Caracter e Condicao dos Santos dos Ultimos Dias A Incredulidade A Expiacao O Casamento Celestial
Brigham Young
Já estamos juntos, em caráter de Conferência, há quatro dias. Parece muito pouco tempo; gostaríamos de ficar um pouco mais, se fosse prudente. Este é o lugar para dar instrução geral aos Santos dos Últimos Dias. É bom quando os Santos se reúnem para se olharem uns aos outros, para ouvirem os irmãos darem testemunho da verdade e sentirem a comunhão do Espírito Santo. Isto alegra e enche de contentamento nossos corações. Será prudente encerrarmos agora nossa Conferência, e, depois que eu tiver passado alguns minutos falando, adiaremos até o dia 6 de outubro próximo, às dez horas da manhã, neste mesmo lugar. ¶
Há muitas coisas sobre as quais gostaríamos de falar; gostaria de falar bastante se tivesse a oportunidade e fosse capaz de fazê-lo. Há muitos pequenos pormenores pertinentes ao que se chama assuntos temporais, que seria bom que o povo compreendesse, a fim de promover sua felicidade aqui na terra e ajudá-lo a assegurar a salvação eterna. Não são apenas os que ouvem a palavra que são abençoados e que garantem para si as bênçãos da vida eterna; aqueles que garantem a vida eterna são praticantes da palavra, assim como ouvintes. Se ouvimos a palavra e não realizamos os trabalhos por ela indicados, isso de nada nos aproveitará. Ouvir a palavra, como fazem os Santos dos Últimos Dias, e depois realizar o trabalho que lhes cabe, exige muita sabedoria; e para elevar o povo a este padrão, é necessário muito trabalho e instrução por parte dos élderes. ¶
Se pudermos lembrar o que ouvimos nesta Conferência, e pô-lo em prática em nossas vidas, isso nos aproveitará. Espero e confio que possamos fazê-lo. Apliquemos nossos corações à sabedoria que foi exposta perante a Conferência, e observemos os pequenos deveres da vida cotidiana, para que estejamos preparados para receber mais. Não é possível a uma pessoa aprender toda a vontade de Deus numa hora, num dia, ou numa semana; requer muito tempo e atenção fazê-lo. O Senhor dá um pouco aqui e um pouco ali, um preceito agora e outro depois, e pela observância cuidadosa destas coisas em nossas vidas crescemos em graça e no conhecimento da verdade. ¶
Somos gratos pelo privilégio de falar um pouco. Todos deveríamos ser muito gratos por termos o privilégio do Evangelho e das ordenanças da casa de Deus, pois, aplicando-os aos deveres da vida, podemos crescer em conhecimento, sabedoria e entendimento. Somos gratos por ver o crescimento que há no meio do povo. ¶
Sabeis muito bem que se diz, por muitos que desejam difamar o caráter dos Santos dos Últimos Dias, que somos um povo pobre, miserável e ignorante. Se somos, há grande espaço para melhorar. Reconheceremos que somos muito ignorantes, e que o Senhor tomou as coisas fracas do mundo para confundir a sabedoria dos sábios. Ele recolheu os pobres da terra e os reuniu, porque O buscam; enquanto os corações dos ricos e dos orgulhosos, dos altivos e dos nobres, se enchem de soberba, e não podem dar ouvidos aos princípios do Evangelho, recebê-los e obedecê-los. Sentem-se bons demais; sabem demais; enquanto os pobres e necessitados, aqueles que sofrem de fome e de nudez, e de trabalho árduo e capatazes, são os que naturalmente buscam o Senhor. O Senhor está tão disposto a abençoar e a derramar Seu Espírito sobre o rei no trono quanto sobre o mendigo na rua; mas o rei tem o suficiente -- não sente necessidade do Senhor; já o mendigo clama ao Senhor por seu pão de cada dia. Por isso o Senhor reúne os pobres. Quando estivermos reunidos, se nos aperfeiçoarmos, aos poucos seremos cheios de sabedoria. ¶
