Como Conhecer as Coisas de Deus
John Taylor
As Escrituras nos informam "que ninguém conhece as coisas de Deus, senão pelo Espírito de Deus"; e então ninguém pode falar as coisas de Deus a menos que auxiliado pelo Espírito do Senhor; e nenhum povo pode compreender as coisas faladas a menos que inspirado e guiado pelo mesmo Espírito. Precisamos deste Espírito continuamente, e toda a humanidade também, para nos guiar, para nos habilitar a compreender as leis da vida, para regular e concentrar nossos pensamentos, elevar e enobrecer nossos sentimentos, dar força e vitalidade às nossas ações, e nos colocar numa posição diante de Deus, diante dos homens e diante dos santos anjos, que seja correta, aceitável e apropriada a toda verdadeira inteligência, à hoste angélica, e a nosso Pai celestial. Importa muito pouco em que estejamos ocupados, é impossível fazermos o certo sem a orientação do Todo-Poderoso; mas, auxiliados e dirigidos pelo Espírito do Senhor, podemos agir em consonância com a dignidade de nossa elevada posição como seres imortais que possuem o santo Sacerdócio, e participam do novo e eterno convênio; pelo auxílio daquele Espírito infalível, podemos cumprir a medida de nossa criação e nos preparar para uma herança no reino celestial de nosso Deus. ¶
Diz-se-nos "que o mundo, por sabedoria, não conheceu a Deus"; contudo compreendem muitas coisas, e por causa da difusão da inteligência geral e do grande progresso da ciência, da literatura e das artes, creem que podem descobrir a Deus. Como os construtores da Torre de Babel, procuram penetrar os céus por princípios naturais. Como eles, estão enganados, como todos os homens têm estado que procuraram resolver o problema da vida por meio da influência da sabedoria humana. Nenhum homem jamais compreendeu a Deus por este princípio; nem podem, por agência mortal somente, compreender os princípios da vida e da salvação. Nenhum homem na geração presente os compreende por este princípio; nem a sabedoria humana habilitará qualquer homem que algum dia viver a compreendê-los. É verdade que a humanidade, em curto tempo, fez grandes progressos nas artes e ciências. Durante o último meio século, a pesquisa científica fez muitos desenvolvimentos maravilhosos; e muitas coisas que, antes daquele tempo, eram desconhecidas da família humana, agora são bastante familiares. Sabia-se muito pouco sobre a aplicação do poder do vapor há meio século. Recordo-me muito bem do primeiro barco a vapor e da primeira locomotiva propulsionados a vapor, e de viajar na primeira ferrovia. Antes disso, a locomoção tinha de depender dos ventos e marés, da força de cavalos, e de algumas outras agências. Estas são agora suplantadas pelo que todos reconhecerão ser um agente muito superior -- a saber, o poder do vapor. ¶
A eletricidade, ou melhor, sua aplicação, de modo a atender às necessidades do homem, era desconhecida até um período comparativamente recente. Refiro-me agora mais particularmente ao telégrafo elétrico. Isso tem sido um meio de facilitar grandemente a transmissão do pensamento e a difusão da inteligência entre a família humana, e tem sido uma grande vantagem para o mundo em geral. Quando viemos a este vale, por exemplo, mesmo àquela época tardia, tínhamos de depender de juntas de bois para trazer nosso correio e transmitir notícias do Leste, e já vi levar quatro, cinco, e às vezes até seis meses, antes de sabermos qual Presidente havia sido eleito. Agora podemos sabê-lo em menos minutos; isto demonstra grande progresso em tais assuntos. ¶
Recordo-me do tempo em que tínhamos de caminhar penosamente à noite, quase no escuro, em nossas maiores cidades, sendo as ruas iluminadas apenas por lâmpadas de óleo tênues. Agora temos gás e vários óleos luminosos, que fizemos a terra produzir aos milhões de galões, quase equivalentes ao gás. A daguerreotipia, ou como é mais geralmente chamada, a fotografia, é outra grande conquista da mente humana, conferindo o poder de captar retratos, paisagens e vistas num momento, o que antes exigia dias ou meses, mesmo pelos mais eminentes artistas. ¶
Na maquinaria e na química, nas manufaturas, e em muitos outros desenvolvimentos científicos ligados à vida humana, avanços maravilhosos têm sido feitos, e o mundo parece ter progredido com grande rapidez nas artes e ciências, no que diz respeito às manufaturas. Alguns anos atrás, todo tecido tinha de ser fiado por um único fio; agora, com o auxílio do vapor e da maquinaria, isso é feito por milhares e centenas de milhares. Poderíamos continuar enumerando muitos outros progressos que ocorreram nos últimos anos; do que fica muito evidente que o progresso da geração presente eclipsou de longe o de qualquer geração anterior de que temos conhecimento. Por causa destas coisas, muitos supuseram que o intelecto humano é capaz de apreender tudo neste mundo e no mundo vindouro -- até mesmo as coisas eternas -- e muitos homens ficaram cheios de orgulho e vaidade em suas imaginações por causa das descobertas que fizeram e do avanço na ciência, na literatura e nas artes. Esquecem-se "que todo dom bom e perfeito procede de Deus, o Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação." Esquecem-se de que toda partícula de sabedoria que qualquer homem possui vem de Deus, e que sem Ele continuariam a tatear na escuridão. Esquecem-se de que, com todo o aumento de sabedoria e inteligência e a expansão da mente humana, estão às escuras a respeito de Deus, e que nenhum homem, por sabedoria, pode descobri-Lo. O mistério que O envolve é tão alto quanto o céu, tão profundo quanto o inferno e tão amplo quanto o universo; e é insondável e incompreensível pela inteligência humana, sem o auxílio da inspiração do Todo-Poderoso. ¶
