Pulpit

A Obra dos Ultimos Dias Obedecendo aos Mandamentos

Orson Pratt

Thursday Afternoon Session·1870-05-05

É com grande prazer e satisfação que me levanto diante de tão grande assembleia de pessoas nesta tarde, na condição de uma Conferência Geral. É verdadeiramente maravilhoso para mim que Deus tenha começado uma obra tão grande e importante no dia em que tenho o privilégio de viver. Não leio na história de nenhuma outra obra de caráter semelhante desde a criação do mundo. Vemos diante de nós, nestas regiões interiores e selvagens da América do Norte, um grande povo chamado os Santos dos Últimos Dias -- um povo cuja fé e doutrina são uma só, que crê no mesmo Deus, e no mesmo grande plano de salvação; que crê que Deus estabeleceu Seu reino na terra pela última vez. Tem sido uma manifestação de fé, da parte deste povo, reunir-se aqui; mostraram uns aos outros e a toda a humanidade que têm fé nas doutrinas que receberam. Que outro propósito poderia ter reunido tão grande povo? Se tivéssemos nos reunido numa terra saudável e rica, onde houvesse expectativa de melhorar nossa condição, temporariamente; onde houvesse perspectivas de nos tornarmos extremamente ricos nos bens deste mundo, poder-se-ia supor que tínhamos algum motivo egoísta em vista ao nos reunirmos assim. Mas não havia tais perspectivas diante de nós. Viemos até aqui, cerca de mil e duzentas milhas, das povoações orientais, para esta região isolada, quase nus e descalços, tendo sido espoliados por nossos inimigos -- tendo sofrido a perda de propriedade na extensão de milhões -- tendo sido reduzidos ao último grau de pobreza. Viemos até aqui -- não para o meio de uma terra de cidades e vilas, não para o meio de um país onde tudo estivesse preparado para nós de antemão; mas viemos ao coração de um deserto, que agora, em alguma medida, foi resgatado de sua aridez e esterilidade. Viemos porque tínhamos fé em nossa religião, porque não apenas cremos, mas a maioria de nós sabia com certeza, que Deus havia falado do alto e nos havia ordenado que nos reuníssemos. Nisto manifestamos uma sinceridade que deveria ser convincente para todo o mundo de que abraçamos uma religião em toda a profundidade da sinceridade de nossos corações. Não nos importávamos com as riquezas e honras do mundo; não nos importávamos com os prazeres de nossos países natais, nem com os luxos de que abundavam aqueles países; mas viemos porque cremos verdadeiramente em nossos corações que era nosso dever fazê-lo, em obediência à voz do Senhor por meio de Seus servos. É verdade que alguns deste povo vieram a esta terra porque foram forçados a vir pela perseguição; mas, quer obrigados a vir ou não, muitos de nós compreendemos claramente, pelo espírito de profecia e revelação, tal como manifestado por meio de nosso profeta e líder antes de seu martírio, que nos seria exigido nos estabelecermos no coração deste continente. Viemos então para cumprir os mandamentos do Senhor nosso Deus, e para sermos livres, em certa medida, das perseguições de nossos inimigos, para que ninguém pudesse nos amotinar ou molestar, como haviam feito desde o início da Igreja até nossa fuga para estas montanhas. Viemos porque amávamos a Deus, porque amávamos Suas leis -- amávamos o plano de salvação, amávamos os princípios que Ele revelara, e porque sabíamos que, com o passar do tempo, em cumprimento da profecia antiga a respeito da Sião dos últimos dias e da Igreja do Deus Altíssimo, nos tornaríamos um povo grande e poderoso.

