Pulpit

Templos na América Antiga — O Deus da Humanidade, um Deus Impossível — A Verdade a Seu Respeito — O Homem à Sua Imagem — Pré-Existência — Por Que as Crianças Morrem — A Redenção por Meio de Jesus — Pluralidade de Deuses — A Palavra do Senhor é Verdade

Orson Pratt

Conferência Geral de Outubro de 1867·Sessão de Segunda-feira de Manhã·1867-10-07

Discurso do Élder Orson Pratt, proferido no Novo Tabernáculo, Salt Lake City, 7 de outubro de 1867. Relatado por David W. Evans.

Nunca tendo tido a oportunidade de falar a uma congregação tão grande quanto a presente, ou pelo menos numa casa tão grande quanto esta em que agora estamos reunidos, não sei se conseguirei adaptar minha voz de modo a fazer-me ouvir por toda a congregação. Sei que o objetivo de vir à reunião e pregar é ouvir e sermos edificados e instruídos mais perfeitamente nas coisas pertencentes a Deus e à piedade, e em nossos deveres perante o Senhor. Quando olho para este grande tabernáculo, que foi erguido aqui nestas altas regiões de nosso globo, sou fortemente lembrado dos ditos de dois dos antigos profetas, Isaías e Miqueias, ambos os quais falaram de um acontecimento que se daria nos últimos dias. Citarei seus ditos, pois a linguagem de ambos é quase idêntica. "Acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes." Muitas vezes me perguntei, ao ler esta porção da Escritura, o que se queria dizer com o monte da casa do Senhor sendo erguido, ou estabelecido, no cume dos montes. O monte da casa do Senhor é algo, parece, que o próprio Deus estabeleceria nos montes. Quando entrei neste Território em agosto passado, ao voltar de minha última missão, avistei da boca do Cânion de Parley o topo deste edifício muito proeminente. Parecia erguer-se acima dos edifícios ao redor, e era facilmente visível. Parecia muito com uma montanha artificial erguida aqui, ou com alguns daqueles montículos que vemos no Rio Missouri, feitos pelos antigos habitantes de nosso país, só que muito maior e mais alto que alguns deles. Se isto é realmente o que o profeta em tempos antigos quis dizer, não cabe a mim afirmar; digo apenas que a forma deste edifício me lembra, ou me sugere, o que foi profetizado antigamente; mas se é ou não o cumprimento daquela profecia, não sei.

Aproveitarei esta oportunidade para expressar minha gratidão e sentimentos de ação de graças ao Todo-Poderoso, por ter permitido a este povo erguer-lhe um edifício tão grande no qual possam reunir-se para adorar seu grande e santo nome. O Senhor, em tempos antigos, quando construiu templos e tabernáculos, honrou-os com sua presença. Sem dúvida, em algumas ocasiões sua presença se manifestou mais claramente do que em outras. Muitas vezes lemos que o poder e a glória de Deus, tal como se manifestavam em seus tabernáculos e templos, eram tão evidentes que o povo podia contemplá-los com seus olhos naturais. Não digo que isto ocorresse em todas as circunstâncias, e em todas as casas construídas ao nome do Senhor. Muitos templos e casas foram construídos no continente americano pelo remanescente da Casa de Israel, a quem esta terra foi dada. Não está registrado se o Senhor se manifestou em todas essas casas ou não; mas está registrado que, no templo construído na terra de Bountiful, na parte norte da América do Sul, o próprio Filho de Deus manifestou seu poder e sua glória a certa congregação reunida no templo e ao redor dele. Jesus, após sua ressurreição dentre os mortos, foi enviado por seu Pai dos céus ao continente americano, a uma congregação de dois mil e quinhentas almas, homens, mulheres e crianças, que se haviam reunido com o propósito de adorar Deus o Pai em nome de Jesus. Por conseguinte, Deus honrou este templo construído no continente americano, tanto quanto o grande templo construído por Salomão nos dias de outrora. Quando Salomão construiu o templo, estendeu as mãos aos céus, e orou ao Pai, na presença da congregação de Israel ali reunida, e o espírito do Senhor foi derramado de maneira tão maravilhosa que o povo, por sua fé, contemplou o poder e a glória de Deus tal como se manifestaram naquele templo. Por isto o povo soube que Deus honrava sua própria casa. Assim foi nos dias de Moisés. Quando viajavam no deserto, Deus ordenou aos filhos de Israel que construíssem um tabernáculo. Deu-lhes um modelo dele. Naquele tabernáculo o Senhor manifestou seu poder entre Israel. Tornou-se visível não somente por dentro, mas por fora a glória de Deus se manifestava e repousava sobre ele. Por isto os filhos de Israel souberam que Deus estava perto deles. Não somente creram, mas o testemunho manifestado diante de seus olhos lhes deu o conhecimento de que Deus estava no meio de seu acampamento; ainda que, por causa de sua maldade, incredulidade e obscuridade de mente, Deus retirasse sua presença imediata do meio da congregação, e somente Moisés fosse permitido ver o Senhor e falar-lhe face a face, ainda assim a manifestação do poder e da glória de Deus foi tão grande que os filhos de Israel souberam que Deus estava perto deles.