Há homens, é verdade, que professam, a partir do pouco conhecimento que têm das coisas terrenas, por uma série de deduções, poder descobrir as coisas celestiais, mas há uma diferença muito material entre as duas. Há uma filosofia da terra e uma filosofia dos céus; a última pode desvendar todos os mistérios pertinentes à terra; mas a filosofia da terra não pode penetrar nos mistérios do reino de Deus, ou nos propósitos do Altíssimo. Mas, por causa do progresso a que aludi, os homens se erguem como mestres das coisas pertinentes aos assuntos espirituais, dos quais nada sabem. Mas, no momento em que o fazem, exibem sua tolice, vaidade, imbecilidade e miopia, pois, como afirmei, jamais compreenderam as coisas de Deus sem o Espírito de Deus, e jamais o farão. Que tolice é, para homens com o fôlego em suas narinas, que não são senão vermes da terra, existindo, por assim dizer, por um dia, e amanhã são ceifados como a erva; ou como a mariposa ou a borboleta, que esvoaça em torno por um breve espaço e depois passa ao esquecimento eterno; digo, que tolice é para seres tão circunstanciados, tão fracos, imbecis, circunscritos e controlados, se erguerem, sem o auxílio do Espírito do Todo-Poderoso, para sondar os desígnios de Deus, desvendar os princípios da vida eterna, compreender a relação que existe entre Deus e o homem, e afastar o véu do futuro. Quem há que tenha visto a Deus ou possa compreendê-Lo, Seus desígnios e propósitos? Nenhum homem é capaz de sondar estes mistérios. O homem, de fato, pode compreender alguns dos princípios que se desenvolvem na natureza, e apenas alguns destes. Mas quem pode apreender a inteligência que habita no seio de Jeová? Quem pode desvendar Seus desígnios e penetrar o abismo insondável do futuro? Quem pode dizer sobre que princípio este mundo foi organizado, ou qualquer coisa a respeito dos habitantes daqueles mundos que vemos se movendo ao nosso redor? É verdade que, pela ciência da astronomia, podem-se fazer cálculos precisos a respeito dos corpos celestes; mas ninguém pode dizer quem pôs aqueles corpos em movimento, como são controlados, ou por que classe de povo são habitados. Como dizem as Escrituras: "Que homem, por sua sabedoria, pode descobrir a Deus?" Ninguém pode compreendê-Lo. Podemos nos achar um enigma notável, tanto quanto ao corpo quanto à mente -- cada homem, mulher e criança individualmente; mas quem pode afastar o véu e dizer como ou por que viemos aqui, e o que nos espera quando deixarmos de lado esta bobina mortal? Ninguém pode fazer isto, a menos que Deus o revele. Jamais houve um homem, nem há um homem agora, nem jamais haverá, que possa compreender estas coisas pelo princípio da filosofia natural ou humana, e nada menos que a filosofia do céu -- a inteligência que flui de Deus -- pode desvendar estes mistérios. ¶
Alguns homens se atordoarão com a ideia de que, em eras passadas, a raça humana estava numa condição semicivilizada ou bárbara, e que qualquer tipo de religião serviria para o povo daqueles dias; mas, com o progresso da inteligência, a marcha do intelecto, o desenvolvimento das artes e ciências e a expansão da mente humana, é necessário que tenhamos algo mais elevado, refinado e intelectual do que o que existia então. Para mim, tais noções são pura tolice. Se leio minha Bíblia corretamente e nela creio, conhecidas eram de Deus todas as coisas desde antes da fundação do mundo, e não penso que a inteligência do século dezenove possa iluminar Sua mente a respeito destes assuntos. Aquele que formou o corpo, não conhecerá Ele sua estrutura? Aquele que organizou a mente, não a compreenderá Ele? Antes que este mundo rolasse à existência, ou as estrelas da manhã juntas cantassem de alegria, o grande Eloheim compreendia todas as coisas pertinentes ao mundo que organizou e ao povo que o habitaria; a posição que ocupariam e a inteligência que possuiriam; seu destino futuro e o destino do mundo que então fez. É vaidade, puerilidade e fraqueza os homens tentarem contradizer os desígnios de Deus, ou vangloriar-se de sua própria inteligência. O que sabem eles? Ora, descobriram há pouco que existe uma coisa chamada eletricidade. Quem fez aquela eletricidade? Fê-la o homem? Originou-a e a colocou entre as forças da natureza? Procedeu ela da agudeza da inteligência do homem e de sua mente expansiva? Não, sempre existiu, e o homem que a descobriu -- um pouco mais esperto que seus semelhantes -- apenas descobriu uma das leis da natureza que emanou e se originou de Deus. É exatamente assim com o vapor -- as propriedades que o tornam tão útil