Como Devem os Santos Ordenar Sua Vocação na Vida. Como Empregar Sua Riqueza. Para Edificar Sião, e Não Babilônia. Conselho do Profeta Joseph. Experiência do Profeta Brigham Young Nisso. Importância da União nas Coisas Temporais e Espirituais, Religiosas e Políticas
Brigham Young
Se o povo puder me ouvir tão bem quanto eu ouço seu ruído ao caminhar, não haverá muita dificuldade em me fazer entender. Este caminhar descuidado com botas pesadas causa bastante confusão no salão. Ao dirigir-se aos Santos, seja pela palavra de exortação, admoestação, correção ou doutrina, requer-se boa atenção para que uma pessoa retenha sequer uma pequena porção do que ouve. É por isso que é tão necessário que nos falem e nos preguem tanto. Se lemos a Bíblia, logo ela se esvai de nós; colhemos princípios e temos o prazer de examinar a experiência de outros que viveram em dias passados; mas logo os esquecemos. Nossos próprios cuidados e reflexões, e a multidão de pensamentos que passam por nossas mentes, tiram de nossas lembranças o que ouvimos e lemos, e nossas mentes se voltam para objetos presentes — nossas aflições, nossas provações, nossas alegrias, ou o que quer que pareça estar presente conosco e diretamente no futuro, e esquecemos o que ouvimos. ¶
Quando me dirijo aos Santos dos Últimos Dias, dirijo-me a um povo que deseja ser Santo de fato. Olho para meus irmãos e irmãs, e penso: para que viestes aqui? O que vos trouxe a este território — este país montanhoso — a estas regiões selvagens? Ora, a resposta é, de imediato: "vim para cá porque era um Santo dos Últimos Dias, queria reunir-me com este povo; meu coração estava com aqueles que haviam abraçado o Evangelho, e desejei estar com os Santos." Não há ninguém que assim tenha feito que não desejasse reunir-se. Para quê? Qual é o objetivo de ser um Santo? Com o propósito expresso de desfrutar das bênçãos dos puros de coração — dos que estarão preparados para habitar na presença do Pai e do Filho. Por isto deixei tudo o que tinha — deixei, talvez, pai, mãe, irmãs, irmãos, amigos, parentes, um bom lar; em muitos casos deixamos uma esposa, deixamos um marido, deixamos nossos filhos, por causa da sociedade dos Santos. E quando estamos reunidos, podemos olhar ao redor e perguntar a nós mesmos se somos realmente o que professamos ser; andamos naquele caminho que é traçado para os fiéis e obedientes tão estrita e tenazmente quanto deveríamos, devotando-nos inteiramente ao serviço de Deus, para a edificação de seu reino, e à santificação de nós mesmos — esforçando-nos por vencer toda paixão má, todo apetite profano; buscando ao Senhor força para subjugar toda erva daninha nociva que pareça crescer em nossos afetos, e vencê-la a tal grau que possamos ser santificados? Podemos examinar-nos e decidir esta questão, sem pedir o conselho de bispo, élder presidente, apóstolo, ou de qualquer homem ou mulher nesta igreja. Somos capazes de decidir isto por nós mesmos. ¶
Se algum dos Santos dos Últimos Dias desejasse ter o caminho do dever apontado com clareza e simplicidade, e a estrada que leva à perfeição traçada diante de si de modo a nela caminhar com facilidade, deveria buscar ao Senhor e obter seu espírito — o Espírito de Cristo — para que possa ler e entender por si mesmo. Amam eles a Deus com todo o coração? Guardam seus mandamentos? Sabemos se amamos o Senhor? Sabemos se guardamos seus mandamentos? Sabemos se estamos andando no caminho da obediência ou não? ¶
Há um traço no caráter do homem que frequentemente se manifesta nos Santos. É simplesmente este — ver falhas nos outros quando não examinamos as nossas próprias. Quando vedes pessoas, professando ser Santos dos Últimos Dias, examinando as falhas de outros, podeis saber que não estão andando no caminho da obediência tão estritamente quanto deveriam. Por esta simples razão — é tudo o que vós e eu podemos fazer como indivíduos, como membros na Igreja e no reino de Deus, purificarmo-nos, santificar nossos próprios corações, e santificar o Senhor Deus em nossos corações. Pode-se observar, ou pode-se perguntar: "nunca devemos saber dos atos de outros? Nunca devemos olhar para ver como outros estão andando e progredindo neste Evangelho? Devemos, para sempre e sempre, confinar nossas mentes a pensar em nós mesmos, e nossos olhos a olhar para nós mesmos?" Posso apenas dizer que, se as pessoas apenas entenderem o caminho do dever e nele andarem, atendendo estritamente a tudo o que lhes é exigido, terão bastante o que fazer para examinar-se e purificar seus próprios corações; e se olharem para seus vizinhos e examinarem sua conduta, procurarão o bem e não o mal. ¶
É verdade que, em certas circunstâncias, podemos ter de olhar para outros. Por exemplo, aqui está o Alto Conselho, chamado a atuar sobre os casos que lhe são apresentados. Naturalmente, seu dever, então, é examinar a conduta de seus irmãos e irmãs; e isto lhes é exigido. E se o fizerem sem preconceito, sem egoísmo, pelo poder do Espírito Santo, despidos de todo sentimento impróprio, julgando com justo juízo entre homem e homem, o desempenho deste dever os purificará tanto quanto qualquer outro trabalho. Se uma pessoa não é chamada a assentar-se no Alto Conselho, pode ser chamada a ser bispo, e se, em sua ala, cuidar fielmente das necessidades dos pobres, examinando a conduta de cada família para saber se são ordeiras e respeitáveis, e se se conduzem de acordo com a palavra e a lei de Deus, cuidando para que não haja maldade, maledicência, malícia, ou conduta imprópria a cristãos, está trabalhando fielmente no cumprimento de seu dever, e faz jus ao Espírito do Senhor para santificar seu próprio coração e purificar-se, tanto quanto se estivesse de joelhos orando. Se um élder é chamado a ir pregar o Evangelho, e viaja pelas planícies, numa caravana ou numa carruagem, ou pela ferrovia, ou embarca num navio e atravessa o oceano, está cumprindo seu dever nisto tanto quanto se estivesse