Como as Divisões Foram Introduzidas no Mundo Cristão—O Evangelho Perfeito, Mas Seus Instrutores Imperfeitos—O Sacerdócio e Sua Restauração
Brigham Young
Os Santos dos Últimos Dias creem na doutrina que foi ensinada pelos profetas, por Jesus, e por seus Apóstolos. Muito se disse e se escreveu a respeito da Igreja que foi organizada nos dias da encarnação do Salvador, e tem havido grande especulação quanto à fé daquela Igreja e aos feitos de seus membros. Dizer o que esta religião, que chamamos o evangelho da salvação, compreende, exigiria mais do que uma vida inteira. Levaria mais do que nossa vida para aprendê-lo, e se o aprendêssemos não teríamos tempo para contá-lo. Nela está incorporada toda a sabedoria e conhecimento que já foram concedidos ao homem, e quando o homem tiver passado pelo pequeno espaço de tempo chamado vida, verá que apenas começou a aprender os princípios desta grande salvação. Nos primeiros dias da Igreja Cristã compreendemos que havia bastante especulação entre seus membros quanto à sua crença e prática, e a propagação dessas ideias especulativas criou divisões e cismas. Mesmo nos dias dos Apóstolos havia evidentemente considerável divisão, pois lemos que alguns eram de Paulo, alguns de Apolo, e outros de Cefas. As pessoas naqueles dias tinham seus favoritos, que lhes ensinavam doutrinas peculiares não geralmente recebidas e promulgadas. Os Apóstolos tinham a verdade, e pensavam que estavam tão estabelecidos nela em seus dias que realmente tinham o poder de unir a Igreja em todos os assuntos temporais, como Jesus orou que fizessem, mas descobriram que estavam enganados. Temos alguma prova disso? Sim; vocês se lembram de ler que os Apóstolos se reuniam para partir o pão e administrar; e administravam de casa em casa, e de congregação em congregação, as palavras de vida e as ordenanças do evangelho. Pensavam que tinham poder para tornar o povo de um coração e de uma mente quanto às coisas temporais, e que podiam amalgamar os sentimentos do povo o suficiente para organizá-los como uma única família. E o povo vendia seus bens e depositava o preço aos pés dos Apóstolos, e tinham todas as coisas em comum. Não há dúvida de que esta é uma doutrina correta, e pode ser praticada para benefício de uma comunidade em geral, se crida e compreendida. Mas quem tem a doutrina; quem tem olhos para ver, ouvidos para ouvir, e um coração para crer? Quem tem a autoridade e a capacidade de organizar tal sociedade? Os Apóstolos pensavam que tinham, mas quando Ananias e Safira caíram mortos por terem mentido, não apenas ao homem, mas ao Espírito Santo, ao dizerem que haviam depositado tudo o que tinham aos pés dos Apóstolos quando haviam depositado apenas parte, um grande temor caiu sobre o povo, e este se dispersou. Temos alguma história de que o povo tenha se reunido de novo em tal capacidade depois disso? Penso que não podem encontrá-la. Depois dos dias dos Apóstolos, quando o Concílio de Niceia foi convocado, determinaram então o que consideravam correto e escriturístico, e o que deixariam de lado, mas aquela palavra segura de profecia que Jesus havia derramado nos corações daqueles que criam nele parecia estar tão misturada e entrelaçada com trevas e incredulidade, que não puderam chegar ao entendimento e receber o testemunho completo de Jesus. Assim viveram os antigos cristãos, e assim passaram seus dias até os dias da Reforma. ¶
