Pulpit

Personalidade de Deus—Seus Atributos—Vida Eterna, Etc

Brigham Young

1865-06-18

Desejo a estrita atenção da congregação, que é tão grande e está tão amplamente espalhada sob este baixo coberto que temo que será com dificuldade que poderei me fazer ouvir por todos. Para as pessoas que desejam compreender e aproveitar o que ouvem, deve ser muito incômodo ouvir apenas o som da voz do orador e não poder compreender seu significado.

O evangelho da vida e da salvação foi novamente confiado aos filhos dos homens, e somos feitos os felizes participantes de suas bênçãos, e meu sincero desejo é que todos possam aproveitar as palavras de vida que foram reveladas dos céus em nosso dia. Está escrito: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." Todas as nações, tribos e comunidades de homens adoram alguma coisa, seja um toco, uma estaca, uma árvore, uma pedra, uma figura moldada em bronze, ferro, prata ou ouro, ou alguma criatura viva, ou o sol, a lua, as estrelas, ou o deus do vento e outros elementos, e ao adorarem deuses que podem ver e tocar, habita dentro deles uma impressão rude e indefinida de um grande Governante Supremo e universal que buscam representar e adorar em deuses feitos com suas próprias mãos; mas onde ele está localizado, qual sua forma e dimensões e quais suas qualidades, não sabem. O Apóstolo Paulo encontrou a cidade dos atenienses totalmente entregue à idolatria; e o chamaram de "paroleiro", porque lhes pregava Jesus e a ressurreição. Ele disputava na sinagoga com os judeus e com as pessoas devotas, e diariamente no mercado com os que ali se encontravam; e, de pé no meio do Areópago, disse: "Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos. Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: 'Ao Deus Desconhecido.' Aquele, pois, que vós honrais, não o conhecendo, vos anuncio."

Os atenienses não sabiam o que adorar, e parece que estavam dispostos a adorar um deus desconhecido a eles, muito provavelmente sob a impressão de que ele poderia ser o verdadeiro Deus, que sem dúvida haviam tentado representar de várias maneiras.

Onde quer que a família humana habite sobre a face da terra, seja selvagem ou civilizada, há um desejo nela implantado de adorar um grande Governante Supremo, e, não o conhecendo, supõem que, oferecendo adoração e sacrifício a seus ídolos, podem conciliar sua ira, que pensam ver manifestada no trovão, no relâmpago, na tempestade, nas enchentes, nos reveses da guerra, na mão da morte, etc., etc.; assim tentam cortejar sua proteção e sua bênção para a vitória sobre seus inimigos, e ao término desta vida, um lugar no céu que suas imaginações criaram, ou que a tradição lhes transmitiu. Tenho muita caridade por esta porção da família humana chamada pagãos ou idólatras; fizeram imagens para representar a seus olhos um poder que não podem ver, e desejam adorar um Ser Supremo por meio da figura que fizeram.

Há um Poder que organizou todas as coisas a partir da matéria bruta que flutua na imensidão do espaço. Ele deu forma, movimento e vida a este mundo material; fez as grandes e pequenas luzes que adornam o firmamento acima; designou-lhes seus tempos e suas estações, e marcou suas esferas. Fez com que o ar e as águas fervilhassem de vida, e cobriu as colinas e planícies de répteis, e fez do homem um governante sobre suas criações. Todas essas maravilhas são as obras do Todo-Poderoso governante do universo, em quem cremos e a quem adoramos. "A Terra gira em suas asas e o sol dá sua luz de dia e a lua dá sua luz à noite e as estrelas também dão sua luz, ao girarem em suas asas, em sua glória, no meio do poder de Deus." "Eis que todos estes são reinos; e qualquer homem que tiver visto um deles, ou o menor deles, viu Deus movendo-se em sua majestade e poder."

