A Alegria e Felicidade Concedidas pelo Evangelho — Religião Sectária e Revelada — A Unidade como Ordem de Deus
Orson Pratt
Tendo sido chamado a me dirigir aos santos nesta tarde, faço-o com a maior alegria, sentindo-me a regozijar diante do Senhor por ter este privilégio. Estimo as bênçãos que foram concedidas a este povo muito acima de todas as riquezas, fortuna e honrarias que possivelmente poderiam lhes ser concedidas pelos homens. Há algo ligado à dispensação do evangelho que nos foi revelada, que é, por sua própria natureza, calculado para inspirar o coração do verdadeiro santo com alegria. Não há outra religião existente entre os homens calculada para conceder a mesma alegria e felicidade que a que abraçamos. ¶
Crer num Deus que outrora conversava livremente com seus filhos, e os tomava em estreita comunhão consigo, e lhes revelava muitas coisas grandiosas e preciosas, e os enchia do Espírito Santo, mas que, em tempos posteriores, recusou as mesmas bênçãos a outra classe de seus filhos, é um horror para meus sentimentos; não me traria satisfação, felicidade, verdadeira alegria, ou paz de espírito, nem a mim nem a qualquer outra pessoa. Contudo, fomos educados, antes de abraçarmos a plenitude do evangelho, numa variedade de religiões em que se nos ensinava que Deus outrora foi um Deus de poder, e que em antigas dispensações desnudou seu braço entre o povo; mas as várias seitas religiosas do dia nos dizem que, nos últimos 1700 anos, estas grandes manifestações de seu poder e bondade foram retidas dos filhos dos homens. ¶
Que satisfação é esta para mim ou para qualquer verdadeiro santo de Deus, de coração sincero? Se eu estivesse com muita fome, tendo jejuado por muito tempo, e meu apetite ansiasse muito por comida, de que serviria eu ler a respeito de pessoas que desfrutaram de uma grande variedade de alimentos saborosos e saudáveis há 1800 anos? Quanto isto satisfaria os anseios e necessidades de minha natureza? Suponde que eu encontrasse um povo muito faminto, ou muitas congregações dele, que tivessem jejuado até quase perecerem por falta de alimento, e eu lhes dissesse: "Animai-vos, irmãos, alegrai-vos e regozijai-vos sobremaneira, pois o Senhor alimentou cinco mil, em dias antigos, com uns poucos pães e peixes, mas não deveis esperar que ele faça algo semelhante por vós." Pensais que tal povo se sentiria batendo palmas ou gritando de alegria diante de tal anúncio? Considero todas as religiões sectárias do mundo, nas quais nossos pais creram, sob esta luz. Dai-me uma religião que alimente a alma em meus dias; dai-me uma religião que dê a seus crentes o privilégio de conversar com Deus em seus próprios dias; que inspire seus corações com as revelações do céu, e manifeste aquelas coisas que são grandiosas e celestiais, e lhes revele seus deveres enquanto vivem. Se não posso ter uma religião desta natureza, digo adeus a todas as religiões. Nada menos do que isto me satisfará como indivíduo. ¶
Muitas verdades boas e sadias são ensinadas, não obstante, por quase toda sociedade religiosa, talvez possamos dizer todas, sem excetuar as nações pagãs, que adoram ídolos. Têm entre si muitos princípios bons e sadios, assim como muitos que são maus, e que estão calculados a escurecer a mente, corromper o coração, e desviá-los do verdadeiro Deus. Se as religiões do dia estivessem cheias de mal do princípio ao fim; se não houvesse nelas princípios de moralidade, não estariam, por sua natureza, calculadas a arrastar tantos para o cativeiro e a sujeição a elas. Mas, porque têm alguns bons e sadios princípios morais misturados a suas tolas e vãs tradições, e formas sem poder, milhões são arrastados para suas armadilhas. ¶
