Pulpit

Pregar o Evangelho Os Princípios e o Espírito do Mesmo

Brigham Young

1870-07-17

Compreendo que é uma provação e tanto para os jovens que acabaram de iniciar a vida no evangelho falar a um auditório, seja grande ou pequeno. Em minha observação e experiência, tenho notado que a maioria dos oradores é tímida ao som de sua própria voz. Se fosse prudente e sábio, não pediríamos a nossos jovens irmãos que falassem quando voltassem para casa, mas os deixaríamos seguir e satisfazer seus próprios sentimentos, sem falar às congregações dos Santos. Esta timidez, experimentada ao levantar-se para se dirigir a seus semelhantes, está presente em todos, com pouquíssimas exceções. Creio ter visto alguns poucos homens em minha vida que, suponho, jamais foram perturbados nem sentiram aquele tremor, temor, timidez, acanhamento ou qualquer hesitação para se levantar e dizer o que tinham em mente; mas tais pessoas são muito raras. Não sei se algum dia vi uma mulher com este caráter, mas creio ter visto alguns poucos homens. Quanto a mim, embora já tenha me dirigido a congregações tantas vezes, quase nunca me senti livre desta timidez ao me levantar para esse propósito. Quando contemplo os rostos de meus semelhantes, vejo diante de mim uma personificação da inteligência perante a qual minha natureza, nesta vida, se retrai; e este é o caso da maioria dos oradores. Ainda assim, em minha experiência, quando me coube o dever de declarar o evangelho do Filho de Deus aos filhos dos homens, descobri que o Senhor me fortaleceu; ele me deu seu Espírito Santo, e, ao desfrutá-lo enquanto falava ao povo, o medo ou a timidez logo desapareciam. Esta foi a experiência de meus dias de juventude; e é o caso de nossos jovens élderes. Quando se levantam, sentem esta timidez de que tenho falado, mas, se desfrutam do Espírito do Senhor, sua humanidade ou a fraqueza da natureza humana logo é esquecida. Sei como sentir e compadecer-me deles; vivi tudo o que eles viveram, pois minha experiência em minha primeira jornada como pregador do evangelho foi semelhante à deles. Eu era, em grande medida, ignorante das letras, mas fora estudante da Bíblia desde a juventude; contudo, quando o Espírito do Senhor estava sobre mim, não importava para mim quem ouvisse minha voz ao declarar os princípios do evangelho, nem quem estivesse disposto a disputar, criticar, espiritualizar ou anular as Escrituras da verdade divina. Para mim, isso não era nada; eles eram como crianças, e seus esforços não eram mais que os esforços de bebês. Não creio jamais ter visto ou conhecido um élder "mórmon" que desfrutasse do espírito de sua missão que não fosse capaz de se apresentar diante dos doutos e sábios e diante dos teólogos de seu tempo e pregar o evangelho sem temor, pela simples razão de que eles não têm o evangelho. Podem ter um evangelho; não disputo isso; e também têm seus credos e formas de adoração; mas quando tomam este livro (a Bíblia) por seu guia, em sua religião, fé e obras, eles são um conosco; então não há disputas, não há contendas, não há espaço para argumentos; mas quando anulam as Escrituras e transformam a verdade de Deus em falsidade, e manifestam o mesmo espírito manifestado pelos filhos de Israel, a saber, transgredir toda lei, mudar toda ordenança e quebrar os convênios que lhes foram entregues, ora, o élder de Israel tem Deus a apoiá-lo; tem a palavra do Todo-Poderoso a sustentá-lo; tem a Bíblia na mão para provar que sua posição é correta, e a deles falsa.

Temos trabalhado, labutado e viajado, sem bolsa nem alforje, para pregar o evangelho a todas as nações e povos onde quer que quisessem escutar. Onde quer que nos permitissem entrar em suas cidades, vilas e povoados, em suas casas de reunião, escolas ou residências, estivemos prontos a pregar-lhes as palavras de vida e salvação. É nosso prazer ouvir os jovens irmãos, que voltaram de missões, dizerem que os últimos três ou cinco anos, conforme o caso, "foram os mais felizes de toda a minha vida." Onde está o homem ou a mulher que agora vive, ou que já viveu, que não fosse feliz na posse do Espírito de Deus? Ele torna seus possuidores mais felizes do que todos os prazeres da vida. Podem a riqueza e a honra mundana dar aquela alegria e satisfação completas que o Espírito de Deus proporciona ao humilde Santo? Não. A posse de tudo o que pudéssemos desejar--que nossos olhos vissem, nossos ouvidos ouvissem, ou nossos corações concebessem--cairia sem valor a nossos pés, no que diz respeito à sua capacidade de conferir alegria, satisfação e prazer reais e genuínos, quando comparada ao Espírito de Deus, ao iluminar a mente, enriquecer a alma e elevar um indivíduo a contemplar as coisas da eternidade, a obra de Deus e seus desígnios a respeito desta terra e dos filhos dos homens. Digo que todas as coisas terrenas caem aos pés de um indivíduo que possui o Espírito de Deus; pois sua vida, esperanças, desejos, pensamentos, expectativas e vontade estão muito acima das coisas desta vida, e a terra se afunda debaixo dele. Este Espírito anima nossos jovens irmãos quando são fiéis ao cumprimento de seus deveres nas missões, e é isto que lhes permite dizer que o tempo assim passado foi o mais feliz de suas vidas. Isto habilita nossos élderes, muitos dos quais carecem em grande medida de instrução, a se apresentarem diante dos doutos, sábios e nobres, e dos teólogos de seu tempo, e a declarar os princípios do evangelho de Jesus. Quem poderia fazer isto em tais circunstâncias sem o Espírito do Senhor? Não conheço tal indivíduo; e se existirem tais pessoas, são as que mencionei no início de minhas palavras, que, destituídas do conhecimento de sua própria fraqueza, conseguem levantar-se em qualquer lugar e falar com audácia, e se exibirem, seja isso sabedoria ou loucura. Somente aqueles que desfrutam do Espírito do Senhor, que estão cheios do Espírito Santo, podem apresentar-se diante de imperadores, reis e sábios da terra e falar as palavras da verdade com toda aquela simplicidade e prazer com que as crianças conversam entre si.

