Pulpit

O Recolhimento — O Surgimento da Igreja — O Livro de Mórmon — O Verdadeiro Cristianismo

Orson Pratt

1871-12-10

Há uma grande assembleia de pessoas agora sentadas neste Tabernáculo, e será necessária muita atenção e silêncio da parte de uma congregação tão numerosa, a fim de ouvir distintamente e compreender o que se possa dizer. Tenho tido o hábito, nos últimos meses, de escolher um texto das Escrituras. Não o faço esta tarde, pela razão de que nenhum texto em particular se apresentou à minha mente; contudo, procurarei, com o auxílio do Espírito do Senhor, falar sobre os assuntos tal como se me apresentarem no próprio momento. Quais serão, não sei. É meu desejo sincero, contudo, que eu seja favorecido com a fé e as orações de todas as boas pessoas que possam estar presentes, para que porventura o Senhor seja misericordioso conosco e derrame grande abundância de seu Santo Espírito para nos auxiliar nesta ocasião.

É coisa estranha, para a maior parte do mundo civilizado, ver, ou antes, contemplar, tantas dezenas de milhares de pessoas se reunindo nas partes interiores da América do Norte, nas Montanhas Rochosas ou vizinhança, todas de uma mesma fé religiosa. É uma maravilha, e produz muito espanto entre o povo, entender qual é a causa desta grande reunião ou ajuntamento, o que significa, qual o objeto, que propósito se há de alcançar, quais os desígnios do povo, e assim por diante. Isto está atraindo a atenção não apenas de nossa própria nação, mas de muitas outras nações — esta fuga, este ajuntamento de um povo de tantas partes do mundo, vindo juntar-se no interior deste novo mundo, num país que, a toda aparência humana, era um dos mais difíceis do mundo conhecido de se povoar. Perguntam-se como pode exercer-se uma influência sobre a mente de tantas pessoas, entre tantas nações, a ponto de levá-las a deixar os lares de seus pais, seus países natais, seus companheiros e amigos, e partir por milhares de milhas em condução ferroviária, e atravessar o oceano, e depois prosseguir sua viagem por milhares de milhas ainda mais, para dentro do coração de um deserto. É coisa curiosa quando refletimos sobre isto. Observarei aqui, contudo, que não é a influência do homem que trouxe este grande evento; o homem não é a origem deste grande ajuntamento que vedes no Território de Utah. Se não credes no que digo, deixai que qualquer outra sociedade, não importa quanto talento possua, quanta sabedoria humana possa ter; deixai que tentem realizar coisa semelhante, e vede se conseguem. Tomai todo o saber que há no mundo, combinai-o, enviai os oradores mais eruditos e talentosos entre as nações, exercei todo o poder e influência humana que Deus vos deu, e tentai realizar obra semelhante à que agora se apresenta diante de vossos olhos, e vede se conseguireis. Não pode ser feito; nunca foi feito, que eu saiba, desde os dias de nosso Salvador. Não temos relato na história de nenhuma sociedade religiosa reunindo-se de tantas nações para uma só região do país desde os dias do Salvador.

Quereis saber o segredo deste grande ajuntamento? Quereis saber por que se exerceu esta influência sobre a mente do povo? Eu vos direi: é porque Deus, que está naqueles céus, falou em nossos dias; este é o segredo. É porque ele enviou anjos, mensageiros do céu, que apareceram aos homens aqui na terra, e conversaram com eles. É porque Deus, por meio de anjos, e por sua própria voz, enviou de novo mensageiros à família humana com uma mensagem importante, mensagem mais importante, em certo sentido, do que qualquer outra antes entregue ao homem — uma mensagem para preparar o caminho diante da face e da vinda de seu Filho, desde os céus.

Poderão perguntar os estranhos: que tem este grande ajuntamento a ver com preparar o caminho diante da vinda de seu Filho? Não poderíeis todos permanecer dispersos entre as nações e estar preparados igualmente bem? Respondo que, se Deus nos tivesse ordenado permanecer entre as nações em nossa condição dispersa, isso teria sido correto e aceitável diante dele; mas, por outro lado, se Deus falou, como declaramos que falou, e sua voz foi ouvida, e mensageiros foram chamados e enviados por mandado divino, e foi dada revelação, não apenas para que o povo obedecesse ao evangelho, mas também para que se recolhesse e se reunisse em um só lugar, então não poderíamos estar preparados para sua vinda sem obedecer ao mandado divino. Tudo repousa, pois, neste ponto: falou Deus a respeito deste assunto? Instituiu ele realmente esta coisa? Deu ele revelação divina no século 19? Enviou ele seus anjos? Se o fez, então a obra diante de vós é a obra preparatória para a vinda do Filho de Deus. Se não falou, como declaramos que falou, então uma obra semelhante terá de ser realizada no futuro por algum outro povo; pois esta mesma obra que agora percebeis — o ajuntamento de tantos milhares — está claramente predita pelos antigos profetas; e, se não somos o povo que cumpre estas predições, então outro povo há de surgir depois, em circunstâncias semelhantes, para cumpri-las, antes que o Filho de Deus venha dos céus, para reinar aqui como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Muito se tem dito sobre a vinda de nosso Senhor para reinar aqui na terra por mil anos. Temos agora nos Estados Unidos, e na Grã-Bretanha, e em outras partes do mundo, os que se chamam Adventistas do Segundo Advento, que dizem estar avançando a fim de preparar o caminho diante da vinda do Senhor. Mas estarão eles cumprindo as predições dos antigos profetas contidas nesta Bíblia? De modo algum. A primeira predição a que vos remeterei, sobre este assunto, que agora me ocorre, é uma que tem sido repetida com frequência, por uns quarenta e um anos, por este povo; mas é de tanta importância, e interessa esta geração a tal grau, que jamais me canso de repeti-la. Encontra-se naquela profecia que foi entregue a João na Ilha de Patmos. Ele viu em visão, como se representa no capítulo 14 de sua profecia, o Filho do Homem sentado sobre uma nuvem, com uma foice afiada nas mãos, vestido de glória e poder, e viu, ao mesmo tempo, anjos, e um deles clamou àquele que tinha a foice afiada nas mãos, que fosse e ceifasse a terra; pois a colheita da terra estava madura. Aqui estava uma visão da vinda do Filho do Homem. Mas, antes disto, havia uma obra preparatória a realizar-se, cuja natureza se explica no mesmo capítulo. Esta obra preparatória é a que desejo chamar vossa atenção especial nesta ocasião.