Todas as pessoas têm consciência da existência de um Ser Supremo: veem-No, ou o Seu poder, no sol, na lua e nas estrelas, na tempestade, no trovão e no relâmpago, na poderosa cachoeira, no vulcão em erupção, ou no poderoso e repugnante réptil, etc. Ele também é descrito por alguns como não tendo forma, atributos nem poder, ou, em outras palavras, "sem corpo, partes ou paixões", e, consequentemente, sem poder nem princípio; e há pessoas que supõem que Ele consiste inteiramente em atributos universalmente difundidos. Não conhecendo a Deus, adoram Suas obras que manifestam Seu poder e Sua majestade, ou Seus atributos que manifestam Sua bondade, justiça, misericórdia e verdade. Segundo tudo o que o mundo já aprendeu pelas pesquisas de filósofos e sábios, segundo todas as verdades agora reveladas pela ciência, pela filosofia e pela religião, qualidades e atributos dependem inteiramente de sua conexão com a matéria organizada para seu desenvolvimento e manifestação visível.

O Sr. Abner Kneeland, que era cidadão de Boston, e que foi posto na prisão por sua crença, num ensaio que escreveu, fez esta afirmação ampla: "Em vez de crer que não há Deus, creio que tudo é Deus."

Cremos num Ser Divino que é corporificado — que é um Ser de tabernáculo, por meio do qual os grandes atributos de sua natureza são manifestados. Supõe certo filósofo célebre que as partículas mais minúsculas de matéria que flutuam no espaço, nas águas, ou que existem na terra sólida, partículas que desafiam as lentes mais poderosas para revelá-las à visão do homem finito, possuem uma porção de divindade, uma porção de poder, conhecimento, bondade e verdade infinitos, e que essas qualidades são Deus, e deveriam ser adoradas onde quer que se encontrem. Sou infiel a essa doutrina. Conheço o Deus em quem creio, e estou disposto a reconhecê-lo diante de todos os homens. Temos pessoas nesta igreja que pregaram e publicaram doutrinas sobre o tema do Ser Divino que não são verdadeiras. O Élder Orson Pratt escreveu extensamente sobre as doutrinas desta igreja, e sobre esta doutrina em particular. Quando escreve e fala sobre assuntos com os quais está familiarizado e compreende, é um raciocinador muito sólido; mas quando escreveu sobre matérias das quais nada sabe — sua própria filosofia, que chamo de filosofia vã — é desvairado, incerto e contraditório. Em toda a minha administração pública como ministro da verdade, nunca até agora estive sob a necessidade de pregar, crer ou praticar doutrinas que não estejam plena e claramente estabelecidas no Antigo e no Novo Testamento, no Livro de Doutrina e Convênios, e no Livro de Mórmon.

O Livro de Mórmon, que firmemente cremos ser a palavra de Deus a nações que floresceram neste continente muitos séculos atrás, corrobora os testemunhos dos escritores do Antigo e do Novo Testamento, e prova que esses livros são verdadeiros. Foram-nos dados em fraqueza, escuridão e ignorância; darei, contudo, aos tradutores da versão do Rei Tiago da Bíblia o crédito de terem realizado seu trabalho segundo o melhor de sua habilidade, e creio que compreendiam as línguas em que as Escrituras foram originalmente encontradas tão bem quanto qualquer homem hoje vivo. Encontrei em minha vida pessoas que insistiam em dar traduções diferentes, e fazer citações das línguas mortas para mostrar sua erudição, e confundir e escurecer ainda mais a mente do povo. A todos esses sempre me senti inclinado a dizer, ali está a Bíblia, se sois capazes de nos dar uma tradução dela mais correta do que a que temos, é vosso dever fazê-lo. O Antigo e o Novo Testamento sempre serviram ao meu propósito como livros de referência. Muitas partes preciosas sem dúvida foram deles retiradas; mas a tradução que temos foi traduzida segundo o melhor conhecimento que os tradutores possuíam das línguas em que os manuscritos antigos foram escritos, contudo, como homens não inspirados, não estavam qualificados para escrever as coisas de Deus.

