O Ajuntamento dos Santos — As Providências do Senhor — A Inutilidade dos Não Produtores — Arbitragem Melhor que os Tribunais — Alimentar em vez de Combater os Índios — O Pagamento do Dízimo
Brigham Young
Tenho alguns sermões para pregar, e como o tempo é curto, não sei se serei capaz de proferir tantos quantos desejo. Quero a atenção de vocês, e vocês terão de ficar quietos. Percebo que minha voz está um pouco rouca, e será bastante difícil para mim falar de modo que possam me ouvir. Não vou tentar falar mais alto do que o choro das crianças, os cochichos da congregação, ou o arrastar dos pés, como frequentemente tenho feito. Quero a atenção de vocês para os vários assuntos que desejo apresentar; pois terei apenas alguns minutos para falar sobre cada um. ¶
Em primeiro lugar, quero dizer aos Élderes que saem a pregar o evangelho — não importa quem lhes peça o batismo, mesmo que tenham boa razão para crer que sejam indignos, se o exigirem, não os impeçam, mas cumpram esse dever e lhes administrem a ordenança; isso limpa as bordas de suas vestes, e a responsabilidade fica sobre eles. ¶
Algumas palavras agora a respeito do ajuntamento. Direi que, se pessoas indignas forem ajuntadas no futuro, isso não é nada novo ou estranho, nada mais do que esperamos. Se esta rede não recolhe os bons e os maus, não deveríamos supor que é a rede de que Jesus falou quando disse que ela recolheria de toda espécie. Além disso, há muitos que entram na Igreja porque sabem que a obra é verdadeira. Seu juízo, e cada faculdade e poder de raciocínio de suas mentes, lhes diz que é verdade; consequentemente, abraçam a verdade. Mas recebem eles o amor dela? Essa é a questão. Direi a vocês que poucos, dentre os que recebem o amor da verdade, mas muitos dos que se afastam, embora saibam que o evangelho é verdadeiro, não possuem o amor da verdade, e não apostatarão enquanto estiverem dispersos. Tentamos fazê-los fazer isso no país de origem, mas eles não o fazem. Tragam-nos para Nova York, e não apostatarão. Trabalharão ali ano após ano, e lutarão e labutarão até que possam chegar ao lugar do ajuntamento, precisam chegar à sede, então podem apostatar, abandonar a fé e afastar-se dos santos mandamentos do Senhor Jesus. Isso não é da nossa conta. Nosso dever é pregar o evangelho e receber todos os que desejam ter as ordenanças administradas a eles, e deixar o resultado nas mãos de Deus. Esta é a obra dele, não a nossa. Ele nos chamou para sermos colaboradores com ele. ¶
Quero dizer, para consolo dos Élderes de Israel e daqueles que saem a presidir, vocês não precisam ter nenhuma preocupação com relação à edificação deste reino, apenas cumpram seu dever na esfera a que são designados. Penso que há mais responsabilidade sobre mim do que sobre qualquer outro homem nesta terra, no que diz respeito à salvação da família humana; contudo, meu caminho é um caminho agradável de trilhar, meus trabalhos são muito agradáveis, pois não penso no que vou dizer; não me preocupo com meus deveres. Tudo o que tenho a fazer é viver, como frequentemente tenho feito a comparação, e manter meu espírito, sentimentos e consciência como uma folha de papel em branco, e deixar que o Espírito e o poder de Deus escrevam sobre ela o que lhes aprouver. Quando ele escreve, eu leio; mas se eu leio antes que ele escreva, é muito provável que eu esteja errado. Se vocês seguirem o mesmo caminho, não terão o menor problema. ¶
O irmão Carrington nos contava sobre a maneira como o dinheiro apareceu para quitar o navio depois de enviar mais Santos do que ele tinha meios de pagar. Foi isso um milagre maior do que muitas outras coisas em nossas vidas e na obra de Deus? Não, as providências de Deus são todas um milagre para a família humana até que as compreendam. Não há milagres senão para os que são ignorantes. Um milagre supõe-se ser um resultado sem causa, mas não existe tal coisa. Há uma causa para todo resultado que vemos; e se vemos um resultado sem compreender a causa, chamamos isso de milagre. Isso é o que nos foi ensinado; mas não há milagre para os que compreendem. ¶
Enquanto o irmão Carrington falava sobre conseguir vinte libras, pensei em algumas circunstâncias que aqui se passaram. Referir-me-ei a uma que ocorreu em 1856. Naquele ano, nossos agentes na Inglaterra carregaram os Santos, trouxeram-nos através do oceano, subindo rios e ferrovias, e os equiparam com juntas de bois, carroças e provisões, e então me enviaram suas letras de câmbio, e dentro de trinta dias eu tinha sobre mim $78.000 que precisava pagar. Nunca fui avisado de que estivesse sendo emitida qualquer letra sobre mim, nem uma palavra sequer me foi enviada do escritório de Liverpool, até que vi as letras começarem a chegar, de cinco, dez ou quinze mil dólares. Eu não sabia onde iria conseguir o primeiro dólar; mas fiz como sempre faço — meu dever, e confiei em Deus. Não tive uma única letra protestada, e não creio que algum homem tenha ficado sem seu pagamento. Mas, se eu tivesse feito o negócio, teria feito de maneira diferente. Quando tenho o privilégio de agir, ajo um pouco mais pelas obras do que inteiramente pela fé. Não ouso confiar tanto assim na minha fé, mas outros ousam, e ainda não me afundaram; não amarraram meus pés de modo que eu não possa caminhar, nem ataram minhas mãos de modo que eu não possa manuseá-las; nem minha língua de modo que eu não possa falar; e o Senhor me livrou todas as vezes com a ajuda de meus irmãos. ¶
