O Estabelecimento do Reino de Deus Nestes Últimos Dias
Orson Pratt
Chamarei a atenção desta congregação para uma porção de profecia que se encontra nos versículos 44 e 45 do capítulo 2 do livro de Daniel: ¶
Mas nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não será deixado a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo estará estabelecido para sempre. ¶
Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro, o Deus grande fez saber ao rei o que há de ser depois disso; e certo é o sonho, e fiel a sua interpretação. ¶
Tenho frequentemente, em minhas observações de outros tempos, dirigido aos Santos dos Últimos Dias a respeito destas passagens; mas, como há alguns estranhos em nosso meio que talvez não tenham ouvido nossos pontos de vista a respeito do estabelecimento do reino de Deus nos últimos tempos, talvez não seja impróprio expormos diante deles as opiniões dos Santos dos Últimos Dias a respeito desta predição. Tivemos, durante os últimos seis mil anos, ou quase isso, uma grandíssima variedade de governos humanos estabelecidos sobre a terra. Governos começaram a ser estabelecidos nos dias de nossos primeiros pais. Como viveram até idade muito avançada — quase mil anos antes de serem tirados da terra —, viram seus filhos se multiplicarem ao seu redor em vastos números, e começaram a se estabelecer governos. Entre esses governos, contudo, também se mantinha o governo de Deus — um governo patriarcal, que continuou com os justos desde os dias de Adão até os dias de Enoque, e por um curto período depois de seus dias. Este governo era, por natureza, patriarcal, ou, em outras palavras, dirigido e ditado pelo Criador do homem — o grande Legislador. Ele dirigia e aconselhava seus servos, e estes obedeciam a seus conselhos. Em outras palavras, existia sobre a terra, naqueles tempos antigos, um governo divino; mas, por fim, por volta da época da morte de Adão, ou pouco depois, os governos humanos desarraigaram da terra o governo de Deus; a humanidade apostatou dos grandes princípios revelados do céu, e toda a carne corrompeu seu caminho diante de Deus a tal ponto, que a justa ira de seu Criador se acendeu contra ela, e ele decretou que fosse varrida da face da terra por um dilúvio de águas. Novamente, depois desta grande destruição, um governo divino foi organizado sobre a terra, sendo Noé o grande Patriarca, Revelador e Profeta, a quem foram dadas leis e instituições para o governo de sua posteridade. Esta ordem, contudo, durou apenas por um curto período de tempo, e os governos humanos novamente prevaleceram. O Senhor procurou, de tempos em tempos, no meio desses governos humanos, escolher um povo que desse ouvidos à sua lei e fosse governado por ele como o Ser que tinha o direito de governar; visto que ele havia criado a terra e seus habitantes, tinha o direito de dar leis e instituições para o governo do homem. Poucos, na verdade, foram os que deram ouvidos a estas instituições divinas. O Senhor, por fim, chamou um povo do Egito, e assumiu o poder, e lhes deu revelação de maneira muito conspícua e maravilhosa. Ele desceu à vista de cerca de dois milhões e quinhentas mil pessoas, e lhes deu leis; ouviram essas leis proclamadas do Monte Sinai. Homens e mulheres, velhos e jovens, por toda a hoste de Israel, tiveram a oportunidade de aprender algo a respeito das leis do céu. Contudo, rapidamente se corromperam diante de Deus, e, enquanto Moisés ainda demorava no monte, não satisfeitos com as leis que Deus havia revelado, e que pretendia dar-lhes, idealizaram instituições próprias. Ajuntaram suas joias, seu ouro e sua prata, e assim por diante, e começaram a fazer deuses próprios para o povo adorar, entre os quais temos o relato de dois bezerros feitos por Arão, enquanto Moisés ainda estava no monte, falando com o Senhor e recebendo oráculos e leis para o governo daquele povo. Tendo recebido