Muitas vezes senti vontade de perguntar aos filhos dos homens como veriam um homem à frente de uma família de filhos — digamos, uma dúzia de filhos —, que se dignasse a ser muito íntimo e sociável com seis deles, os mais velhos, e os ensinasse e instruísse, desenvolvesse suas mentes e os conduzisse adiante, desdobrando-lhes princípio após princípio; e, com o tempo, quando os outros seis chegassem, crendo-o um ser imparcial, e sabendo das grandes bênçãos concedidas a seus irmãos, pedissem bênçãos semelhantes, mas nem uma só alma solitária dos seis pudesse obter dele uma sílaba de informação. Não pensaríeis que tal pai havia mudado muito materialmente, ou que os filhos haviam incorrido em seu desagrado a tal ponto que ele não quisesse ter nada a ver com eles? Ora, é sob esta luz que Deus é apresentado por todas as religiões sectárias do dia. ¶
Nós, Santos dos Últimos Dias, saímos de todas estas doutrinas vãs e tolas; renunciamos a elas. Quando o glorioso evangelho do Filho de Deus soou em nossos ouvidos, o recebemos com alegria. Vimos, em grande medida, a tolice das religiões que nos haviam sido ensinadas todos os nossos dias; vimos quão impotentes eram. Vimos que não tinham voz de anjos, e que Deus não inspirava nenhuma delas com o espírito de profecia; vimos que nenhuma delas tinha revelação, ou as visões do céu abertas a suas mentes; e também vimos que as doutrinas que ensinavam eram tolas, vãs e falsas, forjadas pelos filhos dos homens sem autoridade de Deus, e, vendo isto, renunciamos a todas elas. ¶
Frequentemente, em nosso Tabernáculo e casas de reunião, temos o privilégio de ver o contraste com isto. Há alguns de nossos filhos, nascidos aqui neste Território, que talvez nunca tenham formado muita ideia a respeito das falsas doutrinas às quais nossos antepassados estiveram atados por gerações. É verdade que ocasionalmente lhes contamos, mas não podem compreendê-lo como se o tivessem experimentado por si mesmos. ¶
Considero que a maior parte do que ouvimos proferido desta tribuna nesta manhã foi muito bom; e, segundo minha opinião, os princípios apresentados eram sadios, até onde chegaram. Mas sondai estas doutrinas até o fundo, e descobriremos que aqueles que as defendem creem que a tradução de Rei Jaime da Bíblia contém a última revelação que Deus algum dia deu, ou que pretende dar à família humana. É isto o que eles próprios nos dizem. Ora, de que utilidade particular é pregar a moralidade e muitas outras coisas boas, e depois ligá-las a uma doutrina desta espécie? Podeis pensar que sou severo, mas não pude evitar, enquanto escutava esta manhã, contrastar este povo, com toda a luz e conhecimento que Deus derramou dos céus sobre ele, com os sistemas formais e impotentes dos filhos dos homens em que fomos por tanto tempo tradicionados. ¶
Quando ouvimos a salvação pregada, sabemos que é verdadeira; quando ouvimos que Jesus é o Autor da salvação para todos os que lhe obedecem, sabemos que isto é verdade. Mas, quando ascendemos ainda mais nestes grandes e sublimes princípios, descobrimos que, além de crer que Jesus é o Autor da salvação, devemos saber o que ele exige dos filhos dos homens, e então obedecer-lhe. Devemos descobrir e compreender que ele é o mesmo Autor da salvação que era em dias antigos; que, se ele de fato conversava com seus filhos em dias antigos, sendo o mesmo Autor da salvação e imutável em sua natureza e atributos, está disposto a falar a seus filhos nestes tempos. Poderíeis levar o mundo religioso a crer nesta doutrina, ou a pregá-la? Não. Por quê? Porque contradiz seus credos. Cercaram-se, por assim dizer, com uma medida limitada, e disseram a seus prosélitos: "Até aqui ireis nesta crença, e não mais além." Podeis crer exatamente no que os antigos escreveram, mas não deveis crer em nada além disso. Podeis crer que Deus falou a Moisés e libertou os filhos de Israel por seu poder; mas não deveis crer que ele algum dia levantará um Moisés em nossos dias. Podeis crer que Deus deu as chaves de seu reino ao apóstolo Pedro, e lhe deu o poder de desdobrar os princípios da vida eterna em seus dias, mas não deveis crer que algum homem detenha as chaves nestes dias. Estes são seus credos, e vos cortarão de sua igreja se professardes crer em novas revelações, ou em algo não contido na Bíblia. ¶
