O Reino dos Últimos Dias — O Cumprimento Presente da Profecia Antiga
Orson Pratt
Quando olho para esta vasta congregação, reunida no corpo desta casa assim como na galeria, parece impossível fazer com que todos ouçam; e para dar a todos a oportunidade de fazê-lo será necessário que se preste a mais estreita atenção e que cesse o arrastar de pés e os cochichos. Suponho que devem estar aqui reunidas cerca de doze mil pessoas, e há muito poucas vozes ou pulmões capazes de alcançar tal multidão, e edificá-la e instruí-la. Sei, por experiência anterior falando deste púlpito, que é preciso um grande esforço dos pulmões e do corpo para falar de modo a ser compreendido, e esse grande esforço do sistema físico tende, em muito pouco tempo, a cansar também a mente; portanto, talvez não consiga dirigir-me a vocês por muito tempo. ¶
Já se passaram quarenta e dois anos desde a organização da Igreja de Jesus Cristo sobre a terra. Quarenta e dois anos atrás, no dia 6 de abril, o Profeta Joseph Smith foi ordenado pelo Senhor Todo-Poderoso a organizar o Reino de Deus sobre a terra pela última vez — a estabelecê-lo e dar-lhe início — a formar o núcleo de um Governo que jamais seria destruído da terra, ou, em outras palavras, que permaneceria para sempre. A fundação de governos, de qualquer natureza que sejam, pode ser considerada, na estimativa de alguns, muito honrosa; mas não há honra especial ligada a um homem que é chamado pelo Todo-Poderoso a fundar um Governo sobre a terra, pois é o Senhor quem age por meio dele como instrumento, usando-o para esse propósito. Isso, claro, é honroso. Talvez nunca tenha sido realizada, entre os homens, obra de natureza tão grande e importante quanto a fundação de um reino que jamais será destruído. Cerca de seis mil anos se passaram desde que o Governo estabelecido pelos Patriarcas, ou pelo primeiro homem, começou aqui sobre a terra. Daquele tempo até o presente, vastos números e descrições de Governos, alguns de natureza patriarcal, outros tomando a forma de reinos, outros de impérios e assim por diante, foram organizados aqui sobre a terra. Durante esse longo intervalo de tempo, sempre que um homem fundou um Governo, ele foi grandemente honrado, não apenas pela geração entre a qual viveu e na qual formou o Governo, mas foi geralmente honrado pelas gerações posteriores. Mas quase todos os Governos que foram estabelecidos foram derrubados — foram apenas temporários em sua natureza — existindo talvez por alguns séculos, e então derrubados. Não é minha intenção, nesta tarde, examinar a natureza e as formas desses vários Governos humanos, mas afirmar em poucas palavras que agora está organizado sobre a terra um Governo que jamais será quebrado como os Governos anteriores o foram. Este permanecerá para sempre. Começou muito pequeno — apenas seis membros foram organizados neste Governo na terça-feira, dia 6 de abril de 1830, isso segundo a era vulgar; segundo a verdadeira era, foram uns dois ou três anos a mais. A era cristã, de uso comum agora entre a família humana, é chamada de era vulgar, porque é incorreta. Jesus, reconhecem os homens mais instruídos do presente, nasceu dois ou três anos antes do período agora chamado comumente de era cristã vulgar. Também é reconhecido pela maior parte dos homens instruídos que examinaram cuidadosamente o assunto que Jesus foi crucificado no dia 6 de abril; e, segundo a verdadeira era cristã, foram precisamente mil e oitocentos anos desde o dia de sua crucificação até o dia em que esta Igreja foi organizada. Por que o Senhor escolheu este período em particular — o aniversário do dia de sua crucificação — para a organização de seu reino sobre a terra, não sei. Sei que ele tem um tempo determinado em sua própria mente para realizar seus grandes propósitos; mas por que ele determinou em sua mente que precisamente mil e oitocentos anos deveriam decorrer desde o dia da crucificação até o dia da organização de sua igreja, não sabemos. Basta dizer que este foi o intervalo decorrido. O Livro de Mórmon dá o intervalo exato desde o dia de seu nascimento até o dia da crucificação, e, juntando esses dois períodos, podemos determinar a verdadeira era cristã. Há, porém, grande disputa entre os cronologistas a respeito deste