As Modas do Mundo Fazendo Nossas Proprias Modas de Vestuario
Brigham Young
Se eu puder ter os ouvidos e a atenção do povo, quero pregar-lhe um breve sermão sobre nossa condição atual e sobre alguns pormenores a respeito de nossos costumes. Nós, os Santos dos Últimos Dias, como povo, recebemos há muitos anos um mandamento para nos apartarmos do mundo ímpio e nos reunirmos para estarmos em lugares santos, em preparação para a vinda do Filho do Homem. Fomos reunidos indiscriminadamente das nações da terra, e em muitos aspectos somos como o resto do mundo. Mas desejo fazer algumas observações sobre alguns pontos em que diferimos. Diferimos do mundo incrédulo em nossa crença, e do mundo vulgar quanto à linguagem que usamos. Não é comum entre os Santos dos Últimos Dias tomar o nome da Divindade em vão, embora seja comum e bastante moderno fazê-lo na Cristandade. Nisto discordamos do mundo exterior, ou podemos chamá-lo de mundo vulgar, pois não importa quão elevada ou quão baixa seja sua posição, ou quão pobres ou ricos sejam, quando as pessoas usam linguagem imprópria, descem a um nível muito baixo, e a este respeito tenho a felicidade de dizer que os Santos dos Últimos Dias diferem do mundo ímpio ou vulgar. Incluirei também o mundo político. É prática muito comum, em todo o mundo elegante e político, jogar; diferimos também neste aspecto, pois os Santos dos Últimos Dias não têm o hábito de jogar em espécie alguma de jogo; nem têm o hábito de beber bebidas alcoólicas, o que, em todo o mundo em geral, e especialmente no mundo cristão, é fonte tão prolífica de miséria e desgraça. Em grande medida, posso também dizer que, como povo, não temos o hábito de mentir e enganar; mas há uma coisa da qual somos demasiado culpados, e é falar mal de nossos vizinhos -- dar falso testemunho contra eles. Como povo, somos demasiado pródigos em nossa conversação a este respeito, nossas palavras nos saem fáceis e baratas demais, e as usamos com demasiada liberdade em muitos casos. Este é um ponto em que não diferimos do mundo tanto quanto eu gostaria. Há outro ponto em que a mesma observação é verdadeira, e é a moda no vestuário. Olhai para esta congregação, e vemos isso demonstrado diante de nós, e sobre este item em particular desejo expor minhas opiniões à mente do povo. ¶
Para mim, o desejo de seguir as sempre mutáveis modas do mundo manifesta uma grande fraqueza de mente, tanto em cavalheiro quanto em senhora. Somos demasiado propensos a seguir as tolas modas do mundo; e se os meios fossem abundantes, não creio que haja muitas famílias entre os Santos dos Últimos Dias que não estivessem à altura das modas mais elevadas e recentes do momento. Talvez haja muitos que não seguiriam essas modas, ainda que tivessem meios de sobra. Mas demasiados deste povo seguem as tolas, frívolas e vãs modas do mundo. Se alguém quiser prova disso, basta olhar para esta congregação, e observar as toucas, chapéus ou tocados de nossas senhoras elegantes. Usam elas toucas que protejam seus rostos do sol, ou abriguem suas cabeças da chuva? Ó não, não é moda. Bem, o que usam então? Exatamente o que os ímpios usariam. ¶
Meu discurso terá de ser breve, e vou pedir a minhas irmãs em particular que parem de seguir estas modas tolas, e introduzam modas próprias. Este é o lugar, e este é o momento de tornar conhecida a palavra do Senhor ao povo. ¶
