Pulpit

Unidade e Imutabilidade do Evangelho — Nova Revelação É Necessária — Espiritismo

George Q. Cannon

1869-01-31

Para aqueles que não estão familiarizados com as operações do evangelho de Cristo, o espetáculo que se pode testemunhar neste Território, de um povo que se congrega vindo de tantas nações e unido em sua fé e adoração, é algo muito estranho e deve, necessariamente, suscitar considerável indagação e comentário. É maravilhoso, e não tem paralelo na terra atualmente; e, contudo, quando visto à luz do evangelho que Jesus ensinou, não deveria haver nada de particularmente maravilhoso nisso, pois aquilo que vemos nestes vales é o que poderíamos esperar ver, a partir dos ensinamentos de Jesus e de Seus apóstolos. Jesus ensinou a Seus discípulos o plano de salvação. Deu-lhes o poder e a autoridade para saírem e proclamarem esse plano a toda criatura, ordenando-lhes que batizassem, e prometeu-lhes que aqueles que se curvassem em obediência a seus ensinamentos receberiam o Espírito Santo. Uma das peculiaridades do Espírito Santo, conforme lemos a respeito de seus efeitos nas escrituras, era unir os corações daqueles que o recebiam e torná-los um só.

Não encontramos, na história que nos foi transmitida a respeito dos trabalhos dos apóstolos, nenhum relato de que tenha havido qualquer divisão de sentimento entre eles ou entre seus discípulos. Embora Paulo não tivesse estado em contato com Pedro e o restante dos Doze por alguns anos, ele nos informa que, quando foi a Jerusalém para se reunir com eles, descobriu que ensinava os mesmos princípios e estava tão familiarizado com as doutrinas de Jesus quanto eles; e ficou tão impressionado com a importância de ele e seus irmãos, e daqueles que recebiam os princípios que ensinavam, crerem em uma só forma de doutrina e um só plano de salvação, que deixou registrado, a uma das Igrejas que havia estabelecido, este sentimento — "ainda que nós, ou um anjo do céu, vos pregue outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema." Ele se esforçava para impressionar naqueles com quem se comunicava, e sobre quem tinha influência, que a forma de doutrina que lhes havia transmitido, e que, segundo ele, recebera pelo Espírito Santo, era a única forma de doutrina que poderia ser pregada aos habitantes da terra sem que a maldição do Deus Todo-Poderoso recaísse sobre aqueles que a pregassem e propagassem. Portanto, é apenas razoável supor que, se a doutrina que Paulo ensinou, que ele recebeu de Jesus, e a doutrina que foi ensinada por Pedro, Tiago, João e André, e pelo restante dos apóstolos, tivesse sido pregada e seguida por todos os habitantes da terra, veríamos, hoje, por todas as nações da terra, aquilo que se testemunha em Utah — uma só forma de adoração e uma só fé, e todo o povo, em toda parte, adorando nos mesmos templos e tabernáculos, e sendo governado pelos mesmos princípios.

Não se pode esperar, por parte de nenhuma pessoa que tenha fé ou confiança no plano de salvação, ou nas escrituras que contêm um relato desse plano, que o Espírito Santo revelaria ao homem duas espécies diferentes de fé; que os levaria a crer em formas diferentes de doutrina, ou que ensinaria a uma classe de homens que uma parte do evangelho era necessária, e outra parte desnecessária; ou faria com que uma parte do povo cresse que certo item do evangelho era essencial à salvação, e faria com que outra parte do povo cresse que o mesmo item do evangelho não era essencial. Tal visão é irreconciliável com os ensinamentos de Jesus e Seus apóstolos, e com tudo o que foi deixado registrado a respeito dos dons e do poder do Espírito Santo e de seu ofício entre os filhos dos homens. Pelo contrário, tudo o que está registrado nos leva a supor que, se o Espírito Santo fosse concedido a um habitante da Europa, a outra pessoa na Ásia, outra na África, e a uma quarta na América, e ainda a outra nas ilhas do mar, estes indivíduos, se viessem a se reunir e conversar sobre o plano de salvação, teriam pontos de vista precisamente semelhantes a respeito desse plano. Pensar de outra forma seria fazer de Deus, nosso Pai Celestial, o autor da contenda e da divisão.

