Pulpit

América Nefita — O Dia do Poder de Deus — O Pastor de Israel

Orson Pratt

1872-02-11

É algo bastante inesperado para mim ser chamado nesta tarde a dirigir-me a esta congregação; mas, visto que fui solicitado a fazê-lo, atendo de bom grado ao pedido. Sugeriu-se também que estariam presentes nesta tarde vários estranhos que desejariam ouvir algumas das evidências relativas ao Livro de Mórmon, e, embora seja este um assunto sobre o qual falamos durante a semana que passou, e tenhamos apresentado muitas evidências em apoio à autenticidade divina deste livro, ainda assim não será impróprio repetir algumas dessas evidências e dar algumas razões aos presentes de por que este povo recebe este livro como parte e porção das revelações do Altíssimo. Nossas tradições, que recebemos de nossos pais, naturalmente nos inclinaram a rejeitar todas as revelações, ou toda pretensa Escritura, exceto a que porventura foi compilada no Antigo e no Novo Testamento. Eu tinha esta tradição em comum com o restante da humanidade que professa crer na Bíblia; mas, quando cheguei a examinar esta tradição que eu, como milhões, havia absorvido, achei-a ser apenas tradição, sem fundamento substancial algum. Não consigo de maneira alguma imaginar como reconciliar a suprema bondade, sabedoria e misericórdia do Todo-Poderoso com a ideia de que uns poucos habitantes de nosso globo, morando numa pequena região chamada Palestina, devessem ser os poucos favorecidos a quem a revelação seria concedida. Não consigo reconciliar esta ideia com a visão que temos do caráter do grande Ser a quem adoramos e servimos. Quando contemplo o vasto número de milhões que devem ter enxameado este grande hemisfério ocidental em tempos antigos, construindo grandes cidades, vilas e povoados, e espalhando-se de costa a costa, do Atlântico ao Pacífico, das regiões geladas do norte até o extremo confim da América do Sul — quando contemplo todo esse povo como seres humanos, seres que têm almas imortais e fazem parte da fraternidade de todas as nações, descendentes dos mesmos pais, criados pelo mesmo Criador, não posso crer que todas essas nações tenham sido deixadas nas trevas, privadas da luz da revelação vinda do Céu, sem conhecimento algum a respeito de Deus; mas devo crer que Deus, que é um Ser imparcial e preside sobre todos os habitantes da terra, teria consideração pelo povo da América antiga tanto quanto pelo da Ásia antiga. Consequentemente, de acordo com a visão que naturalmente teríamos a respeito dos atributos do grande Jeová, cremos que ele, nestes últimos tempos, na geração em que nos é permitido viver, condescendeu em trazer ao conhecimento do povo outro livro, outra revelação divina contendo a história de seus tratos com as gerações que já passaram e se foram neste hemisfério ocidental. O livro que tenho em minhas mãos (o Livro de Mórmon) contém quase tanta informação quanto o Antigo Testamento. É um livro de quinhentas ou seiscentas páginas impressas cerradamente. Este livro, os Santos dos Últimos Dias creem ser a Bíblia do hemisfério ocidental; uma compilação de livros sagrados, livros dados por inspiração divina em tempos antigos a profetas, reveladores e homens inspirados que habitaram neste continente, tanto na América do Norte quanto na do Sul. Cremos que foi escrito, em sua maior parte, por um ramo da casa de Israel, uma parte e porção da semente escolhida, os descendentes de Abraão que foram conduzidos a este continente cerca de seiscentos anos antes de Cristo, da cidade de Jerusalém, trazidos pela providência especial, pelos milagres e pela bondade do Todo-Poderoso. Uma colônia com a qual havia vários profetas; uma colônia de israelitas que criam na lei de Moisés, e a quem o Senhor se manifestou de maneira peculiar. Foram trazidos da terra de Jerusalém no primeiro ano de Zedequias, rei de Judá, seiscentos anos antes do nascimento de nosso Senhor e Salvador. Por revelação do Senhor, viajaram para sudoeste da cidade de Jerusalém e, depois de alcançarem o Mar Vermelho, continuaram ao longo de suas margens orientais, e depois voltaram seu curso para leste, chegando ao Oceano Índico. Ali foram ordenados pelo Todo-Poderoso a construir um navio, cujo modelo lhes foi dado por revelação, construindo-o como Noé construiu a Arca — sob a direção do Todo-Poderoso. A bordo desse navio embarcaram, e foram guiados pelo Todo-Poderoso através do grande Oceano Índico. Passando entre as ilhas, não sei quão ao sul do Japão, contornaram nosso globo, atravessando não somente o Oceano Índico, mas também o que chamamos de grande Oceano Pacífico, chegando à costa ocidental do que hoje se chama América do Sul. Pelo que podemos julgar da descrição do país contida neste registro, o primeiro local de desembarque foi no Chile, não longe de onde hoje se ergue a cidade de Valparaíso.

