Pulpit

Cobiça—Labores dos Élderes—Missão para Formar um Povoado no Sul—Murmuração

George A. Smith

1861-10-20

Considero um privilégio distinto conferido a mim, sempre que tenho a oportunidade de me levantar nesta congregação e falar a meus irmãos e irmãs. O Sacerdócio que o Senhor conferiu sobre minha cabeça por meio de seu servo, e que em sua abundante misericórdia ele me capacitou até aqui a magnificar, é minha alegria, meu tema, e os pensamentos e reflexões de minha alma são como e por quais meios posso, da melhor maneira possível, honrar todas aquelas bênçãos e ordenações que foram conferidas sobre minha cabeça. É e sempre foi, desde que entrei nesta Igreja, meu desejo ser achado entre aqueles que são valorosos pela verdade.

A luz da plenitude do Evangelho eterno que, por meio da voz dos servos de Deus nos últimos dias, chamados por instrumento de Joseph Smith o Profeta, foi feita brilhar ou cintilar em toda parte da terra, me dá alegria. Ainda está brilhando, e capturou a atenção de milhares que agora estão aqui neste Território, e os fez vir a Sião com o propósito de adorar a Deus sob a instrução dos Profetas, para que pudessem aprender mais plenamente a mente e a vontade do Céu, e as ordenanças do Evangelho necessárias para os vivos e os mortos.

"E acontecerá nos últimos dias," diz o Profeta, "que o monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes, e se exalçará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine acerca dos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor." -- Isaías, cap. 2, versículos 2 e 3.

É para esse propósito, para que possamos ser ensinados nos caminhos do Senhor, e para que possamos andar em suas veredas, que nos coligamos de quase toda nação debaixo do céu.

Compreende-se bem que a raça humana tem sido tradicionada ao extremo máximo que a tradição poderia possivelmente ser impressa no peito humano, na prática da cobiça; a adoração do dinheiro, o amor pelos bens terrenos, o desejo de possuir propriedade, de controlar riqueza, foi plantado no peito, alma e coração de quase todo homem no mundo de geração em geração. Tem sido a grande Divindade governante, e o objeto adorado por todo o mundo cristão. Encontrou seu caminho no púlpito, no mosteiro, no claustro, e em todo departamento da vida. Nenhum homem parece desejar um cargo, ou é chamado a cumprir um cargo para o bem público, sem que a primeira coisa a considerar seja, Quanto pagará? Quanto podemos ganhar? "Há dinheiro nisso?" O deus deste mundo tem domínio sobre as almas dos homens em extensão ilimitada. Que um Élder vá entre eles pregar sem bolsa nem alforje, e lhes diga isso, e imediatamente dirão, "Podemos crer muito melhor em vossa religião do que podemos crer que vindes pregar sem ter vosso salário pago. Ora, a suposição é ridícula; não penseis nos encher com tal doutrina."

Com essas tradições firmemente impressas em nossa mente, fomos coligados, e trouxemos conosco nossa escolaridade e noções que absorvemos enquanto na escola; mas com todas essas coisas trouxemos conosco um sentimento em nossa alma de edificar Sião, e de ser fiéis em todas as coisas enquanto permanecermos nesta vida, para que possamos herdar bênçãos na vida que há de vir. Viemos aqui inspirados com o sentimento de despertar em nosso peito um desejo ilimitado de trabalhar para edificar Sião, e esse desejo existe em muitos Élderes. Alguns dos irmãos desejaram ir a diferentes partes da terra pregar o Evangelho, parte deles por fazer disso uma questão de lucro: sim, homens que foram ordenados ao Sacerdócio ousarão perguntar quanto podem ganhar de uma Missão, quando seu negócio é trabalhar para edificar o reino de Deus. Esse sentimento de especulação foi tão longe a ponto de absorver a atenção dos homens no ministério, de modo que onde quer que fossem cobraram penosas contribuições do povo, e parece ter sido a primeira coisa sobre a qual planejaram, e que cada passo que deram foi com vistas a uma recompensa em ouro! Em alguns casos os pobres foram taxados, aqueles a quem o Evangelho deveria ter sido pregado gratuitamente, sem dinheiro e sem preço, para fornecer dinheiro que gratificasse a ambição que reinava no peito de certos Élderes; espero que não sejam muitos, mas há alguns exemplos, sem dúvida.

Por outro lado, os Élderes que permaneceram em casa desde que a Igreja foi expulsa do condado de Jackson, e que continuaram a cultivar e realizar diferentes serviços em seus negócios, de forma alguma foram espectadores ociosos, mas foram pilares na Igreja. Pois assim que a Igreja foi organizada, Bispos, Conselheiros e Mestres foram necessários para dar conselho e presidir os assuntos temporais da Igreja, sustentando assim o reino; e enquanto esses e muitos outros Élderes não têm sido conspícuos como Élderes viajando ao exterior, ainda assim têm sido pilares em casa na construção e edificação do reino de Deus na terra.

