transmitiu ainda mais informações. Depois desta terceira retirada, Joseph se levantou, e era cedo pela manhã, tendo ele estado acordado a noite toda recebendo instrução do anjo de Deus. Pela manhã, foi ao campo trabalhar com seu pai. Ainda não havia contado a seu pai as coisas notáveis que vira durante a noite; mas seu pai notou que parecia fraco e débil, e o aconselhou a ir para casa. Ele começou a fazê-lo, e, no caminho, o anjo lhe apareceu de novo, e lhe ordenou que voltasse a seu pai e lhe contasse tudo. Ele o fez, e seu pai, ao ouvi-lo, desatou em lágrimas, e disse: "Meu filho, não sejas desobediente a esta visão celestial!" O anjo, ao lhe aparecer de dia, disse-lhe não somente que contasse a seu pai, mas também que fosse ao lugar que lhe fora mostrado em visão na noite anterior, e visse as placas. Seu pai lhe disse que, de todo modo, fosse obediente e fiel. Ele foi, segundo a instrução do anjo, e visitou este monte. O monte se estende de norte a sul por cerca de três quartos de milha, e numa das extremidades, ou perto dela, era onde ele viu as placas. A superfície da pedra que as cobria estava exposta; em torno de suas bordas havia uma espessa relva de grama ou turfa. Reconheceu o lugar assim que o viu, e, arranjando uma alavanca, ergueu esta pedra principal ou de cobertura, e verificou que estava cimentada sobre quatro pedras colocadas de canto, formando uma caixa de pedra. Depois de erguer a pedra, viu as placas, tal como as vira em visão na noite anterior. Estas placas repousavam sobre três pequenos pilares de cimento que se erguiam do fundo, e as pedras que formavam os lados da caixa estavam cimentadas nos cantos. ¶
Com as placas havia um instrumento, chamado Urim e Tumim, usado por videntes nos tempos antigos, e que os habilitava a compreender as coisas de Deus. O grande sumo sacerdote usava tal instrumento no meio de Israel no outro continente, e consultava ao Senhor para receber sentença de julgamento em casos difíceis que lhe eram trazidos para serem julgados. Arão tinha um Urim e Tumim no centro de seu peitoral; e, quando os casos lhe eram trazidos, o peitoral do juízo, contendo o Urim e Tumim, era consultado, e qualquer que fosse a sentença que o Senhor desse, Arão a dava ao povo de Israel. Aos profetas que depositaram aquelas placas no monte Cumora foi ordenado pelo Senhor que depositassem com elas o Urim e Tumim, para que, quando chegasse o tempo de serem trazidas à luz, o indivíduo a quem fossem confiadas pudesse traduzi-las pelo dom e poder de Deus. Joseph estendeu as mãos para tomar as placas, mas, ao fazê-lo, o anjo imediatamente lhe apareceu e disse: "Joseph, ainda não chegou o tempo de tomares as placas; tens de ser ensinado e instruído, e tens de dar atenção aos meus mandamentos e aos mandamentos do Senhor até que estejas plenamente preparado para te serem confiadas, pois o Senhor prometeu a seus antigos servos nesta terra que ninguém as teria com o propósito de especulação, e que seriam trazidas à luz com o olhar único voltado para a glória de Deus; e agora, se guardares os mandamentos de Deus em todas as coisas, e te preparares, terás, no devido tempo, permissão de tomar estas placas de seu lugar de depósito." Ele não lhe permitiu tomá-las naquele momento. Quatro anos depois desse dia — na manhã de 22 de setembro de 1827 — tendo sido ordenado pelo Senhor a vir a esse lugar nesse tempo especial, ele foi e foi recebido pelo anjo. Direi, contudo, que, durante estes quatro anos, ele foi frequentemente assistido pelos anjos de Deus, e recebeu instrução sobre a obra que seria realizada nos últimos dias. Mas, quando chegou plenamente o tempo, foi ao monte Cumora, conforme o combinado, e tomou as placas, e o Urim e Tumim com elas, e as levou à casa de seu pai numa carroça, que ele havia trazido perto do monte para esse propósito. Tinha então quase vinte e dois anos — vinte e dois no dezembro seguinte. ¶