Creio em um Deus para nós; como está escrito, "Porque, ainda que haja também alguns que são chamados deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores); todavia para nós há um só Deus, o Pai, do qual são todas as coisas, e nós, para ele; e um só Senhor Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós, por ele," e, "se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida." Creio num Deus que tem poder para exaltar e glorificar todos os que creem nele, e são fiéis em servi-lo até o fim de suas vidas, pois isso os torna Deuses, filhos de Deus mesmo, e neste sentido também há muitos Deuses, mas para nós há um só Deus, e um só Senhor Jesus Cristo — um só Salvador que veio no meridiano do tempo para redimir a terra e os filhos dos homens do pecado original cometido por nossos primeiros pais, e realizar a restauração de todas as coisas por meio de sua morte e sofrimentos, abrindo amplamente a todos os crentes as portas da vida e salvação e exaltação à presença do Pai e do Filho para habitar com eles para todo o sempre. Numerosas são as escrituras que eu poderia trazer à baila sobre o tema da personalidade de Deus. Não tomarei tempo para citá-las nesta ocasião, mas me contentarei em citar duas passagens no primeiro capítulo de Gênesis, versículos 26 e 27. "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou."

Creio que a declaração feita nessas duas escrituras é literalmente verdadeira. Deus fez seus filhos semelhantes a si mesmo, eretos, e os dotou de inteligência e poder e domínio sobre todas as suas obras, e lhes deu os mesmos atributos que ele mesmo possui. Ele criou o homem, como nós criamos nossos filhos; pois não há outro processo de criação no céu, na terra, sob a terra, ou em todas as eternidades, isto é, que foram, ou que jamais serão. Como o Apóstolo Paulo o expressou, "Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos." "Sendo, pois, geração de Deus, não havemos de pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens." Existem leis e regulamentos fixos pelos quais os elementos são moldados para cumprir seu destino em todos os variados reinos e ordens da criação, e esse processo de criação é de eternidade em eternidade. Jesus Cristo é conhecido nas escrituras como o unigênito do Pai, cheio de graça e verdade, e está escrito dele que é o resplendor da glória do Pai e a expressa imagem de sua pessoa. A palavra imagem entendemos no mesmo sentido em que a entendemos no versículo 3 do capítulo 5 de Gênesis, "E Adão viveu cento e trinta anos e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e chamou o seu nome Sete." Estou bastante satisfeito em saber, pelas escrituras, e pelo Espírito de Deus, que ele não é apenas o Deus e Pai de Jesus Cristo, mas também o Pai de nossos espíritos e o Criador de nossos corpos que trazem sua imagem como Sete trouxe a imagem de seu pai Adão. Adão gerou muitos filhos que traziam sua imagem, mas Sete é sem dúvida mais particularmente mencionado, porque era mais semelhante ao pai do que o resto da família.

Trazemos a imagem de nossos pais terrenos em seu estado caído, mas pela obediência ao evangelho da salvação, e pelas influências renovadoras do Espírito Santo, e a santa ressurreição, revestir-nos-emos da imagem do celestial, em beleza, glória, poder e bondade. Jesus Cristo era tão semelhante a seu Pai que, numa ocasião, em resposta a um pedido, "Mostra-nos o Pai," ele disse, "Quem me vê a mim vê o Pai." O mais forte testemunho que pode ser dado à mente dos homens é o testemunho do Pai a respeito do Filho, e o testemunho do Filho a respeito do Pai, pelo poder das revelações do Espírito, que todo homem nascido de mulher possui em maior ou menor grau, e que, se a humanidade o escutasse, a conduziria ao conhecimento de Deus, e finalmente, auxiliada pelas ordenanças do evangelho, à sua presença.

Se há algo que é grande e bom e sábio entre os homens, vem de Deus. Se há homens que possuem grande habilidade como estadistas, ou como filósofos, ou que possuem notável conhecimento e destreza científica, o crédito disso pertence a Deus, pois ele o dispensa a seus filhos, quer creiam nele quer não, quer pequem contra ele quer não; não faz diferença; mas todos terão de prestar-lhe contas do modo e da maneira como usaram os talentos a eles confiados. Se cremos nas afirmações simples e amplas da Bíblia, devemos crer que Jesus Cristo é a luz que ilumina todo homem que vem ao mundo; ninguém está isento. Isso se aplica a todos os que possuem o menor grau de luz e inteligência, por menor que seja; onde quer que se encontre inteligência, Deus é seu autor. Essa luz é inerente segundo uma lei da eternidade — segundo a lei dos Deuses, segundo a lei daquele a quem servimos como o único Deus sábio, verdadeiro e vivo para nós. Ele é o autor dessa luz para nós. Contudo nosso conhecimento é muito limitado; quem pode dizer o futuro, e conhecê-lo como o passado nos é conhecido? É pouca coisa, se estivéssemos familiarizados com o princípio. Se estivéssemos familiarizados com esse princípio, poderíamos ler o futuro tão bem quanto o passado.