Depois de desembarcarem na costa ocidental da América do Sul, dividiram-se em duas colônias, uma chamada lamanitas, a outra chamada nefitas. Esses nomes se originaram de dois irmãos, sendo o nome de um Lamã, e o do outro Néfi. Os lamanitas se tornaram um povo muito perverso e corrupto. Os nefitas criam na lei de Moisés, em Deus, no espírito de revelação e profecia; criam em visões, no ministério de anjos, e procuravam servir ao Senhor de todo o coração, e foram extremamente perseguidos pelos lamanitas. Os nefitas, por ordem do Todo-Poderoso, fizeram registros sagrados em placas de ouro, e nessas placas foram mandados gravar sua história, suas profecias, os tratos do Senhor com eles de geração em geração.

Sendo tão severamente perseguidos pelos lamanitas, os nefitas foram mandados pelo Senhor a se apartarem do meio deles, isto é, a deixarem o primeiro lugar de colonização, no país que os espanhóis hoje chamam Chile. Vieram para o norte de seu primeiro local de desembarque, viajando, segundo o registro, ao que posso julgar, cerca de duas mil milhas. Os lamanitas permaneceram de posse do país ao sul. Os nefitas formaram uma colônia não longe das nascentes do rio Amazonas, e ali habitaram por cerca de quatro séculos, aumentando e espalhando-se pela terra. Os lamanitas, no sul e nas porções centrais da América do Sul, também se espalharam e se multiplicaram, tornando-se uma nação muito forte e poderosa. Houve muitas guerras entre as duas nações, nas quais centenas de milhares foram destruídos. Finalmente, no decorrer das gerações, os nefitas caíram na perversidade; afastaram-se em grande medida da lei de Moisés e dos preceitos de verdade que lhes haviam sido ensinados pelos profetas em seu meio. Certa porção deles, que ainda cria, foi mandada pelo Senhor a deixar seus irmãos por causa da perversidade destes; assim o fizeram, e os que ainda permaneciam fiéis, sob a direção de profetas e reveladores, vieram ainda mais para o norte, emigrando das nascentes do que hoje chamamos rio Amazonas, pela costa ocidental, ou não longe dela, até chegarem às águas do rio que chamamos Madalena. Nesse rio, não muito distante de sua foz, no que hoje se denomina Estados Unidos da Colômbia, edificaram sua grande cidade capital. Descobriram também outra nação que já possuía aquele país, chamada o povo de Zaraemla — que também era um ramo de Israel, saído da cidade de Jerusalém quinhentos e oitenta e nove anos antes da vinda de Cristo, no décimo primeiro ano do reinado de Zedequias, na ocasião em que este foi levado cativo, e os judeus foram levados para a Babilônia. Um dos filhos de Zedequias, rei de Judá, sendo mandado pelo Senhor, deixou a cidade de Jerusalém com uma colônia, que foi trazida e desembarcou ao norte do Istmo, e viajou para o sul, passando pela estreita faixa de terra que chamamos o Istmo, até os Estados Unidos da Colômbia, e ali formou seus estabelecimentos, e, quando descoberta pelos nefitas, ali habitava havia quase quatrocentos anos.

Os nefitas e o povo de Zaraemla uniram-se e formaram uma grande e poderosa nação, ocupando as terras ao sul do Istmo por muitas centenas de milhas, e também do Pacífico a oeste até o Atlântico a leste, espalhando-se por todo o país. Os lamanitas, por essa época, também ocupavam a América do Sul, a porção central ou meridional dela, e eram extremamente numerosos. Observarei aqui que, desde que os nefitas se consolidaram com o povo de Zaraemla, tiveram numerosas guerras com a grande nação dos lamanitas, nas quais muitas centenas de milhares pereceram de ambos os lados.

Cerca de cinquenta e quatro anos antes de Cristo, cinco mil e quatrocentos homens, com suas esposas e filhos, deixaram a porção norte da América do Sul, passaram pelo Istmo, entraram nesta terra do norte, a ala norte do continente, e começaram a povoar a América do Norte, e, desde então, deu-se ano após ano uma grande emigração dos nefitas e do povo de Zaraemla. Mencionarei aqui algo que talvez surpreenda os que não estão familiarizados com as antiguidades deste país: que a nação nefita, por essa época, começou a arte da construção naval. Construíram muitos navios, lançando-os ao oceano ocidental. O lugar da construção desses navios era perto do Istmo de Darién. Dezenas de milhares entraram nesses navios ano após ano, e seguiram ao longo da costa ocidental para o norte, e começaram a povoar a costa ocidental na ala norte do continente. Observarei outra coisa — quando chegaram à América do Norte, encontraram todo este país coberto de ruínas de cidades, vilas e povoados, tendo os habitantes sido exterminados e destruídos. A madeira também havia sido cortada, de modo que em muitos lugares não havia madeira com que pudessem construir suas moradias; por isso, os nefitas e o povo de Zaraemla tiveram de construir suas casas de cimento, e outros tiveram de habitar em tendas. Vastas quantidades de madeira foram enviadas do sul para o povo da costa ocidental, permitindo-lhes construir muitas vilas, cidades e povoados. Estes últimos também plantaram bosques de árvores, e, com o tempo, produziram grandes quantidades, que lhes forneceram o suficiente para construção e outros fins. Quarenta e cinco anos antes da vinda de Cristo, saiu da América do Sul uma vasta colônia, e diz-se no Livro de Mórmon que percorreram uma distância imensa, até chegarem a grandes massas de água e a muitos rios e fontes, e, quando lemos mais completamente a descrição do país, ela corresponde ao grande Vale do Mississippi. Ali formaram uma colônia. Sabemos que essa é a região do país pelo fato de estas placas terem sido tiradas de um monte no interior do Estado de Nova York, sendo os descendentes destes os mesmos colonos que se estabeleceram no vale do Mississippi. Quando falamos do vale do Mississippi, permitam-me dizer algumas palavras para informar a mente de meus irmãos e irmãs de países estrangeiros que talvez não estejam tão plenamente familiarizados com a geografia de nossa terra. O vale do Mississippi não significa um pequeno vale como estes vales aqui nas Montanhas Rochosas, mas significa uma vasta área de território de cerca de um milhão e quinhentas mil milhas quadradas de extensão, suficiente para acomodar várias centenas de milhões de habitantes, quase um mundo em si mesmo. Ali os nefitas se tornaram um povo grande e poderoso. Com o tempo, espalharam-se para a direita e para a esquerda, e toda a face do continente norte-americano ficou coberta de cidades, vilas, povoados e população.

