Pulpit

O Bem e o Mal — O Testemunho do Espírito — Sua Experiência Religiosa Primitiva

Brigham Young

1871-05-07

Tenho poucas palavras a oferecer a meus irmãos e irmãs, e a todos que me ouvem, a respeito da experiência das mentes dos filhos dos homens, especialmente em seu trânsito do mal para o bem. Variamos muito materialmente em nossas disposições, reflexões, nos impulsos de nossas mentes, e em nossas faculdades perceptivas. Há uma grande variedade de operações sobre as mentes dos habitantes da terra, e o povo não as conhece, pois não as toma a peito, não as contempla nem as compreende, e por consequência não pode vê-las como são. Estas minhas observações são o resultado de reflexões sobre as palavras de nosso irmão que tem nos falado, e contado sua experiência quando recebeu o evangelho. Ele nos disse que, embora suas faculdades perceptivas tivessem sido tão avivadas que pudesse ler a Bíblia com entendimento, isto não o satisfazia; ele precisava de uma tempestade. Uso este termo para expressar minha ideia daquilo que ele desejava e tão ardentemente buscava. Precisava de uma experiência como um vento impetuoso e poderoso, ou não poderia se satisfazer. Ao lermos as palavras dos antigos, encontramos que eles às vezes esperavam que o Senhor viesse numa tempestade. Às vezes vereis a tempestade passar, e o Senhor não está ali. Os ventos sopram terrivelmente, mas o Senhor não está ali. Vem uma tempestade terrível, em que os relâmpagos cintilam e os trovões rugem quase o bastante para derrubar as montanhas. Está o Senhor ali? Não, ele não está ali. Mas, pouco depois, ouvis uma voz mansa e delicada dizendo: "Paz, paz." O Senhor está ali, e esta é sua voz. Isto satisfará a alguns, mas outros, como nosso irmão, querem um testemunho como um vento impetuoso e poderoso.

Dar-vos-ei um pouco de minha experiência, não apenas quanto ao tempo em que resolvi abandonar o pecado e abraçar a paz e a justiça, mas desde então. Minha experiência neste reino, como homem, como ser inteligente, a respeito da filosofia deste mundo e da humanidade, e de todas as coisas pertencentes à terra, ensina-me muitos pequenos itens que passam despercebidos pela maioria das pessoas. Minha conclusão a respeito de uma sólida experiência religiosa é simplesmente esta: se sou convencido do pecado, torno-me sensível ao erro. Se este erro existe dentro de mim, meu bom juízo me ensina que devo tomá-lo e afastá-lo de mim; expulsá-lo porta afora; ensinar-me-ia a dizer: "Não te quero, não és bom para mim; produzes tristeza, luto, aflição, e toda sorte de pesar e dor. Sai daqui, não te quero, tu és mau. Adotarei a verdade e princípios corretos, e os plantarei dentro de mim em teu lugar, que és aquilo que me destruirá." Convencido de tudo isto, que curso devo seguir, se desejo obter uma experiência sólida — uma que seja genuína e há de perdurar, e provar a Deus e a toda a hoste celestial, também a minha família e vizinhos, que estou arrependido do pecado? Abandoná-lo-ei, e não o deixarei habitar dentro de mim, mas farei tudo o que puder para bani-lo de mim. Seria isto uma prova? Sim. Então que minhas ações correspondam à confissão de minha boca; e, se descobri esta fonte de mal dentro de mim, devo lançar um fundamento para libertar-me dela. Desejo esperar até que o Senhor me fale desde os céus? Não; o Senhor plantou dentro de mim conhecimento e sabedoria para distinguir entre o certo e o errado, e se eu esperar até que sua voz venha dos céus dizer-me que sou pecador, ou até que ele me dê alguma manifestação particular de aprovação por eu tentar abandonar o mal, posso esperar muito tempo. Não sei o quanto ele pensa em mim, nem se, caso eu buscasse tal manifestação, ele viria na primeira noite em que eu me ajoelhasse para orar, ou na segunda, terceira ou quarta, ou se eu teria de continuar por uma semana, duas semanas, ou meses. Nada sei a este respeito; mas, tendo meu juízo me convencido de que estou errado, não quero que o Senhor fale desde os céus. Perguntarei a qualquer ser inteligente que habite a face da terra se é necessário esperar até que o Senhor venha como um vento impetuoso e poderoso, ou como um terremoto ou tornado? Não vejo necessidade alguma para isso. Se encontro um mal em mim hoje, devo tentar livrar-me dele; e, se encontro outro amanhã, devo livrar-me dele; e por quanto tempo devo continuar assim? Enquanto Deus me der inteligência; não por um dia, semana ou ano, mas por toda a minha vida; e se eu existir por noventa e nove anos, ou por novecentos e noventa e nove, não espero que haja uma hora em que não esteja sob a necessidade de procurar afastar de mim o mal, se o encontrar dentro de mim, e de crescer e aumentar nos princípios da verdade e da justiça. Seguindo este curso, sei, por mim mesmo, que estou abandonando meus pecados, e não quero que o Senhor mo manifeste. Sei que, se as plantas do pecado e da morte forem permitidas crescer dentro de mim, provarão minha completa destruição, a menos que as arranque pela raiz e pelo ramo, e as lance fora. O Senhor concedeu a mim, e a todo ser inteligente sobre a terra, sabedoria suficiente para compreender isto, e não quero que o Senhor venha na tempestade, no trovão, no relâmpago ou no redemoinho para dizer-mo. Sei que devo arrancar as plantas do mal que estão dentro de mim, e em seu lugar enxertar plantas de verdade e virtude, e estas crescerão dentro de mim para a vida eterna. Não é isto razoável? Não é este um princípio verdadeiro? Sim, e toda a experiência, ciência e sabedoria do homem o comprova. Posso tomar, por exemplo, a bela maquinaria de meu relógio, e negligenciar limpá-lo ou dar-lhe corda; posso retirar a mola principal, a mola do pêndulo ou a roda dentada principal, e então dizer: "Marca o tempo para mim," e não seria mais inconsistente do que dizer: "Tenho naturalmente dentro de mim, por causa da queda, os princípios da morte, e eles reinam dentro de mim, e não busco afastar de mim esses princípios, mas espero que o Senhor me manifeste que sou nascido dele e que ele se agrada de mim." Não me importo se viver toda a minha vida sem um testemunho do Senhor; não que ele deixe assim seus filhos; ele nunca foi tão duro de coração, um mestre tão austero a ponto de deixar um de seus filhos com pleno propósito de coração para servi-lo e fazer sua vontade sem uma testemunha de sua aprovação. Mas, suponde que ele estivesse disposto a fazê-lo assim; estou sob obrigação, pelos princípios do certo e do errado, de abandonar o mal, e de plantar dentro de mim todo princípio de pureza e santidade, quer o Senhor me manifeste ou não que sou seu filho e que ele se agrada de mim. Não me agrado de mim mesmo se absorvo e cultivo a morte e a destruição; mas deixai-me cultivar a vida e a salvação, que promovem a felicidade da humanidade, e a vida, a paz e a tranquilidade dentro de mim e ao meu redor, e terei minha própria aprovação e a aprovação e bênção do Senhor, quer ele mo diga com todas as letras, quer não.