Quando olhamos para os Santos dos Últimos Dias e nos lembramos de que foram tirados das minas de carvão, das fundições de ferro, das ruas, das cozinhas, dos celeiros e fábricas, e do trabalho árduo nos países onde antes viviam, não podemos nos admirar de sua ignorância. Mas, quando são reunidos, logo se tornam eruditos. Muitos deles se tornam agricultores e comerciantes, e logo aprendem a prover sustento para si e suas famílias, e a reunir em torno de si as necessidades e conforto da vida. Aprendem também o objetivo de sua existência, da criação da terra, e como organizar os elementos de modo a atender suas próprias necessidades. Isto é uma bênção, e nos orgulhamos de ver a diligência dos Santos dos Últimos Dias, e também seus progressos e fidelidade. Se somos ignorantes, tornemo-nos sábios; se somos pobres, reunamos ao nosso redor as comodidades da vida. Olho ao redor entre meus irmãos, e vejo eruditos. O mundo diz que somos ignorantes; reconhecemos isso, mas não somos tão ignorantes quanto eles, embora tenham tido oportunidades de educação que talvez muitos de nossos irmãos não tenham tido. Estudamos no grande livro da natureza. Somos levados a isto por necessidade. Onde há outro povo que tenha feito o que este povo fez nestas montanhas, em termos de progresso em seu próprio meio -- no solo e em suas cidades e vilas? Não se encontram na face da terra. Se isto não é inteligência -- se isto não é bom senso, sólido e firme -- gostaria que alguém viesse nos ensinar um pouco. Se fomos tirados dos pobres, ignorantes, humildes e degradados, e nos tornamos sábios e felizes, é um crédito para nós. ¶
Há causas para isto que talvez alguns não tenham considerado. Frequentemente penso nelas. Tomai, por exemplo, um pai que tem, digamos, quatro, dez ou doze filhos. Pode ter abundância para prover a cada um deles; mas desgosta-se de um em particular, e talvez alimente e vista onze, mas o décimo segundo, a quem odeia e despreza, expulsa de casa para que se sustente sozinho. Este filho parte chorando, e diz: "Fui abandonado por meu pai e sua casa; agora tenho de cuidar de mim mesmo. Tenho a terra diante de mim; tenho de viver; não quero me matar, e como tenho a vida diante de mim, certamente devo construir meu próprio futuro. Vou trabalhar e acumular um pouco de alguma coisa, para poder comprar um pedaço de terra. Quando o comprar, farei benfeitorias nele. Construirei minha casa; cercarei minha fazenda; plantarei meu pomar e semearei minha horta; e reunirei ao meu redor meus cavalos, meu gado, minhas carroças e carruagens, e constituirei uma família." Logo aqui está um rapaz que sabe viver tão bem quanto seu pai. Como está o resto da família? São alimentados e vestidos por seu pai; não sabem de onde vem, nem como é obtido, e mal sabem distinguir a mão direita da esquerda no que diz respeito às coisas do mundo. ¶
Isto ilustra a história deste povo. Fomos obrigados a aprender toda arte -- a cultivar a terra e a prover nossas próprias necessidades sob as circunstâncias mais adversas. Fomos compelidos a fazer isto ou a passar sem, pois ninguém o faria por nós. Fomos forçados a estudar mecânica, toda espécie de maquinário, como construir, e como prover e cuidar de nós mesmos em todos os aspectos. Agradeço ao pai e aos filhos por nos expulsarem de casa. Por quê? Porque isso nos lançou sobre nossos próprios recursos, e nos ensinou a prover para nós mesmos. Temos um futuro diante de nós, e Deus cuidará de nós. Em minhas meditações digo: "Devo queixar-me do pai? Não. Não me queixarei em nada, ele fez o melhor que pôde por mim, embora não o soubesse. Se ele tivesse construído minha casa, aberto minha fazenda, plantado meu pomar, cuidado de minha semeadura e aragem, assim como da colheita; e depois tivesse trazido meu alimento ao meu quarto e designado um servo para me alimentar, o que eu teria sabido a respeito de ganhar meu sustento? Como poderia saber algo a respeito de cultivar frutas, ou qualquer outra coisa? Não poderia saber. Poderia ler livros até o Dia do Juízo, e, a menos que aplicasse o conhecimento assim obtido, saberia muito pouco." Sem a aplicação do conhecimento adquirido pela leitura, isso faz de nós meras máquinas; podemos dizer o que outros fizeram, mas não sabemos nada por nós mesmos. Então, não faleis mal de ninguém, e reconhecei que tem sido uma bênção para nós sermos postos de lado e obrigados a cuidar de nós mesmos. ¶
