Pulpit

O Dízimo

George Q. Cannon

1872-09-08

"Além disso, ele ordenou ao povo que habitava em Jerusalém que desse a porção dos sacerdotes e dos levitas, para que fossem animados na lei do Senhor.

"E, logo que a ordem se divulgou, os filhos de Israel trouxeram em abundância as primícias do trigo, do vinho, do azeite, do mel e de todo o produto do campo; e trouxeram abundantemente o dízimo de tudo.

"E, quanto aos filhos de Israel e de Judá que habitavam nas cidades de Judá, também eles trouxeram o dízimo dos bois e das ovelhas, e o dízimo das coisas sagradas que eram consagradas ao Senhor seu Deus, e as puseram em montões.

"No terceiro mês começaram a lançar o fundamento dos montões, e no sétimo mês os acabaram.

"E, vindo Ezequias e os príncipes, e vendo os montões, bendisseram ao Senhor e ao seu povo Israel.

"Então Ezequias perguntou aos sacerdotes e aos levitas acerca dos montões.

"E respondeu-lhe Azarias, o sumo sacerdote, da casa de Zadoque, e disse: Desde que o povo começou a trazer as ofertas para a casa do Senhor, temos comido e nos temos fartado, e ainda sobejou muito; porque o Senhor abençoou o seu povo; e o que sobejou é esta grande abundância."

Li esta porção das Escrituras por ter-se apresentado à minha mente em vista de nossa condição e das circunstâncias que nos cercam como povo. A lei do dízimo é de origem muito antiga. Não está claramente estabelecido nas Escrituras desde quando foi observada pelo povo de Deus, mas temos relato de sua observância já nos dias de Abraão e Melquisedeque. Temos também, anteriormente a isso, um relato dado nas Escrituras acerca das ofertas trazidas por Caim e Abel, um trazendo as primícias da terra, e o outro as primícias de seus rebanhos, como ofertas ao Senhor seu Deus. Desde os dias de Abraão até os dias de Jesus, a lei do dízimo foi observada pelo povo de Deus. Foi feita ordenança perpétua; de fato, o Senhor prometeu a Arão e a seus filhos que seria uma ordenança para sempre. E há este fato notável ligado a esta lei — sempre que foi estritamente observada, as bênçãos de Deus repousaram sobre o povo, e quando foi negligenciada, a ira de Deus se acendeu contra eles; e uma leitura cuidadosa da Bíblia nos revela que a negligência, por parte dos filhos de Israel, em pagar o dízimo foi uma das causas mais fecundas de incredulidade, de trevas de mente, de afastamento dos caminhos de Deus e de queda em práticas idólatras.

Poder-se-ia perguntar por que isso era assim. Tinha o Senhor necessidade dos frutos da terra? Tinha ele necessidade do gado? Tinha ele necessidade dos filhos primogênitos? Tinha ele necessidade de um décimo de seu ouro e prata? Havia alguma necessidade de que essas coisas lhe fossem devotadas por causa de alguma carência de sua parte? Certamente que não. Os frutos da terra são seus, o gado sobre mil colinas é seu, e o ouro e a prata são seus; ele os criou, e pode cobri-los ou descobri-los à sua vontade. O céu dos céus é sua morada, e ele não tem necessidade de templo feito por mãos; contudo, na economia dos céus, no trato de Deus com seus filhos, ele lhes revela leis, ordenanças e instituições que exige que observem, e que, quando observadas, trazem bênçãos, mas cujo desrespeito atrai sobre eles sua ira e indignação. Não há nada mais claro nas Escrituras do que isso.

Deus ordena a seus filhos que creiam nele e que rendam obediência às suas leis; ordena-lhes que invoquem seu Filho Jesus Cristo, ou antes, que o invoquem em nome de seu Filho Jesus Cristo. Ordena-lhes que orem a ele; ordena-lhes que se arrependam de seus pecados e sejam batizados para a remissão deles, que lhes sejam impostas as mãos para o recebimento do Espírito Santo, e que observem as demais ordenanças que ele revelou. Para quê? Acaso a oração a ele o engrandece? Acaso a crença nele contribui de algum modo para sua felicidade? Acaso o arrependimento do pecado, da parte da criatura, acrescenta algo em particular à glória de Deus? Acaso o batismo para a remissão dos pecados tem algum efeito salvador sobre ele? Acaso a imposição de mãos para o recebimento do Espírito Santo tem o efeito de aumentar sua luz, conhecimento, sabedoria ou poder? Todos reconhecemos o fato de que esses mandamentos são dados para o benefício do homem, para aumentar sua felicidade, e para prepará-lo para a salvação e a exaltação no reino de Deus. Assim também com a lei do dízimo: ela não acrescenta, quando obedecida pelo homem, conforto a Deus, não contribui para sua riqueza, não aumenta sua felicidade, nem lhe fornece aquilo de que estaria destituído se não fosse obedecida; mas é dada ao homem, e é-lhe exigido que a obedeça para que possa receber a recompensa, e para que reconheça por este ato — por este pagamento do décimo de seu aumento — que tudo o que obtém é dom, e provém da mão beneficente de Deus, e que ele é dependente de Deus. Por isso, Abraão, ao voltar da conquista dos reis, quando foi recebido por Melquisedeque, pagou-lhe os dízimos de tudo, reconhecendo por este ato a divindade da lei e a necessidade de obediência a ela. Tão rigoroso foi o Senhor a este respeito em seu trato com os filhos de Israel no deserto, que deu mandamento muito estrito a Moisés e Arão, e àqueles que presidiam e oficiavam entre o povo, para que fossem muito cuidadosos em recolher, e que o povo fosse muito cuidadoso em pagar seu dízimo.