assunto; muitos deles dizem que Jesus nasceu um ano antes da era vulgar, outros que nasceu dois anos antes disso. Quatro cronologistas diferentes, mencionados pelo nome no Dicionário Bíblico de Smith, situam o período três anos antes da era vulgar; outros o situam quatro anos antes, alguns cinco, e alguns o situaram sete anos antes da presente era vulgar. Se tomarmos um meio-termo entre esses, combinado com o testemunho de muitos que escreveram sobre o assunto, descobrimos, como disse antes, que dá precisamente mil e oitocentos anos entre os dois grandes acontecimentos que se deram, a saber, a crucificação e a edificação de seu reino nestes últimos dias. ¶
Deus julgou conveniente, no progresso deste reino, restaurar a seus servos que detêm o sacerdócio toda chave e poder pertencente à restituição de todas as coisas faladas pela boca de todos os santos Profetas desde o princípio do mundo. Uma das primeiras coisas que ele se dignou a restaurar foi a plenitude do Evangelho eterno, exatamente segundo a predição dos antigos Profetas — pela vinda de um anjo do céu. O Sr. Smith cumpriu essa predição, ou antes, ela se cumpriu nele. Ele declara, em linguagem clara e positiva, que Deus enviou um anjo do céu e lhe confiou o Evangelho eterno em placas de ouro; ou, em outras palavras, foi-lhe revelado por esse anjo onde estavam depositadas as placas de ouro contendo o Evangelho eterno, tal como foi pregado aos antigos habitantes deste continente americano, pelo ministério pessoal de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta foi a restauração predita por João no décimo quarto capítulo do Apocalipse, onde se declara que tal acontecimento haveria de se dar. João diz que viu, em visão, um anjo vindo do céu à terra, para restaurar o Evangelho eterno: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo." Nenhum povo sobre a terra, antes do advento do Profeta Joseph Smith, jamais testificou do cumprimento da predição de João. Se perguntarem às várias denominações cristãs, sejam católicas, gregas ou dissidentes, todas lhes dirão em uníssono que nenhum tal acontecimento caracterizou o surgimento de suas igrejas; temos, portanto, o testemunho delas, provando que Deus jamais cumpriu esta parte de sua palavra por meio delas; mas, ao contrário, a voz e o testemunho unidos de todos esses cristãos, de um extremo ao outro da terra, é que a Bíblia contém o Evangelho. "E pregamos o Evangelho," dizem eles, "como o encontramos registrado na Bíblia," e nenhum anjo para restaurar a autoridade de pregar o Evangelho, de batizar, de confirmar pela imposição das mãos, de administrar a Ceia do Senhor, ou de restaurar ou dar autoridade para organizar o reino de Deus sobre a terra, foi necessário. A isso respondemos: a história do Evangelho é uma coisa, e a autoridade para pregá-lo e administrar suas ordenanças é outra. Podemos ler sua história no Novo Testamento; e podemos também ler ali como os antigos servos de Deus organizaram a Igreja em seus dias; podemos ler quais ordenanças eles realizaram ou administraram entre os filhos dos homens; podemos ler o que era necessário para a organização da Igreja Cristã há mil e oitocentos anos. Temos a história de todas essas coisas nas Escrituras, mas, por uns dezessete séculos antes da vinda deste anjo, não houve autoridade para pregá-lo; nenhum Apóstolo, nenhum Profeta, nenhum Revelador, nenhuma visão do céu, nenhuma inspiração do céu; nenhuma voz do Senhor foi ouvida entre as nações durante o longo intervalo decorrido desde a morte dos antigos servos de Deus e a destruição da antiga Igreja Cristã. Joseph Smith veio a esta geração testificando do cumprimento daquilo que Deus predisse na Revelação de São João — a restauração do Evangelho. Mas diz João, o Revelador: "quando for restaurado, será pregado a toda nação, tribo, língua e povo." ¶
