Pulpit

Ordem — Dons Espirituais — Templos — A Nova Jerusalém

Orson Pratt

Conferência Geral de Abril de 1871·Sessão da Manhã de Segunda-feira·1871-04-09

Irmãos, irmãs e estranhos, desejo dirigir-me a vocês por alguns momentos nesta manhã, e falar sobre aquelas coisas que possam ser postas em minha mente. Todos nós cremos que nosso Deus é um Deus de ordem, que todas as coisas conduzidas por ele são conduzidas na mais perfeita ordem, segundo a lei. Por isso está escrito em algum lugar do Novo Testamento, creio que no 14º capítulo da 1ª epístola de Paulo aos Coríntios, que: "Minha casa é uma casa de ordem e não uma casa de confusão." O que queremos dizer com isso é que tudo o que diz respeito à salvação dos homens, que é aceitável aos olhos do céu, deve estar de acordo com uma lei estrita. Em outras palavras, que o Senhor planejou uma obra entre a família humana segundo aquelas leis que foram ordenadas por ele antes da fundação do mundo. Se deseja que sejam batizados com fogo e com o Espírito Santo, ordenou uma lei por meio da qual a humanidade pode se tornar participante dessa bênção. Se está disposto a estender misericórdia e perdão aos filhos dos homens, ordenou uma lei, a saber, a fé em seu Filho Jesus Cristo, na expiação que ele realizou, nas ordenanças e instituições do evangelho que estabeleceu, exigindo que a família humana se arrependa, e reforme sua vida, afaste seus pecados, rompa com toda forma de mal e entre em convênio com ele para servi-lo fielmente, e manifeste seu arrependimento obedecendo a certa ordenança; então vem o perdão. Essa ordenança é o batismo, que deve ser realizado segundo o padrão e a lei do céu; não deve variar. Aspersão não servirá; derramar água sobre a cabeça não servirá; batismo administrado por um homem sem autoridade do céu não será aceito; deve ser administrado segundo a lei, a ordem e a autoridade, por alguém comissionado, a quem o Senhor falou e a quem deu revelação e chamou para realizar essa obra; então será aceitável, e será reconhecido no céu, e será registrado nos arquivos da eternidade; e, quando os livros forem abertos, encontrar-se-á neles que aquele homem ou aquela mulher cumpriu a ordem da casa de Deus, deu atenção às instituições e ordenanças de seu reino, e, tendo continuado a fazê-lo até o fim, ele ou ela pode ser salvo.

Deus também ordenou que, quando concede aos filhos dos homens dons espirituais, estes devem ser recebidos em ordem; devem ser dados segundo as leis e instituições da igreja, por meio da administração daquela autoridade e poder que ele estabeleceu aqui na terra. Por isso, Paulo, escrevendo aos santos de seu tempo, disse-lhes em certa ocasião que desejava muito visitar certos ramos da igreja a fim de poder impartir-lhes alguns dons espirituais. Por que não receber esses dons espirituais de alguma outra maneira? Por que não receber essas grandes e escolhidas bênçãos celestiais segundo nossa própria vontade? Porque Deus é um Deus de ordem, e sua casa não é casa de confusão. Se deseja conceder algum grande e escolhido dom celestial a seus servos e servas, ele ordenou uma autoridade e estabeleceu essa autoridade em sua igreja, e por meio da administração das ordenanças pertinentes a esse dom celestial eles podem tornar-se participantes dele.