no Alto Conselho ou de joelhos orando o tempo todo. Se um homem é chamado a ir trabalhar pelos pobres, se seu bispo lhe pede que vá ao cânion buscar uma carga de lenha para os pobres, e ele vai ali, com o coração erguido a Deus, e com o olho voltado unicamente para a edificação do reino, e traz a carga de lenha e a deixa à porta do bispo para os pobres, para a viúva ou para os que não podem ajudar-se a si mesmos, está tão dentro da linha de seu dever ao fazê-lo quanto se estivesse de joelhos orando. E assim podemos prosseguir por todo o dever do homem. Não importa para que a pessoa seja chamada, se é para edificar o reino de Deus sobre a terra, se cumprir alegremente o dever, faz jus ao Espírito do Senhor — o Espírito da Verdade — o Espírito Santo; e certamente o possuirá. Há um tempo para pregar, para orar, para as reuniões sacramentais, para o trabalho, e quando estamos atendendo a qualquer uma ou a todas estas coisas, em sua devida estação, fazemos jus à influência purificadora do Espírito de Deus. Se um homem é chamado a ir cultivar a terra, e cuida fielmente disso, porque é dirigido a fazê-lo pelas autoridades que estão sobre ele, e produz seu grão, seu gado, e traz suas colheitas para sustentar homem e animal, e o faz com o olho voltado unicamente para a glória de Deus e para a edificação de seu reino, faz jus ao Espírito do Senhor, atrás de seu arado, tanto quanto eu estou neste púlpito pregando, segundo o ministério e o chamado, e os deveres que recaem sobre ele. Se um homem é chamado a comerciar mercadorias em benefício do povo de Deus; ao viajar para comprar suas mercadorias, e cuidar delas e de sua segurança até chegarem a seu destino, e distribuir essas mercadorias aos Santos e receber seu pagamento por elas, que aja com o olho voltado unicamente para a glória de Deus e a edificação de seu reino sobre a terra, e faz tanto jus ao Espírito do Senhor e ao Espírito Santo quanto um homem que prega. Se um homem é chamado a criar gado, e a obter maquinaria para manufaturar as roupas necessárias aos Santos, e se dedica a esse negócio com o olho voltado unicamente para a edificação do reino de Deus sobre a terra, faz jus ao Espírito do Santo Evangelho, e o receberá e desfrutará tanto quanto se estivesse pregando o Evangelho. Terá ele o espírito de ensinar e expor as Escrituras? Não, tem o espírito de saber como criar ovelhas, obter a lã, pôr a maquinaria em operação para fazer as roupas para o avanço, benefício e edificação do povo de Deus sobre a terra. E o Espírito do Senhor está aqui nestes trabalhos — na agricultura, no comércio e em todo negócio mecânico — tanto quanto está na pregação do Evangelho, se os homens viverem para isso. ¶
Suponhamos que tragamos algumas ilustrações a respeito dos sentimentos e conhecimento presentes dos élderes de Israel. Não precisamos voltar a Nauvoo ou Kirtland para encontrar ilustrações entre nossos mercadores, mas tomá-los como os encontramos aqui. Se entram em seus negócios sem Deus em seus pensamentos, é: "quanto posso obter por isto? E quanto posso ganhar naquilo? E quanto o povo dará por isto e por aquilo? E quão rápido posso enriquecer? E quanto tempo levará para eu ser milionário?" Pensamentos que nunca deveriam entrar na mente de um mercador que professa ser um Santo dos Últimos Dias. Mas deveria ser: "o que posso fazer para beneficiar este povo?" E quando vivem, agem e fazem negócios sobre este princípio, e pensam: "o que posso fazer para beneficiar o reino de Deus sobre a terra, para estabelecer as leis deste reino, para tornar este reino e povo honrados, e trazê-los à notoriedade, e dar-lhes influência entre as nações, de modo que possam reunir os puros de coração, edificar Sião, redimir a casa de Israel, e talvez ajudar (embora não creia que haja necessidade disso) a reunir os judeus a Jerusalém e preparar para a vinda do Filho do Homem?" E labutarem com todas as suas forças por sua própria santificação e pela santificação de seus irmãos e irmãs, descobrirão que a ideia de "quanto posso ganhar este ano? Posso ganhar sessenta mil dólares? Posso ganhar em meu pequeno negócio cem mil dólares?" nunca entraria em suas mentes; nunca pensariam nisso. Mas lamento dizer que não é assim. Nossos mercadores podem voltar-se e perguntar-nos se esperamos que ganhem alguma coisa. Sim, estamos perfeitamente dispostos a que enriqueçam; não importa quão ricos sejam, mas o que fareis com essas riquezas? A questão não se levantará para o Senhor, nem para os mensageiros do Todo-Poderoso: "quanta riqueza um homem possui", mas "como obteve essa riqueza, e o que fará com ela?" ¶
Posso revelar coisas ao povo, se isso fizesse algum bem; dar-lhes a mente do Senhor, se pudessem ouvir e depois se beneficiar disso, a respeito da riqueza. O Senhor não tem objeção a que seu povo seja rico; mas tem grande objeção a que as pessoas acumulem sua riqueza, e não a devotem, expressamente, ao avanço de sua causa e reino sobre a terra. Ele tem grande objeção a isto. ¶
E nossos artífices, trabalham com o propósito expresso de edificar Sião e o reino de Deus? Lamento dizer que penso haver muito poucos em cujos corações isso tenha entrado, ou cujos pensamentos estejam ocupados, mesmo minimamente, com tal princípio; mas é: "quanto posso ganhar?" Se nossos artífices trabalhassem sobre o princípio de estabelecer o reino de Deus sobre a terra, e edificar Sião, eles, como disse o profeta Joseph em 1833, nunca fariam mais um dia de trabalho senão com esse fim em vista. Naquele ano, vários élderes vieram a Kirtland; creio que havia uns vinte ou trinta élderes. O Irmão Joseph Smith nos deu a palavra do Senhor; era simplesmente esta: "nunca façais mais um dia de trabalho para edificar uma cidade gentia; nunca gasteis mais um dólar, enquanto viverdes, para adiantar o mundo em seu estado presente; ele está cheio de maldade e violência; nenhuma consideração é dada aos profetas, nem às profecias dos profetas, nem a Jesus, nem a seus ditos, nem à palavra do Senhor que foi dada antigamente, nem à que é dada em nossos dias. Extraviaram-se, e estão edificando a si mesmos, e estão promovendo o pecado e a iniquidade sobre a terra; e", disse ele, "é a palavra e o mandamento do Senhor a seus servos de que nunca mais façam um dia de trabalho, nem gastem mais um dólar, para edificar uma cidade ou nação gentia." ¶