Há alguma perspectiva de que este Evangelho seja assim tão extensamente pregado entre os habitantes da terra nesta geração? Não precisamos remetê-los às missões que foram empreendidas pelos Élderes desta Igreja. Suas obras falam por si mesmas. Contemplem esta vasta congregação de pessoas aqui reunidas, e quase todos os que habitam este Território. Por que estão aqui? Porque o anjo trouxe o Evangelho eterno, e porque os servos de Deus foram comissionados e enviados com o som do Evangelho entre as várias nações e reinos da terra; e porque conseguiram pregá-lo a vastos números de pessoas, e reuni-las do meio das nações. Mas ele ainda não foi a todas as nações, tribos, línguas e povos; mas esperem mais um pouco, ele logo irá, pois tão certo quanto já foi pregado a quase todas as nações da cristandade, assim irá a todo outro povo — pagão, maometano, e toda classe, seja na Europa, na Ásia, na África, ou nas partes mais remotas da América do Sul, nas regiões geladas do norte, ou nas numerosas ilhas dos grandes oceanos ocidental e oriental. Todo povo deve ser advertido de que o grande dia do Senhor está próximo; todo povo deve saber que o Senhor Deus falou nestes últimos tempos; todo povo deve saber algo a respeito dos propósitos do Grande Jeová em cumprir e realizar a grande obra preparatória para o segundo advento do Filho de Deus vindo dos céus. Eis aqui, pois, o cumprimento de uma profecia. Passemos agora a outra. ¶
João, que viu este anjo restaurar o Evangelho eterno a ser pregado a todas as nações, declara que outra proclamação estava intimamente ligada à pregação do Evangelho. Qual era? "A hora do seu juízo é chegada" — a hora undécima, a última vez que Deus advertirá as nações da terra: "Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas." E essa é a razão pela qual o Evangelho deve ser tão extensamente pregado entre todo povo, nação e língua, porque o Senhor pretende, por meio deste aviso, prepará-los, se assim o quiserem, para escapar da hora de seu juízo, que há de vir sobre todo povo que se recusar a receber a mensagem divina do Evangelho eterno. ¶
Passemos agora a outra profecia. Outro anjo se seguiu. Qual foi sua proclamação? Outro anjo se seguiu, e clamou com grande voz, dizendo: "Caiu, caiu Babilônia, aquela grande cidade, porque a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua fornicação," etc. A Babilônia espiritual, a Grande, "a mãe das prostituições e abominações da terra." "Mistério Babilônia" — aquele grande poder que dominou as nações da terra — aquele grande poder eclesiástico que governou sobre as consciências dos filhos dos homens; ela há de cair e há de ser destruída da face da terra. Cairão os justos com ela? Não. Por quê não? Porque há um meio de escape para eles. ¶
Notem agora outra profecia. "Ouvi uma grande voz," diz João, "do céu, dizendo: 'Saí dela, povo meu!'" Sair de onde? "Mistério Babilônia, a Grande" — desta grande confusão que existe por toda a nação e multidão da cristandade: "E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas; porque já os seus pecados chegaram até ao céu, e Deus se lembrou das suas maldades!" Está isso se cumprindo? Veem vocês algum indício do povo de Deus saindo do "Mistério Babilônia, a Grande"? Sim, há quarenta e dois anos e mais, Deus tem ordenado a seu povo, não por algo idealizado por uma congregação de teólogos, ou pela engenhosidade humana, mas por uma voz do céu que foi publicada e impressa, exigindo que todos os que recebem o Evangelho eterno saiam do meio da grande Babilônia. Cerca de cem mil Santos dos Últimos Dias, aproximadamente falando, agora herdam estas regiões montanhosas. Estão aqui por causa desta predição de João, por causa de seu cumprimento, por causa da voz que veio do céu — a proclamação do Todo-Poderoso para que seu povo fugisse do meio das nações da terra. Não preciso dizer mais nada a respeito desta profecia; está na Bíblia, e está se cumprindo diante dos olhos de todo o povo. ¶
Refiro-me agora a outra profecia. O Profeta Daniel nos disse que, nos últimos dias, depois que a grande imagem vista em sonho por Nabucodonosor, rei da Babilônia, representando os vários reinos do mundo, fosse destruída, e essas nações passassem e se tornassem como a palha da eira de verão, o Senhor estabeleceria um Governo eterno aqui sobre a terra. O Senhor Deus julgou conveniente revelar a seu servo Daniel a natureza deste Governo. Ele o representou como tendo um começo muito pequeno — como uma pedra cortada do monte, sem mãos, pedra essa que cairia sobre os pés da imagem, e estes seriam despedaçados. Depois da destruição dos pés, toda a imagem cairia — as pernas de ferro, o ventre e as coxas