Pulpit

Sermões Escritos e Pregação Extemporânea — O Sacerdócio — Oposição a Ele

George A. Smith

1870-11-20

Ao levantar-me diante dos Santos, sinto sempre o desejo de ser guiado e inspirado pela luz do Espírito Santo, para falar segundo as circunstâncias e a condição do povo exigem. Não é como eu costumava observar em minha meninice. Ouvia nosso ministro orar ao Senhor para que lhe desse Seu Espírito, a fim de ditar e compor exatamente a matéria que fosse adequada às necessidades e à condição da assembleia, e então abria sua Bíblia, escondia dentro dela seu panfleto escrito, e lia um sermão. Ora, confesso que nunca tive respostas tão notáveis a minhas orações sobre este assunto. O Senhor lhe fornecia já escrito e claramente pontuado, e ele nada tinha a fazer senão lê-lo. Se pregar por notas dessa maneira é ou não a melhor política é duvidado por muitas das igrejas protestantes; mas creio que é o costume entre a maioria delas. Há alguns clérigos que discordam desta regra, pensando provavelmente que, se um homem se senta em seu escritório e compõe seu discurso, não tem o espírito de proferi-lo e impô-lo a sua audiência como se fosse proferido de improviso.

Entre os Santos dos Últimos Dias, a ideia de escrever sermões ou preparar discursos de antemão é inteiramente descartada, nunca foi praticada entre eles. Era a ordem de Deus escolher as coisas fracas do mundo. Os eruditos, de modo geral, escarneciam da ideia de o Senhor Se revelar a um homem ignorante como Joseph Smith, ou de Joseph Smith ter fé para obter conhecimento de Deus. Sei que costumavam dizer: "Por que o Senhor não chamou um homem erudito que dedicou toda a sua vida ao estudo da divindade, se Ele quisesse que algo fosse feito?" O fato real é que pensavam saber demais, não dariam ouvidos a nada que o Senhor tivesse a dizer. Ele simplesmente chamou Joseph, porque este ficou perplexo ao ouvir aqueles homens eruditos pregarem. Ouvira-os pregar quatro ou cinco doutrinas diferentes, e depois os vira brigarem sobre os convertidos; foi humildemente a Deus e Lhe pediu, segundo o conselho dado pelo apóstolo Tiago, que diz: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão." Joseph Smith foi apenas tolo e simples o bastante para seguir este conselho, e foi humildemente diante do Senhor e Lhe perguntou qual era o caminho certo, e o Senhor lhe mostrou. Decerto, já ouvi, em teoria, sentimentos deste tipo no mundo sectário. Já ouvi homens pedirem ao Senhor um pentecostes em suas reuniões. Sabem que, no dia de Pentecostes, os discípulos profetizaram, e falaram em tantas línguas que homens devotos de quase toda nação debaixo do céu, reunidos em Jerusalém, ouviram o evangelho pregado na língua em que haviam nascido. Ora, se tal acontecimento se desse numa igreja cristã nos tempos modernos, haveria grande alvoroço, o povo ficaria alarmado, não creem em coisa alguma assim. Os dons do Espírito — línguas, profecia etc. — foram abolidos há muito tempo, dizem eles, e são governados pela palavra escrita, e diferem muito em sua interpretação daquela palavra escrita.

Joseph Smith ensinou que todo homem e mulher deveriam buscar ao Senhor por sabedoria, para que pudessem obter conhecimento dAquele que é a fonte do conhecimento; e as promessas do evangelho, tal como reveladas, eram tais que nos autorizavam a crer que, seguindo este rumo, alcançaríamos o objeto de nossa busca. "Aquele que crê em mim," diz o Salvador, "as obras que eu faço, ele também as fará; e obras maiores que estas fará, porque eu vou para o Pai." Vemos que, quando o Salvador começou Sua missão, veio a João e foi por ele batizado no Jordão, estabelecendo assim um exemplo para os outros seguirem; e declarou que os que crerem nEle deveriam tomar sua cruz e segui-lO. Além disso, prometeu-lhes que, ao renderem obediência a Suas doutrinas, receberiam o dom do Espírito Santo e nasceriam do Espírito; e que, pela luz do Espírito, Ele os guiaria em toda verdade e lhes daria a conhecer as coisas vindouras.