para servir aos propósitos do homem sempre existiram, mas o homem as descobriu; se não houvesse Deus para fazer estas propriedades, ninguém poderia tê-las descoberto. É assim com os vários gases e suas propriedades, com os minerais -- suas atrações e repulsões -- se originaram em Deus; o homem é incompetente para formar qualquer coisa do gênero. Assim poderíamos prosseguir por todas as tão vangloriadas realizações do homem; não passam de mais que a descoberta de algumas das leis ativas ou latentes da natureza, não compreendidas pelos homens em geral, mas descobertas por alguns que se consideram, e sem dúvida são, mais espertos que seus semelhantes. Onde está, então, a tão vangloriada inteligência do homem? A ciência revela a beleza e a harmonia do mundo material; desvenda-nos dez mil mistérios no reino da natureza, e mostra que todas as formas de vida, pelo fogo e pela decadência análoga, retornam novamente ao seu seio. Desvenda-nos os mistérios da nuvem e das chuvas, do orvalho e da geada, do crescimento e da decadência, e revela a operação daquelas forças silenciosas e irresistíveis que dão vitalidade ao mundo. Revela-nos as operações mais maravilhosas dos orbes distantes e sua relação com as forças da natureza. Revela também outro grande princípio: que as leis da natureza são imutáveis e inalteráveis como são todas as obras de Deus. Aqueles princípios, poderes e forças não sofreram mudança alguma desde que foram primeiramente organizados, ou, se mudaram, retornaram novamente aos elementos originais dos quais derivaram. Todas as propriedades da natureza eram tão perfeitas na criação quanto agora; todos os elementos da natureza possuíam as mesmas propriedades específicas, afinidades e capacidade de combinação que possuem no presente. Árvores, arbustos, plantas, flores, aves, feras, peixes e o homem eram tão perfeitos então quanto agora. As obras de Deus são todas perfeitas e governadas por leis eternas. Isto me faz lembrar de uma criança pequena; não posso compará-lo a nada mais. O recém-nascido é perfeitamente inconsciente de tudo o que o rodeia, embora maravilhoso em sua organização e perfeito em sua estrutura. Aos poucos, levanta a mão e descobre pela primeira vez que tem uma mão. Já a tinha antes, mas uma nova luz irrompe no cérebro da criança, e ela descobre que tem uma mão, e sem dúvida pensa que é maravilhosamente sábia por descobri-lo, exatamente como fazem alguns de nossos filósofos quando descobrem as propriedades da matéria. Mas Deus fez a mão da criança, e ela existia antes que seu cérebro fosse capaz de compreendê-la. E assim eram todas estas coisas, a respeito de cuja descoberta os homens tanto se vangloriam. Deus as fez, e as fez perfeitas. Contudo os homens se vangloriarão de saber coisas independentemente de Deus, quando, a menos que tivessem sido auxiliados pelo Espírito do Senhor, e a menos que os princípios tivessem existido, jamais poderiam ter sido descobertos, pois nenhum homem poderia tê-los originado por si mesmo. Tudo o que o homem já fez, com toda a sua tão vangloriada inteligência, foi simplesmente desenvolver ou descobrir alguns dos princípios comuns da natureza que sempre existiram, e sempre existirão, pois estas coisas, e todo princípio da natureza, são eternos. O Evangelho também é eterno. Mas onde há um homem que compreende as coisas celestiais? Quem pode desvendá-las? Quem esteve atrás do véu e falou com os Deuses? Quem, entre os sábios, filósofos, teólogos, filantropos, reis, governantes ou autoridades da terra, pode compreender a Deus ou Seus desígnios? Se podemos compreender tão imperfeitamente as leis da natureza que nos rodeiam, com os privilégios de ver, sentir, comparar e analisar, o que sabemos das coisas além de nossa visão, audição ou compreensão? Podemos ler, na história do passado, sobre a ascensão e queda das nações, a derrocada de tronos e a destruição de reinos; podemos ler sobre guerras e rumores de guerras. A história aponta o que se passou em relação às nações da terra e aos homens que sobre ela viveram, mas quem pode penetrar no futuro? O homem é um ser imortal: está destinado a viver no tempo e por toda a eternidade. Possui não somente um corpo, mas uma alma que existirá enquanto "durar a vida, ou o pensamento, ou o ser, ou perdurar a imortalidade." Quem pode dizer a respeito deste futuro? Quem pode dizer coisas pertinentes à nossa existência celestial, ou o objetivo que Deus teve em vista ao criar este e outros mundos, e o destino da família humana? Nenhum homem, a menos que Deus lho revele. Qual tem sido, e ainda é, a posição do mundo em relação a estas coisas? Tem sido governado por toda espécie de dogma e teoria de religião. "Ismos" de toda espécie têm prevalecido, um após outro -- politeísmo, incredulidade, o cristianismo em suas dez mil formas, e toda espécie de teoria e dogma que a imaginação humana pudesse inventar. Tais contrariedades mostram definitiva e positivamente que os homens, por sabedoria, não podem descobrir a Deus. E o cristianismo, no presente, não é mais esclarecido do que outros sistemas já foram. Que sabe o mundo cristão a respeito de Deus? Nada; contudo estes