Não pensei, quando me levantei, em dizer algo sobre este assunto, mas veio-me à mente. Há tantos grandes e gloriosos princípios que Deus revelou a este povo, que parece que mal temos tempo para falar das falsas doutrinas dos filhos dos homens. Desejamos falar de coisas mais gloriosas; coisas calculadas a reavivar os corações dos santos, a enchê-los de alegria, paz e felicidade, e a inspirá-los com a esperança das bênçãos vindouras. ¶
Nós, Santos dos Últimos Dias, não apenas abraçamos os primeiros princípios do evangelho, mas nos reunimos de muitas nações e viemos a estes vales isolados com o entendimento de que seríamos instruídos mais perfeitamente nos caminhos do Senhor. Se nos reunimos com quaisquer outros sentimentos ou pontos de vista em nossos corações, cometemos um erro. O Senhor nosso Deus não poderia nos ensinar, e nos edificar nas ordenanças de seu reino, sem nos tornar um só povo. Esperamos obter a salvação; este é nosso grande objetivo. Se este não tivesse sido nosso objetivo, bem poucas pessoas teriam vindo tantos milhares de quilômetros até esta região comparativamente deserta. Isto prova a sinceridade daqueles que se reuniram; prova que estiveram dispostos a fazer quase qualquer coisa, contanto que pudessem obter aquela salvação que ansiavam, e que desejavam com todo o coração. Portanto, esperais, se sois verdadeiros santos, como já observei, que, ao chegardes aqui, sereis instruídos mais perfeitamente em relação a vossos deveres. Talvez alguns tenham formado ideias errôneas a respeito destes ensinamentos, pensando em seus próprios corações que, ao chegarem a Sião — o grande lugar de ajuntamento —, seriam instruídos mais perfeitamente em deveres espirituais, e continuamente alimentados de coisas espirituais. Talvez alguns tenham imbuído a ideia de que Deus não inspiraria seus servos a dizer muito a respeito de assuntos temporais. Esta é uma das coisas que aprendemos no mundo. Não apenas aprendemos que Deus não fala em nossos dias, e que não tem profetas nem homens inspirados, mas também aprendemos que cada homem deve cuidar de si mesmo, e que, no que se refere à propriedade, o demônio que fique com o resto. Fomos totalmente ensinados nesta lição, ela foi incutida em nossa própria constituição; e pensar que Deus nada tem a ver com assuntos temporais, e que pode preparar seu povo para entrar no reino celestial e ser feito um e igual, por assim dizer, no desfrute das coisas celestiais, e ainda assim estar tão dividido quanto o oriente está do ocidente em relação às coisas temporais, tornou-se para nós uma segunda natureza. Até os Santos dos Últimos Dias, com toda a sua informação e conhecimento, e as bênçãos que receberam, mal conseguem conceber que o Senhor tenha algo a ver com ensiná-los como proceder em relação a seus negócios temporais. ¶
O Senhor diz: "Para mim, todas as coisas são espirituais." Fez Deus esta terra? Sim. Bem, foi uma obra espiritual. Ele falou, sua palavra saiu de sua boca, os elementos foram reunidos e organizados, e a terra foi feita muito boa. Foi uma obra espiritual. Podemos chamá-la de temporal; mas Deus, em todas as coisas pertencentes a suas obras, é espiritual, e todas as coisas, para ele, como diz numa de suas revelações, são espirituais. Mas a vós, Santos dos Últimos Dias, por causa de vossas tradições, ele fez uma pequena distinção, e chamou algumas coisas de temporais e outras de espirituais. No grande dia da plenitude da redenção que é prometida aos santos, pela qual todos esperamos, esperamos ser admitidos à presença de um Ser que não tem materialidade alguma? Esperamos ser admitidos num céu que consista em coisas espirituais segundo nossas ideias? Esperamos, quando ali chegarmos, encontrar seres à imagem dos quais somos, e ainda assim sejam intangíveis e sem substância? Se somos materiais, também eles o serão. Se temos