Somos ensinados no registro judeu, a Bíblia, que o menor virá a ser mil, e o mínimo, um povo grandíssimo. Cremos nestas profecias, sabemos que este é o reino de Deus. Compreendemos bem, pelo espírito de revelação, que Deus tencionava cumprir tudo o que foi falado pela boca de Seus antigos profetas, assim como o que foi entregue em nossos dias a respeito da futura glória e prosperidade de Sião, ou a Igreja do Deus vivo. Compreendemos que Sião deveria estar localizada nas montanhas; compreendemos, como tenho repetido muitas vezes, do capítulo 40 de Isaías, que viria o tempo em que o Senhor ordenaria a Seu povo, dizendo a Sião: "Sobe a um monte alto." Estas coisas não haviam sido cumpridas em eras anteriores, portanto sabíamos que ainda estavam no futuro. Sabíamos que a Sião dos últimos dias deveria estar localizada nas montanhas. Podíamos ler as profecias antigas daquele grande profeta -- Isaías, no capítulo 18, de que uma grande obra deveria ser realizada nas montanhas, uma obra que atrairia a atenção de todas as nações da terra, tanto que o profeta, ao contemplar a obra que lhe foi mostrada pelo espírito de profecia, chama todos os habitantes do mundo e os moradores da terra a verem quando o Senhor levantasse um estandarte sobre as montanhas. Sabíamos que aquele estandarte deveria ser erguido, que aquela grande obra deveria ser realizada, e que todo o povo -- não apenas os do continente americano, mas todos os que habitam nos quatro cantos do globo, por mais obscuros e distantes que estivessem do lugar onde o estandarte seria erguido -- seriam requeridos, pelo poder do Senhor, e pela obra maravilhosa que Ele realizaria, a abrir os olhos e contemplar aquele estandarte, compreender sua natureza e apreender, em certa medida, seu propósito.

Viemos até aqui para cumprir estas antigas profecias. Deus ergueu esta Igreja -- este reino, como um padrão -- como um estandarte ao qual as nações são convidadas, e os embaixadores do Altíssimo são enviados destas montanhas, levando em sua boca as boas novas da salvação -- levando adiante os grandes e gloriosos princípios que Deus revelou ao estabelecer Seu reino dos últimos dias na terra. Belos, na verdade, são os pés daqueles que são enviados das montanhas de Sião a publicar boas novas de grande alegria entre as várias nações e reinos da terra; Deus está com eles, de fato. Seu poder está sobre eles, e Seu braço os cerca em derredor. Sua voz se levanta para as nações; suas mãos apontam para o Oeste, para o coração do continente americano -- para os montes eternos, dizendo à humanidade: "Ali, naquelas montanhas, há um reino que jamais será destruído, um reino que deve existir para sempre; enquanto todos os reinos e governos terrenos hão de esmigalhar-se em pó e serão levados, como a palha da eira do verão, pelos quatro ventos do céu."

Disse Jesus, numa certa ocasião, a Seus discípulos e às multidões: "Se me amais, guardai os meus mandamentos." Há dezenas de milhares, sim, centenas de milhares, de pessoas agora em nosso globo que professam amar Jesus Cristo. Guardam elas Seus mandamentos? Algumas delas, sem dúvida, se esforçam por fazê-lo. Mas há muitas coisas a serem levadas em consideração em conexão com o guardar dos mandamentos de Jesus. Em primeiro lugar, é muito essencial e necessário que saibamos quais são Seus mandamentos antes de podermos guardá-los. Em segundo lugar, é muito importante e essencial que atentemos a todos aqueles mandamentos, quer pareçam grandes, quer pequenos, à nossa estimativa.

Ama este povo, chamado os Santos dos Últimos Dias, verdadeiramente o Senhor seu Deus, ou é isto mera profissão? Quando Deus levantou Seu servo Joseph Smith e o inspirou do alto para dar mandamentos e revelações e organizar Sua Igreja, há quarenta anos, éramos poucos em número. Bem me lembro de quando, sendo apenas um rapaz de dezenove anos, visitei o lugar onde esta Igreja foi organizada, e visitei o Profeta Joseph, que residia então em Fayette, condado de Seneca, Nova Iorque, na casa onde a Igreja foi organizada. Conheci mais plenamente aquele homem e as revelações e mandamentos que Deus lhe havia dado; também o pequeno povo que havia sido organizado em caráter de Igreja. Vi o espírito do povo, isto é, vi que havia um desejo de fazer o bem, de amar o Senhor, e de ser obediente aos mandamentos que o Profeta Joseph lhes havia entregado.