Não era menos que um mensageiro que havia de voar pelo meio do céu — um anjo santo, não algo a ser espiritualizado, ou que possamos interpretar segundo nossas próprias opiniões, não algum grande e renomado homem que havia de ser suscitado aqui na terra, mas um anjo. "Vi outro anjo," diz João, antes da vinda de Cristo, antes de ver aquela pessoa sentada sobre a nuvem. "Vi outro anjo voando pelo meio do céu." Não uma pessoa suscitada para ir e pregar aqui, e voar entre os habitantes da terra, mas voando pelo meio do céu. Que mensagem particular tinha este anjo a transmitir, e a quem havia de transmiti-la? Diz João que este anjo, que ele viu voando pelo meio do céu, tinha o evangelho eterno para pregar aos que habitam sobre a terra. Para mostrar quão extensamente havia de ser pregado, notai a frase seguinte: "Para ser pregado aos que habitam sobre a terra, a toda nação, tribo, língua e povo." Não inclui isto a todos? Não abrange esta predição, em seu escopo, toda a humanidade nas quatro partes da terra? Na verdade, abrange. O que estava relacionado a este evangelho eterno, que fez com que o anjo devesse pregá-lo tão extensamente entre os habitantes da terra? Que outra predição foi proferida naquela ocasião? O anjo proclamou que chegara a hora do juízo de Deus. Tinha ele, contudo, o evangelho a restaurar, antes que aquele juízo caísse sobre as nações. Deviam primeiro ouvi-lo, deviam primeiro ser advertidos, deviam primeiro receber a oportunidade e o privilégio de receber a mensagem, depois do que, se não a recebessem, disse o anjo que chegara a hora do juízo de Deus. Consequentemente, aprendemos destas predições três ou quatro coisas muito importantes. Primeira: que, quando o evangelho for novamente confiado aos habitantes da terra, há de ser por meio de um anjo. Segunda: que, quando assim for confiado, deve ser pregado a todo o povo debaixo de todo o céu, sem exceção de línguas ou raças. Terceira: aprendemos que a hora do juízo de Deus havia de seguir-se imediatamente a esta pregação do evangelho eterno.

Notai agora o que se prediz no versículo seguinte. Esta foi a primeira mensagem; mas diz João: "Vi outro anjo segui-lo." Havia, então, dois anjos, o primeiro com uma mensagem do evangelho de paz, proclamando paz aos habitantes da terra, e depois o juízo a seguir-se imediatamente. O segundo anjo não tinha mensagem de paz, mas esta era sua proclamação: "Eis que caiu, caiu a grande Babilônia, porque a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição." Aprendemos que certo poder, sob o nome de Grande Babilônia, há de sofrer total ruína depois de o evangelho ter sido pregado, o que havia de ser trazido por um anjo. Um terceiro anjo se seguiu, e declarou que todos os que não recebessem a mensagem da verdade seriam derrubados, e seriam punidos, e a fumaça de seu tormento subiria para todo o sempre. Depois de predizer a vinda destes três anjos, proclama ele então a vinda do Filho de Deus sentado sobre uma nuvem, de que já falei.

Ora, temos esta importante mensagem a testificar, e a testificamos com toda a ousadia, testificamo-la diante dos céus, testificamo-la diante da terra, testificamo-la em nome do Senhor Deus que nos enviou, em nome de Jesus Cristo que nos redimiu, que aquele anjo já veio, que o século 19 é o século favorecido em que Deus cumpriu esta antiga predição, proferida pela boca de seu antigo servo. Deus, na verdade, enviou aquele anjo, e, quando veio, revelou o evangelho eterno.