Um dos propósitos de aplicar esta lei entre Israel nos tempos antigos era sustentar o serviço da casa de Deus. A tribo de Levi foi separada dentre todas as outras tribos — como herança peculiar do Senhor. Na divisão da terra de Canaã entre as diferentes tribos, a tribo de Levi ficou sem herança. As onze tribos tiveram suas porções de Canaã separadas para elas sob a direção do servo de Deus, mas à tribo de Levi não foi dada herança nenhuma. Foi-lhes dito pelo Senhor que eram sua herança, e que aquilo que deveriam ter como herança seria o dízimo do produto de todo o Israel: o dízimo do trabalho, o dízimo do gado, o dízimo do ouro e da prata, o dízimo dos frutos da terra, e de tudo o que fosse produzido na terra. E tão estrita era esta lei que, quando um animal passava sob a vara, para usar a expressão das Escrituras, e por isso se tornava animal próprio para ser devotado ao serviço de Deus — ainda que fosse animal escolhido, e um que o dono desejasse reter —, a lei determinava que não podia ser retido: era devotado ao Senhor, e por isso era santo. E se o dono dele substituísse outro animal em seu lugar, ambos se tornavam santos ao Senhor, e ambos se tornavam animais de dízimo e tinham de ser dedicados a ele, tão rigoroso era o Senhor em fazer cumprir esta lei do dízimo sobre Israel. Muitas vezes penso na prática que prevalece entre nós a este respeito, quão diferentemente agimos do que fazia o antigo Israel, e como pesaria a alguns de nós se a lei do dízimo fosse aplicada entre nós com o mesmo rigor com que era aplicada entre eles. Não era só esta a lei do dízimo, como a tenho relatado, quanto à substituição; mas, se um homem quisesse resgatar aquilo que havia sido devotado como dízimo, era-lhe atribuído certo valor, e, além deste valor, uma certa soma de dinheiro tinha de ser paga antes que pudesse ser resgatado. Em outras palavras, o dízimo tinha de ser pago em espécie, e, se um homem quisesse resgatar seu dízimo, tinha de pagar não somente o valor monetário dele, mas também uma soma adicional, antes que o resgate se efetuasse.

Podeis facilmente perceber, com um pouco de reflexão, o propósito que o Senhor tinha em ser tão rigoroso com seu povo: era para prevenir violações desta lei, e para fazer cumprir o rigor na sua observância, necessário para assegurar as bênçãos prometidas.

Já disse que um décimo de todo o produto de Israel ia para a tribo de Levi; os levitas também tinham de pagar um décimo daquilo que recebiam, e esse décimo era dado aos sacerdotes, aos que ministravam no sacerdócio no meio do povo, de modo que havia em Israel um ministério permanente — uma tribo escolhida dentre todas as tribos de Israel, cujo ofício era ministrar nas coisas de Deus, tendo sido chamada especialmente por Deus para este serviço.

Sem dúvida vos recordais de que o Senhor também exigiu de seus filhos — o povo de Israel — que separassem o primogênito varão em cada família para si. Tinham sido redimidos no Egito, ou antes, tinham sido salvos do flagelo que caiu sobre todas as famílias do Egito. Quando Deus intercedeu junto a Faraó, por meio de Moisés, para que deixasse ir o povo, a destruição caiu sobre todos os lares do Egito, sendo morto o primogênito de cada um. Mas, entre os filhos de Israel, os primogênitos foram poupados, e o Senhor os reclamou para si; mas era inconveniente que fossem usados no serviço do Senhor, e ele, portanto, depois que Israel saiu do Egito, ordenou que todos os primogênitos fossem contados; e, depois que todos os de certa idade foram contados, ordenou que a tribo de Levi fosse contada, e, ao contá-los, verificou-se que os primogênitos de Israel excediam os levitas em duzentos e setenta e três, se bem me recordo. O Senhor já havia declarado que era sua intenção tomar a tribo de Levi em lugar dos primogênitos de Israel, e, quando se verificou que os primogênitos excediam os levitas em duzentos e setenta e três, ordenou que fossem resgatados, e que o dinheiro do resgate fosse entregue à tribo de Levi.