Estou sob obrigação de seguir um curso que sustentará a vida dentro de mim mesmo e dos outros, sobre princípios racionais, sem manifestação especial alguma de Deus. Todos podeis ver isto; mas alguns pensam que, se não recebem alguma manifestação especial de Deus de que ele os aceitou, então estão rejeitados por ele. Não sabeis todos que sois filhos e filhas do Todo-Poderoso? Se não sabeis, informar-vos-ei esta manhã que não há homem ou mulher sobre a terra que não seja filho ou filha de Adão e Eva. Todos pertencemos às raças que brotaram do pai Adão e da mãe Eva; e todo filho e filha de Adão e Eva é filho e filha daquele Deus a quem servimos, que organizou esta terra e milhões de outras, e que as sustenta em existência por lei. Ora, suponde que ele não nos diga que nos ama particularmente e que pensa tanto em nós; ou que se compraz mais no irmão James ou William, ou na irmã Susan ou Nancy, do que em qualquer outro ser sobre a terra, e o que há com isso? Não sei se hei de indagar do Senhor se ele me ama ou não. Não sei se já me dei o trabalho de perguntar-lhe. Professo religião há uns cinquenta anos, e não sei se alguma vez perguntei ao Senhor se ele me amava ou não. Quero seguir um curso em que possa amar a pureza e a santidade. Se fizer isto, então amo o Senhor e guardo seus mandamentos, e isto me basta. Se ele não está disposto a gostar de mim tanto quanto de João, "o discípulo amado", que se reclinou sobre seu peito em certa ocasião, e me diz para sentar-me ali em vez de aqui, tudo bem, estou tão satisfeito em sentar-me ali quanto aqui. Quero preservar minha identidade e crescer em inteligência, e, se puder fazer isto, não sei se me importo particularmente com quanto, em peso ou medida, o Senhor me ama ou não me ama. Há um fato que sei: ele me amará tanto quanto deve. Se sigo um curso de amá-lo e guardar seus mandamentos, sou para a vida e a duração, sou para a eternidade, pois sigo o curso que me preservará.