No dia 2 de janeiro de 1831, realizou-se uma Conferência na mesma casa onde esta Igreja foi organizada, e os vários Ramos no Estado de Nova Iorque ali se reuniram. A pedido da Conferência, o Profeta Joseph indagou do Senhor para saber qual era Sua vontade a respeito dos poucos Santos dos Últimos Dias que então existiam. O Senhor lhe deu ouvidos, e naquela ocasião deu uma revelação contida no Livro de Doutrina e Convênios, na qual certos mandamentos foram dados, sendo um deles que todos os élderes, sacerdotes, instrutores e diáconos dos vários Ramos da Igreja, em vez de saírem a pregar, deveriam empenhar-se com todas as forças e trabalhar para reunir o povo do Estado de Nova Iorque para o Estado de Ohio; isto é, deveriam ajudar aqueles nos vários Ramos que tinham propriedade a disporem dela, e a regularem todos os seus assuntos, e a organizarem seus negócios de tal modo que pudessem guardar este mandamento de se reunirem.

Ora, suponde que o povo tivesse se recusado a cumprir este mandamento; suponde que os élderes, sacerdotes, instrutores e diáconos tivessem considerado o trabalho físico que o cumprimento deste mandamento lhes impunha como abaixo de sua atenção, e tivessem se recusado a se preparar para fugir do Estado de Nova Iorque e reunir-se a umas seiscentas milhas de distância, no Estado de Ohio, qual teria sido o resultado? Teria o amor de Deus habitado em seus corações? Não. Teriam manifestado perante os céus que amavam a Deus de todo o coração? Não. Teriam manifestado ao Profeta, ao Sacerdócio e uns aos outros que eram realmente sinceros em sua religião? Não. Não havia modo possível de estes Santos dos Últimos Dias mostrarem seu amor a Deus, senão obedecendo a Seu mandamento que foi dado e escrito para sua instrução naquela ocasião. Se houve alguns que se recusaram a fazer isso, ouso dizer que não são membros da Igreja hoje. Se houve alguns que tinham tantos meios ou propriedades que não se sentiram dispostos a deixar seus agradáveis lares e fazer, em certa medida, um sacrifício de sua riqueza, a fim de cumprir o mandamento de Jeová, ouso dizer que não estão na Igreja hoje. Por quê? Porque Deus retiraria deles Seu Santo Espírito. Poderiam fazer grande profissão, e dizer quanto amavam o Senhor e Seus caminhos; quanto amavam a Jesus, que foi crucificado pelos pecados do mundo; contudo tudo isso seria tolo e vão se se recusassem a guardar Seus mandamentos, pois "Se me amais, guardai os meus mandamentos", diz o Salvador. Novamente, está escrito: "Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados." Seus mandamentos, para a maioria do povo dos Santos dos Últimos Dias, não eram pesados no inverno e na primavera de 1831. Regozijavam-se em ter o privilégio de obedecer aos mandamentos do Senhor, por meio de Seu servo, o Profeta. Por isso reuniram todos os vários Ramos da Igreja, com poucas exceções, em Kirtland, no Estado de Ohio.

Este é o modo correto de guardar os mandamentos do Senhor; mas é necessário, em primeiro lugar, descobrir quais são Seus mandamentos. Poderíeis ter tomado este grande livro, o registro judeu, ou Bíblia, e o pesquisado do início de Gênesis ao fim de Apocalipse para descobrir vossos deveres como Santos, e jamais teríeis encontrado nele o que o Senhor exigia de Seus Santos naquele tempo -- a saber, mudar-se do Estado de Nova Iorque para o Estado de Ohio. Nenhuma Escritura assim foi dada. Aquele era o dever exigido de indivíduos no século dezenove. Nenhum outro povo jamais foi requerido a fazer isso; não se pode encontrar dentro das capas da Bíblia. Aquele mandamento foi especialmente adaptado às circunstâncias dos poucos Santos dos Últimos Dias então existentes, e eram eles os requeridos a guardá-lo. Os antigos não foram requeridos a fazer isso, nem nós tampouco; foi um mandamento relacionado ao tempo então presente, e foi cumprido. Com aquele mandamento nada mais temos a ver, desde que nós, ou tantos de nós quantos estavam incluídos entre aqueles a quem foi dado, o tenhamos guardado. Se não o guardamos, temos algo mais a ver com ele -- teremos de enfrentá-lo no grande dia do juízo.