Se temos olhos para ver, podemos entender de imediato as dificuldades que os Apóstolos tiveram de enfrentar. Se o povo tivesse vivido de acordo com o evangelho que lhes foi entregue, os Apóstolos teriam tido poder para realizar muito mais do que realizaram, embora não haja dúvida de que se enganaram quanto ao tempo da cena final, pensando que estava muito mais próxima do que realmente estava, e podem ter cometido enganos em outros aspectos também. Muitas das dificuldades que tiveram de enfrentar não nos afligem. Não temos apenas a palavra segura de profecia entregue nos dias dos Apóstolos, mas de fato temos aquela palavra ainda mais segura de profecia entregue a nós através do Profeta Joseph, de que nos últimos dias o Senhor reuniria Israel, edificaria Sião, e estabeleceria seu reino sobre a terra. Esta é uma palavra mais segura de profecia do que a entregue nos dias dos Apóstolos, e é uma obra maior do que tinham que realizar. ¶
As poucas indicações que dei mostram claramente, penso eu, a todos os familiarizados com sua história, como esses cismas e divisões foram introduzidos no mundo cristão. Por mais de mil e setecentos anos as nações cristãs têm lutado, se esforçado, orado e buscado conhecer e compreender a mente e a vontade de Deus. Por que não a tiveram? Podem me dizer por que não houve uma sucessão do Apostolado de um para outro através de todos estes dezessete séculos, pela qual o povo pudesse ter sido conduzido, guiado e dirigido, e recebido sabedoria, conhecimento e entendimento para poder edificar o Reino de Deus, e dar conselho a respeito disso até que toda a terra estivesse envolta no conhecimento de Deus? "Ó, sim, foi a apostasia." Muito verdadeiro, se não fosse por esses cismas talvez não tivesse sido assim. Tomei a liberdade de dizer aos Santos dos Últimos Dias, neste e em outros lugares, algo a respeito dos Apóstolos em nosso dia. É verdade que temos uma maior garantia de que o Reino e o poder de Deus estão sobre a terra do que tinham os Apóstolos antigamente, e ainda assim, aqui mesmo no Quórum dos Doze, se perguntarem a um de seus membros o que ele crê a respeito da Divindade, ele dirá que crê naqueles grandes e santos princípios que parecem ser exibidos ao homem para sua perfeição e prazer no tempo e na eternidade. Mas creem na existência de uma pessoa chamada Deus? "Não, não creio," diz este Apóstolo. Então veem que há cismas em nossos dias. Pensam que havia algum nos dias dos Apóstolos? Sim, pior do que este. Eram muito mais tenazes do que nós somos. ¶
Temos outro no Quórum dos Doze que crê que as crianças de fato têm os espíritos de alguns que viveram anteriormente na terra, e que isto é sua ressurreição, o que é uma doutrina tão absurda e tola que não consigo encontrar linguagem para expressar meus sentimentos a respeito dela. É tão ridículo quanto dizer que Deus--o Ser que adoramos--é princípio sem personalidade. Eu adoro uma pessoa. Creio na ressurreição, e creio que a ressurreição foi exibida em perfeição na pessoa do Salvador, que ressuscitou no terceiro dia após seu sepultamento. Isto não é tudo, temos outro destes Apóstolos, bem aqui neste Quórum dos Doze, que, segundo entendo, por quinze anos tem pregado às escondidas no canto da lareira aos irmãos e irmãs sobre quem tem tido influência, que o Salvador não passava de um homem bom, e que sua morte nada tinha a ver com a salvação de vocês ou minha. A pergunta poderia surgir: se os Apóstolos antigos criam em doutrinas tão absurdas quanto estas, por que não foram transmitidas às gerações posteriores para que pudessem evitar o dilema, o vórtice, o redemoinho de destruição e loucura? Não diremos o que criam ou não criam e ensinavam, mas diferiam um do outro, e não se visitavam mutuamente. Isto não era pela perfeição do evangelho, mas pela fraqueza do homem. ¶