Esta é a minha experiência. Ao contemplar o que passamos, viajando e pregando, isto traz alegria a muitos. A contemplação de minha própria experiência, quando tenho tempo para isso, é fonte do maior prazer; talvez isto não seja de todo correto, mas é fonte de grande prazer olhar retrospectivamente para as cenas por que passei, pois posso ver onde Deus me favoreceu e abençoou. Por exemplo, recordo-me do domingo de manhã em que fui batizado, em meu próprio pequeno riacho de moinho; fui ordenado ao ofício de élder antes que minhas roupas secassem sobre mim. Passei o dia na reunião, e uma semana depois tive o prazer de me encontrar com uma grande congregação e pregar-lhe. Creio que havia presentes naquela ocasião quatro élderes experientes, antigamente da confissão metodista e batista, que haviam recebido o evangelho e sido contados entre nós. Esperava ouvi-los dirigir-se ao povo sobre os princípios que havíamos acabado de receber por meio dos servos do Senhor. Disseram que o Espírito do Senhor não estava sobre eles para falar ao povo, embora tivessem sido pregadores por anos. Eu não era mais que uma criança, no que dizia respeito a falar em público e ao conhecimento do mundo; mas o Espírito do Senhor estava sobre mim, e senti como se meus ossos se consumissem dentro de mim, a menos que falasse ao povo e lhe contasse o que eu tinha visto, ouvido e aprendido--o que eu tinha vivido e no que me regozijava; e o primeiro discurso que já proferi durou mais de uma hora. Abri minha boca, e o Senhor a encheu; e desde aquele momento, onde quer que viajássemos e pregássemos, o povo ouviu, recebeu e se regozijou no evangelho, e batizamos aos nossos milhares sobre milhares.

Recordo-me de quando parti para a Inglaterra, eu era incapaz de caminhar vinte varas sem auxílio. Fui ajudado até a margem do rio Mississippi e carregado através dele. Quando o irmão Kimball e eu iniciamos nossa jornada, houve uma luta entre nós e os poderes da terra e do inferno, para saber se realizaríamos ou não nossa missão. Estávamos nas profundezas da pobreza, causada por termos sido expulsos do Missouri, onde tínhamos deixado tudo. Recordo-me de que uma de minhas próprias irmãs se compadeceu de minha condição e situação; ela lamentava por mim, e disse: "Irmão Brigham, que necessidade há de ires à Inglaterra estando doente? Por que não permaneceres aqui até que estejas bem?" Eu lhe disse, ao partir certa manhã: "Irmã Fanny, nunca me senti melhor em toda a minha vida." Ela era uma mulher muito peculiar e, olhando para mim, com lágrimas nos olhos, disse: "Estás mentindo." Não disse nada, mas estava decidido a ir para a Inglaterra ou a morrer tentando. Minha firme resolução era fazer o que se exigia de mim no evangelho da vida e da salvação, ou morrer tentando fazê-lo. Assim sou até hoje.