mesmos homens assumem o direito e o poder de dizer aos outros no que devem e no que não devem crer. Ora, no que diz respeito às coisas de Deus, são os mais completos tolos; não conhecem nem a Deus nem as coisas de Deus. Nosso Governo está agora mesmo empenhado num ato deste tipo. Nossos legisladores me diriam no que devo e não devo crer, qual deve ser o rumo de minha moral, como se fossem imaculados e tivessem sido feitos perfeitos; como se tivessem inspiração do alto, e tivessem descoberto a verdade em toda a sua riqueza, poder e glória; como se tivessem conversado com os céus e conhecessem a Deus. Ó, tolos! Que sabem eles a respeito da verdade? Não mais do que uma criança a respeito de sua mão. São imbecis e ignorantes e estão nas trevas, e a maior dificuldade neste assunto é -- são tolos e não o sabem. ¶
Consideramos, e sempre consideramos desde que esta Igreja foi organizada, que aquela parte da Escritura que citei antes é verdadeira -- a saber, "Ninguém conhece as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus." Nós, como Santos dos Últimos Dias, não compreendíamos princípio correto algum até que nos foi revelado. Eu não compreendia, nem jamais encontrei alguém que compreendesse, e tenho viajado muito extensamente pelo mundo em que vivemos, e encontrado toda classe e grau de homens em diferentes nações. Nós, como Santos dos Últimos Dias, devemos às revelações de Deus, dadas a Joseph Smith, o conhecimento dos primeiríssimos princípios da doutrina de Cristo, e ele não poderia tê-los conhecido a menos que lhe tivessem sido revelados. Uma coisa eu sabia por mim mesmo, antes de entrar nesta Igreja, e é mais do que muitos sabem por si mesmos -- a saber, que eu era um tolo, e nada sabia, a menos que Deus mo revelasse. É preciso muito martelar para que isso entre na cabeça de alguns homens. As principais perguntas em minha mente, quando este Evangelho veio, eram: "É isto verdade?" "É isto de Deus, ou não?" "Falou Deus, de fato, como este homem diz que falou?" Se não falou, é tudo ficção, farsa e ilusão, como os outros "ismos" que existem no mundo; se falou, cabe-me obedecer, não importa quais sejam as consequências. ¶
Há uma coisa que sempre foi satisfatória para minha mente a respeito deste Evangelho -- jamais foi revelado um princípio sequer, em qualquer tempo, que não fosse instrutivo e conforme às Escrituras, que consideramos de origem divina. Jamais um princípio sequer que não pudesse ser comprovado pela palavra de Deus, embora não o soubéssemos antes, e o mundo não o saiba agora. E posso também dizer que jamais foi revelado um princípio que não fosse estritamente filosófico e conforme ao bom e sólido senso comum; e, além disso, irei mais longe e direi que nenhum princípio jamais será revelado que não esteja conforme à filosofia, se pudermos compreendê-lo. Como há uma filosofia da terra e uma filosofia dos céus, é necessária instrução celestial para compreender as coisas celestiais. Mas, como disse antes, "ninguém conhece as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus." As Escrituras nos mostram como podemos obter aquele Espírito, que nos dará um conhecimento por nós mesmos. ¶
Quando este Evangelho foi revelado, foi-nos declarado que era um Evangelho eterno, que havia um Sacerdócio associado a ele, e que aquele Sacerdócio era eterno; assim nos foi apresentado um Sacerdócio eterno, e um Evangelho eterno. Havia também um convênio eterno associado a ele. Foi-nos dito como poderíamos obter, por nós mesmos, um conhecimento deste Evangelho -- sendo a promessa de que, se nos arrependêssemos de nossos pecados e fôssemos batizados em nome de Jesus Cristo para a remissão deles, por alguém que tivesse autoridade, receberíamos o Espírito Santo. Foi-nos também dito que o Espírito Santo nos colocaria em comunicação com Deus; que tomaria das coisas de Deus e no-las mostraria, e que saberíamos, com certeza, cada um de nós por si mesmo, das verdades que nos foram proclamadas. ¶
Esta foi a posição em que fomos colocados. Avançamos e obedecemos, pois nos foi dito que Deus Se revelara dos céus, que restaurara o Evangelho por meio de um santo anjo, conforme mencionado por João, o Revelador, e que restaurara, por autoridade direta do céu, a comunicação entre Ele mesmo, o mundo celestial e Suas criaturas aqui. Foi-nos dito que, pela obediência a este Evangelho, seríamos feitos recipientes de um Espírito que traria coisas passadas à nossa lembrança, que nos conduziria a toda a verdade e nos mostraria as coisas vindouras. ¶