Mas sei o que agora surge em vossos corações, sei o que os estranhos que estão diante de mim dirão em seus corações, o que agora pensam. Alguns de vós agora dizem em seus corações: temos o evangelho eterno contido neste livro, o Novo Testamento, e o temos há uns dezoito séculos ou mais, e, consequentemente, de que serviu que outro anjo tivesse o mesmo evangelho eterno a confiar aos filhos dos homens, quando já o tínhamos? Ora, não era isso o que estava em vossos corações? Arriscar-me-ei a dizer que havia alguns nesta congregação que pensavam em algo muito semelhante a isto. Deixai-me responder a esta pergunta, dizendo que Deus revelou o evangelho eterno de novo. Mas que razão ou propósito teve ele para assim fazer, dizem alguns, não temos já o suficiente escrito sobre o assunto na Bíblia? Não temos o evangelho com toda clareza, e por que haveria ele de revelá-lo novamente? Eu vos direi por quê. O que está escrito no Novo Testamento em relação ao evangelho eterno não é como era quando foi revelado pela primeira vez; e, como testemunho de que não é muito claro, permiti-me remeter-vos a umas cinco ou seiscentas diferentes opiniões religiosas, todas fundadas neste mesmo livro, que dizeis conter o evangelho eterno. Por que todas estas opiniões, por que toda esta distração da fé? Por que, por exemplo, uma seita crê na aspersão, outra na infusão, outra na imersão, outra rejeitando totalmente o batismo, outra batizando aqueles que professam ter obtido o perdão dos pecados? Outra classe batizando expressamente para a remissão dos pecados? Por que prevalecem todos estes sentimentos e noções religiosas? Não professam todas estas classes fundar sua fé no Novo Testamento, que dizem conter o evangelho eterno? Ah, sim. Mostra isto claramente que falta algo. Há tantas pessoas sinceras, sem dúvida, que creem que aspergir crianças é o modo correto de batismo, quanto há as que creem em batizar adultos por imersão. Uma classe é tão sincera quanto a outra; uma professa crer e ter confiança no Novo Testamento tanto quanto a outra. Ora, deve haver algo que não seja tão claro no Novo Testamento, ou não haveria tamanha diversidade de opinião e sentimento.

Voltamos a referir-nos ao evangelho eterno que o anjo haveria de trazer! Que poderíamos esperar quando o anjo viesse? Não poderíamos razoavelmente esperar que, quando Deus envia um anjo do céu com o evangelho eterno, ele o tornará tão claro que não possa haver mal-entendido a respeito de nenhuma ordenança ou princípio a ele relacionado? É isto o que eu esperaria. As causas pelas quais estas coisas não estão tão claras agora no Novo Testamento são estas: o Novo Testamento tem sido transmitido, ou seus manuscritos, por muitos séculos, transcritos pelos escribas de diferentes gerações. Sem dúvida, muitos destes eram homens sinceros e bons; mas fizeram, no decorrer de tantos séculos, grandes deturpações no texto, na palavra original, refiro-me ao texto grego, e também ao hebraico no que diz respeito ao Velho Testamento. Não me refiro aos manuscritos ingleses, mas ao texto escrito no que se chama o grego ou hebraico original. Estes manuscritos gregos e hebraicos, transmitidos de geração em geração, e transcritos e alterados mais ou menos, caíram por fim nas mãos dos povos dos tempos mais recentes num estado em que muito se contradizem entre si. É declarado pelos mais eruditos arcebispos e bispos, e homens de grande saber que reuniram milhares destes manuscritos antigos e os compararam uns com os outros, que há trinta mil leituras diferentes do texto original. Não meramente uma leitura diferente numa ou noutra frase, mas do texto original, tomando o Velho e o Novo Testamento como um todo. Quando o Rei Jaime, em seu tempo, designou um grande número de homens eruditos para traduzir a Bíblia para a língua inglesa, reuniram estes tantos manuscritos quanto puderam obter. Ao examiná-los, é claro, não sabiam qual era o correto. Encontraram-nos diferindo uns dos outros em milhares de casos. Qual seria o mais correto, sem inspiração, nunca puderam saber; mas fizeram o melhor que souberam. Não são culpados por aqueles erros. Eram homens de integridade; recolheram, segundo seu melhor entendimento e conhecimento, os manuscritos existentes, e os traduziram segundo a melhor informação que tinham sobre as línguas originais. Daí se originou esta Bíblia inglesa presente, a tradução do Rei Jaime. Admiro-me quando olho para esta Bíblia, de encontrá-la tão correta; admiro-me, e tem sido um mistério para mim que possa ser tão correta com tal abundância de contradições nos manuscritos originais. Em geral, o sentido não foi muito alterado, mas foi alterado o suficiente para produzir toda a confusão atualmente existente por toda a cristandade. Todas estas diferentes denominações surgiram, fundadas na mesma Bíblia e no mesmo texto. Que poderíamos esperar, então, quando Deus envia um anjo? Devemos esperar que ele nos dê uma massa confusa de algo que não podemos compreender? Ou não podemos antes esperar que ele nos comunique a clareza e a simplicidade de sua palavra, e chame isso o evangelho, e chame as nações da terra a recebê-lo? Respondo que, no que toca à razão, e ao bom senso sadio, isto é, na medida em que posso julgar quanto à razão, a razão diria que o Deus da verdade comunicaria uma mensagem em perfeita clareza, que não pudesse ser mal compreendida por aqueles que desejassem conhecer o caminho certo.