Logo depois disto, uma certa porção dos caracteres destas placas foi copiada pelo profeta, e o manuscrito enviado, pelas mãos de Martin Harris, um fazendeiro que vivia naquela vizinhança, à cidade de Nova York, para mostrá-los aos sábios, para ver se poderiam traduzi-los. Entre aqueles a quem foram apresentados estava o Professor Anthon — homem notado por seu saber em línguas — mas ele não conseguiu traduzi-los. ¶
Podeis aqui perguntar: Em que caractere particular estas placas foram escritas? Informam-nos que escreveram em dois caracteres distintos. Algumas de suas placas eram escritas em hebraico, e outras em egípcio; mas tanto o hebraico quanto o egípcio, depois de saírem de Jerusalém, foram por eles reformados. Quero dizer que os alfabetos foram alterados ou modificados. Se não o tivessem feito por desígnio, sabemos que, no curso de mil anos, as línguas mudam grandemente, e às vezes novos caracteres são acrescentados aos alfabetos. Sabemos que nenhum deles, no presente, é exatamente como era antigamente; foram acrescidos de tempos em tempos. O hebraico, no continente oriental, teve os pontos que representam as vogais acrescentados depois de os nefitas terem deixado Jerusalém; e sem dúvida o egípcio, tal como o entendiam ao partirem, foi grandemente modificado desde então. Escreviam, portanto, em egípcio reformado — uma língua que o sábio Professor Anthon não entendia. Pediu, contudo, a Martin Harris que lhe trouxesse as placas, dizendo-lhe que, se o fizesse, talvez pudesse ajudá-lo na tradução. Joseph traduziu os poucos caracteres que foram enviados ao Professor Anthon, e, quando a tradução e o original lhe foram mostrados, e ele os comparou, expressou a opinião de que a tradução estava correta, e deu um documento nesse sentido a Martin Harris. Ao sair o Senhor Harris da sala, o Senhor Anthon lhe perguntou: "Como este jovem obteve as placas?" Disse Martin Harris: "Ele as obteve pelo ministério de um santo anjo." O Professor Anthon imediatamente lhe pediu que devolvesse o documento que lhe dera, e, assim que o Senhor Harris o fez, ele o rasgou em pedaços, dizendo: "Anjos não aparecem em nossos dias." ¶
Não sei se Joseph Smith, na época em que enviou estas palavras aos sábios, sabia algo sobre a profecia contida no capítulo 29 de Isaías, algumas palavras da qual lerei; mas, de qualquer modo, sabendo ou não, foi um cumprimento literal dela. Isaías fala de um tempo em que sono profundo seria derramado sobre as nações da terra, e ficariam embriagadas, mas não de vinho; cambaleariam, mas não de bebida forte; e os profetas e os videntes, etc., seriam cobertos; em outras palavras, não teriam profetas nem videntes. Todos hão de testemunhar comigo que isso era o caso na época em que estas placas foram trazidas à luz. Onde havia um povo que recebesse revelação? Onde estavam seus profetas e videntes? Foram-se, cobertos, "e a visão de tudo se tornou para vós como as palavras de um livro selado, que os homens entregam a alguém que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele diz: Não posso, porque o livro está selado. E o livro é entregue a quem não sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele diz: Não sei ler. Portanto, diz o Senhor: Visto que este povo" — o povo a quem estas palavras seriam entregues — "se aproxima de mim com sua boca, e com seus lábios me honra, mas seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo é ensinado pelo preceito dos homens, portanto, eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa entre este povo, sim, uma obra maravilhosa e um prodígio. Porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá." ¶