Mas prossigamos. Tendo guardado a lei de Moisés — refiro-me aos nefitas —, esperavam, segundo o testemunho de sua lei, a vinda do Messias, isto é, o grande Profeta de Israel que Moisés lhes dissera que o Senhor levantaria para eles. Esperavam que aquele grande Profeta viesse derramar seu sangue, pois seus sacrifícios e holocaustos apontavam para um grande e último sacrifício, o sacrifício do Filho de Deus. A nação nefita, portanto, recebera um testemunho a respeito daquele futuro Messias que haveria de vir; foi-lhes dado um sinal neste continente americano para que soubessem o exato dia em que ele nasceria. Na noite anterior ao nascimento de Jesus, este continente não teve trevas. Houve um dia, e depois uma noite e depois um dia sem treva alguma — era tão claro quanto o dia durante o período que geralmente se chama noite. Isto foi profetizado ou predito por seus profetas como um sinal de que não mais ficariam em suspense quanto à vinda de seu grande Profeta. Depois do nascimento de Cristo, foram dados ao povo sinais a respeito de sua crucificação. Os habitantes desta terra não ignoravam a grande expiação realizada no Monte Calvário. Não foi em vão que guardaram a lei de Moisés, e ofereceram seus holocaustos e o derramamento do sangue de animais e aves, apontando para o sangue expiatório de Jesus; souberam quando o grande e último sacrifício foi oferecido aqui, nesta terra. Contudo, foi para eles um dia de tristeza, pois a maior parte do povo, naquele tempo, se tornara muito perversa. Haviam apedrejado e matado os profetas, e os haviam perseguido extremamente, e se tornaram tão corruptos, e se haviam desviado tanto da lei de Moisés e das profecias que Deus lhes dera, e dos justos preceitos que lhes haviam sido ensinados por seus profetas, que o Senhor, em sua ira, destruiu muitas centenas de milhares do povo à época da crucificação de Jesus. Os profetas disseram ao povo que, quando Jesus fosse pendurado na cruz, haveria uma terrível convulsão e um grande terremoto neste continente; que muitas de suas vilas, cidades e povoados seriam totalmente destruídos; que algumas de suas cidades seriam afundadas e sepultadas nas profundezas da terra; que montanhas se levantariam e cairiam sobre certas cidades; que outras cidades seriam afundadas e águas subiriam em seu lugar; que outras cidades seriam destruídas por tempestade e redemoinho; que outras seriam queimadas pelo fogo. Outro grande sinal lhes foi dado a respeito do período durante o qual Jesus haveria de permanecer no sepulcro — que, desde o período da crucificação até o tempo da ressurreição, uma espessa escuridão se espalharia sobre toda a face deste continente, uma escuridão como a do Egito, que o povo poderia sentir. Nem sol, nem lua, nem estrelas foram permitidos brilhar naquela ocasião, nem um lampejo de luz, três dias e três noites de escuridão.

