Necessidade de Dar a Devida Atenção aos Deveres Temporais, etc.
Brigham Young
Não sei que eu jamais tenha falado aos Santos sobre nenhum princípio do Evangelho da salvação em que eu pudesse fazer mais do que oferecer algumas observações introdutórias, há tanto a aprender. As pessoas mais antigas e experientes nesta Igreja estão convencidas de que de modo algum aprenderam tudo o que há para aprender a respeito das coisas pertencentes a este mundo. Até mesmo aprender completamente todos os diferentes ramos da mecânica é mais do que um homem pode fazer nesta vida mortal. O objetivo desta existência é aprender, o que só podemos fazer um pouco de cada vez. "A quem, pois, se ensinaria o conhecimento, e a quem se daria a entender o que se ouviu? Ao desmamado do leite, e ao arrancado do peito. Porque é preceito sobre preceito, preceito sobre preceito, linha sobre linha, linha sobre linha, um pouco aqui, um pouco ali." ¶
Quão de bom grado entenderíamos todo princípio pertencente à ciência e à arte, e nos familiarizaríamos completamente com toda intricada operação da natureza, e com todas as mudanças químicas que ocorrem constantemente ao nosso redor! Quão deleitoso seria isso, e que campo sem limites de verdade e poder está aberto para explorarmos! Estamos apenas nos aproximando das praias do vasto oceano de informação que pertence a este mundo físico, para não falar daquilo que pertence aos céus, aos anjos e seres celestiais, ao lugar de sua habitação, ao modo de sua vida, e seu progresso a graus ainda mais elevados de perfeição. ¶
Ouvimos muitas verdades gloriosas nos discursos proferidos por nossos Élderes aqui e em outros lugares, mas voltamos para nossos lares e amanhã estamos quase como estávamos ontem. É nosso privilégio melhorar cada dia de nossa vida, mas podemos melhorar depressa o suficiente para sequer obter todo o conhecimento pertencente a este mundo na vida que agora possuímos? Não; mas podemos obter conhecimento mais depressa do que fazemos agora, exercendo ainda maior diligência. ¶
Quando nos reunimos na condição de adoração, tendemos a sentir ansiedade por ouvir algo novo a respeito da Divindade ou do lugar de sua habitação. Quão deleitoso é ouvir um homem expor as profecias — ouvir as revelações de Deus e as coisas pertencentes ao reino celestial de Deus delineadas! Quão alegre, quão agradável, quão glorioso é isso tanto para homens quanto para mulheres, velhos e jovens, que parecem saber tudo sobre esses assuntos, mas que em casa não sabem o suficiente para fazer o cabo de uma enxada de modo que se pudesse dizer se era destinado a um jugo de boi, cabo de arado, ou cabo de enxada. E a irmã que tanto se alegra nas glórias do mundo superior, quando está em casa, muito provavelmente, não sabe o suficiente para desempenhar suas ocupações diárias como deveria. Consegue ela ensinar suas filhinhas sequer a tricotar uma liga de meia? Não; mas quando há bastante lã e fio em casa, ela pede ao marido para comprar ligas, suspensórios, etc., na loja, enquanto seus filhos correm pelas ruas com os calcanhares e dedos dos pés descalços; nem sabe remendar decentemente uma meia. Consegue ela cortar um par de calças para o filhinho? Não; um alfaiate tem de fazê-lo. Consegue fazer-lhe um boné de algum tecido velho que já foi usado num casaco, mas bom o suficiente para esse propósito, e assim poupar uns poucos dólares? Não; ela tem de importunar o marido a gastar dinheiro na loja, quando talvez ele não possa dispensá-lo com facilidade. Consegue fazer sapatinhos para seu bebê? Não, o pai compra todos os sapatos. Ela parece não ter serventia terrena alguma como auxiliadora do marido; contudo é o seu maior deleite saber como os Deuses vivem e como os céus e todas as coisas são sustentados, mas ao mesmo tempo não está disposta a mover um dedo para sustentar-se a si mesma. ¶