Eram essas leis e ordenanças muito singulares, mas Deus tinha um propósito em vista ao aplicá-las. Tudo o que ele faz é ditado pela sabedoria infinita, e, quando o povo cumpria estritamente estas leis e ordenanças que mencionei, o Senhor os abençoava em todas as coisas, de tal modo que se tornou um provérbio no meio de Israel — "Honra ao Senhor com a tua fazenda, e com as primícias de toda a tua renda: E se encherão os teus celeiros, e transbordarão de mosto os teus lagares." Quando o povo honrava o Senhor com sua fazenda, suas bênçãos repousavam sobre eles, e eram prosperados. A lagarta, a ferrugem, o gafanhoto e outros males que afligiam a terra em certas circunstâncias eram deles removidos. As suas árvores não deixavam cair o fruto antes do tempo, e produziam em abundância, e Israel prosperava e engordava na terra. Espalhavam-se à direita e à esquerda, e a terra fervilhava de fertilidade. Houve tempos em que Israel negligenciou esta lei, em que caiu na idolatria, tornou-se descuidado e indiferente quanto às exigências do Senhor; quando a tribo de Levi abandonou o serviço de Deus e se tornou idólatra; quando os sacerdotes deixaram o serviço de Jeová, e os templos se profanaram e se encheram de escombros. Foi durante um desses períodos que Ezequias subiu ao trono de seu pai Acaz, que tinha deixado cair em desuso as ordenanças de Deus. Ele pusera de lado o serviço de Deus e instituíra em seu lugar o serviço idólatra. O dízimo havia sido negligenciado, e, quando Ezequias subiu ao trono, tendo seu coração disposto a fazer o que era reto, começou a purificar o templo e a restaurar as ordenanças da casa de Deus, e chamou de volta ao ofício os ministros que haviam sido separados para este serviço, e o povo trouxe seu gado, vinho, azeite, mel, e, de fato, o dízimo de toda a sua fazenda, bem como ofertas de livre vontade ao Senhor; e, quando o rei o contemplou, somos informados, nas palavras que li, que bendisse ao Senhor e ao seu povo Israel, e, ao indagar do sumo sacerdote, foi-lhe dito que "desde que o povo começou a trazer as ofertas para a casa do Senhor, temos comido e nos temos fartado, e ainda sobejou muito, porque o Senhor abençoou o seu povo." O Senhor os abençoou porque tinham cumprido suas exigências, e foram prosperados. A terra prosperava sob seu cultivo, e rendia sua força em abundância.

Nesta conexão, gostaria de ler-vos, meus irmãos e irmãs, as palavras de Malaquias. Sem dúvida estais familiarizados com elas, mas são palavras que podem ser lidas e meditadas vezes sem conta, sem qualquer perda de interesse no assunto. Diz Malaquias —

"Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes. Tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos. Mas vós dizeis: Em que havemos de nos tornar?

"Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais. E dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.

"Com maldição sois amaldiçoados; porque a mim me roubais, sim, toda esta nação.

"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal que não haja lugar suficiente para a recolher.

"E, por vossa causa, repreenderei o devorador, e ele não vos destruirá o fruto da terra; nem a vinha vos será estéril no campo, diz o Senhor dos Exércitos.

"E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos."

Vemos aqui retratadas, na linguagem mais gráfica e impressionante, as bênçãos que Deus prometeu a seu povo Israel quando observassem esta lei, que lhes deu no princípio; e podemos também compreender, pelas declarações de Malaquias, as maldições que cairiam sobre Israel se não observassem esta lei. "Com maldição sois amaldiçoados," diz ele, "porque a mim me roubais, sim, todo este povo." Estranha linguagem para Deus usar com seu povo, poder-se-ia pensar, que fossem acusados de roubo, que ele os considerasse ladrões, apropriando-se do que não era seu, por não lhe darem o que ele lhes havia ordenado. Haviam recusado seus dízimos, haviam retido suas ofertas, e por isso foram amaldiçoados. "Mas," diz ele, "trazei os vossos dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal que não haja lugar suficiente para a recolher," etc. Que grandes promessas aqui se transmitem ao povo de Deus!

Chamei vossa atenção para esta lei, meus irmãos e irmãs, para vos mostrar o que ela era nos dias de Israel, quando Deus comunicava sua mente e vontade a seu povo. Desejo gravar em vós este fato, que todos podeis compreender e reconhecer por vós mesmos, se lerdes, que, quando Israel servia a Deus, e era estrito na observância desta lei, ele o abençoava e prosperava, e seu favor se manifestava sobre eles; mas, quando negligenciavam esta lei, sua ira e indignação se acendiam contra eles, e uma das causas mais fecundas de desastre para Israel foi sua negligência neste particular. Havia duas coisas ligadas aos desastres de Israel: uma era negligenciar a observância das leis de Deus, entre as quais se destacava a lei do dízimo; e a outra era seus casamentos com as nações pagãs — aquelas que eram idólatras. Isso provocou a destruição do mais sábio rei que jamais reinou em Israel. Provocou a destruição da própria nação, pois trouxe sobre ela desastre e ruína.

Há algo relacionado à lei do dízimo que, quando os homens não têm fé em Deus, apela ao seu egoísmo; e, para que um povo se dedique de coração à sua observância, precisa de fé em Deus. Quando Israel começou a declinar na fé em Deus, seu egoísmo aumentou, e sua determinação se tornou cada vez mais forte para agarrar tudo o que estava a seu alcance e reter tudo aquilo de que se apossava; e, à medida que esse sentimento crescia, o dízimo e as ofertas de livre vontade eram retidos da casa de Deus, e, em consequência disso, a bênção de Deus também era retida. Há uma passagem no livro de Amós sobre este assunto, que mostra o Senhor a suplicar com Israel, para trazê-los de volta à consideração desta lei, bem como de outras que lhes havia dado. Diz o Senhor por meio do profeta Amós —

"E também eu vos retive a chuva, quando ainda faltavam três meses para a sega; e fiz que chovesse sobre uma cidade, e sobre outra cidade não fiz chover; sobre um campo choveu, e sobre outro campo, que não choveu, se secou.

