Pulpit

Casamento: Seus Benefícios

Amasa M. Lyman

1866-04-05

Alegro-me por desfrutar dos privilégios que se nos estendem nesta ocasião, e por me encontrar com meus amigos, e por unir-me a meus irmãos no ministério para tornar esta ocasião instrutiva e proveitosa. Quer tenhamos muito ou pouco a dizer a respeito do grande bem que há para se garantir e desfrutar, espero que em nossos esforços sejamos abençoados e favorecidos ao fazer algumas sugestões à audiência, que estejam calculadas para despertar em suas mentes bons pensamentos que os conduzam a Deus, e a um conhecimento dos princípios envolvidos em sua obra.

De tudo o que pude reunir observando o rumo tomado pelos ministros em seus trabalhos para o esclarecimento do povo, cheguei à conclusão de que, talvez, não há muitos que sejam capazes, por si mesmos, e dentro do círculo limitado de seus trabalhos e esforços pessoais, de dizer tudo, mesmo que o soubessem, e comunicar tudo o que poderia ser comunicado para o benefício do povo. Creio que os servos de Deus, em seus esforços de modo geral, revelam ao povo os trabalhos de suas próprias mentes, sob as influências do Espírito de Deus, e são capazes de conceder-lhe, para seu conforto, encorajamento e auxílio na grande obra em que estão empenhados, os resultados de sua experiência, de sua reflexão e pensamento. O evangelho que recebemos é algo que, a meu ver, guarda relação direta com nossa condição aqui e no porvir, e que se propõe a dirigir nossas ações e nossa conduta na vida de tal modo que todas possam assumir um caráter adequado. Quando nossas ações são corretas, têm o caráter de virtudes, e as virtudes nos recomendam a Deus e uns aos outros. A virtude, quando por nós praticada, é o alicerce mais seguro e melhor que podemos ter para a confiança, não apenas em Deus, mas em nós mesmos e uns nos outros, um grau da qual é necessário para nossa felicidade, para nosso conforto e alegria. Parece-me que o homem ou a mulher cujo curso de vida é tal que não tem confiança em si mesmo propriamente pode ter muito pouca em Deus. Como observou o Irmão Hyde, aproxima-se o tempo em que haveremos de encontrar as realidades de nossa religião. Creio que é assim. Professamos ter recebido o evangelho e adotamos nossa fé há anos. Recebemos, mais ou menos, uma série de lições que têm sido dadas aos santos, de tempos em tempos, por meio das revelações de Deus, à medida que foram comunicadas a seu povo.

Há uma característica em nossa religião que penso ser pouco compreendida; é como muitas outras coisas que teriam muito mais valor para nós se fossem bem compreendidas; nosso entendimento dela é limitado como povo, e a respeito dessa mesma característica de nossa religião sinto-me disposto a fazer algumas sugestões, como resultado de meus próprios pensamentos e reflexões, e de tudo o que se tem revelado em minha mente a respeito do assunto. Como essa característica de nossa religião está agora recebendo considerável atenção do povo dos Estados Unidos, que se tem preocupado profundamente com ela, provavelmente seria bom que nós mesmos falássemos um pouco a respeito, para que eles não sejam os primeiros a aprender, os primeiros a saber aquilo que nós próprios deveríamos saber.

Surge aqui a pergunta: com que se preocuparam eles? Não com nossos pecados; mas nos deram crédito por muitas coisas boas. Não podem deixar de reconhecer que fomos corajosos em vencer os perigos de abrir caminho pioneiro numa terra e país inexplorados; uma terra desprovida de conforto, desprovida das coisas necessárias para sustentar a vida humana. Hoje nos elogiarão por nossa laboriosidade perseverante, pelo labor que suportamos e pela perseverança que demonstramos ao abrir caminho, não para onde esperávamos encontrar tesouros escondidos de ouro e prata, mas para o deserto, para encontrar um lugar tão pobre, tão estéril e de aspecto tão hostil que ninguém mais o desejaria, mas onde, em sua desolação e isolamento do resto do mundo, pudéssemos desfrutar do pobre privilégio de ali viver sem que nosso direito fosse questionado. Dizem que fomos corajosos. E fomos: tínhamos boa razão para sê-lo; dificilmente poderíamos ser outra coisa. Enfrentamos o deserto com toda a sua inutilidade e com toda a sua improdutividade, e não apenas construímos pontes e estradas, como de fato conquistamos o deserto.