Pode surgir a pergunta: haverá novamente um tempo em que a glória do Senhor será manifestamente visível e sua voz será ouvida por seu povo? Respondo que sim. Deus prometeu isto nos últimos dias. Não há dúvida, como disse ontem o Irmão Kimball, de que mensageiros celestiais pairam ao redor da congregação dos Santos aqui reunidos. Não tenho dúvida disto em minha própria mente, embora eu não os tenha visto e vós talvez não os tenhais visto; contudo aquele Deus que viu vossos trabalhos e diligência em construir uma casa ao seu nome sem dúvida enviou mensageiros celestiais para pairarem ao nosso redor, para afastarem os poderes das trevas, que procuram escurecer as mentes do povo, e fechar seus corações contra o entendimento. Virá o tempo em que a fé deste povo, os puros de coração, será suficientemente grande para que, quando construírem uma casa ao nome do Senhor, e não permitirem que nenhuma coisa impura nela entre, o Senhor virá e a agraciará com sua presença, bem como com a presença de seus anjos. Esse será o tempo em que os puros de coração, que entrarem na casa de Deus, contemplarão sua face. Ó, que grande, glorioso e feliz privilégio será esse para os filhos e filhas do Altíssimo, contemplar a face daquele que os criou, o Pai de seus espíritos, que os criou antes da fundação do mundo. Quão grande e glorioso privilégio para os filhos e filhas de Deus que agora estão excluídos de sua presença! Por esta causa o povo de Deus é ordenado a todo tempo a construir uma casa ao seu nome, para que ele possa revelar aquelas ordenanças por ele concebidas para a salvação dos filhos antes de o mundo ser fundado.

Sei que há algumas pessoas que não creem que Deus tenha um rosto como o do homem, ou, em outras palavras, que somos à sua imagem e semelhança. Tem havido grande variedade de opiniões entre os habitantes de nosso globo a respeito do ser ou seres a quem adoraram e chamaram Deus. Alguns creram que ele era um ser imaterial. Alguns creram que ele não tinha propriedades, perfeição ou qualidades em comum com nenhuma outra substância na natureza; que estava inteiramente separado de toda natureza material. Esta parece ser a opinião da grande massa do mundo cristão no dia de hoje. Alguns duzentos milhões dos habitantes de nosso globo consideram que Deus é algo totalmente indefinível, incompreensível, uma pessoa, e ainda assim sem partes; consistindo em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, e ainda assim nenhuma parte dessas pessoas. Isto é uma ideia horrível para minha mente. Minha mente é de tal forma constituída que, com toda a minha leitura e meditação, jamais consegui conceber um ser dessa descrição, e ainda assim isto está incorporado nos artigos da Igreja da Inglaterra, também na disciplina metodista, e está de acordo com as opiniões de quase todo o mundo cristão no dia de hoje. "Deus consiste", dizem eles em seus credos, "de três pessoas sem corpo, partes ou paixões". Não desejo deter-me nisto por muito tempo; é tão inconsistente, tão absurdo, tão contrário a toda inteligência, razão e revelação que estou disposto a descartá-lo sem contemplá-lo por qualquer tempo. Menciono-o apenas para trazer à vossa mente as inconsistências do mundo religioso que professa o cristianismo. Uma dessas pessoas, chamada o Filho, sem corpo e sem partes, foi de fato crucificada, morreu e foi sepultada num túmulo, e ao terceiro dia ressuscitou, e com seu corpo ascendeu aos céus, quando ele não possuía corpo algum. Se alguém consegue crer em tal disparate, é bem-vindo a fazê-lo, apenas que o mantenha longe de mim. Não quero nada com isso. Nunca espero adorar tal ser aqui na terra ou por todas as futuras eras da eternidade. Não tenho reverência alguma por tal ser, pois não creio que tal ser jamais tenha existido, senão nas alucinações de mentes perturbadas.

