Vida Eterna — Como Descobrir a Verdade — O Sacramento — Exortação aos Jovens
Daniel H. Wells
Sinto ser um privilégio unir minha voz à de meus irmãos, testificando da verdade da obra dos últimos dias, embora, se fosse deixado à minha própria escolha, suponho que raramente falaria à congregação do povo, e creio que, se o Senhor me chamasse como chamou Moisés, eu faria como Moisés fez — suplicar-lhe por um porta-voz. Não obstante, se posso dizer algo para consolar ou encorajar os santos, ou para fortalecer sua fé, é meu dever fazê-lo, pois entendo que ninguém tem o direito de ocultar em seu próprio peito a luz e a verdade com que o Senhor o abençoou, mas que é dever dos Santos dos Últimos Dias, e de todo o povo da terra, dar a conhecer o bem que possuem, para que todos possam ser beneficiados e abençoados por ele. ¶
Jesus disse: "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ele; porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que o encontrem." Ele também disse: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." ¶
A vida eterna é o que todos nós ansiamos por obter. Todos os filhos dos homens sobre a face de toda a terra ansiosamente buscam assegurar para si uma existência eterna no grande além. Mesmo aqueles que têm apenas uma ideia limitada dos princípios do evangelho olham e esperam por uma bem-aventurança ou céu no além, onde possam habitar eternamente em paz e felicidade, livres do poder de Satanás, do pecado e da morte. Todo o povo da cristandade, e talvez todas as gerações dos homens, sentiram em algum momento de suas vidas o espírito do Deus vivo convencendo-os de pecado, e sentiram o desejo de aprender como poderiam assegurar para si a vida eterna na presença de Deus. ¶
Lemos que Deus criou o homem reto, mas que ele buscou muitas invenções. Isto é especialmente verdadeiro em relação a assuntos religiosos. Em vez de andarem segundo os preceitos e mandamentos de Deus, tal como ensinados por seus servos que detêm o Santo Sacerdócio, fizeram como o Profeta predisse — ensinaram como mandamentos de Deus os preceitos dos homens. Mais particularmente é este o caso em nosso dia e geração, quando o Senhor novamente se revelou e abriu a dispensação da plenitude dos tempos. Encontramos hoje uma grande quantidade de visões, noções e opiniões religiosas sobre a face da terra; mas, na ausência da verdade, há pouca diferença entre elas, pois todas estão erradas. Mas, quando a verdade é revelada, é necessário que a humanidade pare, ouça e investigue, para que possa aprender se aquilo que é proclamado como verdade o é ou não, e, se o for, o abrace, e ande continuamente segundo seus preceitos, para que possa obter aquela exaltação na presença do Pai e do Filho que todos tão sinceramente desejam. Que importa para mim quão eloquente possa ser o pregador, quão bela a teoria, ou quão agradáveis os princípios que me são apresentados, se não são verdadeiros? Por que deveria eu atribuir alguma importância, ou circunscrever minha fé e meus sentimentos, àquilo que não é verdadeiro, só porque é belo ou plausível, ou porque meus pais, por centenas de anos antes de mim, o consideraram sagrado? Quando a palavra de Deus, a verdade do alto Céu, veio, por que não repudiar o que é falso, ainda que contrarie meus preconceitos antigos e as tradições de meus pais antes de mim? Não conheço razão alguma pela qual devêssemos apegar-nos às tradições dos pais, especialmente quando os oráculos de Deus nos dizem que deles herdamos mentiras. Achamos que isto é verdade quando investigamos, mesmo em relação às escrituras; pois, com o auxílio dos princípios agora manifestados por meio das revelações do Senhor Jesus, podemos compreendê-las como nunca as compreendemos antes. Por quê? Porque temos a luz da verdade, e vemos a partir do ponto de vista que possuíam os profetas, e Jesus, e seus apóstolos; assim, as escrituras abrem à nossa mente um campo novo e inteiramente diferente daquele que possuíamos enquanto sob a orientação de mestres que não vieram de Deus, nem detêm o poder do Santo Sacerdócio. ¶