"Assim andaram errantes duas ou três cidades a outra cidade, a beber água, mas não se saciaram; contudo não vos convertestes a mim, diz o Senhor.

"Feri-vos com queimadura e ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, a locusta as comeu; e contudo não vos convertestes a mim, diz o Senhor."

Estas são as calamidades que Deus enviou sobre Israel com a intenção de os fazer voltar a ele; mas, apesar de terem sido derramadas, e de a peste ter visitado a terra, o povo endureceu o coração contra ele, quebrou as suas leis e violou as suas ordenanças, e a sua ira se acendeu contra eles, e foram expulsos da face da terra.

Esta lei do dízimo foi revelada aos Santos dos Últimos Dias. Se bem me recordo, a última revelação no Livro de Doutrina e Convênios, dada como revelação, é aquela em que a este povo é ordenado observar esta lei do dízimo para sempre. Com a restauração do evangelho em sua plenitude e pureza, foi também restaurada esta lei, e sou grato a Deus por sua revelação. Sou grato pela restauração de todo princípio de verdade, de toda lei que pertence à salvação, pois todas são para o benefício da família humana; e, enquanto os Santos dos Últimos Dias observaram esta lei, foram abençoados; e sabemos, por nossa própria experiência com os gafanhotos — o grande exército do Senhor —, quão facilmente ele poderia cobrar suas dívidas do antigo Israel, se estes o roubassem negligenciando ou recusando pagar seus dízimos.

Quando os homens vieram a esta terra deserta, e viram as mudanças que se operaram em tão breve espaço de tempo, indagaram qual seria a razão disso. A promessa de Deus tem sido dada a este povo, como foi dada ao antigo Israel neste ponto, e, quando os Santos dos Últimos Dias observaram a lei do dízimo, foram favorecidos por Deus, e seu Espírito repousou sobre eles, e não somente sobre eles, mas também sobre a terra, e onde antes era tão árida, infrutífera e inóspita que parecia impossível que algum ser humano pudesse viver cultivando-a, foi convertida em campo fértil. Dizem os homens: "Que resultados maravilhosos a água produziu!" "Que grande sistema é este que praticais, a irrigação!" É verdade, é um sistema maravilhoso, produz resultados maravilhosos; mas, ao meu modo de pensar, ou segundo minhas opiniões, esses resultados se devem à bênção de Deus sobre os trabalhos dos Santos dos Últimos Dias, porque o honraram observando a lei do dízimo. Temos considerado esta terra como sendo do Senhor, e temos nos visto como seus arrendatários. Ele não poderia vir aqui em pessoa e receber de nós as primícias do solo, ou tomar nosso gado, nosso ouro e prata, ou qualquer de nossas manufaturas. Por isso, deve haver alguém que faça isso por ele. Nos tempos antigos, os filhos de Levi agiam nesta capacidade: recebiam os dízimos e as ofertas; mas, nestes últimos dias, não havendo, que saibamos, descendentes de Arão na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que possam agir nesta capacidade, temos estado sob a necessidade de escolher outros homens para deter a autoridade que sua semente deteria se estivesse aqui em nosso meio, e eles têm sido separados com o propósito de cuidar das coisas temporais, e de tomar ou recolher o dízimo, e ver que seja devidamente administrado e aplicado aos fins para os quais se destina.

Sei quão rapidamente os homens, ao olharem para o "mormonismo," chegam à conclusão de que é um sistema pelo qual certa classe se beneficia e se engrandece. Já ouvi homens dizerem que os élderes "mórmons" tinham um bom negócio; que Brigham Young, como Presidente da Igreja, tinha um arranjo muito bom, e que aqueles que eram líderes na Igreja tinham todo motivo para desejar manter sua posição, imaginando, é claro — embora eu não saiba por que tal imaginação deveria ser sugerida, a não ser porque nos julgavam como julgavam uns aos outros — que todos os meios que o povo devota ao pagamento do dízimo são apropriados pelo Presidente Young e por aqueles que estão associados a ele na condução dos negócios da Igreja.