Se nos lembrarmos da oração de Jesus, a última que Ele ofereceu, da qual temos algum relato, antes de Sua prisão e traição, encontraremos que Ele orou para que Seus apóstolos fossem um, assim como Ele e o Pai eram um. E disse Ele: "E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que crerão em mim por sua palavra; para que todos sejam um; como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." Presume-se que essa oração foi registrada no Céu; e presume-se também que era o desígnio de Deus que ela fosse respondida sobre a cabeça daqueles em cujo favor foi oferecida. Essa unidade de fato caracterizava a Igreja naqueles dias; e, como já disse, nada foi deixado registrado que nos prove que havia algo além de unidade, harmonia e união no meio da Igreja durante a vida dos apóstolos. A oração de Jesus foi ouvida e respondida, o Espírito de Deus foi derramado sobre os apóstolos, e não apenas sobre eles, mas sobre aqueles que criam em suas palavras; e o mundo, ao observar sua união, tinha uma evidência que não podia contestar, de que Jesus havia sido enviado pelo Pai, e de que Ele era de fato o próprio Cristo. Pode-se supor, portanto, que, sendo essa a condição das coisas durante a vida dos apóstolos, se os habitantes da terra tivessem continuado a praticar os princípios que eles ensinaram, os mesmos resultados teriam se seguido, não apenas no primeiro século da era cristã, mas por todo século seguinte até os nossos dias. Pois está registrado nas Escrituras, e nenhum que nelas creia pode duvidar da veracidade do ditado, que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre.

Ele mesmo diz: "Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." Este é o caráter de nosso Pai e nosso Deus. Em todos os tempos e sob todas as circunstâncias, em toda era e geração, quando os homens se curvaram diante dEle e O buscaram no modo que Ele determinou, Ele ouviu suas orações e concedeu-lhes os desejos de seus corações, e os abençoou de acordo com a fé que exerceram nEle.

Tudo o que temos registrado, da parte daqueles que tiveram algum conhecimento de Seus atributos ou que tiveram trato familiar com Ele, confirma esta visão de Seu caráter. Quando os homens O buscaram com fé nos dias de Enoque, Noé, Abraão, Moisés e os profetas, e depois novamente nos dias de Jesus e Seus apóstolos, os mesmos resultados se seguiram ao exercício de sua fé. Nem todos podem ter tido trato direto e pessoal com Ele, mas todos receberam as bênçãos que buscavam, e a orientação de Sua sabedoria infalível lhes foi concedida. Isto se comprova desde o primeiro registro feito por Moisés até o último feito por João, o Revelador, na Ilha de Patmos. Não temos relato de nenhuma geração, nem mesmo de um único indivíduo, que servisse a Deus e guardasse Seus mandamentos, que não recebesse manifestações e bênçãos peculiares dEle. Ninguém foi deixado em dúvida ou trevas; ninguém teve de ser guiado apenas pela tradição ou pelos ensinamentos de outros; mas todos, em toda era e geração, receberam manifestações e bênçãos peculiares até o tempo em que João encerrou seu registro.