estas leis, escritas em tábuas de pedra, Moisés partiu do monte, por ordem de Deus, para descer e visitar o povo. O Senhor dissera a Moisés que eles se haviam corrompido, e ele desceu, cheio da justiça do Todo-Poderoso, ou, como está escrito, sua ira se acendeu contra o povo, o que interpreto como um espírito de justiça. Encontrou que haviam feito deuses e se prostrado diante deles, e disse: "Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito." Contudo, operou-se uma revolução no meio do povo, e Moisés conseguiu trazer a maior parte do povo novamente ao juízo, de modo que ficaram dispostos a receber a lei divina. Seu pecado, contudo, foi tão grande, que a primeira lei que o Senhor pretendia conceder-lhes, a saber, a lei do evangelho, foi retida. ¶
Ora, aqui está algo que talvez seja um pouco novo para os estranhos: ouvir os Santos dos Últimos Dias dizerem que o evangelho do Filho de Deus foi retido do povo de Israel. Mas, em prova de minha afirmação, remeto-vos à declaração de Paulo aos Hebreus, onde ele diz: "Porque também a nós foi pregado o evangelho como a eles, mas a palavra da pregação de nada lhes aproveitou, porquanto não estava acompanhada pela fé naqueles que a ouviram." Disto aprendemos que os filhos de Israel, a princípio, não foram colocados sob a lei dos mandamentos carnais. Não foram colocados sob a lei que exige olho por olho, dente por dente, e que, se um homem te ferir na face, te voltes e resistas ao mal. Esta não foi a primeira lei dada a Israel. A lei do evangelho, o mesmo evangelho ensinado nos dias de Cristo, foi-lhes dada primeiro, com esta única exceção — os filhos de Israel deviam aguardar a vinda de seu Messias e a expiação que ele faria na cruz, para que, pela fé na futura expiação que seria feita, pudessem participar das bênçãos do evangelho. Mas, tendo endurecido seus corações contra Moisés e contra Deus, o Senhor decidiu retirar esta lei superior do meio dos filhos de Israel, e dar-lhes uma lei que os apóstolos chamam a lei dos mandamentos carnais — uma lei pela qual não deveriam viver. Poderiam ter vivido pela lei do evangelho; poderiam ter entrado no descanso do Senhor por essa lei, até mesmo na plenitude de sua glória; mas, tendo transgredido a lei superior, Deus lhes deu uma lei inferior, adaptada à sua capacidade carnal. Esta lei é mencionada no capítulo 20 de Ezequiel, nestas palavras: "Pelo que também eu lhes dei estatutos que não eram bons, como também juízos pelos quais não haviam de viver." Por que deu o Senhor a Israel estatutos, juízos e leis que não eram bons? Porque eram incapazes de receber algo maior ou mais elevado. Deu-lhes esta lei como aio, para instruí-los e trazê-los à lei superior, a saber, a lei de Cristo, e permaneceram sob esta lei, sob esta condenação, por longo tempo, e o Senhor jurou em sua ira que não entrariam em seu descanso, em consequência de haverem quebrado a lei superior. ¶
Moisés subiu novamente ao Monte Sinai, e esteve ausente pela segunda vez quarenta dias e quarenta noites, sem comer nem beber, e recebeu esta lei, esta lei carnal geralmente denominada a lei de Moisés, em segundas tábuas de pedra, tendo o primeiro convênio sido despedaçado — ou, em outras palavras, a primeira lei, a lei superior do evangelho contida nas primeiras tábuas, foi destruída e o convênio quebrado, e uma nova lei foi introduzida. Incorporados nas segundas tábuas de pedra estavam os Dez Mandamentos, que pertencem ao evangelho, os quais também estavam nas primeiras tábuas. Além destes Dez Mandamentos, que pertencem ao evangelho, havia muitas daquelas leis carnais de que tenho falado. Por meio deste segundo código de leis, era impossível a Israel entrar na plenitude da glória celestial; em outras palavras, não podiam ser redimidos e trazidos à presença do Pai e do Filho; não podiam entrar na plenitude daquele descanso destinado apenas àqueles que obedecessem à lei superior do evangelho. ¶