Crendo nesta mensagem, esta vasta multidão de pessoas diante de mim hoje avançou e se curvou em obediência, e receberam aquele Espírito, e sabiam e sabem que o Evangelho que lhes foi pregado não veio somente em palavra, mas em poder e na demonstração do Espírito, e que o Espírito Santo o acompanhou. Vós sabeis, e eu sei, que quando obedecestes a este Evangelho e vos foram impostas as mãos para o recebimento do Espírito Santo, vós o recebestes. Quem mais sabe algo a respeito disso? Ninguém. Sabem estes estranhos ao redor? Não. Disse Jesus a Nicodemos: "A menos que um homem nasça de novo, não pode ver o reino de Deus." Então, que sabem eles a respeito disso? Falai a um cego a respeito de cores, e pedi-lhe que diga a diferença entre vermelho e branco, preto e azul, e ele vos dirá talvez que um é comprido e o outro curto, que um é leve e o outro pesado. Não poderia descrevê-lo, nem seu sentido o compreenderia. Disse Jesus que um homem não poderia ver o reino de Deus a menos que nascesse do Espírito. Falou ele a verdade? Penso que sim. E quando nascestes de novo da água e do Espírito, vistes e entrastes no reino de Deus, e coisas de que antes éreis ignorantes, então compreendestes. Muitos de vós sentiram muito como o cego mencionado nas Escrituras, depois de ter sido curado por nosso Salvador. Os escribas e fariseus, um grupo erudito e muito santo de homens, falaram a seu pai, dizendo: "Dá glória a Deus, pois sabemos que este homem é pecador." Sabiam que Jesus era um impostor, um enganador, um falso profeta, um blasfemo, e que expulsava demônios por Belzebu, o príncipe dos demônios, e que era uma das maldições mais más e vis em existência. "Dá glória a Deus," disseram eles, "pois sabemos que este homem é pecador." O pai daquele que fora curado de sua cegueira disse: "Se é pecador, não sei; mas uma coisa sei, que, sendo eu antes cego, agora vejo." Ora, muitos de vós aqui sois grandemente ludibriados na estimativa dos filósofos, sábios e sacerdotes do mundo; mas se não compreendeis a filosofia de todo o assunto, uma coisa todos sabeis -- que outrora éreis cegos, mas agora vedes. Compreendestes isso há anos, e o compreendeis hoje, e nenhum homem pode vos privar deste conhecimento, ou vos despojar desta informação. Nenhum homem pode vos roubar esta luz: é o dom de Deus, emana de Jeová, e nenhum homem pode tirá-la, nem raciocinar nem legislar para tirá-la; é um princípio eterno, emanando de Deus, e isso é algo que os sábios e grandes do mundo nada sabem. Vós que estais aqui hoje, que obedecestes a este Evangelho, sois testemunhas da verdade de que falo; sou testemunha e dou testemunho disso. ¶
Diz-se-nos que Jesus disse, numa certa ocasião, a Seus discípulos: "É necessário que eu vá, pois se eu não for, o Consolador não virá. Se eu for, enviar-vos-ei um Consolador, que é o Espírito Santo." O que fará por vós? Conduzir-vos-á a toda a verdade, de modo que vereis olho a olho e compreendereis os propósitos de Deus; marchareis em fila; estareis sob um instrutor; tereis um Senhor, uma fé, um batismo; um Deus, que está em tudo e por meio de tudo, vos inspirará, guiará e ditará; não sereis divididos e fragmentados como os sectários -- cada homem seguindo seu próprio caminho, cada homem por si e o diabo por todos; não será colocar o intelecto humano acima da inteligência e inspiração do Todo-Poderoso. Em vez disso, todos se curvarão aos ditames de Jeová; a aspiração de todo coração será: "Ó Deus, Tu que reinas nos céus; ó Tu, Supremo Governante do universo, que criaste todas as coisas e controlas todas as coisas, comunica-me uma pequena porção de Tua sabedoria! Inspira-me com um pouco daquela inteligência que habita em Teu seio! Dá-me um pouco de Teu Santo Espírito, para que eu Te possa compreender, e a Tuas leis, e andar em obediência a Teus mandamentos!" Este será o sentimento daquele indivíduo. "Ó Deus, ensina-me as veredas da vida, e depois dá-me poder para andar nelas!" ¶
Disse Jesus a eles que teriam o Espírito Santo, o Consolador; que o Espírito traria coisas passadas à sua lembrança, que os habilitaria a compreender algo a respeito do mundo, e por que foi organizado e por quem; por que o homem foi colocado nele; qual é a posição da família humana em relação ao presente, ao passado e ao futuro; a descobrir quais foram os tratos de Deus com a família humana em eras passadas, e Seus desígnios em relação ao mundo. Então desvendaria as coisas vindouras, afastaria o véu do futuro, e pela inspiração e inteligência daquele Espírito que procede de Deus, apreenderia o futuro. Compreenderia o destino da família humana, e, pelas revelações que Deus comunicasse, daria a conhecer a vida vindoura nos mundos eternos. Este é o tipo de coisa que o Evangelho eterno comunica, e é a revelação de Deus ao homem. Mas o mundo, como disse antes, não conhece as coisas de Deus, e não pode compreendê-las. ¶
Perguntaram-me filósofos: "É este o único modo que propondes para melhorar a condição da família humana -- fé no Senhor Jesus Cristo, batismo para a remissão dos pecados, e a imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo?" Sim, este é o modo de Deus fazê-lo; este é o caminho que Ele apontou. Recordo-me, numa ocasião, de estar na cidade de Paris, e um cavalheiro veio até mim para indagar a respeito do Evangelho. Estava associado a um sistema de socialismo, muito comum na França, chamado Icarismo. Uma companhia deles foi a Nauvoo depois que partimos. Este cavalheiro era um filósofo, e a sociedade tentava realizar sua filosofia na França, e visavam trazer o Milênio. Jamais oravam a Deus, iam fazê-lo pela inteligência humana. Este cavalheiro, cujo nome era Krolikrosky, visitou-me, e depois de uma longa conversa sobre os princípios de nossa fé, disse ele, referindo-se à fé, ao arrependimento, ao