Ora, se alguém está disposto a perguntar se o Irmão Brigham já, desde então, trabalhou um dia, ou meio dia, ou uma hora, para edificar uma cidade gentia ou o mundo gentio, ele dirá mui enfaticamente aos Santos dos Últimos Dias que nunca o fez. ¶
Poderia ilustrar com circunstâncias, e poderia relatar-vos, se estivesse disposto a fazê-lo, as providências de Deus, e quão favoráveis são para com aqueles que andam humildemente diante dele. No verão de 1833, em julho, o Irmão Joseph deu a palavra do Senhor aos élderes, como venho vos contando. Voltei ao leste; e em setembro o Irmão Kimball e eu subimos juntos com nossas pequenas famílias. Quando chegamos a Kirtland, se algum homem que já se reuniu com os Santos foi mais pobre do que eu — foi porque nada tinha. Eu tinha algo e não tinha nada; se ele tinha menos do que eu tinha, não sei o que poderia ser. Tinha dois filhos para cuidar — isso era tudo. Eu era viúvo. "Irmão Brigham, tínheis sapatos?" Não; nenhum sapato em meus pés, exceto um par de botas emprestadas. Não tinha roupa de inverno, exceto um casaco feito em casa que tinha havia três ou quatro anos. "Alguma calça?" Não. "O que fizestes? Passastes sem?" Não; peguei emprestado um par para usar até conseguir outro. Eu havia viajado e pregado e dado cada dólar de minha propriedade. Valia um pouco de propriedade quando comecei a pregar; mas eu era algo como Bunyan — era "vida, vida, vida eterna" comigo, tudo o mais era secundário. Havia viajado e pregado até não ter mais nada com que reunir; mas Joseph disse: "vinde"; e subi o melhor que pude, contratando o Irmão Kimball para levar meus dois filhinhos e a mim até Kirtland. Naqueles dias, provisões e roupas eram tão caras quanto são agora aqui; e um artífice naquele país que ganhava um dólar por dia e se sustentava sozinho era considerado um homem bastante excepcional. Um dólar por dia! E meus irmãos, quando têm três ou cinco dólares por dia, e trabalharam um ano, certamente sairão quatrocentos, quinhentos ou seiscentos dólares endividados, se conseguirem. Não vivíamos assim naquele país; nunca usávamos mais do que nossos meios. Quando cheguei a Kirtland, fui trabalhar assim que a palavra foi de que eu poderia trabalhar e não pregar. Sabia que poderia obter o suficiente; pois sabia como; sempre podia reunir ao meu redor e fazer propriedade. ¶
Havia uns trinta ou quarenta élderes reunidos em Kirtland naquele outono; mas havia apenas um artífice, dentre todo o número que conheci, que não foi a Cleveland e às cidades vizinhas trabalhar durante o inverno — pela simples razão de que pensavam que não conseguiriam um dia de trabalho e receber seu pagamento por ele no lugar que Joseph estava tentando edificar — e essa exceção era vosso humilde servo. Decidi que ficaria em Kirtland e trabalharia, ainda que nunca recebesse um vintém por isso; e fui trabalhar para o Irmão Cahoon, um dos fiduciários do templo, para construir sua nova casa. Trabalhei todo o inverno, e quando chegou a primavera, fui chamado a ir ao Missouri — uma caminhada de mil milhas a pé — e mil de volta. Antes de partir, os irmãos que haviam estado nos lugares circunvizinhos durante o inverno se reuniram — marceneiros, pintores, pedreiros e estucadores. Perguntei a alguns dos irmãos quanto haviam ganhado? Eu havia trabalhado ali durante todo o inverno, e em seu começo não tinha a menor perspectiva de conseguir vinte e cinco centavos por meu trabalho de inverno. Disse ao Irmão Cahoon que trabalharia, quer conseguisse algo por isso quer não, "pois", disse eu, "a palavra do Senhor é para que eu trabalhe, para edificar Sião, e por mais pobre que eu seja, o farei." Mas o Senhor abriu o caminho; e ganhei o coração do Irmão Cahoon a tal ponto que, se ele recebia algo, sempre vinha a mim e dizia: "Irmão Brigham, tenho tal e tal coisa, e a dividirei convosco." O Irmão William F. Cahoon e eu continuamos a trabalhar na casa até que seu pai se mudou para ela. Quando terminamos a casa, ele me havia pago tudo o que me era devido. O Senhor havia aberto o caminho. Terminado este trabalho, veio outro, e depois outro, e quando a primavera se abriu, posso dizer com segurança que não havia quatro, nem talvez seis ou dez dos irmãos que haviam ido trabalhar em outro lugar que pudessem produzir tanta propriedade, feita por eles naquele inverno, quanto eu havia feito. ¶
Podeis ver nisto as providências de Deus, com um inverno de trabalho em Kirtland, quando era um dos lugares mais difíceis que homem mortal já teve de ganhar a vida, e isso mesmo quando eu tinha de trabalhar de graça e sustentar-me, isto é, aparentemente assim, a toda aparência exterior. ¶
Tinha minhas calças e casacos, duas vacas, uma casa alugada, e uma esposa nesse meio tempo. E estava melhor do que qualquer outro homem que veio a Kirtland no outono anterior, segundo a propriedade com que viemos, e tinha o suficiente para viver com minha família e deixá-la confortável, e minha arma e espada e dinheiro suficiente para pagar minhas despesas. Se não tinha trabalho a fazer, e não havia ninguém para me contratar, havia bastante madeira e eu fazia algumas camas ou estantes, e se alguém quisesse tais coisas, viriam e diriam: dar-vos-ei um pouco de aveia ou um pouco de milho, ou uma coisa ou outra por elas, e assim o Senhor abriu o caminho de maneira surpreendente. ¶
Conto isto porque é uma experiência com a qual estou familiarizado, pois é a minha própria. Não estou tão familiarizado com as providências de Deus na experiência de outros quanto estou com a minha própria, exceto pela fé e pelas visões do Espírito. ¶