Depois dos dias de Moisés, os filhos de Israel, de tempos em tempos, corromperam-se diante do Altíssimo; nem sequer permaneceram na lei inferior; mas houve alguns poucos indivíduos, nas várias gerações de Israel, tais como profetas, escolas de profetas, etc., que receberam a lei superior, e obtiveram o sacerdócio superior, e foram abençoados do Senhor, e tiveram o privilégio de entrar em seu descanso, sendo cheios do espírito de profecia e revelação, tendo o poder não só de profetizar e obter revelação, mas de subir, em virtude da lei superior, a uma comunhão próxima com o Pai e o Filho, tendo o privilégio de contemplar, em visão, a face do Senhor. ¶
Cerca de seiscentos anos antes de Cristo, os filhos de Israel, ou antes, a casa de Judá, que ainda restava na terra da Palestina, tinham novamente apostatado tanto do Senhor seu Deus, que o Senhor ameaçou, pela boca dos profetas, destruir aquela grande cidade de Jerusalém, e que o povo seria levado cativo para a grande Babilônia. Sabemos que isto se cumpriu. Mas onze anos antes deste grande cativeiro, o Senhor conduziu um dos profetas, cujo nome era Leí, e seus filhos, e uma ou duas outras famílias, da terra de Jerusalém a este continente americano. Isto foi cerca de seiscentos anos antes de Cristo; destas famílias descendem os índios americanos. Mas deixaremos este ramo de Israel no continente americano e voltaremos à casa de Judá. Enquanto estavam em cativeiro na Babilônia, o Senhor levantou o profeta Daniel, de cujas palavras tomei meu texto. A Daniel foi dado o grande privilégio de conhecer a respeito da ascensão e queda de reinos e impérios, de contemplar os reinos da terra, desde seus dias até que aquele reino universal de Deus fosse estabelecido sobre a terra, para nunca mais ser destruído. ¶
Primeiramente, Nabucodonosor, o rei pagão, foi visitado pelo Todo-Poderoso num sonho celestial, mas seu sonho lhe foi tirado, e não pôde se lembrar dele ao despertar. Chamou os sábios da Babilônia — os astrólogos, os adivinhos, os magos e os homens mais sábios que se pudesse encontrar — pedindo-lhes que lhe dissessem seu sonho, e depois lhe dessem a interpretação dele. O sonho deixou profunda impressão na mente deste grande rei pagão, e ele acreditava que era algo de grande importância, mas ainda assim não conseguia lembrar-se dele. ¶
Observarei aqui, de passagem, que as nações pagãs, naqueles dias, não estavam tão corrompidas, nem tinham apostatado tanto da religião do céu, que deixassem de crer em sonhos e revelações, e pensar que talvez houvesse neles algo relativo ao futuro que fosse proveitoso compreender. Que homem, nesta era, nesta época esclarecida, entre as nações cristãs, está tão próximo do Senhor a ponto de reconhecer nova revelação, como fez Nabucodonosor? Quão longe caíram abaixo do padrão dos idólatras pagãos! ¶
O rei Nabucodonosor estava tão empenhado nesta questão, que expediu um decreto de que, a menos que os sábios da Babilônia lhe interpretassem o sonho e também lhe dissessem o próprio sonho, ele os destruiria a todos. Suponho que não tinha muita confiança neles e, por conseguinte, concluiu que, se não pudessem dizer o sonho, não poderia confiar em suas interpretações. Quando Daniel soube do decreto do rei, de destruir todos os sábios, enviou um pedido para que o rei não fosse tão apressado em suas medidas, mas lhe desse um pouco de tempo, durante o qual ele e seus companheiros suplicaram ao Deus do céu que lhes desse a conhecer o sonho e sua interpretação. O Senhor ouviu as orações de seus servos e revelou a Daniel o sonho, e também lhe deu a interpretação. Daniel pediu para ser trazido à presença de Sua Majestade o rei, e prometeu dar-lhe o sonho e a interpretação. Foi trazido à sua presença, e lhe dirigiu palavras mais ou menos como estas: "Os sábios, astrólogos, adivinhos, magos, etc., não podem