de bronze, o peito e os braços de prata, a cabeça de ouro — representando os remanescentes de todas aquelas antigas nações — os babilônios, medos e persas, e os gregos; também os remanescentes daqueles que outrora constituíram o grande Império Romano — os que hoje estão na Europa e os de origem europeia que atravessaram o grande oceano e se estabeleceram aqui neste vasto continente do oeste — todos, todos haveriam de ser destruídos pela força deste pequeno reino, a ser estabelecido pelo poder da verdade, e pela autoridade que haveria de caracterizar a natureza da pedra cortada do monte. "Mas nos dias desses reis," diz o Profeta, "o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não será deixado a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo estará estabelecido para sempre," etc. O Profeta Daniel proferiu a profecia; Joseph Smith, pela autoridade do Todo-Poderoso, a cumpriu, no que diz respeito à organização ou ao estabelecimento do reino. ¶
Refiro-me agora a algumas outras profecias. Não quero deter-me longamente em nenhuma delas. Somos ensinados nas profecias de Isaías que, antes da época do segundo advento, quando a glória do Senhor seria revelada e toda carne a veria junta, haveria uma Sião edificada sobre a terra. O Profeta dá a seguinte exortação a essa Sião — "Ah! Sião, anunciadora de boas novas, sobe tu a um monte alto." Eis aqui, pois, uma profecia de que, nos últimos dias, Deus teria uma Sião sobre a terra antes de se revelar dos céus e manifestar sua glória a todo o povo; e o povo chamado Sião é exortado, no quadragésimo capítulo de Isaías, a subir ao monte alto. Aqui estamos nesta grande região montanhosa, num Território chamado o Território das montanhas. Aqui estamos sobre a grande espinha dorsal, por assim dizer, do hemisfério ocidental, situados entre os vales desta grande cadeia de montanhas, que se estende por milhares de milhas — das regiões geladas do norte, quase até a extremidade sul da América do Sul. Aqui está o povo chamado Sião, subido ao monte alto, segundo a predição do Profeta Isaías. Isaías proferiu a profecia; Joseph Smith também profetizou a mesma coisa, mas morreu sem vê-la cumprida. Seu sucessor, Brigham Young, viveu para ser o instrumento favorecido nas mãos de Deus, para tirar o povo daqueles países lá embaixo, nos Estados, aqueles países situados nas baixas elevações de nosso globo, e trazê-los para cá, a esta vasta região montanhosa. Assim foi proferida a profecia — assim se cumpriu. ¶
Passemos a algumas outras profecias. No décimo oitavo capítulo das profecias de Isaías, temos uma predição a respeito de um tempo em que o Senhor faria uma grande destruição sobre certa parte da terra. O Profeta começa o capítulo dizendo: "Ai da terra que ensombreia com as suas asas, que está além dos rios da Cuxe." Lembrem-se onde o Profeta habitava quando proferiu esta profecia — na Palestina, a leste do Mar Mediterrâneo. Onde ficava Cuxe? A sudoeste da Palestina. Onde havia uma terra situada além dos rios de Cuxe? Toda pessoa familiarizada com a geografia de nosso globo sabe que este continente americano estava além dos rios de Cuxe, a partir da terra da Palestina, onde a profecia foi proferida. Um ai foi pronunciado sobre aquela terra, e este é o ai: "Porque antes da ceifa, quando já o gomo está perfeito, e as uvas verdes amadurecem depois de brotarem, então podará os sarmentos com a podadeira e, cortando os ramos, os tirará dali. Juntamente serão deixados às aves dos montes e aos animais da terra, e sobre eles passarão o verão as aves de rapina, e todos os animais da terra invernarão sobre eles." Mas primeiro, antes desta destruição, há uma profecia notável. Diz o Profeta: "Todos vós, habitantes do mundo, e moradores da terra, vede quando ele levantar um estandarte sobre os montes, e quando tocar a trombeta, ouvi." Disto aprendemos que, antes desta grande destruição, um estandarte há de ser levantado sobre os montes, e isto, também, além dos rios de Cuxe, a partir da Palestina. Esta é a razão pela qual Sião, nos últimos dias, sobe aos montes, para que um estandarte pudesse ser levantado sobre os montes. Esta profecia foi proferida há uns dois mil e quinhentos anos, e tem se cumprido diante dos olhos do povo em nossos dias. ¶