carne e ossos depois da ressurreição, também eles terão carne e ossos. Se somos homem e mulher depois da ressurreição, também eles o serão na sociedade celestial. Se temos tronos de natureza material, também eles os terão, e seus tronos serão tão materiais em sua natureza quanto os tronos deste mundo. É verdade que aquelas pessoas, seus tronos, e os elementos pelos quais estão cercados, serão todos puros. Serão incontaminados pelo pecado, sendo de tal forma purificados e santificados que o pecado ali não terá domínio. Mas, porque tudo ali é puro, isto não o torna de todo imaterial em sua natureza; ainda é uma substância duradoura. E, quando ali recebermos nossa herança, receberemos uma herança tangível, uma herança espiritual, e uma herança material. Consistirá em terra? Sim, tanto quanto a terra sobre a qual caminhamos; mas a terra será purificada e santificada. Não será nem contaminada nem imunda, e ninguém, senão os puros, limpos e santificados, possuirá heranças ali. Temos livros materiais aqui neste mundo, dos quais obtemos informação? Sim. Não serão eles também materiais naquele mundo? Não haverá ali livros e registros em abundância? Não serão os atos e feitos dos filhos dos homens registrados em livros naquele mundo? Não serão vossos selamentos e bênçãos, e os poderes e chaves que vos foram concedidos, ali registrados em livros, assim como em livros neste mundo? Bem, então, tudo é espiritual e tudo é material em sua natureza. Havemos de possuir estas riquezas espirituais e eternas naquele mundo? Somos informados, em numerosas leis que Deus deu, que todo este povo há de se tornar um, por assim dizer. Nenhuma divisão ali; nenhuma disputa a respeito de propriedade; nenhuma coisa como uma pessoa sentada bem abaixo em farrapos e outra elevada com imensa riqueza. Que lemos no Livro de Doutrina e Convênios, numa revelação dada a Joseph nos primórdios desta Igreja, falando da propriedade que foi colocada nas mãos de certos indivíduos que haviam entrado num convênio e numa ordem eterna? O Senhor diz: "Sois meramente mordomos; estas propriedades são minhas, ou então vossa fé é vã." "E," diz o Senhor, "a menos que sejais feitos iguais nos laços das coisas terrenas (isto é, em propriedade), não podeis ser feitos iguais no desfrute das riquezas santas e eternas." ¶
Ora, se há de haver igualdade nos mundos eternos, por toda a hoste celestial, no desfrute das riquezas eternas, não é necessário que os Santos dos Últimos Dias comecem a ser um, ao menos em alguma medida, no que diz respeito a suas posses aqui neste mundo? ¶
Quão grato tenho estado ao observar os grandes movimentos que se dão, neste outono, em nosso meio. Que grande revolução se dá, apontando para esta união! Não em sua perfeição, pois o povo não está preparado para ela. Uma ordem perfeita ainda não pode ser introduzida; isso existirá quando voltardes ao Condado de Jackson. Ainda não aprendemos a lição de que somos apenas mordomos sobre aquilo que o Senhor coloca em nossas mãos. Ainda não aprendemos a lei que deveria governar e regular estes assuntos. Desde que entramos nestes vales, cada homem tem sido mais ou menos para si mesmo. O comerciante, para negociar e traficar e ganhar tudo o que possivelmente pudesse arrecadar e juntar. O artesão, o fazendeiro e o industrial fizeram o mesmo; e cada um, em todos os vários ramos de negócio conduzidos em nosso Território, tem estado constantemente agarrando aqui e agarrando ali, cada qual tentando enriquecer o mais depressa possível e se tornar milionário sem grande esforço. ¶