Vendo que este é o caráter de nosso Pai nos céus e do evangelho de Seu Filho Jesus Cristo, como é que, hoje, há oposição, contenda e incerteza entre aqueles que se chamam discípulos de Jesus, se Ele é, como dizem as Escrituras, "o mesmo ontem, hoje e para sempre"? Esta é uma indagação que todo homem, que professa qualquer fé em Cristo, deveria fazer, mesmo que não subscreva a ideia que tem sido ensinada e testificada pelos Santos dos Últimos Dias, a saber, que Deus é um Deus de revelação, e que Ele Se revelou novamente nos últimos dias assim como o fez em dias anteriores. Quanto a mim, com a visão que agora tenho a respeito de Deus, com a luz que foi lançada sobre minha mente pelos ensinamentos dos élderes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, eu não poderia estar satisfeito a menos que tivesse algo mais do que o mundo diz ser possível aos homens obter na atualidade. Eu não poderia estar satisfeito com os registros que temos em nosso meio, contendo o testemunho de homens que viveram centenas de anos atrás. Eu não poderia estar satisfeito em basear minha fé, e minhas esperanças de salvação e glória futura, em um testemunho do que eles vivenciaram, tanto quanto não poderia ficar satisfeito, estando faminto, ao ler o relato de uma boa refeição da qual outra pessoa participou. Eu quereria algo mais do que isto. Eu quereria saber por mim mesmo que Deus é o que outros disseram que Ele é. Eu quereria saber que Ele vive hoje, assim como vivia há 1.800 ou 2.000 anos, ou como vivia na manhã da criação. E se fosse possível aos homens, pelo exercício da fé, obter esse conhecimento por si mesmos, eu lutaria por esse conhecimento até obtê-lo. Mas, louvado seja o Senhor, não estamos nessa condição. Sabemos que Deus é o mesmo que era ontem ou nos dias de Jesus. Sabemos que Ele é o mesmo Deus que era nos dias de Noé, Moisés, Abraão, e outros profetas que viveram antes da vinda de Jesus Cristo. Sabemos disso porque obedecemos à forma de doutrina ensinada antigamente, que foi revelada novamente em nossos dias, e recebemos o mesmo testemunho que o povo de Deus desfrutava antigamente. Nós nos arrependemos de nossos pecados, fomos batizados para a remissão deles por aqueles que têm autoridade; tivemos mãos impostas sobre nós para o recebimento do Espírito Santo, de acordo com a prática dos apóstolos de Jesus nos tempos antigos, e recebemos o espírito prometido e seus dons, os quais testificam a nós que somos nascidos de Deus, que Ele Se agrada de nossa oferta e nos aceitou.

Não é de admirar que estejamos unidos; não é de admirar que homens de várias nações que vieram ao Território de Utah estejam unidos. Eles têm sido semelhantes em sua obediência, e são semelhantes em sua fé e testemunho. Não é de admirar que, por quinhentas milhas — do extremo norte ao sul deste Território — tenham se formado povoados cujos habitantes vivem juntos em unidade e paz, adorando a Deus da mesma maneira, submetendo-se aos mesmos requisitos e obedecendo às mesmas ordenanças. Estes são os resultados da obediência ao evangelho de Jesus Cristo. Estes são os resultados que se seguiram à obediência a esse evangelho antigamente; e estes resultados teriam continuado até os dias de hoje se aquele evangelho e a autoridade para pregá-lo tivessem sido preservados desde os apóstolos em diante.

Não há melhor evidência de que uma nova revelação é necessária do que a que se encontra hoje por toda a chamada cristandade. Visitai as cidades da cristandade fora deste Território, e o que vedes? Confusão e divisão; as igrejas e capelas de várias denominações com seus campanários apontando para o céu, e o povo passando e repassando para encher esses lugares de adoração, todos professando adorar o mesmo Deus e crer em Jesus Cristo e na Bíblia, sobre a qual professam que sua fé está fundada; e, contudo, quando conversais com eles a respeito de sua forma de doutrina, um vos dirá que crer em Jesus Cristo e arrepender-se do pecado é tudo o que é necessário para assegurar a salvação; outro dirá que, além disso, deveis ser batizados, e que, se fordes batizados, tendo fé em Jesus Cristo e arrependendo-vos de vossos pecados, tendes certeza da salvação se perseverardes. Um vos dirá que a aspersão constitui o batismo, e que algumas gotas de água aspergidas sobre vossa testa são tudo o que é necessário; outro sustentará que isto sozinho não basta, mas que deveis ter água derramada sobre vós. Outro diz que nenhum destes métodos está correto, mas que deveis ser imersos na água; enquanto ainda outro vos dirá que não faz diferença se sois aspergidos, imersos ou tendes a água derramada sobre vós, e que, seja que obedeçais ou não a qualquer destas ordenanças, tendes certeza da salvação se apenas chegardes aos pés da cruz e ali lançardes vosso fardo de pecado.