É vão e tolo, não evidencia piedade, e é incompatível com o espírito de um santo, seguir as modas do mundo. Desejo gravar estas observações especialmente na mente de minhas jovens irmãs -- as filhas dos élderes de Israel. Não que nossas esposas, assim como nossas filhas, não sigam muitas modas indecorosas, tolas e vãs. O que dizeis? "Introduziremos uma moda própria, e qual será ela?" Quereis que eu responda e vos diga como fazer vossas toucas? Permiti-me dizer-vos que, nas obras de Deus, vedes uma eterna variedade; consequentemente, não pedimos ao povo que se torne quacre, com todos os homens usando chapéus de aba larga, e as senhoras usando toucas de seda cor de cinza ou creme, projetando-se à frente talvez seis ou sete polegadas, arredondadas nos cantos, com uma capa atrás. Isto é quacrismo, isto é, no que se refere aos tocados de senhoras e cavalheiros. Mas embora não peçamos isto, pedimos sim às irmãs que façam suas toucas de modo a se abrigarem da tempestade e dos raios do sol. Já ouvi dizer que três palhas e uma fita fariam o tocado de uma senhora elegante. Isso foi há um ano ou dois; e as mesmas noções mutáveis, fantásticas e tolas prevalecem a respeito de outras partes do vestuário de uma senhora tanto quanto de seu tocado. Alguns anos atrás, eram necessárias cerca de dezesseis jardas de tecido de largura comum para fazer um vestido para uma senhora, pois ela queria duas ou três jardas para arrastar pelas ruas, para serem sujadas por toda sorte de imundície sobre a qual pisasse. Agora suponho que fazem seus vestidos com cinco jardas e meia, e ainda sobra bastante para um avental. Elas agora me lembram fortemente as senhoras que eu costumava ver no Canadá há alguns anos, que faziam seus vestidos com duas larguras de estopa e linho, e quando estavam na reunião, viviam ocupadas puxando-os para baixo, pois eles subiam. As jovens senhoras agora parecem precisar de alguém que ande atrás delas puxando seus vestidos para baixo. ¶
Quão tolo e imprudente é isto, e quão contrário ao espírito do Evangelho que abraçamos! Este Evangelho está cheio de bom senso, juízo, discrição e inteligência. Isto parece inteligente? Suponde que as senhoras continuem a moda de encurtar seus vestidos, quanto tempo levará até que três quartos de jarda lhes bastem? Podeis dizer que tais comparações extravagantes são ridículas. Digo que não mais do que vossos vestidos e muitos de vossos hábitos e modas hoje, apenas talvez um pouco exagerados, é só isso. Tudo é ridículo, mais ou menos, que não seja decoroso. Suplico às minhas irmãs que parem com esta tolice e vão trabalhar e façam seus próprios tocados. Se o fizerem, serão abençoadas. Dizeis: "Como seremos abençoadas?" Eu vos direi -- introduzindo um espírito de trabalho em vossas famílias, e um espírito de contentamento em vossos corações, o que vos dará interesse em vossos cuidados e assuntos domésticos que não tendes desfrutado até agora. O Doutor Young diz que "Os cuidados da vida são consolos", e aqueles que têm interesse e procuram promover seu próprio bem-estar individual, o de seus vizinhos ou o da família humana, hão de encontrar um prazer tal como se obtém de poucas outras fontes. Derivam disso deleite e prazer, e ficam cheios de paz. Mas quando os olhos das pessoas são como os olhos do tolo -- vagueando até os confins da terra, continuamente desejando, ansiando e cobiçando aquilo que não têm -- jamais são felizes. Se seguirmos o caminho que indiquei, seremos beneficiados em nosso espírito, e teremos mais do Espírito do Senhor. ¶