Quando Adão se percebeu em estado de nudez, escondeu-se; e quando ouviu os passos do Senhor no jardim, tremeu e estremeceu de medo. O Senhor não pôde fazer mais por ele do que tomar algumas folhas de figueira e provavelmente alguma erva para costurá-las juntas num avental para cobrir a nudez de Adão. O Senhor não pôde em poucos minutos ensinar a Adão como fazer pano fino e um par de calças, etc.; pois ele havia esquecido tudo o que outrora sabia, e teve de obter conhecimento por graus. Podemos aprender num dia como fazer pano fino ou cetim e roupas ou vestidos? Não; pois é tanto quanto algumas pessoas conseguem fazer aprender num dia a tricotar sequer uma liga de meia ou um par de suspensórios. ¶
O povo está se esforçando com todas as suas forças para aprender as coisas de Deus; mas se eu pudesse apenas fazê-lo entender a obra e o valor de sua vida presente, ficaria bem satisfeito. Falamos e pensamos muito sobre a vida que há de vir, e a labuta da vida da parte cristã do mundo é preparar-se para isso. O tempo que agora ocupamos está na eternidade; é uma porção da eternidade. Nossa vida presente é tanto uma vida na eternidade quanto a vida de qualquer ser pode possivelmente ser. Pudéssemos todos viver de modo a honrar a vida que agora possuímos, eu não teria um único pensamento ansioso quanto a estar plenamente preparado para a vida que há de vir. Desejo instar ao povo a necessidade de saber o que fazer com sua vida presente, que pertence mais particularmente às temporalidades. O próprio objetivo de nossa existência aqui é lidar com os elementos temporais deste mundo e subjugar a terra, multiplicando aqueles organismos de plantas e animais que Deus designou que habitassem sobre ela. Quando tivermos aprendido a viver segundo o pleno valor da vida que agora possuímos, estaremos preparados para maior avanço na escala do progresso eterno — para uma esfera mais gloriosa e exaltada. ¶
Um dos oradores desta manhã nos exortou a cuidar daquilo que produzimos. Todas as energias de um fazendeiro parecem ser dispendidas para cultivar trigo; mas, quando amadurece, ele parece retirar-se satisfeito por ter realizado o que buscava; suas energias diminuem e a colheita não é cuidada, mas deixada para retornar novamente à terra; ou, se a colhe, ou não tem a habilidade de guardá-la e conservá-la corretamente, ou não se importa em se esforçar por fazê-lo. É o mesmo em sua criação de gado; ele valoriza seus bezerros e cordeiros — trabalha duro para criá-los; mas quando alcançam aquele estágio de existência de fazer bem a si mesmo ou à comunidade, ele os deixa morrer de fome no inverno, ou serem destruídos pelos índios ou por alguém que ganha a vida roubando gado nos pastos. O trigo desperdiçado este ano, por falta de cuidado apropriado, alimentaria toda esta comunidade por um período considerável. Os fazendeiros não parecem pensar que todo grão deveria ser colhido e guardado tanto quanto possível. A atmosfera que pressiona sobre a superfície de nossos campos confere nutrição ao solo, e as chuvas dos céus e as águas que vêm dançando das montanhas e são conduzidas sobre nossos campos estão carregadas de alimento para as plantas, de modo que podemos colher desta terra de terraço — deste solo cascalhento — trinta alqueires de trigo por acre, o que não cumpre o propósito, na economia da natureza, para o qual foi criado, se se permite que retorne novamente à terra sem ser aproveitado do modo designado pelo Todo-Poderoso. Se for distribuído de outra forma diferente da designada, o elemento do trigo pode ser inteiramente removido para outra porção da terra; e depois de alguns anos podeis não ser capazes de cultivar trigo neste país. Se uma única parte constituinte de qualquer planta for esgotada do solo, a planta não pode ser produzida até que o elemento faltante seja restaurado. ¶
Nosso Pai no céu deseja que preservemos aquilo que nos concede. Se somos pródigos e desperdiçadores de suas bênçãos, será dito — "Tirai deles aquilo que parecem ter e dai-o a outro povo." Desejamos obter tudo o que há para obter; desejamos enriquecer-nos; mas, como povo, em muitíssimas ocasiões, tomamos um rumo para nos empobrecer. Se apenas aprendêssemos o suficiente para sermos autopreservadores e autossuficientes, teríamos então aprendido o que os Deuses aprenderam antes de nós, e o que eventualmente devemos aprender antes que possamos ser exaltados. Rastreai a história do povo favorecido de Deus em qualquer era do mundo e em qualquer porção da terra, e achareis que o Senhor derramou grande abundância sobre eles, os abençoou como indivíduos, como comunidades, e como nações. Também temos sido grandemente abençoados, mas temos tratado levianamente as nossas bênçãos ao negligenciar usá-las corretamente e com frugalidade. ¶