interpretar o sonho, ó rei, nem há em mim sabedoria alguma para que eu o possa fazer; mas há um Deus no céu que é capaz de dar a interpretação. Tu, ó rei, és rei de reis, e o Deus do céu te deu um reino, e domínio sobre todas as nações. Tu és parte e porção do sonho; ou, em outras palavras, representas uma parte do sonho que tiveste. Tu, ó rei, viste e contemplaste uma grande estátua. A cabeça daquela estátua era de ouro fino; o peito e os braços, de prata; o ventre e as coxas, de bronze; as pernas, de ferro; os pés, em parte de ferro e em parte de barro de oleiro. Estavas vendo, até que uma pedra foi cortada do monte, sem mãos, a qual feriu a estátua nos pés, que eram em parte de ferro e em parte de barro, e os esmiuçou; então foram juntamente esmiuçados o ferro, o barro, a prata, o bronze e o ouro, e se fizeram como pragana das eiras do verão, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra que feriu a estátua se fez um grande monte, e encheu toda a terra." Este foi o sonho — ele então dá a interpretação. "Tu, ó rei, és esta cabeça de ouro." Isto é, o reino de Nabucodonosor, que dominava sobre toda a terra, era considerado a cabeça de ouro. "Depois de ti se levantará outro reino, representado pelo peito e os braços de prata." Este é o reino medo-persa. Depois deste, outro reino ainda inferior, chamado o reino de bronze, pois, assim como o ouro é melhor que a prata, e a prata mais preciosa que o bronze, assim estes reinos, que haviam de surgir e se suceder uns aos outros, seriam inferiores à medida que o tempo passasse. O terceiro reino, de bronze, representava o império macedônico; depois deste, outro reino, grande e terrível, cujas pernas eram de ferro, forte e poderoso. O quarto reino dominava sobre a terra; é isto admitido, por todos os comentaristas, como sendo o grande Império Romano, e, pela divisão do Império Romano em duas partes, representadas pelas pernas, e depois nos pés e artelhos. Não passarei a apresentar fatos históricos para mostrar as divisões particulares que surgiram do Império Romano, mas apenas afirmarei que os atuais reinos modernos da Europa, que surgiram do Império Romano, representam os últimos vestígios daquele grande e poderoso império de Roma; isto é, completam e tornam a estátua inteira. Primeiro, a cabeça de ouro — o império babilônico; segundo, o peito e os braços de prata — o império medo-persa; terceiro, o ventre e as coxas de bronze — o reino macedônico; quarto, o grande Império Romano, representado pelas duas pernas de ferro, os impérios oriental e ocidental de Roma. Depois, uma divisão do Império Romano nos pés e artelhos, constituindo todos os governos europeus modernos, e aqueles governos que surgiram dos governos europeus, situados na América do Norte e do Sul. ¶
Desejamos compreender a posição geográfica da grande estátua? Se assim é, devemos considerar a cabeça localizada na Ásia; o peito e os braços de prata um pouco a oeste do grande Império Babilônico; o ventre e as coxas de bronze ainda mais a oeste; as pernas de ferro e os reinos modernos que compõem os pés e artelhos, em parte de ferro e em parte de barro, estendendo-se por toda a Europa e ramificando-se através do Oceano Atlântico, e estendendo-se do Mar do Oriente até o Ocidente, do Atlântico ao Pacífico. Isto constituirá a localização da grande estátua, avançando para o ocidente. ¶
Estando agora a estátua completa, tudo o que precisamos agora é encontrar algo que represente a pedra cortada do monte, sem mãos, algo inteiramente distinto da estátua, sem comunhão alguma com ela, que dela não tenha surgido, e que não tenha autoridade alguma que dela venha, mas um governo distinto e inteiramente separado, que se estabeleceria em algum monte. "Estavas vendo, até que uma pedra foi cortada do monte, sem mãos." Que fará aquela pedra? Ferirá a estátua nos pés e artelhos. Não primeiro na cabeça, não no peito e nos braços de prata, não no ventre e nas coxas de bronze, não nos reinos modernos da Europa que surgiram das pernas de ferro, mas ferirá os pés e artelhos da grande estátua; é ali que ela há de começar seu ataque. ¶