Não nos importamos com essas coisas, são apenas trivialidades. Poderíamos ficar aqui falando até amanhã de manhã, contando casos notáveis das providências de Deus para com seus servos e seu povo, e então mal teríamos começado. Quem colocou farinha nos barris aqui quando estávamos destituídos e não tínhamos o que comer? As mulheres iam raspar o precioso barril e tirar a última meia onça de farinha para fazer um pequeno bolo para dividir entre as crianças; e talvez, na próxima vez que fossem ao barril, o encontrassem meio cheio de farinha. Quem a colocou ali? Os vizinhos? Não, eles não tinham nada para colocar. Veio dos Estados? Se veio, quem a trouxe deve ter voado pelo ar, pois não poderiam tê-la trazido com juntas de bois tão rapidamente. Mas, sem parar para investigar mais como se efetuou essa reposição dos barris de farinha, sei agora, e sabia então, que esses elementos em que vivemos estão cheios de tudo o que produzimos da terra, do ar e da água. Eu disse ao povo, quando nos estabelecemos aqui, que tínhamos aqui todas as facilidades que poderíamos pedir, tudo o que tínhamos a fazer era ir trabalhar e organizar os elementos. Até onde Jesus foi para obter o vinho que foi posto nos potes de que lemos no relato do casamento em Caná da Galileia, não sei; mas sei que ele tinha poder para chamar os elementos que entram na uva para dentro daqueles potes de água, sem que ninguém na sala percebesse. Ele tinha poder para atravessar uma congregação sem ser visto por eles; tinha poder para atravessar uma parede sem que ninguém pudesse vê-lo; tinha poder para caminhar sobre a água, e nenhum daqueles com quem se associava podia dizer como; tinha poder para chamar os elementos e reuni-los, e foram feitos em pão, mas isso foi feito por mãos invisíveis. ¶
Bem, vou mudar um pouco de assunto, e digo aos irmãos: não se desanimem; tragam todos os que desejam obedecer ao evangelho, para que possam apostatar. Queremos que apostatem o mais rápido possível. Por quanto tempo o povo continuará a apostatar? Até que o Mestre venha. Quando ele vier, a palavra sairá: "Ajuntai o meu trigo no meu celeiro, e amarrai o joio em molhos, para que seja queimado." O trigo e o joio crescerão juntos até a colheita, e não podemos evitá-lo, nem precisamos nos preocupar com isso. ¶
Queremos que os irmãos e as irmãs procurem ver se podem encontrar um xelim, um dólar ou cinco dólares para ajudar os pobres. Falam do povo do outro lado do oceano passar fome, ora, já vi que eles comiam não mais que um terço de uma refeição durante uma semana inteira, para poder economizar o suficiente para alimentar dois ou três de nós, Élderes. Sempre tive vergonha de aceitar isso; e vou dizer o que mais me envergonha. Tenho vergonha de que qualquer homem que se chame Élder de Israel vá a qualquer país pregar o evangelho e depois comece a mendigar. Tal conduta é vergonhosa. Não tenho comunhão com os que a praticam; e aqueles que tomam emprestado e não pagam deveriam ser desligados da Igreja. Vou lhes contar um pouco de minha experiência quando na minha missão inglesa. Quando desembarquei em Liverpool, tinha seis 'bits' [moeda de valor pequeno, aproximadamente 75 centavos de dólar da época], e com isso comprei um chapéu. Havia usado, na viagem para a Inglaterra, um pequeno boné que minha esposa me fizera de um par de calças que eu já não podia usar. Ficamos em Liverpool um ano e dezesseis dias, e durante esse tempo batizamos entre oito e nove mil pessoas, imprimimos cinco mil exemplares do Livro de Mórmon, três mil hinários, mais de sessenta mil folhetos que demos ao povo, e o Millennial Star; estabelecemos uma missão em Londres, Edimburgo, e não sei se em uma centena de outros lugares, e nos sustentamos. Quem havia naquela missão, refiro-me aos missionários, que tivesse um casaco ou capa que eu não tivesse pago? Cuidei do negócio pessoalmente, e pagamos cada centavo. Pegamos dinheiro dos irmãos e irmãs e pagamos-lhes de volta. Além disso, alimentávamos família após família; e nunca me permiti ir à gráfica sem colocar a mão na gaveta e tirar tantas moedinhas de cobre quantas eu pudesse segurar, para poder atirá-las aos mendigos sem ser detido por eles no caminho. Tomamos emprestado sem pagar? Não. Mendigamos? Não. Os irmãos e as irmãs, e especialmente as irmãs, insistiam para que fôssemos comer com eles. Eu tentava recusar; mas isso não adiantava, magoaria seus sentimentos, tínhamos de ir comer sua comida, enquanto eles passavam fome para consegui-la. Sempre tive vergonha disso; mas invariavelmente tinha um xelim para lhes dar. Quanto me foi dado? Uma irmã, que agora vive em Payson, deu-me um soberano [moeda de ouro britânica de uma libra] e um par de meias; e, quando parti, um chapeleiro, de nome Miller, mandou dois chapéus por mim para meus filhinhos. As irmãs, quando cheguei pela primeira vez a Liverpool, fizeram uma pequena contribuição e me compraram um par de calças. Eu não tinha o costume de mendigar, mas disse-lhes: "Quando minhas calças estiverem um tanto ridículas, imagino que vocês perceberão, não é mesmo?" e me deram um par de calças, do contrário não creio que tenha recebido um só quartinho [moeda britânica de valor mínimo]. Posso ter recebido um xelim ou dois de outros, mas não me recordo. Quando partimos, enviamos um navio cheio de irmãos e irmãs, muitas de cujas passagens pagamos. Quando cheguei a Liverpool, não creio que pudesse ter conseguido crédito de um xelim, se tivesse entrado em cada loja e estabelecimento do lugar. Quando partimos, certo capitão quis nos trazer, e disse: "Estão prontos?" "Não." "Quanto tempo terei de esperar por vocês?" "Oito dias"; e amarraram um dos mais belos navios do porto de Liverpool a fim de nos trazer. Pensei que isso era um milagre, não acham? Tenho certeza de que há algumas irmãs aqui presentes que vieram conosco naquele navio. Recebi isso como um milagre. Foi a mão de Deus. Foi nossa capacidade? Não. É nossa capacidade que realizou o que vemos aqui na edificação de uma colônia no deserto? É obra do homem? Não. Certamente ajudamos nisso, e fazemos o que somos dirigidos a fazer. Mas Deus é nosso Capitão; ele é nosso mestre. Ele é o "UM HOMEM" a quem servimos. Nele está nossa luz, nele está nossa vida; nele está nossa esperança, e o servimos com coração indiviso, ou deveríamos fazê-lo. ¶