"Por que não dizem que foi o Senhor quem o fez?" Se eu dissesse que foi o Senhor quem o fez, não me perguntariam então como o Senhor o fez? Sei como ele o fez, porque o vi ser feito. O Senhor nos conduziu para cá, mas sei que nos fez caminhar com nossos próprios pés por todas as fatigantes milhas de nossas jornadas até chegarmos ao nosso destino. Sei que, desde então, nossos amigos dos Estados vieram para cá, e agora podem participar de nossa hospitalidade e banquetear-se com os frutos de nosso trabalho, laboriosidade e empreendimento. Ficam contentes ao encontrar uma confortável casa de descanso entre o Atlântico e o Pacífico, onde podem repousar, comer nossos frutos e se divertir; e no entanto alisam as rugas de seus semblantes (os frutos do ódio que trazem dentro de si), assumem um ar muito grave, e ao voltar para casa mentem a nosso respeito, e representam o povo de Utah diferente do que ele é.

Diríamos que estão cegos por um santo horror, neles excitado pela contemplação de um fantasma que assombra continuamente sua imaginação; temem que o povo em Utah faça o mal; afastaram-se tanto dos limites da civilização e do refinamento cristãos que temem que, se não tomarem alguma medida em relação aos santos, estes se desviem amplamente e cometam algum grande mal. Há anos lhes pedimos que nos admitam na União. Dariam eles ouvidos a nós? Não. Nossas constantes súplicas e orações por admissão na União algum dia despertam neles um sentimento de simpatia por nós? Não. E, no entanto, fingem estar tão alarmados por nossa segurança moral que parecem ter esquecido toda a corrupção purulenta das grandes cidades do leste.

Quando a grande nação à qual estamos politicamente ligados começa a fazer de nossa fé objeto de legislação especial, não é hora de sabermos e dizermos algo a respeito? Não se queixam de nenhuma desonestidade ou corrupção entre nós; não nos dizem que a terra está semeada por toda parte de iniquidade; não se alarmam com isso, mas se alarmam porque aqui em Utah os homens ousam casar-se com uma esposa honrosa e destemidamente, e depois reconhecê-la publicamente como sua esposa. É disso apenas que se queixam. Se apenas ignorássemos isso, não sei se não nos admitiriam na União. Acham que seria melhor ignorarmos essa pequena parte de nossa religião, ou já determinamos verdadeiramente dentro de nós mesmos, solidamente e sentimentalmente, se ela é de fato necessária, apropriada, correta e justa? Se pudéssemos simplesmente descartá-la e sermos admitidos na União, poderia ser uma vantagem para nós; mas, se ela vale a pena o suficiente para nos apegarmos a ela, mesmo que tenhamos de viver fora da União, devemos sabê-lo, para que possamos melhor fazer um bom negócio quando o fizermos. É simplesmente do casamento plural que se queixam. Corrompem-se em outros lugares por todo o mundo; mas aqui em Utah os homens realmente presumem casar-se honestamente com mulheres; presumem considerar isso o melhor caminho a seguir para manter a pureza do homem e da mulher.

Como determinaremos algo a respeito do valor do casamento plural, de modo a saber se vale alguma coisa ou não? Não conheço melhor maneira do que determinar primeiro se o casamento simples tem valor ou não — se traz alguma vantagem ou não àqueles que são parte dessa relação. Se perguntássemos às multidões da terra o que vale a instituição do casamento, qual a quantidade de bênção e salvação que dela resulta para aqueles que dela participam, sem dúvida receberíamos como resposta: "Não sabemos." Um homem casa-se com uma esposa para cuidar de sua casa, fazer o trabalho pesado, tornar-se uma escrava que fará o trabalho de sua propriedade, e tornar-se a criatura de seus desejos e vontades. Alberga ele alguma ideia de valor a respeito da instituição do casamento além disso? Se a tem, é bem pouca. Muitíssimos homens vivem no mundo, e durante toda a sua vida nunca chegam a apreciar o valor do casamento de tal modo que os induza a se casar; pensam que podem se dar melhor na vida de solteiro.