Estas são as espécies de fés que existem na cristandade no tempo presente, e todas elas, professadamente, se baseiam nas Escrituras, esquecendo aquela parte da epístola de Paulo que vos citei — "ainda que nós, ou um anjo do céu, vos pregue outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema"; esquecendo também que Paulo diz: "há um só Senhor, uma só fé e um só batismo." Não duas, meia dúzia ou cem fés, nem duas, três ou quatro formas de batismo; mas Paulo realmente diz: "um só Senhor, uma só fé e um só batismo." Digo que não há melhor evidência a ser encontrada da necessidade de nova revelação do céu do que a condição do mundo no tempo presente a este respeito.

É gratificante refletir que esta condição de coisas provavelmente logo terá fim, e que os mesmos dons, bênçãos e poderes que antigamente existiam, com os mesmos resultados, no que diz respeito a união, harmonia e amor, foram restaurados e agora existem entre os habitantes da terra. Deveria ser motivo de gratidão, não somente para os Santos dos Últimos Dias, mas para todo homem que ama seus semelhantes, testemunhar aquilo que agora está sendo produzido no meio da terra, cujos resultados vemos neste Território. Não creio que um homem que tenha qualquer amor por seus semelhantes possa contemplar esta condição de coisas sem ter o coração cheio de sentimentos de júbilo. É motivo de admiração e gratidão contemplar o fato de que, poucos anos atrás, alguns homens aparentemente insignificantes e iletrados saíram prestando testemunho de que Deus havia falado novamente dos céus, e havia revelado o evangelho eterno em sua pureza e poder antigos, e que, por meio deste testemunho, milhares, das várias nações da terra e das ilhas do mar, foram reunidos a estes vales, e são capazes de prestar o mesmo testemunho. Quando contemplo estes fatos, minha mente fica absorta em admiração, e meu coração se enche de gratidão e louvor ao nosso Pai Celestial pela grande obra que Ele fundou e tem levado a cabo com êxito no meio da mais determinada oposição, e sinto que nós, dentre todo o povo agora vivendo, deveríamos agradecer e louvar nosso Pai e Deus por nossa sorte ter sido lançada sobre a terra quando estes grandes acontecimentos estão em curso.

Sei que o clamor de "ilusão" e "falsos profetas" se levanta por todos os lados, e que o povo, em geral, diz, e tem dito por anos, que "os Santos dos Últimos Dias estão enganados, e que sua organização em breve chegará ao fim." Contudo, apesar destes ditos, a obra de Deus continua avançando e dando passos rápidos rumo ao cumprimento daquele alto destino que seu Autor tem predito a respeito dela. Quando comparais esta obra com a obra que foi feita por Cristo e Seus apóstolos, encontrareis grande analogia entre as duas. Se somos falados contra por toda parte e nossos nomes lançados fora como maus, eles foram tratados da mesma forma; se somos odiados, também o foram eles; se somos desprezados e condenados, eles não foram considerados dignos da companhia de seus contemporâneos, muitos dos quais pensavam estar prestando serviço a Deus ao matá-los. Se fôssemos os primeiros a ter nossos nomes lançados fora como maus, ou se esta geração fosse a primeira a odiar a verdade, nosso caso seria lastimável de fato; mas em toda era, desde os dias de Noé até a era dos apóstolos, isto tem sido invariavelmente o caso. Todo homem a quem os céus foram abertos, e que recebeu revelações de Deus, foi odiado por seus semelhantes; buscou-se sua vida, e ele não teve paz na terra. Por mais numerosas que tenham sido tais pessoas, elas foram caçadas e expulsas. Isto é tão verdadeiro que Estêvão, o mártir, ao ser apedrejado até a morte, censurou os judeus por sua incredulidade e pelos atos de seus antepassados. Disse ele: "a qual dos profetas não perseguiram vossos pais? E mataram os que anteciparam a vinda do Justo."