O que vocês acham que penso quando ouço as pessoas dizerem: "Ó, vejam o que os mórmons fizeram nas montanhas. É Brigham Young. Que cabeça ele tem! Que poder ele tem! Como controla bem o povo!" As pessoas ignoram nosso verdadeiro caráter. É o Senhor quem fez isso. Não é qualquer homem ou grupo de homens; apenas na medida em que somos conduzidos e guiados pelo espírito da verdade. É a unidade, a sabedoria, o poder, o conhecimento e as providências de Deus; e tudo o que podemos dizer é que somos seus servos e servas, e vamos servi-lo com coração indiviso. ¶
Ajuntemos os pobres. Procurem seus xelins, moedas de dez centavos e dólares. Pensem apenas no que sentiriam se seus filhos tivessem de ir para a cama hoje à noite chorando por pão, e vocês não tivessem nada para lhes dar! Pensem nisso, famílias, vocês que professam ser Santos! Pais, pensem em levantar-se de manhã e não ter um único bocado para alimentar suas famílias. Já os vi cambalear pelas ruas, embora fossem bons tempos, quando eu estava lá, em comparação com o que são agora, segundo dizem; mas já os vi cambalear pelas ruas quando mal conseguiam ficar de pé, de necessidade. Mas nunca deixei de dar a tais pessoas um xelim, um shilling, ou um centavo, quando percebia que essa era sua condição antes de passarem por mim. O Senhor me deu, e eu o distribuí livremente, e continuo a fazê-lo, e pretendo continuar assim. ¶
Agora, ajudemos os pobres, tragamo-los para cá, ponhamo-los em circunstâncias boas e confortáveis, para que possam andar erguidos e dizer: "Acho que sou alguém, e não peço favores ao Senhor." Ó, tolos! Quando ouço tais expressões, ou vejo tal disposição manifestada, penso: "Ó, insensatos gálatas, quem vos fascinou? Quem vos perturbou a mente e vos fez crer que sois independentes daquele Ser que vos trouxe, a vós e a toda a família humana, à terra? Quem vos instruiu a crer que Deus nada tem a ver conosco, que tudo o que existe é por providência do acaso, ou nenhuma providência de todo, e que o homem é tudo o que há?" Quem ensinou isso ao povo? Não os sábios, não o verdadeiro filósofo. Encontrem um verdadeiro filósofo, e encontrarão alguém que tem os verdadeiros princípios do cristianismo. Ele se deleita neles; e vê e compreende a mão da Providência guiando e dirigindo em todos os assuntos desta vida. Embora os homens estejam longe e apartados de Deus, e embora tenham cavado para si cisternas, cisternas rotas que não retêm água, o verdadeiro filósofo reconhece a mão do Supremo, guiando e controlando os assuntos dos filhos dos homens. ¶
Tenho um breve discurso para pregar agora a meus amigos que possam estar aqui hoje, que estão engajados, ou que possam contemplar iniciar operações, no negócio de mineração. É a crença geral hoje que há grande quantidade de riqueza mineral nestas montanhas. Os relatos que se espalharam a esse respeito estão causando grande excitação; e pregarei um breve discurso agora aos mineiros, comerciantes, advogados, médicos, sacerdotes, ao povo, a todos. Quero falar-lhes um pouco e dar-lhes algum conselho; e quero que os Santos sigam esse conselho. Mas eles o seguem sempre, e espero que continuem a fazê-lo. Este conselho diz respeito a litigar uns com os outros. Quero dizer a vocês, mineiros: não recorram ao litígio de forma alguma; não lhes faz bem algum, e apenas desperdiça seus recursos. Causa ociosidade, desperdício, iniquidade, vício e imoralidade. Não litiguem. Não encontrarão uma sala de tribunal sem um grande número de espectadores; o que estão fazendo? Perdendo seu tempo sem nenhum proveito. Quanto aos advogados, se puserem sua inteligência para trabalhar e aprenderem a plantar batatas, trigo, criar gado, construir fábricas, serem comerciantes ou artesãos, será muito melhor para eles do que tentar tirar a propriedade dos outros por meio de litígios. ¶
Chegamos a um estado em nossa nação em que uma parte considerável dos jovens e homens de meia-idade calcula viver, como se diz, de sua astúcia. Gostaria que um homem olhasse filosoficamente para dentro de seu próprio coração, pelo espírito da verdade, e se examinasse, e visse o que ele é, para que foi feito, e de que utilidade ele é na terra se nunca fez nada para produzir um bocado de pão. Tal homem come o pão do trabalhador, veste as roupas do trabalhador; cada vez que se deita em sua cama, deita-se sobre o que o trabalho de outro produziu; nunca se deu ao trabalho de criar um ganso, um pato, um cordeiro ou uma ovelha. Nunca tosquiou uma ovelha ou tentou fazer tecido com a lã; nunca se deu ao trabalho de arar a terra e semear um pouco de trigo, de plantar algumas batatas, de criar um bezerro, um porco ou uma galinha. Não, nunca fez nada útil; mas ainda assim come, bebe e se veste, e vive no luxo. Em nome do bom senso, de que utilidade é tal homem nesta terra? Pode surgir a pergunta: "Não precisamos ter lei?" Temos bastante dela, e às vezes até demais. Os legisladores fazem muitas leis; fazem tantas que o povo não sabe nada a respeito delas. Legisladores sábios jamais farão mais leis do que o povo pode compreender. Mas, por causa da riqueza de nosso país, jovens são enviados a escolas e faculdades, e depois de receber sua educação, calculam viver dela. A educação lhes dará de comer e de vestir, os manterá aquecidos num dia frio, ou lhes permitirá construir uma casa? De maneira alguma. Devemos, por isso, condenar a educação? Não. Para que ela serve? Para o aprimoramento da mente; para nos instruir em todas as artes e ciências, na história do mundo, nas leis das nações; para nos capacitar a compreender as leis e princípios da vida, e como sermos úteis enquanto vivemos. Mas o ocioso não é de utilidade nem para si mesmo nem para o mundo em que habita. ¶
