Autossuficiência — Perseguições — Influência Externa
George Q. Cannon
Há algumas questões extremamente importantes que foram apresentadas diante de nós para nossa consideração nesta Conferência. Considero-as de importância transcendental, porque de sua solução correta depende, em grande medida, a perpetuidade de nossos lares, e da instituição que Deus nos deu. Deus confiou a este povo Seu Evangelho. Ele colocou em Sua igreja os oráculos do santo sacerdócio. Ele nos deu o trabalho de edificar Seu Sião na terra, e cabe a nós, se esperamos receber a recompensa que Ele prometeu, cumprir fielmente essa confiança, sejam quais forem as consequências. ¶
Já o estabelecimento desta obra custou o melhor sangue desta geração. Já um profeta, um patriarca, apóstolos e numerosos Santos deram suas vidas para estabelecer a obra à qual estamos ligados. Cabe a nós decidir durante esta Conferência se esse sangue foi derramado em vão; se os sofrimentos, provações, dificuldades e privações, nosso êxodo das terras que antes ocupávamos e habitávamos, nossa peregrinação até este país, nossos sofrimentos desde que aqui chegamos, os trabalhos que despendemos ao erguer esta cidade e estender a civilização por todo este Território — digo que cabe a nós decidir hoje e durante esta Conferência se tudo isso foi ou não em vão; e se edificaremos Seu reino de acordo com Seu mandamento divino, ou dividiremos nossa força e energia, e os talentos com que Ele nos dotou, ao edificar um sistema ou sistemas que se opõem a esta obra. Cabe a nós decidir se nos submeteremos à jurisdição do santo sacerdócio, ou se renunciaremos a essa jurisdição e a nossa lealdade a Deus. Estas são as questões que se apresentam diante de nós hoje. São questões importantes, e devem ser decididas com cuidado e entendimento. ¶
Considero a posição que ocupamos hoje, em alguns aspectos, como crítica. Não que eu antecipe qualquer perigo, ou tenha qualquer temor de que sejamos derrubados, se o povo apenas for fiel a si mesmo e a seu Deus. Sei, tão certamente quanto sei que vivo e estou falando convosco hoje, que esta é a obra de Deus. Sei que Ele prometeu que ela permanecerá para sempre, e que reduzirá a pedaços tudo o que se opuser a ela. Mas também sei que, para que ela realize esta grande obra, e para que participemos de todos os seus benefícios e bênçãos, cada um de nós individualmente deve ser fiel a ela, pois as bênçãos que nos são prometidas são condicionais. Se nos mostrarmos infiéis à confiança que Deus nos deu, outros serão levantados em nosso lugar para tomar a grande obra em suas mãos, e levá-la adiante até sua plena consumação. ¶
Considero o tempo presente, como já disse, como crítico. Sinto que, se não ouvirmos os conselhos que nos são dados, Deus tem reservado um flagelo para os Santos dos Últimos Dias. Sinto em cada fibra do meu corpo, em cada nervo do meu ser, que este é um ponto decisivo para os Santos dos Últimos Dias, e que se exige de nós hoje uma decisão quanto a este assunto. Temos, por um longo período, feito o que nos apraz. Temos ido para cá ou para lá, e agido, em certa medida, para nos agradarmos, sem levar em conta a Deus, os conselhos de Seus servos ou os interesses de Seu reino, e sem levar em conta nada além de nossos próprios interesses gerais. A consequência é que está crescendo em nosso meio um poder que nos ameaça com destruição e ruína total. Dizem-nos — abertamente e sem disfarce — que, quando a estrada de ferro estiver concluída, haverá aqui uma tal inundação da chamada "civilização" que todo vestígio de nós, de nossa igreja e de nossas instituições será completamente apagado. Quando nos dizem isso tão claramente e sem disfarce, não seria loucura, mais ainda, insensatez, ficarmos parados, cruzarmos os braços indolentemente e aguardarmos o desastre sem fazer o menor esforço para evitá-lo? Um povo assim entorpecido seria indigno das bênçãos que Deus nos concedeu. ¶