Talvez os estranhos aqui presentes, se houver algum, sejam levados a perguntar: que tipo de ser adoram os Santos dos Últimos Dias? Deixai-me responder segundo meu entendimento. Creio que Deus — refiro-me a Deus o Pai — é um ser pessoal material; que ele tem um corpo e um espírito unidos; que seu espírito dentro de seu corpo é material; que ele é uma personagem tanto quanto todo homem nesta congregação é uma personagem; e deixai-me ir ainda mais longe e dizer que ele é uma personagem de carne e de ossos. Talvez isso choque as ideias de alguns dos de fora e eles pensem que, para superar seu deus imaterial, sem corpo ou partes, fomos ao outro extremo. Bem, se é ao outro extremo ou não, desejo declarar-vos minha opinião, e creio que ela corresponde às opiniões dos servos de Deus.

Deus é, então, um ser que tem um tabernáculo de carne e ossos em que habita seu espírito; e esta carne, ossos e espírito são materiais. Os estranhos talvez estejam ansiosos por saber algo mais a respeito deste ser pessoal a quem chamamos Deus o Pai. Diz-se-nos que no princípio o homem foi criado à imagem de Deus, e diz-se-nos também que Jesus, o Filho de Deus, era a própria imagem expressa de seu Pai. A doutrina de que o homem, em sua forma e figura, é à imagem de Deus, pode ser ou parecer algo novo e estranho para aqueles que não estão familiarizados com os princípios desta igreja. Mas por que não haveriam os homens de assemelhar-se a Deus, é a questão, visto que somos sua descendência? Esperaríeis que os filhos e filhas deste mundo fossem como um cavalo ou como as aves do ar ou os peixes do mar? Ou esperaríeis que se assemelhassem a seus pais, e fossem à sua imagem e semelhança? Não vemos na criação animal — da qual se diz que a espécie humana faz parte — uma semelhança entre o pai e a prole, certamente vemos. Se, então, esta lei prevalece entre todos os seres animados aqui na terra, por que haveríamos de imaginar que Deus é inteiramente distinto e diferente de seus próprios filhos e filhas? Por que não crer que há uma semelhança entre eles e ele. Quando olhamos para nosso semelhante, o vemos ereto na forma de Deus. É verdade que pode haver muitas deformidades entre homens e mulheres, produzidas em muitos casos, talvez, pela maldade, doença e acidente; mas no contorno geral há semelhança entre toda a espécie humana, e deveria haver, tanto quanto seu Pai e Deus é de fato seu Pai, quanto qualquer um nesta congregação é o pai literal de seus filhos. Nós, que compomos esta congregação, somos todos uma família, e apenas uma pequena porção da família de nosso Pai e Deus. Mas quando ele nos gerou? Respondo antes que este mundo fosse feito; não nossa carne e ossos, mas aquele ser chamado homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus e que habita em seu tabernáculo mortal. Aquele ser é a descendência de Deus; todos fomos gerados por ele antes que este mundo fosse feito. Habitávamos então em sua presença e podíamos contemplar sua face como pais e filhos aqui na terra podem contemplar-se uns aos outros. Participávamos então, em certa medida, de sua glória, e conhecíamos a glória e o poder de seu reino. Estávamos presentes com ele na grande e magnífica obra da criação, e vimos e nos regozijamos com sua obra. Cantamos louvores na presença de nosso Pai e Deus; antes de termos tabernáculos de carne e ossos. Reuníamo-nos então como fazemos aqui na terra; acompanhávamos então nosso Pai e Deus e seu Filho Jesus Cristo, na grande e gloriosa missão da formação do mundo que agora habitamos. Sabíamos algo a respeito do objetivo para o qual este mundo foi criado? Sim, sabíamos que foi criado expressamente para nós, e cantamos e nos regozijamos por isso tanto quanto o povo de Deus hoje se regozija, quando ergue um templo ou tabernáculo ao seu nome. Quando ergueis um tabernáculo ao Altíssimo, esperais entrar nele por vezes, e ser banqueteados com as palavras da vida eterna, e participar das bênçãos de Deus. Assim foi a respeito da criação deste mundo. Estávamos lá, e creio que toda esta geração entre todas as nações, tribos, línguas e povos estava presente naquela ocasião. Limitarei isto a esta geração? Não; creio que todos os filhos e filhas de Deus que se provaram fiéis foram reunidos naquela ocasião. Não incluo neste número a terça parte da família que caiu, mas os dois terços que guardaram a lei de seu primeiro estado, que foram real e verdadeiramente contados como filhos e filhas de Deus, os milhares e milhões que habitam este globo além das gerações passadas e todas as gerações futuras. Pensai nisto e procurai conceber em vosso coração a magnitude do grande exército dos filhos e filhas de Deus reunidos no momento em que os fundamentos deste mundo foram lançados.

