A Organizacao da Igreja As Diferentes Glorias A Obra de Deus
George A. Smith
É um grande prazer reunir-me novamente com os irmãos em Conferência, e é certamente muito gratificante ver o povo tão confortavelmente sentado, com a perspectiva de desfrutar dos benefícios e bênçãos da Conferência; ainda que os elementos não sejam favoráveis, temos abrigo e sombra. Tem sido o destino dos Santos dos Últimos Dias jamais permanecer em nenhum lugar tempo suficiente para construir uma casa grande o bastante para conter o povo; mas, com a bênção do Senhor e os esforços unidos dos irmãos, temos espaço suficiente para conter uma audiência muito grande, embora sem dúvida ainda ocorrerão ocasiões em que clamaremos "Mais espaço", e provavelmente antes que nossa Conferência se encerre. Penso, contudo, que não precisamos pedir a nenhum de nossos irmãos que residem nesta cidade, como já tivemos de fazer, que fiquem em casa para dar lugar aos que vêm de longe; todos podem vir e ser acomodados. As propriedades acústicas do Tabernáculo evidentemente melhoraram com a construção da galeria, e se todos os que assistem à Conferência deixarem sua tosse em casa, ficarem quietos aqui e evitarem arrastar os pés, poderão ter oportunidade de ouvir praticamente tudo o que for dito. Certamente exigirá, mesmo quando todas essas condições forem cumpridas, considerável esforço para preencher uma casa tão grande com uma única voz, e esse esforço deve ser correspondido por um esforço equivalente da parte da audiência para preservar perfeita quietude. ¶
Fez quarenta anos, no dia 6 do mês passado, desde que se deu a organização da Igreja, no aposento do Pai Whitmer, em Fayette, condado de Seneca, Nova Iorque, com seis membros. A história desses quarenta anos exigiria volumes para ser registrada. A instituição, tal como então começou, estava em sua infância; contudo o Senhor revelou a seu servo que havia lançado o fundamento de uma grande obra; a verdade deste dito tem sido confirmada pelo progresso dos acontecimentos. As mudanças que se deram em relação a este povo têm sido muito notáveis. A obra começou pregando a fé no Senhor Jesus, o arrependimento e a ordenança do batismo para a remissão dos pecados, e a imposição das mãos para o dom do Espírito Santo, o que foi uma inovação em relação aos credos e práticas de todas as demais seitas religiosas; não tenho conhecimento de que qualquer denominação cresse e praticasse todos os princípios que foram introduzidos na organização desta Igreja. Os três primeiros desses princípios eram a fé no Senhor Jesus, o arrependimento, e o batismo por imersão para a remissão dos pecados. O princípio seguinte era a imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo, exatamente como foi indicado pelo Salvador e praticado por seus discípulos na Judeia. ¶
Havia denominações que criam no batismo por imersão, mas não para a remissão dos pecados; criam que a remissão dos pecados era necessária antes do batismo; mas ignoravam a possibilidade do recebimento do Espírito Santo, e, consequentemente, da doutrina da imposição das mãos. A Igreja da Inglaterra, é verdade, confirmava pela imposição da mão dos bispos, mas não para confirmar o dom do Espírito Santo sobre a cabeça dos crentes; e, embora todos os que professavam crer na doutrina de Cristo tivessem algumas porções ou fragmentos de seu Evangelho tal como revelado e estabelecido por ele e seus Apóstolos, foi a Igreja dos Santos dos Últimos Dias que introduziu e estabeleceu, completos, os princípios da fé no Senhor Jesus Cristo, do arrependimento para com Deus, do batismo para a remissão dos pecados, e da imposição das mãos para o dom do Espírito Santo. Estes princípios eram todos importantes, e no momento em que a Bíblia foi trazida à luz, todos puderam constatar que ela coincidia exatamente com os princípios estabelecidos pelo Salvador, e era preciso espiritualizá-la e alterá-la para fazê-la parecer diferente. Mas o mundo cristão havia se desviado destas coisas, e quando elas foram restauradas, ele as rejeitou. Havia, contudo, pessoas honestas