Isto é uma grande maravilha para alguns. Não conseguem compreender a diferença entre os Santos dos Últimos Dias e o mundo cristão. Dizem eles: "Há muitas igrejas sectárias no mundo, e vós, mórmons, sois apenas mais uma acrescentada à lista." Mas não é assim; os princípios da verdade não são sectários em seu caráter. Não são os mórmons uma seita? Não. São a igreja do Deus vivo — a igreja do Primogênito; são aqueles que saíram do mundo, como Jesus e seus seguidores fizeram em sua geração. Este povo foi tocado pela luz da verdade; recebeu o testemunho de Jesus, e sabe por si mesmo a verdade do santo evangelho que abraçou. Tendo sido feitos participantes do conhecimento de Deus, por meio do poder e do dom do Espírito Santo, falam com segurança destas coisas, e não como falam os que apenas creem e esperam. ¶
"Mas," dizem aqueles que não abraçaram a verdade, "não sabemos se aquilo que dizeis é verdade ou não." Suponde que não saibais; isso não torna a verdade falsa, e posso dizer-vos como podeis descobri-la. Arrependei-vos de vossos pecados, ide às águas do batismo, evitai o mal, aprendei a fazer o bem, buscai o Senhor vosso Deus de todo o propósito de vosso coração, e podeis obter um testemunho como o obtivemos nós — podeis aprender a conhecer a Deus e a Jesus Cristo, a quem conhecer é a vida eterna. Este é o único princípio pelo qual podeis obter aquele conhecimento que tão intensamente desejais. Muita gente dirá: "Se eu apenas soubesse que estas coisas são assim, estaria convosco de coração e mão." Já vos disse como podeis descobri-lo. Não podeis ser curados de vossa lepra de pecado a menos que cumprais os requisitos do evangelho. Quando Naamã veio ao profeta Eliseu para saber o que deveria fazer para ser curado de sua lepra, foi embora enfurecido, porque simplesmente lhe foi dito que se lavasse no rio Jordão. Mas seus servos se aproximaram e lhe disseram: "Meu pai, se o profeta te dissesse alguma grande coisa, porventura não a farias? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado?" Então o sírio foi e fez como lhe fora ordenado, e foi curado. Assim é conosco todos, devemos cumprir os requisitos do céu antes de podermos receber suas bênçãos. Não devemos esperar ser purificados do pecado e feitos receptáculos aptos para a habitação do Espírito Santo, a menos que prestemos obediência ao evangelho, porque este é o caminho designado por Deus, nosso Pai Celestial, para nos trazer ao conhecimento da verdade. Sede, pois, honestos diante de Deus, e quando fordes tocados no coração, e sentirdes que aquilo que se chama "mormonismo" pode ser verdadeiro, segui esse sentimento até chegardes ao entendimento, e então obedecei ao evangelho, e recebei o Espírito Santo, o qual vos dará pleno conhecimento daquelas coisas necessárias para vossa salvação e exaltação no além. Se o Senhor vos tivesse ordenado que fizésseis alguma grande coisa — ir até os confins da terra, ou algum outro empreendimento diferente — não o teríeis feito? Quanto mais dispostos deveríeis estar a cumprir estas pequenas coisas, quando são para vosso próprio bem? Evitai o mal, arrependei-vos de vossos pecados, e andai nos caminhos da verdade e da retidão, pois são os caminhos da paz e da sabedoria. ¶
É sabedoria de nossa parte seguirmos, nesta nossa provação terrena, um curso que nos assegure a vida eterna no mundo vindouro. É nosso privilégio fazê-lo; estamos aqui exatamente para este propósito. O Deus que reina nos céus é o pai de nossos espíritos, e o Deus e Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; e podemos nos tornar herdeiros dele, e co-herdeiros com Jesus Cristo, cumprindo os requisitos do evangelho que ele revelou. Quão claro e simples é o caminho da vida, se apenas abrirmos os ouvidos para ouvir, os olhos para ver, e o coração para compreender. Deus o revelou; ele abriu a dispensação da plenitude dos tempos, a qual abrangerá em seu escopo todas as demais dispensações desde o princípio do mundo. Nesta dispensação serão reveladas as chaves da ressurreição, as quais capacitarão os homens a saírem revestidos de poder para ressuscitar e trazer à frente os mortos. O Senhor começou esta grande obra; estamos empenhados nela; e ela avançará até cobrir toda a terra. O fundamento daquele reino que perdurará para todo o sempre está lançado. Os princípios do reino avançaram, e tocaram os corações de muitos dos filhos dos homens — um de uma cidade, e dois de uma família — e foram trazidos das nações da terra para os vales das montanhas, como foi predito pelos profetas milhares de anos atrás. ¶