Desembarcamos nas costas da Inglaterra, e então senti que as correntes estavam quebradas, e as amarras que estavam sobre mim se romperam. Doze meses e dezesseis dias alguns dos Doze e dos Setenta permaneceram na Inglaterra. Nestes doze meses e dezesseis dias, sob minha supervisão, entre oito e nove mil pessoas foram batizadas (embora algumas tenham apostatado) antes de partirmos; as Igrejas foram organizadas, a emigração preparada, navios foram fretados e companhias partiram. Quando desembarquei em Liverpool, tinha seis vinténs, com os quais comprei um chapéu. Em doze meses e dezesseis dias, um dos melhores navios do porto ficou atracado oito dias para nos levar, a mim e a meus irmãos, através da água. Os agentes do navio disseram que tal coisa jamais tinha acontecido antes, mas estavam ansiosos e insistentes em nos agradar, pois havíamos fretado e equipado vários navios, e como nossa emigração prometia ser um grande negócio, queriam nos levar para casa. Naqueles doze meses, imprimimos cinco mil exemplares do Livro de Mórmon, três mil livros de hinos, e começamos o Millennial Star; mais de sessenta mil folhetos foram impressos e enviados pelas mãos dos élderes a muitas das casas nas cidades que visitavam, ou distribuídos em suas reuniões; e desta forma a palavra foi distribuída e a obra levada adiante em um único e curto período de doze meses. Nosso trabalho teve êxito, Deus nos abençoou, e quando voltamos, nosso Livro de Mórmon estava pago. O cavalheiro que encadernou o primeiro Livro de Mórmon na Inglaterra os encaderna ainda hoje, quando é preciso. Não devemos o primeiro centavo àqueles que fizeram este trabalho para nós, mas pagamos prontamente, conforme prometido, por cada partícula de nossa impressão. Além do que já mencionei, naqueles doze meses sustentei várias famílias enquanto ali estava, e as preservei da fome e da morte. Tudo isto se deu pela bênção do Senhor sobre nós. Éramos estranhos e desconhecidos numa terra estranha, mas a obra prosperou nas mãos dos servos de Deus, e os meios para realizar a obra que foi feita foram obtidos por nossa diligência e prudência. Já tomei antes a liberdade, em ocasião pública como esta, de dizer a meus irmãos e irmãs que não me recordo de ter gasto mais do que um centavo desnecessariamente enquanto estive na Inglaterra, e isso foi por um cacho de uvas, ao passar pelo mercado de Smithfield, em Manchester. Ao tomá-lo em minha mão, vi mulheres passando pelo mercado que, eu sabia, sofriam de fome, e que provavelmente pereceram e morreram. Senti que deveria ter dado aquele centavo aos pobres. Sempre que saía de meu escritório, se eu me esquecia de levar o bolso cheio de moedas de cobre para dar aos pobres mendigos que se encontram por toda parte, eu voltava ao escritório e tirava um punhado de moedas de cobre da gaveta, e, ao caminhar, dava algo a tais objetos de pena e aflição que encontrava, e seguia adiante sem ser detido por eles. Organizamos a Igreja, ordenamos dois patriarcas, e desde então temos reunido os pobres.

Esta é a experiência de muitos de meus irmãos, assim como a minha própria. Labutamos e trabalhamos juntos, reunindo o povo, pregando o evangelho às nações, buscando os puros de coração, os que amam o Senhor nosso Deus, os que creem na Bíblia. Onde está o ministro, o diácono, onde está o povo que crê em Deus, o Pai? Em nosso Senhor Jesus Cristo? Que crê no Novo Testamento? Que aceitará a salvação oferecida à família humana pelos trabalhos de Jesus e seus apóstolos? Estamos atrás deles. Há algum indivíduo na face da terra que receberá a verdade? Queremos encontrá-lo. Quem receberá a verdade? Aqueles que darão tudo por Cristo. Não os orgulhosos, não os soberbos; não aqueles que fixam limites e dizem que o Senhor deve vir até eles, ou não terão salvação, mas aqueles que dizem: "Que o Senhor trace a linha e marque o caminho, e nós o percorreremos." Esta deve ser a conclusão de toda pessoa que espera ser salva no reino de Deus.

Pregamos a fé no Senhor Jesus Cristo. O mundo cristão diz que tem fé. Tem, de fato? Se tem, se curvará e receberá as ordenanças do Novo e Eterno Convênio, e agradecerá a Deus por ter o privilégio de recebê-las. Podem os que rejeitam o Novo Testamento e o Filho de Deus, que se recusam a receber as ordenanças do Novo Testamento que foram estabelecidas na Igreja e no reino de Deus na terra nos dias de Jesus e de seus apóstolos, ser salvos no reino celestial? Respondo que não podem. As Escrituras dão esta resposta; é a declaração de Jesus e dos apóstolos; é a palavra do Todo-Poderoso, portanto devemos concordar e dizer o mesmo. A menos que creiamos no evangelho de Cristo e obedeçamos a suas ordenanças, não temos promessa da vida vindoura. Se algum dia a alcançarmos, será apenas cumprindo os termos que Jesus estabeleceu. Não podemos edificar e planejar por nós mesmos; se o fizermos, seremos como os judeus de antigamente, que, como diz o profeta, "cavaram cisternas que não retêm água." Devemos submeter-nos às ordenanças da casa de Deus.