Em todas as nações, ou pelo menos em todas as nações civilizadas, há distinções entre o povo criadas pela posição, pelos títulos e pela propriedade. Como Deus olha para essas distinções? Como a Verdade, a Justiça e a Misericórdia as veem? Todas são iguais a seus olhos. O rei no trono e o mendigo na rua são o mesmo diante dos Céus — o mesmo aos olhos da Verdade, da Justiça, do Amor e da Misericórdia. Encontrem um verdadeiro filósofo, e ele olhará para os filhos dos homens como são. Não importa se ele o diz ou não, ele considera o mais pobre dos pobres como um ser humano — homens e mulheres — e os reis e grandes deste mundo, não importa como estejam vestidos, se usam coroas, diademas e diamantes, e viajam em carruagens douradas, não passam de seres humanos. ¶
Nossa educação deve ser tal que aprimore nossas mentes e nos capacite para maior utilidade; que nos torne de maior serviço à família humana; que nos capacite a abandonar nossos modos rudes de viver, falar e pensar. Mas tomem aqueles que dominam entre os homens, aqueles que têm em suas mãos os assuntos das nações, apanhem-nos no escuro, e são os mais baixos das criações de Deus. Muitos deles descem às sarjetas mais baixas que podem encontrar, e ali, na escuridão e em particular, se revolvem na imundície e na maldade. Isso é um desperdício de suas vidas, uma prostituição de seu conhecimento e das bênçãos que a Providência lhes concedeu. Muitos deles ficarão a noite toda jogando, para ver quem ficará com o monte; e a tais homens chamam de cavalheiros! E durante o dia parecem os mais perfeitos cavalheiros imagináveis. São instruídos ao mais alto grau; conhecem línguas, e entre eles se encontram advogados, médicos, homens de Estado e membros das classes mais elevadas da sociedade. Ouvi falar de um em Nova York. Um jovem foi para lá vindo de Boston, e um cavalheiro desejou mostrar-lhe a cidade, e iniciá-lo nos mistérios da alta vida em Nova York. Levou-o a uma das casas mais finas da Quinta Avenida, creio eu. O jovem supôs que fosse a residência de uma família particular. Foi conduzido a um longo corredor, tão ricamente adornado e ornamentado que seus olhos ficaram deslumbrados. Havia mesa após mesa, mesa após mesa, cercadas de cavalheiros que jogavam, e a mobília e o salão inteiro eram magníficos ao extremo. Havia salão após salão, salas laterais, salas de refeição, etc., e o jovem descobriu que estava numa casa de jogo elegante. Não acreditava que tais coisas existissem antes; mas ficou ali a noite toda observando, pois queria descobrir algo sobre a vida elegante na metrópole. Por volta das 3 ou 4 horas da manhã, um cavalheiro se afastou de uma das mesas. Havia jogado, jogado, jogado numa das mesas até se arruinar por completo, seu dinheiro e sua propriedade, tudo perdido. Entrara no lugar na noite anterior como homem rico, e às 3 ou 4 horas da manhã não valia nem um centavo no mundo. Recostou-se, afastando-se da mesa, e dizendo: "Cavalheiros, estou arruinado," tirou um pequeno revólver do bolso, colocou-o na orelha, e disparou uma bala através de seu cérebro. Foi um dos mais sábios daquela classe de homens que já ouvi falar. Se cada um deles fizesse como este, antes de começar a jogar, e deixasse seus bens a homens e mulheres que trabalhassem, provariam ser sábios, pois sua riqueza beneficiaria a terra. "Ó," dizem eles, "temos de sobra." Se têm, vão edificar outra cidade ou vila; vão para o deserto, levem os pobres com vocês, ensinem-nos a cultivar a terra, a criar gado, a reunir em torno de si os confortos da vida, e provem-se dignos de existir. Se têm dinheiro para jogar, têm dinheiro para comprar uma fazenda e colocar os pobres para trabalhar. Ao fazer isso, ajudam a elevar a família humana; mas, ao jogar e de outra forma abusar das bênçãos, do poder e da influência que possuem, não fazem bem nenhum a ninguém, e trabalham para sua própria destruição. Quando comprarem uma fazenda e colocarem os pobres para trabalhar, obtenham uma escola em sua fazenda, e comecem a ensinar aqueles que nunca tiveram o privilégio de ir à escola. Há centenas e milhares na Cidade de Nova York que nunca foram um único dia à escola em toda a vida; estão a se revolver na sarjeta, esfarrapados, sujos e imundos. Aprendem astúcia, é verdade; mas onde dormem? À beira do caminho, ou se arrastam para algum prédio velho — meninas e meninos, e vivem ali aos milhares. Não têm abrigo algum para colocar a cabeça, mas quando a noite chega, seu único refúgio são prédios velhos, casebres e cantos de ruas abandonados pela polícia, e ali têm de passar a noite. Por que não pegar tais personagens e trazê-los a este país, ou levá-los à Califórnia, ao Oregon, ou às planícies de Illinois, Wisconsin, etc., e formar uma vila, colonizar o país, e tornar essas pobres e miseráveis criaturas melhores? Provariam ser dignos de existência na terra se o fizessem. Mas não, "vamos jogar." Ora, jogadores, parem de jogar aqui e vão trabalhar; esse é o meu conselho. "Bem, mas," dizem alguns, "não vamos ser