Quantos de nós, Santos dos Últimos Dias, estamos vivendo à altura deste chamado e na luz deste Espírito? Quantos de nós somos guiados como deveríamos pela luz do Espírito Santo? Não nos tornamos muitos de nós descuidados, irrefletidos, negligentes, desatentos, e nos desviamos para a direita ou para a esquerda, e caímos em armadilhas e tentações, e nos permitimos ser desviados por espíritos falsos e pelas doutrinas de demônios?

O apóstolo diz que o Senhor constituiu, em Sua Igreja, apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, para que os que creem não fossem mais como crianças, levados por todo vento de doutrina, pela astúcia enganosa daqueles que armam ciladas para enganar. Procurem esta organização em todo o mundo e não a encontrarão, exceto entre os Santos dos Últimos Dias; não existe em nenhum outro lugar, isto é, até onde as viagens e o conhecimento da humanidade têm revelado. Lembro-me de certa vez, ainda bastante jovem, ir a uma igreja batista. Perguntei ao cavalheiro à porta que igreja era aquela. Disse ele que era a Igreja de Cristo. Disse eu: "Que apóstolo a edificou?" Disse ele: "Não há apóstolos nestes dias." "Bem," observei, "Paulo nos diz que Deus constitui em Sua Igreja, primeiramente, apóstolos." "Oh," respondeu ele, "a organização do sacerdócio, com sua autoridade e poder, tal como mencionada no Novo Testamento, foi abolida." Este é o problema em toda a Cristandade. Este homem a quem me refiro, contudo, afirmou que tinham o sacerdócio na Igreja Batista, e que este lhes fora transmitido através dos valdenses. Esta ideia naturalmente nos leva a indagar quem eram os valdenses. Certo Pedro Valdo, diz-nos Buck, era um mercador que empregou parte de sua fortuna em contratar um monge para traduzir os quatro evangelhos; e, com base neste trabalho, começou a pregar e reuniu ao seu redor certo número de pessoas que criam em suas doutrinas. Foram severamente perseguidos pela Igreja Católica, que os anatematizou e lhes infligiu toda penalidade em seu poder — até mesmo excomunhão, espada e fogo. Não obstante tudo isso, os valdenses progrediram, e suas doutrinas e a obra que realizaram foram um viveiro para a Reforma.

Mas, no que diz respeito à questão do sacerdócio, se a Igreja Católica tinha a autoridade, ela expulsou os valdenses; e, se não a tinha, tudo o que os valdenses tinham derivava dela, pois os valdenses eram dissidentes da Igreja Católica. O resultado é que os batistas não poderiam ter sacerdócio algum, exceto por revelação especial, e a isso não fazem reivindicação alguma.

A mesma regra se aplicará a outras denominações; pois creio que todas elas têm de reconhecer que receberam, direta ou indiretamente, seu sacerdócio originalmente da Igreja Católica Romana. Ora, se aquela igreja não é verdadeira, o sacerdócio que dela veio não poderia ser verdadeiro; se seu sacerdócio e autoridade eram genuínos e de boa-fé, sua expulsão dos chamados reformadores teria seu efeito; o resultado é que, vistas sob qualquer luz, essas várias denominações ficam sem um sacerdócio devidamente autorizado e legal. A menos que a Igreja Católica o tivesse, elas não poderiam recebê-lo dela; e se os católicos o tinham, expulsaram os reformadores. Se conversarem com as várias denominações protestantes sobre estes pontos, dir-lhes-ão que a Igreja Católica havia degenerado, que caíra nas trevas, era o anticristo, e coisas assim, o que sem dúvida estava correto; e, segundo a revelação moderna, isto deve ser verdade; e, sendo verdade, somos levados à conclusão de que todas as seitas e partidos do mundo religioso vagueiam nas trevas.