Tudo isto ocorreu na crucificação de Cristo. Os juízos vieram conforme os profetas haviam predito. As rochas, em quase toda a face deste continente, antes daquele acontecimento, não se achavam perturbadas como estão hoje. Os que têm viajado por estas regiões montanhosas e observado os diversos estratos de rocha encontram muitos deles virados de lado. Isto deve ter sido causado por alguma terrível convulsão. Vereis isto em toda parte nestas montanhas. Não é algo peculiar à nossa vizinhança, mas a mesma coisa ocorre em toda a vasta região chamada Montanhas Rochosas. Desde as regiões geladas do norte, até penetrardes pelo Istmo nos Andes, e depois até o extremo sul deste continente, encontramos essas perturbações, fendas e rachaduras entre os diversos estratos de rocha. Antes da vinda de Cristo, não era assim. Muitas montanhas surgiram depois da crucificação onde antes havia vales profundos, e toda a face da terra foi mudada. Não admira, pois, que nossos mineiros aqui nestas regiões rochosas, e em várias partes de Montana, Califórnia e Nevada, ocasionalmente, depois de escavar várias centenas de pés, encontrem vestígios de artes humanas. Encontram estas coisas, e têm publicado descrições delas nos jornais da Califórnia e em outros lugares, e, em consequência dessas descobertas, começam a calcular que a terra deve ter tantas centenas de milhares de anos, e alguns deles concluem que devem ser milhões, a fim de explicar os fenômenos observados. Mas os geólogos deveriam deixar de lado essas questões e começar a indagar o que produziu estas terríveis convulsões da natureza, o que ergueu estas vastas cadeias de montanhas, o que afundou os vales? Que é que perturbou e aparentemente lançou o continente ocidental em tal terrível convulsão, a ponto de colocar as rochas de canto e rasgá-las? Se indagassem sobre estas coisas, não lhes seria motivo de espanto encontrar vestígios das antigas artes dos homens afundados bem abaixo da superfície da terra. Eu lhes diria que, porventura, ainda poderão encontrar, quando o Senhor tornar a convulsionar este continente, como certamente fará, derrubando as montanhas e erguendo os vales, na época de sua segunda vinda — pois então, diz o profeta Isaías, os montes escoarão à sua presença. Então, diz o profeta Davi, os montes e as colinas se derreterão como cera diante da presença do Senhor. Digo que, quando vier esta grande e terrível convulsão, poderemos encontrar cidades surgindo, por assim dizer, das entranhas da terra, vomitadas e trazidas à superfície. Não deverá surpreender os habitantes que então viverem ver cidades trazidas das profundezas dos lagos e das profundezas de grandes águas; ver montanhas removidas de seus lugares, descobrindo cidades antigas que estiveram cobertas por gerações. Tudo o que se necessita então é uma convulsão, uma terrível catástrofe da natureza, para produzir os efeitos que às vezes se atribuem a longas eras da lenta ação dos elementos. Mas voltemos à história.

Na época da crucificação, os nefitas habitavam a América do Norte e também ocupavam uma porção da América do Sul; e, depois daquele acontecimento, a porção mais justa dentre os que foram poupados, e também os dentre os lamanitas que não haviam de todo abandonado a verdade, começaram a se lembrar das profecias, registradas em suas placas de ouro, de que, após a crucificação, e depois que todos aqueles terríveis juízos lhes houvessem sobrevindo, seu Messias, de quem Moisés falara, se tornaria visível aos habitantes deste continente. Dizem-nos que se reuniram em torno de certo templo que o Senhor preservara na parte norte da América do Sul, admirando-se das grandes convulsões da natureza que haviam ocorrido.

Enquanto assim conversavam, apontando e explicando uns aos outros o que sucedera, tanto ao norte quanto ao sul, até onde haviam explorado, enquanto assim conversavam, em toda humildade, a respeito de Jesus, que fora crucificado na terra de seus pais, ouviram uma voz vinda dos céus. A princípio não a puderam compreender; mas ela lhes despertou a atenção — a atenção de cerca de dois mil e quinhentos homens, mulheres e crianças — e todos fitaram firmemente os céus, e, enquanto assim estavam, a voz falou novamente pela segunda e pela terceira vez, dizendo-lhes: "Eis meu Filho Amado, em quem me comprazo"; e viram Jesus descendo dos céus, vestido de um manto branco, e ele veio e se pôs no meio daquela grande assembleia de pessoas, e lhes disse: "Eis que sou Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Pai dos céus e da terra, o Deus de toda a terra." Depois de assim lhes falar, contou-lhes como viera à terra de seus pais, e como fora crucificado pela nação judaica. Chamou então a multidão para vir ver as feridas em suas mãos, em seus pés e em seu lado, e eles viram essas feridas, e ouviram a voz de seu Redentor, e souberam com certeza que ele era o Filho de Deus, de quem seus profetas havia tanto tempo profetizavam. Jesus lhes ordenou que não mais matassem sacrifícios nem derramassem o sangue de animais e aves, pois ele mesmo fora oferecido como último e final sacrifício, segundo os tipos dados na lei de Moisés, e que derramara seu sangue para a remissão dos pecados; e então lhes ensinou o evangelho em toda a sua plenitude e simplicidade. Muitas vezes meu coração se encheu de alegria inexprimível quando li as palavras de Jesus naquela ocasião, declarando-lhes seu evangelho, e explicando-lhes que deviam ter fé nele como o único Redentor, como o único ser que podia expiar os pecados da humanidade; que deviam arrepender-se de seus pecados e se tornar como crianças pequenas, e ser batizados por imersão para a remissão de seus pecados; que, se assim procedessem, seriam batizados com fogo e com o Espírito Santo, e, ao receberem o Espírito Santo, este lhes concederia dons especiais, a fim de que, pelo exercício desses dons, pudessem ser aperfeiçoados e preparados para retornar à presença de seu Pai e seu Deus.