Como podemos ser conduzidos a um entendimento, ainda que limitado, das muitas vantagens que resultam para homens e mulheres que se casam honrosamente? Ora, olhem para o mal e a corrupção, e a consequente desventura que amaldiçoam a condição daquela ampla faixa de mulheres que nunca são levadas a sentir a responsabilidade, os confortos e as bênçãos resultantes de um casamento puro, saudável e virtuoso. Onde se encontra esse estado de coisas? Em toda comunidade cristã que eu conheça. É a raiz daquela corrupção purulenta que corrói o núcleo e as energias vitais, e mina o alicerce da vida na raça humana. Encontra-se em toda comunidade onde se declara que um homem deve casar-se apenas com uma esposa, e isso é considerado uma virtude; mas casar-se com uma segunda esposa enquanto a primeira vive é considerado um crime, punível com prisão ou multa, porque é pecado. O quê, isso numa terra cristã? Sim, isso numa terra cristã! O cristianismo do tipo mais aprovado é defendido onde ele existe. Na mesma via pública, as vítimas da corrupção e da paixão viciosa, e os devotos do cristianismo, esbarram uns nos outros. No mesmo lugar, edifícios cujas torres elevadas apontam para o céu, e nos quais se guardam sagrados os paramentos do culto cristão, lançam suas sombras cada vez mais longas sobre os antros de corrupção e crime, onde as vítimas da paixão e da luxúria profana vivem para arrastar uma existência miserável, na corrupção fétida que resulta de seus próprios pecados. O santuário religioso e o bordel florescem juntos; ali têm seu desenvolvimento; naquela terra vemos a mulher em sua condição mais desventurada. Vemo-la primeiro na manhã de sua vida, inocente e pura — inocente como a própria inocência, pura como o espírito que vem de Deus. Nessa condição a vemos entrar em sua jornada de vida. Encontramo-la de novo quando já progrediu, quando já trilhou muito no caminho da loucura, da degradação, da desventura e do pecado; mas já não é mais inocente. Estendem-se ainda ao seu redor as bênçãos do lar? Não. Tem ela ainda as bênçãos da calorosa simpatia de amigos bondosos? Não; são frios e gélidos; o coração caloroso que derramaria as bênçãos da amizade se fecha contra ela; já não é digna de convívio com mais ninguém; é imprópria para ser acolhida na sociedade de suas irmãs mais afortunadas; e, por consequência, não é bem-vinda a retornar a uma vida pura e melhor, ainda que nela se despertasse a disposição de fazê-lo, e busca os meios de prolongar aquela vida sem valor da melhor forma que encontrar. Se possui encantos pessoais, servem para alimentar os desejos e saciar o apetite do libertino voraz, pois ele lhe dará dinheiro. Quando esses encantos se apagarem de sua forma — quando a juventude passar, seguida por uma velhice decrépita, ela se torna a coisa repugnante que ninguém reclama nem deseja, por quem ninguém manifesta calorosa simpatia nem afeto. Este é o destino de uma classe de mulheres que nasceram tão puras e inocentes quanto vocês, minhas irmãs, nasceram, colocadas como vocês foram colocadas, guardando a mesma relação com o alto céu, por criação, que vocês guardam; e no entanto ela arrasta sua miserável existência até seu lugar de descanso, a sepultura, quando a morte encerra seu sofrimento e sua existência desventurada; nenhum pai ali estava, nenhuma mãe ali estava, nenhuma irmã bondosa chorou sua partida, nenhum irmão teve consideração por ela, nenhum parente pagou sequer o tributo de uma única lágrima no lugar onde seu frágil pó encontrou seu último descanso.

Este é o destino não pranteado, sem amigos, de uma extensa classe de nossas irmãs que erram. Como as chamamos? Ah, ela é apenas "uma mulher comum da rua", "prostituta" — o que significa uma mulher, criada por Deus, nosso Pai Celestial, e trazendo sua imagem — uma mulher prostituída para se tornar vítima da paixão — paixão profana, paixão impura no homem, que deveria ter guardado sua virtude com o mais escrupuloso cuidado, com a mais vigilante atenção — o homem, que deveria sempre tê-la reconhecido como sua irmã, que deveria tê-la considerado a personificação da pureza e inocência do próprio céu, e que nunca deveria tê-la feito vítima de sua paixão profana. Mas ela caiu, e isso encerra sua desventurada carreira. Se deixa uma descendência, a vil mancha da bastardia se lhe apega, e seus filhos são lançados fora da sociedade, como sua mãe desonrada; são descartados e evitados pelo que se chama sociedade refinada e cristã; nenhuma provisão paterna se faz por eles, nenhum cuidado nem ansiedade paterna se cultiva em relação a eles. O Estado só vê neles, se homens, futuros soldados, que por um pouco de soldo são convocados para lutar suas batalhas, e sangrar e morrer no campo de batalha. Se algum deles for por acaso corajoso, se puder arriscar-se mais e matar mais do que seus companheiros, é provável que colherá para si a honra, a glória e o respeito que sua frágil mãe não conseguiu garantir.