Ora, uma denominação, dentre quinhentas ou seiscentas, mais ou menos, o número surgido da Igreja original, poderia provavelmente estar correta; mas é bastante certo que nenhuma delas, diferindo em fé e prática, poderia estar; e, sob estas circunstâncias, a dificuldade seria determinar qual estava certa. Foi nesta posição de perplexidade e dúvida que Joseph Smith se encontrava quando foi e pediu ao Senhor que lhe dissesse qual era a certa; e o Senhor lhe revelou, por meio de um santo anjo, que todas estavam erradas, e disse Ele: "Chamo-te a ires e pregares o evangelho em simplicidade e pureza." O resultado foi que os élderes saíram e proclamaram o evangelho, e isso produziu um efeito muito singular nas mentes do povo. Alguns poucos o receberam, mas foram tratados com desprezo; seus pregadores foram atacados por turbas, cobertos de piche e penas, apedrejados com ovos, suas casas derrubadas e queimadas, e finalmente os líderes da Igreja foram assassinados, e seus seguidores expulsos da face da sociedade e conduzidos ao deserto, ou foram obrigados a renunciar à sua religião, e a grande maioria buscou abrigo, longe da face do homem, no meio de desertos selvagens, feras selvagens e homens selvagens. Esta foi a sua história, e isto explica por que estamos aqui.

Ora, irmãos, conhecendo estes fatos, somos fiéis a nosso chamado? Vivemos no desfrute do Espírito Santo? Ou permitimos que as coisas do mundo, o engano das riquezas e as provações inerentes à nossa humanidade nos levem à dificuldade e nos façam esquecer de Deus, negligenciar nossas orações, nossos dízimos e ofertas, nossas reuniões de jejum, nossas orações secretas, e outros deveres que nos incumbem como Santos? Como estamos nós? Façamo-nos estas perguntas e despertemos para o cumprimento de nossos diversos deveres. Se temos sido descuidados, arrependamo-nos do descuido. Se somos negligentes, despertemos! Se nos permitimos fazer o mal, cessemos de o fazer, e vivamos em obediência aos princípios de nossa fé e aos ditames do Espírito Santo. O fato é, no que diz respeito à nossa religião, que, se não a cumprirmos e observarmos, teria sido melhor para nós se jamais a tivéssemos conhecido; e, se a observarmos, muito se espera de nossas mãos, tanto em nosso próprio favor quanto em favor de nossos antepassados.

Vocês sabem que Paulo nos diz, no capítulo 15 de Coríntios, falando da ressurreição, como argumento em seu favor: "Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" Este era um princípio ligado à religião cristã que dizia respeito aos mortos, e era tão plenamente compreendido que era usado como argumento em favor da doutrina da ressurreição. Suponho que isto raramente, ou nunca, é considerado pelos protestantes; e quando Joseph Smith veio e anunciou que era dever dos Santos dos Últimos Dias irem e serem batizados por seus parentes que haviam morrido sem conhecimento do evangelho, foi considerado uma ideia estarrecedora; contudo, como entendo a passagem em Coríntios, nenhum homem pode dar-lhe outra interpretação.

A fim de termos os benefícios e bênçãos desta ordenança repousando sobre nós mesmos e sobre nossos progenitores, é necessário vivermos à altura de nosso chamado e prestarmos estrita atenção a nossos deveres. Segundo as revelações que foram dadas por meio de Joseph Smith, certos lugares foram separados para a administração destas ordenanças. Templos tinham de ser construídos e fontes preparadas e dedicadas para este propósito.

O profeta Malaquias, falando dos últimos dias, diz: "o dia virá, ardendo como fornalha; e todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade serão como a palha; o dia que está para vir os abrasará, de modo que não lhes deixará nem raiz nem ramo." Mas o Senhor declara, por meio de Malaquias, que enviará o profeta Elias antes que venha aquele grande e terrível dia, e ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais, para que Ele não venha, e fira a terra com maldição. Esta profecia se refere à revelação da doutrina do batismo pelos mortos nos últimos dias.