A maioria dos profetas que já viveram na terra, dos quais temos algum relato, sofreram o martírio. E este não foi o caso apenas dos profetas, mas também do próprio Jesus, aquele Ser que veio à terra revestido do poder e da autoridade da Trindade — embora Sua glória estivesse oculta aos homens. Ele, que falou como nunca homem algum falou, e trabalhou como nunca homem algum trabalhou no meio dos filhos dos homens, realizando poderosos milagres e fazendo obras maravilhosas, mas que tipo de tratamento recebeu? Foi odiado, cuspido, expulso do meio dos homens e, por fim, morto; e Seus discípulos e apóstolos, depois dEle, compartilharam o mesmo destino.

Temos um glorioso conjunto de predecessores; e é motivo de consolo e encorajamento que não estejamos sozinhos neste aspecto, e que em tempos anteriores homens foram odiados e desprezados como nós somos odiados e desprezados hoje, e por nenhuma outra causa senão a de pregar a verdade em sua pureza e defender princípios santos e puros revelados do céu. Na verdade, as perseguições e o ódio pelos quais os Santos dos Últimos Dias têm sido chamados a passar, em vez de ser uma evidência contrária, são uma evidência a favor da verdade da obra em que estão engajados. Jesus diz: "ai de vós quando todos os homens falarem bem de vós." Ele advertiu Seus discípulos do perigo quando seus nomes fossem honrados e quando todos os homens falassem bem deles.

Já disse que o Senhor tem abençoado Seus servos ao enviá-los a pregar o evangelho. Os mesmos resultados se seguiram à sua pregação como se seguiram à pregação dos apóstolos de Jesus antigamente. Aqueles que obedeceram a seus ensinamentos ficaram unidos, e assim são os Santos dos Últimos Dias. Eu os tenho visto, e vós também, vindo dos quatro cantos da terra, misturando-se, sem conhecer a língua uns dos outros, nem familiarizados uns com os outros — batizados por homens que jamais haviam visto antes — homens que nunca haviam se reunido a Sião nem se associado com os líderes da Igreja; mas que, como Paulo, o haviam recebido longe da Estaca Central ou do lugar onde residiam as autoridades; e, no entanto, todos podiam testificar em suas próprias línguas, uns aos outros, que haviam recebido o evangelho de Jesus, e o testemunho do Espírito Santo em consequência de sua obediência à forma de doutrina que lhes fora ensinada; e são capazes de habitar juntos aqui neste Território em paz, amor e união, embora, como já disse, tenham sido criados em países diferentes e instruídos em credos diferentes. Que mais poderia o evangelho ter feito quando pregado pelos apóstolos? Que mais fez quando pregado por Pedro no dia de Pentecostes? Os resultados pelos quais Jesus orou têm sido plenamente realizados nos dias em que vivemos, e no meio do povo ao qual pertencemos.

Pode-se perguntar por que estes resultados não haveriam de ser realizados por este povo? Já vos disse que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre; já vos disse que o Espírito de Deus produz os mesmos resultados e o mesmo testemunho em todo o mundo. E por que não haveria de ser assim? Há algo estranho nisso? Seria estranho se não fosse assim. Se há algo estranho, maravilhoso ou digno de nota, é que, entre aqueles que professam ser seguidores de Cristo e afirmam ser Seus ministros, não haja, nestes dias, aquele amor, união e conhecimento que possuíam aqueles que criam nEle antigamente. É estranho que homens que professam ser seguidores de Jesus hoje não desfrutem das mesmas manifestações e bênçãos que desfrutavam aqueles que criam nEle antigamente.