Esta profecia se cumpriu na transação que já relatei. As palavras do livro, diz Isaías, hão de ser entregues aos sábios, não o livro em si. Já tenho ouvido pessoas levantarem-se e dizerem: "Por que Joseph Smith não enviou as placas aos sábios?" Porque isso teria sido uma violação desta profecia. As palavras do livro, não o livro em si, é que deveriam ser entregues ao sábio, pedindo-lhe que as lesse — "Lê isto, peço-te." Mas ele diz: "Não posso, porque está selado." Martin Harris lhe disse que uma porção destas placas estava selada e não deveria ser traduzida durante a presente geração; mas a porção que não estava selada deveria ser traduzida. Ele respondeu: "Não posso ler um livro selado," cumprindo assim as palavras de Isaías. ¶
O livro em si, somos informados no versículo seguinte, deve ser entregue a quem não sabe ler. Ora, quanto às qualificações ou aos conhecimentos de Joseph Smith, eram muito comuns. Havia recebido pouca educação nas escolas rurais comuns da vizinhança em que vivia. Sabia ler um pouco, e podia escrever, mas de maneira tão comum que não se atrevia a atuar como seu próprio escriba, mas tinha de empregar ora um, ora outro, para escrever à medida que traduzia. Este homem sem letras não deu a mesma resposta que o homem letrado deu. Pois, quando o livro foi entregue a este jovem sem letras, e lhe foi pedido que o lesse, ele respondeu: "Não sei ler." Suponho que sentiu sua fraqueza quando o Senhor lhe disse que lesse este livro; pois pensou que era grande obra. Mas o Senhor respondeu a Joseph nas próprias palavras desta profecia — "Visto que este povo" — referindo-se à presente geração — "se aproxima de mim com seus lábios, etc., portanto, continuarei a fazer uma obra maravilhosa, sim, uma obra maravilhosa e um prodígio." ¶
Ora, leu o homem sem letras o livro? Alguns poderiam supor, se não lessem mais adiante, que o livro de modo algum foi lido. Leiamos o que é profetizado no versículo 18: "E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro." De fato! Parece então que o livro deve ter sido lido, ou não teriam podido ouvir suas palavras. "E os olhos dos cegos verão desde a obscuridade e desde as trevas." Isto significa aqueles que são espiritualmente surdos, e aqueles que são espiritualmente cegos? Ou significa literalmente aqueles que são cegos e não podem ver, e aqueles que são surdos e não podem ouvir? Pode significar ambos, pois é bem sabido, por milhares e dezenas de milhares agora na terra, que os olhos dos cegos — aqueles que nasceram cegos — foram abertos, e que os ouvidos dos surdos foram abertos pelo poder de Deus, mediante a pregação deste livro, de modo que a profecia teve cumprimento literal, pois os que eram fisicamente e espiritualmente cegos e surdos foram feitos ver e ouvir pelo poder de Deus, e se coligaram das nações. ¶
Agora leiamos um pouco mais desta profecia, e vejamos se corresponde às palavras do nosso texto. Recordai-vos de que se refere particularmente à coligação da casa de Israel, e a quando o Senhor fizesse a terra da Palestina voltar a dar seu fruto, e "faria a verdade brotar da terra," e assim por diante. Corresponde esta profecia de Isaías com a de Davi, quanto aos acontecimentos preditos para transcorrer nos dias em que o livro viesse à luz? Vejamos. "Portanto, assim diz o Senhor, que remiu a Abraão, a respeito da casa de Jacó: Jacó não será agora envergonhado, nem se empalidecerá agora o seu rosto." Por que não hão de ser mais envergonhados? Por que não continuará seu rosto a empalidecer-se? A resposta é: "Mas, quando ele vir seus filhos, a obra das minhas mãos no meio dele, santificarão o Santo de Jacó, e temerão o Deus de Israel." ¶
Não vedes como estes dois profetas harmonizam em suas profecias? Um diz: "Não te voltarás a nós de novo, ó Senhor, e farás voltar o cativeiro do teu povo, Jacó, para que nos regozijemos em ti? Até quando, ó Senhor, durará o ardor da tua ira? Continuará por todas as gerações?" E a resposta é que ele fará a verdade brotar da terra, para que os ponha no caminho de seus passos; e a terra de Israel, ou Jacó, voltará a dar seu fruto. Enquanto o outro diz que Jacó não será envergonhado, nem se empalidecerá seu rosto. Parece, então, que ambos estes profetas anteviram que aquela verdade brotada da terra, ou certo livro, traria a coligação daquele povo há muito dispersado. ¶