Quando deixamos nossos lares no Leste e partimos para as Montanhas Rochosas, o sentimento a nosso respeito era: "Há fome à vossa frente, ó Mórmons; mas se não morrerdes de fome, os índios vos matarão." Sabíamos que eles não fariam nada disso; sabíamos que poderíamos viver quando chegássemos aqui, e sabíamos também que poderíamos viajar mil e duzentas ou mil e quatrocentas milhas com nossas vacas, bezerros, potros, gado manco, nossa semente de grão, provisões e utensílios agrícolas em carroças, carroções e carrinhos de mão, sem uma grama de ferro em alguns deles. Diziam que nada poderíamos cultivar quando chegássemos aqui; mas eu disse: "Esperaremos e veremos; sabemos que Deus nos conduziu até aqui, e esperaremos para ver o que Ele fará por nós." Podeis ver o que Ele fez, e agradecer Seu nome e sermos humildes. Falaremos mal dos outros? Não. Por quê? Porque o resultado do tratamento que nos deram nos tornou melhores e maiores do que poderíamos ter sido de outro modo. Isto nos aproximou mais do que poderíamos ter chegado sem muito mais revelação do que tivemos. Nossos inimigos nos empurraram uns para os outros; e é excelente estarmos rodeados por circunstâncias que nos aproximem. Aprendemos então se temos comunhão uns com os outros. Agradeçamos a Deus, e não falemos mal de ninguém; e, em vez de criticarmos o pai, agradeçamo-lo por nos expulsar de casa, pois aprendemos muitas lições úteis na vida que não poderíamos ter aprendido de outro modo. Podemos ler tanto quanto os habitantes da terra, e, depois de ler, podemos praticar mil vezes mais do que muitos deles. ¶
Desejo agora dizer algumas palavras a respeito de um assunto que está atraindo a atenção de milhares de pessoas no mundo. Refiro-me ao que se chama incredulidade. Estamos bem cientes de que uma afirmação feita a respeito deste assunto nesta Conferência é verdadeira -- a saber, que os habitantes da terra estão à deriva, tão rápido quanto o tempo pode rolar, para a incredulidade. Não pretendo saber muito; mas algumas coisas sei. Tomarei a liberdade de contar-vos a história do menino que foi ao moinho? Ele estava observando os porcos do moleiro, que eram muito gordos, limpos e bonitos. O moleiro saiu, e, vendo o menino observando atentamente os porcos, disse-lhe: "No que estás pensando?" Disse o menino: "Estava pensando que os moleiros têm porcos gordos." "Estavas pensando em algo mais?" disse o moleiro. "Sim." "O que era?" "Não sei com o grão de quem eles são alimentados," disse o menino. Tomo a liberdade de contar esta história para ilustração. Algumas coisas sei e outras não sei; se não sei com o grão de quem os porcos se alimentam, sei que há alguns porcos gordos. ¶
Que direi a respeito da incredulidade? Não sei muito, mas digo que um homem não tem bom senso quando nega seu Criador; tal homem não está dotado de faculdades de raciocínio. Tenho este livro em minha mão, e digo que, para sua produção a partir do elemento bruto, foi necessário um fundidor de tipos, um fabricante de papel, um impressor e um encadernador, e por seus esforços unidos o livro foi feito. Mas o incrédulo baseia seu argumento no princípio de que o livro está aqui sem produtor -- que nenhum fundidor de tipos, fabricante de papel, impressor, nem encadernador foi necessário. Não é tolo o homem que argumenta segundo este princípio? Se não é, chega bem perto disso. ¶