Há uma coisa digna de nota a este respeito, e é que, quando Joseph Smith primeiramente proclamou ao povo que Deus havia falado dos céus e enviado Seus santos anjos para ministrar a ele, e lhe havia concedido o conhecimento e a autoridade necessários para edificar a Igreja, ele encontrou oposição e escárnio por todos os lados. Dificilmente algum homem que ele encontrasse reconheceria que tal coisa fosse possível ou de forma alguma condizente com o modo de Deus tratar os filhos dos homens nestes dias. É verdade que ele teve êxito em convencer alguns poucos de que possuía o testemunho de Jesus. Eles obedeceram à doutrina de Deus que lhes fora ensinada e receberam o testemunho; mas, por anos depois que ele começou a fazer esta proclamação, teve este tipo de oposição a enfrentar. Mas ele disse que viria o tempo em que forte ilusão e espíritos mentirosos seriam permitidos a manifestar-se entre o povo. Ele declarou que Deus havia restaurado o sacerdócio à terra, e as ordenanças do evangelho, e havia estabelecido Sua Igreja em sua pureza; e que aqueles que não cressem no testemunho dos servos de Deus e não o obedecessem seriam entregues à dureza de coração e ficariam sujeitos a influências más de que nada se sabia antes do estabelecimento da Igreja e da restauração do sacerdócio.

Anos se passaram antes que esta predição se cumprisse, mas eventualmente foi verificada. Recordo-me muito bem da primeira vez que tive qualquer indício disso. Eu estava nas Ilhas Sandwich em missão; havia entrado na casa de um homem que mais tarde se tornou membro da Igreja. Aconteceu de eu pegar um livro, e, ao examiná-lo, encontrei muitas coisas que me pareceram muito estranhas. Pensei, a princípio, que devia ser uma obra escrita pelos Santos dos Últimos Dias; mas logo descobri que não era. O argumento do autor era a favor de que a comunicação com o mundo espiritual, por meio da ministração de anjos, era tão possível nestes dias quanto o fora em tempos anteriores. Ele usava argumentos precisamente semelhantes aos usados pelos élderes desta Igreja; e citava largamente a Bíblia para provar que fora bastante comum, nos dias antigos, os homens terem tais comunicações e possuírem o dom de profecia e o espírito de revelação, e defendia estes modos de comunicação nos dias atuais. Fiquei muito surpreso ao ver tais princípios defendidos por este livro; mas imediatamente a lembrança das predições de Joseph me veio à mente. Eu era ainda jovem quando ele fez o comentário, mas me lembrava dele. Tive oportunidades de observar o crescimento e o desenvolvimento deste movimento daquele dia até o presente. Entrei em contato com muitos que professam crer na comunicação espiritual; e, ao viajar pelos Estados Unidos no tempo presente, encontrareis um grande número de indivíduos que sustentam esta crença. O que produziu esta mudança? Ora, é a própria coisa que Paulo disse que viria. O povo em seus dias não quis receber o amor da verdade, para que fosse salvo; "portanto", disse ele, "por esta causa Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça." Não quiseram crer no testemunho dos servos de Deus, portanto foram entregues à dureza de coração e à cegueira espiritual. Quando estas coisas os alcançam, ficam prontos para se render a qualquer espírito ou influência que se manifeste entre eles de maneira extraordinária.

Por anos depois que a verdade foi revelada, os homens continuaram a pedir um sinal. "Se sois os homens que professais ser", diziam eles, "dai-nos algum milagre — fazei o cego ver, o mudo falar, o surdo ouvir, ou o coxo andar, para que saibamos que sois enviados de Deus." Quantos milhares de vezes os élderes foram instados a dar alguma demonstração de poder para que os homens soubessem que eram enviados de Deus. Milhares e milhares de vezes ministros professos do evangelho lhes fizeram este pedido. Não quiseram crer nas palavras de Jesus de que "estes sinais seguirão aos que crerem"; mas queriam que os élderes dessem sinais para provar que Jesus disse a verdade. Sabeis o que Jesus diz a respeito daqueles que queriam sinais — "geração má e adúltera pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado."