Muitos homens e mulheres que obedeceram ao evangelho, e não receberam do Senhor estes testemunhos marcantes, dirão: "Bem, na verdade não sei se posso dizer se o evangelho é verdadeiro ou não." A todos estes digo, então não sois filósofo algum, pois, pelos princípios racionais da filosofia comum, podeis dizer se é verdadeiro ou não. Contém as sementes da vida? Promove as plantas e produz os frutos da vida, ou produz as plantas e dá os frutos da morte? Podeis fazer estas perguntas e respondê-las prontamente por vós mesmos. Não que eu deseje fazer um mero convertido histórico, ou um povo que creia historicamente, matematicamente ou filosoficamente; mas sei e compreendo que o Senhor nunca deixa seus filhos sem uma testemunha. Agora vos direi uma testemunha que me bastaria — leio a Bíblia, diligente e fielmente, e se pudesse ter encontrado uma igreja e um povo organizados segundo o padrão contido em suas páginas, ficaria satisfeito de que aquela era a Igreja e o povo de Deus, e isto me teria bastado como testemunha. Mas vos darei um pouco de minha experiência, em meus primeiros dias, a respeito das seitas religiosas. Desde minha juventude, o clamor delas era: "Eis aqui está o Cristo, eis ali está o Cristo;" não, "Acolá está o Cristo;" "O Cristo não está ali, está aqui," e assim por diante, cada qual afirmando que possuía o Salvador, e que os outros estavam errados. Costumava pensar comigo mesmo: "Algum de vós pode estar certo, mas esperai, esperai um pouco! Quando eu chegar aos anos de juízo e discrição, poderei julgar por mim mesmo; e, entretanto, não tomarei partido nem de um lado nem de outro." Quando eu manifestava minhas opiniões e sentimentos a respeito do estado confuso deles, chamavam-me infiel. Eu lhes dizia: "Muito bem, sou infiel em muitas coisas." Lia a Bíblia, e especialmente o Novo Testamento, que foi dado como padrão para a vida dos cristãos, quer como igreja quer como indivíduos, e esta era minha indagação íntima: "Há uma igreja sobre a terra organizada segundo o padrão que Jesus deixou?" Não. Há algum Apóstolo restante sobre a terra? Nenhum. Há um profeta, que as Escrituras nos informam terem sido colocados na Igreja para sua edificação? Nenhum. Há um evangelista? Não. Há o dom de curar? Não conseguimos encontrar tal coisa, com todos os seus clamores de "Eis aqui, eis ali, e eis acolá." "Há alguns que falam em línguas?" Não. Algum que profetize? Não, não cremos em profecia. Alguém que tenha recebido o Espírito Santo, e fale e pregue por sua influência? "Ora, o Espírito Santo não é dado nestes dias," dizem todos aqueles que dizem: "Eis aqui está o Cristo," e "Eis ali está o Cristo!" Bem, eu costumava dizer: "Sou infiel, pois não creio em nada disso; quando me trouxerdes um povo edificado e crente segundo o Novo Testamento, crerei que estão certos. Quando encontrardes tal povo, encontrareis o povo e a Igreja de Deus, com todos os dons e graças do evangelho em seu meio; e encontrareis o reino de Deus sobre a terra." Trabalharam comigo, mas por fim declararam que eu era infiel, pois não conseguia crer em suas doutrinas e princípios. Contudo, estive em muitas de suas reuniões e vi seus modos de conversão. Como já disse a meus amigos aqui, ao falar sobre o espiritismo, vi os efeitos do magnetismo animal, ou algum sono anômalo, ou seja lá como se chame, muitas vezes em minha juventude. Vi pessoas deitadas nos bancos, no chão da casa de reuniões, ou no solo em seus acampamentos, por dez, vinte e trinta minutos, e não sei se por uma hora, sem partícula alguma de pulso nelas. Aquilo era o efeito do que chamo magnetismo animal; chamavam-no de poder de Deus, mas não importa o que fosse. Costumava pensar que gostaria de perguntar a tais pessoas o que tinham visto em seu transe ou visão; e, quando fiquei velho o bastante e ousei perguntar-lhes, assim fiz. Já disse a tais pessoas: "Irmão, o que experimentaste?" "Nada." "O que sabes agora mais do que antes de teres isto; como chamas isto — transe, sono ou sonho? Sabes algo mais agora do que antes de caíres ao chão?" "Nada mais." "Viste alguma pessoa?" "Não." "Então qual é o uso ou utilidade de cair aqui na terra?" Não conseguia vê-lo, e por consequência era infiel a isto. Mas eu dizia então, como digo agora — "Mostrai-me uma igreja que Deus organizou, e encontrareis Apóstolos para governar, dirigir, controlar, ditar e dar conselho. Encontrareis profetas, evangelistas, pastores, mestres, governos, auxílios e diversidade de línguas. Quando a Igreja e o reino de Deus estiverem sobre a terra, encontrareis todas estas coisas, e também ouvireis profetizar nela."