batismo e à imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo, os primeiros princípios de nosso Evangelho: "É isto tudo o que propondes para melhorar a condição do mundo?" "Sim." Respondeu ele: "Espero que tenhais êxito, mas temo que não." "Permiti-me," disse eu, "chamar vossa atenção para uma ou duas coisas. Sou um religioso." "Sim." "Professo ter tido revelação de Deus; vós não." "Assim é," disse ele. "Enviastes a Nauvoo um número de vossos homens mais intelectuais, bem providos de meios de toda espécie e de talento da mais alta ordem. Ora, qual é o resultado? Foram a um lugar que abandonamos; encontraram casas construídas, jardins e fazendas cercados, nada a fazer senão tomar posse deles?" "Sim. Encontraram edifícios de todo tipo, públicos e privados, nos quais podiam viver e se congregar." "Sim. Já houve algum povo mais bem situado para pôr à prova vossa filosofia natural? Não poderíeis ter encontrado lugar melhor. É um país fértil, nas margens do mais magnífico rio dos Estados Unidos -- o Mississippi. Casas construídas, jardins feitos, campos cercados e cultivados. Tendes homens sábios entre vós -- os mais sábios, a nata de vossa sociedade -- contudo, com tudo isso e as circunstâncias favoráveis sob as quais vosso povo ali começou, que fizestes? Toda vez que pego um jornal vosso, o clamor de lá é: 'Enviai-nos meios;' 'precisamos de meios;' 'estamos em dificuldade;' 'precisamos de mais dinheiro.' Este é o eterno clamor deles, não é?" "Sim." "Ora," disse eu, "por outro lado, deixamos nossas fazendas, casas, jardins, campos, pomares, e tudo o que tínhamos, exceto o que levamos na forma de alimento, sementes, utensílios agrícolas, carroças, carroções, e vagamos de mil a mil e quinhentas milhas, com carrinhos de mão, juntas de bois, e de qualquer modo que pudéssemos, e nos estabelecemos, finalmente, entre os selvagens vermelhos da floresta. Não tínhamos campos aonde ir nem casas construídas; quando ali chegamos, era um deserto -- um ermo uivante, e os nativos que nos rodeavam eram tão selvagens quanto o próprio país. Ora, então, qual é o resultado? Estamos ali há apenas alguns anos, mas que estamos fazendo? Estamos enviando dinheiro para trazer nossa emigração; estamos enviando centenas de milhares de dólares, e gastamos meio milhão por ano em juntas para trazer nossos pobres das nações. Mas e vós, homens sábios que não conheceis a Deus, e pensais saber melhor que Ele, que estais fazendo -- vós, filósofos, homens inteligentes e filantropos, clamando eternamente: 'Enviai-nos ajuda?' Qual é o melhor?" Disse ele: "Sr. Taylor, nada tenho a dizer." ¶
Nada nos importam as opiniões dos homens; que nos considerem como quiserem. Podemos dizer, como disse o antigo Apóstolo: "Somos epístolas vivas, conhecidas e lidas por todos os homens." Julgai-nos por nossas obras. Realizam ladrões, renegados, patifes e homens corruptos a obra que aqui se realiza? Onde estão vossas associações gentias? Aqui temos uma magnífica cidade chamada Corinne, instituída por vós, cavalheiros gentios, aqui. Que lugar magnífico é ele! Parece que o Tofete foi vomitado para povoá-lo com honrados cidadãos americanos! Contudo estes homens nos falarão sobre moralidade, os pobres e miseráveis malditos! Ó vergonha, se tivesses sangue algum em teu corpo, corarias de pura vergonha ante as transações deste mundo em que vivemos. ¶
Mas cremos em Deus, e vós, Santos dos Últimos Dias, vossa religião é tão verdadeira quanto era há dez, vinte, trinta, ou mil oitocentos, ou seis mil anos. Não mudou, e não penso que mude. É eterna; é eterna em sua natureza e suas consequências, e, saibam ou não outros homens o que estão fazendo, nós sabemos. Se outros não cuidam da eternidade, nós cuidamos; se outros nada sabem a respeito de Deus, nós sabemos, e sabemos para onde vamos e como vamos. Deus nos apontou o caminho, e pretendemos andar nele, apesar de todos os poderes da terra e do inferno. ¶
Deus nos ensinou o relacionamento que deveria existir entre nós e os mundos eternos. Isto é algo muito criticado. Ele nos desvendou o futuro e nos disse que o homem não foi feito apenas para aqui, para depois morrer e apodrecer e ser esquecido, ou desaparecer para algum lugar além dos limites do tempo e do espaço onde ninguém jamais esteve nem jamais estará. Fomos ensinados algo diferente disso. Aspiramos à exaltação eterna, a tronos, principados e potestades nos mundos eternos. Feitos à imagem de Deus, homem e mulher, e tendo-nos sido desenvolvidas as leis desta vida e as leis da vida vindoura, tomamos o privilégio de andar de acordo com estas leis, apesar das ideias e noções dos homens. ¶
Quem há, entre os homens do mundo, que saiba algo a respeito do futuro? Sei como foi comigo, e como foi convosco, judeu, gentio, mórmon, todos. Como era isso? Se vos dirigíeis ao sacerdócio da época para vos casardes, o sacerdote vos dizia que vos unia nos santos laços do matrimônio até a morte. E depois? Tínheis de descobrir o resto por vossa própria engenhosidade. Não importava o futuro. Foi isso tudo para que o homem foi feito -- viver, casar e morrer -- nada pertinente ao futuro? É o homem feito à imagem de Deus? É Deus nosso Pai? Há um céu acima? Há uma eternidade diante de nós, e devemos nos preparar para ela ou não? Tomamos a liberdade de seguir o conselho de Jeová, revelado a nós a este respeito. ¶