Aquele indivíduo, vizinhança, povo, ou nação que não reconhecer a mão de Deus em todas as coisas, mas dilapidar suas bênçãos, e assim derramar desprezo sobre seus bondosos favores, tornar-se-á desolado e será consumido. Enquanto qualquer povo viver à altura da melhor luz que tem, o Todo-Poderoso multiplicará bênçãos sobre ele, abençoando a terra e fazendo-a produzir em sua força para encher seus celeiros de abundância; mas, se engordarem, e se ensoberbecerem, e recalcitrarem contra o Senhor, e pisarem suas bênçãos sob os pés em desperdício temerário, ele fará com que herdem esterilidade, e lhes dará "dentes limpos em todas as suas cidades, e falta de pão em todos os seus lugares." O Senhor só precisa dizer ao seu anjo: "Passa sobre a terra e tira os elementos do trigo", e aquela colheita deixa de ser produzida. Isso mesmo aconteceu nas terras de onde fomos expulsos, e seu fruto está frustrado; de fato, nada cresce ali com a mesma abundância e perfeição de outrora. A desolação está no caminho dos iníquos. Assim teria sido conosco, se tivéssemos permanecido em nossos antigos lares, e não tivéssemos vivido de modo a honrar a vida que Deus nos deu. Em consequência do ódio, da malícia, e da disposição nos corações dos iníquos de perseguir o seu povo, Deus amaldiçoou tanto a terra e frustrou os elementos que não são férteis. ¶
Não creio que jamais tenha visto em minha vida algo mais doloroso ao meu coração e mais angustiante aos meus sentimentos do que o que vi manifestado no espírito e nas ações desta comunidade nos anos de 1849, 50, 51 e 52, na maneira como pisaram as bênçãos de Deus tão generosamente concedidas a eles. Permitiu-se que o trigo se desperdiçasse de maneira vergonhosa. Foi dado aos cavalos, atirado aos porcos, e pisado na lama. Disse-lhes que precisariam de pão, e precisaram. Se não fosse pela bondosa mão de Deus em suas misericordiosas providências para conosco, teríamos sofrido muito mais do que sofremos; nossos sofrimentos teriam sido extremos. O Senhor derramou suas bênçãos sobre a atmosfera, sobre a água, e sobre o solo deste país. Nenhum outro povo além do povo dos Santos poderia ter-se sustentado aqui. Se abusarmos dessas escolhidas bênçãos, o Senhor frustrará os elementos fertilizantes com seu toque murchante, e nos deixará desolados. Sejamos gratos pelo que temos em posse, e usemo-lo exclusivamente para edificar o reino de Deus, o estabelecimento de Sião, e o triunfo da retidão e da verdade. Que todo centavo, todo dólar, toda soma de dinheiro, grande ou pequena, seja devotado a este interesse absorvente, assim como todo momento de tempo. Estes são assuntos com os quais todos estamos familiarizados; não são mistérios que estejam muito além de nossa compreensão. ¶
Vinte e cinco, vinte e oito, e trinta anos atrás, nossa influência e caráter nacional eram de fato pequenos. A imagem que agora se apresenta ainda é pequena, admitimos; contudo apresenta uma face ousada às nações, e se tornou digna de sua atenção. Estamos tentando ser a imagem daqueles que vivem no céu; estamos tentando seguir-lhes o modelo, parecer-nos com eles, andar e falar como eles, agir como eles, e edificar o reino do céu como eles fizeram. Penso que, com o tempo, alcançaremos a própria imagem e semelhança dos filhos de Deus que viveram antes de nós. Esta imagem crescerá, e se desenvolverá, e se espalhará por toda parte, e continuará a expandir-se em suas proporções, estendendo-se à direita e à esquerda, lutando por espaço em todos os lados, na proporção em que formos fiéis e aprendermos a apreciar as bênçãos que já recebemos. ¶