Ora, eu não suportaria, como especulação, por um único mês, aquilo pelo que o Presidente Young tem de passar — o cuidado, a responsabilidade, a obloquiação, e o peso que repousa continuamente sobre ele, só pelo dízimo, ainda que pudesse ficar com ele todo. Ele não o faria; nenhum outro homem ligado a este povo o faria. Por que suportam eles aquilo pelo que passam? Porque, pelas revelações de Deus, sabem que Deus estabeleceu novamente sua Igreja em sua plenitude sobre a terra, porque sabem que anjos vieram do céu à terra, porque sabem que o santo sacerdócio foi novamente conferido ao homem, com autoridade para administrar as ordenanças da casa de Deus, como nos dias antigos; e porque esta obra é estabelecida pelo mandamento de Deus, e eles são chamados por seu mandamento a nela trabalhar. Mas há uma vantagem que esta geração incrédula tem sobre as que nos precederam, e penso, em vista do egoísmo que hoje prevalece no meio da humanidade, que é uma sábia providência. Se houvesse, nesta geração, uma tribo separada para receber o dízimo, não sei se o povo, quase universalmente, não se teria rebelado contra isso. Se houvesse uma classe privilegiada para receber o dízimo, a incredulidade e o egoísmo do homem os teriam levado a encontrar grande defeito nisso. Mas há esta peculiaridade na obra destes dias — não somente o povo paga seu dízimo, mas os ministros de vida e salvação pagam o seu — se não o pagam, deveriam, e creio que o pagam — tão pontualmente quanto o mais humilde membro da Igreja, desde o Presidente Young para baixo — seus Conselheiros, o Quórum dos Doze, os Bispos da Igreja, todo homem fiel paga seu dízimo, tanto os mais elevados na Igreja quanto aquele cujo nome é pouco conhecido além do estreito círculo em que se move; e, em vez de o dízimo servir para sustentar uma classe, como nos dias antigos sustentava a tribo de Levi, ou os sacerdotes, ele serve para edificar a obra de Deus — para erigir templos e de vários outros modos. Milhares e milhares de dólares foram gastos sustentando os pobres, e não há nenhuma classe de homens sustentada na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias pelo dízimo. Há esta diferença entre os ministros nesta Igreja e os ministros em outras igrejas; os ministros nesta Igreja têm de trabalhar para seu próprio sustento; mas, nas outras igrejas, são sustentados inteiramente pelo povo. Por essa razão — em Massachusetts, se bem me recordo — os ministros não podem ser eleitos para a legislatura; são considerados homens inadequados para os deveres práticos da vida. Homens que se dedicam exclusivamente ao serviço de suas igrejas entram em seus gabinetes de estudo, leem e preparam seus sermões, e, no dia de sábado, entregam a suas congregações seus discursos escritos e preparados, e são os homens menos práticos ligados às suas igrejas. O ministério da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está em contraste direto e marcante com isto. Os líderes desta Igreja são os homens mais práticos que há nela. O Presidente desta Igreja é o homem mais prático ligado ao corpo. Seus Conselheiros, os Doze Apóstolos e os Élderes e Bispos líderes distinguem-se todos por serem homens práticos — homens perfeitamente capazes de fazer tudo o que se relaciona com a vida nestas montanhas — homens capazes de se sustentar a si mesmos e de ajudar a sustentar os outros. Nossa teoria é que um homem que não pode sustentar a si mesmo, e também ensinar aos outros como se sustentarem, é inapto para uma posição de liderança, e se torna um zangão na grande colmeia. Por essa razão, obrigamos, ou exigimos, que todo ministro nesta Igreja se sustente a si mesmo. Disse Jesus que aquele que for maior entre vós, que seja o servo de todos, e temos posto isso em prática — o servo de todo o povo é o Presidente da Igreja. O homem que é o maior servo num povoado é o Presidente do povoado, ou o Bispo de uma ala. Ele vive para o povo, seu tempo é devotado ao seu serviço, cuidando de seus interesses, isto é, se ele age corretamente e magnifica seu chamado. Há algum homem desamparado numa ala? Ele se torna o objeto da solicitude e do cuidado do Bispo. Há alguma família na indigência? Então são os pupilos do Bispo, e ele cuida deles, e os visita, ou vela para que seus professores o façam, e para que suas necessidades sejam supridas. Por este meio, o ministério na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é um ministério ativo, levando as bênçãos da salvação espiritual e temporal ao meio do povo.

Foi pelos trabalhos de tais homens que esta comunidade foi fundada, e este deserto outrora árido foi transformado em campo fértil e feito florescer como a rosa. Pelos trabalhos dos Apóstolos, Élderes e Bispos desta Igreja, povoados foram estendidos até os limites mais remotos do Território, ao norte, ao sul, ao leste e ao oeste. Eles foram os pioneiros em todos os grandes trabalhos, não dizendo ao povo: "Dai-nos de vossa riqueza e substância, queremos ser sustentados na ociosidade, para que possamos reinar sobre vós;" mas, pelo contrário, disseram: "Vinde, irmãos, vamos realizar este trabalho que Deus nos impôs." Foram os pioneiros em todos esses trabalhos — estes Apóstolos, Presidentes, Bispos, Dignitários, estes homens que supostamente engordam com o trabalho do povo. Em vez disso, foram os criadores da riqueza que o povo agora desfruta; foram os pais do povo, o povo foi objeto de seu cuidado paternal desde o princípio até hoje. Eu não daria um figo por um homem líder que não agisse desta maneira; ele nada vale, e não merece lugar no meio do povo de Deus. Os homens que hão de salvar seus semelhantes e ser ministros de Jesus Cristo precisam ter o espírito de Jesus. Seu espírito era um espírito de autossacrifício, um que o levava a ir e salvar o povo, não a ser um fardo sobre ele, não a esmagá-lo. Isso é artimanha sacerdotal; e onde quer que este sistema prevaleça, prevalece um sistema de desprezíveis artimanhas sacerdotais, e Deus está irado com ele e com os que o praticam.