em todas as denominações, e Deus atenta para todo homem que é honesto de coração e propósito, ainda que possa estar enganado, e em erro quanto a princípio e doutrina; contudo, na medida em que esse erro é resultado de terem sido enganados pela astúcia e artifício dos homens, ou de circunstâncias sobre as quais não têm controle, o Senhor, em Sua abundante misericórdia, olha com tolerância para isso, e em Sua grande economia providenciou glórias diferentes e ordenou que todas as pessoas fossem julgadas segundo o conhecimento que possuem e o uso que fazem desse conhecimento, e segundo as obras feitas no corpo, sejam boas ou más. ¶
"E também vimos o mundo terrestre e eis que estes são os que pertencem ao terrestre, cuja glória difere da glória da igreja do Primogênito, que recebeu a plenitude do Pai, assim como a glória da lua difere da do sol no firmamento. Eis que estes são os que morreram sem lei; E também aqueles que são os espíritos de homens mantidos na prisão, a quem o Filho visitou e pregou o evangelho para que fossem julgados segundo os homens na carne; Os que não receberam o testemunho de Jesus na carne, mas receberam-no depois. Estes são os homens honrados da Terra, que foram cegados pela astúcia dos homens. Estes são os que recebem de sua glória, mas não de sua plenitude. Estes são os que recebem a presença do Filho, mas não da plenitude do Pai. Portanto, são corpos terrestres e não corpos celestiais; e diferem em glória, como a lua difere do sol. Estes são os que não são valentes no testemunho de Jesus; portanto, não obtêm a coroa no reino de nosso Deus." (D&C 76:71-79.) ¶
Ao abrirmos esta Conferência, seria bom que cada um de nós se perguntasse: Recebemos os primeiros princípios do Evangelho de Cristo, e temos permanecido naqueles princípios que nos foram primeiramente ensinados; ou é necessário lançarmos novamente o fundamento do arrependimento das obras mortas? É muito singular que, quando os princípios do Evangelho, tal como os expus, foram apresentados às diferentes seitas, elas se dispuseram a rejeitá-los e a perseguir aqueles que os pregavam em sua plenitude. Contudo, tal foi o fato, e é por causa disso que os Santos dos Últimos Dias estão agora na Grande Bacia das Montanhas Rochosas, no coração do continente americano, no gozo de liberdade política e religiosa, pela qual sacrificaram talvez mais do que qualquer outro povo na face da terra. E temos a maior razão de todos os povos para agradecer a Deus por estas bênçãos. ¶
Perguntemo-nos então: Estamos preparados para as grandes bênçãos que Deus nos concedeu? Estamos vivendo à altura de nossos chamados e magnificando-os? Observamos os deveres que nos são impostos por nossa santa religião? Ou somos tolos o bastante, ao mesmo tempo em que reconhecemos sua verdade e professamos ser Santos dos Últimos Dias, para tratá-la com descuido e negligência, e falhamos em viver à altura de nosso elevado e sagrado chamado? ¶
Desde os primeiros dias da pregação do Evangelho por Joseph Smith, homens foram provados, tentados e desviados por espíritos falsos e doutrinas de demônios. Constatamos, no início da missão de Joseph, que muitos dos que entraram no convênio se afastaram, e alguns se tornaram inimigos muito amargos. Foi necessário, desde o princípio, que houvesse uma peneiração, pois o Senhor declarou a seu povo que os peneiraria como com uma peneira. Esta peneiração teve de continuar, e, portanto, cada vez que os Santos dos Últimos Dias foram expulsos, dispersos, ou de outro modo perseguidos, isso fazia com que aqueles que não podiam permanecer na fé se afastassem quietamente, ou tornassem manifesta sua maldade à igreja e ao mundo. Mas, enquanto isso acontecia, a força de Sião ia aumentando. Diz-se, e presumo corretamente, que Oliver Cowdery certa vez observou a Joseph Smith: "Se eu apostatasse e deixasse a Igreja, a Igreja se desfaria." A resposta do Profeta foi: "O que és tu, e quem és tu? Esta é a obra de Deus, e se te voltares contra ela e te retirares dela, ela ainda continuará a rolar avante, e tu não farás falta." Não demorou