O Senhor pôs uma pergunta muito curiosa ao antigo patriarca Jó, em certa ocasião. Jó havia estado louvando as obras de Deus, e, tanto quanto sua mente limitada lhe permitia, procurou engrandecer a grandeza de seu poder; mas, ao pôr algumas perguntas a Jó, o Senhor lhe mostrou que sua sabedoria e conhecimento não eram senão loucura aos olhos de seu criador. Disse o Senhor: "Onde estavas tu, Jó, quando eu fundava a terra, e as suas pedras angulares? Onde estavas tu, Jó, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?" Não sei se Jó entendia a pré-existência do homem, talvez não lhe tivesse sido revelada; de qualquer modo ele deixou ao Senhor a resposta à pergunta sobre o assunto, sabendo que ele daria informação sobre a matéria que ele, Jó, não podia dar. Se Jó fosse sectário, quão facilmente teria podido responder a esta pergunta! "Ora, Senhor," Jó poderia ter dito, "eu não existia então, e por que me fazes tal pergunta?" Mas Jó bem entendia que devia haver algo na pré-existência do homem, ou o Senhor jamais lhe teria posto tal pergunta. A própria pergunta implicava a pré-existência de Jó no momento em que os fundamentos da terra foram lançados, e implicava também um conhecimento por parte de todos os filhos de Deus dos objetivos das criações deste mundo; pois se não tivessem tal conhecimento, por que se teriam unido para cantar os cânticos do céu por causa disso? Bem, então, chegamos ao ponto, a saber, que existíamos à imagem e semelhança de Deus antes que os fundamentos do mundo fossem lançados, e é isto que se quer dizer quando o Senhor diz a seu Filho Unigênito no sexto dia da criação: "Façamos o homem à nossa imagem e à nossa semelhança, e demos-lhe domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do ar, os animais da terra, e sobre toda a terra para a subjugar," e assim por diante. Assim Deus criou o homem, macho e fêmea. Ele não nos contou todos os pormenores da criação — que nascemos macho e fêmea no mundo espiritual, e assim por diante —, mas ainda assim há muitos ditos que indicam que tal era o fato. Por exemplo, nos livros de Moisés e nos livros do Novo Testamento lemos que Deus é o Pai de todos os nossos espíritos, que fomos gerados filhos e filhas de Deus. A visão dada em 1832 a nosso Profeta, Joseph Smith, mostra isto mais claramente. Além de mostrar o vasto número de mundos que o Senhor criou, a voz do Senhor, naquela visão, declara que todos os habitantes de todos aqueles mundos foram gerados filhos e filhas de Deus. O Livro de Mórmon dá testemunho da mesma grande doutrina. Vós que estais familiarizados com aquele livro vos recordareis de ler no livro de Éter como o irmão de Jarede caiu à terra com medo quando viu o dedo do Senhor, depois de o véu cair de seus olhos naturais. E o Senhor lhe falou, dizendo: "Por que caíste?" Então o irmão de Jarede respondeu: "Vi o dedo do Senhor, e não sabia que o Senhor tinha carne e ossos." Realmente se assemelhava a carne e osso, mas ele, sem dúvida, pensou que era assim de fato, quando era o corpo de seu Espírito. Então disse o Senhor: "Eis que eu sou aquele que foi preparado desde a fundação do mundo para redimir meu povo; eu sou Jesus Cristo; eu sou o Pai e o Filho, e o corpo que agora contemplas é o corpo do meu espírito. Não vês que foste criado segundo o corpo do meu espírito, e todos os homens," diz Jesus ao irmão de Jarede, "criei no princípio segundo a imagem do corpo do meu espírito." Esta, creio, é a única passagem no Livro de Mórmon que ensina diretamente a pré-existência do homem.