Quando chegamos a Kirtland, o Senhor nos deu mais mandamentos, e revelou muitas coisas por meio de Seu servo Joseph. Entre outras, deu um pelo qual os Santos dos Últimos Dias em Kirtland, Ohio, deveriam empenhar-se com todas as suas forças e construir uma casa a Seu nome, na qual prometeu conceder grandes e escolhidas bênçãos a Seu povo. Revelou o padrão segundo o qual aquela casa deveria ser construída, apontando os vários pátios e aposentos, dizendo o tamanho da casa, a ordem dos púlpitos, e, de fato, tudo o que lhe dizia respeito foi claramente apontado por revelação. Deus deu uma visão destas coisas, não somente a Joseph, mas a vários outros, e foram estritamente ordenados a construir segundo o padrão revelado dos céus.

Ora, então, nenhum outro povo jamais foi ordenado a realizar aquela obra em Kirtland, Ohio, senão o povo que ali vivia então, chamado os Santos dos Últimos Dias. Não foi uma obra requerida de Noé, Abraão, Moisés, Salomão, nem de qualquer outro homem que já existiu na terra, nem de nenhum povo, senão daqueles a quem foi dada, então vivendo no Estado de Ohio. Suponde que tivessem dito: "Não construiremos a casa; podemos nos reunir numa casa de reunião comum, segundo a ordem dos gentios, e tomaremos suas formas de construção, não importa, não pensamos ser necessário incorrer nesta despesa toda, e podemos alugar uma casa." Teria isso sido suficiente? Não, o único modo de testemunharmos uns aos outros e perante o Senhor dos Exércitos que O amávamos de todo o coração era empenharmo-nos e construirmos uma casa exatamente segundo o padrão.

Bem, quando a construímos, aceitou-a o Senhor, conforme prometido? Aceitou, e revelou coisas grandes e importantes naquela casa por meio de Seu servo, Joseph, o Profeta; e não somente Joseph teve o privilégio de ver e compreender a mente e a vontade do Senhor, mas, depois que a casa foi construída, muitos outros tiveram concedido a eles este grande privilégio. Por exemplo, o Senhor havia prometido revelar-Se a muitos de Seu povo e de Seu Sacerdócio naquela casa. Assim o fez. Entre outras grandes revelações e visões ali dadas, esteve a revelação, que encontrareis registrada em nossa história eclesiástica, de Elias, o profeta, aquele que foi transladado ao céu numa carruagem de fogo. Aquela mesma personagem veio e se pôs de pé naquele templo, e manifestou certas chaves, deu estas chaves ao servo do Senhor, o Profeta Joseph, e lhe disse que aquilo era o cumprimento do que foi falado pelo profeta Malaquias. Que disse Malaquias? Ele nos falou do grande dia do Senhor que há de vir, quando queimará como uma fornalha, e quando todos os soberbos e os que praticam a impiedade se tornarão como restolho e serão queimados, sem lhes deixar raiz nem ramo. Ele nos disse que, antes daquele grande e terrível dia, o Senhor enviaria o profeta Elias. Ou, para citar as palavras da Escritura: "Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor." Que grande objetivo tinha o Senhor em vista ao enviar Seu antigo profeta como anjo ministrante a Seu povo na terra? Está expresso numa frase -- "E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição." Em outras palavras, não haveria carne preparada para escapar do dia designado -- nenhuma carne senão a que se tornaria como restolho, nenhuma carne seria capaz de suportar a presença do Senhor até que Elias viesse. Ele veio, de fato, naquele Templo de Kirtland; apareceu em sua majestade gloriosa, e ali revelou as chaves aos servos do Senhor que restaurariam esta união entre os pais e os filhos -- algo que não compreendíamos absolutamente nada, até que o anjo Elias no-lo revelou. Esta era uma grande obra a ser realizada nos últimos dias, para que os pais, desde os dias do antigo Sacerdócio, ou aqueles que estavam no mundo espiritual -- milhões e milhões deles -- pudessem ser redimidos por meio da ordenança do batismo pelos mortos, voltando as mentes, pensamentos e afeições dos filhos, vivendo na terra, a buscarem seus antigos pais e a serem batizados por eles, conforme o que está contido no Novo Testamento a respeito do batismo pelos mortos. Além disso, converteu o coração daqueles antigos pais a seus filhos, pois eles olhavam para nós, seus filhos, para realizarmos uma obra necessária em seu favor, pois a casa de Deus é uma casa de ordem; o reino de Deus é um reino de ordem; e Suas ordenanças foram instituídas desde antes da fundação do mundo, e são adaptadas à condição dos vivos e dos mortos; e Deus revelou estas coisas para que nossos pais, em todas as gerações passadas, pudessem regozijar-se com seus filhos nos últimos dias, sendo unidos nos mesmos laços, nos mesmos Novo e Eterno Convênios. Morreram sem o Evangelho, sem compreender o plano de salvação. Foram criados no meio do mundo sectário, onde tudo era confusão e trevas; onde não se ouvia voz de Deus; nenhuma voz de profetas ou apóstolos vivos para dirigi-los, ou ensiná-los nos mistérios do reino de Deus. Desceram a suas sepulturas tão sinceros, muitos deles, quanto vós e eu somos. Devem ser rejeitados para sempre? Devem permanecer sempre presos, e para sempre privados da companhia de seus filhos que viveriam na terra nos últimos dias, quando Deus novamente abrisse os céus e enviasse Seus anjos a ministrar a Seu povo? Não; eles, sem nós, não podem ser aperfeiçoados; pois não há modo de receberem o Evangelho senão por meio de seus filhos. Temos a obra a fazer por eles, e essa obra não podíamos começar até que o profeta Elias fosse enviado do céu, portando as chaves que deveriam ser conferidas aos filhos em favor dos pais, na última dispensação, antes que viesse o grande dia do Senhor.