Mas mais a respeito deste estandarte; descobrimos que não era um estandarte a ser levantado na Palestina, pois no quinto capítulo de suas profecias, Isaías, falando disso, diz — "Porque levantará o estandarte entre as nações de longe." O que significa isto? Significa uma terra bem distante de onde o Profeta Isaías vivia — a terra da Palestina. Ora, não há terra de magnitude ou grandeza, distante da Palestina, que corresponda melhor à descrição desta profecia do que este grande hemisfério ocidental; está situado quase do lado oposto do globo em relação à Palestina. O Senhor, então, levantaria o estandarte sobre uma terra distante de onde o Profeta vivia; e esse estandarte, somos informados, seria erguido sobre os montes, e isso, também, numa terra que ensombreia com asas. Ao olhar para o mapa da América do Norte e do Sul, isso muitas vezes sugeriu à minha própria mente as duas asas de uma grande ave. Sem dúvida o Profeta Isaías viu este grande continente ocidental em visão, e reconheceu a semelhança com as asas de uma ave no contorno geral dos dois ramos do continente. Sobre tal terra, sobre os montes distantes da Palestina, um estandarte havia de ser levantado. Mas lembrem-se de outra coisa relacionada a este estandarte — vejam quão extensa deveria ser a proclamação — "Todos vós, habitantes do mundo e moradores da terra, vede quando ele levanta um estandarte sobre os montes." Deveria ser uma obra que atrairia a atenção de todo o povo, até os confins do mundo. ¶
"Mas," pergunta alguém, "o que vocês chamam de estandarte?" Webster dá a definição de um estandarte ou padrão — "Algo ao redor do qual o povo se reúne; um sinal para que o povo se congregue." Em outras palavras, é o grande padrão do Todo-Poderoso — o grande estandarte que ele está levantando na forma de sua Igreja e reino, sobre os montes nos últimos dias, com toda a ordem e forma de seu antigo sistema de governo eclesiástico, com seus Apóstolos e Profetas inspirados e com todos os dons, poderes e bênçãos que caracterizavam a Igreja Cristã nos tempos antigos. Este é um estandarte que deveria atrair o povo até os próprios confins do mundo. ¶
Com o estabelecimento deste estandarte, Deus não apenas restaurou o Evangelho, mas também as chaves de reunir o povo e edificar Sião, e também restaurou outras chaves e bênçãos que haveriam de caracterizar a grande e última dispensação da plenitude dos tempos. Quais são elas? As mesmas preditas no último capítulo da profecia de Malaquias. Aquele Profeta, falando do grande dia da queima, diz: "Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de modo que não lhes deixará nem raiz nem ramo." Isto é algo que ainda não se cumpriu. Mas notem! Antes que o Senhor queime todos os soberbos e os que cometem impiedade, ele nos disse que enviaria o profeta Elias. Ele diz: "Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor; e ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição." Lembrem-se, isto há de ser exatamente antes do dia da queima, antes que viesse o grande e notável dia do Senhor. ¶
Elias, o Profeta, então, deve vir do céu — aquele mesmo homem que foi arrebatado num carro de fogo, e que teve tal poder enquanto esteve na terra que pôde combater, por assim dizer, todos os inimigos de Israel que vieram contra ele; pôde fazer descer fogo do céu e consumir os cinquenta que vinham em companhias para prendê-lo. Aquele mesmo homem havia de ser enviado nos últimos dias, antes do grande e notável dia do Senhor. Para quê? Para restaurar um princípio muito importante — um princípio que converterá o coração dos filhos aos pais, e o coração dos pais aos filhos. Foi aquele Profeta enviado à terra, segundo a predição? Sim. Quando ele veio, e a quem veio? Veio àquele jovem desprezado, Joseph Smith. Segundo o testemunho de Joseph Smith, o Profeta Elias esteve diante dele, na presença de Oliver Cowdery, e lhes deu estas chaves. O que está incluído nesta conversão do coração dos filhos aos pais e do coração dos pais aos filhos? Está incluído nisso um princípio para a salvação dos pais que estão mortos, assim como para os filhos que estão vivos. Vocês têm ouvido, Santos dos Últimos Dias, por anos e anos, que Deus deu chaves, pelas quais os vivos nesta Igreja poderiam realizar, não