Quem há que possa dizer que o batismo não é necessário para a remissão dos pecados? Jesus e os apóstolos disseram que era necessário. Posso eu dizer que não é? Não posso, e é fato que todos os que recebem a vida eterna e a salvação a receberão sob nenhuma outra condição senão crer no Filho de Deus e obedecer aos princípios que ele estabeleceu. Podemos conceber algum outro meio e plano de salvação? Não podemos. Havemos de anular a Bíblia? Não o faremos; embora o mundo cristão esteja de fato chegando ao ponto de dispensar a Bíblia de suas escolas; e aos poucos a dispensarão de seus púlpitos e conseguirão uma que lhes convenha; cavarão para si mesmos cisternas que não retêm água. Não podem suportar a doutrina contida no Antigo e no Novo Testamento, e "dizem eles, devemos alterá-la e mudá-la; não convém à nossa condição. Não foi escrita para nós; foi escrita para o povo dos dias antigos; mas vivemos sob circunstâncias diferentes, e a Bíblia deveria ser alterada, e reuniremos nossos sínodos e faremos as Escrituras revisadas para convir à nossa condição." Já começaram isto? Sim, e não muito recentemente. Podeis encontrar um exemplar da primeira edição impressa da Bíblia? Temos Bíblias com duzentos ou trezentos anos, mas onde se podem obter as primeiras Bíblias que foram impressas? Enquanto viajava pela Inglaterra, uma foi vendida por quinhentas libras. Havia pertencido a um de nossos irmãos--tinha passado a ele por herança de seus antepassados; e ele, não conhecendo seu valor, vendeu-a por quinze xelins. Depois, se minha memória não me falha, foi vendida pela quantia que mencionei. Não podemos encontrar livros daquela edição; os que foram alterados e mudados são abundantes. Refiro-me à tradução do Rei Tiago, e essa me basta; atende ao meu propósito. Mas como é com o mundo cristão? Atenderá ao deles? Se atende, por que não se atêm a ela? Por que não dizem: "Esta será nossa regra de fé, e nossas vidas e obras corresponderão a seus princípios e preceitos?" Assim fariam, se fossem honestos e sua crença fosse sincera. E assim terá de ser com eles, se algum dia ganharem entrada no reino de Deus, pois na Bíblia estão as palavras de vida e salvação. Pergunto novamente: quem pode dizer que o batismo não é necessário para a remissão dos pecados? Já se perguntou: "Que virtude há na água?" Se não há virtude nela, não a bebais; não é boa para o organismo se não há virtude nela. Mas há virtude nela. Se não houvesse, nunca deveríamos aplicá-la a nossas roupas ou à superfície de nosso corpo para fins de limpeza; nunca deveríamos usá-la mais para cozinhar; nunca deveríamos voltar a aplicá-la ao solo para fins de irrigação. Quão inconsistente é supor que a água deva ser usada para tantos e tão importantes propósitos na vida se não há virtude nela! Mas há virtude nela, e há virtude em ser sepultado sob a água à semelhança de Cristo, e ressurgir para uma novidade de vida. Há virtude em nascer de novo, seja na pia batismal ou no rio, não faz diferença, pois Jesus disse que "se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Quando uma pessoa é sepultada debaixo da água, ela passa de um elemento a outro, e literalmente nasce de novo. Quem, então, depois da declaração de Jesus sobre este assunto, pode dizer que o batismo não é necessário, ou que não há virtude na água? Eu não posso. Quem pode dizer que a imposição das mãos não é necessária para o recebimento do Espírito Santo? É verdade que a casa de Cornélio recebeu o Espírito Santo antes que o evangelho lhe fosse pregado. Mas o Senhor tinha um propósito especial em vista ao concedê-lo naquele caso, a saber, a remoção do preconceito de Pedro e de seus irmãos, os quais, sendo judeus, e cheios das tradições de seus pais, pensavam que os gentios--entre os quais Cornélio e sua casa eram contados--não tinham o privilégio de receber o evangelho. Mas a visão que Pedro teve sobre este assunto, e a mensagem que lhe foi enviada por Cornélio em obediência ao mandamento do Senhor, juntamente com o fato da concessão do Espírito Santo a Cornélio e sua família, foi tão convincente para Pedro e seus irmãos que o primeiro se viu impelido a exclamar: "Pode alguém proibir a água, para que não sejam batizados estes que receberam o Espírito Santo, assim como nós?" Alguns poderão dizer: "Que necessidade havia de mandar chamar Pedro, um dos apóstolos, quando já tinham recebido o Espírito Santo?" O simples fato é este: não havia ninguém para batizar Cornélio e sua casa, ninguém para sepultá-los com Cristo na água; ninguém tinha autoridade para batizá-los para a remissão de seus pecados; e, portanto, embora tivessem recebido o Espírito Santo, foi preciso mandar chamar um apóstolo para administrar aquela ordenança. E lemos mais, em relação a este caso, que Pedro "ordenou que fossem batizados em nome do Senhor." Receberam outros o Espírito Santo antes do batismo? Nenhum de que tenhamos registro; mas não há dúvida de que muitos que eram dignos o receberam em certa medida; mas, seja nos dias dos apóstolos ou em nossos dias, quando a doutrina do batismo para a remissão dos pecados é pregada por um servo do Senhor a pessoas que já receberam o Espírito Santo, se rejeitarem aquela doutrina, o Espírito Santo se retirará delas para sempre. É necessário que os crentes obedeçam a todas as doutrinas e ordenanças ensinadas e estabelecidas pelo Salvador? Não há ordenança que Deus tenha entregue, por sua própria voz, por meio de seu Filho Jesus Cristo, ou pela boca de qualquer de seus profetas, apóstolos ou evangelistas, que seja inútil. Toda ordenança, todo mandamento e toda exigência são necessários para a salvação da família humana.