Jesus escolheu doze discípulos no continente americano. Não são chamados apóstolos no Livro de Mórmon, mas discípulos. Não tenho dúvida, porém, em minha própria mente, de que ocupavam o cargo do apostolado, pois exerciam todas as funções de apóstolos. Tinham poder não só para batizar com água, mas para impor as mãos para o batismo do Espírito Santo, sendo esta última uma das funções concedidas, em tempos antigos, ao cargo de apóstolo. Estes doze nefitas, que foram chamados pelo ministério pessoal de Jesus, foram mandados sair e pregar o evangelho por toda a face do continente da América do Norte e do Sul. Deviam edificar sua Igreja; deviam ensinar ao povo que não mais adorasse a Deus pelas ordenanças da lei de Moisés, mas segundo as palavras que aquele profeta lhes entregara, o próprio Jesus que aparecera em seu meio.

Depois que Jesus os ministrou no primeiro dia, retirou-se e ascendeu ao céu, dizendo ao povo: "Eis que vos visitarei novamente amanhã." O povo que estava presente naquela ocasião espalhou a notícia da visita do Salvador tanto quanto possível durante o resto do dia e durante a noite, e o povo se ajuntou de todas as partes tanto quanto possível, para estar no lugar onde Jesus lhes apareceria. No dia seguinte ele veio novamente, e no dia seguinte os discípulos separaram as vastas multidões que se reuniram em doze grupos, e os ensinaram, pois não podiam se reunir num só corpo e todos ouvirem a voz de um só homem. Por essa razão foram separados em doze grupos, e os Doze os ensinaram. Ensinaram-lhes as palavras de Jesus sobre ser batizado por imersão para a remissão dos pecados, e sobre o dom ou recebimento do fogo e do Espírito Santo. Depois de ensinarem o povo, os Doze saíram, comissionados pelo Todo-Poderoso, à água e batizaram grande número de pessoas. Depois disso, Jesus veio novamente e os ministrou e os abençoou, e lhes ensinou ainda mais a respeito de suas doutrinas, e também profetizou muitas coisas que sucederiam durante aquela geração, e por muitas gerações vindouras. Muitas vezes depois disso Jesus se mostrou à nação nefita. Estes doze discípulos saíram, conforme o mandamento do Senhor, e ordenaram outros, e estes ministros assim ordenados saíram por toda a face do continente, e foram tão grandes as testemunhas, tão poderosas as manifestações de cura dos enfermos, de abertura dos olhos dos cegos, e o poder que se manifestou entre os israelitas americanos, que a maior parte tanto dos nefitas quanto dos lamanitas se converteu — na verdade, com o tempo, todos se converteram — e viveram em retidão por quase três séculos. Temos, porém, apenas uma história muito breve, no Livro de Mórmon, da retidão dos nefitas e lamanitas durante aqueles três séculos. Somos apenas informados de que tinham todos os seus bens em comum, que não havia ricos nem pobres entre eles durante todo aquele período, que eram um povo humilde e adoravam o Senhor seu Deus em nome de Jesus, e eram um povo que procurava diligentemente cumprir todo mandamento e revelação vindos do céu. Depois de passadas cerca de três gerações, começaram a apostatar, não a definhar na incredulidade, mas a rejeitar, deliberadamente, os princípios que lhes haviam sido revelados, os quais eram, na verdade, muito grandiosos; pois, durante aquele período, segundo a pouca informação que temos, o Senhor lhes deu muitas revelações preciosas, que foram registradas em suas placas, as quais não foi permitido que saíssem à luz neste registro, por serem demasiado grandiosas para nós ou para qualquer povo receber que não vive em retidão. Mas o povo começou a apostatar e a se desviar de tão grande luz, e sua condenação, é claro, foi maior do que teria sido se estivessem nas trevas e na ignorância. Pecando contra luz tão grande, rapidamente se prepararam para a destruição. Começaram novamente a se separar em lamanitas e nefitas, e formaram duas grandes divisões.

