Pulpit

Bênçãos do Evangelho Contrastadas com as Ideias dos Homens--Evidência Recebida Através da Obediência--Modo pelo Qual o Espírito é Impartido e Unidade dos Santos--Sua Confiança com Referência ao Futuro da Igreja--Estabelecimento Final do Governo de Deus na Terra

John Taylor

1864-12-11

Reunimo-nos como seres inteligentes, desejosos de compreender algo de nossa origem comum, nossa existência presente e nosso destino futuro. Reunimo-nos para descobrir algo em relação ao nosso Pai Celestial, em relação aos seus tratos providenciais com a família humana, em relação à sua política e desígnios que nos dizem respeito, e em relação ao objeto de nossa criação; e para saber algo, se possível, pertencente àquele mundo que se estende além de nossa presente cena de ação. Estas são algumas das coisas, entre as muitas que desejamos conhecer, compreender, descobrir se possível. Além disso, desejamos seguir um caminho que seja aceitável a nosso Deus e Pai; tendo participado de uma porção de seu Santo Espírito, desejamos ser ensinados mais perfeitamente as coisas pertencentes ao reino de Deus, desejamos cultivar seu Santo Espírito e beber da fonte de luz e inteligência; do espírito de revelação que flui de Deus; e do espírito que habita em nós, conforto, consolo e inteligência; para que sintamos que somos filhos e filhas de Deus, que caminhamos na luz de seu semblante, que fazemos as coisas que são agradáveis e aceitáveis a seus olhos, que nossa própria consciência produz evidência satisfatória às nossas mentes de que nossa conduta e atos são aceitáveis perante o Senhor, e que o Espírito Santo também testifica a nós que somos seus filhos, fazendo sua vontade, caminhando na luz de seu semblante, ajudando a estabelecer seu reino na terra, e a cumprir os variados deveres que somos colocados aqui na terra para atender. Estas são algumas das ideias e sentimentos que todos os homens e mulheres bons entretêm em relação ao passado, ao presente e ao futuro. Não obstante, temos muitas fraquezas, enfermidades, loucuras e defeitos; contudo, ao mesmo tempo, quando estamos cheios do espírito que flui do Senhor nosso Pai Celestial, estes são geralmente os sentimentos que entretemos. Sentimos um espírito de gratidão a nosso Pai Celestial pelas bênçãos que recebemos de suas mãos; e quando olhamos para as coisas como existem ao nosso redor, em nossa nação e em outras nações, certamente temos grande motivo para cultivar sentimentos de agradecimento quando refletimos sobre a posição do mundo, e observamos a escuridão, a ignorância, a loucura, a superstição, a maldade, a corrupção e o mal que se espalham e prevalecem sobre a face da terra. Quando refletimos que a luz e a inteligência brilharam dos céus, que Deus em sua misericórdia manifestou sua vontade à família humana; que na plenitude de sua misericórdia e bondade ele restaurou o Santo Sacerdócio, e nos colocou em comunicação com ele mesmo; que ele nos ensinou não somente a orar, mas como nos aproximar dele para o perdão de nossos pecados, para o recebimento do Espírito Santo, para instrução e orientação em relação a todos os assuntos pertencentes a nossos pais, relativos a este mundo e ao mundo que há de vir, certamente temos grande motivo de gratidão a nosso Pai Celestial pelas muitas misericórdias e bênçãos que ele nos conferiu. Para onde quer que voltemos nossa atenção, podemos encontrar motivo de gratidão a nosso Pai Celestial pelas bênçãos que desfrutamos, e podemos dizer verdadeiramente, como disse certa pessoa de outrora: "As divisas caem-me em lugares deleitosos; sim, coube-me uma formosa herança." O Senhor nos revelou os princípios da verdade eterna, de modo que "para que" (diferentemente do mundo) "não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engodo dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente." Mas nossos pés estão firmados sobre a rocha da verdade eterna que foi revelada dos céus, para o benefício, bênção e exaltação da família humana, no tempo e na eternidade. Quão diferente é nossa posição em relação a isto do que era antes de ouvirmos o Evangelho. Então estávamos rodeados por dez mil influências, noções e ideias que podiam estar certas ou erradas; não tínhamos teste, regra ou princípio pelo qual guiar nossas vidas ou nossa conduta; não podíamos encontrar pessoa alguma na terra que soubesse algo sobre os princípios da eternidade; jamais ouvimos nada além de opiniões antes de abraçarmos esta doutrina; tínhamos a opinião de comentaristas, de teólogos, filósofos e políticos, nada além de opinião sem certeza para guiar nossos pés errantes. Estávamos desejosos, talvez tanto quanto o estamos hoje, de fazer o certo, éramos talvez tão zelosos então quanto o somos agora em seguir o caminho que pensávamos poder ser satisfatório a nosso Pai Celestial; mas não sabíamos o que lhe agradaria. O mundo da humanidade hoje está exatamente na posição em que estávamos então, não tem mais certeza, evidência ou conhecimento do que tínhamos antes de abraçarmos os princípios da verdade eterna--e, de fato, a verdade não existe no mundo, ou, se existe, é desconhecida dos homens do mundo; eles são incapazes de discernir entre a verdade e o erro, a luz e as trevas, entre as coisas de Deus e as coisas do homem.