Este é o desfecho mais favorável da carreira terrena dessa classe de mulheres infelizes e de seus filhos. Apelo a vocês, que são esposas e mães honradas, se não pensam que há aqui verdadeiro sofrimento sem mitigação? Ou pensam que isso é apenas um retrato que eu pinto? Não estou aqui para lhes servir um vazio romance. O dízimo de toda a miséria, desventura e crime que existe entre o sexo feminino, ou entre nossa raça, nas grandes cidades cristãs e pagãs do mundo, não pode ser contado; seria vão para mim tentar contá-lo todo. Dei os exemplos que dei para que vocês, que são esposas e mães, possam ver algo daquilo de que foram salvas, por serem abençoadas com a oportunidade de se casarem honrosamente. Vocês estão salvas de toda a desventura que caracteriza a vida e a morte de suas irmãs infelizes.

Possui, então, o casamento algum valor? Não seria muito bom se as bênçãos dele resultantes, que vocês desfrutam, pudessem se estender a todas? Por que não é assim? Porque o cristianismo monogâmico diz que não se deve estender a todas. Esse cristianismo é como a cama do profeta, "tão curta que ninguém se poderá estender nela, e o cobertor tão estreito que não se possa cobrir com ele." Não sei se o profeta pensava em algo do cristianismo tal como existe hoje no mundo, embora esta figura lhe caiba muito bem. Comparando o cristianismo monogâmico com o cobertor do profeta, pode ser de textura fina e boa, até onde vai, mas é decididamente pequeno demais. Essa é, sem dúvida, a falha de um cristianismo que não estende o manto da salvação a todos os que deveriam ser beneficiários de suas bênçãos. Se todos os homens e todas as mulheres numa comunidade fossem casados honrosamente, podem entender facilmente uma coisa: não haveria prostituição de mulheres naquela comunidade, haveria fim da corrupção do homem naquela comunidade, não haveria ali ilegitimidade. Podem ver, então, que é apenas uma questão das vantagens resultantes de um casamento puro para todos os habitantes de qualquer comunidade que possam ser abençoados por tal instituição do casamento; basta introduzi-la, e a causa de todo esse pecado e dessa degenerescência moral e física teria fim.

"Mas então", diz alguém, "será que é certo?" "Não teríamos nenhuma objeção ao casamento plural se pudéssemos apenas crer que é certo." Como, em nome do céu, teriam de sentir para sentir que é errado, não consigo imaginar. Vocês dizem que, quando uma esposa se casa com um homem, não há nessa transação nada além do que é religioso; nada além do que é piedoso, saudável, puro e bom; é bom o bastante para se levar à igreja; é algo sobre o que se pode orar; pode-se tê-lo santificado pela presença do sacerdote. É sagrado; é tão louvável que os mais melindrosos dificilmente corariam com a ideia de um homem casar-se com uma esposa. Aquele que se casa com uma esposa é considerado um homem honrado, e sua esposa encontra lugar entre as mulheres honradas, e seus filhos são honrados no mesmo plano que lhes é garantido pelo caráter e posição de seus honrados pais na comunidade. Têm sua entrada na sociedade; ela lhes sorri e lhes estende seu favor, e seu caminho é o caminho da honra desde que abrem os olhos de criança e contemplam os objetos ao redor, em meio aos quais a vida começa para eles, e por todos os estágios subsequentes do longo caminho. Essas bênçãos lhes vêm porque seus pais se casaram honrosamente e guardaram sagradamente os votos que os fizeram marido e mulher. Seu casamento foi virtuoso e justo. Que pena que esse estado de coisas não pudesse se estender a todos. Aludo a este casamento simples porque quero que vocês, Santos dos Últimos Dias, que estão diante de mim hoje, comecem a pensar, se nunca o fizeram, comecem a raciocinar, se nunca o fizeram, para que possam saber e entender, ainda que em grau limitado, as razões pelas quais o casamento é uma instituição pura, santa e salvadora.