Pois bem, tal era o fato. Tenho em mãos um registro contendo mais escrito do que o Novo Testamento; e este livro, do princípio ao fim, foi escrito por revelação divina, compreendendo história, profecias e o evangelho. Foi escrito por um povo antigo, uma porção da casa de Israel, que habitou a América antiga. Profetas e homens inspirados escreveram este registro em placas de ouro. Informam-nos que Jesus ministrou neste continente americano em pessoa, tanto quanto na pequena terra da Palestina. Informam-nos que, depois de sua ressurreição e ascensão da terra de Jerusalém a seu Pai, ele desceu a este continente americano, que os ensinou aqui em diferentes ocasiões, aparecendo-lhes com frequência, entregando-lhes seu evangelho eterno com clareza e simplicidade. Ordenou-lhes que escrevessem esse evangelho nas placas em que mantinham seus registros naquele tempo, e que já haviam sido transmitidas entre eles por cerca de seiscentos anos. Este livro também nos informa sobre a pregação do evangelho entre os antigos americanos — os antigos habitantes deste país; que doze homens foram chamados, não apóstolos, ou antes, não foram chamados apóstolos, mas discípulos. Doze discípulos foram escolhidos na América antiga e pregaram o evangelho que o Filho de Deus lhes revelou em pessoa. Proclamaram aquele evangelho nas quatro partes deste hemisfério ocidental, em outras palavras, no que chamamos América do Sul e do Norte; edificaram a Igreja e o Reino de Deus nesta terra, e milhões do povo receberam o evangelho. Mantiveram um registro deste fato por trezentos e oitenta e quatro anos depois da vinda de Cristo. Mórmon, que tinha a seu cargo os registros, depois de fazer um resumo em outras placas, em consequência da apostasia de sua parte da nação, entregou o resumo, ou as placas que o continham, nas mãos de seu filho Morôni, um profeta e servo fiel de Deus, mas as outras placas ele escondeu numa colina no que hoje chamamos o Estado de Nova Iorque. Morôni presenciou a queda de sua nação, sua destruição pelas mãos de outro ramo da casa de Israel, uma nação poderosa neste continente. A nação que mantinha estes registros foi destruída. Morôni, que foi o último profeta a quem se confiaram as placas, teve de fugir de lugar em lugar e esconder-se em covas e cavernas a fim de preservar sua própria vida. Estes registros, quatrocentos e vinte anos depois do nascimento de Cristo, foram escondidos, pelo menos essa foi a última data neles dada. Com eles foi depositado um instrumento sagrado que o povo possuía neste continente, chamado o Urim e Tumim. Muitas predições foram proferidas, não apenas por Morôni, mas por muitos profetas anteriores, de que estes registros, nos últimos dias, seriam trazidos à luz pelo ministério de santos mensageiros; que Deus os traria à luz a fim de preparar o caminho diante da vinda de seu Filho, desde os céus. Este, portanto, é o livro que aquele anjo que João viu voando pelo meio do céu revelou aos habitantes da terra. Este é o livro sagrado que contém o evangelho eterno revelado pelo anjo. Este é o livro sagrado que Deus ordenou a seus servos publicar às quatro partes do globo como testemunho a todas as nações antes que venha o Filho do Homem. Este é o livro sagrado que contém as palavras de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, quando ele apareceu neste continente americano. Este é o livro sagrado que há de sair, advertindo todo povo, nações e línguas, antes que o Filho do Homem apareça em sua glória. Se o receberem, serão abençoados; se não o receberem, então se cumprirá o que foi dito pela boca de João, o Revelador, quanto à hora do juízo de Deus vindo sobre eles.

Faz este livro cessar as diferenças que existem quanto a muitos pontos da doutrina de Jesus? Torna-o tão claro que não haja possibilidade de se edificar duas denominações diferentes das doutrinas que contém? Respondo que sim, não podem estabelecer-se duas denominações diferentes fundando suas ideias nas doutrinas deste livro. Por quê? Porque a doutrina é tão clara em cada ponto que é impossível a qualquer pessoa de senso comum não compreendê-la exatamente como é entregue e revelada. Percebeis, pois, que aquilo que naturalmente esperaríamos e razoavelmente teríamos esperança quando o anjo viesse se realiza, a saber, uma doutrina tão clara que todo o saber e sabedoria do homem não poderiam torcê-la, distorcê-la e voltá-la de modo a fazê-la parecer duas coisas diferentes. Por exemplo, tomemos a simples ordenança do batismo — que diz o Livro de Mórmon a respeito desta única ordenança? Jesus, quando veio ao continente americano, não tendo eles visto a verdadeira ordem do batismo à mesma luz que os judeus tinham na Palestina, dignou-se mostrar-lhes como deviam ser batizados. Diz ele, primeiro, deveis crer em mim e arrepender-vos de vossos pecados e tornar-vos como uma criancinha e ir e ser batizados para a remissão de vossos pecados, e recebereis o Espírito Santo; e então, para mostrar como esta ordenança havia de ser executada, diz que, na medida em que alguém venha desejando a ordenança do batismo, tendo-se arrependido de seus pecados, tendo crido em mim, mesmo Jesus Cristo, deveis descer à água, e o deveis batizar em meu nome; deveis imergi-lo na água, e sair da água, e então ele receberá o Espírito Santo. Mostrando também a ordenança pela qual e mediante a qual o Espírito Santo havia de ser dado, a saber, a imposição de mãos. Ora, pergunto, há possibilidade alguma, com palavras escritas tão claramente quanto estas palavras estão registradas, de se edificar duas denominações diferentes quanto ao modo de batismo? Não, não poderiam fazê-lo; não poderia haver um aspergindo, outro derramando e outro batizando por imersão; nem poderia haver aqueles que exigiriam que os indivíduos primeiro experimentassem religião e depois fossem batizados; mas "sede batizados em meu nome para remissão de seus pecados, e então recebereis o Espírito Santo."