Há muitos que dizem que não há corporificação da Divindade. Nossos irmãos cristãos quase negam a existência de um Deus; mas isto é apenas de palavra; não o sentem no coração, não querem dizer nada disso. São como o povo de que fala Paulo, que tinha templos erguidos ao deus desconhecido. Os cristãos não sabem nada a respeito de Deus, nem tampouco o incrédulo. O mundo cristão diz: "Cremos num Deus que não tem corpo." Não credes em nada semelhante, mundo cristão! Pensais que credes nisso, mas é apenas tradição convosco. Vossos pais vos disseram que Deus não tem corpo; os sacerdotes lhes disseram; os mestres de escola se uniram para endossar a mesma ideia ridícula; está também escrito em vossos credos eclesiásticos; mas, quando deixais que o bom senso tenha lugar em vossos corações, não credes em tal não-entidade ou coisa indefinida como um Deus sem corpo, partes ou paixões. ¶
Mas, por mais tola e absurda que seja tal ideia, não é tão ridícula quanto a do incrédulo. O mundo cristão, embora declare virtualmente que Deus é nada, também declara que o mundo foi criado por Ele; mas o incrédulo diz que o mundo não teve criador, que é o resultado do acaso. Ora, desafio qualquer incrédulo, ou qualquer outra pessoa na face da terra, a provar que algo pode ser feito ou existir sem um fazedor. O mundo e todos os seus vários graus de habitantes organizados, desde as formas mais baixas de vida vegetal ou animal, até o homem, o senhor da criação, foram formados e feitos, ou não estariam aqui. ¶
Só quero dizer, a respeito da incredulidade, que ela não significa mais nem menos do que descrer de tudo o que quisermos. Se descremos na existência do Eterno, como corporificação ou pessoa, somos incrédulos naquele ponto. Se descremos na eficácia do sangue do Salvador e de Sua expiação, somos incrédulos naquele assunto. Desejo dizer, contudo, ao mundo cristão, que no momento em que a expiação do Salvador for anulada, naquele momento, de uma só vez, as esperanças de salvação nutridas pelo mundo cristão são destruídas, o fundamento de sua fé é removido, e nada resta sobre o que se apoiar. Quando isso desaparece, todas as revelações que Deus alguma vez deu à nação judaica, aos gentios e a nós, tornam-se sem valor, e toda esperança nos é tirada de uma só vez. ¶
Que prova tendes vós, incrédulos, de que Jesus não é o Cristo? Que prova tendes da negativa da existência de Deus, o Pai, ou de Jesus como Mediador, ou do Espírito Santo como ministro de Deus, ou dos dons e graças que Deus concedeu a Seu povo? Nenhuma, absolutamente nenhuma coisa no mundo. Há alguém vivendo na terra que tenha a prova da afirmativa? Sim; nós a temos. Temos a prova de que Deus vive e de que tem um corpo; de que tem olhos, e ouvidos para ouvir; de que tem braços, mãos e pés; de que pode andar e anda. Ele Se declarou um homem de guerra -- Jeová, o grande Eu Sou, o Senhor Todo-Poderoso, e muitos outros títulos de sentido semelhante são usados a Seu respeito nas Escrituras. Mas tirai a expiação do Filho de Deus, e as Escrituras caem, inúteis, por terra. ¶
Como é isso, incrédulo, tendes alguma prova de que Jesus não morreu pelos pecados do mundo? Não; nenhuma, tanto quanto não tendes prova de que não havia necessidade de ir às montanhas cortar a madeira usada na construção desta casa, ou de extrair a rocha de que se compõem os pilares desta casa. Como é isso, Sr. Incrédulo, tendes alguma prova da inexistência dAquele que governa e reina no céu, e que controla os destinos da terra? Não; nenhuma. Mas dizeis: "Não creio nisso." Isso é apenas assunto vosso, ninguém se importa com isso. ¶