Que se exige de nós? Receber o evangelho, as ordenanças da casa de Deus, e então prosseguir para a perfeição. Fomos batizados para a remissão dos pecados e recebemos a imposição das mãos para o Espírito Santo. Temos apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, professores, e assim por diante. Não somos perfeitos? Segundo o testemunho do apóstolo, não somos. Diz ele, em Hebreus, capítulo 6, versículo 1: "Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição."

Como se obterá a perfeição? Por todas as pessoas no reino de Deus vivendo de modo a serem reveladoras dos céus para si mesmas e para todos aqueles a quem presidem, de modo que tudo o que têm de realizar nesta vida--todo cuidado e dever mundano, e toda a sua conduta e conversação umas com as outras e diante do Senhor--possa ser traçado pelo espírito de revelação. É este o caminho para a perfeição? É. Este é o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; este é o evangelho da vida e da salvação. Quem pode disputá-lo? Teríamos de destruir a Bíblia antes de podermos disputá-lo com qualquer esperança de êxito. Mas podemos anular a Bíblia e dizer que ela não nos serve mais, que perdeu sua virtude; que foi escrita para o povo há seis mil, quatro mil, dois mil, ou mil e oitocentos anos, e não é para nós agora. Temos de sobra na terra os que podem dizer a vontade de Deus aos filhos dos homens e conduzir o povo de volta à presença de Deus; e se a Bíblia fosse destruída por acidente, ela poderia ser reescrita, e todas as palavras do Senhor necessárias para a salvação do povo poderiam lhes ser dadas. Somos gratos por isto.

Somos nós, os Santos dos Últimos Dias, amados por sustentarmos estes pontos de vista e declararmos estas verdades? "Ah, bem," diz o estranho, "não deveríeis ser odiados." Se somos odiados por alguma coisa, é por pregar o evangelho da vida e da salvação. Se somos odiados por alguma coisa, é por boas obras, em vez de obras más, não importa quem ouça, conte ou escreva o contrário. A verdade é a verdade e prevalecerá. Estamos em falta por crer em Jesus Cristo? Perguntamos a todo o mundo cristão: Podeis dar-nos as palavras de vida e salvação, ou dizer-nos como ser salvos? Poderíeis fazer isto quando pertencíamos a vossas sociedades, presbiterianos, batistas, ou quaisquer de vós protestantes? Nem o primeiro indivíduo entre vós poderia apontar o caminho, por uma só vara sequer, até o reino de Deus. Sei eu disto? Certamente que sim, por experiência. Busquei a verdade, embora em minha juventude fosse chamado de infiel, e de fato eu era infiel. Infiel a quê? A esta Bíblia? Não, aos falsos credos, e a professar sem possuir, como sou hoje.

Onde está o homem que pode apontar o caminho da vida e da salvação? Quem pode nos falar de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo, e dar-nos seus caracteres? Quem pode falar do céu e das coisas celestiais? Quem pode introduzir o céu à terra, ou a terra ao céu, e trazer de volta o homem a seu Pai, e restabelecer entre eles a familiaridade e a associação tão desejadas pelos seres inteligentes? O profeta de Deus, Joseph Smith, começou isto nesta geração, não importa quão odioso seu nome possa ser para os habitantes da terra. Desafio qualquer nação a odiar um homem mais do que os judeus odiaram o nome de Jesus Cristo--quando ele viveu na carne. Honro e reverencio o nome de Joseph Smith. Tenho prazer em ouvi-lo; eu o amo. Amo sua doutrina. Por quê? Porque é verdadeira, e a verdade permanecerá quando o erro passar. A vida permanecerá quando aqueles que rejeitaram as palavras da vida eterna forem tragados pela morte. Amo a verdade porque é verdadeira, porque é amável e agradável, porque é tão gloriosa em sua natureza, e tão digna da admiração, fé e consideração de todos os seres inteligentes no céu ou na terra. Devo ser odiado, e meu nome lançado fora como mau, porque amo a verdade? Sim, ou as palavras de Jesus não se poderiam cumprir, pois ele disse: "Sereis odiados de todos os homens por causa do meu nome." Ele disse a seus discípulos que se regozijassem sempre e orassem sem cessar quando fossem escarnecidos por seus inimigos, e que levantassem a cabeça e se regozijassem quando todos os homens falassem mal deles, pois "eis que a vossa redenção se aproxima."