Ora, supondo que um homem pudesse possuir suas dezenas de milhões, que satisfação há nisso? Se um homem se dedica à profissão mercantil, e é capaz de acumular ouro como o pó da terra, de modo que pudesse comprar o povo de todo o Território, que felicidade ou satisfação isto lhe daria? A satisfação que tal homem desfrutaria é como ouvi certo comerciante relatar não há muito — "que teve de pôr panos molhados sobre a cabeça a fim de impedir que seu cérebro se virasse do avesso," pelo cuidado, perplexidade e dificuldade que enfrentou tentando administrar deste modo, e daquele, e de outro. Para quê? Ora, para agarrar e ganhar mais, e amontoar propriedade. Não há muita felicidade quando um homem chega a uma condição em que toda sua alma é arrastada atrás da propriedade, e toda sua mente, por assim dizer, é levada com ela. Quanto maior satisfação deveria dar a este homem ver todo o povo enriquecer igualmente, tanto quanto possa, sob a atual ordem imperfeita das coisas. É verdade que nem todos têm o mesmo intelecto ou capacidade; nem todos compreendem os negócios mercantis, nem todos compreendem os vários ramos de negócio conduzidos pelo povo deste Território. Nem todos podem se reunir e amontoar riqueza igualmente; mas ainda assim um homem pobre pode ser um homem honesto; um homem pobre pode ser um homem bom. Um homem pobre, que não tem a aptidão para amontoar riquezas, pode, ao mesmo tempo, ser sincero e honesto de coração, e se esforçar para fazer tanto bem quanto o homem que constantemente esgota sua mente tentando obter propriedade. E quanto mais satisfatório seria para o verdadeiro santo comerciante, de coração sincero, ver todos os seus irmãos se tornarem ricos e prósperos, do que ver seus milhões se multiplicarem ao seu redor, e milhares de seus irmãos afundados nas mais baixas profundezas da pobreza, muitos deles mal sabendo onde conseguir a próxima refeição. ¶
Este desejo desmedido de riquezas é uma tradição gentia que nos foi ensinada antes de entrarmos nesta Igreja. Trouxemos estes sentimentos para dentro da Igreja; e, quando abraçamos o evangelho, verdadeiramente pensamos que tudo era espiritual, e nada tinha a ver com assuntos temporais. Viemos a este vale, cheios destas noções e tradições. Mas é tempo agora de começarmos a despertar e a escutar o conselho daquele que é nosso líder, nosso Profeta e Presidente. Ele tem nos dizendo o dia todo que devemos nos tornar mais unidos, que devemos buscar de todo o coração ser um, não apenas em relação ao batismo e à imposição de mãos, e à doutrina em geral, mas unidos em nossos interesses como povo, a fim de que possamos edificar o reino de Deus e estender suas fronteiras, para que, quando chegar o tempo daquela grande cidade central ser edificada no lugar consagrado, este povo tenha riqueza em sua posse para realizar a obra de Deus. Em vez disso, agora reina a pobreza, e algumas vezes pensei que reinaria até que a ordem das coisas fosse mudada. Graças a Deus, parece agora haver um começo, um apontar adiante para o tempo em que esta união será trazida. Creio que o povo agora está mais preparado para trazer esta revolução do que jamais esteve. Por quê? Porque tiveram longa experiência. Tiveram ambos os lados da questão postos diante deles. Por seus próprios atos neste Território, durante os últimos vinte e um anos, viram os resultados de cada homem agarrar para si mesmo. Estes resultados, que se têm manifestado diante deles por anos, e que vão se fortalecendo cada vez mais, estão erguendo um poder no meio deste Território que causará tristeza aos Santos dos Últimos Dias, no tempo por vir, se não despertarem. Mas os homens ricos, os comerciantes, aqueles que têm suas centenas de milhares, estão começando a despertar, e estão se dedicando com sentimento de interesse a edificar o reino de Deus, segundo os conselhos que Deus lhes tem transmitido pela boca de seus servos. Se este conselho puder ser cumprido, não apenas em nossos arranjos mercantis, mas em todo outro ramo de negócio necessário ao bem-estar do povo deste Território, descobrireis que multiplicarão suas riquezas cem vezes mais depressa do que se agissem individualmente. ¶