Jesus disse aos judeus que Abraão viu seu dia e se alegrou nele. Eles o questionaram sobre como ele — ainda não tendo cinquenta anos — poderia saber algo sobre Abraão, que estava morto havia tanto tempo. Jesus disse: "Antes que Abraão existisse, eu sou." Isto pareceu confundir os judeus; não compreendiam o princípio da pré-existência, e que Jesus, que então estava revestido de carne, havia tido uma existência no mundo espiritual, que era o primogênito de muitos filhos, e havia nascido antes de Abraão em espírito. Jesus o compreendia, e de vez em quando, como neste caso, falava sobre o princípio. Os judeus se orgulhavam de servir o Deus de seu pai Abraão, mas Jesus lhes disse que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó não era o Deus dos mortos, mas dos vivos, ensinando-lhes assim claramente os princípios da ressurreição. ¶
Direi agora algumas palavras a respeito de participar do sacramento. Esta ordenança foi instituída por nosso Salvador, e seus seguidores foram ordenados a dela participar em memória dele. Mas quantos de nós dela participam sem pensar naquele em cuja lembrança da morte é ela administrada! Já vi alguns dos santos tomar o cálice de modo muito irreverente — abençoado e consagrado como é — e beber para saciar sua sede. Não suponho que tais pessoas pensem mais em nosso Senhor e Salvador do que pensam quando bebem em ocasiões comuns. Para dizer o mínimo de tal conduta, é altamente imprópria e irreverente. Já vi irmãos e irmãs participarem do sacramento com as luvas postas, e em atitude muito descuidada, estendendo a mão esquerda. Deveis sempre estender a mão direita ao tomar tanto o pão quanto o cálice; e deveis tirar o chapéu, se o estiverdes usando, e participar dos emblemas consagrados com reverência, e lembrar-vos de que o fazeis em memória da morte, dos sofrimentos e da ressurreição de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que ainda governará e reinará sobre esta terra, Rei dos reis e Senhor dos senhores. Participaria eu do sacramento com o chapéu ou as luvas postas? Não; eu os tiraria, e deixaria minha alma ascender em oração e ação de graças a meu Pai Celestial, por ter sido permitido participar da ordenança da Casa de Deus. ¶
Sinto-me feliz por crer que estou associado a um povo em cuja maioria das mentes predominam tais sentimentos e desejos, e para quem as poucas indicações que dei serão suficientes quanto ao descuido a que me referi. Temos os princípios da vida eterna em nosso meio, e os praticamos em nossas vidas, e quando o mundo testemunha as boas ações deste povo, isso deveria ser um testemunho de que são de Deus. Digo que é um testemunho ao mundo das verdades do alto Céu, reveladas por meio deste povo, e trará esta geração ao juízo, a menos que ouçam e obedeçam aos princípios que ensinamos. Sei disso? Sei. O mundo pode zombar disso, e dizer coisas calculadas para ferir nossos sentimentos, mas isso não alterará a verdade. Oferecemos as palavras da vida eterna ao povo, e, se as receberem, são bem-vindas, mas, se não o fizerem, nosso testemunho lhes será um cheiro de morte para morte, em vez de vida para vida. ¶
Aquilo que é bom tende a nos exaltar e a aumentar em nós o conhecimento, o poder, o entendimento, e tudo que vale a pena possuir, enquanto aquilo que é mau tende à destruição, e, se sua prática for persistida, levará à dissolução e até mesmo à perda de nossa própria identidade. Esta é a recompensa dos iníquos; como disse o profeta, "os iníquos chegarão a uma parada completa," mas a bênção dos justos é a mesma que foi pronunciada sobre Abraão — para seu aumento não haverá fim. Esta é a bênção conferida aos santos em suas ordenações e investiduras sob a autoridade do Santo Sacerdócio do Filho de Deus — o Sacerdócio de Melquisedeque, que é sem princípio de dias nem fim de anos, sem pai, sem mãe, sem genealogia, eterno, nos céus. Aquela autoridade e sacerdócio foram novamente restaurados à terra, e os homens estão outra vez capacitados a administrar nas ordenanças do santo evangelho. Não há autoridade desta espécie sobre a face da terra, exceto por aquele canal. Nenhuma das seitas e denominações do mundo possui aquela autoridade. Ela não existiu sobre a terra por muitas centenas de anos. Sei que isto é verdade? Sei, e podeis obter esse conhecimento pelo mesmo princípio pelo qual o obtive — praticando a retidão e obedecendo às ordenanças do evangelho, tal como