Apreciamos as bênçãos deste nosso lar montanhoso, tão distante da guerra, do sangue, da carnificina, e da morte que lançam ao pó milhares de nossos semelhantes nas próprias ruas onde já caminhamos e nas cidades e vilas onde já vivemos? Se vivermos constantemente sob um justo senso da grandeza de nossas bênçãos, a pedra nas montanhas logo começará a atingir proporções colossais e a rolar com peso esmagador sobre os dedos dos pés da "grande imagem." ¶
Temos frequentemente ouvido nossos Élderes dizerem que todo o céu que jamais teremos é aquele que fazemos para nós mesmos. Quão vasto é o significado desta simples sentença! Este único dito é um texto digno de que todos os seres santos no céu e na terra preguem sobre ele; abrange um assunto tão vasto quanto a eternidade. Somos exortados a fazer o nosso próprio céu, o nosso próprio paraíso, a nossa própria Sião. Como se há de fazer isso? Dando ouvidos diligentemente à voz do Espírito do Senhor, que atrai à retidão, aplaude a verdade, e se exulta continuamente na bondade. Este Espírito é o companheiro de toda pessoa fiel! Ouvi os seus sussurros, e persegui com prontidão o caminho que ele aponta. Deste modo podemos todos crescer em graça e no conhecimento da verdade, e ao fazê-lo honraremos a vida que agora possuímos, ao passo que, seguindo um rumo oposto, a desonramos. Esta vida vale para nós tanto quanto qualquer vida nas eternidades dos Deuses. Naquele indefeso bebê no colo da mãe vemos um homem, um Apóstolo, um Santo — sim, gerações de homens com reinos, tronos e domínios. Então a vida daquele pequeno e frágil mortal está carregada de grandes e poderosos resultados, e seu valor é inestimável. ¶
Se isso é verdade quanto a um bebê, que podemos esperar que cresça deste reino infantil? Podemos olhar adiante para tudo o que pertence à grandeza e à bondade, ao vigor e ao poder, ao domínio e à glória. Quão zelosamente, então, deveríamos guardar os direitos deste poder infantil! Quão zelosos e constantes deveríamos ser em manter os seus interesses e sustentar as suas leis e sagradas instituições! Não menos vigilantes deveríamos ser em preservar as vidas de nossos filhos, pois são do reino do céu. Nenhum esforço deveria ser poupado, nenhum cuidado omitido, em guardar o tenro bebê pelas horas perigosas da infância até anos mais maduros. Pela desatenção e ignorância dos pais, a morte faz muitas vítimas entre nossos filhos, e eles são privados de magnificar sua vida mortal segundo os desígnios do Criador Todo-Sábio. Um número de nossos filhos é levado pela morte, por falta de prontidão suficiente em combater o destruidor quando suas insidiosas investidas são primeiramente descobertas. Temos poder em grande medida para prevenir a doença; e quando ela se apodera das entranhas de nossos pequeninos, temos poder, fé, e meios à mão, se prontamente aplicados, para restaurar nossos filhos à vida e à saúde, à meninice, depois à idade adulta, e à honra e poder em Israel. Contudo negligenciamos nossos filhos, e os deixamos correr soltos no frio e na umidade. Adoecem à noite; nada é feito por eles; mas são mandados para a cama para ficar deitados a noite toda com febre ardente, e assim são deixados a se arrastar dia após dia, enquanto o Destruidor está ocupado consumindo suas vidas. Por fim, os pais se alarmam e mandam chamar um médico, que é tão capaz de destruir a vida da criança quanto de restaurá-la novamente à boa saúde. Lamentamos os pequenos e frágeis restos ao depositá-los na sepultura, e nos consolamos dizendo: "Faça-se a tua vontade, ó Senhor; tu dás e tu tiras ao teu prazer", etc., quando por nossa ignorância e descuido destruímos a vida que Deus nos deu para um reino de glória e poder, que só pode ser obtido por meio de nossa posteridade. Deste único filho, este Isaque, pudesse sua vida ter sido preservada, nações teriam surgido à existência, até que as multidões de pessoas por meio dele se tornassem tão numerosas quanto as areias à beira-mar. Mas ele se foi, e seu espírito retornou a Deus, e esse é o fim de sua vida sobre a terra; vossa posteridade está cortada, e de onde recebereis vosso reino e glória? ¶