Desejo dizer-vos, e podeis lê-lo na Bíblia se quiserdes, que aquele que tem o amor do mundo dentro de si não tem o amor do Pai. Aqueles que amam as coisas deste mundo estão destituídos do amor do Evangelho do Filho de Deus. Esta é a minha Escritura: aqueles que ansiam e cobiçam as modas do mundo estão destituídos do Espírito de Deus. Toda pessoa de experiência testificará que isto é a verdade. Ora, minhas irmãs, permiti-me exortar-vos a fazerdes vossos próprios tocados. Tendes aqui o material, e se quiserdes fazer vosso chapéu com uma aba de seis, doze, vinte, ou três polegadas de largura, não discutiremos convosco; mas fazei vossos próprios tocados, e não persigais as modas do mundo ímpio. Se quiserdes fazer uma touca tipo "cabana", ou uma touca-leque, ou um chapéu, fazei-o a vosso gosto, mas não corrais atrás das modas do mundo. Espero, dentro em breve, se este gosto pela moda não for refreado, ver esta casa repleta, mais ou menos, do que se chamam chapéus, toucas e tocados "espanta-moscas", e o que mais obtereis, não sei. Mas não importa o nome nem a moda, se não cobiçarmos o mundo ímpio. E quando comprardes para vós mesmas vestidos, não compreis um por seis ou oito dólares, e depois queirais mais uns vinte para enfeites. Que utilidade tem isso? Perguntei a algumas de minhas esposas outra noite: "Que utilidade tem toda essa fita de veludo -- talvez dez, quinze, vinte, ou trinta jardas, num vestido de linsey?" Disse eu: "Que utilidade tem isso? Faz algum bem?" Perguntaram-me, muito animada e prontamente, em resposta: "Que bem fazem esses botões nas costas de teu casaco?" Disse eu: "Quantos tenho eu?" e, virando-me, mostrei que não havia nenhum ali. ¶
Esta reforma na moda e na extravagância do vestuário é necessária. Deus tem um propósito nisso, e também Seus servos. Qual é ele? Se o Senhor me deu meios e eu os gasto desnecessariamente, em anéis para os dedos e joias para adorno, privo o Sacerdócio daquilo que deveria ter para reunir os pobres, pregar o Evangelho, edificar templos e alimentar os famintos entre nós. Privo um povo, que há de herdar a terra, de tantas bênçãos. Toda jarda de fita que compro desnecessariamente, todo folho, e toda bugiganga que se compra para minha família sem necessidade, rouba da Igreja de Deus exatamente essa quantia. Mas parece que o povo não pensa nestas coisas; não as leva a coração. Nossas esposas e filhas parecem esquecer que sobre elas recaem responsabilidades a este respeito. A conduta de muitas delas indica um cuidado com nada além de: "Quanto posso conseguir? Posso ter tudo o que quero? Quisera ver algo novo, quero imitá-lo!" Isto manifesta o espírito do mundo, e uma disposição tola e vã. Não que eu mesmo não seja, talvez, culpado de usar meios para minha pessoa individual que não são necessários; mas se o sou, alguém de vós me dirá gentilmente? Recordo-me de que uma vez, pregando na Inglaterra, passei pelo Mercado de Smithfield, em Manchester, e vi umas uvas muito finas recém-chegadas da França. Gastei um centavo em algumas delas, mas não tinha dado meia dúzia de passos da barraca onde as comprei, quando vi uma senhora idosa passando, que, pela aparência, eu podia perceber que estava morrendo de fome. Disse eu: "Fiz mal em gastar aquele centavo, deveria tê-lo dado àquela senhora idosa." Fazia por hábito, antes de sair de meu escritório, ir a uma gaveta, tirar um punhado de centavos, para dar aos numerosos mendigos que a todo momento se encontram ao caminhar pelas ruas das grandes cidades daquele país, e naquela ocasião senti-me culpado por ter gastado um centavo em uvas, e pensei nisso muitas vezes depois. Que mais gastei desnecessariamente? Não muito. "Bem," dirão alguns, "Irmão Brigham, não tendes bons cavalos?" Sim, tenho. Sabeis onde os obtive? Mas alguns me foram dados, e agradeço a Deus e àqueles que os concederam, e os uso com prudência. Mas eu preferiria que meus pobres irmãos e irmãs andassem em minha carruagem a andar eu mesmo nela. Contudo, em muitas coisas posso estar errado, e agir mal, mas em muitas coisas sei que nós, como povo, agimos mal. ¶