Encontramos também outros acontecimentos descritos, de caráter muito notável. Um é que os mansos aumentarão sua alegria no Senhor. Tem havido grande número de pessoas mansas em todas as denominações religiosas, que sem dúvida viveram, com todo o desejo de fidelidade que nós, Santos dos Últimos Dias, temos, e alguns talvez tenham sido mais fiéis do que alguns de nós. "Os mansos também aumentarão sua alegria no Senhor." Quando o farão? No dia em que os surdos ouvirem as palavras do livro. Por que razão? Por causa das instruções, do conselho, da perfeita doutrina e das profecias nele contidas; por causa do conhecimento que dá aos filhos dos homens a respeito da grande obra que há de ser realizada antes da vinda do Filho do Homem. Todo este conhecimento faria com que os mansos da terra tivessem sua alegria aumentada. ¶
"Os pobres entre os homens se regozijarão no Santo de Israel." Este é um item muito importante. Quando vagamos pelas nações da terra, nos dias de hoje, o que contemplamos? Milhões sobre milhões gemendo em pior que escravidão africana. Nossa escravidão americana aqui jamais se comparou à escravidão daqueles milhões nos países antigos. Ali eram muito enfáticos contra aquilo a que chamavam escravidão africana, mas não olhavam para os escravos em casa — os milhões de pessoas obrigadas a trabalhar quatorze ou dezesseis horas por dia por seis pence, com os ossos saltando da pele, por assim dizer, e tendo a aparência de quem a fome havia consumido as entranhas. Esta é a condição de milhões agora. Mas eis aqui um livro, cuja vinda à luz há de fazer os pobres entre os homens se regozijarem no Santo de Israel. ¶
Eu chamaria esta congregação, e os habitantes do Território de Utah, refiro-me àquela porção chamada Santos dos Últimos Dias, e lhes perguntaria: Tendes experimentado o cumprimento desta profecia, na libertação de vós mesmos e de vossos filhos das opressões que sofrestes na terra-mãe? Se uma resposta fosse dada a isto, seria uma unânime afirmativa de dezenas de milhares de que esta profecia se cumpriu ao pé da letra em sua libertação do cativeiro que eles e seus pais antes deles foram compelidos a suportar pela mão cruel do opressor. ¶
Outro acontecimento é mencionado em conexão com a vinda à luz deste livro — "Porque o terrível é reduzido a nada, o escarnecedor é consumido, e todos os que vigiam para a iniquidade são exterminados." Já se cumpriu isto? Não, mas se cumprirá em seu tempo e em sua estação; mas não até que tenham ouvido as palavras do livro, e sido plenamente advertidos pela vinda à luz da verdade da terra. Quando isso lhes tiver soado aos ouvidos, se endurecerem seus corações contra ele, o decreto do Todo-Poderoso é que todos os que vigiam para a iniquidade serão exterminados. Todos os que perseguem os Santos do Deus vivo, todos os que fazem de um homem um ofensor por uma palavra, que armam laço para o que repreende à porta, que desviam o justo por coisa nenhuma, hão de ser consumidos. ¶
Menciona-se outra coisa muito agradável, que podeis testemunhar comigo que se tem cumprido. "Também os que erraram em espírito virão a ter entendimento, e os que murmuravam aprenderão doutrina." Ah, como meu coração se tem entristecido em mim quando vejo a cegueira do mundo cristão, e sabia que muitos deles eram sinceros! Sabia que desejavam conhecer a verdade, mas mal sabiam se voltar-se para a direita ou para a esquerda, tão grandes eram os erros ensinados no meio deles, e tão fortes as tradições que haviam absorvido, sendo-lhes ensinado o temor do Senhor pelos preceitos dos homens, em vez de pela inspiração e pelo poder do Espírito Santo. "Também os que erraram em espírito virão a ter entendimento" quando este livro vier à luz, e "os que murmuram aprenderão doutrina." ¶