Talvez digam os estranhos: isso é claro o bastante, admitimos vosso argumento de que, se isso for uma revelação de Deus, não poderiam edificar-se duas denominações diferentes sobre isso. Direi ainda que, quanto a muitos outros pontos de doutrina, este livro é igualmente claro e igualmente simples. Supondo que pudésseis conceder tudo isto, supondo que dissésseis, estranhos, admitimos que é muito claro no Livro de Mórmon; mas a grande questão para nós é: é o Livro de Mórmon uma revelação divina? Esta é a pergunta que queremos ver respondida. Não disputamos a clareza, sabemos que é tão clara que um homem viajante, ainda que néscio, não precisa errar nela; tudo o que queremos saber a respeito do assunto é: deu Deus aquele livro, ou é uma invenção do homem? Que evidência tendes a oferecer, pergunta o estranho, para provar a divina autenticidade de vosso livro? Tendes o testemunho de Joseph Smith. Ele diz que um anjo veio e lhe revelou o Livro de Mórmon, e que foi ordenado pelo Senhor Todo-Poderoso a ir buscar as placas, segundo a visão que lhe foi mostrada quando o anjo veio e conversou com ele, que obteve as placas, e diz que as traduziu pelo Urim e Tumim. Isto tudo repousa, talvez penseis, apenas sobre seu testemunho. Bem, supondo que assim fosse, condenou Deus alguma vez o mundo por não obedecer a um servo quando ele tinha apenas uma testemunha? Respondo que sim, em algumas ocasiões. Ia condenar a grande cidade de Nínive numa certa ocasião por meio do testemunho de um homem chamado Jonas. "Em quarenta dias esta grande cidade será destruída," disse Jonas. Jonas, achando que o Senhor enviara apenas uma testemunha com mensagem tão importante, sentiu-se quase desanimado, e, quando estava a caminho de entregá-la a um grande povo e cidade, sentiu que preferiria quase morrer a ir como testemunha única e solitária com mensagem de tanta importância, e suplicou ao povo que o lançasse ao mar. Assim o fizeram, tendo o Senhor produzido um vento furioso, que assustou o povo, e eles, segundo suas antigas tradições, pensaram que havia alguém a bordo que não deveria ali estar. Jonas disse-lhes que havia rejeitado o mandamento do Senhor, e que, se o lançassem ao mar, os ventos cessariam. Assim o fizeram, e o vento cessou. Foi preparado um peixe, e este engoliu Jonas, e o peixe foi ordenado pelo Senhor a ir e vomitar Jonas em terra, o que fez. Muito obediente, muito mais do que muita gente é hoje em dia, ou tem sido em tempos passados. Este peixe foi obediente ao mandado do Senhor, e foi e fez o que o Senhor mandou, e Jonas foi lançado fora. A palavra do Senhor veio a ele para ir e cumprir sua missão. Foi e pregou à grande cidade de Nínive, e disse ao povo o que o Senhor pretendia fazer, e o povo se arrependeu em pano de saco e cinzas, do rei em seu trono até o menor dentre eles; todos se voltaram e se arrependeram de seus pecados, e o Senhor teve compaixão e não executou o juízo sobre eles por causa de seu arrependimento. Ora, qual teria sido a consequência se tivessem rejeitado o testemunho deste único homem? A consequência teria sido sua ruína. Jonas poderia ter-lhes dito que Deus o enviara, e poderia ter-lhes pregado que fora engolido por uma baleia, e que Deus dera ordem ao peixe para vomitá-lo em terra seca! Que se lhes daria disso? Teriam dito: "Jonas está louco, insano, deve estar insano," e poderiam ter rejeitado seu testemunho, e trazido morte e destruição sobre toda a cidade; consequentemente, Deus pode enviar apenas uma testemunha.