Que homem tem reivindicação sobre sua esposa na eternidade? É verdade que alguns dos escritores da literatura de capa amarela têm uma filosofia um pouco avançada em relação aos sacerdotes de hoje. Alguns deles nos falam de uniões eternas. Esperam se casar aqui e no além. Nada sabem a respeito disso, ainda assim estão à frente do clero. Seguem os instintos da natureza, e a natureza não pervertida antecipa uma reunião. Não somos governados por opinião nestes assuntos. Deus revelou o princípio, e nossas esposas nos são seladas por tempo e eternidade. Quando terminarmos com esta vida, esperamos estar associados na próxima, e por isso seguimos o caminho que seguimos, e nenhum poder deste lado do inferno, nem tampouco de lá, pode detê-lo. ¶
Nosso caminho é para diante. O Senhor nos revelou a pérola de grande valor. Sacrificamos tudo o que o mundo chama de bom para comprá-la; estamos de posse dela e não a trocaremos por mundos. "Não tememos os homens, que podem matar o corpo," como disse Jesus; e depois disso não há mais nada que possam fazer. Tememos a Deus, que é capaz de lançar tanto a alma quanto o corpo no inferno. Sim, O tememos. ¶
Fazemos nossos convênios, então, para a eternidade, porque o Evangelho é um Evangelho eterno. Toda verdade que jamais existiu é eterna. O homem é um ser eterno; seu corpo é eterno. Pode morrer e adormecer, mas romperá as barreiras do túmulo e sairá na ressurreição dos justos. Sei que alguns de nossos sábios, mesmo alguns entre nós, professam pensar que estas coisas são apenas tolice. Contudo, eu as vejo de modo diferente. Creio na Bíblia; creio nas revelações de Deus e nas manifestações do Espírito de Deus. Preferiria possuir o sentimento que Jó tinha quando estava aflito, expulso, oprimido e espoliado, quando jazia raspando-se com um caco, revolvendo-se nas cinzas, do que a orgulhosa e altiva tolice que habita no coração do incrédulo e do escarnecedor. Disse Jó: "Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra; e depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus; a quem eu verei por mim mesmo, e meus olhos O contemplarão, e não outro." Estes eram seus sentimentos. Isto se passou nas "eras sombrias", quando os homens não sabiam tanto a respeito de eletricidade, locomotivas e algumas outras descobertas científicas, quanto sabem nesta era esclarecida. Leio também nos ditos dos profetas, dados sob a inspiração do Todo-Poderoso, que "os mortos, pequenos e grandes, se levantarão, e que osso se juntará a seu osso, tendão a tendão, e se tornarão um exército vivo diante de Deus." Conheci um homem, que muitos de vós conheceram, que construiu um túmulo para si mesmo na cidade de Nauvoo. Seu nome era Joseph Smith, e muitos de vós o ouviram dizer o que agora relatarei. Disse ele: "Espero, quando chegar o tempo da ressurreição, levantar-me em meu túmulo ali, e apertar as mãos com meus irmãos, com meu pai e com minha mãe, e saudar o dia em que romperemos as barreiras do túmulo e despertaremos para a vida imortal." Jamais o ouvistes falar assim? Eu já. Rejeitaremos, de nossa crença, os gloriosos princípios da eternidade -- a ressurreição dos justos? Diz João, quando envolvido em visão profética, e revestido do Espírito e poder de Deus e das revelações de Jeová: "Vi os mortos, pequenos e grandes, de pé diante de Deus; e o mar deu os mortos que nele havia; e a morte e o inferno entregaram os mortos que neles havia, e todas as nações estavam diante de Deus." ¶
Quero ter parte na ressurreição. Disse o anjo: "Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição." Quero ter parte na primeira ressurreição. É isso que me leva a esperar. É esta esperança que me sustenta sob as dificuldades e me apoia ao passar pela tribulação, pois sei, tão bem quanto Jó sabia, que meu "Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre a terra," e sei que estarei sobre ela com Ele. Portanto dou este testemunho. ¶
Permiti-me citar um pouco da Escritura. Sabeis que há um dito, de um dos Apóstolos, de que Jesus era sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque; e falando mais a respeito deste Melquisedeque, o Apóstolo diz que era "sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida." Um tipo de homem muito singular, não é? Já vistes um homem assim? Diz-se-nos que Jesus era sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque. Ora, jamais houve um homem sem pai ou mãe, mas isto se refere ao seu Sacerdócio, que não tinha princípio de dias nem fim de vida, e Jesus tinha o mesmo tipo de Sacerdócio que Melquisedeque tinha. ¶