Há algum mal em crer no Senhor Jesus Cristo? Frequentemente faço esta pergunta para minha própria satisfação. Há alguma doutrina ensinada neste livro (a Bíblia) que arruinaria ou prejudicaria homem, mulher ou criança na face da terra? Nenhuma. Há alguma doutrina ensinada por Jesus e seus discípulos que não faria bem ao povo, moral, física, social, religiosa ou politicamente? Nenhuma. Ensinou Joseph Smith alguma vez uma doutrina que não elevasse a alma, os sentimentos, o coração e os afetos de todo indivíduo que a abraçasse? Nenhuma. Ensinou ele alguma vez uma doutrina que levasse os que a abraçassem à desgraça, ao pesar e à miséria, que lhes desse dor em vez de descanso, trevas em vez de luz, erro em vez de verdade? Não; mas justamente o contrário. Ele ofereceu vida e salvação--luz pelas trevas e verdade pelo erro. Ofereceu tudo o que havia no evangelho do Filho de Deus, e proclamou aquele mesmo evangelho que João viu o anjo voando pelo meio do céu para restaurar. Aquele anjo entregou as chaves deste apostolado e ministério a Joseph Smith e a seus irmãos, e ordenou-lhes que fizessem soar a trombeta do evangelho por todas as nações da terra, e que clamassem a todos os que amam e esperam pacientemente o aparecimento de nosso Senhor Jesus Cristo: "Sai dela, povo meu, para que não sejais participantes de seus pecados e para que não recebais de suas pragas." Esta foi a doutrina de Jesus; este foi o clamor de João quando na ilha de Patmos. Aquele anjo voou pelo meio do céu, tendo o evangelho eterno para pregar aos que habitam na terra, e seu clamor era e é: "Saí da Babilônia, do orgulho, das modas tolas do mundo; saí do espírito do mundo, do espírito de ódio, ira, malícia, cólera, egoísmo e de todo sentimento que não seja honrado e justificado pelos céus. Ajuntai-vos! Santificai o SENHOR Deus em vosso coração." Este era o clamor, e é o clamor hoje, e o será até que os puros de coração sejam reunidos.

Deveriam os Santos dos Últimos Dias ser odiados por isto? "Ah, eles fizeram tantos males!" Que fizeram eles? Podeis ver por vós mesmos o que fizemos. Observai nossos povoados por seiscentas milhas nestas montanhas, e observai o caminho que fizemos para chegar aqui, construindo as pontes e abrindo as estradas através das pradarias, montanhas e desfiladeiros! Chegamos aqui sem um centavo, em velhas carroças, com nossos amigos, lá atrás, dizendo-nos: "Levai todas as provisões que puderdes, pois não conseguireis mais nenhuma! Levai todos os móveis que puderdes, pois não conseguireis mais nenhum! Levai toda a semente de grão que puderdes, pois lá não conseguireis nenhuma! Levai todos os implementos agrícolas que puderdes, pois lá não conseguireis nenhum!" Assim fizemos, e, além disso, reunimos todos os pobres que pudemos, e o Senhor nos plantou nestes vales, prometendo que nos esconderia por um breve período, até que sua ira e indignação passassem sobre as nações. Confiaremos no Senhor? Sim.

Que temos estado fazendo aqui? Podeis ver por vós mesmos que temos trabalhado com nossas próprias mãos. Não tivemos tempo de encontrar defeitos em nossos vizinhos, nem de lhes causar dano, nem de fazer qualquer outra coisa, senão nos tornarmos confortáveis, e nos prepararmos o mais rapidamente possível para a vinda do Senhor Jesus Cristo. Vede os povoados que foram edificados por gente sem um centavo, aqueles que não tinham roupas para durar três meses quando chegaram, e alguns dos quais não trouxeram sequer um mês de provisões consigo, e não sabiam que poderiam cultivar coisa alguma, senão pela fé. Contudo viemos, e vivemos e prosperamos, e aqui estamos. Que defeito se poderia encontrar em nós? "Ah, fizestes tantas coisas más!" Que males fizemos? Desafio a terra e o inferno a apontar o lugar ou o momento em que uma falsa doutrina foi ensinada a alguém, um mal ensinado a alguém, ou em que o mal foi justificado em alguém, apesar de todos os mentirosos e todas as mentiras na terra e no inferno.

Cremos no evangelho e em Jesus; há crime nisso? Não, não há; e se os habitantes da terra não estão dispostos a receber o evangelho, têm a liberdade de rejeitá-lo. Se homens entram nesta Igreja e estão dispostos a apostatar, têm o privilégio de fazê-lo. Todo ser inteligente tem o direito de escolher por si mesmo se terá o homem Cristo Jesus ou Satanás a reinar sobre ele. Certamente terá um ou outro! Tão certo quanto ele é um ser vivo, o Senhor Todo-Poderoso será seu líder, ditador, diretor e conselheiro, ou será o diabo. Não podemos viver sem eles. Fomos trazidos aqui; não nos trouxemos a nós mesmos. Fomos criados, formados, moldados e feitos independentemente de nós mesmos. Estamos sob esta lei, e não podemos escapar dela. Mas o Senhor nos deu inteligência, e colocou diante de nós a vida e a morte, e disse: "Escolhei hoje a quem servireis." Qual escolheremos? Eu escolherei o Senhor Jesus sempre. Por quê? Porque sua doutrina é tão pura e santa. Eu a amo, porque nela há vida; porque perdurará; enquanto todo erro, falsidade, mentira e mentirosos serão lançados no inferno; e quando forem inteiramente destruídos e consumidos, a verdade viverá e perdurará para sempre. Creio que me apegarei a ela. Não seria melhor que todos fizéssemos o mesmo? Não pensais que os Santos dos Últimos Dias fariam melhor em conservar sua religião e apegar-se à fé do santo evangelho? Digo aos Santos dos Últimos Dias que é muito melhor conservardes vosso caráter de Santos do que deixá-lo ir. Não importa aonde fordes, ainda que seja entre a mais perversa companhia de homens na terra, respeitar-vos-ão mais se conservardes vosso caráter de Santos do que se pudessem dizer-vos: "Estiveste pregando esta doutrina que chamamos de falsa por trinta, trinta e cinco, ou quarenta anos, e dando teu testemunho de sua verdade, e agora te voltas e dizes que é falsa. Acabaste de aprender que foste um hipócrita, e que aqueles a quem antes saudavas como irmãos e amigos são um bando de hipócritas." Tais indivíduos serão marcados por onde quer que forem, e não serão confiados nem para o bem nem para o mal; e se forem para o inferno, serão desprezados até pelos condenados. Esta é a condição dos apóstatas. Por quê? Porque são traidores, e, tendo mentido sobre uma coisa, mentirão sobre outra; tendo mentido uma vez, mentirão novamente. Não é assim? Sim, todos admitirão isso. Ora, não pensais que homens e mulheres bons fariam melhor em se apegar à sua bondade? Penso que sim. Quando um homem, por seu percurso na vida, adquiriu um caráter imaculado, é uma joia inestimável, e nada deveria induzi-lo a negociá-la. Se os ímpios tentam manchá-la ou lançar sobre ela uma mácula, seus esforços não terão êxito. Podem atirar sua lama, mas ela não manchará as vestes dos puros e santos. Não faríamos melhor em preservar o bom caráter que Deus nos ajudou a manter? Penso que sim.