Ora, vedes então que até esta única revelação, que Deus deu naquele Templo, recompensou o povo pelo labor que suportara ao erguê-lo. Que satisfação foi para eles saber que anjos ministravam naquele Templo! Que satisfação foi para eles entrar naquele Templo e terem os céus abertos a eles, de modo que pudessem contemplar a glória de Deus! Que satisfação foi para eles saber que o Senhor aceitava, como Sua própria, a casa que haviam construído segundo o padrão que Ele dera! E que satisfação foi para eles saber que amavam a Deus por guardarem Seus mandamentos!

Elias não foi o único anjo que ministrou naquela casa. Outros, portando chaves pertinentes à última dispensação da plenitude dos tempos, vieram e manifestaram aquelas chaves e conferiram a autoridade aos servos de Deus vivendo na carne para realizarem certos propósitos grandes e importantes pertinentes a esta dispensação. Estas chaves ainda estão na terra. Aqui estão os servos do Deus vivo, sentados à minha direita e à minha esquerda, que tiveram estas chaves conferidas em suas mãos por autoridade da fonte apropriada, daqueles que as receberam dos mensageiros celestiais. Estas chaves, estando agora nas mãos do Sacerdócio, jamais lhes serão tiradas enquanto a terra existir ou a duração eterna prosseguir. Poderá haver apóstatas, aqueles que lutam contra os ungidos do Senhor e levantam o calcanhar contra os que possuem estas chaves; contudo saibam os Santos dos Últimos Dias e todos os confins da terra que a mão todo-poderosa do grande Jeová está estendida, e Ele realizará os propósitos por Ele ordenados a respeito desta grande e importante obra dos últimos dias.