Parece, então, que há algo ligado à doutrina no conteúdo deste livro, pois, do contrário, o povo não poderia aprender doutrina dele e ter seus erros desfeitos. Mas aqueles que leram este livro testificarão comigo que suas mentes foram para sempre tranquilizadas quanto à doutrina, no que se refere às ordenanças do reino de Deus. Aqueles que erraram, e não sabiam se o aspergimento, a efusão ou a imersão era o verdadeiro método de batismo, agora sabem? Por quê? Porque o Livro de Mórmon revela o modo tal como foi dado aos antigos nefitas neste continente. Assim também quanto a todo outro princípio da doutrina de Cristo — ela é apresentada com tal clareza que é impossível que duas pessoas formem ideias diferentes a respeito dela, depois de lerem o Livro de Mórmon. ¶
Podeis perguntar: Por que esta clareza? Porque foi traduzido pelo poder e dom de Deus; porque veio de fonte apropriada — daquele que é a própria verdade. Deus o trouxe à luz da terra, e, como diz o Salmista Davi, "ele nos porá no caminho de seus passos." Se murmuramos porque não entendíamos a doutrina, agora temos uma revelação que nos mostrará o verdadeiro evangelho, com todas as suas ordenanças, princípios, dons e bênçãos, e podemos desfrutá-los na medida em que os buscarmos segundo as promessas do Todo-Poderoso. ¶
Sei que às vezes sou prolixo em meus ensinamentos, e posso ser cansativo para alguns, mas suportai-me por mais alguns momentos, pois há outras profecias ligadas à vinda à luz deste livro que me parece deverem ser compreendidas pelo povo. Referir-me-ei a uma agora, que se encontrará no capítulo 37 das profecias de Ezequiel. Ali temos uma declaração do meio que Deus usará para coligar a casa de Israel dos quatro cantos da terra. Não tenho tempo de abri-lo, mas o repetirei. Falando ao profeta, diz o Senhor — "Portanto, filho do homem, toma uma vara, e escreve nela: Para José, a vara de Efraim; então toma outra vara, e escreve nela: Para Judá, e junta estas duas varas na tua mão, e as segura diante dos filhos de Israel em tuas mãos." Ora, aqui havia duas varas. Não duvido de que fossem varas literais nas mãos de Ezequiel. A questão é: o que significavam? Duas varas escritas, uma para José, a vara de Efraim, e a outra para Judá. E, depois de escritas, Ezequiel deveria tomar as duas varas e uni-las numa só, e então erguê-las diante dos filhos de Israel como uma só vara. Então prossegue o Senhor: "E, quando os filhos do teu povo te falarem, dizendo: Não nos ensinarás o que significam estas coisas?" Ora, notai a interpretação — "O que significas com isto, com estas duas varas escritas para José e para Judá?" "Dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei a vara de José, escrita para José, e a porei com a vara de Judá, escrita para Judá, e serão uma só na minha mão." As duas varas nas mãos de Ezequiel eram uma representação daquilo que o Senhor iria fazer, de quando o faria, e de que acontecimentos se seguiriam à união destas duas varas. Ao lermos o versículo seguinte, vemos como isso harmoniza com o que Davi e Isaías disseram sobre o assunto. "E as varas, sobre que escreveres, estarão na tua mão, perante os seus olhos; e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel dentre os gentios para onde foram, e os congregarei de todos os lados, e os trarei para a sua própria terra, sobre os montes de Israel. Nunca mais serão duas nações, nem nunca mais se dividirão em dois reinos. Mas habitarão na terra que dei a Jacó, meu servo, em que habitaram vossos pais; e nela habitarão eles, e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre, diz o Senhor." ¶