O apóstolo Paulo, ao enumerar as grandes bênçãos que foram concedidas aos antigos pela fé, fala em termos exaltados daqueles que subjugaram reinos, praticaram a justiça, apagaram a violência do fogo, escaparam do fio da espada, tiraram forças da fraqueza, tornaram-se poderosos na batalha, puseram em fuga exércitos estrangeiros; diz ele que mulheres receberam seus mortos ressuscitados; outros foram torturados, serrados ao meio, andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, e habitaram em covas e cavernas da terra, e tudo isso pela fé; e então conclui dizendo que eles, sem nós, não poderiam ser aperfeiçoados. Pensem, então, irmãos e irmãs, nos deveres que devemos a nós mesmos e a nossos antepassados! Mas, se nos permitimos cair nas trevas, se nos entregamos à maldade, caímos em armadilhas e tentações, perdemos o Espírito Santo e as bênçãos que pertencem a nós mesmos e a nossos progenitores, referidas por Obadias, que diz que, nos últimos dias, salvadores se levantarão no Monte Sião, e o reino será do Senhor.

Estes sentimentos podem ser clara e prontamente apreciados pelos Santos dos Últimos Dias; e, para incitá-los à diligência, fidelidade e obediência, eu os remeteria à revelação dada em 19 de janeiro de 1841, por meio de Joseph Smith, relativa à construção do templo em Nauvoo. Foi ali dito que não havia uma fonte batismal no mundo, e a Igreja foi instruída a construir aquele templo, e a promessa era que, se fosse construído, o povo receberia certas bênçãos. Foi ainda declarado que, quando o Senhor ordenava a algum povo que realizasse uma obra, e este era impedido de realizá-la por seus inimigos ou por opressão, o Senhor não mais exigiria aquela obra de suas mãos. Nenhum povo na face da terra, provavelmente, durante a presente geração pelo menos, ou talvez em qualquer outra, foi mais oprimido do que o povo de Nauvoo, enquanto trabalhava para realizar esta obra. Foram perseguidos de várias maneiras: atacados por meio de processos judiciais vexatórios pelo Estado do Missouri e pelas autoridades estaduais de Illinois, e todos os meios que pudessem ser tomados dentro do alcance da lei foram usados para trazer sofrimento sobre eles. Então a conclusão foi que, se a lei não pudesse alcançá-los, a pólvora e o chumbo o fariam, e o resultado foi que o profeta e o patriarca da Igreja foram assassinados, e outros élderes gravemente feridos. Centenas de casas foram queimadas, e todo tipo de ultraje que se pudesse imaginar foi cometido contra os Santos; e, enquanto construíam este templo, os irmãos tinham de montar guarda à noite; e, quando trabalhavam, eram de certo modo obrigados a ter suas armas de defesa numa das mãos e suas ferramentas de trabalho na outra. Mas persistiram em meio a toda esta tempestade de perseguição, durante a qual muitos tiveram de fugir para o deserto, até que o templo foi concluído e dedicado; e, tendo cumprido esta tarefa, tiveram a promessa do Senhor de que iria com eles ao deserto, com todos os poderes, bênçãos e privilégios do sacerdócio, para que, no deserto, pudessem receber e administrar as ordenanças por seus mortos.