Os Santos dos Últimos Dias creem em Jesus Cristo, o unigênito Filho do Pai, que veio no meridiano do tempo, realizou sua obra, sofreu a pena e pagou a dívida do pecado original do homem oferecendo a si mesmo, ressuscitou dos mortos, e ascendeu a seu Pai; e assim como Jesus desceu abaixo de todas as coisas, assim ascenderá acima de todas as coisas. Cremos que Jesus Cristo virá novamente, como está escrito dele: "E estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais então disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir."

Por estranho que possa parecer a muitos, cremos que Jesus Cristo descerá do céu à terra novamente assim como ascendeu ao céu. "Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o transpassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele." Ele virá para receber os seus, e governar e reinar rei das nações como reina rei dos santos; "Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que será aniquilado é a morte." Ele banirá o pecado da terra e suas terríveis consequências, as lágrimas serão enxutas de todo olho e não haverá nada que fira ou destrua em todo o santo monte de Deus.

Em vista do estabelecimento do reino de Deus sobre a terra por Jesus Cristo, João Batista proclamou que o reino dos céus está próximo. "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas;" e, "Estava João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados." Jesus Cristo enviou seus discípulos a pregar o evangelho a toda criatura, ao rei e ao camponês, ao grande e ao pequeno, ao rico e ao pobre, ao escravo e ao livre, ao negro e ao branco; foram enviados a pregar o evangelho do arrependimento e remissão dos pecados a todo o mundo, e "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão os que crerem: Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão."

Os Santos dos Últimos Dias, esse povo estranho como são chamados, creem e praticam este evangelho; creem que os atos das criaturas, no desempenho das ordenanças, provam aos céus, a Deus, aos anjos e aos bons que estão sobre a terra — a seus irmãos e aos que não são seus irmãos em capacidade eclesiástica — aos que creem e aos que não creem, que são sinceros em sua crença diante de Deus e do homem. Toda doutrina e princípio estabelecido no Antigo e Novo Testamento para a salvação, este povo persistirá em crer e praticar; e, por fazê-lo, tornaram-se motivo de zombaria, e são objeto de espanto para os cristãos ortodoxos do século 19, que ficam verdadeiramente atônitos de que alguém, nesta era esclarecida, creia enfaticamente que o Senhor e seus servos antigamente falaram a verdade, e pretenderam que suas palavras fossem cridas e praticadas por todos os que desejam a salvação. É nosso privilégio, se assim quisermos, descrer nas palavras de Deus ou em parte delas; mas preferimos crer em todas as palavras de Deus, e estamos procurando observar todos os seus preceitos, para purificar o Senhor Deus em nossos corações.

Não se pode encontrar um povo sobre a face de toda a terra que seja mais perfeito na crença e prática do evangelho de Jesus Cristo do que os Santos dos Últimos Dias, e não existe povo mais facilmente governado. Fomos reunidos de muitas nações, e falamos muitas línguas; fomos governados por diferentes nacionalidades, e educados em diferentes religiões, contudo habitamos juntos em Utah sob um só governo, cremos no mesmo Deus e o adoramos do mesmo modo, e somos todos um em Cristo Jesus. O mundo se admira disso, e teme a união que prevalece entre este, como é chamado, povo singular. Por que é isso? É porque o Espírito do Senhor Todo-Poderoso está no povo, e eles seguem seus ditames, e escutam a verdade, e vivem por ela; isso os une num só, e faz com que habitem juntos em paz; e não fossem os advogados e juízes chicaneiros que há entre nós, não se ouviria falar de um processo judicial em Utah de um ano ao outro. Quando muitos desses povos chegam a Utah são pobres e sem-teto, mas vão trabalhar e labutam com todas as suas forças, sem murmurar, sob sábia e prudente orientação, e em pouco tempo são capazes de reunir do solo, da água e do ar, os confortos essenciais e sólidos da vida.