Já se cumpriu isto? Não. Quando começará a obra que fará com que isto se cumpra? Quando o Senhor tomar a vara de José, escrita para José, e a puser com o registro judaico, escrito para Judá, e as fizer uma em sua própria mão, e não antes disso. Podeis levantar milhões de dólares, e formar sociedades missionárias para a melhoria da condição dos judeus; podeis formar sociedades cristãs e reunir fundos por maiores que sejam, e ir às nações da terra e tentar converter Israel, mas não podereis fazê-lo. Por quê? Porque Deus Todo-Poderoso decretou que essa obra se realizará depois da união dos dois registros, e não antes. Quando ele trouxer à luz o registro da tribo de José — seu sagrado escrito — e o puser com o registro dos judeus — a Bíblia —, então, e não antes, poderemos esperar a restituição da casa de Israel; e nem mesmo então, até que os tempos dos gentios se cumpram. ¶
Agora deixai-me dizer algumas palavras sobre os tempos dos gentios. Sabeis que Jesus predisse, no capítulo 21 de Lucas, que Jerusalém seria pisada pelos gentios até que os tempos dos gentios se cumprissem, e, desde o dia da dispersão do judeu, setenta anos depois de Cristo, até o ano presente — 1872 —, aquela terra tem sido pisada pelos gentios, e a casa de Israel não tem desfrutado de sua antiga localidade, de sua bela cidade nem de sua terra da promessa, e não podem desfrutá-la — Deus não lho permitirá até que os tempos dos gentios se cumpram. ¶
A questão é: como ele fará com que os tempos dos gentios se cumpram? Respondo: enviando-lhes a vara de José, escrita para José, em conexão com a Bíblia, por meio de seus servos que vão às nações da terra. Proclamarão a todo povo, nação e língua, primeiramente aos gentios, a plenitude do evangelho do Filho de Deus, contida nestes dois registros. O testemunho de duas nações que correm juntas e se tornam uma é mais forte do que o testemunho de uma só nação; e, quando o Senhor fizer com que o antigo continente da América testemunhe as mesmas grandes verdades; quando unir a Bíblia do Hemisfério Ocidental com a Bíblia do Oriente, e a enviar às nações da terra, será uma testemunha, uma evidência e um testemunho suficientes para trazer o que se chama a plenitude dos gentios, ou o cumprimento de seus tempos. ¶
Esta é a razão pela qual, durante quarenta e dois anos, Deus nos restringiu às nações gentias, e não nos permitiu ir com o Livro de Mórmon à casa de Israel até que os tempos dos gentios se cumprissem. Não sei por quanto tempo mais o Senhor suportará as nações gentias; mas sei que, quando se considerarem indignas da vida eterna, quando os servos de Deus os houverem plenamente advertido pregando-lhes a plenitude do evangelho de seu Filho, então sairá do Todo-Poderoso o mandamento a seus servos — "Afastai-vos das nações gentias e ide aos dispersos de Israel. Ide, pescadores, e ide, caçadores, e cumpri o que falei pela boca de meus antigos profetas, para que Jacó não seja mais envergonhado, para que seu rosto não mais se empalideça. Ide e dizei à casa de Israel, nos quatro cantos da terra, que o Deus de Jacó falou de novo. Ide e dizei-lhes que aquilo que ele falou pela boca de seus antigos profetas está se cumprindo." E eles irão, e sua proclamação será a Israel a mesma que aos gentios, com a exceção de coligar os judeus para a antiga Jerusalém, em vez de para a terra de Sião. ¶
Poderia citar muitas outras passagens que têm relação com este assunto, mas basta esta. A obra está diante das nações, e podem examiná-la. Recebeu seu fundamento e seu início, e não há poder debaixo dos céus que possa deter a mão do Todo-Poderoso. Sua obra prosseguirá, seja qual for a conduta dos infiéis. A obra do Todo-Poderoso avança, e progredirá em sua majestade e poder até que se cumpra toda profecia falada pela boca de seus antigos servos. Ela se cumprirá, e o povo será coligado, pois os poderes da terra não podem deter a mão do Todo-Poderoso. Amém. ¶