Voltarei agora novamente à nossa experiência aqui. Na cristandade, o povo é ensinado pelo sacerdote, pelo pai, pela mãe, pelo presidente, príncipe e rei, que a Bíblia é verdadeira e que Jesus é o Cristo; e eles herdam esta crença, e, se é um princípio verdadeiro crer em Jesus, herdam-no sem o uso de suas faculdades de juízo e razão. E, quando encontrais uma igreja organizada segundo o padrão do Novo Testamento, não é necessária manifestação particular alguma para provar sua verdade, pois somos ensinados desde a juventude a reconhecer o Novo Testamento, e não podemos evitá-lo. Está entretecido em nossa própria natureza; não sei se não é tanto a urdidura quanto a trama. Em consequência disto, temos uma santa reverência e uma crença na Bíblia, ainda que talvez não creiamos nas ações de todos os que professam crer nela. Como foi observado por meu irmão, "Ele amava a religião;" e, por mim mesmo, posso dizer que sempre tive uma santa reverência pela verdade. Tive uma reverência divina por ela desde minha juventude, mas não pela conduta de todos os que professam ser cristãos.

Bem, como podeis saber quando passastes da morte para a vida? Tivestes o testemunho bem aqui, de nosso irmão, segundo o testemunho dos Apóstolos: "Por isto sabereis que passastes da morte para a vida, se amais os irmãos." Nosso irmão disse que amava aquele pobre élder que lhe pregou o evangelho, embora não conseguisse obter entrada numa casa decente. Ninguém receberia um élder de Israel, ninguém receberia um mensageiro que trazia as palavras e as chaves da vida e da salvação eternas às nações, exceto uma pobre viúva numa rua dos fundos, onde nosso irmão tinha vergonha de ir. Isto me faz lembrar da meretriz Raabe. Só ela receberia os espias enviados por Josué, o servo de Deus. Não pensais que ela foi abençoada? Penso que sim; e penso que a pobre viúva que recebeu e deu asilo ao élder mencionado por nosso irmão também foi abençoada, pois suas palavras eram vida, luz e paz; e ele disse que a amava, e, por isto, ela poderia ter sabido que havia passado da morte para a vida.

Ora, voltando à nossa experiência novamente. Suponde que obedeceis às ordenanças do evangelho, e não falais em línguas hoje, não importa. Suponde que não tendes o espírito de profecia, não importa. Suponde que não recebeis nenhum dom particular acompanhado do sopro de um vento impetuoso, como no dia de Pentecostes, não há necessidade particular alguma de que o tenhais. No Dia de Pentecostes, havia necessidade especial disso; era uma época peculiarmente difícil. Quem cria em Jesus? Vede seus pobres discípulos! Quando Jesus estava sendo julgado, Pedro, o principal dos Apóstolos, não ousou reconhecê-lo, e negou-o por medo. Não havia um homem ou mulher para se levantar e dizer: "Este é o Cristo; não o crucifiqueis. Ele é o Cristo, o Salvador do mundo, tende cuidado com o modo de tratar esse homem." Não havia um sequer que dissesse algo desta natureza. Era uma época muito peculiar, e alguma manifestação especial e poderosa do poder do Todo-Poderoso era necessária para abrir os olhos do povo e fazer-lhes saber que Jesus havia pago a dívida, e que na verdade tinham crucificado aquele que, por sua morte, se tornara o Salvador do mundo. Isto era necessário naquele tempo para convencer o povo; mas, quando as doutrinas do cristianismo se tornaram populares, já não era mais necessário. Não preciso disto; precisais vós? Não. Credes na verdade? Se credes, abraçai-a em vossas vidas. Que mais? Provai ao Senhor, a toda a hoste celestial, e aos habitantes da terra, que viveis segundo a lei do santo evangelho que Deus revelou para a salvação dos filhos dos homens. Isto mostrará que sois honestos e sinceros, e que sois dignos da vida eterna no reino celestial de Deus.

Deus vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “O Bem e o Mal — O Testemunho do Espírito — Sua Experiência Religiosa Primitiva”, (1871-05-07). Pulpit Vault, 1871-05-young-good-and-evilthe-testimony-of-the-spirithis-early-religious-experience. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).