muito para que Oliver se afastasse, mas a obra continuou. Deus ergueu homens da obscuridade para se apresentarem e assumirem os fardos, e mal se sabia quando e para onde ele foi. Cerca de dez anos depois, ele voltou, apresentou-se diante de uma Conferência local em Mosquito Creek, condado de Pottawatomie, Iowa, em outubro de 1848, e reconheceu suas faltas. Deu testemunho da missão do Profeta Joseph Smith, e da veracidade do Livro de Mórmon; exortou os Santos a seguirem a autoridade do Santo Sacerdócio, que ele lhes assegurou estar com os Doze Apóstolos. Disse ele: "Quando os Santos seguem o canal principal da corrente, encontram-se em águas profundas e sempre certas, prosseguindo sua jornada com segurança; mas quando se desviam para pântanos e braços mortos, ficam abandonados a debater-se na lama e se perdem, pois o Anjo de Deus disse a Joseph, em minha presença, que este Sacerdócio permaneceria sobre a terra até o fim." ¶
Oliver declarou ter tido prazer em dar este testemunho à maior congregação de Santos que jamais vira reunida. Foi rebatizado e fez planos para vir às montanhas, mas morreu logo depois, durante uma visita aos Whitmer, no Missouri. ¶
Esta circunstância mostra quão pouco Deus depende do homem para levar avante Sua obra. Ele a realiza por Seu próprio poder, Sua própria majestade, por Sua própria mão poderosa e para a realização de Seus próprios e gloriosos propósitos. ¶
Pensava-se e sentia-se em todo o mundo, por volta do ano de 1844, que, se Joseph Smith, o Profeta, pudesse ser destruído, isso seria o fim dos Santos dos Últimos Dias. Homens conspiraram entre si para derramar seu sangue; buscaram ocasião contra ele; fizeram-no transgressor por uma palavra; juraram falsamente contra ele, e alguns que haviam sido seus amigos se tornaram traidores e conspiraram com os ímpios e derramaram seu sangue. Era geralmente crido pelos inimigos dos Santos que aquele era o fim da obra do Senhor. O púlpito ressoava com agradecimentos a Deus porque o grande arqui-impostor, Joseph Smith, fora morto. Os sacerdotes se regozijaram com isso; e embora houvesse um sentimento, bastante generalizado, de que era bárbaro matá-lo, sob a fé empenhada de Illinois, contudo o sentimento geral era de que era bom que estivesse morto. Mas Deus tinha uma obra a realizar, e ela não dependia da vida de um ou dois indivíduos. Era Sua obra, Seu reino, Sua Igreja, Seu plano de salvação, e Ele, por Sua própria sabedoria e Sua própria mão poderosa, a levou avante. ¶
Estes eram os fatos, e continuam a ser os fatos; e tudo o que os Santos dos Últimos Dias têm a fazer é viver dentro dos limites da santa lei de Deus e à altura de seus privilégios. Estamos fazendo isso? Estamos andando de acordo com estes princípios? Façamos a nós mesmos estas perguntas, e se algum de nós for negligente, comecemos imediatamente a nos reformar, a nos humilhar diante de Deus, e a estarmos prontos a nos sacrificarmos, e a tudo o que temos, se necessário, para a edificação e redenção de Sião e para nossa salvação. ¶
Reunimo-nos em Conferência para compararmos nossas experiências uns com os outros, para nos regozijarmos juntos e recebermos instrução; e que todo homem e mulher que veio, ou que ainda possa vir, eleve seu coração a Deus em solene oração, para que Sua bênção repouse sobre Seus servos, para que sejam inspirados com uma porção dobrada de Seu santo Espírito, para que o Sacerdócio, em toda a sua vida, poder e glória, possa proferir as palavras de verdade, luz e inteligência que hão de derramar conforto nos corações dos Santos, e guiá-los e fortalecê-los, e iluminar seu caminho, para que todos nós, um e cada um, possamos continuar na grande e gloriosa obra que iniciamos. ¶
Que o Senhor Deus dos Exércitos vos abençoe, e que a paz esteja e permaneça em vossos corações, para que possais apreciar estas coisas, e exercer fé, união, conhecimento, poder e sabedoria em vosso andar e conduta daqui em diante, e que estas reuniões sejam uma bênção para todos os que a elas comparecerem, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