Deus prometeu, no sermão do monte, uma bênção muito grande aos puros de coração — "Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus." Quão grande é a bênção aqui pronunciada! Verão a Deus. Deus é um ser que está disposto a se revelar, mesmo a seus filhos aqui na terra. Se se ativerem à lei, atenderem às ordenanças que ele ordenou, e caminharem em consonância com os princípios que foram revelados, poderão alcançar aqui, em tempo, aquele elevado privilégio de que o véu será removido, e seus olhos poderão contemplar o rosto do Senhor, pois são puros de coração. Sei que está escrito em outros lugares que nenhum homem jamais viu a Deus. No livro de Êxodo está escrito que "homem nenhum verá a minha face"; e, novamente, o mesmo livro diz que Jacó viu a Deus face a face e falou com ele. Novamente está escrito que Moisés falava com o Senhor face a face, como um homem fala com seu amigo. Como havemos de conciliar essas passagens das Escrituras? Se tomarmos as Escrituras em seu verdadeiro sentido, e segundo o teor geral de sua leitura, elas se conciliam facilmente. Nenhum homem natural jamais viu a Deus. Um homem natural não poderia contemplar o rosto do Senhor em sua glória, pois não poderia suportá-lo; mas quando um homem ou mulher mortal aqui na terra afastou a mente natural ou carnal; quando afastou todo pecado e iniquidade, e cumpriu as leis e mandamentos de Deus, então, como Jacó de outrora, pode ver a Deus face a face, e, como Moisés, falar com o Senhor como um homem fala com outro. Está escrito neste livro que vocês e eu recebemos como parte e porção de nossa regra de fé e prática, "O Livro de Convênios", o seguinte: "Em verdade assim diz o Senhor: Acontecerá que toda alma que abandonar os seus pecados e vier a mim, e invocar o meu nome, e obedecer à minha voz, e guardar os meus mandamentos verá a minha face e saberá que eu sou; e que eu sou a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem ao mundo; e que eu estou no Pai e o Pai em mim; e o Pai e eu somos um." Novamente está escrito noutra revelação: "E se meu povo me construir uma casa em nome do Senhor e não permitir que nela entre qualquer coisa impura, de modo que não seja profanada, minha glória descansará sobre ela; sim, e minha presença lá estará, porque entrarei nela; e todos os puros de coração que nela entrarem verão a Deus. Mas se for profanada, não entrarei nela e minha glória lá não estará; porque não entrarei em templos impuros, etc."

Li esses ditos, a fim de que os Santos dos Últimos Dias percebam que Deus está disposto a que vocês e eu, e o menor daqueles que são chamados Santos dos Últimos Dias, se se purificarem diante dele e invocarem seu nome, guardarem seus mandamentos, obedecerem suas instituições, cumprirem a ordem de sua casa, regulando sua vida e conduta por toda palavra que sai de sua boca — possam rasgar o véu, e ser-lhes permitido contemplar o rosto de nosso Redentor e Criador. Este foi o privilégio dos Santos de Deus em tempos antigos. Paulo, dirigindo-se aos Santos que viviam em seus dias, escreve assim:

"Chegastes ao Monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e a uma companhia inumerável de anjos, a Deus, o juiz de todos, e a Jesus, o Mediador do Novo Convênio."

Que elevados privilégios e grandes bênçãos foram conferidos àqueles Santos de outrora! Haviam sido habilitados por sua fé a chegar diante de Deus e reivindicar, não apenas aqueles dons espirituais comuns que são impartidos à igreja para a edificação mútua de seus membros, mas também lhes foi permitido elevar-se ainda mais, em virtude de sua fé, e contemplar a Jerusalém celestial, chegar ao Monte Sião, à cidade do Deus vivo. Podiam contemplar o rosto de Deus, o rosto do Senhor Jesus Cristo, e os rostos de uma companhia inumerável de anjos — a Igreja do Primogênito — e misturar-se, por assim dizer, em sua sociedade. Todas essas coisas foram obtidas por meio da obediência às leis e instituições que Deus manifestara no meio de sua casa.

Quando o Senhor ordenou a este povo que edificasse uma casa na terra de Kirtland, no início desta igreja, deu-lhes o modelo por visão do céu, e ordenou-lhes que edificassem aquela casa segundo aquele modelo e ordem; que tivessem a arquitetura, não segundo a arquitetura concebida pelos homens, mas que tudo fosse construído naquela casa segundo o modelo celestial que ele, por sua voz, inspirara a seus servos. Quando isso foi cumprido, o Senhor aceitou aquela casa? Sim! Tendo eles cumprido a ordem e edificado a casa segundo o modelo, o Senhor condescendeu em agraciar aquela casa com sua presença. Naquela casa o véu foi removido dos olhos de muitos dos servos de Deus, e eles contemplaram sua glória. Naquela casa o Senhor Jesus Cristo foi visto por alguns dos Élderes da Igreja em visão celestial, de pé sobre o limiar do púlpito, proclamando-se o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o Grande Eu Sou, etc. E deu chaves de instrução, conselho e autoridade a seus servos, declarando-lhes que aceitava aquela casa de suas mãos, e que, na medida em que haviam sido fiéis no cumprimento de seu dever ao edificar um templo a seu nome, ele os abençoava nela. Também lhes proclamou que, daquela casa, seus servos sairiam armados com o poder de seu sacerdócio, e proclamariam o evangelho entre as várias nações, e que muitos povos viriam das partes mais remotas da terra e louvariam o nome do Senhor em Sião, e no meio de sua casa. Assim fez o Senhor, quando cumprimos nossa parte, cumprir suas promessas da sua parte. Assim, nos últimos dias, quando o Senhor nosso Deus nos permitir edificar aquela casa de que falou no parágrafo que acabei de citar do Livro de Doutrina e Convênios, sucederá naquele dia que todos os que são puros de coração que entrarem naquela casa verão a Deus. Percebemos, assim, que o Senhor escolhe ter uma casa edificada a seu santo nome, na qual manifestará sua glória e poder.