A incredulidade se estende a outros assuntos além da existência de Deus e da expiação do Salvador. Alguns são incrédulos num ponto, e outros noutro. Quero dizer que, no que diz respeito a um Deus sem corpo, partes e paixões, sou um incrédulo completo. O Deus a quem sirvo tem olhos, ouvidos, nariz e boca. Tem mãos para manusear; Suas pegadas são vistas no meio de Seu povo, e Seus atos entre as nações; e aquele que tem o Espírito do Todo-Poderoso pode ver as providências de Deus e contemplar Seus caminhos. Pergunto ao incrédulo se tem alguma prova de que eu não desfruto desse Espírito? Tenho a prova de que sim. Qual é essa prova? A paz, a luz e a inteligência que desfruto, que não obtive do incrédulo, da leitura de livros, de ir à escola, nem do estudo da sabedoria de nenhum homem que jamais viveu na face da terra. "Onde a obtiveste?" diz o incrédulo. Do céu, da fonte da luz e da inteligência. "Onde está tua sabedoria?" pergunta novamente o incrédulo. Aqui, bem diante de mim, ensinando ao povo como ser salvo, como viver, e como viver uns com os outros; como aperfeiçoar suas mentes; como governar e controlar a si mesmos. Assim foi com Joseph Smith, em seus dias. Assim é hoje; como mais poderia ser feito? Quem pode reunir o povo das nações em sua pobreza e ignorância e enchê-lo de luz e inteligência, ensinar-lhe como viver, o que é a terra e para que serve, fazer-lhe compreender que Deus é nosso Pai, Jesus o Mediador, e que pertencemos à mais alta inteligência que existe, e que somos a prole natural de Deus, o Pai? Somente Deus pode fazer isto. Ainda assim, o incrédulo dirá que não há Deus, que somos criaturas de hoje, que não tivemos existência antes disto, e que, quando isto acabar, não há nada depois. E, seguindo a cadeia de seu raciocínio, dirá que houve um tempo em que não havia terra, nem estrelas, nem mundos, nem coisa alguma. Bem, sei que jamais houve tal tempo. Isto é fé contra fé, declaração contra declaração. Que condição tão lamentável seria se todo o espaço nada contivesse! Supor que o elemento, os mundos, os homens, a relva dos campos, ou as árvores da floresta foram criados, é pura loucura! São desde a eternidade. É igualmente vão imaginar o espaço vazio! Não há espaço sem um reino, nem tampouco há reino sem espaço, e ambos são de eternidade em eternidade. "Como sabes disso?" pergunta o incrédulo. Pelas revelações de Deus, pelas revelações do Senhor Jesus Cristo. "Como sabes ensinar o povo a se controlar e torná-lo de um só coração e mente?" Pelas revelações do Senhor. Bem, então, suponho que cantaremos e oraremos e serviremos a nosso Deus e guardaremos Seus mandamentos; e antes penso que Sião prosperará. Esta é minha opinião. ¶
Enquanto se lia o capítulo das profecias de Daniel, mostrando os planos e esquemas daqueles que buscavam apanhar Daniel em armadilha, e seu fim miserável, eu estava pensando quão sábios (!) eram os homens naqueles dias. Quão sábios eram aqueles grandes capitães, conselheiros e presidentes! Não podiam prever que não conseguiriam derrubar Daniel? Não, não conseguiam ver mais adiante do que crer que, se o rei assinasse o decreto de que nenhuma petição fosse apresentada a nenhum potentado, sobre, acima, ou em torno da terra, senão a ele mesmo, pelo espaço de trinta dias, apanhariam e destruiriam Daniel. Qual foi o resultado? Assim que começaram sua legislação especial contra Daniel, o Senhor começou legislação especial a favor dele e contra aqueles que o lançaram na cova dos leões. O resultado final foi que Daniel passou a noite com os leões e saiu ileso, sem sofrer o menor dano; os leões jaziam ali pacificamente quando a pedra foi removida, e aqueles que o haviam feito lançar ali foram condenados a ocupar o lugar que ele deixou, e os leões os devoraram. Não podiam prever o que Daniel podia; ele poderia ter predito seu destino, e que a legislação do Senhor Todo-Poderoso estaria um pouco acima da legislação especial de que eram autores contra ele. ¶