São estes os únicos mandamentos que Deus deu para guardarmos, nos quais manifestamos nosso amor por Ele? Não. Deus deu mandamento a Seu povo, no verão de 1831, para que se reunissem das terras orientais, Nova Iorque, os Estados da Nova Inglaterra, a Pensilvânia e os Estados Centrais, de Ohio e várias partes dos Estados Unidos, até as fronteiras ocidentais do Missouri; isto é, que continuassem a se reunir, mas não deixassem sua fuga ser apressada, e que todas as coisas fossem preparadas de antemão. Deus conduziu o Profeta que havia levantado até a parte ocidental do Missouri, e apontou, com Seu próprio dedo, onde a grande cidade de Sião deveria erguer-se nos últimos dias, a grande cidade da Nova Jerusalém que seria edificada no continente americano. Digo que Ele apontou estas coisas e deu direção a Seu povo para se reunir naquela terra, e lhes ordenou que assentassem a pedra angular de um grande e magnífico templo que deveria ser construído durante a geração em que o povo então vivia. A pedra angular foi assentada no verão de 1831, no condado de Jackson, Estado do Missouri. Todas estas coisas foram feitas pelo povo de Deus por mandamento e revelação, e deste modo mostraram ainda mais, uns aos outros e a todo o povo, assim como aos céus, que amavam de fato o Senhor seu Deus.

Muitos mandamentos foram dados ao povo a respeito dos assuntos ali no condado de Jackson -- como deveriam regular sua propriedade e como deveriam se tornar um -- revelações destinadas a produzir a maior união possível que pudesse existir entre o povo de Deus, se tivessem sido cumpridas. O povo as cumpriu em parte, mas, contudo, por inexperiência, por falta de compreensão, por causa da fraqueza da mortalidade, e por causa das tradições más e corruptas que haviam absorvido a respeito de propriedade, não realizaram plenamente a mente e a vontade de Deus em relação a suas consagrações e heranças. É verdade que compraram a terra do Governo americano, ou grande parte dela, e pagaram seu dinheiro no escritório de terras daquele condado; mas, contudo, não cumprindo o mandamento de Deus à risca, o Senhor não ficou satisfeito, e antes que tivessem se estabelecido ali por catorze meses, Ele os ameaçou muito severamente. Disse Ele: "Se não vos lembrardes de meus mandamentos para os guardar, e não somente meus mandamentos, mas o Livro de Mórmon, que fiz vir à luz e ser escrito para vossa edificação, como o Novo e Eterno Convênio; se não derdes atenção às palavras de instrução e conselho, e aos mandamentos escritos naquele livro, eis, diz o Senhor, resta ainda um flagelo e juízo a ser derramado sobre os habitantes de Sião."

Não sabíamos o que era o juízo ou o flagelo. Estávamos na terra havia apenas cerca de catorze meses, e não compreendíamos sua natureza. O Senhor nos disse, em outra revelação, publicada no Livro de Doutrina e Convênios, que, na medida em que não fizéssemos exatamente como Ele nos disse a respeito da obtenção de nossas terras, seríamos expulsos por nossos inimigos -- "Eis que, e vede, vossos inimigos virão sobre vós; sereis perseguidos e expulsos de cidade em cidade, e apenas poucos de vós permanecerão para receber uma herança." Não podíamos compreender tudo isso. Pensávamos talvez que seríamos suficientemente fiéis para que esta profecia não se cumprisse sobre nossas cabeças. Embora fossem o melhor povo da terra, contudo havia entre eles uma deficiência, por falta de experiência, ou pelas antigas tradições dos gentios que haviam absorvido desde a infância; mas o Senhor exigia que fôssemos muito bons e desse atenção a toda palavra que procedesse de Sua boca, e jamais desobedecêssemos à menor coisa; e por consequência, quando Ele viu que faltávamos em algumas destas coisas, disse-nos que não permitiria que aquela terra fosse poluída por aqueles que eram chamados por Seu nome; pois era uma terra escolhida -- uma terra santa, e aqueles que eram chamados por Seu nome, e professavam ser Seus discípulos, não deveriam poluí-la, e se o fizessem, seriam flagelados e expulsos e perseguidos, e restariam poucos que recebessem ali sua herança.