Já disse que agradeço a Deus pela revelação deste princípio. E agradeço, por esta razão — ele apela diretamente ao egoísmo do homem. Faz com que os homens sacrifiquem seus sentimentos egoístas, e os leva a mostrar fé em Deus. Se um homem não tem fé em Deus, é pouco provável que pague o dízimo, ou faça muitas ofertas. Para usar uma expressão comum, ele cuida apenas do "número um," e o interesse próprio o governa. Tal homem é membro indigno da Igreja de Cristo. Mas, quando todo homem paga seu dízimo, e testifica a Deus que esta lei é honrosa a seus olhos, qual é o resultado? Alguém é empobrecido por isso? Não. Somos nós, Santos dos Últimos Dias, mais pobres por causa do dízimo que pagamos? Nem um centavo sequer. Quando este dízimo é devidamente aplicado, é gasto em obras que acrescentam à riqueza de toda a comunidade. Contribui para a construção de edifícios públicos; adorna esses edifícios, e cria um fundo que é exclusivamente devotado à obra de Deus, e que ajuda a edificar e a tornar a comunidade próspera e respeitável na terra. É um poderoso motor, ou o seria, se propriamente manejado, para estabelecer a retidão e a verdade na terra, pois deixai-me dizer, irmãos e irmãs, que uma guerra se travou na terra, e tem sido travada por uma longa série de anos, falando conforme a duração da vida de um homem; e essa guerra ou contenda é por esta terra, e é entre Deus e Satanás.

Os homens se admiram por que a comunidade "mórmon," com suas boas qualidades, seu amor pela temperança e pela boa ordem, e cujos membros se conduzem com tanto decoro, é tão odiada. Tem sido frequentemente observado a nossos élderes — "Você é um homem bem bom, eu não pensaria que fosse 'mórmon,' eu pensaria que fosse um homem de inteligência demais para ser Santo dos Últimos Dias," como se, para ser membro desta Igreja, um homem precisasse ser um ignorante, estúpido, tolo ou néscio na estimação daqueles que não são de nossa fé. Deus não escolheu esse tipo de povo, ele escolheu um povo inteligente, e lhe dará ainda maior inteligência. Mas a razão por que somos odiados é esta — e é a mesma razão pela qual Jesus e seus Apóstolos foram odiados — temos a verdade, porque recebemos as revelações de Deus, e porque, com sinceridade de propósito, estamos empenhados em edificar o reino de Deus. Que qualquer outro povo faça o que fizemos, e seria louvado até os céus. Que qualquer outro homem faça o que nosso líder fez, e sua fama, como benfeitor de sua raça, seria mundial. Mas nossos trabalhos são apenas mais uma razão para nos odiarem e para guerrearem contra nós. É, como disse, porque há uma guerra no mundo, e ela não terminará até que Deus seja vitorioso e a terra seja redimida do pecado.

Voltarei agora ao contraste que há entre nossa terra deserta e as terras de onde viemos. Nosso povo se organizou no Estado de Nova York — um Estado muito fértil. De Nova York, mudaram-se para Ohio, outro Estado muito fértil. De Ohio, mudaram-se para o Missouri, o jardim, poder-se-ia dizer, dos Estados Unidos; e do Missouri para Illinois — todos Estados ricos e produtivos. Qual foi o resultado de nossas mudanças? Viemos para uma terra que era um deserto árido e pouco convidativo, e quais são os comentários dos visitantes que agora vêm aqui das terras onde antes vivíamos? Admiram-se de como nossas árvores frutíferas são tão saudáveis, e de como nossa terra é tão convidativa. Creio sinceramente que, se o povo dos Estados Unidos observasse esta lei do dízimo, devotando um décimo de sua fazenda ao serviço do Altíssimo, em vez de aquela terra ser em muitos aspectos tão superior, a fertilidade que antes ali prevalecia seria restaurada. E, quando chegar o dia, como chegará, em que voltaremos — e esperamos voltar ao Condado de Jackson, Missouri, e lançar o fundamento de um templo, e edificar uma grande cidade que se chamará a estaca central de Sião, tão certamente quanto esperamos ver o sol nascer amanhã; digo, quando chegar esse dia, se verá que aquela terra terá sua antiga fertilidade restaurada, e que todas as terras que o povo de Deus ocupar serão saudáveis e frutíferas; e a terra de qualquer povo que honrar a Deus obedecendo a esta lei do dízimo se tornará frutífera para ele, Deus abençoará sua indústria, e eles se regozijarão e prosperarão nela.