Devemos agora continuar a obra do templo, que os Santos dos Últimos Dias são sempre instruídos a construir. Temos aqui um alicerce, um muito bom e sólido, e este deve ser aprovado por homens bons e agradável ao Senhor. Temos de transportar o material por dezessete milhas para continuar esta obra, que tem sido interrompida de tempos em tempos por várias causas. Mesmo assim, avança, e não devemos deixá-la adormecer, mas devemos continuar a obra até termos um edifício erguido segundo o padrão, e dedicá-lo ao Deus Altíssimo; e construir em seu porão uma fonte batismal, de acordo com o padrão do mar de bronze do rei Salomão, para o batismo pelos mortos, para que, dentro das paredes daquele sagrado edifício, possamos cumprir os deveres e ordenanças pertinentes aos mortos que Deus ordenou. Todo Santo dos Últimos Dias, homem ou mulher, jovem ou idoso, deveria sentir-se vivo e desperto para este grande dever.

Compreendo por que os homens perseguem os Santos dos Últimos Dias. É por causa do sacerdócio e do poder que existem entre eles: Satanás incita os corações dos filhos dos homens à maldade, e a odiarem e perseguirem os Santos, a expulsá-los e a assassinar seus líderes. Esta é a única causa; pois os Santos dos Últimos Dias, desde o tempo de sua organização até o presente, têm sido o povo mais ordeiro, cumpridor das leis, laborioso, temperante e moral que já viveu sobre a face da terra; e são os mesmos neste Território que têm sido em outros lugares. Por exemplo, deixe-se que um homem atravesse este país, como fez o Major Powell no ano passado, e ele volte e publique uma declaração de que visitou quinhentas milhas de vilarejos "mórmons", e viu um povo feliz e contente, e não viu uma taverna, um vadio, um bêbado ou um ocioso; mas todos desfrutando de si mesmos, e que a paz e a boa ordem prevalecem em toda parte, tal homem receberá a mesma saudação que o Major Powell recebeu: "Ora, Major, o senhor está interessado de um jeito ou de outro; os 'mórmons' o cegaram." Este é o espírito e o sentimento manifestado se um homem diz a verdade a respeito dos Santos dos Últimos Dias; e é uma das maiores evidências da verdade da obra. O Senhor diz: "Ai de vós quando todos os homens de vós falarem bem." Às vezes já ouvi os jornais dizerem isto ou aquilo de bom a respeito dos "mórmons", e disse: "O que está acontecendo? Estamos ficando ímpios, para que o mundo nos ame?" E quase me admirei disso. O fato é que devemos viver nossa religião, guardar os mandamentos de Deus e observar tudo o que nos é exigido, e não nos importar em nada com o que o mundo diz ou faz a nosso respeito. "Bem, mas suponha que levantem exércitos e os matem?" Se o fizerem, nos enviarão direto ao céu; e nosso dever é trabalhar nesta vida enquanto pudermos e fazer todo o bem em nosso poder, e nunca recuar da verdade ou dos princípios da eternidade. Se nossos inimigos têm permissão para nos matar, eles nos asseguram uma coroa de mártir, e vamos à glória celestial. Já ouvi falar de homens tão tolos a ponto de saltar do navio de Sião porque pensavam que ele estava afundando. Ora, se afundar, afundaremos apenas com ele, e o homem que salta ao mar certamente afundará de qualquer maneira.

Conheço homens que apostataram no Missouri apenas para salvar sua propriedade. Foi-nos dito lá: "Se vocês, 'mórmons', renunciarem à sua religião, poderão ficar aqui em suas fazendas." Lembro-me de um homem que ficou ali exatamente por essa razão. Recebi dele uma carta há pouco tempo. Ele professa ser amigo dos "mórmons"; mas apostatou deles para conservar sua propriedade. Eu poderia ter ficado no Missouri, e o Presidente Young poderia ter ficado ali, se tivéssemos renunciado ao nosso "mormonismo", e à nossa fé em Joseph Smith como profeta, nas ordenanças de ungir os enfermos com óleo e do batismo para a remissão dos pecados e da imposição das mãos para o dom do Espírito Santo; mas sabíamos que essas coisas eram verdadeiras, e não as renunciaríamos, e tivemos de deixar o que tínhamos. Alguns chamaram isso de sacrifício. É certo que era um belo país e solo rico, e havíamos feito belas benfeitorias, e estávamos tendo muitas belas fazendas abertas ao nosso redor; e estávamos construindo vilas e cidades. Mas o que eram essas coisas comparadas com nossa religião? Nós as construímos, e sabíamos como construir mais; já o havíamos tentado duas vezes, no Missouri e em Illinois; e quando nos expulsaram novamente, pensamos que iríamos a um país tão desolado e miserável que nenhum homem na terra o quisesse. Assim, viemos direto para o coração do Grande Deserto Americano e construímos este lugar; e, curiosamente, alguns dizem agora que este é um lugar bom demais para os "mórmons", e que devem nos expulsar.