Bem, aquele corpo — o corpo do Senhor — que o irmão de Jarede viu, era um corpo pessoal. Tinha dedos, um rosto, olhos, braços, mãos, e todas as várias partes que o corpo humano tem, tanto que ele pensou que fosse realmente carne e ossos, até que foi corrigido e descobriu que era o espírito de Jesus, aquele mesmo espírito, diz Jesus, que, no meridiano do tempo, viria e tomaria um corpo, e morreria pelos pecados do mundo. Esses seres, que, no princípio, foram criados segundo a imagem do espírito de Jesus, tiveram uma provação; tiveram lei; tiveram inteligência. Isto se chamou seu primeiro estado. Eram agentes ali tanto quanto vós e eu o somos aqui. Podiam obedecer à lei que lhes foi dada, ou podiam desobedecer àquela lei. Já aludi a uma terça parte da grande família que não guardou seu primeiro estado. O que lhes aconteceu? Foram lançados abaixo, e assim vieram o diabo e seus anjos. Judas diz que foram reservados em cadeias de trevas, até o juízo do grande dia. Esse foi seu castigo; suas transgressões foram tão grandes — pecar contra Deus o Pai, a quem podiam contemplar, e contra a pessoa de seu Filho, a quem também podiam ver — desobedecer a mais sagrada de todas as leis — buscar destronar o Todo-Poderoso, e tomar para si mesmos o poder daquele Ser que os havia gerado. Por isto foram lançados abaixo, e chamados Perdição, e os céus choraram por eles. Não sei quão fiéis foram os demais espíritos; isso não cabe a mim dizer. Não sei se transgrediram alguma das leis de Deus, ou não, em seu primeiro estado. Se transgrediram, uma coisa sei, e é que entendem a respeito de Jesus e sua expiação; pois ele foi como um Cordeiro morto desde antes da fundação do mundo, e visto que sofreu tanto em espírito quanto em corpo, não sei se seus sofrimentos em espírito não os redimiriam também em seu primeiro estado, tanto quanto nos redimem a nós que pecamos aqui no corpo. Não pretendo dizer que assim foi o caso. Basta dizer que o plano de redenção era conhecido por eles, e basta dizer também que foram fiéis o bastante para reter sua posição em seu primeiro estado, e para terem o privilégio de vir a este mundo, e tomarem sobre si tabernáculos, ou corpos, e terem um segundo estado. Lemos também que todos os que vêm a este mundo eram inocentes. Isto mostra que jamais haviam pecado, ou, se haviam pecado, que lhes fora perdoado e tornados inocentes. De que maneira foi, não sei. Se pecaram e todos foram feitos inocentes por meio do sangue da expiação, e por meio dos sofrimentos de Jesus em espírito, tanto quanto em carne, isto os prepararia para vir a este mundo sem terem nenhuma mácula sobre si. Mas se jamais transgrediram a lei, jamais foram além de seus limites, seriam santificados, purificados, aperfeiçoados, salvos e seriam inocentes por guardar a lei. Mas desçamos um pouco mais. Quando viemos a este mundo, e tomamos sobre nós corpos de carne, eram corpos caídos — sujeitos a dor, doença, tristeza, pranto, provações, e finalmente a morte, ou dissolução. Esta morte que sobreveio aos corpos dos filhos dos homens foi trazida à passagem pela transgressão de um homem e uma mulher, isto é, por nossos primeiros pais; como está escrito, "pela transgressão de um só o pecado entrou no mundo, e a morte pelo pecado." Não importa se é a criancinha que ainda se embala no colo, que jamais pecou, ou o jovem, o de meia-idade ou o ancião, todos têm de sentir esta grande penalidade que foi imposta a toda a posteridade de Adão em razão de sua transgressão.

Ora, há uma pergunta que muitas vezes me foi feita pelos Santos dos Últimos Dias, e por aqueles de fora desta Igreja — "Por que é que as crianças, que jamais pecaram, morrem? Por que haveriam de estar sujeitas à morte porque seu pai há uns seis mil anos pecou e transgrediu?" Respondo a isto perguntando-vos: por que é que os filhos, muitas vezes até a terceira, quarta e quinta gerações, sofrem de doenças persistentes aqui nesta vida, porque seus antepassados foram licenciosos, e quebraram as leis da vida e da felicidade? Ora, é hereditário, não é? É justo que sofram, porque seus pais ou alguns de seus progenitores pecaram? Não, é hereditário. Por que, então, não haveriam todos os habitantes do mundo, quer em sua infância quer não, de herdar a morte tanto quanto essas crianças que sofrem de doenças herdadas de seus antepassados? Não como questão de justiça particularmente, mas algo que sobre eles recai em consequência da queda do homem. Isto se transmite entre eles. Ora, isso seria uma condição muito desagradável se sempre houvessem de permanecer naquele estado. São lançados na escravidão, por assim dizer, por um homem; por isso o Redentor se apresenta e os resgata daquela escravidão. Quando digo que os resgata, não digo que o faça de imediato, antes que tenham tido oportunidade de conhecer a diferença entre o bem e o mal, entre o amargo e o doce, de contrastar felicidade e miséria. É sabedoria que sofram, mesmo que seja por doença hereditária, para que ganhem experiência. Mas eu vos direi do que ele os resgata, por meio de seu sangue expiatório. Ele quebra as cadeias da morte e os resgata do poder da sepultura, o qual, não fosse isso, teria mantido tanto a criancinha quanto o de meia-idade sob seu poder eternamente. Há algo como um pai que, por sua tolice, lança não apenas a si mesmo mas todos os seus filhos numa escravidão da qual não pode redimir-se, nem a eles, no que diz respeito a seus corpos; mas com os filhos de Adão isto se deu tanto com seus corpos quanto com seus espíritos, pois o Livro de Mórmon diz que toda a humanidade, pela transgressão de Adão, ficou sujeita não apenas a uma morte temporal — a separação do corpo e do espírito, mas também a uma morte espiritual, eterna em sua natureza. Se não houvesse expiação — nenhum sofrimento e morte de nosso Redentor — nenhuma expiação infinita para resgatar os homens da sepultura, seus espíritos, em consequência da escravidão imposta pelos primeiros pais, não poderiam ter sido resgatados da morte eterna. Poderiam eles ter-se libertado a si mesmos? Não. Estavam em cativeiro — em escravidão — e seu senhor, o diabo, estava ali para os prender naquela escravidão. Poderiam eles virar a chave das portas da prisão e voltar de novo correndo? Não! Poderiam eles dizer à sepultura: entrega meu corpo e deixa-me ir de novo à presença de meu Pai e Deus? Não; havia inimigos poderosos que teriam poder sem fim sobre eles, não fosse a expiação.