No ano de 1833, no mês de novembro, começamos a sentir este flagelo de que o Senhor nos advertira antecipadamente. Contudo, tão ansioso estava o Profeta Joseph para que o flagelo pudesse ser evitado, que empreendeu uma viagem, juntamente com alguns dos élderes proeminentes da Igreja, do Estado de Ohio, cerca de mil milhas, até as fronteiras ocidentais do Missouri, para advertir o povo do terrível juízo que os alcançaria, se não fossem mais obedientes. Mas, ai! seu arrependimento não foi suficiente, embora fossem um povo tão bom -- muito melhor do que qualquer outro povo ou Igreja na face da terra; mas, contudo, não estiveram à altura da letra da lei que Deus havia revelado, e por consequência não manifestaram perante Ele que O amavam de todo o coração, alma, força, mente e vigor, e o juízo veio sobre eles, e foram expulsos. Duzentas casas foram queimadas, nossos monturos de feno foram queimados, nosso gado foi abatido a tiros pela turba, nossas mercadorias foram espalhadas pelas ruas, nossos móveis domésticos quebrados e dispersos, e o povo foi expulso para as pradarias desabrigadas, no frio mês de novembro. Então se lembraram das profecias que o Senhor entregara por meio de Seu servo Joseph; lembraram-se do que havia sido escrito e publicado, do que haviam sido advertidos vez após vez, tanto por carta quanto pelo ministério pessoal dos servos de Deus em seu meio.

Fugiram para o condado de Clay, e dali foram expulsos poucos meses depois, quando fugiram ainda mais para o norte, para outras partes despovoadas do Estado do Missouri, e novamente compraram terras do Governo, e as registraram, e ali permaneceram alguns anos; mas, aos poucos, fomos novamente expulsos, cumprindo assim a palavra do Senhor, por meio de Seu servo Joseph -- que seríamos perseguidos e expulsos de lugar em lugar e de cidade em cidade, a menos que fizéssemos como Ele nos disse. Finalmente, fomos expulsos para o Estado de Illinois, onde compramos um belo pedaço de terra na margem oriental do Rio Mississippi, chamado Commerce, que depois chamamos de Nauvoo, palavra hebraica que significa "belo pela localização".

Depois de termos trabalhado em Nauvoo por alguns anos, e reunido nosso povo de várias partes dos Estados Unidos e de alguns da Grã-Bretanha, num total de cerca de quinze ou vinte mil almas, em Nauvoo e regiões vizinhas, eis que a turba veio novamente sobre nós, e fomos novamente expulsos, cumprindo assim mais plenamente as profecias que haviam sido feitas, e fomos expulsos para cá, para estas montanhas. Viemos até aqui sob a direção do servo de Deus, sendo conduzidos por aquele sobre quem o Senhor colocara a grande responsabilidade de liderar este povo. Ele nos trouxe até aqui, e nos estabeleceu no coração deste país. Aqui estendemos nossos povoados ao sul, norte, leste e oeste, até que o país agora está povoado, suponho, por uns cem mil habitantes. Não sei quantos, pode ser cento e cinquenta mil, pelo que sei. Basta dizer que temos mais de cem cidades, vilas e povoados edificados nas várias partes desta grande Bacia, este país desértico. Embelezamos nossas heranças; plantamos árvores frutíferas em abundância e árvores ornamentais de sombra, de modo a tornar nossas residências alegres e belas no meio de um deserto. Deus tem estado conosco desde que chegamos a esta terra, e espero que os dias de nossa tribulação tenham passado. Espero isto, porque Deus prometeu, no ano de 1832, que retornaríamos e edificaríamos a Cidade de Sião no condado de Jackson, antes que a geração então viva passasse; que retornaríamos e edificaríamos o templo do Altíssimo, onde antes assentamos a pedra angular. Prometeu-nos que Se manifestaria naquele templo, que a glória de Deus estaria sobre ele; e não apenas sobre o templo, mas dentro dele, sim, uma nuvem de dia e um fogo flamejante de noite.

Cremos nestas promessas tanto quanto cremos em qualquer promessa jamais proferida pela boca de Jeová. Os Santos dos Últimos Dias esperam tão certamente o cumprimento daquela promessa durante a geração que existia em 1832 quanto esperam que o sol nascerá e se porá amanhã. Por quê? Porque Deus não pode mentir. Ele cumprirá todas as Suas promessas. Ele falou, deve cumprir-se. Esta é nossa fé. Dependerá da conduta dos Santos dos Últimos Dias se sofreremos mais tribulação. Podemos sofrer tribulação, embora sejamos retos em todos os aspectos, ainda que não se encontrasse pecado no meio do povo. Por quê? Porque os ímpios sempre perseguiram os justos, sempre odiaram os princípios e o plano de salvação; ainda assim, temos maior reivindicação sobre o braço de Jeová para proteção e auxílio quando guardamos Seus mandamentos e O amamos e servimos.