Quando um advogado entra na igreja, se por acaso lhe resta um pouco de bom senso, e se dedica a lavrar e cultivar o solo, há uma chance de ele se tornar um homem de valor; mas se seguir seus antigos costumes e hábitos, as chances são contra ele, pode arruinar-se, perder o Espírito do Senhor, se algum dia o possuiu, e voltar às trevas da meia-noite.

É por meio da proclamação do evangelho que este grande povo foi reunido de seus lares em partes distantes da terra. Não está no poder do homem realizar tal obra de reunir milhares de homens, mulheres e crianças de diferentes nações a um distante país continental, e uni-los e fazer deles uma nação poderosa. Ouviram o som do evangelho, arrependeram-se de seus pecados, e foram batizados para a remissão deles, e receberam o Espírito Santo pela imposição das mãos; esse Espírito fez com que se reunissem por causa da verdade; vieram para cá porque a voz do Senhor os chamou dos confins da terra. Não precisaram ser persuadidos a se reunir, pois sabiam que era a vontade de Deus, pelo poder do Espírito que haviam recebido por meio das ordenanças do evangelho. Aqui está sentado o irmão George D. Watt, nosso repórter, que foi o primeiro homem a receber o evangelho numa terra estrangeira; não lhe fora dita uma palavra sobre o ajuntamento na América; mas ele profetizou que a terra da América era a terra de Sião, e que o Senhor reuniria seu povo àquela terra nos últimos dias, e assim profetizou pelo Espírito de profecia que havia recebido ao abraçar o evangelho.

Onde quer que o evangelho seja pregado em todo o mundo, e o povo se arrependa, seja batizado, e receba o Espírito Santo pela imposição das mãos, aquele Espírito lhes ensina que a América é a terra de Sião, e começam desde logo a se preparar para se reunir, e assim o Senhor está edificando seu reino em nosso dia. Não fosse eu possuir o Espírito da verdade que me revela os propósitos de Deus, isso me pareceria uma obra estranha e uma maravilha; mas posso compreender que o Senhor está buscando os habitantes da terra, e ensinando a verdade aos honestos de coração, e difundindo seu Espírito entre eles, e oferecendo a todos os homens vida e salvação.

Se a mensagem que o Senhor está enviando entre as nações for por elas rejeitada, desmoronarão e cairão, e deixarão de existir. Chegou o tempo determinado para o Senhor favorecer Sião; ele está enviando seus servos até as partes mais remotas da terra para declarar a verdade aos seus habitantes, a qual podem receber ou rejeitar, e ser salvos ou condenados. Este é um dito duro — quem pode suportá-lo? Um cavalheiro perguntou certa vez ao Profeta Joseph se ele cria que todas as outras seitas e partidos seriam condenados, exceto os mórmons. A resposta de Joseph Smith foi: "Sim, senhor, e a maioria dos mórmons também, a menos que se arrependam." Cremos que todos serão condenados os que não recebem o evangelho de Jesus Cristo; mas não cremos que irão para um lago que arde com enxofre e fogo, e sofrerão tormentos inomináveis e inauditos, infligidos por diabos cruéis e maliciosos por toda a eternidade.

A doutrina sectária das recompensas e punições finais é tão estranha para mim quanto seu Deus sem corpo, sem partes e sem paixões. Todo homem receberá segundo os atos praticados no corpo, sejam bons ou maus. Todos os homens, exceto os que pecam contra o Espírito Santo, que derramam sangue inocente ou que a isso consentem, serão salvos em algum reino; pois na casa de meu Pai, diz Jesus, há muitas moradas. Onde está a morada de John Wesley no outro mundo? Não está onde vivem o Pai e o Filho, mas foi para o que se chama hades, ou paraíso, ou mundo espiritual. Ele não recebeu o evangelho como pregado por Jesus Cristo e seus apóstolos; este não estava então sobre a terra. O poder do Santo Sacerdócio não estava então entre os homens; mas suponho que o Sr. Wesley viveu segundo a melhor luz que tinha, e procurou aproveitá-la todos os dias de sua vida. Onde está o espírito falecido daquele célebre reformador? Ocupa um lugar melhor do que jamais entrou em seu coração conceber quando estava na carne. Este é, contudo, um ponto de doutrina sobre o qual não tenho tempo de discorrer amplamente agora, mesmo que tivesse forças para fazê-lo.