É para a nossa vantagem cuidar bem das bênçãos que Deus nos concede; se seguirmos o rumo oposto, cortamos o poder e a glória que Deus designa que devemos herdar. É por meio de nosso próprio cuidado, frugalidade, e juízo que Deus nos deu, que somos capacitados a preservar o nosso grão, os nossos rebanhos e manadas, esposas e filhos, casas e terras, e aumentá-los ao nosso redor, ganhando continuamente poder e influência para nós mesmos como indivíduos e para o reino de Deus como um todo. As pessoas perdem sua propriedade. Por quê? Porque não cuidam dela. De vez em quando ouvimos falar de propriedade destruída pelo fogo, embora isso não ocorra frequentemente entre este povo. Que fizestes com o fogo quando fostes descansar? Todas essas ocorrências acontecem por descuido, falta de juízo, ou ignorância. Por exemplo, num dia muito seco e ventoso, com uma chaminé suja, uma esposa deseja preparar uma galinha para o jantar, e precisa queimar os canhões das penas; ela junta uma braçada de aparas, ateia-lhes fogo, e a chama que está queimando os canhões das penas também está incendiando a chaminé; daí se espalha para o telhado, e do telhado para o palheiro. Mil dólares em propriedade são destruídos por queimar descuidadamente os canhões das penas de uma galinha. Nossas esposas não costumam pensar nisso, tanto quanto não pensam quando permitem que seus filhinhos peguem frio, e o crupe, e depois a morte. ¶
Este povo, em suas noções a respeito da vida, é semelhante a todo o mundo. Trouxemos nossas tradições do mundo, mas desejamos aprender melhor, e livrar-nos de toda noção e prática falsa. Como vos disse outro dia, é impossível crer numa verdade que não esteja abrangida no "mormonismo", seja ela encontrada na educação mental ou nas ocupações físicas dos mortais, no refinamento espiritual dos Deuses, ou em colher frutos imortais de árvores que crescem nos campos elísios do Paraíso. "A vida que agora é" demanda mais imediatamente nossa atenção, e temo que muitos gastem suas vidas em vão. Há pessoas nesta comunidade que, se pudessem satisfazer sua própria vontade e possuir fartura de meios, não fariam mais um único dia de trabalho em suas vidas, a menos que fossem impelidas a isso. A tais pessoas se diz que deveriam devotar à utilidade o tempo de vida que agora têm; mas têm o suficiente, dizem, e não precisam ser úteis desempenhando trabalho algum. Isso é um engano. Ainda que eu possuísse milhões em dinheiro e propriedade, isso não me isenta de desempenhar o trabalho que é meu chamado desempenhar, na medida em que tenho força e capacidade, tanto quanto não isenta o homem mais pobre da comunidade. Quanto mais somos abençoados com meios, mais somos abençoados com responsabilidade; quanto mais somos abençoados com sabedoria e capacidade, mais somos colocados sob a necessidade de usar essa sabedoria e capacidade na disseminação da retidão, na sujeição do pecado e da miséria, e na melhoria da condição da humanidade. O homem que tem apenas um talento e o homem que tem cinco talentos têm responsabilidade de acordo com isso. Se temos um mundo de meios, temos um mundo de responsabilidade. Se temos uma eternidade de conhecimento, teremos uma eternidade de negócios a tratar e a ocupar cada partícula do conhecimento que nos foi concedido. ¶
Então, em vez de buscar o que o Senhor vai fazer por nós, indaguemos o que podemos fazer por nós mesmos, e a resposta será: Podemos fazer nossos próprios chapéus, toucas, sapatos e roupas, e podemos fazer o nosso próprio céu aqui embaixo; e se há algo que não possamos fazer agora, usaremos o que temos até podermos fazer mais. Tenho uma palavra de louvor para nossas irmãs. Já vi o mais belo tecido xadrez caseiro nesta cidade que já vi em qualquer país. Gostaria de vê-las usá-lo quando forem a festas, em vez de vestirem sedas e cetins. O tecido xadrez caseiro delas parecerá melhor a mim do que toda a seda e o cetim que puderem vestir. Mas, quando a irmã Susan consegue um belo vestido, então Betsy não vai à festa a menos que tenha um vestido tão bom quanto o de Susan; e Sarah precisa ter um tão bom quanto qualquer uma das outras, ou um pouco melhor. Talvez ela queira um pouco mais de galão, um trançado extra, alguma renda de inserção, ou algo para fazer um vestido melhor do que o de qualquer uma de suas irmãs; e assim desperdiçamos por uma coisa fútil as bênçãos que deveríamos, de outro modo, aprimorar. ¶