Ora, irmãos, se vivermos nossa religião e formos fiéis ao Senhor, poderemos escapar da necessidade de sermos expulsos novamente. Não faltará muito tempo até que muitos de nós tenham grande prazer em nos mudarmos; porque, quando chegar o dia em que a Constituição dos Estados Unidos se tornar a lei suprema desta terra — a terra da América —, todo homem será protegido em sua fé religiosa, e então voltaremos diretamente ao Condado de Jackson, e construiremos um templo, o mais belo já construído neste continente ou em qualquer outro. Vamos fazê-lo, e o tempo não está distante; e, sabendo disso, nossos corações não se apegam de forma alguma a lugar algum no mundo por mais tempo do que o necessário para ali permanecermos e cumprirmos nosso dever. Quando aquele dia chegar, e chegará, nossos concidadãos se converterão de tal modo que sua intolerância cessará, e chegarão à conclusão de que todos os homens podem desfrutar de sua fé no Ser Supremo como desejarem, sem serem interrompidos. Se esperarmos um pouco, e formos dignos, veremos este dia e então seremos capazes de ir e construir nosso templo.

Ora, sejamos todos diligentes e fiéis, e confiemos no Senhor e busquemos Sua proteção; pois ela vale mais que toda a proteção que um homem possa dar, mil vezes mais. O que pode o homem fazer? Pode matar o corpo. Que mais? Isto é o fim, ele não tem poder algum além disso. Os princípios do mormonismo não podem apenas destruir o corpo, mas também a alma e o espírito; e podem conferir a bênção da glória e do acréscimo eternos.

Não espero ter permissão para me dirigir a vocês novamente por alguns meses. Espero viajar e visitar os irmãos no país do sul durante o inverno; provavelmente visitarei cerca de trinta e três povoados em nosso Dixie, e ficarei ausente por vários meses. Desejo dar meu testemunho dos princípios do evangelho que foram revelados. Sei que estas coisas são verdadeiras. Não venho aqui simplesmente crendo nelas, sei que são verdadeiras, e que Deus as revelou; e também sei que todos os planos, poderes e esquemas dos ímpios jamais poderão derrubá-las. Angústia pode ser trazida sobre indivíduos; e o fato é que muitos de nós, que parecemos avançar prosperamente, e nos cercamos, num espaço de tempo incrivelmente curto, de muitos dos confortos da vida, podemos nos apegar demais a eles e não estar dispostos a abrir mão deles; e pode ser necessário que nós e o Senhor saibamos, por experiência real, se adoramos mais as coisas deste mundo do que as coisas de um mundo melhor. Pode ser necessário perguntarmo-nos e considerarmos completa e cuidadosamente: "Amamos o Senhor Jesus Cristo, e Suas leis e os princípios de Seu evangelho, mais do que amamos um pedaço de terra, um pequeno pomar, um jardim, campo, loja, vinha, rancho, ou um rebanho de gado etc.?" Como estamos nós? Façamos estas perguntas, e, se assim for, é tempo de nos arrependermos, e é melhor que comecemos a fazer sacrifícios. É melhor que contribuamos para o templo, para ajudar os pobres e necessitados etc. Lembro-me muito bem de ler a respeito de um homem que veio ao Salvador, e disse: "Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" Depois que o Salvador lhe respondeu, ele disse: "Tudo isto tenho guardado desde a minha mocidade." Respondeu o Salvador: "Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens e dá aos pobres, e vem, segue-me." E somos informados de que ele se retirou triste. Por quê? Porque tinha muitas posses e não podia se separar delas. Estamos entrando nesse caminho? O Salvador certa vez observou que era muito difícil para um homem rico entrar no céu. Não pretendo citar estas passagens exatamente, vocês as conhecem bem. Mas somos informados de que é assunto muito difícil para um homem rico entrar no céu. Esta é a substância disso. Não nos deixemos ficar tão ricos que não possamos ir para lá; e não nos deixemos ficar tão pobres que não possamos contribuir com nosso óbolo para ajudar a fazer avançar a obra de Deus. Lembro-me de ler em Provérbios a respeito de um indivíduo que orou ao Senhor para que não o fizesse nem rico nem pobre. Não queria ser rico, por temer que se tornasse orgulhoso e esquecesse o Senhor; e, se se tornasse pobre, temia que pudesse roubar e tomar o nome do Senhor em vão. Não queremos ir a nenhum dos extremos. O tempo está chegando, e não está distante, em que os Santos dos Últimos Dias terão tanto conhecimento das coisas de Deus que serão capazes de suportar a riqueza e controlá-la, e usá-la para a glória de Deus; e, quando esse tempo chegar, para usar uma expressão familiar, "o Senhor abrirá as janelas do céu e derramará sobre eles uma bênção tal que não haverá lugar suficiente para recebê-la."