Ora, em que cremos? Em algo que nos faça mal? Nada, absolutamente nada. Nossa crença trará paz a todos os homens e boa vontade a todos os habitantes da terra. Ela induzirá todos os que sinceramente seguem seus preceitos a cultivar a retidão e a paz; a viver pacificamente em suas famílias; a louvar ao Senhor de manhã e à noite; a orar com suas famílias, e os encherá tanto do espírito de paz que jamais condenarão ou castigarão ninguém, a menos que seja bem merecido. Aqueles que vivem desfrutando do espírito e da influência de nossa santa religião jamais se sentirão "de mau humor". Essa é a expressão comum. Os ianques a compreenderão, pois já vi muitos deles de mau humor--fora de si, com o gênio alterado. Eles jamais se sentirão assim. Levantar-se-ão pela manhã com o espírito tão sereno e tranquilo quanto o sol que se levanta e dá vida e calor ao mundo; tão calmos e suaves quanto as brisas numa tarde de verão. Nenhuma ira, nenhuma cólera, nenhuma malícia, contenda ou luta. Se surgir um mal, a parte prejudicada irá até seu vizinho e investigará tranquilamente se o mal foi intencional; e se o suposto transgressor vive segundo o espírito de sua religião, descobrir-se-á que ele não teve má intenção, e que fará ampla reparação, o perdão será concedido, e o problema terminará. Este é o espírito e o ensinamento do evangelho. A paz prevalece. Não há processos judiciais nem contendas; nenhum trabalho para um pobre e miserável advogado, que procura fomentar a discórdia numa comunidade. Tenho, de fato, baixa opinião dessa classe de homens! Se eu não tivesse ocupação melhor do que fomentar a discórdia numa comunidade, oraria pelo meu fim nesta terra, para que fosse para onde pertenço. Os ensinamentos de Jesus e de seus apóstolos inculcavam a paz e impediam a contenda, a discórdia, a luta, a briga e os processos judiciais; e o evangelho, hoje, produz os mesmos efeitos que então. Aqui, muitos de nós temos de tirar água de uma mesma vala de um fim de ano a outro. Mas não há briga por isso. Diz um: "Contento-me em ter minha parte à meia-noite; podes ter a tua amanhã às onze horas." Nenhuma contenda ou luta! Reunimo-nos e pedimos a Deus que nos abençoe e nos ajude a viver na observância de todas as suas leis, e a promover todo princípio de paz e moralidade, e assim contribuir para tornar felizes a nós mesmos e a nossos vizinhos. Há algum mal nisto? Não, não há. Gostamos disto, porque nos traz conforto, paz e alegria. Podemos olhar para o mundo e observar um estado de coisas muito diferente. Qual é a condição dos reis da terra? Podem eles circular entre seus súditos, em qualquer lugar e a qualquer momento, com paz e segurança? Não, precisam de suas guardas pessoais para os proteger; temem ser eliminados da terra. Podemos ir a nossos homens políticos e perguntar: "Tendes amigos?" "Sim, tal homem é meu amigo, é um bom e agradável amigo; mas cuidado com aquele outro, ele é meu inimigo." "Que fez ele?" "Nada, só que está tentando frustrar meus cálculos e planos em minha eleição, e não gosto dele nem de seu partido."