"Bem, Irmão Brigham, o que faremos?" Digo: fazei vossos próprios tocados; aqui há abundância de material para fazê-lo, e não é justo que eu pague centenas, e talvez milhares de dólares anualmente, por artigos desnecessários de vestuário para minha família. O mesmo é verdade quanto a meus irmãos. Se esses meios fossem, nesta estação, reunir os pobres, trariam muitos dos países antigos. A este respeito, contudo, direi que é um tanto desanimador trazer pessoas para cá e colocá-las em situação de viver e acumular, e então, assim que fazem um pouco de meios, levantam o calcanhar contra Deus e Seu ungido. Não obstante, é nosso dever alimentar nove pessoas que não sejam dignas, em vez de rejeitar a décima, se esta for digna. É melhor trazer noventa e nove pessoas indignas do que deixar uma que é digna perecer lá, e por isso dizemos que faremos tudo o que pudermos. Aqueles que trazemos para cá são agentes por si mesmos diante de Deus, e agem por si mesmos. ¶
Mas agora, irmãos e irmãs, paremos e consideremos e pensemos novamente. Não podemos nos sustentar mais do que fazemos? Não peço a minhas irmãs que façam para si toucas de sol e as usem, e nada mais. Não digo que todas vós adoteis alguma moda particular e vos atenhais somente a ela. Não é essa a questão; a questão é: deixaremos de usar aquilo que é tão inútil e desnecessário? Se o fizermos, poderemos ter dezenas de milhares anualmente para dar aos pobres, para erguer templos, construir tabernáculos e escolas, dotar escolas, educar nossos filhos, e ajudar toda instituição de caridade e todo outro propósito que faça avançar o reino de Deus na terra. ¶
Isto seria sabedoria de nossa parte. O que pensamos disso? O que dizeis, jovens senhoras -- refiro-me a todas vós que tendes menos de cem anos -- deixareis de seguir as tolas modas do mundo, e começareis a agir como pessoas que possuem coragem moral e bom senso natural? Se esta é vossa intenção, irmãos e irmãs, peço-vos, jovens e velhos, que o manifesteis, como faço eu, levantando a mão direita. (Um mar de mãos foi imediatamente levantado.) Alguns, sem dúvida, sentem-se prontos a dizer: "Ora, Irmão Brigham, não sabeis que vossa família é a mais elegante da cidade?" Não, não sei; mas tenho certeza de que minhas esposas e filhos, em suas modas e bugigangas, não conseguem superar alguns de meus vizinhos. Vou vos dizer o que disse a minhas esposas e filhos; devo? Devo expor o que lhes digo sobre estes pontos? Sim, o farei. Disse a minhas esposas: "Se não deixardes estas tolas modas e costumes, vos darei uma nota de divórcio, se a quiserdes." Foi isso que disse, e é isso que penso. "Bem, mas não vos separaríeis de vossas esposas?" Sim, com certeza o faria. Não estou ligado a esposa nem a filho, a casa nem a fazenda, nem a coisa alguma sobre a face da terra, senão ao Evangelho do Filho de Deus. Alistei tudo nesta causa, e nela está meu coração, e aqui está meu tesouro. Alguns podem dizer: "Ora, realmente, Irmão Brigham, quase adorais vossa família; pensais muito em vossas esposas." Sim, penso, mas, desde a juventude, nunca tive senão um único objetivo ao tomar uma esposa, que era fazer-lhe bem. A primeira que tive foi a moça mais pobre que pude encontrar na cidade; e meu objetivo com a segunda, e a terceira, e assim por diante até a última, foi salvá-las. Dizeis: "Eu as mimo?" Sim, e talvez demais. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, mais algumas palavras. Temos nos esforçado por algum tempo para levar o povo a observar a Palavra de Sabedoria. Mas por que não a observam? Por que se apegam a esses hábitos que são adversos à vida e à saúde? "Bem," diz uma irmã, "não posso deixar meu chá, tenho de tomar uma xícara de chá toda manhã, sinto-me tão mal." Digo então: ide para a cama, e ali ficai até vos sentirdes melhor. "Ó, mas isso me matará se eu deixá-lo." Então morrei, e morrei na fé, em vez de viverdes quebrando os pedidos do Céu. Este é meu pensamento a respeito das irmãs que morrem por falta de chá. Quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, tenho a felicidade de dizer que estamos melhorando. Mas há alguns de nossos élderes que ainda bebem um pouco de licor ocasionalmente, penso, e usam um pouco de fumo. Sentem que morreriam sem ele, mas digo que morrerão com ele, e morrerão transgredindo as revelações e mandamentos do Céu, e os desejos de nosso Pai celestial, que disse que bebidas quentes não são boas. ¶
Ora, observemos a Palavra de Sabedoria. Farei votação sobre isso? Todos votariam, mas quem a observaria? Muitos, mas não todos. Posso dizer que muitos observam seus convênios nesta coisa. Mas quem é que entende a sabedoria diante de Deus? Em alguns aspectos, temos de defini-la por nós mesmos -- cada um por si -- segundo nossas próprias opiniões, juízo e fé, e a observância da Palavra de Sabedoria, ou a interpretação das exigências de Deus a este respeito, deve ser deixada, em parte, ao povo. Não podemos fazer leis como as dos medos e persas. Não podemos dizer que jamais tomareis uma xícara de chá, ou que jamais provareis isto, ou que jamais provareis aquilo; mas podemos dizer que a sabedoria é justificada por todos os seus filhos. Irmãos e irmãs, dai ouvidos a estas coisas. Não sei se teremos muito tempo para falar sobre elas; mas tomai o pouco conselho dado, e observai-o. Este é o lugar para dar conselho ao povo. Ide para casa, bispos e élderes, quando a Conferência terminar, e observai o que aqui vos foi dito. Se começarmos a fazer nossas próprias toucas, descobriremos que aumentaremos em outras direções, além de fabricar couro para nossas botas e sapatos, e tecido para casacos e calças. ¶
É muito agradável, ao percorrer o Território, ouvir irmãos nos vários povoados dizerem: "Irmão Brigham, Irmão Geo. A., ou Irmão Daniel, vinde ver nossa loja, ou nossa oficina; aqui estão botas e sapatos feitos de couro de nossa própria fabricação"; e alguns têm aparência tão fina quanto se pode ver em qualquer lugar. Estão fazendo bastante nesta cidade, e também em outros lugares. Alguns estão fazendo chapéus e toucas de palha, e outros estão se empenhando em promover outros ramos da manufatura doméstica. Isto é muito agradável, mas queremos vê-lo mais generalizado nesta grande comunidade. Se assim fosse nesta estação, apenas no ramo da manufatura de chapéus e toucas de palha, não veríamos as dezenas e centenas de chapéus de cinco dólares que são trazidos para cá e vendidos, que não prestam para nada. Não têm resistência nenhuma. Os fabricantes desses chapéus recolhem tecido velho, apodrecido e imprestável, e fazem chapéus com ele, e o resultado é que os chapéus trazidos para cá duram muito pouco. Podem parecer decentes a princípio, mas depois de usados algumas vezes ficam disformes e sem valor. Vamos trabalhar e fazê-los nós mesmos e economizar esta despesa. Se o fizermos, seremos sábios; se não o fizermos, seremos tolos. ¶