Sei que há um sentimento de grande confiança nas mentes de nossos irmãos e irmãs. Eles têm, como o Presidente Young tem dito muitas vezes, uma grande quantidade de fé; têm tanta confiança em Deus que vão e vendem seu grão, esperando que Deus os alimente esteja o grão no celeiro ou não. Alguma confiança dessa espécie parece permear suas mentes a respeito do que está por vir, e manifestam, em certa medida, descuido e indiferença quanto a cumprir os conselhos que lhes são dados, pensando que Deus, que os preservou de modo tão notável no passado, continuará a protegê-los. É excelente termos fé, mas não devemos ter apenas fé. Nossa fé deve estar associada a obras, e estas devem corresponder àquela. Quando nossa fé e nossas obras estão unidas, podemos recorrer a Deus em busca de ajuda para nos capacitar a realizar o que Ele exige de nossas mãos. ¶
Quando reflito, meus irmãos e irmãs, sobre cenas passadas, como tenho feito enquanto ouço as observações dos irmãos durante esta Conferência; quando reflito sobre a condição em que estávamos quando expulsos de Nauvoo, e sobre nossa jornada do Mississippi até este vale — os sofrimentos das mulheres e crianças, e dos idosos entre nós; quando reflito sobre as centenas que enterramos em Winter Quarters, e as privações que o povo suportou enquanto lá esteve; sobre as dificuldades que o povo foi obrigado a suportar depois de chegar aqui, e lembro-me de que tudo isso foi causado pela mão vermelha da perseguição, pelo mobismo e pela violência de homens ímpios, que nos invejavam a posse de nossos direitos dados pelo Céu; quando reflito sobre tudo isso, e também sobre nossas circunstâncias agora, sinto-me grato pelo que Deus tem feito por nós, e minha oração, repetida com frequência, tem sido: "Ó Deus, nunca mais deixes este povo tornar-se presa dos desordeiros, nunca mais nos deixes cair nas mãos de nossos inimigos, mas, se agirmos mal, castiga-nos Tu, e salva-nos das mãos daqueles que nos têm perseguido." Este tem sido meu sentimento. Mas quando olho para nossas circunstâncias agora, sinto como se o povo tivesse esquecido aquilo por que passou, e não se opusesse a uma repetição dessas cenas. ¶
Por anos, depois de chegarmos a estes vales, sentimos como se nunca mais quiséssemos ver o rosto de um inimigo, e que, se pudéssemos ter apenas pão, água e paz, ficaríamos contentes. Sentimos, como o Irmão Pratt se expressou ontem, que, se tivéssemos apenas peles de lobo e de veado para nos vestir, ficaríamos satisfeitos, contanto que pudéssemos ter paz. Foi a paz que viemos desfrutar aqui. Foi pela paz que fugimos de nossos antigos lares e fizemos a longa e cansativa jornada até estes vales. ¶
Mas como está hoje? Quais são as circunstâncias que nos cercam agora? Ora, aqui na cidade principal de Sião, na cidade central, onde os alicerces do templo estão lançados e onde a Casa do Senhor foi erguida, na qual se ministram investiduras e ordenanças sagradas, o que encontramos? Encontramos um poder crescendo em nosso meio que nos ameaça, da maneira mais clara e sem disfarce, com destruição total. É assim mesmo? É, e tem sido assim por anos; e esse poder tem sido fomentado por nós como povo. Ele cresceu, floresceu e engordou às nossas custas e às custas dos meios que produzimos. Não é necessário, então, que algo seja feito? A meu ver, é claro que algum esforço, como o que foi proposto, deveria ser feito para concentrar os Santos e apresentar-lhes os princípios da salvação de tal maneira que compreendam o rumo que devem tomar. ¶