Fiquei em Kirtland de 1833 até 1837; preguei todos os verões. Aqui estão irmãos que sabem o que estou dizendo. Viajei e preguei, e ainda assim voltei sem nada; mas estava disposto a trocar, negociar, trabalhar e labutar para o benefício de meus irmãos e de mim mesmo, com o reino e nada mais diante de mim o tempo todo. Quando parti dali para o Missouri, deixei propriedade que valia mais de cinco mil dólares em ouro, pela qual recebi comparativamente nada. Poderia prosseguir, quanto à minha experiência, até este vale. Deixei minha propriedade em Nauvoo, e muitos sabem que deixei várias boas casas e lotes e uma fazenda, e vim para cá sem um vintém por elas, com exceção de uma parelha de cavalos, arreios e carruagem que Almon W. Babbit me deixou ter para minha própria casa de morada em que minha família vivia; e quando cheguei aqui, devia por meus cavalos, vacas, bois e carroções. Ora, os irmãos dizem: "ora, Irmão Brigham, sois rico." Simplesmente relato isto para mostrar ainda como tenho vivido e o que tenho estado fazendo, e o resultado, que Deus, e não eu, produziu. Ora, tenho uns quatro ou cinco moinhos de cereais, além de serrarias e fazendas; e que qualquer um pergunte a meus escreventes se alguma vez me ouvem mencioná-los de um ano ao outro, a menos que alguém venha ao escritório e os mencione; mas minha mente está em aumentar a riqueza e adiantar os interesses deste povo, e na propagação do Evangelho pelos continentes e ilhas do mar. Perguntai a meus escreventes e a meus associados mais próximos se alguma vez me ouvem mencionar minha propriedade individual, a menos que alguém fale sobre ela. Possuo propriedade, e emprego os melhores homens que posso encontrar para cuidar dela. Se Deus não a dá a mim, não a quero; se dá, farei o melhor que puder com ela; mas quanto a gastar meu próprio tempo fazendo isso, ou deixar minha própria mente se deter nos assuntos deste mundo, não o farei. Não tenho coração para cuidar de minha própria vantagem individual, nunca tive; meu coração não está nas coisas deste mundo. ¶
Desculpai-me por referir-me a mim mesmo. Mas sei que não há homem sobre esta terra que possa reunir propriedade a seu redor, seja ele mercador, comerciante ou fazendeiro, com sua mente continuamente ocupada com: "como conseguirei isto ou aquilo; quão rico posso ficar; ou, quanto posso tirar deste irmão ou daquele irmão?" e regatear e trabalhar, e tirar vantagem aqui e ali — nenhum homem assim jamais poderá magnificar o sacerdócio nem entrar no reino celestial. Ora, lembrai-vos, não entrarão naquele reino; e se acontecer de irem para lá, será porque alguém os toma pela mão, dizendo: "quero-vos como servo"; ou, "senhor, deixareis este homem passar a meu serviço?" "Sim, pode entrar a vosso serviço; mas não é apto para senhor, nem para amo, nem apto para ser coroado"; e se tais homens chegarem lá, será porque alguém os aceita como servos. ¶
Relatei agora um pouco de minha própria experiência. Minha experiência tem me ensinado, e tornou-se um princípio para mim, que nunca é benéfico dar, pura e simplesmente, a homem ou mulher, dinheiro, comida, roupas, ou qualquer outra coisa, se são fisicamente capazes, e podem trabalhar e ganhar o que precisam, quando há qualquer coisa sobre a terra para fazerem. Este é meu princípio, e procuro agir de acordo com ele. Seguir um rumo contrário arruinaria qualquer comunidade no mundo e a tornaria ociosa. Pessoas treinadas assim não têm interesse em trabalhar; "mas", dizem eles, "podemos mendigar, ou podemos conseguir isto, aquilo, ou aquilo outro." Não, meu plano e conselho seria: que toda pessoa capaz de trabalhar, trabalhe e ganhe o que precisa; e se os pobres vierem a mim — homens e mulheres fisicamente capazes — tomai-os e ponde-os na casa. "Precisais deles?" Não; mas ensinarei a esta moça a fazer trabalho doméstico, e ensinarei àquela mulher a costurar e fazer outros tipos de trabalho, para que sejam proveitosas quando se casarem ou forem por si mesmas. "Dar-lhes-eis algo para vestir?" Ó sim, deixai-as confortáveis, dai-lhes bastante para comer e ensinai-as a labutar e ganhar o que precisam; pois o osso e o músculo de homens e mulheres são o capital do mundo. ¶
Se eu pudesse ver meus irmãos e minhas irmãs tão dispostos a serem ensinados, guiados e dirigidos nos pequenos e triviais assuntos da vida, quanto à sua comida, vestimenta, casas e trabalhos, e como se tornarem úteis e não desperdiçarem seu tempo e força naquilo que não lhes faz bem algum; se eu pudesse ver este povo tão disposto a ser ensinado nestas coisas quanto o é nas grandes coisas — as revelações dos profetas, e o que Jesus disse, e as belezas da eternidade, e a excelência do milênio, e que grandes homens e mulheres seremos — isso seria deleitável. Mas de que serviríeis se estivésseis naquela condição? De nada. O que fareis? Nada absolutamente. Aprendei a servir para algo. Temos estas coisas para aprender aqui, ou, se não aqui, em algum outro lugar; e se não estivermos dispostos a aprender aqui, e a praticar o que sabemos em nosso próprio benefício, e a melhorar a graça que Deus nos dá, como poderá Ele conceder-nos suas bênçãos no próximo estado de existência? Ele não o fará; temos de aprender e estar dispostos a ser ensinados aqui. ¶