Quando Moisés ergueu um tabernáculo no deserto na terra do Egito, segundo o modelo que Deus lhe deu, o Senhor o reconheceu? Sim. Mostrou seu poder e glória naquela casa? Sim. Repousou uma nuvem sobre ela de dia e uma coluna de fogo flamejante pairou sobre ela de noite? Sim! Foi feito segundo o modelo e segundo a ordem celestial e o mandamento do Grande Jeová. Assim, quando os servos de Deus nos últimos dias edificarem uma casa nos cumes das montanhas, ele a reconhecerá se a edificarem segundo o modelo que será revelado do céu, no lugar que o Senhor designar por sua própria voz, e no tempo e na estação proclamados pelo Todo-Poderoso. Sucederá naquele dia, também, que o Senhor mostrará sua glória naquela casa, e a fama dela irá até as partes mais remotas da terra: todos os povos, nações, línguas e idiomas, reis sobre seus tronos, e muitas nações dirão: "Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine acerca dos seus caminhos." Isto é, para que possa informar nossas mentes a respeito da ordem e das leis pertinentes à sua casa e reino, para que tudo seja feito por lei e autoridade, para que o que se faz aqui na terra seja reconhecido e registrado nos céus, para o benefício daqueles que creem.

Tenho cerca de cinco minutos mais. Lemos nas Escrituras da verdade divina que o Senhor nosso Deus há de vir ao seu templo nos últimos dias, como foi citado ontem pelo Élder Penrose. Está registrado no 3º capítulo de Malaquias que "de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais." Isso não se referia à primeira vinda do Messias, ao dia em que apareceu na carne; mas se refere àquele período glorioso denominado os últimos dias, quando o Senhor novamente terá uma casa, ou um templo, erguido na terra ao seu santo nome. "E de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais. Mas quem suportará o dia da sua vinda? e quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-se-á, refinando e purificando a prata; e purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; então ao Senhor trarão oferta em justiça. E a oferta de Judá e de Jerusalém será suave ao Senhor, como nos dias antigos, e como nos primeiros anos." O Senhor pretende ter um templo não apenas em Sião, mas, segundo isto, na antiga Jerusalém; e pretende que os filhos de Levi recebam suas bênçãos — as bênçãos de seu sacerdócio que lhes foram conferidas naquele templo; e está determinado a que os ministros naquele templo sejam purificados como o ouro e a prata são purificados, e está determinado a assentar-se como fogo de fundidor no meio daquele templo. Assim será no templo em Sião, pois eis que nos últimos dias o Senhor erguerá Sião no continente americano, e também erguerá Jerusalém no hemisfério oriental. Sião, no continente ocidental, será o lugar onde o Senhor também purificará e limpará esses dois sacerdócios — o sacerdócio de Levi e o Sacerdócio de Melquisedeque — o menor e o maior sacerdócio — e serão preenchidos com a glória de Deus sobre o Monte Sião, na casa do Senhor.