Irmãos e irmãs, guardareis a Palavra de Sabedoria, direis vossas orações, observareis o Sabá, não falareis mal de ninguém, e vos esforçareis por ser humildes e fiéis em todas as coisas? Se o fizerdes, seremos um, aos poucos; ainda não o somos. Devemos vencer o amor do mundo. Aquele que tem o amor do mundo não tem o amor do Pai. Aquele que ama as coisas do mundo não ama o reino dos céus na terra. Quem serve a mamom não pode servir a Deus. Devemos deixar que estas coisas se afastem de nossas afeições, e então apegar-nos aos princípios da vida eterna e sustentar o reino de Deus na terra, ou então iremos ao fundo. Se saltarmos fora, certamente afundaremos, e se permanecermos a bordo do navio de Sião, no máximo afundaremos, e será tão bom se o navio de Sião afundar estando nós a bordo quanto saltar fora e afundar. É melhor permanecermos a bordo; ele pode chegar ao porto; e posso vos prometer, em nome do Deus de Israel, que ele chegará em segurança e levará todos os seus passageiros. Seremos humildes e fiéis? Confio que sim. Espero -- vos rogo, irmãos e irmãs, sejamos humildes, sejamos fiéis a nosso Deus, a nossa religião, e uns aos outros. ¶
Direi algumas palavras sobre um assunto que aqui foi mencionado -- o casamento celestial. Deus deu uma revelação para selar por tempo e por toda a eternidade, assim como fez nos dias antigos. Em nossos próprios dias, Ele ordenou a Seu povo que recebesse o Novo e Eterno Convênio, e disse: "Se não permanecerdes nesse convênio, então sereis condenados." Nós o recebemos. Qual é o resultado disso? Olho para o mundo, ou para aquela pequena porção dele que crê na monogamia. É apenas uma pequena porção da família humana que crê nisso, pois de nove a dez dos mil e duzentos milhões que vivem na terra creem e praticam a poligamia. Bem, qual é o resultado? Bem aqui em nossa terra, a doutrina e a prática da pluralidade de esposas tendem à preservação da vida. Sabeis disso? Vedes isso? Qual é nosso dever? Preservar a vida ou destruí-la? Pode algum de vós responder? Ora sim, é perpetuar e preservar a vida. Mas que princípio vemos prevalecer em nossa própria terra? O que é aquilo de que, no Leste, Oeste, Norte e Sul, os ministros se queixam de seus púlpitos, e contra o qual tanto cavalheiros quanto senhoras proferem palestras? É contra tirar a vida. Dizem: "Cessai a destruição da vida pré-natal!" Nossa doutrina e prática geram e preservam a vida; a deles a destrói. Qual é a melhor, sem falar de revelação, qual é a melhor de um ponto de vista moral, preservar ou destruir a vida que Deus destina a trazer sobre a terra? Basta olhar e decidir por vós mesmos. ¶
Esta casa é muito grande, mas, de modo geral, o povo tem estado muito atento, e tem procurado manter-se o mais quieto possível. Ainda assim, creio que podem melhorar um pouco. Penso que muitas de nossas irmãs que têm filhos podem ficar mais perto das portas, e então, se não puderem impedir que suas crianças chorem, podem sair. Creio que podem deixar de cochichar. Quando algo se diz desta tribuna que vos agrada ou desagrada, vos voltais para vosso vizinho e cochichais, e o próximo faz o mesmo, e logo há alguns milhares cochichando, criando um ruído como o rugir de muitas águas. Depois arrastais um pouco os pés, e os muitos pequenos ruídos são como a poeira de que se compõem as montanhas e toda a terra. Toda pessoa deveria ficar em silêncio quando nos reunimos aqui para adorar a Deus. Lembrai-vos, e procurai manter-vos perfeitamente quietos, e não cochicheis, nem converseis, nem arrasteis os pés; e não deixeis que vossas crianças chorem, se puderdes evitá-lo. Vinte anos atrás, eu costumava dizer-vos que podíeis beliscar vossas crianças para que chorassem o mais alto que pudessem, se assim o quisésseis, e eu conseguiria pregar mais alto do que elas podiam chorar. Eu conseguia fazê-lo então, mas agora quero que todos fiquem quietos. ¶
Confio que teremos por muito tempo o privilégio de desfrutar desta sombra que construímos; é um abrigo contra o sol ardente no verão; e quando vier a tempestade de chuva, este guarda-chuva nos abrigará. Percebo que, na galeria, há agora um pouco mais de calor do que antes; abriremos os respiradouros e colocaremos algumas claraboias, e então penso que estará tão fresco quanto antes. ¶