Indaguemos agora, por alguns momentos, como ou de que maneira este reino, chamado a pedra cortada do monte, começa este severo ataque. Será com armas de natureza carnal, espada em punho, e instrumentos de guerra, para travar batalha contra os reinos ou governos da terra? De maneira nenhuma! Relacionado com o reino, ou pedra cortada do monte sem mãos, há um poder superior ao das armas carnais — o poder da verdade, pois o reino de Deus não pode ser organizado sobre a terra sem que a verdade seja enviada do céu, sem que seja dada autoridade do Altíssimo; sem que homens sejam novamente chamados ao santo sacerdócio e apostolado, e enviados a publicar a verdade em sua nua simplicidade e clareza aos habitantes da terra. Esta verdade será a arma de guerra; esta autoridade e poder enviados do céu sairão e proclamarão a mensagem do evangelho eterno, o evangelho do reino dos últimos dias, publicando-o primeiro entre as nações que compõem os pés e artelhos da grande estátua. Serão elas despedaçadas? Sim, quando esta mensagem lhes for publicada. Quando forem suficientemente advertidas, quando os servos de Deus tiverem saído em obediência a seus mandamentos, e publicado em suas vilas, povoados, cidades, estados e governos estes sagrados e santos princípios que o Deus Todo-Poderoso enviou do céu nestes últimos tempos, isto deixará todo povo, nação e língua que ouvir o evangelho, e os princípios e a mensagem pertencentes a esse reino, sem desculpa alguma. Será uma advertência que será eterna, seja de um lado, seja do outro — ou trazendo o povo ao arrependimento, à reforma e à obediência ao evangelho do reino, ou os juízos que são preditos nesta profecia de Daniel serão derramados sobre as cabeças dessas nações e reinos, e se tornarão como pragana das eiras do verão, sim, todos aqueles reinos que compõem a grande estátua; pois sabei que os remanescentes do reino babilônico, representado pela cabeça de ouro, ainda existem na Ásia; os remanescentes do reino de prata, do reino de bronze e do reino de ferro ainda têm sua existência; mas, quando o Senhor Todo-Poderoso cumprir esta profecia, os artelhos, os pés e as pernas de ferro daquela grande estátua, ou seja, todos estes reinos, serão despedaçados, e se tornarão como pragana das eiras do verão; o vento os levará, e não se achará lugar algum para eles. ¶
Esta profecia de Daniel dará verdadeiro entendimento do assunto a nossos sábios e estadistas, e a todos os que desejam conhecer o destino futuro do governo americano, dos governos europeus, e de todos os reinos da terra. Seu destino é a destruição total desta nossa terra, por maior ou mais poderosos que se tornem. Ainda que nossa nação estenda a mão à direita e à esquerda; ainda que anexe as possessões britânicas, e estenda seus domínios para o sul, e tome posse de todo este grande hemisfério ocidental, e ainda que nossa nação se torne tão poderosa em população quanto em extensão de território, seu destino está predito nas palavras do profeta Daniel: "Tornar-se-ão como pragana das eiras do verão; o vento os levará, e não se achará lugar algum para eles." Assim será com os reinos da Europa, assim será com os reinos da Ásia Ocidental e da Europa Oriental. ¶