O Senhor enviou seu anjo e chamou e ordenou Joseph Smith, primeiro ao Sacerdócio Aarônico e depois ao Sacerdócio de Melquisedeque, e Joseph Smith ordenou outros. Ele batizou os crentes e os confirmou e organizou a igreja. O Senhor lhe revelou aquela ordem que agora está em nosso meio quanto à nossa organização como povo, e não há melhor entre os homens. É o governo do Senhor Todo-Poderoso, e pensamos que é muito bom. O Senhor está novamente falando aos filhos dos homens, que abriram seus ouvidos para ouvir, e seus corações para compreender; ele comunica sua vontade a este povo, embora possam ser ignorantes e culpados de mil erros, e alguns apostatarão; contudo somos o melhor povo sobre a terra, o mais pacífico, o mais industrioso, e sabemos melhor cuidar de nós mesmos do que qualquer povo hoje vivo que não seja o povo de Deus; e o que não sabemos Deus nos ensinará, e o que não podemos fazer ele nos ajudará a realizar, se continuarmos a fazer sua vontade e guardar seus mandamentos; pois fazendo isso viveremos, cresceremos e aumentaremos em número e em força, e rogo que possamos crescer em graça e no conhecimento da verdade, pois sem isso nada somos. Para mim é o reino de Deus ou nada sobre a terra. Sem ele não daria um tostão pela riqueza, glória, prestígio e poder de todo o mundo combinado; pois, como o orvalho sobre a relva, passa e é esquecido, e como a flor da relva murcha, e deixa de ser. A morte iguala o mais poderoso monarca ao mais pobre mendigo faminto; e ambos devem comparecer perante o tribunal de Cristo para responder pelos atos praticados no corpo.

Para nós, a vida é o mais doce de todos os prazeres. Um homem dará tudo o que tem por sua vida, contudo ela é comparada a um palmo de comprimento, e é rápida em seu término como a lançadeira que passa sobre o tear do tecelão. Mesmo quando lhes é negado o gozo da saúde e dos confortos e conveniências mundanas, ainda assim os homens se apegam à vida até o fim. O reino de Deus assegura aos fiéis a vida eterna, com esposas, filhos e amigos, em glória imortal, e em eterna felicidade e bem-aventurança. A vida eterna em sua presença é o maior dom que Deus pode conferir a seus filhos. Esta vida não é nada em duração comparada à vida que há de vir aos fiéis, e por essa razão dizemos que nesta vida é o reino de Deus ou nada para nós. Com o reino de Deus e as oportunidades que ele oferece para um progresso eterno na santidade até conhecermos todas as coisas como nosso Pai Celestial as conhece, não há vida de maior importância do que esta vida, pois não há vida no céu ou na terra para os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo que não esteja incorporada em seu evangelho. Aqueles que rejeitam o evangelho, quando lhes é proclamado pela autoridade dos céus, não podem conhecer o Pai e o Filho, e são cortados da vida eterna que somente esse conhecimento concede.

Estamos nas mãos do Todo-Poderoso como povo, e ele é capaz de cuidar de nós. Não nutrimos antipatias contra pessoa ou comunidade alguma sobre esta terra; mas daríamos a vida eterna a todos, se a recebessem de nossas mãos — pregaríamos a verdade a eles e lhes administraríamos as ordenanças do evangelho. Mas, dizem, credes na poligamia, e não podemos receber o evangelho de vossas mãos. Disseram-nos muitas vezes que a poligamia não é conforme o cristianismo. Os reformadores protestantes criam na doutrina da poligamia. Filipe, Landgrave de Hesse, um dos principais senhores e príncipes da Alemanha, escreveu ao grande reformador Martinho Lutero e seus reformadores associados, implorando ansiosamente que lhe concedessem o privilégio de casar-se com uma segunda esposa, enquanto sua primeira esposa, a princesa, ainda vivia. Argumentava que a prática estava de acordo com a Bíblia, e não proibida sob a dispensação cristã. Ao receber esta carta, Lutero, que havia denunciado a igreja romana por proibir o casamento dos sacerdotes, e que favorecia a poligamia, reuniu-se em conselho com os principais Reformadores para consultar sobre a carta que fora recebida do Landgrave. Escreveram-lhe uma longa carta em resposta, aprovando que tomasse uma segunda esposa, dizendo —