Diz alguém: "A Bíblia diz que é." Mas suponham que a Bíblia não dissesse isso, faria alguma diferença? Se uma mulher estivesse associada na relação de esposa a um homem honrado que guardasse seu voto matrimonial, isso mudaria o fato de que haveria pureza, inocência, veracidade e virtude nisso, que não se poderiam encontrar em nenhum outro lugar — que não poderiam ocorrer sem essa mesma relação íntima entre o homem e a mulher — à parte do convênio que os faz marido e mulher?

Dizemos, então, que, se esta é a razão pela qual, na sabedoria do céu, foi ordenado que o homem e a mulher se casassem, foi simplesmente para regular as ações do homem e da mulher nas relações mais sagradas, santas, elevadas e responsáveis que existem entre eles, para preservar no homem e na mulher a fonte da vida em pureza, para que se pudesse dar à terra um povo em pureza, livre da mancha da corrupção inerente. Como sei disso? Porque basta a observância cuidadosa e contínua da lei do casamento, tal como Deus a revelou, para preservar o homem e a mulher em pureza.

Então, que relação tem um casamento puro com o interesse do mundo, a ponto de ser necessário introduzi-lo como uma das características principais da grande obra de Deus, desenvolvida e estabelecida em nossos dias para a consecução de sua vontade e propósitos na salvação da humanidade? Tem ele alguma relação com a pureza do homem e com a raça? Pela pouca reflexão que dediquei ao assunto, aprendi a considerá-lo a grande necessidade do mundo — a grande necessidade da raça hoje, e é a maior necessidade de Deus com relação à salvação do mundo, e ao desenvolvimento de seu império universal de paz e retidão sobre toda a terra. Por quê? Porque aprendi que houve, e ainda existe, operando e produzindo seus efeitos mortais, um sistema de degenerescência física que está pesando terrivelmente sobre a história da raça.

A Bíblia nos diz que os homens costumavam alcançar uma longevidade que se estendia a quase mil anos; isso foi há quase seis mil anos. Dizer que isso não é verdade seria questionar a validade da Bíblia, e eu não ousaria fazer isso, por mais presunçoso que eu possa ser em mil outras coisas. Somos descendentes daquela mesma raça que desfrutou da bênção, se é que era bênção, de uma longevidade estendida; e no entanto as estatísticas de hoje relativas à vida média da raça humana mostram que ela se estende a pouco mais de um quarto de século. Deveria alguém se alarmar com isso? Se não conhecerem as causas que levaram a isso, não se alarmarão; mas se tiverem conhecimento suficiente para entender que, se a raça degenerou fisicamente, em cinco mil anos, a ponto de o período de vida de um homem se reduzir de quase mil anos para um quarto de século, a pergunta despertaria em suas mentes quão estreita é a margem de tempo que resta para a continuação de nossa raça na terra antes que ela se extinga inteiramente — que não haverá homem, mulher, nem criança para despertar a condição desolada da terra abandonada com a música de suas vozes e a luz de seus sorrisos. Deixaram de existir.

Costumavam nos dizer, quando éramos crianças, que o mundo estava chegando ao fim. Pensávamos que estava chegando ao fim; que algo estava para ser revelado de algum lugar, que o queimaria por inteiro. Vemos que o mundo está de fato se aproximando da desolação, até um ponto além do qual não seria possível prolongar a vida humana. Não há nada de alarmante nisso? Para mim, há. Reflito, dentro de minha própria mente, sobre quais são minhas perspectivas como servo de Deus. Entrei nesta obra, que denominamos a obra de Deus, e que compreende a edificação do reino de Deus e a extensão do governo de Deus sobre toda a terra, trazendo consigo as bênçãos do domínio da retidão e da paz, e promete que hei de ser um príncipe e governante sobre incontáveis milhões de seres inteligentes como eu mesmo. De onde virão todos eles? Ora, serão os filhos de vocês. Isso não pode ser; pois, como a raça humana está rapidamente se desgastando até o fim, não restaria nenhum de meus filhos dentro de poucas gerações mais. Vocês são, sem dúvida, matemáticos o bastante para ver isso. Dou ao Senhor o crédito, em meus sentimentos, de ter sabido disso muito antes de eu mesmo saber; e por isso digo que o casamento plural é a grande necessidade desta época, porque é um meio que Deus introduziu para conter a corrupção física e o declínio de nossa raça; para pôr fim a novas contribuições ao já temível total de corrupção que se desenvolveu como resultado do pecado no homem e na mulher. O que isso fará? Removerá um grande peso das energias recuperadoras da raça, livrando-a da necessidade de lidar com uma corrupção crescente além dos seus limites atuais; para que o homem possa começar a viver até atingir a idade de uma árvore, como vivia antes de começar a pecar e violar as leis de seu ser. É para isso que o Senhor introduziu o casamento plural. "Mas", diz alguém, "por que não o provam pela Bíblia?" Vocês mesmos podem ler a Bíblia. Quero saber, ver, ler e entender, como se evidencia na condição física da raça, que estas são verdades, quer os livros as mencionem, quer não. Se não houvesse nenhuma revelação vinda de fontes estrangeiras, há uma revelação diante de nossos olhos; sua verdade se demonstra dentro do círculo de nosso próprio ser — dentro dos limites estreitos de nossa própria observação, ela se torna clara, e devemos compreendê-la e entendê-la. Quando sabemos isso, então sabemos o que a Bíblia possa dizer a respeito de a poligamia ser verdadeira, porque encontramos a evidência disso na própria verdade. É isso que vale a poligamia. É simplesmente uma extensão do casamento puro a todos os elementos sociais da comunidade, homem e mulher, é só isso.