Digamos agora algumas palavras a respeito desta pedra que será cortada do monte, sem mãos. Deve haver algo muito peculiar quanto à organização do reino dos últimos dias, que nunca há de ser destruído. Todos estes outros governos que mencionei foram produção de mãos humanas, isto é, de engenho humano, de sabedoria humana; o poder de homens não inspirados foi exercido ao máximo no estabelecimento de governos humanos; consequentemente, tudo foi feito pelo engenho e poder humanos. Não é assim com a pequena pedra. O homem nada tem a ver com a organização daquele reino. Ouvi o que disse o profeta: "Nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino." Não há de ser feito por meios ou poder humanos, nem pela sabedoria do homem, nem por poderosas conquistas pela espada; mas há de ser feito por aquele que reina no alto, que é Rei dos reis e Senhor dos senhores; por aquele que sofreu e morreu na cruz para que pudéssemos viver; por aquele a quem pertence o direito de reinar e governar as nações da terra. É ele quem dará as leis; é ele quem dará o mandamento; é ele quem organizará aquele reino, e isso se fará, em tudo, segundo o modelo. Terá sido organizado algum reino assim desde o dia em que o profeta Daniel proferiu esta profecia? Sei que há alguns que creem que o reino chamado "a pequena pedra" foi organizado há mil e oitocentos anos por nosso Salvador e seus apóstolos. Não sei por que creem nisto, a não ser porque é moda. Não há evidência alguma que prove tal coisa. Na verdade, aquele reino organizado há mil e oitocentos anos foi organizado cedo demais para cumprir as profecias aqui dadas. As duas pernas de ferro, e os pés e artelhos, ainda não se haviam formado, e lembrai-vos de que a pedra não é cortada do monte, sem mãos, até que esta grande estátua esteja completa — não só a cabeça, o peito, os braços e as pernas, mas também os pés e os artelhos; todos se tornam completos antes que o reino chamado "a pedra" se manifeste. Ora, os pés não existiam, e não começaram a existir senão muitos séculos depois dos dias de Cristo. Que fez aquele reino edificado por nosso Salvador e seus apóstolos? Despedaçou ele alguma parte daquela grande estátua? Não. E que fez aquela estátua a esse reino? Cumpriu as profecias de Daniel — guerreou contra os santos e os venceu. Bem diferente do reino dos últimos dias! Os poderes deste mundo, sob o nome da grande estátua, guerrearam contra Jesus, contra os apóstolos, contra os Santos dos primeiros dias, contra o reino então estabelecido, e os venceram, não só em cumprimento do que foi declarado pelo profeta Daniel, mas também do que foi declarado por João, o Revelador; e aqueles poderes obtiveram domínio sobre todo povo, nação e língua, e os fizeram beber do vinho da ira da fornicação da grande Babilônia, e se embriagaram com suas abominações. Em vez de o reino de Deus ser então edificado em cumprimento da profecia de Daniel, há mil e oitocentos anos, as nações da terra o venceram e o desarraigaram da terra. Mas notai as palavras do texto: "E nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído." Bem diferente do reino dos primeiros dias; "e esse reino não será deixado a outro povo." Todos estes governos humanos têm mudado de mãos, e têm sido deixados a algum outro povo. O reino babilônico foi deixado aos medos e persas, o reino medo-persa ao macedônico, o macedônico ao romano; mas o reino dos últimos dias não será deixado a outro povo, mas esmiuçará e consumirá todos esses reinos, e ele mesmo estará estabelecido para sempre. "Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro; o Deus grande fez saber ao rei o que há de ser depois disso; e certo é o sonho, e fiel a sua interpretação." ¶
Havendo, pois, aprendido que o reino edificado por nosso Salvador e seus apóstolos não cumpriu esta profecia; que aquele mesmo reino foi desarraigado da terra, e todo vestígio de sua autoridade destruído, e que nada na forma ou aparência do reino de Deus existiu por uns dezesseis ou dezessete séculos passados; visto que assim é, e todas as nações sem tal Igreja, sem tal reino, sem autoridade alguma para batizar ou impor as mãos para o dom do Espírito Santo; sem autoridade para administrar a Ceia do Senhor; sem autoridade para edificar o reino de Deus; sem profetas, sem reveladores, sem apóstolos inspirados, sem anjos, sem visões, sem