Já ouvistes falar de os élderes desta Igreja se levantarem, como o mundo sectário, e falarem do amor de Deus habitando em seus seios, e dizerem quanto amam a Jesus, e ao mesmo tempo transgredirem Suas leis? Não, não temos direito de fazer nenhuma declaração como esta; por isso mostramos aos céus que estamos determinados a fazer a vontade de Deus. Então podemos dizer que amamos a Deus; então podemos dizer que amamos Seus caminhos, e Seu Sacerdócio, e Sua Igreja, e Seu reino, e Seu Evangelho, que Ele enviou por meio de Seus anjos nos últimos dias.

Sinto-me verdadeiramente grato ao Deus Altíssimo por ter havido tão grande progresso entre os Santos dos Últimos Dias nestas montanhas. Penso que sou capaz de julgar. Tenho estado com este povo desde minha juventude. Quase quarenta anos se passaram desde que fui batizado nesta Igreja e reino. Conheço a história anterior dos Santos; e conheço e compreendo, em certa medida, sua condição atual, e posso contrastar as duas, e vejo um progresso decidido. Há mais união entre eles? Sim; muito mais do que havia na vida de Joseph; e tudo o que a grande massa do povo quer é saber o que Deus exige, e, com um só coração e mente, o farão. Se Deus exigir que sejam batizados por seus mortos, na medida em que possam pesquisar e descobrir os nomes de seus antepassados, o farão de todo o coração e alma. Se Ele exigir que recebam a sagrada ordenança das dotações, pela qual podem alcançar maiores bênçãos e glória em Sua presença, empenhar-se-ão de um só coração e mente para receber aquelas ordenanças. Se Deus exigir que Seu povo tome uma pluralidade de esposas e as sele a si por tempo e eternidade, eis que farão estas coisas. Se Deus exigir que os jovens, os de meia-idade, ou mesmo os idosos, élderes, partam de suas fazendas ou de suas várias ocupações e deixem este Território numa viagem através das planícies ou através do grande oceano, e para as diferentes nações da terra, e estudem seu idioma e preguem ao povo, eis que o farão. Se Deus chamar este povo a ir para as terras do Sul, que são ainda mais áridas e desoladas do que a porção norte do Território, eis que estão dispostos a ir e fazê-lo. Se Deus exigir qualquer coisa de suas mãos, há uma união, unidade e disposição de avançar e realizar Seus grandes desígnios e propósitos a respeito do rolar avante de Seu reino nos últimos dias. Por todos estes atos, por todas estas manifestações, pelo bom sentimento que existe nos seios deste povo, sabemos que fizeram grande progresso e avanço nas coisas do reino de Deus, desde que nosso Profeta foi chamado a oferecer seu grande e último testemunho pelo derramamento de seu sangue.

Esta união aumentará e se tornará cada vez mais forte; continuará até que este povo esteja preparado e santificado perante os céus, e lhe seja permitido retornar e edificar os lugares desolados de Sião nas fronteiras ocidentais dos Estados Unidos. Este povo crescerá em fé, em amor a Deus, no poder do Sacerdócio e na demonstração do Espírito, até que sejam capazes de edificar a cidade em que Deus Se revelará, como fez em tempos antigos antes do dilúvio, entre o povo da antiga Sião -- a Sião edificada por Enoque. Este povo aumentará em união, fé, grandeza e glória, até que os céus desçam e nos abracem, e nós os abracemos, e toda a hoste celestial se una com as hostes dos Santos de Deus aqui na terra, e se crie uma união tal como não existe em nenhum outro lugar senão no reino celestial de nosso Deus, pois os próprios Santos, dentro em breve, se tornarão celestiais. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “A Obra dos Ultimos Dias Obedecendo aos Mandamentos”, , Thursday Afternoon Session (1870-05-05). Pulpit Vault, 1870-05-pratt-the-latter-day-workobeying-the-commandments. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).