Ouvimos esta manhã a exposição do Irmão Taylor sobre o que se chama Socialismo. O que podem fazer? Viver uns às custas dos outros e mendigar. É um povo pobre, imprudente e muito imbecil aquele que não pode cuidar de si mesmo. Bem, nós, nas providências de Deus, somos forçados a fazer muitas coisas que nos são muito vantajosas. Observemos a Palavra de Sabedoria, e também comecemos a fabricar nosso vestuário. Estamos fazendo bastante agora, mas façamos mais. Aprendi um fato muito gratificante: alguns anos atrás, quando começamos nossas pequenas fábricas aqui, não conseguíamos obter lã -- as ovelhas não eram bem cuidadas. Assim que começamos a fabricar tecido e a distribuí-lo entre o povo, tomando sua lã em troca, descobrimos que a lã aumentou; e nesta estação, se tivéssemos concluído a fábrica em construção em Provo, o fornecimento de lã teria sido tão grande que a fábrica ficaria sobrecarregada. Alguma ideia se pode formar do grande aumento no fornecimento de lã quando afirmo que a fábrica de Provo, quando funcionando, será capaz de fazer talvez mil ou mil e duzentas jardas de tecido por dia. Isto é agradável. Vamos construir fábricas. Descubro que estão construindo ao Sul, e estão se preparando para construir ao Norte; e em breve vereis os irmãos, de modo geral, vestidos com roupas caseiras. ¶
Alguns aqui devem estar pensando, provavelmente: "Brigham, por que não te vestes com roupa caseira?" Eu me visto. "Bem, a estás usando hoje?" Não, mas quero desgastar, se puder, o que já tenho. Dou de presente um terno de vez em quando, e gostaria de dar mais alguns, se pudesse encontrar alguém a quem minhas roupas servissem. Viajo com roupa caseira e a uso em casa. Quanto à moda, não me incomoda; minha moda é conveniência e conforto. O casaco mais confortável que um homem pode usar, na minha opinião, é o que os antigos ianques e o povo do Leste e do Sul chamam de "warmus". Alguns aqui sabem o que quero dizer; é algo entre uma camisa de trabalho e uma blusa, com botões ao redor do pescoço e dos punhos. Trabalhei com um deles muitos dias. Se eu introduzir aqui a moda de usá-los, quem a seguirá? Espero que muitos o façam. Recordo que usei um quando o Coronel Kane esteve aqui. Disse ele: "Fico satisfeito de ver que não pedis favor a ninguém quanto às modas, tendes a vossa própria." Meus sentimentos então, como agora, eram: o que quer que, no juízo do Irmão Brigham, seja confortável e decoroso, é a moda para ele, e ele não se importa com as modas do mundo. Há um estilo de calças muito comumente usado, sobre o qual eu diria algo se não houvesse senhoras aqui. Quando as vi pela primeira vez, dei-lhes um nome. Nunca as usei; considero-as indecorosas e indecentes. Mas por que são usadas tão comumente por outros? Porque são a moda. Se fosse moda usá-las desabotoadas, creio que veríeis bastantes de nossos élderes usando-as desabotoadas. Isto mostra o poder que a moda exerce sobre a maioria das mentes. Podeis vê-lo no teatro; se tivésseis assistido ao nosso recentemente, poderíeis ter visto que aquilo não era decoroso; poderíeis ter visto a montaria de Mazeppa, com muito pouca roupa. Em Nova Iorque, dizem-me, é muito pior. Ouvi um cavalheiro dizer que um traje completo para Mazeppa ali era um selo do Governo. Não sei se é verdade ou não. A moda tem grande influência em toda parte, Salt Lake não excetuada. Não importa quão ridícula, as modas têm de ser seguidas. Seja para as senhoras terem seus vestidos arrastando pelas ruas, ou tão curtos que mostrem suas ligas, vemos isso aqui; o mesmo é verdade se têm dezesseis ou vinte e quatro pés de circunferência, ou se são tão apertados que mal conseguem andar. Muitos parecem considerar e seguir a moda, com todas as suas loucuras e caprichos, muito mais fervorosamente do que o dever. Quão tolo é tal caminho. Já falei o bastante. Deus vos abençoe. ¶