Enquanto os irmãos falavam ontem, e enquanto estávamos no Sul, muitas vezes me veio à mente uma circunstância ocorrida em Nauvoo. Foi em 10 de junho de 1844; tive ocasião de ir ao Conselho Municipal de Nauvoo, com algumas provas tipográficas para o editor do "Nauvoo Neighbor" — o Élder John Taylor. Eu era um rapaz na época, o "aprendiz" da tipografia, como tecnicamente se chama. Enquanto lá estava, o assunto em discussão era declarar o "Nauvoo Expositor" um incômodo público. Sem dúvida muitos de vós vos lembrais daquele jornal, cujo único número foi publicado pelos Law e outros apóstatas. Vós que não vos lembrais do jornal talvez vos lembreis de ter lido a respeito dele. Havia certa agitação naquele momento no Conselho. Haviam aprovado uma ordenança declarando-o um incômodo, e autorizando o marechal da cidade, John P. Green, a fazê-lo cessar. Joseph e Hyrum estavam conversando junto a uma das janelas da sala. Hyrum observou a Joseph: "Antes de eu consentir que aquele jornal continue a difamar nossas esposas, irmãs e filhas, como tem feito, deitarei meu corpo sobre as paredes do edifício." O sentimento, do modo como ele o expressou, percorreu-me todo. Senti como ele sentiu. Contudo, nós, por anos, temos tido em nossa cidade um jornal que publica, se possível, mentiras mais abomináveis sobre nós e nosso povo do que as publicadas pelo "Nauvoo Expositor", jornal cuja supressão Hyrum Smith disse estar disposto a morrer para conseguir. Não temos lhe dado atenção; temos permitido que continue sem ser incomodado. Mas chegou o tempo de tomarmos este assunto em consideração. O Irmão Pratt disse ontem que nossos jornais quase nunca aludiram a ele. Nunca aludimos a ele; consideramo-lo indigno de alusão, tão totalmente desprezível é ele; mas agora o apresento diante de vós. O que estamos fazendo nesta ocasião presente é trazê-lo plenamente à nossa mente, para que possamos ver e compreender a natureza do poder que está crescendo em nosso meio, o qual fomentamos e sustentamos. ¶
Passei os olhos por alguns desses jornais que agora estão sendo publicados aqui, e há dois dos quais vos lerei alguns trechos, para que vejais o espírito que anima nossos opositores. ¶
Num editorial de 11 de agosto encontramos o seguinte, escrito a respeito de um trecho retirado de um de nossos jornais: ¶
"O desejo de reclusão e exclusão, e o espírito repugnante do assassino para garanti-las, saltam à vista em cada palavra do trecho acima. Está tão cheio do espírito funesto que sempre animou a quadrilha, de que este Editor é neste caso o porta-voz, quanto o ferrão da víbora está cheio de veneno. Mas é o gabo vão e fraco de um valentão sufocado. Já passou o tempo em que bandos contratados de assassinos, 'anjos destruidores', podiam exercer seu ofício hediondo, e expulsar do Território, ou assassinar, todos os que Brigham Young e sua quadrilha não desejam nele. Este sujeito, que a mando de seu senhor, Brigham, a quem servilmente e profanamente reverencia como seu deus, insulta os cidadãos dos Estados Unidos ao dizer-lhes que somente aqueles que se curvam tão servilmente quanto ele mesmo diante de Brigham terão licença de permanecer neste Território, ignora o fato de que a bacia do Lago Salgado é um rico oásis no qual a natureza reuniu generosamente tudo o que é necessário no Ponto Intermediário da grande rodovia nacional, a Estrada de Ferro do Pacífico, e que tudo isso pertence aos cidadãos dos Estados Unidos, e não a Brigham e sua quadrilha. Falamos com propriedade quando dizemos Brigham e sua quadrilha, pois, ao consultar os atos da Legislatura dos Santos dos Últimos Dias, verificar-se-á que eles tentaram dar a Brigham e a seu grupo enormíssimas quantidades da parte mais rica deste vale, incluindo privilégios de moinho, etc. ¶