Os Santos não têm tais partidos nem sentimentos; não têm outra escolha senão obter o melhor que há, e ficar satisfeitos; e por isso, em seus assuntos políticos, não têm contenda. Esta é uma objeção que os de fora fazem aos Santos dos Últimos Dias: todos vão e votam de uma só maneira. Não é correto fazer assim? Pensemos nisso. Suponde que de fato todos votemos de uma só maneira, ou por um só homem para nosso delegado ao Congresso, e não haja candidato opositor, e obtenhamos o melhor que há, não é isso melhor do que ter oposição? Que traz a oposição? Certamente traz ira e contenda; e de que servem elas? Não servem a nenhum bom propósito. Então votemos todos de uma só maneira, e pensemos e ajamos de uma só maneira, e guardemos os mandamentos de Deus, e edifiquemos seu reino na terra em paz e retidão. Certamente penso que esta é a melhor ideia. Temos bastante competição em nosso meio, mas que realizará ela? Não muito, se é que algo. Aqueles que a favorecem podem contender até se cansarem, e então cairão silenciosamente à margem do caminho, e esse será o seu fim. A contenda não aproveita a um povo.

Tendes a verdade? Deixai-nos tê-la, se a tendes. Se as pessoas me disseram, em minhas pregações, "Isso é erro," eu disse: "Talvez seja, mas este livro (a Bíblia) é o padrão em que creio." Já li desse livro muitas vezes para os homens, e eles disseram: "Ah, isso é o Livro de Mórmon." "É boa doutrina, não é?" e não saberiam se era a Bíblia ou o Livro de Mórmon, e ainda assim professariam ser leitores e crentes da Bíblia. Às vezes escutavam até se cansarem, e então diziam: "Não quero mais nada disso, é o Livro de Mórmon," e alguns chegaram até a dizer: "É blasfemo." Eu disse: "Quereis, por favor, olhar a página de rosto?" e, ao verem que era a Bíblia, diziam: "Bem, eu realmente não sabia que tais coisas estavam na Bíblia."

Digo a qualquer um e a todos: "Se tendes alguma verdade, deixai-nos tê-la." Se tenho erros, trocarei dez deles por uma verdade. Mas tenho as palavras de vida para vós; que tendes vós para mim? Pergunto ao mundo incrédulo o que pode dar em troca da fé que tenho em Jesus Cristo e da religião em que creio e que pratico. Se estou errado, enganado, excessivamente zeloso, entusiasmado e iludido em minha imaginação, que podeis dar-me? "Nada, não temos nada; não cremos em nada." Então não vejo necessidade de negociar, pois tudo o que tenho não pode machucar nem prejudicar ninguém na terra. Não creio nem pratico nada que faça mal. Não abracei nada em minha fé, nem ensino nenhuma doutrina que prejudique nenhuma pessoa; portanto, não há necessidade de negociar, se nada tendes para me dar por minha joia inestimável. Sou pela vida eterna. Tenho um ser e uma vida aqui; e esta vida é muito valiosa; é uma vida excelentíssima! Tenho um futuro! Estou vivendo para outra existência, muito acima deste mundo pecaminoso, na qual estarei livre destas trevas, pecado, erro, ignorância e incredulidade. Estou esperando um mundo cheio de luz e inteligência, onde homens e mulheres viverão no conhecimento e na luz de Deus. Tendes algo a dar por isto? Nada, absolutamente nada. Então suponho que não negociaremos. Tenho algo para vós, se o quiserdes aceitar. Se derdes ouvidos a meu conselho, tereis não somente alegria nesta vida, paz no Espírito Santo aqui, mas vida eterna no porvir. Abracei o evangelho para a vida e a salvação; abracei-o para o tempo; abracei-o para a eternidade. Pretendo voltar e ver meu Pai. Diz o mundo cristão: "Quem ireis ver?" Uma pessoa muito semelhante a mim mesmo; meu Pai, aquele que gerou meu espírito; meu Pai, que organizou em ordem perfeita a máquina que produziu este tabernáculo em que meu espírito habita. "Ah," diz o mundo cristão, "não cremos em tal Deus como este." Sabemos que não credes. Não credes em Deus algum--apenas num fantasma do cérebro. Ainda assim, têm melhores intenções; mas são como aqueles que, antigamente, adoravam um deus desconhecido. A inscrição em seu templo era: "Ao deus desconhecido." Esta não é a nossa inscrição; a nossa é: "Ao Deus conhecido," nosso Pai, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso irmão mais velho segundo o espírito. Hei de vê-lo um destes dias, se eu viver de modo a ser digno; e quando o vir, cairei sobre seu pescoço, e ele sobre o meu, e nos beijaremos, gritando "Aleluia" por ter eu voltado. Não pensais que será um tempo de regozijo? Sim.

Este é o Deus a quem servimos e que conhecemos e compreendemos. Há algum mal em tudo isto? Nada, absolutamente nada. Paz na terra, boa vontade para com os homens. Cristo morreu por todos; mas só podemos receber o benefício de sua expiação em suas condições, não nas nossas próprias. Devemos arrepender-nos de nossos pecados e ser batizados para a remissão deles, e ter a imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo, para que o espírito do evangelho viva dentro de nós. Então poderemos gritar Aleluia, louvando aquele a quem servimos.

Deus vos abençoe, Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Pregar o Evangelho Os Princípios e o Espírito do Mesmo”, (1870-07-17). Pulpit Vault, 1870-07-young-preaching-the-gospel-the-principles-and-spirit. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).