Os princípios do evangelho são perfeitos, mas serão os Apóstolos que o ensinam perfeitos? Não, não são. Agora, unindo os dois, o que ensinaram não me cabe dizer, mas basta dizer isto: que através das fraquezas na vida dos Apóstolos muitos foram levados a errar. Nossos historiadores e ministros nos dizem que a igreja foi para o deserto, mas eles estavam no deserto o tempo todo. Tinham o caminho marcado para sair do deserto e ir diretamente para o Reino de Deus, mas tomaram vários caminhos, e as duas igrejas substanciais que restam--um remanescente dos apóstolos, que se dividiu--agora são chamadas Igreja Católica e Igreja Grega. Lembram-se de ler no Apocalipse de João o que o anjo disse a João, quando estava na Ilha de Patmos, sobre as Sete Igrejas? O que havia de errado com aquelas Igrejas? Não estavam vivendo de acordo com a luz que lhes fora exibida. Vivem os Santos dos Últimos Dias de acordo com a luz que lhes foi exibida? Não, não vivem. Viveram os santos antigos de acordo com as revelações dadas pelo Salvador e escritas pelos Apóstolos, e as revelações dadas através dos Apóstolos, e deixadas registradas para os Santos lerem? Não, não viveram. Podemos dizer que há alguma diferença entre os dias de Jesus e dos Apóstolos e estes dias. Então, disse Jesus: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura"; ofereçam este evangelho a todos os habitantes da terra. Aquele foi um dia de dispersão e espalhamento para aqueles que criam no Salvador. Quando vamos discriminar entre os antigos e os Santos dos Últimos Dias, encontraremos que houve uma pequena diferença em seus chamados e deveres, e em muitos pontos que podemos dizer que dizem respeito às nossas vidas temporais. Não na doutrina do batismo, na imposição de mãos para o recebimento do Espírito Santo, nem nos dons do evangelho. Não há diferença nessas coisas, mas há uma diferença quanto aos deveres temporais que recaem sobre nós. Naqueles dias o mandamento era "Ide às nações da terra"; nestes dias é "Vinde das nações da terra." Não veem a diferença? Leiam as revelações no Livro de Doutrina e Convênios dadas através de Joseph, e encontrarão que o fardo do ajuntamento da Casa de Israel, da edificação de Sião, e da santificação do povo, e da preparação para a vinda do Filho do Homem está sobre os élderes desta igreja. ¶
Logo após a morte de Jesus, a palavra que ele deu a seus Apóstolos foi ir e pregar o evangelho às nações, para que todos fossem beneficiados por isso; mas agora, é ajuntar a Casa de Israel, e a plenitude dos gentios, e trazê-los para casa a Sião, e às terras de seus pais, para que possam receber suas heranças nas terras que lhes foram dadas pelo Senhor em dias antigos. Então veem que há alguma diferença entre os deveres e chamados dos Santos nos dias antigos e nos últimos dias. Quando o Senhor chamou Joseph, ele era apenas um menino--uma criança, com cerca de catorze anos de idade. Ele não estava cheio de tradições; sua mente não estava decidida sobre isto, aquilo ou aquilo outro. Lembro-me muito bem da reforma que ocorreu no país entre as várias denominações de cristãos--os Batistas, Metodistas, Presbiterianos, e outros--quando Joseph era um menino. A mãe de Joseph, um de seus irmãos, e uma, se não duas, de suas irmãs eram membros da Igreja Presbiteriana, e por isso os Presbiterianos se apegavam à família com grande tenacidade. E em meio a estes avivamentos entre os corpos religiosos, o convite, "Vem e junte-se à nossa igreja," era frequentemente estendido a Joseph, mas mais particularmente pelos Presbiterianos. Joseph era naturalmente inclinado a ser religioso, e sendo jovem, e cercado por esta excitação, não é de admirar que se tenha tornado seriamente impressionado com a necessidade de servir ao Senhor. Mas como o clamor por todo lado era, "Eis aqui Cristo," e "Eis ali!", disse ele: "Senhor, ensina-me, para que eu possa saber por mim mesmo, quem dentre estes está