Deixem-me ler algumas passagens do Livro de Convênios. Há trinta e nove anos, uma revelação foi dada, uma ou duas passagens da qual lerei agora: "Uma revelação de Jesus Cristo a seu servo Joseph Smith Júnior e seis élderes, ao unirem o coração e erguerem a voz ao céu. Sim, a palavra do Senhor com respeito a sua igreja, estabelecida nos últimos dias, para a restauração de seu povo, como falou pela boca de seus profetas; e para a reunião de seus santos no Monte Sião, que será a cidade de Nova Jerusalém. Cidade essa que será construída a partir do terreno do templo, designado pelo dedo do Senhor, nas fronteiras ocidentais do Estado de Missouri e dedicado pela mão de Joseph Smith Júnior e outros de quem o Senhor se agradava."

Noto agora outra predição: "Em verdade esta é a palavra do Senhor: Que a cidade de Nova Jerusalém seja construída pela reunião dos santos, a partir deste lugar, sim, o local do templo, templo esse que será erigido nesta geração. Pois em verdade esta geração toda não passará sem que seja construída uma casa para o Senhor; e uma nuvem descansará sobre ela, nuvem essa que será a glória do Senhor, que encherá a casa."

Leremos agora um trecho do sexto parágrafo: "Os filhos de Moisés," isto é, aqueles que pertencem aos dois sacerdócios, "os filhos de Moisés e também os filhos de Aarão oferecerão uma oferta e um sacrifício aceitáveis na casa do Senhor, casa essa que será construída para o Senhor nesta geração, no local consagrado, como designei — E os filhos de Moisés e de Aarão," isto é, aqueles que recebem os dois sacerdócios, "encher-se-ão da glória do Senhor no Monte Sião, na casa do Senhor, cujos filhos sois vós; e também muitos a quem chamei e enviei para edificar a minha igreja. Pois aqueles que forem fiéis de modo a obter estes dois sacerdócios de que falei e a magnificar seu chamado serão santificados pelo Espírito para a renovação do corpo. Tornam-se os filhos de Moisés e de Aarão e a semente de Abraão; e a igreja e reino e os eleitos de Deus," etc.

Aqui, então, vemos uma predição, e cremos nela. Sim! Os Santos dos Últimos Dias têm tanta fé firme e confiam nesta promessa tanto quanto confiam na promessa do perdão dos pecados quando cumprem os primeiros princípios do Evangelho. Esperamos tanto que uma cidade será edificada, chamada Sião, no lugar e na terra que foi designada pelo Senhor nosso Deus, e que um templo será erguido no local escolhido, cuja pedra angular foi lançada, na geração em que esta revelação foi dada; esperamos isso tanto quanto esperamos que o sol nasça pela manhã e se ponha à noite; ou tanto quanto esperamos ver o cumprimento de qualquer dos propósitos do Senhor nosso Deus, referentes às obras de suas mãos. Mas diz o objetor: "trinta e nove anos se passaram." E daí? A geração não passou; todo o povo que vivia trinta e nove anos atrás não passou; mas, antes que passem, isto se cumprirá. Qual é o objetivo deste Templo? O objetivo é que o Senhor, segundo a ordem que instituiu, desvele seu rosto a seus servos, para que aqueles que são puros de coração e entrarem naquele templo sejam preenchidos com a glória de Deus no Monte Sião, na casa do Senhor; e, finalmente, seja o que for que sejamos chamados a fazer, seja edificar templos, cultivar a terra, organizar-nos em companhias cooperativas para levar a cabo os propósitos e desígnios de Jeová; seja que sejamos enviados em missões ao exterior ou permaneçamos em casa, não importa, tudo deve ser feito em ordem, tudo deve ser realizado segundo a lei, para que seja aceitável aos olhos do céu, e ali registrado para o benefício do povo de Deus aqui na terra. Por quê? Porque Deus é um Deus de ordem; é um Deus de lei. Deus é aquele ser que empunha seu cetro sobre a natureza universal e controla os sóis e sistemas de sóis, e mundos e planetas, e os mantém movendo-se em suas esferas e órbitas por lei; e todos os seus súditos devem cumprir a lei aqui na terra, para que estejam preparados para fazer sua vontade na terra como sua vontade é feita pelas hostes angelicais e por aquelas ordens superiores de inteligências que reinam em sua própria presença. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Ordem — Dons Espirituais — Templos — A Nova Jerusalém”, Conferência Geral de Abril de 1871, Sessão da Manhã de Segunda-feira (1871-04-09). Pulpit Vault, 1871-04-pratt-orderspiritual-giftstemplesthe-new-jerusalem. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).