designadas por Jeová. Não tem o Senhor o direito de prescrever o método pelo qual podemos nos aproximar dele; e, quando ele o fez, zombaremos nós da ideia e diremos que algum outro caminho servirá igualmente bem? Em verdade, nenhum outro caminho servirá tão bem. Tomemos, pois, cuidado em como prescrevemos um caminho para o Senhor trilhar, ou em subverter os caminhos da verdade que o Senhor revelou para a orientação dos filhos dos homens. Não temos o direito de fazê-lo. Cabe a nós, que recebemos este conhecimento, andar nele com temor e tremor, e ainda assim com corações alegres, buscando o Senhor para guiar e dirigir nossos passos, para que possamos sempre ter seu espírito conosco, capacitando-nos a perseverar até o fim, para que possamos assegurar nossa salvação no mundo vindouro, e herdar tronos, domínios e exaltações na presença do Pai e do Filho. ¶
Quão poucos, de todos os que estiveram sobre a face da terra, encontrarão a vida eterna? — pois estreita é a porta e apertado o caminho que a ela conduz. É o privilégio dos filhos dos homens alcançar isto, se forem obedientes aos requisitos do evangelho. Mas nisto podem exercer sua vontade. Foram revestidos de um tabernáculo tirado do pó da terra, e se tornaram sujeitos ao poder do pecado e da morte. Vieram passar por uma provação terrena, a fim de serem tentados e provados, se seriam levados pelas artimanhas de Satanás, e desfrutariam dos prazeres do pecado por uma temporada, ou se, fiéis à sua confiança, à sua integridade e ao seu Deus, suportariam as provações desta vida, e sairiam na ressurreição revestidos de imortalidade e vida eterna. ¶
O mundo diz que somos exclusivistas porque não mantemos comunhão nem irmandade com os sectários. Como poderíamos fazê-lo, quando eles nos desprezam e dizem que somos um pobre povo, ignorante e iludido, sem conhecimento nem inteligência? Como poderíamos, quando sabemos que eles e seus líderes são cegos, e que todos cairão na vala a menos que se arrependam de seus maus atos? Enviamos nossos élderes às nações da terra para proclamar os princípios do evangelho ao povo, e para suplicar-lhes que se desviem de seus maus caminhos, para que possam ser redimidos do pecado e da iniquidade que, como uma inundação, estão soterrando as nações. Contudo, chamam-nos de sem caridade porque não os acolhemos em nossa comunhão. Longe de sermos sem caridade, exercemos mais caridade do que todo o mundo cristão junto, pois, enquanto eles condenam à perdição todos os que não obedeceram ao evangelho como eles o pregam, nós cremos que a grande maioria de todo o povo que já viveu sobre a face da terra será salva, e desfrutará de uma glória muito maior do que jamais esperaram. Nisto somos sustentados pelo testemunho das Escrituras, pois o Apóstolo nos diz que Jesus foi pregar aos espíritos em prisão que foram desobedientes nos dias de Noé, para que pudessem viver segundo Deus em espírito, e ser julgados segundo os homens na carne. Se aqueles que morreram desobedientes ao evangelho, tendo-o ouvido e rejeitado, podem receber o ministério do Salvador do mundo, quão mais razoável é supor que aqueles que viveram segundo a luz que possuíam, mas ainda assim morreram sem conhecimento do evangelho, possam desfrutar do mesmo privilégio? Quão mais consistente é supor isto; e a dispensação da plenitude dos tempos abriu estes grandes princípios ao entendimento dos Santos dos Últimos Dias. Não digais, pois, que somos sem caridade. Cremos não apenas que aqueles que morreram sem o evangelho podem ser salvos, mas cremos que aqueles que rejeitaram o evangelho, que foram desobedientes nos dias de Noé, também podem ser salvos. ¶
Tornamo-nos os felizes recipientes deste conhecimento, o conhecimento que conduz à vida e à exaltação na presença de nosso Pai, por meio da obediência ao evangelho que ele revelou em nosso dia. Nisto diferimos do mundo sectário. Diferimos também em nossa organização eclesiástica. Nas igrejas sectárias, colocam bispos à cabeça. Não sei se isso importa, quando estão inteiramente errados; mas menciono isto para mostrar que não é a ordem de Deus. Em sua Igreja há, em primeiro lugar, Apóstolos, e depois auxílios de vários tipos, sendo os bispos aqueles que administram nas coisas temporais, e pertencendo ao sacerdócio menor. Os sectários, contudo, não compreendem as duas ordens de sacerdócio — o