Para voltar aos assuntos do comércio e dos mercadores. Sei, e já sabia dezesseis anos atrás tão bem quanto sei hoje, que, desde o princípio, os mercadores que vieram para cá estavam lançando o fundamento para o desarraigamento deste povo, a menos que tivéssemos fé extremamente grande; e que cada dólar que lhes era dado era dado para arruinar-vos a vós e a mim, e para destruir o reino de Deus sobre a terra. Podeis crer nisto? "Não sei nada sobre isso", diz alguém, "mas penso que irei aonde possa comprar meu chita mais barato, e não sei que seja de vossa conta onde compro minhas fitas, chapéus ou casacos; penso que isso é meu assunto." É tanto meu assunto, Santos dos Últimos Dias, ditar nestas coisas quanto é a respeito do sacramento que estamos partilhando aqui hoje. Sabe o povo disto? É estranho para eles. Porque vossos sacerdotes na Inglaterra, França, Alemanha, nos estados do leste ou do sul, e nas ilhas do mar, não pregaram tal doutrina, não a podeis receber. Pregaram eles o batismo para a remissão dos pecados? Não. Então por que o recebestes? Nossos pais e sacerdotes não pregaram doutrina alguma de que um homem tem o direito de ditar nos assuntos temporais. Ora, pelo mesmo tipo de raciocínio, poder-se-ia provar que nunca poderíeis receber a doutrina do batismo para a remissão dos pecados. Por quê? Porque os sacerdotes não a pregaram; vossos pais não vos disseram que era doutrina correta, e por que a recebestes? Bem, a recebestes, e o Espírito do Senhor testificou que era verdadeira. O Espírito também testificou que devíeis ter mãos impostas sobre vós para o recebimento do Espírito Santo; e que os dons de línguas, de profecia, de fé, e a cura dos enfermos deviam ser desfrutados pelos Santos. Ora, perguntai ao Pai em nome de Jesus se estou vos dizendo a verdade a respeito das coisas temporais ou não, e o mesmo Espírito que vos testificou que o batismo por imersão é a maneira correta segundo as Escrituras testificará que o homem a quem Deus chama para ditar os assuntos na edificação de sua Sião tem o direito de ditar sobre tudo o que está ligado à edificação de Sião, sim, até mesmo as fitas que as mulheres usam; e qualquer pessoa que o negue é ignorante. Não há homem nem mulher no mundo que se levante contra este princípio senão sendo ignorante; todos os que assim fazem estão destituídos do espírito de revelação e não desfrutam do Espírito de Cristo. ¶
Quero ditar? Não, estou tão longe disso, naturalmente, quanto um homem pode estar; não está em meu coração. Quão feliz eu ficaria de ser dispensado disto. Não me alegraria eu de ser deixado a cuidar de meus próprios assuntos, e a atender a meu próprio negócio, provendo para as necessidades de minha família e desfrutando tanto quanto vós? Sim. Mas o Espírito me impele a realizar os trabalhos que recaem sobre mim, a suplicar e instar com o povo a agir para seu próprio benefício. Se este povo escutasse o conselho que lhe é dado, e fosse de um só coração e uma só mente em seus assuntos temporais, não podeis ver o resultado? Estes homens que têm nos incitado problemas, escrevendo mentiras, e cujo único estudo é destruir o reino de Deus da terra, não estariam em nosso meio. Por quê? Não haveria nada para fazerem. "Não", diz a irmã, "se eu vos der dez dólares de lucro em vossas mercadorias, vós os usareis para a destruição deste reino de que tanto gosto." "Não", diz um irmão, "se eu vos der um dólar ou mil dólares de lucro em vossas mercadorias, vós os usareis para a destruição do reino de Deus pelo qual estou disposto a sacrificar tudo. Não posso dá-los a vós, não é razoável pensar que devo dar isto a vós." ¶
"Mas", diz o mercador, "exijo-o de vós." "Sim, mas tenho tão bom direito de ir negociar onde me apraz quanto vós tendes de negociar, e darei meus dez, cem, ou mil dólares ao homem que devotasse esses meios à edificação do reino de Deus." Não digo que todos os nossos mercadores, artífices ou comerciantes sejam precisamente como deveriam ser diante do Senhor a respeito de devotar seus meios. Tocai em seus meios, e em muitos casos tocareis em suas almas. Ainda assim, o que isso prova? Prova que estão errados, não certos. E deveriam estar certos, e toda a sua alma deveria estar centrada na edificação do reino de Deus. Há muitas pessoas aqui que, quando conseguem quinhentos ou cinco mil dólares, querem trazer algumas carroçadas de mercadorias para cá para especular. Por que não trazer maquinaria para cá? Por que não cultivar seda? Por meus próprios esforços, tenho a amoreira crescendo aqui em grande abundância. O fundamento está finalmente lançado para fazer tanta seda quanto desejamos. Mas temos de importunar as mulheres para conseguir que teçam seda aqui como faziam na velha terra. Não temos senhoras aqui que possam tecer fitas de seda? Se não, podemos logo mandar buscar algumas. Mas não, não se pensa na manufatura da seda; é: "como conseguirei dinheiro para gastar com meus inimigos?" "quão rico posso ficar este ano?" "quanto posso tirar deste povo?" Lamento vê-lo; não é muito creditável; pois, ao fazê-lo, alimentamos nossos inimigos em nosso meio — aqueles que buscam, com todo o poder que têm, desarraigar-nos. Vós que estais na Igreja há trinta ou trinta e cinco anos sabeis que sempre houve um grupo de aproveitadores seguindo o povo para apanhar o que pudessem; e estão conosco aqui para recolher a imundície. Estão dispostos a ir edificar uma cidade para si mesmos? Não; não estão. Falo daqueles que merecem isso; mas há muitos que não são desses especuladores. Estão dispostos a ir tomar uma fazenda? Não, não dariam um vintém por uma fazenda a menos que obtivessem uma reivindicação "mórmon" e provocassem uma briga para obtê-la. Isto último podem fazer com muita facilidade; podem encontrar toda a briga que quiserem. Seus desígnios são interromper esta comunidade; querem algumas casas de jogo, e as terão. O Conselho Municipal não está mais disposto agora do que nunca a licenciar casas de jogo e tabernas; mas é preciso fazê-lo, e todo o inferno se agita se peço ao povo que as suprima. Para que as querem? Querem o que chamam de "civilização" — isto é, brigas, jogo, matança, bordéis, casas de bebida, e toda espécie de devassidão que se possa imaginar na face da terra. Essa é sua "civilização", e o que querem introduzir aqui. Estes aproveitadores estão aqui e querem introduzir seus sistemas. Talvez não sejam muitos no momento presente; mas continuarão, e posso dizer aos Santos dos Últimos Dias que seremos seguidos enquanto o diabo reinar sobre a terra. Ele é incansável em seus esforços, fervoroso em todo ato possível, para a realização de sua obra. Se o povo tomasse o conselho que lhe é dado, saúde, riqueza, influência e poder entre as nações da terra certamente lhes viriam num grau dez vezes maior do que jamais tiveram; viriam de tal maneira que não saberíeis o que fazer com isso, e vos surpreenderíeis e admiraríeis. "Mas não", dizem muitos, "misturar-nos-emos com, viveremos entre, e nutriremos e estimaremos os servos do diabo, e daremos nosso dinheiro a, e nos associaremos com, e teremos seus coadjutores em nosso meio." E assim temos de continuar a labutar, lutar, trabalhar, aconselhar, exercer fé, pedir a Deus repetidamente, e temos orado ao Senhor por mais de trinta anos por aquilo que poderíamos ter recebido e realizado em um ano. ¶