Cuidai da roupa que tendes. Não deixeis que a roupa de vossos filhos fique jogada no chão quando os despis à noite, mas ensinai vossos meninos e meninas, quando entram em casa, a encontrar um lugar para seus chapéus, capas e toucas, para que, quando precisarem deles, possam colocar as mãos sobre eles num instante. Quando tirarem as botas e os sapatos, que sejam deixados onde possam ser encontrados no escuro, para que, se as crianças forem obrigadas a levantar-se à noite, talvez em caso de incêndio, possam encontrar suas roupas, e não fiquem sob a necessidade de serem postas para fora nuas. Se uma pessoa consegue pôr a mão em sua roupa, pode vestir-se no escuro. Associo a necessidade à conveniência. Espero que jamais estejamos sob a necessidade de fugir de debaixo de um telhado em chamas, seja de noite ou de dia. Que haja "um lugar para cada coisa, e cada coisa em seu lugar." ¶
Creio em condescender com as crianças, de modo razoável. Se as meninas querem bonecas, devem tê-las? Sim. Mas devem ser levadas à costureira para serem vestidas? Não. Que as meninas aprendam a cortar e costurar a roupa de suas bonecas, e em poucos anos saberão fazer um vestido para si mesmas e para outras. Que os meninos tenham ferramentas, e que façam seus trenós, carrinhos, etc.; e quando crescerem, estarão familiarizados com o uso de ferramentas e poderão construir uma carruagem, uma casa, ou qualquer outra coisa. Quando virmos os meninos ou meninas inclinados nesta direção, encorajemo-los e usemos todos os meios ao nosso alcance para dirigir suas mentes na direção certa para o resultado mais útil. ¶
A leitura de romances — é proveitosa? Prefiro que as pessoas leiam romances a que não leiam nada. Há mulheres em nossa comunidade, de vinte, trinta, quarenta, cinquenta e sessenta anos de idade, que prefeririam ler um romance frívolo e mentiroso a ler história, o Livro de Mórmon, ou qualquer outro material útil impresso. Tais mulheres não valem o espaço que ocupam. De nada adiantaria eu dizer: Não os leiais; continuai a lê-los, e absorvei o espírito de mentira em que são escritos, e continuai a mentir até vos encontrardes no inferno. Se de algo adiantasse, eu vos aconselharia a ler livros que valham a pena; lede história confiável, e buscai sabedoria nos melhores livros que puderdes obter. Como eu me alegraria se nossos jovens fizessem isso, em vez de continuamente estudar tolices. E, além disso, que os rapazes de dez a vinte anos formem escolas para aprender esgrima, exercícios com mosquete e rifle, e, em suma, toda arte da guerra. Precisaremos deste conhecimento? Não importa; é bom estar familiarizado com este tipo de exercício. Que algumas escolas sejam iniciadas por aqueles que são capazes de ensinar as ciências. A ciência da arquitetura, por exemplo, é digna da atenção de todo estudante. Proporciona uma grande quantidade de prazer genuíno ser capaz de entender os grandes desenhos arquitetônicos daquelas magníficas estruturas espalhadas pela Europa e outros países. ¶
Aprendei tudo o que puderdes. Aprendei a criar bezerros, galinhas, cordeiros, e toda espécie de aves e animais úteis; aprendei a lavrar a terra da melhor maneira para cultivar todos os produtos úteis do solo; e aprendei a fabricar melaço e açúcar da cana-de-açúcar. Cultivai linho, maridos, e deixai vossas esposas aprenderem a fabricar linho fino. Na guerra de 1812, o algodão subiu de preço de cinco a onze centavos por libra; agora está de trinta e cinco a sessenta e três centavos por libra na cidade de Nova York. Que faremos quanto ao nosso tecido de fábrica? Temos de fazê-lo. Estou vendendo tecido de algodão aos que trabalham para mim pelo mesmo preço pelo qual agora o vendem em St. Louis e Nova York. Qual será o preço, com o tempo, à medida que as circunstâncias vão se moldando na nação? ¶
Se o que agora disse a respeito das coisas temporais for fielmente posto em prática, conduzirá à nossa independência como povo, e ao nosso conforto e felicidade como indivíduos. ¶
Que Deus vos abençoe! Amém. ¶