"Não há necessidade de se preocupar muito com o que os homens dirão, contanto que tudo esteja certo com a consciência. Até aqui o aprovamos, e apenas nessas circunstâncias por nós especificadas, pois o evangelho não revogou nem proibiu o que era permitido na lei de Moisés a respeito do casamento. Jesus Cristo não mudou a economia externa, mas apenas acrescentou a justiça, e a vida eterna como recompensa. Ele ensina o verdadeiro modo de obedecer a Deus, e procura reparar a corrupção da natureza."

Esta carta foi escrita em Wittemberg, na quarta-feira depois da festa de São Nicolau, 1539, e foi assinada por Martinho Lutero, Filipe Melâncton, Martinho Bucero, e cinco outros Reformadores, e foi escrita de próprio punho por Melâncton.

O casamento foi solenizado em 4 de março de 1540, pelo Rev. Denis Melanther, capelão de Filipe. A primeira esposa de Filipe estava tão ansiosa "que a alma e o corpo de seu querido esposo não corressem mais nenhum risco, e que a glória de Deus fosse aumentada," que consentiu livremente com a união.

Esta carta do grande Reformador não foi uma conclusão apressada de sua parte de que a poligamia era sancionada pelo evangelho, pois no ano de 1522, dezessete anos antes de escreverem esta carta, o próprio Martinho Lutero, num sermão que proferiu em Wittemberg sobre a reforma do casamento, se pronunciou claramente a favor da poligamia.

Essas transações estão publicadas na obra intitulada, "História das variações das igrejas protestantes."

Senhoras e senhores, exorto-vos a pensar por vós mesmos, e a ler vossas Bíblias por vós mesmos, obter o Espírito Santo por vós mesmos, e orar por vós mesmos, para que vossa mente possa se despojar de falsas tradições e impressões precoces que não são verdadeiras. Aqueles que conhecem a história do mundo não ignoram que a poligamia sempre foi a regra geral e a monogamia a exceção. Desde a fundação do império romano a monogamia prevaleceu mais extensamente do que em tempos anteriores a isso. Os fundadores daquele antigo império eram ladrões e raptores de mulheres, e fizeram leis favorecendo a monogamia em consequência da escassez de mulheres entre eles, e daí este sistema monogâmico que agora prevalece por toda a cristandade, e que tem sido uma fonte tão fecunda de prostituição e devassidão por todas as cidades cristãs monogâmicas do Velho e do Novo Mundo, até que a podridão e a decadência estejam na raiz de suas instituições, tanto nacionais quanto religiosas. A poligamia não teve sua origem com Joseph Smith, mas existiu desde o princípio. No que me diz respeito como indivíduo, não a pedi; nunca a desejei; e se alguma vez tive uma prova de minha fé neste mundo, foi quando Joseph Smith me revelou aquela doutrina; e tive de orar incessantemente e exercitar fé diante do Senhor até que ele me revelasse a verdade, e fiquei satisfeito. Digo isto no momento presente para a satisfação tanto do santo quanto do pecador. Ora, aqui estão os mandamentos do Senhor, e aqui estão os desejos dos homens perversos, a qual obedeceremos? É o Senhor ou eles, que se decida.

Rogo que o Espírito da Verdade encontre seu caminho a cada coração, para que todos possamos amar a verdade mais que o erro, e nos apeguemos ao que é bom, para que todos sejamos salvos no reino de nosso Deus. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Personalidade de Deus—Seus Atributos—Vida Eterna, Etc”, (1865-06-18). Pulpit Vault, 1865-06-young-personality-of-god. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).