Mas ele às vezes se digna dar mais. Temos quatro testemunhas que escreveram, e cujos escritos chegaram até nossos dias, sobre a ressurreição de Jesus Cristo — um dos acontecimentos mais importantes que já sucederam em nosso mundo. Quatro homens que viram Jesus depois de sua ressurreição testificaram, no Novo Testamento, de sua ressurreição. "Oh, mas," diz alguém, "temos mais de quatro homens." Penso que não, não consigo encontrar senão quatro que escreveram. Nenhuma mulher escreveu, pois não temos epístolas ou escritos de mulheres no Novo Testamento. "Mas," diz alguém, "quereis dizer que os doze apóstolos não transmitiram seu testemunho? Digo que sim. Não duvido de que tenham testificado de sua ressurreição, mas não nos deixaram relato algum. Quatro dos oito escritores do Novo Testamento viram Jesus depois de sua ressurreição, e todo o mundo cristão, hoje, crê que Jesus ressuscitou dos mortos porque estes quatro homens testificaram que assim aconteceu. Mas não diz Paulo que foi visto por ele, e depois, numa certa ocasião, depois de sua ressurreição, por quinhentos de seus irmãos? Sim, supomos que assim disse, porque o escritor dos Atos dos Apóstolos diz que Paulo assim disse; mas tudo isto repousa sobre o escritor daqueles Atos, cujo nome se supõe ser Lucas. Lucas diz que Paulo viu Jesus; Lucas diz que ele foi visto por quinhentos, ou ao menos diz que Paulo disse que foi visto por quinhentos. Pois bem, tão grande e importante fato como a ressurreição do Filho de Deus repousa sobre o testemunho de quatro testemunhas, e elas estão mortas. Não podeis interrogá-las, não podeis perguntar-lhes se seu testemunho é verdadeiro, não podeis ir a elas e indagar sobre os pormenores a respeito disso; mas tendes de aceitar o testemunho de quatro testemunhas que estão mortas e o têm estado por mil e oitocentos anos; contudo, credes no grande fato, eu creio, e assim creem os Santos dos Últimos Dias, com base em seu testemunho.

De novo, achamos que está escrito no Novo Testamento, as palavras de Jesus sobre o mesmo assunto, que na boca de duas ou três testemunhas será estabelecida toda palavra. Na verdade, é assim? Bastam duas ou três testemunhas para condenar todo o mundo da humanidade, e deixá-lo sem desculpa? Jesus assim o diz: toda palavra será estabelecida na boca de duas ou três testemunhas. Isto está em conformidade com o que sucedeu nos dias do dilúvio. Noé, Sem, Cam e Jafé foram as únicas testemunhas que saíram a advertir aquela geração de um terrível juízo que havia de vir sobre toda carne, se não se arrependessem. Não receberam o testemunho destes quatro homens, e consequentemente foram destruídos pelo dilúvio. Deus, portanto, condena os filhos dos homens pelo número de testemunhas que lhe parece bem comunicar, ou por meio das quais comunicar, uma mensagem a eles.

Voltemos, pois, agora. Aqui estava Joseph Smith, um rapaz, cuja própria juventude deveria testificar a seu favor, pois, quando o Senhor primeiro se revelou àquele rapazinho, ele tinha apenas entre quatorze e quinze anos. Ora, podemos imaginar ou supor que um grande impostor pudesse ser feito de um jovem daquela idade, e um que pudesse revelar a doutrina de Cristo como a revelou a esta geração? Poderia ele levantar-se e testificar que vira, com os próprios olhos, um mensageiro de luz e glória, e que ouvira as palavras de sua boca ao caírem de seus lábios, e recebera uma mensagem do Altíssimo, naquela idade tão tenra? E, depois de a ter declarado, ser apontado pelo dedo do escárnio, com exclamações: "Lá vai o rapaz visionário! Não há visões em nossos dias, não há anjos que venham em nossos dias, não haverá mais revelação a ser dada em nossos dias! Ora, ele está iludido, é um fanático;" e, apesar deste escárnio e derrisão, continuar a testificar, à face e aos olhos de tudo isto, sendo odiado e ridicularizado por seus vizinhos, que Deus enviara seu anjo do céu. Podeis imaginar que um jovem fizesse isto? Escolhei alguns de nossos meninos aqui, de quatorze anos de idade; podeis imaginar que seja possível serem eles impostores desta espécie? Penso que não. A própria juventude, então, desta primeira testemunha que citei, testifica a seu favor! Enviou Deus servos a publicar este Livro de Mórmon, que contém o evangelho eterno, a todas as nações e reinos da terra, sem dar mais testemunhas do que este único que citei? Não, foi ele mais misericordioso para com esta geração do que para com a cidade de Nínive; enviou mais de uma. Não permitiria sequer que este livro saísse como revelação divina a esta geração até ter suscitado três outros homens — Martin Harris, David Whitmer e Oliver Cowdery, além de Joseph Smith. "Mas," diz alguém, "talvez eles estivessem enganados, enquanto Joseph Smith era o impostor, poderiam eles ser homens sinceros!" Vejamos se puderam ser homens enganados, e ainda assim seu testemunho ser dado tal como aqui se registra. Testificaram a todas as nações, tribos, línguas e povos a quem esta obra chegar, que "nós, pela graça de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo, vimos as placas que contêm este registro, e testificamos com palavras de sobriedade que Deus enviou um anjo santo do céu, e ele nos mostrou as placas de que se tirou este registro, e nos ordenou dar testemunho do mesmo e ser obedientes ao mandamento de Deus. Damos testemunho destas coisas, e sabemos que, se formos fiéis em Cristo, purificaremos nossas vestes do sangue de todos os homens," e assim por diante. Repeti-vos parte do testemunho destes três homens.