as revelações e profecias do céu, que sempre caracterizam o reino de Deus; digo, visto que assim é, e trevas cobriram a terra, e densas trevas o povo, por tantas gerações, não é de admirar que, na sabedoria de Deus, chegasse por fim o tempo de enviar outro mensageiro do céu. Não é de admirar que um anjo fosse comissionado dos céus eternos, do trono do Todo-Poderoso, com outra mensagem aos habitantes de nosso globo! Pois supondes vós que este reino dos últimos dias, que há de ser estabelecido sem mãos, será estabelecido sem comunicação alguma do céu, sem nova revelação, sem profetas, sem apóstolos, sem homens inspirados? Supondes que Deus realizará uma obra desta natureza, e que ainda assim os céus permaneçam velados sobre nossas cabeças como bronze? Oh, não. Quando chegar o tempo feliz de o Deus Todo-Poderoso organizar e estabelecer o reino dos últimos dias sobre a terra, ele o dará a conhecer enviando um anjo — e de nenhuma outra maneira, pois este é o caminho indicado na profecia. ¶
Se um homem se levanta, como John Wesley, Martinho Lutero, João Calvino, ou Henrique VIII, e empreende organizar uma nova igreja e novos credos, etc., sem receber o ministério de um anjo, podeis saber que os governos eclesiásticos que formarem sobre a terra não são o reino de Deus. Mas, quando um povo se levantar sobre a nossa terra, testificando que o Senhor Deus enviou um anjo do céu, com o evangelho eterno, para ser pregado a todo povo, tribo, nação e língua sobre o nosso globo, com a proclamação de que a hora do juízo de Deus está próxima, aquele povo é digno de ser ouvido; pelo menos, deveria suscitar a mais cuidadosa investigação de todos os povos, nações e tribos debaixo de todo o céu. Mas, quando não vêm desta maneira, nem sequer são dignos de ser ouvidos, pois sabemos que não são o reino de Deus. ¶
João, o Revelador, nos diz que, quando o reino de Deus houvesse de se estabelecer sobre a terra, antes da vinda do Filho do Homem, antes que ele revelasse sua face nas nuvens do céu, ele enviaria um anjo com aquele evangelho. Ora, pergunto: fez ele assim? Ide fazer a indagação, se não estiverdes satisfeitos. Perguntai aos católicos romanos se Deus enviou aquele anjo predito no capítulo 14 do Apocalipse de São João para restabelecer seu reino sobre a terra, e vos dirão que não; dir-vos-ão que o reino de Deus tem continuado sobre a terra, que não necessita ser restabelecido, que têm mantido em sucessão ininterrupta a autoridade do apostolado desde os dias de Pedro até o presente, e que a manterão enquanto a terra existir; que nenhum anjo será enviado com o evangelho eterno para organizar o reino de novo. Pois bem, temos ali o testemunho deles de que não são o reino de Deus, pois negaram muitas das grandes características pertencentes ao reino, tais como o dom de nova revelação, o dom de profecia, que sempre esteve no reino de Deus, e reuniram alguns poucos livros e os chamaram o cânon completo das Escrituras. E, se um profeta se levantasse entre eles e empreendesse dar mais Escritura, excluiriam sua Escritura, e a ele com ela, como herege e fanático. Não são, pois, o reino de Deus. ¶
Ide, pois, à Igreja Grega, e fazei-lhe a mesma indagação. Enviou Deus um anjo a vós, gregos? Refiro-me aos milhões na Rússia que professam a religião grega, e eles vos dirão quase a mesma coisa que os católicos — que Deus nada disse desde os dias dos apóstolos. ¶
Nenhum homem inspirado entre eles, e nenhuma Escritura adicional por profetas e reveladores. ¶