Irmãos e irmãs, sinto-me levado a vos abençoar. Peço a meu Pai celestial que abençoe os Santos, que abençoe todo quórum e organização de Seu reino, desde a Primeira Presidência até a última organização, para promover o bem no meio de Seu povo. Oro continuamente pelos bispos, élderes presidentes, conselheiros do Sumo Conselho, e pelas Sociedades de Socorro Femininas. Eu vos abençoarei, minhas irmãs, se derdes ouvidos ao conselho que vos foi dado a respeito destas modas. Depois, a meus irmãos digo: eu vos abençoarei, se procurardes mais de perto vos sustentar, preservando e usando sabiamente o que o Senhor vos dá, e não permitindo que vosso gado e ovelhas morram nas pradarias, mas preservando-os, para que tenhamos com que suprir-nos das necessidades da vida, criando ovelhas, construindo fábricas, cultivando linho, amoreiras e seda, e outras coisas úteis. Não me importa quão lindamente estejais adornadas, senhoras, contanto que cultiveis a seda e vos adorneis com vossas próprias mãos. Esta é a exigência do céu. Assim era quase há quarenta anos. A palavra do Senhor a Seus Santos então era: "Seja a beleza de vossas vestes a beleza da obra de vossas próprias mãos." Se observardes isto, adornai-vos quanto quiserdes. Fazei vossos chapéus e toucas, e fazei também chapéus para vossos irmãos e filhos. É vosso dever fazê-lo. Preservai o que o Senhor vos deu, e não desperdiceis nada. Posso dizer aos Santos dos Últimos Dias que não há homem nem mulher, pessoa ou pessoas, a quem eu não preferisse alimentar, vestir e sustentar do que ver desperdiçada uma partícula sequer no meio de minha família ou deste povo. Deus não gosta disso, Seu Espírito se entristece com isso. A ociosidade e o desperdício não estão de acordo com as regras do céu. Preservai tudo o que puderdes, para que tenhais abundância para abençoar vossos amigos e vossos inimigos, como fizemos em '49, '50 e '51. Naqueles anos alimentamos milhares e milhares de pobres emigrantes famintos, que tinham ouro tão grande em seus olhos que, ao partirem para as planícies, não sabiam se tinham algo para comer ou não. Por nosso intermédio, foram alimentados e enviados em seu caminho, regozijando-se. Se tomarmos agora o conselho dado, teremos abundância para abençoar nossos inimigos, se for necessário. Diremos que temos algum? Sim, há aqueles que se deleitariam em ser nossos inimigos, se soubessem como; mas não sabem como. Não suponho que houvesse maior inimigo do Salvador, quando Ele estava na terra, do que o diabo. Como implorou ao Salvador que o adorasse! Disse ele: "Dar-te-ei tudo o que podes ver, se te prostrares e me adorares." Mas Jesus o repreendeu. Contudo o diabo perseguiu e assediou judeus e gentios, isto é, os romanos, até que traíssem o Redentor nas mãos de Seus inimigos, que O crucificaram, e, ao fazerem isso, consumaram o grande ato para a salvação da família humana, o que privará o diabo de praticamente todos eles, de um modo ou de outro. Se tivesse tido algum bom senso -- mas era tão desprovido dele quanto os incrédulos em nossos dias -- teria dito: "Estou convosco, irei convosco, pagarei vossos impostos, e vos darei as boas-vindas à minha casa." Mas não, o diabo e seus seguidores não sabiam o suficiente para fazer isso, nem tampouco nossos inimigos, e graças a Deus por isso! ¶
Novamente digo, sinto-me levado a abençoar meus irmãos e irmãs -- cada quórum, cada autoridade; nossos irmãos e irmãs que cantaram para nós, ou tocaram o órgão. Agradeço a vós, porteiros, e a vós que atendestes à congregação, e digo: Deus vos abençoe, e em nome do Senhor Jesus Cristo abençoo toda a casa de Israel. Oro pela redenção da estaca central de Sião, e por sua edificação. Ela está diante de nós continuamente em nossa fé, e espero que vivamos para vê-la. Amém. ¶