"Não sei", diz alguém, "como fazer melhor do que faço." O Senhor vos deu, a mim e a vós, o privilégio de sair de entre os ímpios. "Sai dela, povo meu" são algumas das últimas palavras reveladas por meio de seu servo João, na última das revelações dadas no Novo Testamento. E um dos últimos escritores que temos aqui neste livro — João, o Revelador — olhando para a Igreja nos últimos dias, diz: "sai dela, povo meu" — sai da Babilônia, sai desta confusão e maldade, a que chamam "civilização". Civilização! É corrupção e maldade da mais profunda tintura. Não é sociedade para vós, povo meu, saí dela. Reuni-vos onde possais orar, onde possais ter reuniões e sacramentos; onde possais reunir-vos, associar-vos e misturar-vos; onde possais embelezar a terra e reunir ao vosso redor as necessidades da vida, e fazer tudo tão belo quanto Sião, e começar a estabelecer Sião sobre a terra; santificai-vos, santificai vossas casas, as terras em que viveis; vossas fazendas, os cursos de água que fluem por vossas cidades, lugares campestres e fazendas; santificai vossas colinas e montanhas e vales, e a terra ao redor, e começai a edificar Sião. Ora, "sai dela, povo meu" com este propósito, "para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas." Depois de todas estas revelações e mandamentos, o povo que professa ser Santo se misturará com os ímpios, e alimentará os que lhes cortariam a garganta, e os sustentará e vestirá, e lhes dará tudo o que puder reunir. ¶
Como é, se descermos aos atos do povo? Tricotarão as mulheres suas próprias meias, e farão suas próprias roupas? Algumas delas podem tentar fazê-lo; mas, de modo geral, não. É: "marido, quero algum dinheiro para ir à loja comprar um chapéu; não me incomodarei em trançar a palha; quero alguns sapatos, vestidos e calças para meus meninos, e não terei o trabalho de fiar esta lã suja." E o homem não terá o trabalho de criá-la. ¶
Este não é o caminho para enriquecer. Se desejais enriquecer, guardai o que ganhais. Um tolo pode ganhar dinheiro; mas é preciso um homem sábio para guardá-lo e dispor dele em seu próprio benefício. Então ide trabalhar, e guardai tudo, e fazei vossos próprios chapéus e roupas. E que nossos mercadores façam seu negócio para a edificação do reino de Deus. Se nossos mercadores não tomarem este rumo, não está longe o tempo em que serão cortados da Igreja. Que sigam seu próprio caminho. Se pensam que um pouco de dinheiro ou propriedade lhes pagará o caminho para o reino de Deus, que o tentem. Descobrirão que estão enganados; perderão o portão e tomarão outro caminho. O mesmo se aplicará a nossos artífices — se não labutarem pela edificação deste reino, em vez de trabalharem para enriquecer, perderão o portão do reino celestial, e não entrarão ali a menos que os aceitemos como servos. Não me importa se um homem é mercador ou mendigo, se tem muito ou pouco, ele deve viver de tal maneira que nem as coisas deste mundo, nem os cuidados desta vida, obscureçam sua mente, nem o excluam das revelações do Senhor Jesus Cristo; mas todos, sejam mercadores ou pregadores, comerciantes ou fazendeiros, artífices e trabalhadores de todo tipo, quer trabalhem na vala, ou construindo cercas de poste e ripa, devem viver de tal maneira que as revelações do Senhor Jesus estejam sobre eles; e se não viverem segundo esta regra, perderão o reino que esperam. ¶
Podeis pensar que isto é uma fala bem dura; mas lembrai-vos do dito de um dos apóstolos, ao falar sobre entrar no reino dos céus, de que "se apenas o justo se salva, onde aparecerão o ímpio e o pecador?" O melhor homem que já viveu sobre esta terra apenas conseguiu salvar-se pela graça de Deus. A melhor mulher que já viveu sobre a terra apenas conseguiu escapar deste mundo para um melhor, com plena garantia de desfrutar da primeira ressurreição. Requer toda a expiação de Cristo, a misericórdia do Pai, a compaixão dos anjos e a graça do Senhor Jesus Cristo estar sempre conosco, e então fazer o melhor que pudermos, para nos livrarmos deste pecado dentro de nós, de modo que possamos escapar deste mundo para o reino celestial. Isto é tudo o que podemos fazer, e não há lugar para aquela negligência manifestada por tantos entre nós. ¶
Não me admiro de que este povo tenha problemas; não me admiro de que algumas de nossas irmãs tenham tristeza no que se chama casamento plural; pois não vivem de modo a ter sobre si o Espírito e o poder de Deus; se o fizessem, veriam sua beleza e excelência, e nenhuma palavra seria dita contra ele deste momento em diante para sempre. Mas veem isto com um olho egoísta, e dizem: "quero minha glória e meu conforto aqui"; seu olho não está na ressurreição e no reino que buscamos, quando Jesus vier e reinar como Rei das nações, como reina como Rei dos Santos. ¶