Peço a meus irmãos e irmãs que cultivem suas mentes. Meu conselho é que apoiem suas escolas dominicais; lembrem-se de enviar seus filhos até lá, e vão vocês mesmos servir como professores, e contribuam com os meios necessários para mantê-las. Lembrem-se também de todos os deveres que nos incumbem como Santos no círculo doméstico. Quase todos estamos prontos para ir a uma missão de pregação; não devemos esquecer de pregar em nossas casas, famílias e alas, e dar testemunho da verdade, e não deixar que pagãos cresçam em nosso meio. Imprimam nas mentes de seus filhos seus deveres. Vocês entendem a lei a respeito disso. Somos instruídos a ensinar a nossos filhos os princípios da salvação, a doutrina do arrependimento, o batismo para a remissão dos pecados, e os princípios da retidão, a tal ponto que, quando alcançarem a idade apropriada, desejarão ser batizados. Devemos apresentar-lhes exemplos, preceitos e ensinamentos, para que cresçam sem pecado rumo à salvação. Estes são deveres que nos incumbem. E quando algum de nossos filhos se rebela contra nós e se volta para a maldade, pois todos têm de ter suas provações e tentações, os pais deveriam perguntar-se: "Cumprimos nosso dever?" Sabem que se diz: "Instrui o menino no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele." Ora, uma maneira muito excelente de os pais procederem em relação a seus filhos é caminharem eles mesmos naquele caminho.

Dou meu testemunho dos princípios do evangelho, e oro para que as bênçãos do céu estejam sobre vocês; que possam guardar a fé, compreender a lei e nela permanecer, e fazer avançar a grande e gloriosa obra. Dentro de pouco tempo estaremos novamente com vocês, dando nosso testemunho, pois estamos decididos a cumprir nosso chamado e pregar o evangelho, que foi selado sobre nossas cabeças por Joseph Smith, pelos mandamentos de Deus. Deem testemunho das verdades da salvação, e instruam os filhos dos homens; e não há campo onde maior bem se possa fazer, na pregação e no trabalho missionário pelos élderes de Israel, do que em Utah, entre os Santos dos Últimos Dias.

Que as bênçãos do Deus de Israel estejam sobre todos vocês é minha oração em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoGeorge A. Smith, “Sermões Escritos e Pregação Extemporânea — O Sacerdócio — Oposição a Ele”, (1870-11-20). Pulpit Vault, 1870-11-smith-written-sermons-and-extempore-preachingthe-priesthoodopposition-to-it. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).