Os élderes desta Igreja têm comprovado a verdade das palavras de Jesus, de que é uma geração má e adúltera que busca um sinal. Vereis geralmente que são homens ímpios os que pedem este tipo de evidência. Um homem ímpio não se satisfaz com a verdade nem com o testemunho dos servos de Deus, nem com a influência calma e celestial do espírito de Deus que repousa sobre aqueles que recebem a verdade com honestidade. Não; tal homem quer um sinal; quer ouvir alguém falar em línguas, ou ver os olhos do cego se abrirem, ou o surdo ouvir, o mudo falar, o coxo andar, ou o morto ressuscitar. Algo desse tipo ele precisa ter; o testemunho da verdade, ainda que dado com o poder de um anjo, não tem efeito sobre tal coração. Ele quer algo que convença seus sentidos exteriores. Milhares de tais homens têm rejeitado o evangelho da vida e da salvação, tal como fizeram nos dias de Jesus. Rejeitaram então o testemunho dos servos de Deus, e endureceram seus corações contra ele. Mas, assim que algo surgia que os agradava da maneira que queriam — algo que pudesse fazer inclinar uma mesa, ou dar alguma outra manifestação singular de poder, como sentir mãos invisíveis postas sobre eles, ou ouvir música tocada por executantes invisíveis, ou algo dessa natureza — convenciam-se imediatamente de que era possível a seres espirituais comunicar-se com mortais, e agora os espiritualistas contam seus convertidos aos milhões; provavelmente contam mais do que qualquer outra denominação, se é que podem ser chamados de denominação. Eles se vangloriam de seu êxito.

Desta maneira, as nações da terra estão sendo submetidas a fortes ilusões; e vereis que, à medida que o reino de Deus aumenta, e que a obra se espalha e o sacerdócio ganha poder e influência na terra, estes sistemas ganharão poder e influência, e que a forte ilusão aumentará e se espalhará entre os habitantes da terra. Não fizeram sua aparição até que esta Igreja fosse organizada e o testemunho de sua verdade fosse prestado; mas, assim que o sacerdócio genuíno foi restaurado, a falsificação ou contrafação fez sua aparição; e, à medida que esta obra aumenta em força e potência na terra, assim aumentarão estas ilusões das quais falo, até que aqueles que rejeitam a verdade sejam presos em forte ilusão e entregues à dureza de coração. Está escrito que "o espírito de Deus nem sempre contenderá com o homem", e quando a verdade é oferecida aos homens e eles a rejeitam, esse espírito será retirado, e outra influência e espírito tomarão posse deles, e eles serão levados cativos pelo Adversário.

Mas este não é o caso da obra de Deus; o testemunho daqueles que abraçaram o evangelho de Jesus Cristo é diferente neste aspecto. É como era antigamente — "linha sobre linha, preceito sobre preceito, um pouco aqui, um pouco ali." Deus tem revelado a Seu povo de acordo com sua capacidade de receber. Ele lhes deu conhecimento assim como pais sábios o dão a seus filhos. Ele não lhes concedeu algo que os destruiria; mas lhes deu luz sobre luz e conhecimento sobre conhecimento, a fim de conduzi-los e treiná-los no caminho da retidão que finalmente os levará de volta à Sua presença. Que alegria, paz, amor e união têm sido concedidos àqueles que abraçaram o evangelho de Jesus Cristo! Que luz tem sido lançada sobre suas mentes em relação às Escrituras! Mal entraram nas águas do batismo para a remissão de seus pecados e tiveram mãos impostas sobre eles para o Espírito Santo, e já pareceu que uma paz celestial tomou posse deles. Quem, que possa se lembrar de algo sobre o tempo em que entrou na Igreja e sua experiência subsequente, não pode dizer que sentiu gratidão indizível a Deus pelas bênçãos que recebeu? Tem sido "como o orvalho descendo do céu." Tem descido sobre o povo e o enchido de paz, e unido seus corações em amor, e eles se têm regozijado no poder que Deus manifestou em seu favor. Mas eles não têm tido estas manifestações maravilhosas de que lemos entre os espiritualistas; não tem havido necessidade delas.