"Até agora este Território só tem sido de interesse para o povo dos Estados Unidos por causa do infame estabelecimento que se procura fundar nele em nome sagrado da religião, e o motor da guerra contra este grosseiro ultraje tem sido unicamente o senso moral do país; mas agora, pela razão que acabamos de mencionar, acrescenta-se um interesse comercial, e os dois juntos, tão certamente quanto a verdade é verdade, e o justo é justo, esmagarão essa coisa vil e livrarão o país dessa mancha imunda, pacificamente se possível, mas com uma vassoura de destruição se isso for inevitável." [Notai bem estas palavras! Quão semelhantes soam à linguagem do manifesto da turba do Condado de Jackson, Missouri!] ¶
"Este Editor, em sua jactância superficial, esquece, ou propositalmente oculta, a verdade de que este mormonismo, que é sacrilegamente chamado de religião, é uma heterodoxia pagã, e que, portanto, as igrejas ortodoxas do país, cujos membros somam milhões, se lançarão contra o monstro espúrio de Utah com toda a sua força. Esta força apenas aguarda a oportunidade que a estrada de ferro lhe dará. Naquele dia, de nada vos adiantará comprar um lastimável congressista, e há de ser bem lastimável aquele que se vender a Brigham." ¶
Em outro artigo, publicado em 8 de setembro, encontramos o seguinte: ¶
"Há numerosos estrangeiros neste Território, que jamais renunciaram à sua lealdade ao soberano estrangeiro de cujos domínios emigraram; e que ano após ano têm votado para cargos locais e para delegado ao Congresso. Há outros que, enganados pelas declarações dos Juízes de Sucessões, feitas deliberada ou ignorantemente, de que tinham poder para naturalizá-los, retiraram seus papéis dos Tribunais de Sucessões, pagando, em muitos casos, uma taxa maior do que aquela que o escrivão do Tribunal Distrital teria direito de cobrar. Todos esses estrangeiros ocupam e possuem, em maior ou menor grau, terras neste Território, e esperam valer-se da lei de preempção, em exclusão dos cidadãos legítimos que estão prontos e desejosos de ocupar as terras que as leis dos Estados Unidos lhes dão o direito de ocupar. Muitos desses estrangeiros, seja sem possuir papel algum, seja com aqueles papéis espúrios emitidos pelos Tribunais de Sucessões, têm, desde a aprovação da lei de 1862 que proíbe a poligamia nos Territórios dos Estados Unidos, violado abertamente e de modo persistente suas disposições; e têm sido veementes em suas expressões de deslealdade para com o governo dos Estados Unidos." ¶
Se vivêssemos nos dias de Nauvoo, e eu tivesse ouvido a leitura desses trechos, teria pensado que eram do "Warsaw Signal". Mas esses execráveis sentimentos não foram publicados em Warsaw, não foram publicados em Sweetwater, em Austin, ou em Virginia City, em Montana; foram publicados em Salt Lake City, na Estaca Central de Sião, tal como está atualmente organizada. Circulam por nossas ruas, e são colocados nas mãos de nossos filhos. São disseminados por todo o Território, tanto quanto possível; são enviados para o leste e para o oeste, para o norte e para o sul, e para todos os lugares até onde se estende a influência de nossos inimigos. Nessas folhas infames, o público é informado de que os Santos dos Últimos Dias são assassinos e tudo o que há de vil, baixo e degradado. E não se poupa esforço algum para incitar nas mentes dos oficiais do governo central sentimentos de ódio contra nós, e para fazê-los crer que uma cruzada deveria ser inaugurada contra nós. Quando um jornal desta espécie é publicado em nosso meio e sai ao mundo sem ser contestado, é coisa difícil para homens e mulheres fora deste