O Senhor nos revelou os princípios da vida eterna. Não é uma questão de mero pensamento, de mera opinião; nossos princípios não são ideais, mas são fatos, não noções; são verdades, não opiniões; são certezas--coisas que conhecemos e compreendemos por nós mesmos. Nada pode ser mais convincente, nada pode ser uma evidência mais forte, se quisermos alguma evidência, do que o testemunho ou evidência que o Senhor nos comunicou individualmente.

Paulo disse quando falava ao povo: "A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." De novo: "Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior, porque é este o testemunho de Deus, que de seu Filho testificou. Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus deu de seu Filho." Toda pessoa que abraçou o evangelho naquele dia desfrutava de um testemunho evidente do qual o mundo ignorava. Recebiam uma inspiradora garantia inteligente que era impartida pelo Espírito Santo a todos aqueles que recebiam o evangelho tanto em tempos antigos quanto nos últimos tempos, e por isso os que creem têm o testemunho em si mesmos.

Quando os Élderes foram enviados a pregar o evangelho, foi-lhes dito para chamar o povo ao arrependimento e ao batismo em nome de Jesus para a remissão dos pecados, e eles receberiam o Espírito Santo. Isto foi dito ao povo nos dias antigos, e nenhum testemunho mais forte do que este poderia ser dado ao coração do homem; nada é maior evidência de que o Senhor está com seus Élderes que vão adiante levando as preciosas sementes da vida eterna do que isto. Um Élder é o ministro de Deus, seu representante na terra; ele age por sua autoridade, em seu nome, e Deus sanciona seus atos, e prova a ele e àqueles que recebem o evangelho que ele é o mensageiro de Deus. O Senhor lhe disse para ir e pregar o batismo para a remissão de pecados, e que quando o povo se arrependesse e fosse batizado para a remissão de pecados, e tivesse mãos impostas sobre si para o recebimento do Espírito Santo, receberiam o Espírito Santo, e teriam evidência para si mesmos, como receberam e souberam antigamente sob a administração dos antigos apóstolos. Assim, toda pessoa assim batizada e ministrada tem evidência indubitável dentro de si mesma, e todo Élder tem um testemunho de que Deus está com ele e sanciona seus atos; e assim como um Élder não podia impartir o Espírito Santo sem a autoridade e poder de Deus, também a pessoa que recebia o Espírito Santo não podia dele participar sem a administração do Senhor por meio do Élder.

Podeis usar o raciocínio dos homens, podeis convocar os mais fortes poderes oratórios, e tudo isso falhará em convencer qualquer homem, sem o Espírito de Deus. Podeis trazer à tona o mais brilhante talento e reunir a mais forte evidência que for possível ao homem produzir, mas na ausência do Espírito Santo tudo isso passará como um sonho ocioso, ou com observações passageiras tais como: "Aquele homem é um homem muito eloquente, os princípios que ele apresenta são evidentes, claros e razoáveis, mas isso não nos diz respeito, não estamos interessados no assunto," etc.; mas quando o Espírito da verdade eterna, emanando de Deus, opera sobre nossos espíritos, que são parte da divindade, se assim posso dizer, quando se forma uma união, e se abre um intercâmbio, e a inteligência é comunicada, então as pessoas que possuem essa inteligência, esse conhecimento, essa influência consoladora, essa forte garantia que é impartida, e que só pode ser impartida de espírito a espírito; quando as pessoas recebem isto, então têm para si mesmas uma garantia que nenhum argumento terreno ou demonstração filosófica poderia possivelmente impartir. Somos parte da divindade, isto é, nossos espíritos são parte, por assim dizer, do grande Jeová, extraídos de sua eterna chama--luz e vida e inteligência eternas.