Melquisedeque e o Aarônico. Substituem uma coisa por outra — tais como, por exemplo, a aspersão e o derramamento pelo batismo. Perverteram os princípios da verdade, e mudaram as ordenanças do evangelho, e, se o Senhor não os mantém em zombaria agora, o fará em breve, pois ele não é o autor de tal confusão. Ele estabeleceu seu reino, e pôs sua casa em ordem, e conferiu sua autoridade a seus servos, e lhes disse que saíssem e administrassem nas ordenanças da salvação para a edificação da igreja verdadeira e viva. Tenhamos, pois, respeito a estas coisas, e vivamos nossa religião, evitemos toda associação com os ímpios e os iníquos, e andemos fielmente diante do Senhor nosso Deus todos os nossos dias, para que sejamos merecedores de habitar naquela cidade santa cujas ruas serão pavimentadas de ouro, e cujo criador e fundador é Deus. ¶
Isto se aplica especialmente à nossa juventude, pois Satanás usa os ímpios e iníquos para atraí-los a caminhos proibidos, e para cativar seus corações com belos trajes, boas maneiras, discursos suaves, modos vivazes, e assim por diante. Eu diria a minhas jovens irmãs que um daqueles rapazes ou élderes, que está pronto a se levantar em defesa de Israel, a ir pregar às nações, a trabalhar no cânion, ou a fazer qualquer coisa que lhe seja exigida, embora possa estar vestido de tecido caseiro e parecer um tanto rústico, vale mais do que mil enganadores hipócritas de língua macia, que buscam vossa companhia apenas para vos desviar. Cuidado, minhas jovens irmãs, com as associações que formais, e não deixeis que vossas mentes sejam cativadas pelos frívolos e desprezíveis, ou a primeira coisa que sabereis é que despertareis em trevas, tendo naufragado vossa fé por terdes abandonado as ordenanças da Casa de Deus. Como podeis vós, que recebestes estas ordenanças, ir e ter comunhão com tais pessoas e suas práticas? Se vos associardes com os ímpios e iníquos, vos separareis da vida eterna e da exaltação na presença de nosso Pai, pois os ímpios jamais poderão vos conduzir até lá — não, jamais. Até onde vos conduzirem, será pelos caminhos da miséria, da morte e da destruição. Os pais deveriam ter cuidado de preservar seus filhos nos caminhos da verdade e da retidão, e na pureza de nossa santíssima fé, para que sejam fiéis em seu dia e geração. ¶
Se eu estivesse no lugar de muitos de nossos jovens, não sairia pela estrada para diferentes lugares, como muitos deles fazem, apenas para ganhar um pouco de dinheiro. Com demasiada frequência caem em companhia vil, e aprendem a profanar o nome da Divindade. Há demasiado disso aqui no meio dos santos. Lamento dizer que alguns que professam ser Santos dos Últimos Dias esquecem-se de si mesmos a ponto de usar o nome do Senhor em vão, quebrando assim o mandamento que diz: "Não tomarás o nome do Senhor em vão." Em vez de os irmãos serem tão descuidados, irrefletidos e imprudentes a ponto de profanar o nome do Senhor, deveriam tê-lo na mais alta reverência. Eu diria a todos: nunca falai irreverentemente do batismo ou de qualquer das ordenanças da Casa de Deus. Já ouvi pessoas, se por acaso caíam na água, dizerem que foram batizadas, e riam disso e falavam de modo muito irreverente. Todas essas coisas tendem ao mal. Não vos entregueis a tal leviandade. Lembro-me de uma vez, antes de eu estar na Igreja, estar numa festa dada por um de meus vizinhos. Um dos convidados era um élder Santo dos Últimos Dias. Ele disse que estava ansioso por dançar para afastar um pouco de sua superstição e sectarismo. Aconteceu que tinham um violinista muito pobre e um violino muito ruim, e as cordas continuavam se rompendo. Este élder, pensando, suponho, em agradar nossos ouvidos, os que não éramos da Igreja, propôs que impuséssemos as mãos sobre o violino. Como julgais que isso me impressionou? Disse a mim mesmo: "És um pobre e miserável hipócrita; não crês em tua religião, e blasfemas contra Deus ao professares fazê-lo." O nome daquele homem era William Smith, e, embora fosse irmão do Profeta Joseph, e um dos Doze Apóstolos, foi para as trevas. No entanto, já o ouvi falar quando tinha consigo o espírito do Senhor, e fiquei muito satisfeito com suas observações. Mas, ao persistir em tal curso irreverente, a mente de um homem se escurece gradualmente, e, se não for abandonado, finalmente conduzirá à sua queda e destruição. ¶