Há algo notável no crescimento e desenvolvimento do espiritismo. Quando Joseph declarou que anjos haviam vindo do céu e se haviam manifestado a ele em presença corporal, e haviam imposto as mãos sobre ele, seu testemunho foi rejeitado, e o povo o declarou um impostor, um falso profeta, e indigno de viver; e não se satisfizeram até que o mataram. Mas como tudo mudou desde então! Que avanço o mundo fez em crenças desta natureza! Podeis contar quase qualquer coisa sobre manifestações espirituais, e o povo está pronto para crer nisso — isto é, se estiver fora do sacerdócio e não vier dos Santos dos Últimos Dias; suas declarações são recebidas com tanta incredulidade e desdém como sempre.

Bem, a diferença entre os dois sistemas é evidente. Os Santos dos Últimos Dias estão unidos, tal como Jesus Cristo orou para que Seus seguidores fossem. É verdade que ainda não somos um como o Pai e o Filho são um; mas estamos nos aproximando disso. O princípio da unidade está em nosso meio e continuamente cresce. Mas como está com aqueles que são vis imitadores dos servos de Deus? Ora, mil devaneios são por eles entretidos. Não há forma de crença na qual se unam; não há união entre eles. Estão divididos e separados em milhares de fragmentos, tendo todos suas próprias ideias e opiniões peculiares. Será a obra de Deus levada adiante por eles? Serão os habitantes da terra beneficiados por eles? Será a terra tornada melhor, mais bela ou mais amável por seus trabalhos, ou pelas revelações que recebem? Não, não há frutos desta espécie a serem testemunhados entre eles; mas tudo é divisão, confusão e caos. Não há nada que os cimente juntos ou os torne um. Mas a obra que Deus estabeleceu avança a passos de gigante e realiza grandes resultados. Ela está trazendo milhares dos pobres e ignorantes das nações da terra e os emancipando da pobreza, da servidão e do cativeiro sob os quais eles e seus pais antes deles têm gemido por gerações; e está revelando-lhes o evangelho de paz, o plano de salvação, e os plantando em uma terra de liberdade, e concedendo-lhes toda bênção que o coração do homem deseja. Além disso, está produzindo resultados mentais de caráter maravilhoso e elevado. Concede àqueles que obedecem a seus preceitos conhecimento celestial, torna-os sábios em todas as coisas, fazendo com que se tornem um povo infinitamente melhor do que eram antes. Quem não pode ver, se abrir os olhos à evidência, que Deus fez com que se realizasse Sua obra, qual é a obra de Deus e qual é a do Adversário?

Ao falar neste tom, estou falando do que sei. Não estou vos dizendo o que João, Pedro ou Paulo disseram há 1.800 anos, e o que Moisés deixou registrado. Estou aqui como testemunha, corroborando o que eles escreveram. Sei, por mim mesmo, que Deus falou dos céus e restaurou o evangelho eterno em sua pureza à terra; que Ele ordenou Seus servos e lhes deu o poder e a autoridade que foram detidos e desfrutados nos dias antigos. Sei que Ele restaurou à terra as ordenanças do evangelho e o Espírito Santo com seus dons e bênçãos. Estas coisas eu recebi e eu mesmo as desfrutei, portanto sei que são verdadeiras. Sei que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, e concede Suas bênçãos a todos os que se humilharem diante dEle, e O buscarem em nome de Jesus.

Que Deus nos ajude a todos a viver de modo a assegurar e preservar este testemunho é minha oração, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “Unidade e Imutabilidade do Evangelho — Nova Revelação É Necessária — Espiritismo”, (1869-01-31). Pulpit Vault, 1869-01-cannon-unity-and-unchangeableness-of-the-gospel-new-revelation-needed-spiritualism. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).