Cerca de trezentos e setenta e cinco anos depois do nascimento de Cristo, ocupando os nefitas a América do Norte e os lamanitas a América do Sul, e havendo guerras entre eles por quase cinquenta anos, os lamanitas começaram a subjugar os nefitas, e os empurraram para o norte, desde a estreita faixa de terra que chamamos o Istmo de Darién, queimando, destruindo e assolando toda cidade, vila e povoado por onde passavam. Os nefitas continuaram a fugir diante de seus conquistadores até chegarem ao interior do Estado de Nova York. Ali, o rei ou comandante dos nefitas escreveu uma epístola aos lamanitas, pedindo um armistício de quatro anos, com o propósito de reunir toda a nação nefita naquele único lugar. O rei dos lamanitas concedeu esse armistício, e, durante esses quatro anos, não houve batalhas, mas ocuparam-se com muita diligência em reunir toda a nação nefita naquela única região, e os lamanitas reunindo toda a nação lamanita na mesma região do país. Muitos milhões, de ambos os lados, ali se reuniram, e, quando os quatro anos expiraram, renovaram-se as hostilidades, muitas batalhas foram travadas, e os nefitas foram subjugados, sendo derrubados homens, mulheres e crianças. A grande e última batalha, na qual pereceram várias centenas de milhares de nefitas, foi no monte Cumora, o mesmo monte de onde Joseph Smith tirou as placas — o rapaz sobre quem vos falei na outra noite. Alguns poucos nefitas desertaram para os lamanitas e se uniram a eles, e alguns poucos escaparam para a terra do sul. Mórmon, um dos profetas dos nefitas, que tinha os registros em sua posse, sendo mandado pelo Senhor, escondeu os registros no monte Cumora antes de começarem as batalhas. Refiro-me a todos os registros, exceto um resumo. As placas de ouro das quais foi tirado o Livro de Mórmon são apenas um resumo de um vasto número de outras placas que Mórmon escondeu naquele monte. Este resumo, guardado e não escondido por Mórmon, ele o entregou a seu filho Morôni. Ambos, ele e Morôni, testemunharam a destruição de sua nação; caíram feridos entre a vasta multidão naquele monte, mas seus ferimentos não foram fatais, e sobreviveram, ocultando-se por pouco tempo. Mórmon, contudo, foi depois descoberto e destruído pelos lamanitas. Morôni continuou, desde os trezentos e oitenta e quatro anos, data da destruição de sua nação, até quatrocentos e vinte anos depois de Cristo, que é a última data dada neste registro. Morôni nos diz, como profeta de Deus, que foi mandado pelo Senhor a esconder estes registros no monte Cumora, não no mesmo lugar onde os outros registros haviam sido escondidos por seu pai Mórmon, mas em outro lugar, pois o Senhor prometera ao profeta Morôni que traria estes registros à luz nos últimos dias, quando levantasse uma grande e poderosa nação sobre esta terra. O Senhor mostrou todas estas coisas a estes antigos profetas, e eles compreenderam nossa história e escreveram a respeito dela antes mesmo de Colombo descobrir a América. Morôni nos informa que, depois que o Senhor estabelecesse, nos últimos dias, uma grande e poderosa nação de gentios sobre a face desta terra, e a livrasse por seu poder das mãos de todas as outras nações, então o Senhor traria à luz este resumo, estas placas que Morôni foi mandado esconder; que os registros seriam revelados, que o indivíduo que os descobrisse poderia, com o auxílio do Urim e Tumim, traduzir os registros da língua em que foram escritos para a nossa língua; que estes registros seriam trazidos à luz expressamente para cumprir os grandes propósitos do Senhor, nos últimos dias, no tocante a advertir primeiro todas as nações dos gentios, e para que lhes pudesse ser pregado o evangelho em sua pureza antiga, tal como foi pregado neste grande hemisfério ocidental, a fim de que a plenitude dos gentios pudesse ser trazida, e então seus tempos se cumprissem. Depois que os tempos dos gentios se cumprissem com a vinda destes registros, o profeta nos informa que os registros seriam enviados a todos os remanescentes dispersos da casa de Israel nos quatro cantos da terra, e que então o Senhor estenderia sua mão com poder para livrar seu povo Israel de todas as nações e reinos debaixo de todo o céu, e que os traria de volta à terra de seus pais.