Território perceber que tudo o que consta em suas páginas a nosso respeito é falso. Se fosse necessária maior evidência de nossa paciência e tolerância e de nossas tendências de obediência à lei do que já demos, encontrar-se-ia no fato de que o editor deste jornal não foi enforcado. (Ouçam, ouçam.) Em qualquer outra comunidade ele teria sido pendurado num poste de telégrafo; mas aqui, no Território de Utah, em Salt Lake City, debaixo do nariz e diante dos olhos do povo e de seus líderes, este homem que proclama essas falsidades infames percorre nossas ruas sem ser notado nem contestado. Que se saiba por todo o mundo o que temos suportado a este respeito, e não há um homem, do Texas ao Maine, do Atlântico ao Pacífico, que não dissesse que somos o povo mais paciente e tolerante do Continente, ou não suportaríamos isso. Em qualquer outro Território, aquela redação teria sido "arrasada" dentro de cinco dias. ¶
Aludo a este assunto porque este jornal é mantido em nosso meio, e aqueles que nós sustentamos, o sustentam; nosso dinheiro paga suas assinaturas. Nosso dinheiro paga seu editor, compra sua tinta, papel e tipos, e paga seus compositores e impressores. ¶
Referir-me-ei a outro exemplo do crescimento deste poder antagônico em nosso meio. Há pouco tempo, uma circular, elaborada secretamente por certos reverendos senhores residentes nesta Cidade, e provavelmente impressa e postada durante a noite, foi enviada amplamente por todo o Leste, na qual todo epíteto vil que homens ditos religiosos pudessem consistentemente usar foi aplicado a nós como povo. Nessa circular, esses ditos clérigos cristãos apelaram, como disseram, de uma terra estranha e do meio de um povo estranho, a seus irmãos no Leste, exortando-os, se desejassem salvar esta terra da barbárie e trazê-la à civilização, a levantar $15.000 para comprar um lote, no qual se pudesse estabelecer uma casa paroquial e construir uma escola. E o propósito para o qual essa escola foi concebida era inocular nos filhos dos Santos dos Últimos Dias suas doutrinas condenáveis e perniciosas. Quem sustenta essa instituição, e quem sustenta e tem sustentado este jornal? Vós podeis responder a essas perguntas. Nos submeteremos pacientemente a essas coisas? Nos curvaremos como escravos dispostos ao jugo que procurariam nos impor? (Gritos de "Não, não.") Pois bem, então, se não vos curvardes a isso, cessai de negociar com homens dessa classe e sustentai vossos amigos; sustentai aqueles que desejam edificar o reino de Deus, que são um conosco. Se esta luta há de vir, e tivermos de cortar da igreja todos os que não se reformarem a este respeito, prefiro que se faça agora a esperar até que, cercados de inimigos, sejamos expulsos de nossas posses à ponta da baioneta e obrigados a fugir para as montanhas em busca de segurança. (A congregação disse "Amém.") ¶
Como indivíduo, não tenho comunhão com aqueles que sustentam os inimigos do reino de Deus. Nunca a tive. Desde a minha infância meu coração tem estado neste reino; cada pulsação dele tem sido por Sião. ¶
Por anos temos suportado esse tratamento das mãos de forasteiros em nosso meio. O jornal atual tem sido, quando muito, melhor do que seu predecessor, pois este não trazia nome de editor. Fomentado ali no morro, seus colaboradores eram homens que vestiam o uniforme de nosso respeitado "Tio". Seus impressores eram homens pagos como soldados. Não havia nome algum publicado no topo de suas colunas, e era ainda mais vil do que a publicação atual, porque ninguém era responsável por seu conteúdo. Não fiz nenhuma citação dele. Ele também era mantido e recebia contribuições de comerciantes desta Cidade que buscam o apoio deste povo. Sou informado, porém, que o que atualmente é publicado aqui agora sai sem nome de editor. ¶