Somos ensinados nas revelações de Deus que Jesus sofreu a dor de todos os homens. Encontrareis isto nos ensinamentos de Jacó, irmão de Néfi, no Segundo Livro de Néfi. "Ele sofre as dores dos homens, sim, as dores de toda criatura vivente, tanto homens como mulheres e crianças," diz Jacó. Para que foi este grande sofrimento? Para que a ressurreição viesse a todos os homens, mulheres e crianças; para que Jesus tivesse poder de dizer à sepultura "restitui esses cativos que tomaste, eis que redimi todos cujos corpos dormem na sepultura. Tenho poder para trazê-los de volta em virtude da expiação que fiz."

Poderia o homem ter-se redimido a si mesmo? Poderia um homem ter derramado seu sangue por outro, e dito à sepultura entrega teus mortos? Não. Por quê? Porque todos haviam caído; todos estavam sob o domínio e poder de Satanás. Todos estavam espiritualmente mortos — mortos para as coisas pertencentes à retidão. Era morte universal, eterna. Um ser maior que o homem era necessário para redimi-lo, por isso Jacó diz, na passagem a que já me referi, a respeito da expiação, "que ela deve ser infinita." Em que era o Filho de Deus infinito? Em primeiro lugar, ele foi gerado de modo diferente de vós e de mim. Fomos gerados por um pai mortal, mas Jesus foi gerado por um Ser Imortal, seu Pai e Deus. Se então seu corpo foi gerado por aquele Ser, não vedes que seu corpo, nesse aspecto, diferia do nosso? É verdade que ele herdou o mesmo que nós no que diz respeito à sua mãe, mas da parte do Pai era superior. Por isso, sendo gerado por um Ser Infinito, ele podia fazer o que nenhum outro homem podia fazer — redimir da morte espiritual e do cativeiro de Satanás. Por isso se diz que "por meio de Jesus vieram a vida e a luz ao mundo." Não fosse Jesus, as trevas teriam reinado eternamente sobre esta criação.

Falar em obras de retidão que nos redimem sem a expiação! Ora, a coisa é absurda no mais alto grau. Por quê? Porque estávamos espiritualmente mortos, e pode uma pessoa que está morta praticar a retidão? Pode uma pessoa que está morta para tudo o que é bom, santo, reto e semelhante a Deus, que está em cativeiro a Satanás, praticar a retidão? Poderia um banquete de salvação ser preparado para ela naquele estado de morte, a menos que houvesse alguma redenção ou expiação feita para trazer vida ao mundo, para conceder à família humana? A luz e a vida vieram sobre todos os homens. Jesus é essa luz e vida; ele é a luz e a vida de todas as coisas; e por causa dessa luz e vida que ele comprou para nós com seu próprio sangue, vós e eu temos o privilégio de praticar a retidão, o que jamais teríamos tido sem a expiação. Não poderíamos ter feito nada aceitável aos olhos de Deus, sem seu sangue expiatório. Este é o próprio fundamento da redenção dos filhos dos homens; sem ele, esta teria sido uma criação perdida e caída, e ninguém poderia ter sido salvo.