instruídos por Brigham Young." Quem se importa com isso? Se não quiserem receber minhas instruções, instruam-se a si mesmos. Quero que vocês vejam, em si mesmos, que sua vida é uma pobre e miserável vida de desperdício, uma vergonha para a família humana. Vão trabalhar, melhorem o país, construam vilas e cidades, plantem árvores de sombra, construam escolas e casas de reunião, e adorem o que quiserem, não nos importamos com o que seja. Sejam civis, honestos em seus tratos, sejam retos, não tomem o que pertence ao seu vizinho; e mineiros, não litiguem, e advogados, vão trabalhar. Se tiverem dificuldades que não possam resolver entre si, recorram à arbitragem. Escolham seus homens, três, cinco, sete, nove, onze, treze, ou o número que quiserem, homens sem preconceito por este ou aquele lado, coloquem-nos de posse dos fatos do caso; e quando disserem: "Sr. James Munroe, você fará tal coisa"; ou "Sr. John Jones, você fará assim e assim, esta é a nossa decisão," respeitem-na. Este procedimento não lhes custará nada, cuidam de seus próprios assuntos, o país fica tranquilo, e a comunidade não fica correndo atrás desses infernais tribunais. Desculpem-me pela expressão; mas toda a nação pensa que precisamos ter tribunais, e os tribunais julgam; e alguns tribunais se dão a liberdade de legislar bem como julgar, quando, na verdade, se todas as dificuldades levadas hoje aos tribunais fossem submetidas à honra, honestidade, inteligência e ao coração dos homens, poderiam ser resolvidas sem o menor problema no mundo. O que faríamos com nossos juízes em tal estado de sociedade? Deixem-nos ir cultivar a terra, montar uma fábrica, ou entrar em algum negócio e melhorar o país. ¶
Não posso dizer que este conselho seja especialmente para os Santos dos Últimos Dias. Por quê? Por esta simples razão — tirem destas montanhas toda a comunidade, exceto os Santos dos Últimos Dias, e poderia incluir muitos que não pertencem à Igreja, e não teríamos um único processo em nosso meio, de um fim de ano ao outro, em quinhentas milhas quadradas. E se o conselho que acabei de dar for adotado, teremos os distritos de mineração mais estáveis que jamais se encontraram em nossos assentamentos por todo o país ocidental. Nunca verão a excitação que viram em outras localidades de mineração. Naturalmente pode haver alguns que se arrastarão montanha acima, construirão pequenas vilas, e terão seus jogos e um pouco de baderna, mas não muito; verão uma comunidade firme. ¶
Dizemos aos Santos dos Últimos Dias: trabalhem para esses capitalistas, e trabalhem honesta e fielmente, e eles lhes pagarão fielmente. Conheço muitos deles, e, até onde sei, não conheço nenhum que não seja um homem honrado. São capitalistas, querem fazer dinheiro, e querem fazê-lo honestamente e segundo os princípios do trato honesto. Se têm meios e estão decididos a arriscá-los na abertura de minas, trabalhem para eles por dia. Transportem seus minérios, construam seus fornos, e recebam seu pagamento por isso, e adquiram suas terras, construam suas casas, melhorem suas fazendas, comprem seu gado, e melhorem sua situação; mas nada de litígios no caso. Tenho experiência nisso. Nunca litiguei muito em minha vida; mas, desde a juventude, meu estudo tem sido evitar o litígio, e seguir um caminho no qual nenhum homem pudesse levar vantagem sobre mim. ¶
A estima em que tenho a lei me leva a evitá-la. Vocês se lembram da história do advogado e dos dois fazendeiros. Os fazendeiros haviam brigado por causa de uma vaca, e foram a juízo, e o resultado foi que os fazendeiros ficaram com a vaca, e o advogado ficou com o leite. Nunca vejo um litígio acontecer sem que o advogado fique com o leite e a nata, enquanto aqueles que vão a juízo seguram a vaca para que ele a ordenhe. Sei que pensam que minha estima não é muito alta pelos advogados. Direi que não é por suas práticas más; mas, como homens e cavalheiros, conheci muitos que nunca se envolveram em desonestidade. Já me maravilhei muitas vezes com o juramento que se exige de um advogado com relação a seu cliente; dá-lhe licença para tornar o branco preto e o preto branco. Se eu fosse estabelecer um juramento para um advogado prestar ao entrar no exercício da profissão, faria com que jurasse dizer a verdade, e mostrar o certo do caso, a favor ou contra, sempre, isso é o que eu faria. Mas são licenciados desde o próprio juramento que prestam para justificar seu cliente, por mais errado que ele esteja; isso, porém, não os obriga a serem desonestos. Agora, suplico-lhes, peço-lhes, por seu próprio bem, vocês capitalistas, que não haja litígio. Já ouvi dizer que uma mina não vale nada até que tenha havido dois ou três litígios sobre ela, mas digo que isso em nada tornará melhores suas reivindicações. ¶
Direi ainda mais a respeito de nosso rico país aqui. Suponham que não houvesse ferrovia atravessando este continente, poderiam fazer algo com estas minas? Nada, absolutamente nada. Todo este minério de galena não suportaria o transporte se não fosse por isso; e, tomando as minas do começo ao fim, não há prata e ouro suficientes no minério de galena para pagar o transporte se não fosse pela ferrovia. E então, se não fosse por esta pequena ferrovia de Ogden até esta cidade, estas minas de Cottonwood não compensariam, pois não poderiam transportar o minério em carroças. Bem, precisam de um pouco mais de ajuda, e queremos construir-lhes uma ferrovia direta até Cottonwood, para que possam ganhar dinheiro. Queremos que o façam, e que o façam segundo princípios de negócio, para que possam mantê-lo, e quando o obtiverem, façam bom uso dele, e nós os ajudaremos. Há o suficiente para todos. Não queremos nenhuma briga ou contenda; e creio que, se capitalistas desonestos viessem para cá e começassem um procedimento desonesto com nossos cidadãos ao contratá-los, há homens de honra suficientes para dizer: "É melhor que saiam deste lugar; somos uma comunidade honesta e trabalhadora, e desejamos negociar segundo princípios honestos e tornar esta comunidade sólida. Vamos fornecer-lhes todos os suprimentos que pudermos produzir aqui, e receber nosso pagamento por eles; vocês tomam seu capital e o acrescentam, e então, quando partirem, se sentirão bem a nosso respeito e a respeito de si mesmos." ¶