Pode-se dizer, e muitos o dizem, que este elemento de fora nos trouxe comércio. Temos ouvido afirmar repetidas vezes que, até a chegada do Coronel Johnson e seu exército, éramos destituídos de meio circulante, mas que, desde então, temos aumentado em riqueza, o dinheiro é mais abundante, e temos crescido e nos espalhado. E eles atribuem a glória a si mesmos, e dizem que foi sua presença aqui que produziu essa mudança. Se isso for assim, a retirada de nosso apoio não fará diferença alguma para eles. Não podem se queixar se lhes retirarmos nosso apoio, porque, se suas afirmações forem verdadeiras, é provável que sejamos nós os maiores prejudicados por essa retirada. Mas que eles mesmos ponham isso à prova na prática, como pretendemos fazer. ¶
É bem claro de se ver, pelos trechos que vos li, qual é a intenção; já a vimos posta em prática antes, em outros lugares onde habitamos. Assim que começamos a aumentar em riqueza, a construir casas confortáveis, e a abrir fazendas, a cobiça de nossos inimigos se acendeu contra nós. Quando chegamos aqui éramos pobres e miseráveis. Não possuíamos nada que despertasse a cobiça de ninguém. Esperava-se que perecêssemos no deserto; mas, quando se descobriu que tínhamos dinheiro, houve uma classe que, como abutres farejando a carniça de longe, veio para cá, e, ao ouvi-los falar, pensar-se-ia que os "mórmons" tinham milhares de amigos. Ora, eles sempre simpatizaram conosco e tiveram pena de nós! Sempre sentiram bondade para conosco e pensaram que éramos um povo muito maltratado! Infelizmente, nunca ouvimos que fossem assim simpáticos ou tivessem qualquer sentimento de bondade para conosco — nunca vimos suas publicações apelando em nosso favor, nem ouvimos suas vozes implorando às autoridades ou ao governo central que nos protegessem dos ataques de nossos inimigos. Nunca ouvimos coisa alguma desse gênero, e jamais teríamos sabido nada a respeito se eles não tivessem vindo comunicar-nos esta agradável notícia. Mas, infelizmente, a notícia chegou tarde demais para que pudéssemos aproveitá-la. ¶
Foi feita alusão aqui, ontem, ao fato de que nenhum daqueles que engordaram à nossa custa jamais ergueu a língua ou a voz, ou usou a pena em nossa defesa em tempos de dificuldade ou perigo; e, se houvesse perigo hoje, e fôssemos ameaçados de fora da maneira mais injustificável, vós descobriríeis que esses amigos de bonança logo alçariam voo e nos deixariam à nossa sorte, tal como fizeram seus predecessores quando o exército veio aqui do leste, pois encontrei toda uma companhia deles indo para a Califórnia pela rota do sul. Poder-se-ia dizer "estas são exceções". Não duvido que haja homens entre nossos comerciantes que sejam pessoas muito boas. Eu negociaria com eles nos Estados do leste tão prontamente quanto com qualquer outro; mas é por estarem em Salt Lake City que me oponho a eles. "Ah, isso é exclusivista", poder-se-ia dizer. Confesso que é exclusivista. Não desejo que se traga um poder para o nosso meio como o cavalo de madeira foi trazido para Troia. Não desejo um poder em nosso meio que nos seja hostil, e que, como o Presidente Young disse, envenena tudo ao seu redor. Se tal poder floresce aqui, desejo que floresça sem nosso auxílio, e subsista sem que contribuamos para sua subsistência. Se ele pode se sustentar depois que lhe retirarmos nosso apoio, muito bem. Se há suficiente patrocínio governamental e tráfego para sustentar uma classe desse tipo em nosso meio, tudo bem, não tenho objeção. Mas o ponto em questão é que lhe retiremos nosso apoio, o deixemos por sua conta, e nos sustentemos a nós mesmos, e negociemos com aqueles que