certo." E qual foi a resposta? "Todos se desviaram; foram descaminhados, e não há quem faça o bem, não há sequer um." Quando descobriu que nenhum estava certo, começou a indagar do Senhor o que era certo, e aprendeu por si mesmo. Estava ele ciente do que ia ser feito? De forma alguma. Ele não sabia o que o Senhor ia fazer com ele, embora Este o tivesse informado que as igrejas cristãs estavam todas erradas, porque não tinham o Santo Sacerdócio, e haviam se desviado dos santos mandamentos do Senhor, precisamente como fizeram os filhos de Israel. Eram os filhos da promessa, dos quais o Senhor havia dito--"Serão chamados pelo meu nome, e eu os salvarei"; e por gerações Ele se esforçara para fazê-lo. Quando perseguidos pelas hostes de Faraó, Ele os havia libertado da servidão egípcia; havia destruído os heteus e outras nações pagãs, e lhes dera posse da terra de Canaã, e de toda maneira havia tentado abençoá-los; contudo eles não seriam abençoados, e nos escritos do profeta Isaías lemos que haviam transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado os convênios eternos. Pensam que as nações gentias cristãs se rebelaram? Sei que sim. Tomem, por exemplo, os ditos de Jesus de Nazaré, o Salvador do mundo, tal como se encontram neste livro--a Bíblia. Ele ordenou a seus Apóstolos que fossem a todo o mundo e pregassem o evangelho a toda criatura, e quem crer e for batizado será salvo. Quantos métodos de batismo eram praticados naqueles dias? Tantos quantos havia salvadores--um. Quantos métodos de imposição de mãos para o Espírito Santo? Um. Quantos métodos de obter o espírito de profecia e os dons de cura e de discernimento de espíritos? Um. Um Deus, uma fé, e um Senhor e Salvador Jesus Cristo, e um somente. Bem, os Apóstolos foram e pregaram este evangelho, contudo um variava um pouco em um ponto, e outro em outro, e aqueles que tomavam o evangelho e corriam de cá para lá introduziam elementos de doutrina que eram totalmente imaginários. Encontramos alguma ideia curiosa proposta em nossos dias? Sim, posso relatar uma circunstância que uma vez ouvi eu mesmo, de um dos primeiros élderes desta igreja. Ele estava pregando ao povo sobre o princípio do adultério, e lhes disse que, segundo a lei do Senhor, quem quer que cometesse adultério teria seu sangue derramado. Mas ocorrendo-lhe a ideia de que milhões haviam cometido este crime cujo sangue nunca fora derramado, ele pensou que isto não podia estar correto, e assim, para melhorá-lo, disse que se o sangue deles não fosse derramado nesta vida, seria na ressurreição. Que absurdo! Não há sangue lá. Carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus. Não mostra isto quão facilmente estas pequenas coisas se infiltram na Igreja? Temos o poder e a autoridade e o método de detectar todo tal erro? Temos. Sabem quais são? Alguns de vocês sabem, e se não sabem, não lhes direi hoje. Mas estamos de posse dos meios pelos quais detectar todo erro que entra na igreja, e decidir satisfatoriamente sobre todo ponto, e decidir o que é e o que não é verdade. ¶
O evangelho é uma fonte de verdade, e a verdade é o que buscamos. Abraçamos a verdade--a saber, o evangelho do filho de Deus. Seus primeiros princípios são crer no Senhor Jesus Cristo, arrepender-nos de nossos pecados, então descer às águas do batismo para a remissão de nossos pecados, e ter as mãos impostas sobre nós para o recebimento do Espírito Santo, o qual nos conduzirá a toda a verdade. Se há aqui algum de meus amigos ou inimigos que não sabe o que é o "mormonismo", estou lhes dizendo. Cremos em Deus nosso Pai. Isto me leva diretamente a outro ponto sobre o qual não tenho muito tempo para falar. Lembro-me de pregar certa vez no antigo