Ora, falamos do Evangelho eterno, e retornaremos a algumas destas eras sombrias mencionadas. O Sacerdócio de Melquisedeque detém os mistérios das revelações de Deus. Onde quer que aquele Sacerdócio exista, ali também existe um conhecimento das leis de Deus; e onde quer que o Evangelho tenha existido, sempre houve revelação; e onde não tenha havido revelação, jamais houve o verdadeiro Evangelho. Retornemos àqueles tempos. Vemos que o Evangelho foi pregado a Abraão, e que Melquisedeque foi o homem a quem Abraão pagou dízimos, e que Melquisedeque o abençoou. Diz-nos Paulo: "Na verdade, o menor é abençoado pelo maior." Ora, Abraão tinha o Evangelho, e Melquisedeque o tinha, e a lei foi acrescentada por causa da transgressão; e, aos poucos, quando Jesus veio, Ele era sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque, e restaurou o Evangelho, e por consequência as revelações, a abertura dos céus e a manifestação do poder de Deus; e sempre que o Evangelho existiu, em qualquer era do mundo, estas mesmas manifestações existiram com ele; e sempre que estas não estiveram sobre a terra, não houve Evangelho. O Evangelho é o poder de Deus para salvação a todo aquele que crê, pois nele se revela a justiça de Deus de fé em fé." ¶
Além de Melquisedeque, a Bíblia também menciona um homem chamado Moisés, e ele tinha o Evangelho, pois Paulo nos diz "que o pregou aos filhos de Israel no deserto, mas que de nada lhes aproveitou, por não estar misturado com a fé." Havia outro homem chamado Elias, de quem lemos na Bíblia. Era um daqueles fanáticos que creem em revelação, e tinha o Evangelho. Chegamos ao tempo em que Jesus esteve aqui na terra; e numa ocasião lemos que Ele estava no monte com três de Seus discípulos, Pedro, Tiago e João, e Jesus foi transfigurado diante deles. E Pedro disse: "Senhor, bom é estarmos aqui, façamos três tabernáculos, um para Ti, um para Moisés e um para Elias." O quê? Estava ali Moisés, aquele velho companheiro que conduziu os filhos de Israel para fora do Egito? Isto mostra que ele tinha o Evangelho e o Sacerdócio eternos; e, tendo se livrado dos assuntos deste mundo, retornou para ministrar a Jesus quando Este estava na terra. Estava ali Elias também? Assim disse Pedro. Que fazia ele ali? Morrera muito antes, mas, tendo detido o Sacerdócio eterno, viveu novamente, e vive para sempre. Iremos a outro homem. Há coisas curiosas na Bíblia, se o povo apenas as cresse; mas não creem, e esse é o problema. Refiro-me a João, o discípulo amado. Diz-se-nos que foi banido porque era um fanático -- ia dizer um mórmon -- pois João não concordava com o esclarecimento, a filosofia e a inteligência que existiam então. Que fizeram com ele? Baniram-no e o enviaram para a Ilha de Patmos; e o obrigaram a trabalhar entre os escravos nas minas de chumbo; não era próprio para a sociedade civilizada, mas não podiam privá-lo de comunhão. Ali, com o Todo-Poderoso, foi arrebatado no Espírito, e aquele Espírito lhe manifestou coisas passadas, de gerações idas; coisas presentes -- a condição das igrejas que então existiam; e também coisas vindouras -- o mundo com todas as suas miríades de habitantes até a cena final. Viu os mortos, pequenos e grandes, de pé diante de Deus, e os livros foram abertos; e outro livro foi aberto, chamado o Livro da Vida; e viu cento e quarenta e quatro mil, e um número que ninguém pode numerar, que cantavam um cântico novo, e as glórias da eternidade, e o passado, o presente e o futuro foram desvendados diante de sua visão. Viu a nova Jerusalém descer do alto, e a Sião de cima encontrar a Sião de baixo, e se casaram e se tornaram uma. Viu o fim das nações, e do mundo. "Torres coroadas de nuvens e palácios suntuosos se dissolveram," e tudo passou. Contemplou tudo isso; e um poderoso anjo se pôs diante dele, e ele estava prestes a curvar-se diante dele e adorá-lo; mas o anjo disse: "Para! Não me adores!" "Por quê? Quem és tu? És uma personagem gloriosa; estás cheio de grandeza, e cercado de majestade, glória e poder, e as visões da eternidade parecem estar ao teu comando, pois as desvendaste a mim. Não me deixarás adorar-te?" "Não." "Quem és tu?" "Sou um de teus conservos, os profetas, que guardaram o testemunho de Jesus, e a palavra de Deus, enquanto aqui na terra, e temeram a Deus e guardaram Seus mandamentos. Não me adores, adora a Deus." Disse ele: "Sou um daqueles velhos companheiros que foram esbofeteados, perseguidos e caluniados exatamente como o sois, desprezados como o sois, por tolos que nada sabiam a respeito de Deus ou da eternidade." ¶
Bem, ora, cremos nestas coisas. Cremos numa religião que alcançará a eternidade, que nos trará à conexão com Deus. Cremos que Deus estabeleceu Seu reino na terra; cremos e sabemos que rolará avante, se espalhará e se estenderá, que Sião será edificada, que a glória de Deus repousará sobre ela; que o braço de Jeová se desnudará em sua defesa; que o poder de Deus será exercido em favor de Seu povo; que Sião se levantará e brilhará, e que a glória de Deus será manifestada entre Seus Santos. Sabemos que este reino crescerá e aumentará até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de Seu Cristo, e que Ele reine e governe para todo o sempre. E esperamos unir-nos ao hino universal: "Hosana, hosana, pois o Senhor Deus Todo-Poderoso reina," e reinará até que todos os inimigos estejam debaixo de Seus pés. ¶
Deus abençoe Israel. Deus abençoe todos os Seus Santos, e que a ira de Deus esteja sobre os inimigos de Sião, de agora em diante e para sempre, em nome de Jesus. Amém. ¶