são um conosco na edificação do reino de Deus. Se os forasteiros querem um jornal, Escolas Dominicais e pregadores, tudo bem, se eles mesmos os sustentarem. Então estarão nas mãos de Deus. Mas enquanto os sustentamos, ou contribuímos com nossa força para isso, não temos direito algum à providência e à libertação de Deus nosso Pai Celestial. Não podemos pedir-Lhe que nos livre de um poder que nós mesmos fomentamos, e que estamos sustentando. Como já disse, se estivessem no Leste, não teríamos objeção alguma a isso. Alguns não conseguem ver diferença alguma entre sustentá-los aqui ou em outro lugar. Ora, quando estão lá, não têm interesse em incitar uma cruzada contra nós. Se não têm contratos a obter, não lhes convém ter milhares de soldados aqui. Mas, enquanto estão aqui, convém-lhes tentar criar um sentimento contra nós no Leste. Convém-lhes, enquanto aqui, tentar fazer eleger para cargos municipais e territoriais homens de sua escolha, e apoderar-se de toda a maquinaria do governo territorial. Por quê? Porque estão aqui, e por conseguinte seus interesses estão aqui; mas se estivessem em Nova York, Chicago, Londres ou São Francisco, não teriam interesse algum em nada disso. Olhariam para o nosso dinheiro e ficariam tão contentes de tomá-lo quanto o dinheiro de qualquer outra pessoa. ¶
Suponho que alguns de nossos amigos dirão que isto é uma confissão de fraqueza de nossa parte, e que estamos alarmados quanto à perpetuidade do poder do Sacerdócio. Que seja concedido; estou disposto a que ponham essa interpretação sobre isso. Não me importa que interpretação deem às nossas palavras ou aos nossos discursos durante esta Conferência. O fato é que queremos avisar o povo, e incitá-lo à necessidade de tomar o rumo que lhe estamos recomendando. Esse é o nosso dever, e não importa o que outros pensem a respeito. O tempo provará se o Sacerdócio será perpetuado ou não, se a maioria deste povo dará ouvidos aos que não são dos nossos ou não; e se apostatarão porque podem obter mercadorias mais baratas de um forasteiro do que em qualquer outro lugar; mesmo que assim fosse, o que contudo não é verdade. O tempo é o grande retificador de todas essas coisas. Podemos trabalhar por algum tempo sob interpretações equivocadas; mas podemos nos dar ao luxo de esperar. Sobreviveremos a todas as ideias errôneas. ¶
Há muitos pontos relacionados a esta questão sobre os quais se poderia discorrer. É um assunto importante, e um que deveria reclamar nossa atenção séria e consideração serena. A questão é: sustentaremos o Reino de Deus ou não? Sustentaremos o sacerdócio de Deus ou não? Este poder de que tenho falado, ou mais propriamente, esta classe antagônica em nosso meio, lisonjeia-se com a ideia de que, quando chegar a prova, este povo abandonará seus líderes e se apegará a outra coisa. Esta é uma esperança ilusória. Os Santos dos Últimos Dias conhecem demasiado bem a fonte de suas bênçãos. Obtivemos de Deus um conhecimento a respeito desta obra; sabemos que ela tem para nós mais valor do que toda a terra. Como já disse, abandonamos por causa dela nossos antigos lares. A grande maioria dos primeiros colonizadores chegou sem sapatos nos pés, e passou os primeiros dois ou três invernos em mocassins, e comeu apenas uma ração muito escassa de alimento. Por que foi isso? Porque havíamos obtido um conhecimento das bênçãos do Evangelho de Jesus Cristo. Não nos é menos precioso agora que se passaram vinte e um ou vinte e dois anos. Deus nos provou que ainda está disposto a nos abençoar e sustentar e a nos dar a vitória sobre todos os nossos inimigos. Ele dotou Seu servo de sabedoria sobrenatural para guiar este povo. Vimos isso e nos regozijamos com isso. Amém. ¶