apenas as obras necessárias à sua própria salvação, mas também certas obras necessárias à salvação de seus antepassados, até onde puderem obter suas genealogias. O que pode ser feito por nós por nossos pais que viveram e morreram durante os últimos mil e setecentos anos, sem ouvir o Evangelho em sua plenitude e poder? Centenas e milhares, e milhões deles foram sinceros e honestos, e serviram ao Senhor tão bem quanto sabiam; mas viveram em meio à cristandade apóstata, e nunca ouviram o Evangelho pregado por homens inspirados, nem tiveram a chance de que suas ordenanças lhes fossem administradas por homens com autoridade de Deus. Devem eles ser excluídos do reino de Deus, e privados da glória, das alegrias e das bênçãos da vida celestial por causa disso? Não; Deus é um ser imparcial, e quando enviou o profeta Elias para conferir a Joseph Smith as chaves a que me referi, sua intenção era que este povo trabalhasse pelas gerações dos mortos, assim como pelas gerações dos vivos; que estas ordenanças, que pertencem aos homens aqui na carne, pudessem ser administradas em seu favor por aqueles de seus parentes que vivem neste dia e geração. Desta forma, os Santos dos Últimos Dias serão batizados e receberão as várias ordenanças do Evangelho do Filho de Deus por seus antepassados, até onde puderem rastreá-los; e quando os tivermos rastreado tão para trás quanto pudermos, o Senhor Deus prometeu que revelará nossa ascendência para trás até que se conecte com o antigo sacerdócio, de modo que não faltará elo algum na grande cadeia da redenção. ¶
Aqui, então, houve uma restauração em cumprimento da predição de Malaquias, e por esta razão Templos estão sendo construídos. O Templo, cujo alicerce está lançado neste quarteirão, destina-se, entre outros, a esse propósito. Não se destina à reunião de vastas congregações dos Santos, mas se destina à administração de ordenanças sagradas e santas. Haverá um batistério, em seu devido lugar, construído segundo o padrão que Deus der a seus servos. Destina-se a que, nestes lugares sagrados e santos, indicados, separados e dedicados por mandamento do Todo-Poderoso, genealogias sejam reveladas, e que os vivos oficiem pelos mortos, de modo que aqueles que não tiveram a oportunidade, enquanto na carne em gerações passadas, de obedecer ao Evangelho, possam ter seus amigos agora vivos oficiando por eles. Isto não destrói seu arbítrio, pois embora tenham deposto seus corpos e desçam a suas sepulturas num dia de trevas, e agora estejam misturados com as hostes de espíritos nos mundos eternos, seu arbítrio ainda continua, e esse arbítrio lhes dá poder para crer em Jesus Cristo ali, tanto quanto nós podemos crer aqui. Aqueles espíritos do outro lado do véu podem arrepender-se, tal como nós, na carne, podemos arrepender-nos. A fé em Deus e em seu filho Jesus Cristo, e o arrependimento, são atos da mente — operações mentais — mas quando se trata do batismo para a remissão dos pecados, eles não podem realizá-lo, nós agimos por eles, o que foi ordenado ser realizado na carne. Podem receber o benefício de tudo o que é feito por eles aqui, e tudo o que o Senhor Deus ordenar a seu povo aqui na carne que faça por eles lhes será anunciado ali por aqueles que detêm o eterno Sacerdócio do Filho de Deus. Se, quando o Evangelho lhes for pregado ali, crerem no Senhor Jesus Cristo, receberão os benefícios das ordenanças realizadas em seu favor aqui, e serão participantes, com seus parentes, de todas as bênçãos da plenitude do Evangelho do Filho de Deus; mas, se não o fizerem, ficarão presos em correntes de trevas até o juízo do grande dia, quando serão julgados segundo os homens na carne. Estamos aqui na carne, e o mesmo Evangelho que condena o desobediente e o pecador aqui condenará, pela mesma lei, aqueles que estão do outro lado do véu. ¶