Não quero que pensem que jamais aconselhei isso. Façam-no, por si mesmos, pois sabem que seria ridículo aos olhos de alguns tomar conselho de Brigham Young; seria absurdo supor que ele possa dar bom conselho. Deixo isso, porém, a cada homem ou mulher para decidir se é ou não um bom conselho. Tem havido pouco desta contenda e litígio aqui, e espero e oro para que haja menos ainda; só cria maus sentimentos e angústia em qualquer sociedade do mundo. ¶
Estamos aqui como uma família humana. Bendito seja seu coração, não há um de nós que não seja filho ou filha de Adão e Eva, não há um que não seja tão irmão ou irmã quanto seríamos se nascêssemos dos mesmos pais, bem na mesma família, com apenas dez filhos na família. É exatamente o mesmo sangue. Não me importa de onde viemos, somos todos desta família, e o sangue não foi mudado. É verdade que uma maldição caiu sobre certas porções da família humana — aqueles que se desviaram dos santos mandamentos do Senhor nosso Deus. O que fizeram? Nos dias antigos, o antigo Israel era o povo escolhido em quem o Senhor se deleitava, e a quem ele abençoou e por quem fez tanto. Contudo, transgrediram toda lei que ele lhes deu, mudaram toda ordenança que ele lhes entregou, romperam todo convênio feito com os pais, e se desviaram inteiramente de seus santos mandamentos, e o Senhor os amaldiçoou. Caim foi amaldiçoado por isso, com esta pele negra de que tanto se fala. Pensam vocês que poderíamos fazer leis para mudar a cor da pele dos descendentes de Caim? Se pudermos, podemos mudar as manchas do leopardo; mas não podemos fazer isso, nem tampouco podemos mudar seu sangue. ¶
Há uma maldição sobre estes aborígenes de nosso país, que vagueiam pelas planícies, e são tão selvagens que não se pode domesticá-los. São da casa de Israel; outrora tiveram o evangelho a eles entregue, tiveram os oráculos da verdade; Jesus veio e lhes ministrou depois de sua ressurreição, e receberam e se deleitaram no evangelho até a quarta geração, quando se desviaram e se tornaram tão perversos que Deus os amaldiçoou com esta condição escura, obscurecida e repugnante; e querem sentar-se no chão, na sujeira, e viver da caça, e não podem ser civilizados. E, quanto a isto, direi a nosso governo, se pudessem me ouvir: "Nunca precisam combater os índios, mas, se querem livrar-se deles, tentem civilizá-los." Quantos havia aqui quando chegamos? Nas Fontes Quentes, neste pequeno bosque onde armavam suas tendas, encontramos talvez trezentos índios; mas não creio que haja três daquele bando ainda vivos agora. Havia outro bando um pouco ao sul, outro ao norte, outro mais a leste; mas não creio que exista um em dez, talvez não um em cem, ainda vivo agora, daqueles que estavam aqui quando chegamos. Nós os matamos? Não, nós os alimentamos. Diziam: "Queremos farinha tão fina quanto a de vocês." A Walker, o chefe, a quem toda a Califórnia e o Novo México temiam, eu disse: "Isso vai te matar tão certo quanto o mundo, se você viver como nós vivemos." Disse ele: "Quero comer tão bem quanto Brigham, quero comer como ele come." Disse eu: "Coma, então, mas isso vai te matar." Disse o mesmo a Arapeen, irmão de Walker; mas tinham de comer e beber como os brancos, e não creio que um em cem daqueles bandos esteja vivo. Trouxemos seus filhos para nossas famílias, e cuidamos e fizemos tudo o que era possível para seres humanos, mas eles morriam. Não os combatam, mas os tratem com bondade. Não haverá então mancha alguma sobre o Governo, e se livrará deles muito mais rápido do que combatendo-os. Precisam ser civilizados, e haverá um remanescente deles salvo. Já disse o suficiente sobre este assunto. ¶
Quero dizer um pouco agora a respeito do dízimo. Alguns deste povo pensam que pagam seu dízimo. Espero que sim; mas posso fazer a mesma comparação que Jesus fez quando em Jerusalém. Vieram os escribas, fariseus, saduceus, etc., e puseram seus bens no celeiro do Senhor; e veio uma pobre viúva, sem nada, ao que parecia. Não tinha roupa que a deixasse confortável, mas tinha duas moedinhas, que provavelmente havia economizado por seu trabalho, e as colocou no celeiro do Senhor. Jesus se ergueu, e, vendo o que faziam, disse: "Em verdade vos digo que lançou mais do que todos essa pobre viúva; porque todos aqueles lançaram para as ofertas de Deus do que lhes sobejava; mas esta, da sua pobreza, lançou todo o sustento que tinha." Ora, há aqui alguns desse mesmo tipo de pessoas que pagam seu dízimo. Mas nós, homens ricos, pagamos o nosso? Nem de longe. Posso informar aos Élderes de Israel e a todos os demais que, desde que começamos a cultivar grãos nestes vales, os depósitos pagos em dízimo não chegaram a uma centésima parte de tudo o que foi colhido, quando um décimo era devido ao celeiro do Senhor. Vocês podem dizer: "Irmão Brigham, você pagou o seu?" Não, não paguei. Há vários irmãos que pagaram consideravelmente, mas creio que paguei mais dízimo do que qualquer outro homem nesta Igreja. Creio que fiz mais