Ide então às seiscentas e sessenta e seis diferentes denominações protestantes que saíram destes poderes eclesiásticos, e perguntai-lhes se Deus enviou um anjo aos que fundaram suas várias denominações, e vos dirão que não. A maioria delas dirá que Deus não envia anjos nestes últimos tempos, que não tem profetas, nem reveladores, e que não há necessidade de luz alguma adicional do céu. Percorrei todas as fileiras da cristandade e fazei diligente indagação por um povo que corresponda à descrição da profecia de João, a saber, um povo que dê testemunho de que um anjo veio com o evangelho eterno. Pouco a pouco, em vossa indagação, chegareis até aqui, às alturas das Montanhas Rochosas, ou, como alguns as chamam, a espinha dorsal do continente americano; indagai do povo que aqui encontrardes, perguntai-lhes em seu grande centro, a Cidade do Lago Salgado, se creem que Deus estabeleceu seu reino enviando um anjo em cumprimento das revelações de São João, e ouvireis uma só voz unânime por toda esta cidade, entre os Santos dos Últimos Dias, dizendo que Deus enviou um Anjo do céu com o evangelho eterno, para ser pregado a toda nação, tribo, língua e povo. Fazei a mesma indagação nas centenas de vilas, cidades e povoados por todo este Território, e haverá uma voz unânime de todos os Santos dos Últimos Dias a este mesmo grande fato. Sustentamos, portanto, e com razão, que somos o único povo na América, na Europa, na Ásia, na África e nas ilhas do mar que testifica do cumprimento da profecia proferida por João, o Revelador. Não temos, pois, necessidade de indagar se todas estas seitas rivais são o reino de Deus ou não, pois este é o único povo que dá testemunho da vinda do anjo com o evangelho. Consequentemente, este é o único povo que precisa ocupar nossa atenção ou investigações a respeito do estabelecimento do reino dos últimos dias; e, se, por nossa investigação, verificarmos que este povo corresponde à descrição não só da profecia de João, mas da profecia de Daniel, e de todas as profecias em todo o Antigo Testamento a respeito do estabelecimento do reino de Deus, então certamente as doutrinas e princípios deste reino são dignos da atenção e obediência de toda pessoa boa. ¶
Se tivéssemos tempo, examinaríamos as doutrinas do reino, para ver se as doutrinas trazidas pelo anjo nestes últimos tempos concordam com as doutrinas ensinadas há mil e oitocentos anos; mas não temos tempo para isso nesta ocasião. Basta dizer que, se os Santos dos primeiros dias ensinaram fé em Deus, arrependimento, batismo para a remissão dos pecados, o recebimento do Espírito Santo pela imposição das mãos; se ensinaram estas coisas nos dias antigos, sabei, todos os povos, nações e línguas, que o anjo comissionou seus servos a pregar as mesmas coisas nestes dias. Se os Santos dos primeiros dias ensinaram a necessidade de possuir os vários dons do evangelho, tais como os dons de visão, o ministério de anjos, a profecia, a revelação, a cura dos enfermos, o dom de línguas, a interpretação de línguas, e todos os vários dons mencionados no Novo Testamento; se ensinaram estas coisas nos dias antigos, os Santos dos Últimos Dias foram comissionados a ensinar as mesmas coisas em nossos dias; consequentemente, não há diferença alguma no que diz respeito às doutrinas, ordenanças e dons. ¶
Testificaram os profetas, em tempos antigos, que, quando o reino de Deus fosse organizado, os santos seriam reunidos dos quatro cantos da terra, que todos os que fossem chamados pelo nome do Senhor seriam trazidos do norte e do sul, e do leste e do oeste, e que os filhos e filhas de Deus seriam trazidos de todas as nações? Os Santos dos Últimos Dias ensinam que o mesmo anjo que trouxe o evangelho, o mesmo Deus que estabeleceu seu reino sobre a terra nos últimos dias, ordenou a seus servos, que saem com estas doutrinas, que ajuntem seus eleitos dos quatro ventos do céu. Testificaram os antigos profetas que outro livro viria à luz, outra revelação, para realizar a grande obra preparatória de edificar o reino de Deus nos últimos dias? Os Santos dos Últimos Dias testificam que o anjo que trouxe o evangelho lhes entregou outro livro, contendo aquele evangelho em toda a sua plenitude e clareza, cumprindo estas profecias. ¶
Que Deus vos abençoe. Amém. ¶