bowery a respeito de nosso Pai e Deus, o Ser que adoramos e em quem tanto pensamos. Havia presente um ministro Batista; hospedava-se em minha casa. Era um homem gentil e amigável, e estava a caminho das minas de ouro. Estava sentado ao meu lado. Eu queria deixá-lo perplexo. Não lhe diria, mas o levei diretamente ao ponto, e ali o deixei. Quando chegamos em casa, disse ele: "Ó! irmão Young, o senhor foi exatamente ao ponto, e eu orava para que nos dissesse que tipo de ser é Deus." Respondi: "Deixei-o perplexo de propósito para que adivinhasse. O senhor a leu com frequência, e mal pode ler a Bíblia sem ler precisamente que tipo de ser é nosso Pai." Disse ele: "Não estou ciente de que saiba algo a respeito disso." Perguntei-lhe se poderia me dizer que tipo de ser era Adão. "Ó! Adão era um homem como eu sou." Perguntei-lhe se acreditava na história da criação, tal como dada em Gênesis por Moisés, pois se acreditasse, encontraria que Deus disse a seus associados: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança." Acreditava na história dada por Moisés, e havia lido a passagem a que me referi. "Então," disse eu, "o senhor deve crer que Adão foi criado na exata imagem do Pai." Ele nunca havia pensado nisso em toda a sua vida. Disse-lhe que havia lido isso muitas vezes a cristãos e a ministros cristãos, mas eles não acreditariam no que estava na Bíblia. Diz Jesus: "Quem me vê a mim vê o Pai." Ele é o Ser que os Santos dos Últimos Dias adoram; Ele é um homem-Deus. Podem encontrar termo melhor do que este--um Deus-homem? Diz-se que Jesus é o unigênito do Pai. É estranho que as pessoas não consigam compreender, mas não podem a menos que lhes seja dito. Como podemos saber a menos que nos digam, e como podemos dizer ao povo a menos que o Senhor nos diga para fazê-lo? A fé vem por ouvir a palavra de Deus declarada, e isto deve ser declarado por aqueles que têm autoridade. Este personagem a quem servimos é Deus, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e o Pai de nossos espíritos, se o Apóstolo diz a verdade; se não a disse, quem pode corrigi-lo a menos que tenham uma revelação dos céus? Tive muitos ministros que me disseram que devo entender isso espiritualmente. Disse-lhes que li e entendi exatamente como estava, e se não estava correto, e eles pudessem dar o significado correto (o que lhes seria impossível fazer sem revelação), estariam sob condenação perante o Senhor se não o fizessem. Isto os fazia parar. ¶
Nosso Senhor Jesus Cristo--o Salvador, que redimiu o mundo e todas as coisas a ele pertencentes, é o unigênito do Pai quanto à carne. Ele é nosso irmão mais velho, e o herdeiro da família, e como tal o adoramos. Ele provou a morte por todo homem, e pagou a dívida contraída por nossos primeiros pais. E quanto a isso? Não vou dizer isso, pois tenho mais algumas ideias a respeito do mundo cristão que desejo expor diante de vocês. Por que se desviaram tanto do caminho da verdade e da retidão? Porque deixaram o Sacerdócio e não tiveram guia, nem líder, nem meio de descobrir o que é verdade e o que não é. Diz-se que o Sacerdócio foi tirado da Igreja, mas não é assim, foi a Igreja que se afastou do Sacerdócio, e continuou a viajar no deserto, se desviou dos mandamentos do Senhor, e instituiu outras ordenanças. Há muitas igrejas que não creem em ordenanças de forma alguma, e há alguns chamados cristãos que não creem no sangue do Salvador, e que ele mesmo não passava de um homem bom. Se creem na ressurreição infantil, ou que uma pessoa que houvesse cometido adultério teria seu sangue derramado na ressurreição, seria tão consistente quanto crer no que de fato creem. Estas ideias estão todas erradas. ¶