Mas, antes que Israel possa ser reunido, estes registros, segundo as predições neles contidas, devem ser proclamados amplamente, não somente à grande e poderosa nação, a República dos Estados Unidos, e ao Canadá, mas a todas as nações dos gentios, para que todos fiquem sem desculpa. Já se passou, em muito, o tempo para esta advertência aos gentios. Já se passaram quarenta e dois anos da geração, e a mesma geração a quem estes registros foram revelados não passará até que os tempos dos gentios se cumpram. Quando chegar esse período, como disse em minha palestra durante a semana, virá um dia do poder especial do Senhor, o dia de poder de que fala o salmista Davi, quando se dirige ao Senhor, dizendo: "O teu povo se oferecerá voluntariamente no dia do teu poder." Israel nunca esteve disposto a receber Jesus, desde o dia em que foram cortados como ramos amargos que não davam bom fruto, até o presente período. Geração após geração tem passado, e ainda permanecem na incredulidade, e ainda permanecem em sua condição dispersa entre todas as nações e países da terra. Mas, quando vier o dia do poder do Senhor, quando ele enviar seus servos com o poder do sacerdócio e do apostolado às nações e aos remanescentes dispersos da casa de Israel que habitam nas ilhas do mar, ao longe, ele manifestará seu poder naquele dia de maneira tão conspícua que todo o Israel, por assim dizer, será salvo. Como está escrito pelo apóstolo Paulo: "O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado, e assim todo o Israel será salvo." Todo o Israel, naquele dia, ouvirá a voz do Senhor e a voz de seus servos; todo o Israel, naquele dia, verá o braço do Senhor descoberto em sinais e grandes prodígios, ao efetuar a restauração de seu povo escolhido à sua própria terra. Então se cumprirá o que está dito no capítulo 20 de Ezequiel a respeito de sua restauração: "Pois com mão forte, diz o Senhor, e com indignação derramada, hei de reinar sobre vós, e vos tirarei dentre as nações, e das terras em que fostes dispersos, com mão forte, com braço estendido e com indignação derramada. E vos levarei ao deserto dos povos, e ali entrarei em juízo convosco face a face. Como já entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor Deus." Isto nunca se cumpriu, mas se cumprirá quando o Israel disperso voltar à sua própria terra. Um cenário semelhante ao que se deu quando Israel foi tirado da terra do Egito, enquanto estava no deserto, há de se repetir. Voltai àquele período e contemplai o Senhor descendo sobre o Monte Sinai, falando com voz de trombeta aos ouvidos de dois milhões e quinhentas mil pessoas, os trovões ribombando, os relâmpagos fuzilando, e a voz de Jeová ouvida por toda uma nação. Vós vos maravilhais com isto, foi grande e maravilhoso; mas há de vir outro dia em que aquelas cenas representadas no deserto da terra do Egito serão quase inteiramente esquecidas, absorvidas nas maiores manifestações de seu poder, não só sobre o Monte Sinai, mas entre todas as nações da terra. Onde quer que Israel esteja disperso, ali estarão os servos de Deus, e seu poder operando prodígios, sinais e milagres para o ajuntamento daquele povo e sua restauração à sua própria terra. E, quando forem reunidos numa vasta multidão, o Senhor pretende levar essa multidão ao deserto antes de lhes permitir ir à terra de seus pais, e, quando os tiver naquele deserto, dirá: "Entrarei em juízo convosco face a face, como entrei em juízo com vossos pais no deserto da terra do Egito." Contudo, a presente geração nos diz que não há de haver mais revelação, mais milagres, mais manifestações do poder do Todo-Poderoso, mais a voz de Deus falando dos céus, mais manifestações de sua glória, ou de que ele se mostre pessoalmente a seu povo. Quão maravilhosamente esta geração da cristandade se enganará naquele dia em que Israel for novamente à sua própria terra, e quando o Senhor Deus estender sua mão às nações dos gentios, dizendo: "Vossos tempos estão cumpridos, meus servos foram enviados ao vosso meio, declararam-vos a palavra do Senhor o dia todo, mas não quisestes ouvir nem receber seu testemunho; agora passou a colheita, acabou-se o verão, e vossos tempos estão cumpridos. Agora ajuntarei meu povo Israel dos quatro cantos da terra."

Aqui deixai-me dizer novamente que, segundo o Livro de Mórmon, muitas daquelas grandes ilhas que se encontram no Oceano Índico, e também no grande Mar Pacífico, foram povoadas com colônias de israelitas. Não se assemelham umas às outras? Ide às Ilhas Sandwich, às Ilhas dos Mares do Sul, ao Japão — ide às várias ilhas do Oceano Pacífico, e encontrareis uma semelhança geral nos traços e semblantes do povo. Quem são eles? Segundo o Livro de Mórmon, israelitas foram dispersos de tempos em tempos, e colônias foram plantadas nestas ilhas do oceano. Naquele dia as ilhas cantarão de alegria; naquele dia as ilhas do mar esperarão pela lei do Senhor; naquele dia as ilhas do mar se regozijarão, pois entregarão seus habitantes, e estes serão transportados em navios à sua terra prometida, e Deus manifestará seu poder e ajuntará milhões de pessoas destas numerosas ilhas do oceano, e os trará de volta à terra de seus pais. Estes pobres e degradados lamanitas, ou índios americanos, que agora estão tão profundamente decaídos abaixo da humanidade, hão de ser levantados pelo poder do Todo-Poderoso quando chegar o dia da restauração de Israel, pois Deus não os esquecerá. São descendentes da tribo de José e, portanto, são contados entre o povo do convênio. Deus se lembrará do convênio que fez com nossos antigos pais. Estes lamanitas, estes índios americanos, chegarão ao conhecimento do convênio, e se levantarão e construirão sobre a face desta terra uma magnífica cidade chamada Jerusalém, segundo o modelo e da mesma maneira que os judeus construirão a antiga Jerusalém. É isto que os lamanitas farão, e nós também iremos ajudá-los, pois está predito no Livro de Mórmon que, quando esta obra vier à luz, quando chegar plenamente o tempo da redenção deste pequeno remanescente da casa de José: "ajudarão meu povo, o remanescente de Jacó... a construir uma cidade que será chamada Nova Jerusalém... e então o poder dos céus descerá no meio deles; e eu também estarei no meio."

É isto que o Senhor pretende cumprir sobre esta terra. Jesus virá aqui, assim como a muitos outros lugares. Quando a Nova Jerusalém for edificada sobre esta terra, Jesus visitará aquela cidade. Sua glória estará sobre as suas moradas. O profeta Isaías declarou que sobre toda habitação do monte Sião haverá uma nuvem e uma fumaça de dia, e um resplendor de fogo flamejante de noite. Isto não será apenas sobre a Nova Jerusalém, mas sobre a Cidade Santa que se edificará na terra da Palestina; e, quando o povo se houver arrependido e se tornado suficientemente justo, e houver feito preparação para a vinda do Senhor Jesus, ele virá, e contemplarão o Pastor que lhes é prometido.