pelos pobres do que qualquer outro homem na Igreja; contudo, mal comecei a pagar meu dízimo. Como é com vocês? Sei como é. Há poucos pobres que pagam seu dízimo, e são bastante rigorosos; mas tomem a massa do povo, e não pagaram um vigésimo de seu dízimo. Vocês acreditam nisso? Eu sei disso. Se eu fosse raciocinar sobre isso e tentar mostrar aos Santos dos Últimos Dias a inconsistência de seu procedimento neste assunto, plantaria meus pés neste terreno: Não somos nossos próprios, fomos comprados por um preço, somos do Senhor; nosso tempo, nossos talentos, nosso ouro e prata, nosso trigo e nossa farinha fina, nosso vinho e nosso azeite, nosso gado, e tudo o que há nesta terra que possuímos é do Senhor, e ele exige um décimo disso para a edificação de seu reino. Quer tenhamos muito ou pouco, um décimo deve ser pago como dízimo. Para quê? Posso dizer-lhes para quê em uma centena de casos, mas direi apenas alguns, e começarei com os pobres. Contem-me cinquenta, cem, quinhentos, ou mil dos homens e mulheres mais pobres que puderem encontrar nesta comunidade; com os meios que tenho em minha posse, tomarei essas dez, cinquenta, cem, quinhentas ou mil pessoas, e as porei a trabalhar; mas apenas o suficiente para beneficiar sua saúde e tornar sua comida e seu sono doces para elas, e em dez anos tornarei aquela comunidade próspera. Em dez anos porei seis, cem, ou mil indivíduos, que hoje temos de sustentar por doações, numa posição não apenas de se sustentarem, mas serão prósperos, andarão em suas carruagens, terão belas casas para morar, pomares para visitar, rebanhos e manadas, e tudo para torná-los confortáveis. Mas nem todo homem pode fazer isso. Os Bispos não podem fazê-lo; não que eu fale de leve da sabedoria de nossos Bispos, mas mal temos um Bispo na Igreja que saiba o ABC a respeito dos deveres de seu ofício. Ainda assim, temos bons homens, mas nossos corações estão em outro lugar, e não estamos estudando o reino, o bem-estar da família humana, nem aquilo que nosso ofício nos chama a realizar. Não buscamos os pobres e não colocamos cada homem e mulher a render juros. Isso deveria ser, pois nosso tempo é do Senhor. Tudo o que queremos é dirigir este tempo e usá-lo proveitosamente. Há abundância de trabalho diante de nós. Temos a terra para subjugar, e para torná-la como o Jardim do Éden. Vocês acreditam nisso? Eu sei disso. Mas como vivemos? Muito parecido com o resto do mundo. Estamos prontos a atropelar toda a criação. Assim como eu disse a alguns dos irmãos, e a alguns que conheci no mundo; eles põem o olho numa moedinha; veem-na rolar e vão atrás dela. Logo tropeçam num águia de ouro; logo chegam a outro, um dobrão ou um 'slug' [moeda de ouro de grande valor cunhada na Califórnia], e tropeçam nele, e caem; mas se levantam de novo, pois seus olhos estão naquela moedinha, e, em sua avidez para obtê-la, tropeçam nos águias que poderiam recolher, se tivessem sabedoria para fazê-lo. É assim? Ó sim, aqueles que têm olhos para ver podem ver. Levem as coisas com calma e tranquilidade, recolham tudo, não deixem nada se perder. ¶
Vocês, irmãs, sabem que às vezes lhes disse qual é meu ofício. Fico-lhes envergonhado quando ouvem alguns dos irmãos dizerem: "Bem, não creio que o irmão Brigham tenha algo a ver com minha fazenda ou assuntos domésticos, ou com coisas temporais; não creio que a Primeira Presidência tenha algo a ver com meus assuntos temporais." Ó, sim, temos; e, para ir direto ao ponto, é meu privilégio, se eu fosse capaz, ensinar a cada mulher nesta Igreja e reino como cuidar da casa, e como varrer a casa, cozinhar carne, lavar louça, fazer pão sem desperdício, etc. Posso ir a uma casa e o que vejo? Talvez o fundo ou o topo do pão esteja queimado até virar carvão. Por que não fez diferente? "Ó, são acidentes." Sim, porque nunca pensamos no trabalho que temos em mãos. A mãe se levanta e diz: "Ó, Sally, onde está o pano de prato, quero ele agora mesmo?" "Susan, onde diabos você colocou aquela vassoura?" ou "Onde está o pegador de ferro?" e Susan não sabe nada nem do pano de prato nem da vassoura, e diz: "Não temos pegador de ferro, exceto uns papéis velhos." Se eu não tivesse nada além de um pedaço de jornal velho dobrado para servir de pegador, eu o teria onde pudesse pôr a mão em um instante, mesmo no escuro, se precisasse dele. E assim com o pano de prato, a vassoura, as cadeiras, mesas, sofás, e tudo mais na casa, de modo que, se tivessem de se levantar no meio da noite, pudessem pôr a mão em tudo o que precisassem instantaneamente. Tenham um lugar para cada coisa, e cada coisa em seu lugar. ¶
Se eu apenas tivesse tempo, ensinaria a vocês como tricotar meias, pois há muito poucas mulheres hoje em dia que sabem quantos pontos montar para tricotar meias para seus maridos ou para si mesmas; ou que tamanho de lã ou agulhas necessitam; e, quando suas meias estão prontas, ficam como algumas dessas tricotadas por máquina — uma perna de quinze centímetros de comprimento enquanto o pé tem trinta centímetros ou mais; ou a perna do tamanho apenas de um menino de dez anos, enquanto o pé é grande o suficiente para qualquer mineiro do país. Vocês sabem que isso é um exagero, mas é fato que a arte de tricotar meias não é tão amplamente compreendida entre as senhoras quanto deveria ser. Eu poderia dizer-lhes como deveria ser feito, se tivesse tempo e soubesse fazê-lo eu mesmo. ¶