Quem é que diz que há libertinagem associada ao casamento plural? É o libertino; aquele homem que é ele próprio corrupto; que adorou no altar da paixão; cuja paixão clama em sua alma corrupta por vítimas. Ele sonha com isso e fala disso; e como os santos creem na pluralidade de esposas, ele pensa que deve certamente haver ali uma falta de pureza moral — a virtude deve ser fácil entre o povo que tem mais de uma esposa.

O que vocês acham que eles descobriram? Depois de fazer experimentos que se revelaram bastante infrutíferos, descobriram que, com todas as suas noções equivocadas a respeito de seus enganados concidadãos nas montanhas, a virtude da mulher e a santidade da relação matrimonial não podem ser invadidas impunemente — são guardadas com zelo. Os mesmos homens que foram corajosos ao atravessar as planícies, e enérgicos ao construir as estradas e as pontes, etc., ainda estão aqui, e continuam corajosos. Não ousaram tanto no passado para pararem de ousar agora.

Vão dizer algo em apoio ao casamento plural? Não. Não desejo que ninguém diga que eu disse uma palavra em apoio e sustentação do casamento plural. Têm vergonha dele? Não. Amam-no? Sim, eu o amo porque é verdadeiro, e permanece por si só, sem meu auxílio. "Então, por que falam disso?" Para que possam entender a verdade e conhecer seu valor, e garantir para si as bênçãos que só podem resultar do conhecimento da verdade. Essa doutrina é segura e pode cuidar de si mesma; e se vocês fizerem a aplicação da verdade a si próprios, ela cuidará de vocês; livrá-los-á da corrupção, da desventura e da morte, e lhes dará vida e imortalidade; enquanto outros ainda afundarão sob o peso crescente da corrupção, até descerem ao inferno.

"Mas", diz alguém, "tenho observado, mas não vi muita mudança que tenha ocorrido por causa da introdução da poligamia." Talvez não sejam vocês observadores muito atentos. Quando a primeira leva de oficiais federais chegou aqui, mal havíamos começado a prática da pluralidade de esposas; contudo, foram tempos terríveis para eles; só de vez em quando conseguiam ver uma mulher, e quando a viam, perguntavam quem ela era. "Ah, é a esposa do Élder fulano." "Quem é aquela mulher ali adiante?" "É a esposa do irmão sicrano." "Quem é aquela mulher que atravessa a rua?" "É a esposa do Bispo fulano." "Ah, diabo, as mulheres aqui são todas casadas." Começaram a procurar por um tipo peculiar de instituição que floresce tão bem na cristandade, onde tais coisas prevalecem, onde se fazem amplas provisões para a satisfação da paixão luxuriosa; não importa quão vil, negra e condenável em suas consequências, ainda assim pode encontrar sua satisfação naquelas instituições favorecidas. Aqueles cavalheiros federais começaram a procurar acomodações semelhantes em Utah; mas, em vez de encontrá-las, encontraram escolas e casas para o culto público de Deus, dedicadas aos melhores interesses da humanidade, para a melhoria da condição de nossa raça. Suas peculiares instituições não puderam encontrar aqui, e não puderam ficar; foram para Washington, e ali começaram a levantar terríveis clamores a respeito dos pecados de Utah, e da necessidade de medidas ativas do governo geral para castigar os mórmons em Utah.