Quanto à riqueza deste povo, posso dizer que logo ficariam imensamente ricos se tomassem o conselho que lhes é dado. Por exemplo, aqui está uma pequena circunstância: temos bastante saída para nosso grão; nossa aveia, cevada e farinha são muito procuradas nos territórios vizinhos. Quem cultivou este grão? Os Santos dos Últimos Dias. Suponde que estivessem perfeitamente unidos, não pensais que poderiam conseguir um preço adequado por ele? Poderiam. Requeremos que o Irmão Hunter aconselhasse os bispos a tomar medidas para promover a união nesta direção, e poupamos para o Território duzentos ou trezentos mil dólares por ano, por dois ou três anos. Então o negócio diminuiu; mas fiquei satisfeito; havíamos mostrado ao povo o que se podia fazer; ficaram relativamente bem de vida, e se tiverem a mente de seguir uma política adequada, têm os assuntos em suas próprias mãos. Muitos, contudo, não o farão. Um diz: "quero vender minha aveia; a quanto está sendo vendida?" "está sendo vendida a um dólar e um quarto hoje; mas não há ninguém comprando." "quanto dareis?" "bem, dar-vos-ei um dólar"; e assim é vendida; estamos tão ansiosos pelo dinheiro. Há uma história, que já contei antes, mas que vale a pena contar de novo. Há quatro anos, certa irmã levou cem libras de farinha até a praça, ouvindo que farinha estava sendo vendida ali; mas, devido ao número de vendedores, a redução no preço vinha continuamente ocorrendo. Nossa irmã, contudo, determinada a vender a qualquer preço, disse: "podeis ficar com minha farinha por um dólar", e ela de fato vendeu suas cem libras de farinha e o saco por um dólar. Um dos irmãos, que havia recentemente chegado aqui, foi até a praça, e viu uma carga de trigo à venda. Perguntou ao dono quanto pedia por seu trigo. O dono do trigo lhe disse, e fez-se um acordo por ele. Antes de chegarem à casa do comprador, o vendedor suspeitou de ter vendido a um "mórmon"; e, ao perguntar, descobrindo que assim era, "ah", disse ele, "se eu soubesse que pertencíeis à Igreja, ter-vos-ia feito pagar por ele." Coisas pequenas assim são como palhas — dizem para que lado sopra o vento. Se o povo apenas tomasse o conselho que lhe é dado, em vez de haver pessoas em nosso meio, em necessidade, ou que pudessem ser chamadas pobres, não haveria uma família em toda a comunidade que não estivesse tão acima da necessidade que se pudesse dizer com segurança: os tempos difíceis não voltarão mais. Todo homem e mulher deseja trabalhar por seu próprio interesse, mas não sabem como, não sabem o que é para seu melhor interesse e maior bem. ¶
Ora, estamos aqui para edificar o reino de Deus, e para nada mais; mas aqui estão nossos inimigos determinados a que o reino de Deus não seja edificado. Tenho frequentemente pensado que não deveria culpá-los tanto. Têm tido posse desta terra por uns seis mil anos; o diabo tem reinado triunfante, e sem rival tem mantido a posse; os ímpios governam por toda a terra, e têm tido posse desta pequena fazenda, chamada terra, por tanto tempo que pensam ser os herdeiros legítimos, e a herdam do Pai. Mas o Senhor disse que os Santos a possuiriam. E quando Joseph traduziu o Livro de Mórmon, e revelou o Evangelho tal como era entre os filhos de Deus neste continente antigamente, esse foi o ponto de partida. O Senhor disse: "vou estabelecer meu reino; meu inimigo declarado tem tido posse desta terra por tempo suficiente, e vou mostrar a todos os habitantes da terra, santo e pecador, bom e mau, que é tempo de Jesus, segundo sua promessa, seus sofrimentos e sua morte, começar a redimir a terra e aqueles que escutarem seu conselho, e trazê-los a desfrutar de sua presença." ¶
O inimigo tem tido posse da terra por muito tempo, e sente realmente como se fosse seu direito, e que são os herdeiros legítimos. ¶
Se este Evangelho for às últimas partes da terra e cumprir seu destino como predito pelos profetas, por Jesus e pelos apóstolos, ele por fim absorverá todo o bem que há na terra; tomará todo homem e mulher honesto, verdadeiro e virtuoso, e toda pessoa boa, e os reunirá no rebanho deste reino, e esta sociedade se alargará, se espalhará e se multiplicará, e crescerá em conhecimento até que seus membros saibam o suficiente para prolongar seus dias, e a longevidade do homem retorne, e comecem a viver como os homens viviam antigamente. ¶
Este povo está se espalhando e crescendo, e religiosamente — no que diz respeito às ordenanças da casa de Deus — é de um só coração e uma só mente. ¶
Como é politicamente? Votam na chapa democrata ou tomam o lado republicano na questão? Antes penso que, no que se refere ao voto, são de um só coração e uma só mente; então são um religiosa e politicamente. "Oh", dizem nossos inimigos, "qual será o resultado se este povo for deixado em paz? A ideia de tal coisa é bastante temível." Outro homem diz: "gostaria que fossem deixados em paz por cem anos, apenas para ver a que chegariam." "Mas", diz outro, "eu não gostaria; digo-vos, se esse povo prosperar como parece estar prosperando, não vou manter meu lugar numa capacidade nacional." Os sacerdotes em seus púlpitos, do santo católico para baixo, dizem: "se esta religião é certa, a nossa é errada, e é terrível para nós ver a prosperidade que prevalece em seu meio, e saber que são de um só coração e de uma só mente." ¶
Ora, então, aqui vem este partido, e nos diz: "não possuís uma fazenda nesta terra; temos tido poder sobre a terra por tanto tempo, e ainda reinaremos, e todo palmo dela será dividido entre nós e nossos aderentes." "É verdade", dizem eles, "que nos dias de Moisés o Senhor certa vez enviou um mensageiro para pregar o Evangelho aos filhos de Israel, mas nosso senhor tinha tal poder em seu meio que não receberiam o reino." Nos dias de Abraão, também, muito antes dos dias de Moisés, o Senhor revelou os princípios do reino, mas não os quiseram. E mesmo antes disso, o Senhor entregou os princípios do reino a Noé, mas não foram recebidos por sua posteridade. Enoque e sua companhia receberam o suficiente daqueles princípios para conduzi-los passo a passo até que estivessem tão aperfeiçoados que o Senhor os tirou desta terra; e desde Enoque até Noé, Abraão e Moisés, e os filhos de Israel no deserto; estes últimos, contudo, não quiseram o Evangelho. ¶