Há muitas coisas relacionadas a este assunto que se poderiam abordar. Uma coisa mencionarei antes de me sentar, e é a tendência crescente, entre este povo, de cuidar de seus próprios interesses e de negligenciar os interesses da obra de Deus. Esta observação nos tem sido feita com frequência: "Quando vós, Santos dos Últimos Dias, aumentardes em riqueza, estiverdes cercados pelas modas do mundo, e as ondas da civilização baterem contra vossos muros de barbárie, todas as vossas peculiaridades recuarão e se dissolverão, e vos tornareis como o resto do povo. Vosso sistema plural desaparecerá, pois nenhum homem pode sustentar meia dúzia de esposas se elas forem mulheres da moda, e nada mais do que uma." Já ouvi isso repetidas vezes; e é verdade que os jovens no leste não se casam por causa da despesa, não querem tomar esposa porque não podem sustentá-la conforme as exigências da sociedade moderna. Ora, há bastante verdade nesta afirmação. Se eu pensasse que nos tornaríamos sujeitos às loucuras que hoje prevalecem, temeria pela obra de Deus e por sua perpetuidade na terra. Se eu pensasse que este povo cobiçaria a riqueza, e que permitiria que seus sentimentos e seus corações se fixassem na acumulação de dinheiro, e que pensariam mais nisso do que em Deus e em sua obra, temeria por sua perpetuidade. Mas Deus disse que esta obra permanecerá para sempre, e que não será entregue às mãos de outro povo, e por isso não tenho medo algum quanto ao resultado. Mas há indivíduos nesta comunidade que se renderam a estes sentimentos quanto ao dízimo. Quando os homens são pobres, nota-se que são pontuais em pagá-lo, mas, quando aumentam em riqueza, o são menos. Por exemplo, quando um homem tem dez mil dólares, parece-lhe um grande montante dar mil como dízimo. Se o dízimo de um homem não montasse a mais do que cinco, dez, vinte, ou mesmo cem dólares, diz ele: "Isso eu posso dar, mas mil é um grande valor," e, quando é chamado a dar mil — não, não direi "chamado," a dificuldade é que não somos chamados o suficiente, tem havido negligência em nos chamar — mas, quando chega a este ponto, mil dólares parecem uma soma muito grande, e a pessoa a quem cabe pagá-lo tende a hesitar e a sentir relutância, e talvez diga: "Posso investir estes mil dólares de tal e tal maneira, e produzirão tanto de juros, e então pagarei;" e permite-se contentar-se com este proceder.

Há este fato notável ligado ao dízimo em nosso meio. Estais todos familiarizados com a apostasia de alguns de nossos principais comerciantes — homens que negociavam mercadorias e que, por anos, com seus preços exorbitantes, literalmente depenaram o povo de seus recursos. Isso foi antes da construção das ferrovias. Pois bem, foi predito anos antes que, mais cedo ou mais tarde, negariam a fé e deixariam a Igreja. Compreendia-se facilmente que nenhum homem poderia permanecer na Igreja, se fosse uma Igreja pura, e praticar um sistema de extorsão sobre seus irmãos, e a predição foi feita, e, por mais estranho que pareça — embora não seja estranho para os que entendem o funcionamento dessas coisas — cumpriu-se ao pé da letra, e aqueles homens negaram a fé, e agora são opositores daquela obra que outrora testificaram saber ser verdadeira; e um exame dos registros de dízimo mostraria este fato notável — que alguns deles não pagavam seu dízimo como deveriam. Aqueles que mais prosperaram foram os que pagaram seu dízimo honestamente. E tenho observado, como indivíduo, que, quando os homens fecham seus corações a este respeito, e negligenciam seu dízimo, e suas ofertas nos dias de jejum em favor dos pobres, perdem sua fé. Esta é uma evidência da perda de fé e confiança na obra.

Direi como me sinto agora: se eu fosse tentado nesta direção, diria: "Senhor Diabo, não tenho parte nem sorte contigo. Pagarei meu dízimo, e, se dizes algo, o dobrarei." Sei que há uma bênção ligada a isto. Sei que Deus prospera aqueles que são rigorosos e pontuais em atender a isto. Sei que ele abençoa aqueles que alimentam os pobres, vestem os nus e atendem às necessidades de seus irmãos e irmãs indigentes. Eu deploraria o aumento da riqueza em nosso meio se ele criasse distinções de classe, se criasse o sentimento de que "sou melhor que tu, porque uso um casaco mais fino, moro numa casa melhor, ando numa carruagem mais fina e tenho cavalos mais finos, ou porque meus filhos têm melhor escola e são melhor vestidos que os teus." Eu deploraria o aumento da riqueza entre nós se tais resultados fossem testemunhados. Eu esperaria que a ira de Deus se acendesse contra nós, e que fôssemos açoitados como povo até que nos arrependêssemos em profunda humildade diante dele.