Temos um relato do batismo pelos mortos, tal como foi administrado entre os antigos Santos. Paulo o menciona em sua epístola aos Coríntios, para provar-lhes que a ressurreição era uma realidade: "Doutra maneira," diz ele, "que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" Foi um argumento forte que Paulo apresentou, e um que os Coríntios bem compreendiam. Era prática entre eles serem batizados por seus mortos, e Paulo, sabendo que compreendiam este princípio, usa um argumento para mostrar que os mortos teriam uma ressurreição, e que o batismo, ou imersão em água, o ser sepultado e o sair da água, era uma semelhança da ressurreição dos mortos. A mesma doutrina é ensinada numa das epístolas de Pedro. A respeito de pregar aos que estão mortos, Pedro diz que "Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado na verdade, na carne, porém vivificado pelo Espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca." De fato! O próprio Jesus foi aos mortos e lhes pregou? Sim. Foi aos antigos espíritos antediluvianos, e lhes pregou? Sim, pregou a espíritos que jaziam em prisão havia mais de dois mil anos, encerrados e privados de entrar na plenitude do reino de Deus por causa de sua desobediência. Jesus foi e lhes pregou. "O que ele pregou?" Ele não pregou a condenação eterna, pois isso não teria servido de nada. Ele não foi lá dizer-lhes: "Vós, espíritos antediluvianos, vim aqui para atormentar-vos." Ele não declarou: "Abri as portas de vossa prisão para dizer-vos que não há esperança para vós, vosso caso está além de recuperação, deveis ser condenados ao desespero eterno." Esta não foi sua pregação. Ele foi lá declarar boas novas. Quando entrou na prisão daqueles antediluvianos, diz Pedro que ele pregou o Evangelho: "Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito." Sim, os habitantes do mundo espiritual — muito mais numerosos do que os que estão na carne — devem ouvir as boas novas do Evangelho do Filho de Deus, para que todos sejam julgados pelo mesmo Evangelho e pela mesma lei; e, se o receberem, serão abençoados, exaltados de sua prisão, e trazidos à presença do Pai e do Filho, e herdarão a glória celestial. ¶
Esta, portanto, é uma das maiores de todas as chaves que Deus revelou na última dispensação — a salvação das gerações dos mortos, assim como das gerações dos vivos, na medida em que se arrependerem. Devemos parar aqui? Talvez já tenha falado o suficiente. Há outros princípios, tão importantes em sua natureza, que devem ser restaurados nos últimos dias, mas não tenho tempo para me deter neles. Refiro-me agora à restauração daquele princípio eterno — o convênio do matrimônio, que uma vez esteve sobre a terra nos dias de nossos primeiros pais, a união eterna de marido e mulher, segundo a lei de Deus, no primeiro padrão de matrimônio dado aos filhos dos homens. Isso também deve ser restaurado, e tudo em seu tempo e em sua estação deve ser restaurado, para que todas as coisas faladas pela boca de todos os santos Profetas desde o princípio do mundo possam se cumprir. Mas deixaremos este assunto para outra ocasião futura. Deve, porém, haver uma restauração do convênio eterno do matrimônio, e também daquela ordem de matrimônio que existiu entre os antigos Patriarcas, antes que as profecias possam se cumprir, em que sete mulheres tomarão a um homem, dizendo: "Nós comeremos do nosso pão, e nos vestiremos de nossos vestidos; tão somente permite que sejamos chamadas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio." Isso deve ser restaurado, ou as profecias de Isaías nunca poderão se cumprir. Muitas outras coisas poderiam ser mencionadas que devem ser restauradas na dispensação da plenitude dos tempos. É uma dispensação para restaurar todas as coisas, é a dispensação do espírito e poder de Elias, ou Elijah, "para selar todas as coisas até o fim de todas as coisas," preparatória para a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. ¶
Os ímpios, assim como os justos, sentirão o poder destas chaves. Os ímpios, assim como os justos, devem ser selados para aquele fim para o qual viveram. Os ímpios, que desobedeceram à lei de Deus, devem ser selados nas trevas, até que tenham sido castigados e açoitados com muitos golpes, até a última ressurreição, até que soe a última trombeta. Mas os justos, na carne e por trás do véu, virão adiante na primeira ressurreição; mas antes desse grande acontecimento, cooperarão em seus trabalhos para a consumação dos propósitos do Todo-Poderoso, na medida do necessário para preparar o caminho para a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, para reinar aqui, pessoalmente, sobre a terra, pelo espaço de mil anos. Amém. ¶