Disse Deus algo a respeito das riquezas temporais? Sim. Disse a esta Igreja, antes que completasse um ano, que nos tornaríamos o mais rico de todos os povos. Suas palavras se cumprirão. O Senhor diz que não apenas teremos as riquezas da eternidade, mas teremos as riquezas da terra. Deus não se importa quanta riqueza seu povo tenha, contanto que a obtenha segundo a lei que ele instituiu. Pensais que o Senhor deseja que seu povo esteja sempre preso aos grilhões da pobreza, angústia e sofrimento? Não. Ele está disposto a que tenhais vossas centenas de milhares. Mas deseja que as riquezas de seu povo estejam, em todo tempo, em posição de serem usadas, não para engrandecer apenas a si mesmos, mas para edificar seu reino dos últimos dias aqui na terra. Temos isto a fazer. O Senhor decretou, neste livro, que consagrará das riquezas dos gentios que abraçarem seu evangelho aos pobres de seu povo que são da Casa de Israel. Ora, podemos fugir disso? Não. Aqui estão centenas de milhares dos pobres de seu povo da Casa de Israel, nestas montanhas e na América do Norte e do Sul. Deus não os esqueceu, embora estejam degradados ao nível dos brutos animais, embora vagueiem por causa das iniquidades e apostasia de seus pais. Embora estejam nesta condição desolada e proscrita, Deus não esqueceu as promessas feitas a seus pais. Hão de ser erguidos, e é para fazer esta obra que temos o privilégio de desfrutar de sua terra. Não estamos na posse de nossa terra de promessa particularmente, senão à medida que a obtemos por uma promessa renovada; mas estamos herdando uma terra que foi dada ao remanescente de José, e Deus disse que devemos ser lembrados com eles na posse desta terra. ¶
Se, então, o remanescente de José pode nos fornecer uma terra de promessa na qual habitar, e na qual edificar nossos prédios e nos tornar fortes, não deveríamos, em troca, tomar aquelas riquezas que ganhamos por nossa própria diligência, e usá-las para a redenção daquele povo? Temos de fazê-lo. É a obra que temos em mãos. E, se o fizermos, devemos nos livrar deste princípio cobiçoso que nos leva a tomar tudo o que podemos agarrar, e dizer: "isto será para mim e minha família, para que eu me engrandeça, e tenha ao meu redor coisas muito superiores às de meu vizinho." ¶
Este princípio deve ser erradicado de nossa natureza; e penso, tanto quanto meu pobre e fraco julgamento alcança, que um fundamento foi lançado, e um plano concebido, que afetará todo ramo de negócio, desde o estabelecimento mercantil até o fazendeiro e o artesão. Tudo deve ser organizado segundo a lei do céu. Isto nos preparará para a lei mais perfeita que entrará em vigor, quando o Senhor ordenar a este povo que volte ao lugar onde a cidade central será edificada. Temos de edificar aquela cidade; temos de fornecer riquezas para fazê-lo. Devemos nos preparar para isso; e, quando ali chegarmos, haverá uma ordem mais perfeita estabelecida do que a que agora está sendo instituída. ¶
Deus ainda não nos permitiu entrar numa ordem perfeita. Disse ao povo, quando foram dispersos daquela terra, que aquelas leis que dera a respeito das propriedades de seus filhos fossem executadas e cumpridas depois da redenção de Sião. Ora, duvido que possais executá-las antes daquele tempo; mas podeis vos aproximar delas tanto quanto puderdes, para que não sejais de todo estranhos à ordem que Deus introduzirá quando voltardes àquela terra. Pois assim diz o Senhor Deus, numa das novas revelações que deu, registrada na história de Joseph, o profeta: "Eis que enviarei um poderoso e forte, vestido de luz como de veste, cuja boca proferirá palavras — palavras eternas, e cujas entranhas serão uma fonte de verdade, que dividirá aos santos suas heranças." Ele enviará alguém ordenado para este propósito, e para cumprir este dever particular, para que os santos recebam suas heranças depois de terem consagrado tudo o que possuem. Então poderemos edificar uma cidade que será uma cidade de perfeição, "a perfeição da beleza." Desejo ver aquele dia, seja na carne ou fora dela, e nele me regozijar, e participar de suas glórias. Deus vos abençoe. Amém. ¶