Deus nos concedeu a terra e os elementos nela e ao seu redor, e nos deu isso para nosso bem. Não há pecado em tirar a lã do dorso da ovelha e fiá-la e manufaturá-la em fino tecido de lã. Não há pecado em plantar amoreiras e alimentar bichos-da-seda e fazer finos vestidos e fitas com a seda que produzem. Não há pecado em fiar o linho e dele fazer fino linho. Não há pecado em tomar os corantes que a natureza oferece e tingir com eles essas sedas e outros tecidos da maneira mais bela. Não há pecado em cavar ouro e ornamentar nosso serviço com ele, e em cobrir nossas mesas na casa do Senhor com ele. Não há pecado em tomar prata e fazer móveis para a casa do Senhor. Não há pecado em fazer belas carruagens, e em pintá-las e equipá-las da maneira mais requintada. Não há pecado em ter uma nobre raça de cavalos, ou uma fina raça de gado. Não há pecado em construir casas e decorá-las, tendo bons móveis, tapetes, espelhos, banheiras, aparelhos de aquecimento e toda comodidade e conveniência da civilização moderna nelas. Não há pecado em nada disso, ou em qualquer bênção que Deus nos deu, mas há pecado em abusar dessas coisas. Há pecado em nos ensoberbecer porque Deus no-las concedeu. Há pecado em pensar: "Sou melhor que outro homem que, como eu, foi criado do pó da terra; que, como eu, é filho de Deus; que, como eu, veio de Deus, e que, como espero fazer, irá a Deus." Irmãos e irmãs, não há pecado no que mencionei. Podemos ter belas casas, belos jardins ou pomares, gloriosos templos, uma bela terra, e podemos fazer de nossos lares lugares celestiais, próprios para que anjos os visitem, e não há nada de errado em tudo isso, tampouco em adornar os corpos que Deus nos deu, se nossos corações forem humildes diante dele, e o glorificarmos em nossas vidas. Mas esta é a grande dificuldade, e tem sido assim desde o princípio. Quando a riqueza se multiplica, o povo se ensoberbece na altivez de seu coração, e olha de cima para seus irmãos pobres e os despreza, porque são mais educados, têm melhores maneiras, e falam melhor linguagem — em uma palavra, porque têm vantagens que seus irmãos e irmãs pobres não têm. Há pecado nisso, e Deus se ira contra um povo que segue este rumo. Ele quer que sejamos iguais nas coisas terrenas, como o somos nas celestiais. Não quer pobres entre seu povo; não quer que o clamor do oprimido se levante do meio dos Santos dos Últimos Dias, e Deus não permita que isso jamais aconteça! Deus não permita que o clamor de alguém jamais se levante do meio dos Santos dos Últimos Dias por causa de opressão ou por falta de qualquer bênção necessária ao conforto! Deus quer que alimentemos os famintos, vistamos os nus, e repartamos nossa fazenda para seu sustento. Mas ele não quer que os pobres invejem os ricos. Isso é tão grande pecado da parte deles quanto é da parte dos ricos oprimi-los. Não devem invejar os ricos; não devem olhar para seus irmãos e irmãs e invejá-los pelo que têm. Isso é pecaminoso, isso é errado, e o homem ou a mulher que nisso se compraz, se compraz num espírito errado. Deus quer que nos edifiquemos uns aos outros em retidão. Ele quer que nos amemos uns aos outros e busquemos o benefício uns dos outros. Este é o espírito do evangelho de Jesus Cristo. Ele no-lo revelou, e devemos cultivá-lo.

Considero esta lei do dízimo uma lei equitativa: ela recai igualmente sobre ricos e pobres. A pessoa pobre que paga seus dez dólares de dízimo dá tanto, em proporção, quanto o homem mais rico da comunidade. O rico não dá mais do que um décimo, e o mais pobre não dá menos. Somos todos iguais, então, a este respeito, quando observamos esta lei do dízimo; e ela deve ser estritamente observada por nós, se quisermos que as bênçãos de Deus repousem sobre nós.

Tenho pensado, não sei ao certo se com razão, que ultimamente tem havido, entre os Santos dos Últimos Dias, uma disposição a serem sovinas a este respeito. Tem-me parecido que, com o aumento das bênçãos de Deus ao nosso redor, tem-se manifestado uma disposição a sermos mesquinhos, a retermos nossa fazenda, e a amarrarmos as mãos daqueles que têm a grande obra a realizar. Queremos construir este templo, e outros templos em outras partes de nossa terra. Queremos encher a terra de templos — casas que serão dedicadas ao Deus Altíssimo. No momento presente, pessoas em St. George e outros povoados naquela região — de 350 a 400 milhas desta cidade — que desejam se casar segundo a ordem e as ordenanças em que cremos e vemos como necessárias, têm de fazer esta longa viagem em um sentido, e o mesmo no outro, perfazendo 700 ou 800 milhas de viagem, para terem solenizadas as ordenanças da casa de Deus como cremos que devem ser. Que trabalho é este! Isso tem de ser resolvido.

Estamos construindo um templo em Salt Lake City; mas este é apenas um. Sem dúvida haverá um templo construído em St. George, e provavelmente outros ao norte, ao leste, ao oeste, e por toda a terra. Pensais que todo o dízimo será gasto em Salt Lake City? Pensais que os povoados remotos hão de contribuir toda a sua força e seu aumento apenas para edificar esta cidade? Não, isso não seria correto: isso encheria o coração e deixaria as extremidades sofrerem. As extremidades precisam ser sustentadas. O dízimo deve ser devotado à construção de templos e locais de adoração, para que os Santos dos Últimos Dias em cada região do Território possam ir e cumprir as ordenanças pelos vivos e pelos mortos. Temos uma grande obra a fazer a este respeito. Deus revelou esta lei, e, como disse, é uma lei que age igualmente sobre todos. Não é opressiva para nenhuma classe, mas é distribuída igualmente por todas as classes. Observemo-la, e a todas as leis de Deus, para que possamos nos tornar um povo abençoado; para que possamos aumentar em riqueza, e usar essa riqueza para a glória de Deus; para que não haja nem pauperismo, nem necessidade, nem ignorância em toda a nossa terra, e para que as gratas orações de um povo abençoado e feliz se levantem de cada moradia em todos estes vales ao Senhor dos Exércitos, louvando seu santo nome pelas numerosas bênçãos que ele nos concedeu, pela paz, boa ordem, união e toda outra bênção que dele recebemos.

Que isto se cumpra é minha oração em nome de Jesus, amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “O Dízimo”, (1872-09-08). Pulpit Vault, 1872-09-cannon-tithing. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).