Mas prossigamos um pouco mais. Recordai-vos de que, na parte anterior de minhas observações, falava sobre a personalidade de Deus. Agora vamos chegar ao plano de redenção, e ver como somos exaltados e trazidos de volta à presença de Deus, e nos tornamos, por assim dizer, deuses, então poderemos formar alguma ideia a respeito de nosso Pai e Deus. Somos instruídos, e cremos, que todos nós que cremos em Jesus Cristo, em seus sofrimentos e morte, e recebemos o benefício de sua expiação, seremos, se permanecermos fiéis, exaltados à presença daquele ser que é nosso Pai, e que seremos feitos semelhantes a ele, e seremos coroados de glória, e teremos o privilégio de sentar-nos com o Filho em seu trono, assim como ele venceu, e sentou-se com seu Pai em seu trono, e que nos tornaremos um com ele, assim como ele é um com o Pai. Cremos que seremos aperfeiçoados, purificados e limpos nele, e feitos não apenas filhos de Deus, mas cresceremos até ele em todas as coisas, para que possamos tornar-nos Deuses semelhantes a nosso Pai que nos gerou.

Isto é consistente com a analogia. A analogia mostra que os filhos aqui na terra crescem e se tornam como seus pais. Por que, então, haveríamos de erguer uma barreira entre os filhos de Deus, que são redimidos pela expiação, e sua restauração às moradas em que anteriormente habitavam? Por que haveríamos de erguer obstáculos, e pôr uma barreira para que não possamos nos tornar como ele? A analogia diria de imediato que, quando ele aparecer, seremos como ele, pois o veremos como ele é. A analogia diria que, quando ele redimir nossos corpos da sepultura, os moldará segundo seu próprio corpo glorioso, e os vestirá de poder e glória, assim como ele está vestido de glória e poder, na presença de seu Pai e nosso Pai e Deus.

Mas dirá alguém, se adotais esse sentimento, então vosso povo crê numa pluralidade de deuses, e todos fomos ensinados no mundo cristão que há apenas um Deus pessoal, ou antes três pessoas na Trindade — o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Bem, esses três são chamados um, não são? Sim, são chamados um. Jesus ora para que todos os seus discípulos sejam feitos um, assim como ele e o Pai são um. Se algum dia essa oração for respondida, então, num sentido da palavra, haveria apenas um Deus, mas, em outro sentido da palavra, não haveria apenas três, mas muitíssimos seres pessoais chamados deuses. Vejamos por alguns instantes aquele glorioso dito nas revelações de São João. Nas visões da eternidade que foram mostradas a João, ele contemplou coisas que se dariam em gerações futuras. Entre outras coisas que lhe foram mostradas, estavam os cento e quarenta e quatro mil, de pé no Monte Sião, que haviam sido redimidos dentre os homens. Quem eram eles? Vejamos a inscrição que João diz estar escrita em suas frontes. Isso nos dirá que o nome de seu Pai ali estava escrito. Qual era seu nome? Deus, traduzido para a língua inglesa. Ahman na linguagem pura. O nome do Pai João viu inscrito nas frontes dos cento e quarenta e quatro mil que cantavam o novo cântico diante do Senhor. Que pensaríeis se o futuro vos fosse aberto como o foi a João, e pudésseis ver esses homens com a palavra Deus, inscrita em caracteres brilhantes e resplandecentes sobre cada uma de suas frontes? Pensaríeis que Deus estava caçoando deles ao pôr ali tal inscrição? Suporíeis que a inscrição fosse mera formalidade sem qualquer significado? Não: todo homem a quem fosse permitido ver essas coisas diria de imediato: "são deuses, tendo sido redimidos, e feitos semelhantes a seu Pai." Isto é o que cremos. Então, quando chegamos à personalidade, não apenas cremos em nosso Pai pessoal, em seu Filho Jesus Cristo, e no Espírito Santo, como personagens, mas também cremos que, na eternidade das eternidades, no céu dos céus, haverá inumeráveis milhões de pessoas que ocuparão aquela posição exaltada — sendo cada um um deus pessoal, tanto quanto o é o Deus desta criação — o Pai de nossos espíritos.