Quando a luz que está no céu se comunica com a luz dentro de nós; quando o Espírito que habita no seio do Todo-Poderoso habita no nosso, e se abre um intercâmbio entre o céu e nós, somos então colocados em posição de compreender aquilo que seria impossível compreender sobre qualquer princípio natural conhecido de nós, e por isso está escrito: "Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus." Para que os homens de fato se tornem filhos de Deus, ele introduziu nos primeiros princípios do evangelho os meios de se tornarem possuidores de seu Espírito através do batismo e da imposição de mãos por aqueles que têm autoridade, sendo enviados e ordenados e autorizados por ele para que possam receber o Espírito Santo. O que pode ser evidência mais forte para qualquer homem do que uma evidência deste tipo? Não é algo que afeta somente o ouvido externo; não é algo que afeta simplesmente seu juízo, mas afeta seu homem interior; afeta o espírito que habita dentro dele; é uma parte de Deus impartida ao homem, se assim posso dizer, dando-lhe a garantia de que Deus vive. Isto é algo de grandíssima importância, mais do que, talvez, muitas pessoas imaginam. Um homem recebe a garantia de que Deus vive, e não somente de que Deus vive, mas de que ele é um filho de Deus, porque sente que participou de seu espírito, o espírito de adoção; e por isso foi dito a respeito dos Santos de outrora: "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, porém recebestes o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus."

Os Santos de outrora receberam um espírito pelo qual foram habilitados a dizer Aba, Pai, ou, meu Pai. Ora, refletindo sobre isto, que forte confiança é impartida aos Santos de Deus, dando-lhes uma garantia que ninguém tem, e que ninguém pode ter, a menos que adotem os mesmos meios, a fim de participar das mesmas bênçãos ou de serem ministrados da mesma maneira, e receber através do mesmo meio, aquele mesmo espírito de inteligência que nada senão o Espírito Santo pode impartir. Quando as pessoas recebem isto, são habilitadas a dizer, meu Pai. O que eram habilitadas a dizer antes? Sabiam algo sobre seu Pai ou sobre seu Deus? Sabiam algo sobre sua origem, ou sabiam algo realmente em relação ao futuro?

O que podeis encontrar entre o mundo como isto em qualquer lugar, entre os mais piedosos, os melhores, os mais honrados, puros e virtuosos, o que podeis encontrar entre eles? Apenas, simplesmente, "tentamos fazer o melhor que pudermos, e esperamos que seja bem conosco no futuro; esperamos que nosso grande Pai Celestial seja misericordioso conosco." Não podem avançar mais do que isso, sem o dom e bênção do Espírito Santo. Esperam certas coisas, creem em certas coisas, oram por certas coisas, desejam certas coisas, mas não têm garantia em relação a elas. Nada senão o Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho, pode impartir-nos aquela inteligência que é necessária para colocar a Igreja e Reino de Deus sobre uma base segura e firme. O Senhor introduziu isto entre nós. Não importa que língua um homem fale, ou em que país viva, não importa qual tenha sido sua profissão ou circunstâncias anteriores; aqui está o Evangelho da vida e verdade eternas proclamado pelo mais fraco dos Élderes de Deus, o qual ele escolheu e separou para pregar as palavras da vida eterna em todo o mundo. Onde quer que o povo receba as palavras da verdade que aquele Élder lhe pregou e as obedeça pelo batismo, e tenha mãos impostas sobre si para o recebimento do Espírito Santo, todos se sentem igualmente, não importa em que país tenham nascido, qual sua religião, política, ideias sociais, ou qualquer outra coisa; se judeu ou gentio, escravo ou livre, todos são um em Cristo Jesus.

Temos gente reunida neste Território de todas as partes da terra; todos foram batizados num só batismo, e todos participaram de um só espírito, e esse espírito procede da fonte de luz e verdade. Seria impossível, sob quaisquer outras circunstâncias, unir pessoas juntas como nosso povo nas montanhas está unido. Seria impossível a todos os poderes de raciocínio do homem produzir tal resultado; nada senão o poder e Espírito de Deus poderia realizá-lo.

Todos nos sentimos igualmente com relação aos grandes princípios da verdade eterna. Por que nos sentimos igualmente? Porque todos participamos de um só espírito, que procede de nosso Pai Celestial, é o Espírito Santo. Como isso nos afeta? Afeta nossos espíritos. E ainda que não compreendamos, às vezes, a fala uns dos outros, e ignoremos as ideias entretidas uns pelos outros; e ainda que os hábitos, costumes e maneiras sejam diversos e variados entre as diferentes nações de onde viemos, ainda somos um em sentimento, um na fé e na confiança, e um na garantia.