Até onde tiveram êxito é evidente. A grande guerra de Buchanan trouxe a nata do exército dos Estados Unidos para cá; o farelo e a quirera ficaram para trás. Vieram corrigir os pobres mórmons desencaminhados. Por fazer prostitutas das mulheres? Não. Há bastante delas em casa; mas os mórmons fazem esposas delas, e isso despertou todo o seu senso de horror. É isso que excita nossos amigos do leste — porque pensamos mais e melhor a respeito das mulheres do que eles. Essa é a raiz de toda a dificuldade; não se queixam de nós por mais nada agora. Quando os voluntários vindos do oeste chegaram aqui, não tiveram melhor êxito. Depois pensaram em experimentar o negro. Ele chegou até certo ponto, cansou-se, e o mandaram de volta. O que farão em seguida para corrigir nossa moral não cabe a mim dizer. Podem nos dizer que devíamos demolir nossas escolas e construir casas de encontro, e manter casas de acomodação, como os viajantes encontram em outros países. Ficam bem satisfeitos com nossas batatas e nosso bolo de milho, mas ficariam ainda mais satisfeitos se tivéssemos o outro luxo.

Lutamos para chegar a este país contra todas as dificuldades e obstáculos que se puseram em nosso caminho, e, pela bênção de Deus, os vencemos; cultivamos a terra e fizemos o melhor que pudemos nas circunstâncias, e provemos para nós mesmos e para nossas esposas e filhos o melhor que pudemos, e estivemos contentes. Se os maridos de Utah eram pobres, suas esposas estavam dispostas a partilhar essa pobreza com eles; estavam dispostas a mordiscar um sustento da mesma crosta seca, da mesma provisão escassa de que participávamos, porque eram nossas esposas, e as considerávamos honradas e tão boas quanto nós mesmos, se se comportassem tão bem. Isso não agrada a nossos amigos. Nosso trabalho aqui nas montanhas é desenvolver uma comunidade em que o homem e a mulher encontrem, por meio da extensão de um casamento honroso, puro, justo e virtuoso, a posição legítima que o céu lhes ordenou ocupar como esposas e mães, maridos e pais, e uma resposta a toda exigência da natureza, sem se afastar do caminho da virtude e da honra.

Isso é o que Deus concebeu quando começou esta obra — "Por que ele não a introduziu logo no início desta obra?" Porque não podia — porque nossos ouvidos não estavam abertos para ouvi-la — nossos preconceitos não nos permitiriam recebê-la. Se me tivessem falado sobre a pluralidade de esposas quando fui batizado na Igreja, o Senhor há de saber, mas eu não sei o que teria feito. Tive de andar vagando pelo mundo, pregando o evangelho, durante anos depois, tive de trabalhar mais tempo do que Jacó trabalhou por uma esposa, até chegar àquele estado de espírito em que o Senhor ousasse mencionar-me a doutrina. Não sabíamos que algo como o casamento plural teria de ser introduzido no mundo; mas o Senhor o disse depois de algum tempo, e obedecemos o melhor que soubemos, e, sem dúvida, fizemos muitos caminhos tortos em nossa ignorância. Éramos apenas crianças, e o Senhor nos estava preparando para uma introdução aos princípios da salvação. "O quê, os princípios da salvação ligados ao casamento?" Sim; porque não estão em nenhum outro lugar. "Nossa pregação não nos salvará, nosso ir à igreja e nosso pagamento do dízimo?" As pessoas têm pregado, orado, pagado dízimos, construído catedrais e igrejas, e a mortal obra da degenerescência física continua ainda hoje, até que a raça está quase à beira da extinção. O cristianismo, tal como é hoje, e tem sido por séculos, mostrou-se inteiramente insuficiente para deter o grande mal — para conter seu terrível crescimento.