Se o tempo permitisse, poderíamos trazer à baila as revelações do céu, dadas nestes dias assim como antigamente, a respeito das representações que Deus tem dado de si mesmo, não apenas representando-se por sua pessoa, mas também por seus atributos. Mas este é um assunto sobre o qual não sentimos necessidade de nos determos neste momento. Basta dizer que Deus disse que é luz e verdade; que é um espírito: que habita em tabernáculos e templos, e assim por diante. Não sei, mas talvez em meus ensinamentos nos anos passados, ao ensinar sobre esses dois assuntos distintos, eu possa ter deixado nas mentes do povo uma impressão que jamais tencionei transmitir a respeito das qualidades, perfeições, glórias e atributos dessas personagens, pois atributos sempre pertencem a substâncias, não se pode separar um do outro. Atributo não pode existir sem substância; em toda parte mostra sua relação e vínculo com a substância e a pessoa, e se em alguma de minhas pregações ou ensinamentos alguma vez transmiti a impressão de que atributos poderiam existir separados e distintos das substâncias, jamais foi minha intenção fazê-lo. Não sei se alguma vez declarei tal coisa em meus escritos. Disse que Deus é amor, e que é verdade porque as revelações assim o dizem. Disse que muitas vezes ele se representa por seus atributos. O mesmo que quando ele diz eu estou em vós; mas não quer dizer que sua pessoa, sua carne e ossos, estejam em nós. Quando Jesus diz eu estou no Pai, não quer dizer que sua pessoa esteja no Pai. O que quer dizer? Quer dizer que os mesmos atributos que habitam em sua própria pessoa também habitam na pessoa do outro. Creio ter ouvido esta doutrina ensinada desde o princípio, pelas autoridades desta Igreja, e creio que se ensina, mais ou menos, agora, quase todo dia de sábado. Somos exortados a desenvolver e aperfeiçoar aqueles atributos de Deus que habitam em nós em embrião, para que possamos aproximar-nos cada vez mais daquele elevado estado de perfeição que existe no Pai e no Filho.

Atributos pertencem, em todos os casos, neste e em todos os outros mundos, a personagens e substâncias, e sem personagens e substâncias, não podem existir.

No "Reino de Deus", publicado em outubro de 1848, expus a personalidade do Pai e do Filho, e os gloriosos atributos que pertencem a cada um. E novamente em muitos de meus escritos, aos quais eu poderia referir-me, e talvez pudesse citar a página, ensinei a mesma coisa, e minhas opiniões hoje a respeito deste assunto são exatamente as mesmas que eram então, e então as mesmas que são agora; só que creio, pesquisando mais amplamente, ter progredido e obtido alguma luz e informação adicional além da que eu tinha vinte ou vinte e cinco anos atrás. Não sei se, em minhas observações desta manhã, a respeito da expiação, e das personalidades e gloriosos atributos de Deus, variei em minhas opiniões das do restante das autoridades da Igreja. Se o fiz, espero que me corrijam e me digam em que estou errado, pois é meu desejo, e sempre foi, agir de acordo com as revelações do céu, permanecer na palavra de Deus, e ter essa palavra permanecer em mim.

Somos ensinados que as palavras da verdade têm poder. Somos ordenados a viver pela palavra de Deus. Em uma das revelações somos ensinados e ordenados que devemos viver por toda palavra que procede da boca de Deus, pois diz a revelação "a palavra do Senhor é verdade; e tudo que é verdade é luz; e tudo que é luz é Espírito, sim, o Espírito de Jesus Cristo. E o Espírito dá luz a todo homem que vem ao mundo; e o Espírito ilumina todo homem no mundo que dá ouvidos à sua voz. E todo aquele que dá ouvidos à voz do Espírito vem a Deus, sim, o Pai, e o Pai ensina-lhe sobre o convênio que ele renovou e confirmou sobre vós, o qual é confirmado sobre vós para o vosso bem; e não somente para o vosso bem, mas para o bem do mundo todo."

Ora, quero permanecer nisso. Se a palavra do Senhor é verdade, e tudo que é verdade é luz, e tudo que é luz é Espírito, quero abraçá-la, e apegar-me firmemente a ela. Além disso, ele diz, ao dar uma revelação aos servos de Deus: "Eis que o que ouvis é como a voz de alguém clamando no deserto — no deserto, porque não o podeis ver — a minha voz, porque a minha voz é Espírito; o meu Espírito é verdade; a verdade persiste e não tem fim." Desejo permanecer nisso para sempre e sempre. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Templos na América Antiga — O Deus da Humanidade, um Deus Impossível — A Verdade a Seu Respeito — O Homem à Sua Imagem — Pré-Existência — Por Que as Crianças Morrem — A Redenção por Meio de Jesus — Pluralidade de Deuses — A Palavra do Senhor é Verdade”, Conferência Geral de Outubro de 1867, Sessão de Segunda-feira de Manhã (1867-10-07). Pulpit Vault, 1867-10-pratt-temples-in-ancient-america-the-god-of-mankind. Tradução desta edição, por método de glossário.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).