Ouvi homens nos Estados Unidos agradecerem a Deus com todo o coração pelo espírito impartido a eles e pelas bênçãos do evangelho eterno; ouvi-os fazer o mesmo na França e na Alemanha, e ouvi-os fazer o mesmo entre outras nações cuja língua eu não conhecia. O mesmo espírito inspira o todo--é o espírito de Deus, impartido através da obediência às suas leis, e através da administração do Evangelho pelo Santo Sacerdócio, ou por meio dos Élderes que ele enviou, e cujos atos ele sanciona ao impartir o Espírito Santo sobre aqueles em quem impõem as mãos; e por isso somos um, tendo sido batizados num só batismo, e havendo participado do mesmo espírito, e por isso temos garantia, e somos constituídos como nenhum outro povo é sob os céus. Possuímos aquela evidência e garantia que o mundo não pode dar, nem tampouco o mundo pode retirar; e por isso, avançamos com um objetivo firme e infalível em relação ao futuro. Sabemos, individual e coletivamente, o que estamos fazendo, e se há entre nós aqueles que não compreendem todas as coisas, contudo sabemos que participamos do Espírito Santo. Sentimo-nos como o homem que nasceu cego, que foi curado pelo Salvador. Os fariseus disseram ao homem curado: "Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador." Ele respondeu e disse: "Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo."

Todos os filhos e filhas de Deus que estão vivendo sua religião, e guardando fielmente os mandamentos de Deus, podem apresentar razão da esperança que neles há, e podem responder aos porquês e aos comos dos movimentos da Igreja e do reino de Deus sobre a terra. Podem não saber qual será o resultado disto, daquilo e de outra coisa; mas sabem que receberam o Espírito Santo, e que Deus vive--que receberam um princípio, pelo qual são habilitados a dizer, Aba, Pai--Meu Pai. "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." Por isso participamos de uma porção das vidas eternas, e começamos a viver para sempre. Foi sobre este princípio que Jesus falou à mulher de Samaria, quando lhe pediu de beber. Ora, havia uma forte inimizade existente entre os judeus e os samaritanos, e ela achou singular quando Jesus lhe pediu de beber água. "Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conhecesses o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber; tu lhe pedirias, e ele te daria água viva." "Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna."

Se o mundo soubesse quem são estes Élderes que vão adiante entre eles levando a preciosa semente da vida eterna, se pudessem compreender e perceber isto, pediriam a eles, e eles lhes dariam água que se faria neles uma fonte que saltaria para a vida eterna; pois são os representantes de Deus na terra, indo adiante com autoridade dele para impartir ao mundo o Espírito Santo, e conduzi-los aos caminhos da vida. Nós participamos deste Santo Espírito, e por isso há confiança manifestada em todos os nossos movimentos e ações como povo.

Quem entre os verdadeiros santos de Deus jamais duvida quanto ao destino deste reino? Quem que tem o espírito de revelação--o espírito da verdade--jamais sonha que este reino será alguma vez derrubado? Eles tremem no norte, e no sul; perguntam-se qual será o fim--se ganharão aquela vitória ou perderão aquela batalha; se seremos divididos em duas nações separadas, consolidados em uma só, ou divididos em muitas. Estas são questões que confundem os mais sábios de nossos estadistas. Se temos algum homem sábio nos Estados Unidos, e nas nações da Europa ou da terra, que manifestem sua sabedoria e endireitem o mundo.

Os Santos dos Últimos Dias não têm qualquer dúvida sobre o que será deles, jamais nos vem à mente que algo transpirará que derrubará a Igreja e o reino de Deus na terra. Que homem que é Santo e tem em sua posse o dom do Espírito Santo não sabe que o reino de Deus avança? Sabemos que venceremos todo poder oposto. Não importa o que transpira, que efeito tem sobre nós? Nenhum. Isso apenas afeta os fracos e vacilantes, que não viveram sua religião e seguiram a luz do Espírito Santo dentro deles; estes podem temer; mas os homens e mulheres de Deus, aqueles que vivem na luz do semblante do Senhor, e alimentam o Espírito Santo em seus peitos, não tendo outro sentimento senão o triunfo final do reino de Deus na terra, nada mais sabem.