Ora, há alguma possibilidade de engano aqui? Um anjo enviado por Deus, um anjo a descer do céu vestido de glória e brilho! Um anjo a tomar estas placas e virá-las folha após folha, e mostrar as gravuras nelas! Um anjo a proclamar-lhes que deviam dar testemunho disso a todo povo, nações e línguas; e, ao mesmo tempo, ouvir a voz de Deus dos céus proclamando que fora traduzido corretamente! Há alguma possibilidade de engano aqui, no que lhes diz respeito? Foram eles enganados? Se assim é, bem podeis dizer que Pedro foi enganado, que Paulo foi enganado, que Tiago foi enganado, que todos os escritores do Novo Testamento foram enganados, que todos os escritores do Velho Testamento foram enganados, quando testificam que viram anjos, pois um repousa sobre fundamento tão bom e sólido quanto o outro; e, se a própria natureza do testemunho registrado pelos antigos escritores mostra a impossibilidade de terem sido enganados, também a natureza do testemunho revelado nos últimos dias mostra a impossibilidade de estes indivíduos terem sido enganados. Aqui estavam, então, quatro homens, antes de esta igreja ter qualquer existência, quatro testemunhas especiais, suscitadas para testificar da verdade da divindade do Livro de Mórmon.

Foram estas todas as testemunhas que Deus deu antes do surgimento desta igreja? Não, não! Há oito outras testemunhas, cujos nomes estão registrados, anexos a seu próprio testemunho, testemunho que dão expressamente para sair em conexão com este registro, ou em todas as traduções deste registro, a todo povo, língua e nação debaixo de todo o céu. Que testificam eles? Testificam com palavras de sobriedade que viram as placas de que este registro foi traduzido, que manusearam estas placas, que viram as gravuras nestas placas, que tinham a aparência de trabalho antigo e de manufatura curiosa, e dão este testemunho com palavras de sobriedade, e dão seus nomes para sair a todo o mundo da humanidade. Pergunto se alguma destas doze testemunhas negou seu testemunho desde aquele dia até este? Jamais, em nenhum caso. Nenhum destes doze homens, quaisquer que tenham sido suas circunstâncias, onde quer que tenha estado, jamais negou seu testemunho desde aquele dia até este. Quarenta e dois anos e mais se passaram desde que estas doze testemunhas, quatro das quais viram o anjo, deram seu testemunho.

Que outras testemunhas tendes além destas? Com base neste testemunho, outras pessoas creram no evangelho eterno e saíram e foram batizadas, arrependendo-se de seus pecados, para a remissão deles. E Deus ordenou a seus servos, a quem chamara e ordenara como apóstolos nesta igreja e reino, que impusessem as mãos sobre elas, e disse que elas, as candidatas, haveriam de receber o Espírito Santo por meio daquela ordenança. Receberam elas o Espírito Santo? Testificaram que sim. Profetizaram — encheram-se de alegria e luz, e de um espírito que jamais haviam experimentado antes. Testificaram que haviam recebido o batismo de fogo e do Espírito Santo, em cumprimento da promessa. Revelou-lhes Deus algo por meio deste espírito que veio sobre elas por obediência ao evangelho? Sim. O que revelou? Revelou-lhes a divindade desta obra, a verdade dela, e souberam, tanto quanto estas testemunhas cujos testemunhos estão registrados, que Joseph Smith era um profeta de Deus. Sabiam que nenhum ser humano, por meios humanos, poderia conferir o batismo do Espírito Santo, tal como testificaram tê-lo recebido; consequentemente tornaram-se, por sua vez, testemunhas, e muitos deles foram enviados como mensageiros e missionários para pregar a seus vizinhos, e às regiões circunvizinhas, para declarar o que Deus começara a realizar e a cumprir em meio ao século 19.

Aos poucos, milhares receberam a obra. Receberam eles o Espírito Santo? Sim, toda pessoa que sinceramente se arrependeu diante de Deus, que teve fé no Senhor Jesus Cristo, e veio humildemente, e foi batizada por imersão por aqueles a quem o Senhor chamara e designara por revelação, recebeu o Espírito Santo pela imposição de mãos dos servos de Deus. Estas constituiriam milhares de testemunhas a mais, além das que citei.

Mas deixai que outras testemunhas falem, além de todas estas que receberam uma revelação da divindade desta obra. Que outras testemunhas Deus deu? Ele deu à Igreja, depois de ela ser edificada, as mesmas testemunhas que deu à Igreja antiga. Que deu ele à Igreja antiga? Disse a seus apóstolos, como se registra no último capítulo de Marcos: "Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura, quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão os que crerem." Notai, agora, que certos sinais haviam de ser dados não apenas aos doze homens a quem ele falava, mas a todo o mundo que cresse em seu testemunho, fazendo milhões e milhões de testemunhas. "Estes sinais seguirão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios." Estes crentes, não apenas vós, apóstolos, a quem falo, mas todos os que creem no evangelho que pregais, "expulsarão demônios em meu nome; falarão novas línguas, se beberem alguma coisa mortífera não lhes fará mal, e se pegarem serpentes isso não os prejudicará; imporão as mãos sobre os enfermos, e eles sararão." Que gloriosos sinais para seguir os cristãos, ou todos os crentes em Cristo! Que foi feito de todos os cristãos em todos os séculos que passaram? Onde estão eles? Se houve alguns, tiveram estes sinais a segui-los. Que quereis dizer, senhor Pratt, descristianizar o mundo? Ó não, apenas cito as palavras de Jesus. Se houve cristãos no mundo nos últimos dezessete séculos, estes sinais os seguiram. Impuseram mãos sobre os enfermos, e os enfermos sararam; expulsaram demônios em nome de Jesus, pois recordai-vos de que a promessa é a todos os crentes, não a alguns ou parte deles.