Perguntarei a toda a família humana se há algum mal em ensinar as pessoas a serem artesãs e artistas, e para que serve sua vida. Há algum mal em ensinar-lhes as leis da vida e como viver, de modo que, quando desçam à sepultura, possam dizer: "Ali está minha vida, e ela foi de honra; olhem para ela e façam tão melhor quanto Deus lhes der capacidade para fazer." Este é o dever da família humana, em vez de desperdiçar suas vidas e as vidas de seus semelhantes, e o tempo precioso que Deus nos deu para aprimorar nossas mentes e corpos, observando as leis da vida, de modo que a longevidade da família humana possa começar a voltar. Aos poucos, segundo as Escrituras, os dias de um homem serão como os dias de uma árvore. Mas naqueles dias as pessoas não comerão e beberão como fazem agora; se o fizerem, seus dias não serão como os de uma árvore, a menos que seja uma árvore de vida muito curta. Este é o nosso negócio. ¶
Então paguem seu dízimo, apenas porque gostam de fazê-lo, não a menos que queiram. Dizem que desligamos as pessoas da Igreja por não pagarem o dízimo; nunca o fizemos até agora, mas deveriam ser desligadas. Deus não as reconhece. A lei do dízimo é uma lei eterna. O Senhor Todo-Poderoso nunca teve seu reino na terra sem que a lei do dízimo estivesse no meio de seu povo, e nunca terá. É uma lei eterna que Deus instituiu para o benefício da família humana, para sua salvação e exaltação. Esta lei está no Sacerdócio, mas não queremos que ninguém a observe a menos que esteja disposto a fazê-lo. Se eu perguntar a meus irmãos: "Vocês estão dispostos a pagar dízimo?" Muitos deles diriam: "Sim, não apenas estamos dispostos a pagar dízimo, mas tudo o que temos, pois somos do Senhor, e tudo o que ele nos deu é dele." Essa seria a resposta de milhares aqui hoje. Se a lei da terra o permitisse, mostraríamos se estamos dispostos a transferir nossa propriedade ao reino de Deus ou não. A minha foi transferida; e agora lhes direi que a companhia de seguros na qual investi está lá em cima, e o Senhor dos Exércitos é o Presidente dessa companhia. Não quero segurar minha vida em nenhuma outra; e, se queremos segurar propriedade, seguremos a de uns e outros e a nossa própria. Digo, meus irmãos e irmãs, que, se tivéssemos o privilégio, mostraríamos ao mundo se transferiríamos tudo ao reino de Deus ou não. Mas podemos fazê-lo aqui? O Governo aprovou uma lei nestes termos: ¶
"Que não será lícito a nenhuma corporação ou associação com fins religiosos ou beneficentes adquirir ou possuir bens imóveis em qualquer Território dos Estados Unidos, durante a existência do governo territorial, de valor superior a cinquenta mil dólares; e todos os bens imóveis adquiridos ou possuídos por tal corporação ou associação, contrariamente às disposições desta lei, serão confiscados e revertidos aos Estados Unidos: Contanto que os direitos já adquiridos sobre bens imóveis não sejam prejudicados pelas disposições desta seção." ¶
É assim que o Governo nos amarra. Não importa, podemos construir templos, pagar nosso dízimo e nossas ofertas voluntárias; podemos cultivar nosso pão, contratar nossos professores e ensinar nossos filhos sem ajuda. Chegamos aqui despojados de tudo, e homens em altas posições sentaram-se e riram de nós, e disseram que pereceríamos; mas não perecemos. Muitos deles já desceram à sepultura, e seus espíritos foram ao mundo espiritual, onde não terão as influências consoladoras dos anjos de Deus como os Santos terão. O Hades, a sepultura e o mundo dos espíritos são chamados inferno na língua original. Ora, não espero que desçam, desçam, desçam ao fundo do poço sem fundo, onde serão empurrados com forcados. Não me refiro a nada disso quando falo do inferno, ou do mundo dos espíritos. Não desejo assustar as pessoas para o banco dos aflitos, e então dizer: "Ó, minha amada irmã, como você se sentiu quando seu querido filhinho morreu?" e "Ó, meu amado irmão, seu coração não sangrou por sua querida companheira quando você a deitou na sepultura silenciosa de onde nenhum viajante retorna?" Esta não é a nossa religião; nossa religião não consiste em sensação ou magnetismo animal, como a do mundo sectário. Já vi isso desde a juventude, trabalhando sobre as paixões do povo, deixando-os loucos. A respeito de quê? Nada de forma alguma. Já os vi deitados, quando sob essa excitação religiosa, de dez minutos a talvez uma hora, sem o menor sinal de vida em seus sistemas; nem um pulso neles, e colocar a mais leve pena do mundo em seu nariz, e não o menor sinal de respiração poderia ali ser discernido, mais do que em qualquer outro lugar. Depois de ficarem deitados um tempo, se levantavam bem. "O que você viu, irmã ou irmão? O que você aprendeu além do que sabia antes deste ataque?" Não sei que tipo de ataque seria, se um mal caduco ou um desmaio, ou um ataque de magnetismo animal. "O que você sabe, irmã?" "Nada." "O que você viu, irmão?" "Nada nem ninguém." "O que você tem a nos contar que aprendeu enquanto estava nesta visão?" "Nada de forma alguma." Sempre terminava como a velha canção: "Tudo a respeito de nada." ¶
Essa não é a fé dos Santos dos Últimos Dias. Sua religião consiste no conhecimento que vem de Deus; um conhecimento da lei do céu, do poder do Sacerdócio eterno do Filho de Deus; e, obedecendo a essa lei e a essas ordenanças, nós, de maneira prática, filosoficamente, de uma maneira que pode ser demonstrada tão claramente quanto um problema matemático, ganhamos o direito à vida eterna; e, embora não vejamos o Senhor na carne, podemos vê-lo em visão, e temos direito a visões, à ministração de anjos, ao poder do Sacerdócio eterno com as chaves e bênçãos dele. E, por meio dos trabalhos de seus servos fiéis, o Senhor oferece salvação à família humana; e embora eles não se salvem a si mesmos, calculamos fazer tudo o que pudermos por eles. ¶
Deus os abençoe. Amém. ¶