O que inspirou os antigos profetas a saber que viria o tempo em que os Santos de Deus tomariam o reino, e a grandeza dele sob todo o céu lhes seria dada, e aquele a quem pertence de direito reinaria e teria domínio? O mesmo Espírito que habita em nós procede do mesmo Deus que inspirou os profetas de outrora, desenvolvendo as mesmas verdades, manifestando as mesmas coisas, e desdobrando os mesmos princípios. Temos confiança em relação a estas questões; e por isso os homens que compreendem isto, que vivem sua religião, sentem-se perfeitamente satisfeitos em relação a quaisquer ou a todos os acontecimentos que transpirarão na terra.

Fomos expulsos do Missouri--fomos expulsos de um lugar para outro no Missouri, antes de sermos finalmente expulsos; depois fomos expulsos de Illinois para este Território. Mas que importa isso? Conheço alguns homens que pensaram que a obra havia chegado ao fim. Lembro-me de uma observação feita por Sidney Rigdon--suponho que ele não vivia sua religião--não creio que vivesse--seus joelhos começaram a tremer no Missouri, e certa ocasião ele disse: "Irmãos, cada um de vós tome o seu caminho, pois a obra parece que chegou ao fim." Brigham Young encorajou o povo, e Joseph Smith disse-lhes para serem firmes e manterem sua integridade, pois Deus estaria com seu povo e o libertaria. Nunca vi um tempo em que os Santos se alegrassem mais do que quando estavam, aparentemente, atravessando as mais profundas tribulações; jamais os vi mais cheios do Espírito Santo, e receberem com mais alegria a espoliação de seus bens. Por que era isto? Porque tinham dentro de si aquele espírito de que estamos falando, e sabiam qual seria o resultado de todas essas coisas. Quando deixamos Nauvoo, cantamos com alegria--

"Rumo à Califórnia, na primavera empreenderemos nossa jornada; muito acima das fontes do Arkansas, entre as Montanhas Rochosas passaremos."

Quando nos perguntavam: "Para onde ides?" nossa resposta era: "Mal sabemos; vamos para algum lugar, e Deus nos protegerá, e tudo está certo e bem em Sião, e há paz, e haverá paz para aqueles que amarem a Deus e guardarem seus mandamentos; porque seu reino está estabelecido sobre a rocha dos séculos, e é obra de Deus cuidar de seus Santos, e tudo está bem."