O mundo cristão lutou até os dias da Reforma. Mas o que veio da Reforma? Nada, apenas mostra que havia alguns poucos entre eles que tiveram coragem de se opor aos princípios ortodoxos ordenados, publicados e proclamados pelos Sacerdotes. Tinham a ideia em suas mentes de que o Senhor ia fazer algo pelo povo, mas não sabiam dizer o quê. Havia um espírito sobre eles que os impelia a declarar contra a maldade daqueles que professavam ser cristãos. Professavam saber o suficiente para tomar a verdade e deixar o erro? Não; até os dias de minha juventude os cristãos não sabiam nada melhor do que renunciar a qualquer doutrina que a Igreja de onde vieram cria. Isto é mais ou menos o caso com toda denominação na face da terra. Alguns que se chamam cristãos são muito tenazes com respeito aos Universalistas, contudo estes últimos possuem muitas ideias excelentes e boas verdades. Têm os Católicos? Sim, muitas verdades excelentes. Têm os Protestantes? Sim, do primeiro ao último. Tem o infiel? Sim, ele tem uma boa quantidade de verdade; e a verdade está por toda a terra. A terra não poderia subsistir se não fosse pela luz e verdade que contém. O povo não poderia permanecer se não fosse porque a verdade os sustenta. É a Fonte da verdade que alimenta, veste, e dá luz e inteligência aos habitantes da terra, quer sejam santos ou pecadores. Pensam que há alguma verdade no inferno? Sim, muita, e onde há verdade calculamos que o Senhor tem o direito de estar. Não encontrarão o Senhor onde não há verdade. O diabo tinha verdade em sua boca assim como mentiras quando veio à mãe Eva. Disse ele: "Se comeres do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, verás como os deuses veem." Isso era tão verdadeiro quanto qualquer coisa já dita na face da terra. Ela comeu, seus olhos se abriram, e ela viu o bem e o mal. Deu do fruto a seu marido, e ele também comeu. Qual teria sido a consequência se ele não o tivesse feito? Teriam sido separados, e onde estaríamos nós? Alegro-me de que ele tenha comido. Alegro-me de que o fruto tenha sido dado à mãe Eva, de que ela dele comeu, e de que seus olhos se abriram, e de que meus olhos estejam abertos, de que tenha provado tanto o doce quanto o amargo, e de que compreenda a diferença entre o bem e o mal. ¶
Quando o Senhor chamou seu servo Joseph, depois de conduzi-lo por anos até que obtivesse as placas, de uma porção das quais o Livro de Mórmon foi traduzido, "Aos poucos," disse Ele, "você vai organizar minha igreja e estabelecer meu reino. Vou ter uma igreja na terra. Todas estas igrejas sobre as quais você indagou estão erradas; têm verdade entre si, mas não o Sacerdócio. Faltam-lhes um guia para dirigir os assuntos do Reino de Deus na terra--isto é, as chaves do sacerdócio do Filho de Deus." Isto conta a história. Possuímos o Sacerdócio. O Senhor enviou João para ordenar Joseph ao Sacerdócio Aarônico, e quando começou a batizar as pessoas, enviou um poder maior--Pedro, Tiago e João, que o ordenaram ao apostolado, que é o ofício mais elevado pertencente ao Reino de Deus que qualquer homem pode possuir na face da terra, pois detém as chaves do Reino dos Céus, e tem poder para dispensar as bênçãos do reino. Este sacerdócio é o que o mundo cristão não possui, pois se afastaram do reino e do sacerdócio. Joseph conferiu este sacerdócio a outros, e esta Igreja o possui e seu poder, o que nos permite detectar todo erro, e saber o que é verdade. ¶
Há outras coisas sobre as quais eu queria falar, não pertencentes ao Reino de Deus na terra, mas à fé deste povo diante de Deus, mas deixarei isto por ora, pois sinto que já falei por tanto tempo quanto é prudente para mim. Que o Senhor Deus de Israel os abençoe, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