Se abrirdes esta Bíblia, podereis ler que, quando os filhos de Israel não quiseram receber o Evangelho, o Senhor lhes deu o que se chama a lei dos mandamentos carnais. Nela, Ele lhes diz com quem um homem não deve casar-se; podeis lê-lo por vós mesmos — não se casará com a mãe de sua esposa, nem com sua irmã, nem com a tia de sua esposa, etc. Antes disso, o Senhor havia ordenado aos filhos de Israel, por meio de Abraão, Isaque, e por meio de Jacó e dos doze patriarcas, que nunca se casassem fora de suas próprias famílias. Mas corriam até uma nação estranha e adoravam outros deuses, e traziam de volta uma esposa, ou duas, ou três, para uma família; e depois iam a outra nação e adoravam ídolos, e traziam sua corrupção para o meio de Israel, até que finalmente se tornaram tão alienados e estranhos aos princípios da retidão e do santo Evangelho, que, quando Moisés lhes entregou os princípios da vida e da salvação, os rejeitaram completamente, e esta é a razão pela qual o Senhor lhes deu a lei dos mandamentos carnais. ¶
Estamos levantando um pequeno partido por nós mesmos; estamos de fato conseguindo aqui um povo que não é do mundo. Estamos reunindo-nos para fora do mundo, e nos ajuntando, e temos o direito de comprar uma fazenda, edificar uma cidade ou habitar um Território ou Estado. Mas isso é penoso de suportar para o outro partido. Contudo, "dai a César o que é de César"; pagamos nossos impostos e guardamos as leis da terra. Não sei se os culpo por exercerem toda sua capacidade para impedir que Jesus venha reinar como Rei das nações, como reina como Rei dos Santos. Têm segurado por tanto tempo as rédeas do governo com domínio incontestado. Têm varrido a terra e controlado todos os seus habitantes por tanto tempo que não sei se posso culpá-los por sentirem: "não gostamos que estes Santos dos Últimos Dias aumentem. É perigoso, muito perigoso. Se vão negociar entre si — ter seus próprios mercadores, e não vão negociar conosco, é uma coisa terrível. Se vão ter permissão de comprar terra e ocupá-la, a nação deveria tomar isso em mãos. Se vão cessar de licenciar casas de jogo, a nação deveria tomar isso em mãos." Não posso culpá-los muito por sentirem assim — veem o perigo. ¶
Estão a favor de si mesmos e de seu senhor, e se deixarem os Santos em paz, será, como se disse nos dias de Jesus: "se o deixamos assim, todos crerão nele, e os romanos virão, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação." Assim será com os Santos dos Últimos Dias; se forem deixados em paz, sua doutrina se espalhará e prosperará até reunir toda a verdade no mundo; reunirá toda pessoa boa no mundo e a salvará e preservará dos estragos do inimigo. ¶
Como disse aqui, uma vez, a respeito de pregar o Evangelho, uma pessoa muito simples pode dizer a verdade, mas é preciso uma pessoa muito esperta para dizer uma mentira e fazê-la parecer verdade. Ide ao mundo sectário com seus sistemas chamados religião, agora diante do povo; é preciso um homem muito erudito e talentoso para fazê-la parecer de algum modo louvável aos corações dos honestos, no que diz respeito à doutrina. Quando chegamos às doutrinas que Jesus ensinou, são elas que podem salvar o povo, e as únicas na face da terra que podem fazê-lo. Numa conversa não faz muito tempo com um visitante que estava prestes a voltar aos estados do leste, disse ele: "vós, como povo, considerais que sois perfeitos?" "Oh, não", disse eu, "de maneira alguma. Deixai-me explicar-vos. A doutrina que abraçamos é perfeita; mas quando chegamos ao povo, temos tantas imperfeições quantas pudésseis pedir. Não somos perfeitos; mas o Evangelho que pregamos destina-se a aperfeiçoar o povo, de modo que possa obter uma gloriosa ressurreição e entrar na presença do Pai e do Filho." ¶
Nossa doutrina abrange todo o bem. Desce às capacidades do mais fraco dos fracos; ensinará a moça a tricotar, e a ser uma boa dona de casa, e o homem a plantar milho. Ensinará a homens e mulheres toda vocação na vida; como devem comer; quanto comer; como alimentar, vestir e cuidar de si mesmos e de seus filhos; como se preservar em vida e saúde. Mas perguntareis: como? Pela aplicação diligente, e aprendendo com outros, e obtendo todo o conhecimento possível de nossos arredores, e pela assistência do Espírito, como todos os que introduziram a arte e a ciência no mundo pela ajuda da revelação. O Evangelho nos ensinará toda aquela variedade que vemos diante de nós na natureza — a maior variedade imaginável. Uma irmã faria um chapéu de certo estilo, e outra de outro estilo; uma o enfeitaria de certa maneira, e outra de outra maneira. Quando os irmãos construíssem suas casas, os estilos seriam diferentes; e, caminhando pela cidade, veríamos uma vasta variedade nos jardins, nos pomares, nos caminhos e nas casas. A mesma variedade existiria nos arranjos internos das casas. Veríamos esta variedade em relação às famílias — aqui está o gosto de um, e ali o de outro, e esta variedade constante daria beleza ao todo. Assim se traria à luz e se exibiria uma variedade de talento, da qual nada se saberia, se casas, vestidos e outras coisas fossem todos iguais. Mas que o povo traga à luz seus talentos, e tenha a variedade dentro de si trazida à luz e manifestada de modo que possamos contemplá-la, como a variedade nas obras da natureza. Vede a variedade que Deus criou — nenhuma duas árvores iguais, nenhuma duas folhas, nenhuma duas lâminas de relva iguais. A mesma variedade que vemos em todas as obras de Deus, que vemos nas feições, semblantes e formas, existe nos espíritos dos homens. Ora, desenvolvamos a variedade dentro de nós, e mostremos ao mundo que temos talento e gosto, e provemos aos céus que nossas mentes estão voltadas para a beleza e a verdadeira excelência, para que possamos nos tornar dignos de desfrutar da sociedade dos anjos, e nos elevarmos acima do nível do mundo ímpio, e começarmos a crescer em fé, e no poder que Deus nos deu, e assim mostrar ao mundo um exemplo digno de imitação. ¶
Que o Senhor vos abençoe. Amém. ¶