E quando a nação com a qual estamos associados é sacudida até o âmago e se desfaz em pedaços (está bastante sacudida agora, apesar do que nosso Presidente parece dizer a respeito, que tudo está muito próspero, e que temos agora mais homens do que antes da guerra), apesar de tudo isso, está desfazendo-se e caindo, e continuará a cair e a desfazer-se, até que não mais exista, e mais cedo ou mais tarde chegará seu fim. Não assim o reino de Deus; ele permanecerá, e continuará a existir e a espalhar-se e a avançar, e os princípios corretos--princípios de verdade eterna, luz e revelação de Deus--serão desdobrados, e a inteligência que habita com os deuses continuará a ser impartida a este povo, e Deus será seu Deus, e eles serão seu povo, e ele continuará a conduzi-los de força em força e de conhecimento em conhecimento, até compreenderem todos os princípios corretos que podem ser conhecidos na terra, até que sejam habilitados a se redimir a si mesmos e a sua posteridade, e então estabelecer o reino de Deus na terra até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de seu Cristo, e ele reine para todo o sempre. E para este fim Deus impartiu-nos o espírito de inteligência e sabedoria que é inabalável, incontestável e imutável, e que viverá e permanecerá para sempre. Não temos motivo para sermos gratos a Deus nosso Pai Celestial? Penso que temos. Desfrutamos de paz, desfrutamos de felicidade, desfrutamos do Espírito Santo, desfrutamos de comunicação com nosso Pai Celestial, desfrutamos de associação com o santo Sacerdócio, temos a revelação de Deus em nós, e Deus se empenhou em conduzir seu povo de força em força, de inteligência em inteligência, de conhecimento em conhecimento, até que sejam capazes de ver como são vistos, e conhecer como são conhecidos. E ele vai estabelecer um reinado de retidão e introduzir uma forma correta de governo, mesmo o governo de Deus, as leis de Deus, as revelações de Deus para guiar e dirigir em todas as coisas: ele será nosso guia em filosofia, em política, em agricultura, em ciência, em arte, e em tudo o que é calculado para iluminar e impartir inteligência, e dar conhecimento das leis das nações, das leis da natureza, da matéria, e de todas as leis que regulam todas as coisas pertencentes ao tempo e à eternidade. Ele continuará a instruir e a manifestar, e a nos colocar de posse daqueles princípios que nos exaltarão e nos prepararão para habitar com os Deuses. Olhamos para o futuro; olhamos para ele anos atrás, e sabíamos que o reino de Deus avançaria, e sabemos assim hoje, apenas nossa fé e conhecimento estão se tornando mais estáveis, mais estabelecidos. Sabemos que este reino continuará a espalhar-se e a aumentar. Quem pode nos privar desse conhecimento? Nenhuma influência ou poder terreno, ou raciocínio pode fazê-lo; por isso, estamos perfeitamente satisfeitos em relação a estas coisas. E enquanto sabemos que isto está acontecendo e que um reinado de retidão será introduzido que será calculado para exaltar e enobrecer a família humana, e fazer da terra um paraíso e florescer como a rosa, e fazer o deserto e os lugares desolados se alegrarem, e o governo e o reino de Deus existirem dos rios até os confins da terra; enquanto estamos atendendo a essas coisas, também estamos atendendo a outras coisas, estamos garantindo para nós mesmos uma exaltação eterna, estamos aprendendo a Deus e suas leis, e os sussurros de seu Espírito, pelos quais podemos ser salvos e exaltados e trazidos a uma união e conexão mais estreita com ele através de convênios e ordenanças, e unções, e investiduras, e bênçãos, que ele está revelando e desdobrando. Estamos aprendendo a construir templos onde podemos receber instrução, e revelação, e ordenanças a serem realizadas tanto para os vivos quanto para os mortos, para nós mesmos, progenitores e posteridade, e abençoar a família humana por inteiro, para que possamos ser salvadores no Monte Sião e o reino seja do Senhor. Estamos aprendendo a garantir para nós mesmos mansões com nosso Pai Celestial, para que onde ele está, possamos também estar. Jesus disse: "Vou-me; mas se eu for, eu voltarei e vos tomarei a mim mesmo; para que onde eu estiver, vós também estejais," etc. Estamos nos preparando para aquelas mansões, e outros estão ajudando a preparar mansões para nós que estão atrás do véu. Operaremos por aqueles que ali estão, e eles por nós; pois eles, sem nós, não podem ser aperfeiçoados, nem nós sem eles. Estamos formando uma aliança, uma união, uma conexão, com aqueles que estão atrás do véu, e eles estão formando uma união e conexão conosco; e enquanto vivemos aqui, estamos nos preparando para viver no futuro, e lançando um fundamento para isso no reino celestial de Deus. Não deveríamos clamar às nossas almas, e a tudo o que está dentro de nós, para bendizer o nome do Deus de Israel, e não esquecer todas as suas misericórdias? Não deveríamos estar buscando continuamente glorificar a Deus em nossos corpos e espíritos, que são dele? Não deveríamos estar buscando ter nossas paixões, desejos e apetites em obediência e sujeição à vontade de Deus? Não deveríamos estar buscando controlar nossa vontade e desejos, e ter tudo cedendo obediência àquele Espírito que emana de nosso Pai Celestial? Não deveríamos estar buscando promover uma união com todo princípio semelhante a Deus, com tudo o que é amável e bondoso, e nos despojar de todas as nossas más paixões e propensões, e loucuras e extravios, e buscar aproximar-nos de Deus nós mesmos, e também aproximar nossas famílias dele, e buscar cultivar o Espírito Santo, para que seja em nós uma fonte de água que salte para a vida eterna, para que sejamos dignos de sermos cidadãos do reino de Deus; e para que no futuro possamos desfrutar de uma imortalidade de felicidade com nossos progenitores e nossa posteridade, e com nosso Deus no mundo eterno, mesmo neste mundo, quando ele for redimido e santificado e feito novo?

Que Deus nos ajude a guardar seus mandamentos, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Bênçãos do Evangelho Contrastadas com as Ideias dos Homens--Evidência Recebida Através da Obediência--Modo pelo Qual o Espírito é Impartido e Unidade dos Santos--Sua Confiança com Referência ao Futuro da Igreja--Estabelecimento Final do Governo de Deus na Terra”, (1864-12-11). Pulpit Vault, 1864-12-taylor-blessings-of-the-gospel-contrasted-with-the-ideas-of-men. Tradução desta edição, por método de glossário.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).