Não sabíeis que à casa de José foi prometido um Pastor? Foi-lhes prometido pelo antigo patriarca Jacó, como encontrareis na bênção que ele pronunciou sobre seus doze filhos. Chamou-os um por um, começando pelo primogênito, e abençoou cada um por sua vez, até chegar a José, sobre quem pronunciou uma bênção especial. "José", disse Jacó, "é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro. Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e o odiaram; mas o seu arco permaneceu firme, e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Jacó — de onde é o Pastor, ou a Pedra de Israel."

Notai agora que Jesus não nasceu da tribo de José; era, segundo a carne, descendente de Judá; mas, ainda assim, a promessa de um Pastor ou pedra de Israel vem da casa de José. O mesmo Jesus que nasceu da tribo de Judá há de vir, nos últimos dias, na condição de Pastor, para a restauração dos remanescentes da tribo de José. Isto concorda com o que se contém em um dos Salmos de Davi: "Tu, que és pastor de Israel, dá ouvidos; tu, que guias José como a um rebanho... desperta o teu poder, e vem salvar-nos." Sim, ele virá e os salvará, e virá também na condição de Pastor. "Eu também estarei no meio." O poder dos céus descerá então, e estará no meio deste povo. Isto concorda com o que já citei, só que não o citei por inteiro: "O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado, e assim todo o Israel será salvo. Como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades."

Será que Jesus, quando veio da tribo de Judá, desviou de Jacó as impiedades? Ele procurou fazê-lo, mas não quiseram ouvi-lo, e, em vez de os desviarem de suas impiedades, deram-lhe a morte, e trouxeram sobre si e sobre seus filhos, por muitas gerações, a maldição do Todo-Poderoso. Não será assim quando se cumprir esta profecia de Paulo, quando, nos últimos dias, depois que a plenitude dos gentios houver entrado, o Redentor vier na condição de Pastor; ele desviará de Jacó as impiedades, pois tão grande será seu poder e tão maravilhosa sua administração naquele dia, que Jacó se regozijará e Israel se alegrará, e o Senhor trará a libertação, como diz nos Salmos de Davi, do meio de Sião. "Oh", diz Davi, "se de Sião tivesse já vindo a redenção de Israel! Quando o Senhor fizer voltar os cativos do seu povo, Jacó se regozijará e Israel se alegrará." Ele realizará esta obra a seu próprio modo, em seu próprio tempo, e segundo seus próprios propósitos, cumprindo cada jota e cada til do que foi falado pela boca de seus antigos profetas.

Pensei, quando me levantei, que traria algumas das evidências da autenticidade divina do Livro de Mórmon, mas fui levado por outro caminho, e vejo que não tenho tempo para isso nesta tarde. Contudo, apresentei-vos um relato da chegada a este grande continente de uma colônia de israelitas, e vos dei um esboço muito breve de sua história, de seiscentos anos antes de Cristo a quatrocentos e vinte anos depois dele. Disse-vos que adoravam segundo a lei de Moisés, até que foram ensinados e receberam o evangelho. Falei-vos de três gerações de retidão, da destruição da nação nefita no interior do Estado de Nova York. Falei-vos de alguns dos propósitos que Deus pretende cumprir e realizar ao trazer à luz este registro. Disse-vos que deve ir aos gentios, e cumprir os seus tempos, e trazer sua plenitude. Disse-vos que os servos de Deus seriam então enviados às ilhas do mar, para trazer Israel dos quatro cantos da terra. Disse-vos que aquele seria um dia do poder especial do Senhor, no qual ele entraria em juízo com Israel como entrou em juízo com seus pais no deserto da terra do Egito. Todos estes grandes acontecimentos hão de se cumprir, segundo as predições dos profetas, a fim de preparar o caminho para o glorioso advento do Filho de Deus, vindo dos céus.

Se o tempo o permitisse, teríamos prazer em entrar nas evidências da autenticidade divina do Livro de Mórmon; mas, sem dúvida, oportunidades para nos determos neste assunto se apresentarão futuramente. Entretanto, que a bênção do Deus Todo-Poderoso repouse sobre todos os Santos dos Últimos Dias, por todos estes vales das montanhas, e por toda a terra! E limitaremos nossa bênção apenas aos Santos dos Últimos Dias? Não. Que a bênção do Deus Todo-Poderoso repouse sobre os de coração honesto entre todas as nações, tribos, línguas e povos, nos dois grandes continentes de nosso globo, e nos quatro cantos de nossa terra, para que cheguem ao conhecimento da verdade e se preparem para os grandes e maravilhosos acontecimentos que hão de ocorrer nos últimos dias, preparatórios para a vinda do Filho do Homem. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “América Nefita — O Dia do Poder de Deus — O Pastor de Israel”, (1872-02-11). Pulpit Vault, 1872-02-pratt-nephite-americathe-day-of-gods-powerthe-shepherd-of-israel. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).