Notai as duas promessas: primeira, salvação — quem crê (isto é, todos os crentes por todo o mundo), e for batizado será salvo. Pretendereis dizer que essa promessa de salvação se limitava aos dias dos apóstolos? "Ó não," respondem todas as seitas cristãs com uma só voz, "a promessa de salvação é para todos os cristãos na primeira era, em todas as eras futuras, por todo o mundo." Muito bem, vinde ao versículo seguinte, "estes sinais seguirão os que crerem." "Ah," dizem os cristãos, "isso não é para nós, isso se limita aos dias dos apóstolos; não se destinava aos cristãos do segundo, terceiro, quarto ou quinto século, ou ao povo em nossos dias. Não, tudo o que temos a fazer é reclamar a primeira promessa e rejeitar a última."

Ora, não somos tão tolos assim, embora ensinados por nossos antepassados, e pelos pretensos cristãos ao nosso redor, que estes sinais não haveriam de seguir o crente, contudo éramos apenas simples o bastante para crer que Jesus dizia a verdade e, consequentemente, quando os servos de Deus saíram e ensinaram o evangelho eterno que um anjo trouxera do céu, o Senhor confirmou a palavra com sinais que a seguiam. A quem? Àqueles que creram. Prometeu que teriam certos sinais, e os receberam, e isso foi para eles uma confirmação. Todo homem e toda mulher poderiam saber se eram ou não crentes no evangelho; se obtinham os sinais, eram crentes; se não obtinham dons ou sinais, havia falta de sua parte, não eram cristãos em pleno sentido da palavra.

Não pensais que teríamos ficado desanimados, após quarenta anos de provação, se Deus não tivesse cumprido a promessa? Penso que sim. Não penso que veríeis esta grande congregação aqui, neste país deserto e montanhoso; não tenho ideia de que encontraríeis tal povo aqui, em país tão inóspito quanto o que ocupamos agora, se Deus não tivesse, em numerosas ocasiões, entre as nações onde antes habitáveis, cumprido sua promessa, e dado a bênção prometida. Esta é, portanto, outra evidência, além da evidência e testemunho registrados no Livro de Mórmon, evidência que centenas e milhares desfrutam hoje. Centenas e milhares têm visto com seus olhos e experimentado o poder de Deus manifestado nos vários dons.

É isto que constitui a verdadeira Igreja cristã. É isto que distingue o cristianismo de todas as doutrinas espúrias, e separa o verdadeiro do falso cristianismo. Este é o grande ponto distintivo, é o poder de Deus manifestado por meio da pregação do evangelho eterno. É isto que reuniu este povo dentre as nações. É porque seus enfermos foram curados em seu próprio país; é porque milhares deste povo, agora neste Território, foram curados eles mesmos. É porque Deus derramou seu poder pelos ministérios de seus servos, e lhes provou, com testemunhos que jamais poderão negar, que o Senhor Deus de Israel falou dos céus. Bendito seja o nome do Senhor nosso Deus! Louvai seu nome para todo o sempre, que ele novamente enviou o evangelho em sua plenitude à terra. Devemos louvar seu nome porque ele não apenas restaurou o evangelho, mas o poder e a autoridade para pregá-lo e administrar suas ordenanças! Poder e autoridade enviados do céu e conferidos ao homem mortal e fraco para batizar para remissão dos pecados! Poder e autoridade enviados dos céus eternos para edificar sua Igreja aqui na terra; e vemos poder e autoridade divinos a acompanhar aqueles a quem assim chamou, e a quem assim se revelou. Consequentemente, nosso evangelho não vem com a astúcia manhosa da sabedoria do homem. Embora possamos ser homens pobres e iletrados, tirados de nossas ocupações comuns na vida e enviados pelo Senhor Todo-Poderoso a proclamar seu evangelho, temos uma coisa que o mundo não tem. Embora não sejamos capazes de proclamar o evangelho com eloquência de linguagem e com o poder e sabedoria do mundo, temos um poder superior a isso — temos o poder do Deus Todo-Poderoso. Temos seus anjos a irem adiante de nossa face, seu Espírito a habitar ricamente em nossos corações, e sua presença a ir conosco e estar conosco à nossa direita e à nossa esquerda. É ele quem realiza a obra; é ele quem proclama aos habitantes da terra, pela boca de seus servos, dizendo: "Arrependei-vos, e preparai o caminho para o grande dia da vinda do Senhor desde os céus."

Ouvirão eles? Não, como o povo nos dias do dilúvio, comem, bebem, ocupam-se em comércio e no tráfico deste mundo, e a voz da inspiração e o poder do Deus Todo-Poderoso, que se manifestam entre o povo, não alcançarão seus corações teimosos e endurecidos, até que o Senhor, aos poucos, por seus juízos, derrame sua indignação sobre todas as nações. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “O Recolhimento — O Surgimento da Igreja — O Livro de Mórmon — O Verdadeiro Cristianismo”, (1871-12-10). Pulpit Vault, 1871-12-pratt-o-the-gatheringthe-rise-of-the-churchthe-book-of-mormontrue-christianity. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).