O Senhor entendeu isso quando falou ao povo de Néfi: disse-lhes que deveriam ter apenas uma esposa, e concubinas não deveriam ter nenhuma. Por que ele não lhes permitiu ter concubinas? Suponho que fosse porque ele se deleitava na castidade das mulheres. Isso era simplesmente uma declaração de seu sentimento a respeito daquele assunto. A concubinagem lhe era desagradável. Deixou-lhes a liberdade de ter uma esposa, mas concubinas não deveriam ter; informando-lhes que, quando quisesse que seu povo levantasse descendência para ele, e se fosse necessário que tivessem muitas esposas, ele lhes ordenaria. Isso é simplesmente o que ele fez. Ele nos ordenou. É bom que os irmãos e irmãs que já vivem na prática da poligamia há muitos anos comecem a entender algo da natureza e do propósito dessa instituição, para que não a troquem simplesmente pela admissão na União, ou por qualquer coisa que lhes seja oferecida em troca dela. Por mais que seus inimigos aleguem o contrário, os santos são reunidos de todo o mundo, para que as provisões de um casamento virtuoso possam se estender a todo o elemento social da comunidade, e para que, por isso, cesse de se desenvolver naquela comunidade a maldição da prostituição da mulher ou da corrupção do homem, e onde as mães em Sião possam fazer de seu ofício ensinar a seus filhos o caminho em que devem andar; incutir desde a primeira infância princípios de verdade; conduzi-los a Deus; crescer ao redor do lar como plantas de retidão, para que se cumpra o dito do antigo pregador: "Instrui a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele."

Não somos um povo numeroso, mas somos mais numerosos do que quando o Senhor disse a Adão e Eva que fossem frutíferos, e se multiplicassem, e enchessem esta sua herança terrena de seres inteligentes como eles mesmos. Quão bem esse primeiro casal teve êxito, isso se evidencia aqui hoje. Não precisamos ficar desanimados, pois podemos contar milhares que estão comprometidos com esta obra, que se estabeleceu para repovoar o mundo, para encher a terra de homens e mulheres virtuosos, puros e santos. Essa é a obra que nos incumbe. Deveria toda mulher ser casada? Toda mulher deveria ser casada pelas mesmas razões pelas quais uma mulher se casa, a saber, para servir aos mesmos elevados, saudáveis e divinos objetivos de nosso ser. E pelo mesmo elevado propósito deveria todo homem ser casado.

Há certos fatos de nossa existência dos quais não podemos escapar. Somos homens e mulheres. A própria razão pela qual falei aqui hoje é que somos homens e mulheres; viemos a este mundo com naturezas, paixões e apetites de homens e de mulheres; e se algum dia formos salvos no céu, seremos salvos como homens e mulheres. Nosso trabalho aqui é salvar homens e mulheres, ensinando-os a viver vidas de pureza. Estas são verdades evidentes por si mesmas. Quando contamos os homens e as mulheres que há no mundo, encontraremos uma larga margem a mais de mulheres do que de homens; e há uma diferença numérica entre os sexos, tal como se desenvolvem em nossa comunidade e em toda outra comunidade. As mulheres devem ser salvas, ainda que essa tarefa recaia sobre um homem, que deva casar-se com duas ou três delas, e tratá-las como esposas honradas, abençoá-las, e abençoar seus filhos, prover para elas, e ensinar-lhes princípios de pureza. Quando nós, que fizemos esse tímido começo nesse assunto, não pudermos mais suportar a luta, chamaremos ao nosso redor nossos robustos filhos e filhas, e os comprometeremos diante do alto céu a se dedicarem para sempre, e seus filhos depois deles, à grande obra da regeneração do homem.

Melhoremos primeiro o corpo, para que o espírito possa viver e habitar num tabernáculo puro. Feito isso, poderemos cultivar o espírito tanto quanto for necessário. O mundo precisa de uma religião que se dedique a essa tarefa, porque ela entrará na relação que existe entre o homem e a mulher, que os purificará e estabelecerá dentro deles a semente da vida eterna. Oremos sempre e nunca desfaleçamos, e peçamos a Deus que nos abençoe em tudo o que fazemos, e nunca façamos nada que não seja suficientemente santo para que possamos pedir a Deus que o abençoe; levando a pureza da religião do céu e os princípios ordenados da salvação a toda relação de nossas vidas, e que a Sião de nosso Deus se estenda deste ponto por toda a terra. O que será do mundo? Viverão em sua corrupção até afundarem e morrerem nela. Nossas bênçãos consistem em edificar o reino de Deus em pureza e em sua perfeição nestas montanhas. Esta é a nossa obra, e que Deus nos ajude, é minha oração, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoAmasa M. Lyman, “Casamento: Seus Benefícios”, (1866-04-05). Pulpit Vault, 1866-04-lyman-marriage-its-benefits. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).