Enquanto levamos isso em consideração, revisaremos novamente, por um momento, os atos presentes dos Élderes em geral, pois muito poucos de todo o corpo dos Élderes podem ser apontados como tendo realizado uma grande obra num lugar particular. O que o mundo chama de ter realizado uma grande obra, ou grandes coisas, é algo diferente do tipo de obra que se espera que os Élderes nesta Igreja realizem. Por exemplo, diz-se que Santo Patrício foi à Irlanda e baniu todos os sapos e rãs, e depois converteu toda a Irlanda, e que não apenas converteu o povo, mas o melhor de tudo é que a maior parte deles permanece firme na fé do catolicismo até hoje.

Há alguns Élderes que batizaram seus milhares, e um relato pode ser encontrado nos registros da Igreja de alguns que foram em Missões e batizaram suas centenas; mas, de modo geral, é difícil encontrar mais do que poucos que foram muito distintos nesse aspecto. Trabalho constante, diligência e humildade podem, e de fato reúnem muitos; são batizados e recebem a plenitude do Evangelho. Mas apenas uma parte daqueles que abraçaram o Evangelho sob os auspícios desses Élderes bem-sucedidos tiveram fé e energia suficientes para se coligar com os Santos, tomando parte em ajudar a edificar Sião. Com o tempo ocorre a subdivisão, e o povo se espalha para a direita e para a esquerda, formando novos povoados por todo este grande deserto. Desse modo a obra alcançou sua posição presente, e o reino está sendo edificado. É como o trabalhador com sua pá e carrinho de mão, que começa numa grande colina e escava, e por fim a leva embora. Bem, diz o transeunte, isso é negócio pequeno; mas com o tempo passais por ali de novo e a colina foi removida, e uma bela cidade está em seu lugar.

Os Élderes estão firme e silenciosamente operando pela disseminação da verdade e pelo avanço do reino de Deus, e antes que o mundo se dê conta, suas dinastias apodrecidas e governos corruptos serão minados e se desfarão em pó. Observai uma abelha, ela leva um pouco de mel à colmeia, e continua a fazê-lo semana após semana e mês após mês, e acumula uma reserva da mais deliciosa substância terrena e do mais escolhido das doçuras da terra, e este é o resultado da pequena e diligente abelha. É assim, e deveria ser assim, com os Élderes em Sião. Não é que se exige de nós fazer e realizar tudo num minuto, mas usando os minutos para fazer as pequenas coisas que estão ao nosso alcance, e nos esforçando sempre por fazê-las corretamente. Sião silenciosamente estende suas cortinas, fortalece suas estacas, e alonga suas cordas, e assim continuará até que sua sabedoria, sua influência, e seu poder circundem o globo. Quem está fazendo isso? O Senhor o está fazendo e é maravilhoso a nossos olhos. Mas em tudo isso temos de lutar contra nossa tradição, temos de lutar contra o deus deste mundo -- o amor ao dinheiro --, contra nossa cobiça, e temos de lutar acima de tudo contra nossa ignorância. Os homens podem se sentar na congregação e ser ensinados pela Presidência; sim, ser ensinados nas lições mais fáceis já ensinadas, ano após ano, e esses ensinamentos parecem não lhes causar impressão alguma. Essas valiosas instruções são, para muitos, como pérolas lançadas diante dos porcos. Novamente há vários de nossos irmãos que tiveram de ir aos Estados e à Califórnia, para ver a diferença entre o reino de Deus e os reinos do Diabo. Depois, alguns anos depois, voltam e dizem, bem, declaro que nunca vi as coisas em tal condição antes, quão mau o mundo está se tornando agora comparado a como era antes de eu entrar na Igreja. Temos outra classe de homens que podem ir às reuniões de ala e dizer que trabalhariam para edificar o reino, e até mesmo construir uma cidade sobre uma rocha, e cultivar em terra nua, e se estabelecer nos mais altos picos, se assim fossem aconselhados. Mas há extremos de expressão e pensamento. Ir adiante e pregar o Evangelho, ensinando fé, arrependimento, e batismo para a remissão dos pecados, e contender contra os argumentos apresentados pelo mundo gentio, tem sido e continua a ser um dos empregos mais louváveis no reino de Deus, mas um homem comparativamente ignorante pode fazê-lo. Não são os eruditos, nem os sábios que o Senhor chamou para fazer isso, mas o contrário; ele chama as coisas fracas deste mundo para confundir os sábios e os poderosos. Isso me lembra uma história que o Bispo Hardy conta sobre Luke Johnson. Quando foi pregar o Evangelho em Massachusetts, estava vestido de modo simples, suas calças estavam presas por tiras até suas botas de couro, porque não eram compridas o bastante. Um homem disse, viste o mórmon? Não, foi a resposta, viste tu? Sim, disse o homem, vi um e o ouvi pregar, e ele disse, "o Senhor chamou as coisas fracas deste mundo para confundir os sábios e poderosos, e por poderoso pensei que fosse assim." Passou-se pouco tempo até que o único argumento usado contra esta doutrina fosse a lei da turba, um tumulto na reunião, uma camada de alcatrão e penas, uma chuva de lama ou a tocha acesa.

O homem que exerce seu poder, sua influência e entendimento para guiar Sião em casa, para desenvolver nossos recursos, para moldar, dobrar, e tornar úteis os elementos e facilidades que jazem adormecidos nestas colinas circundantes, tem de possuir sabedoria superior, um grau maior de conhecimento; e o Espírito Santo influencia os líderes desta Igreja, aqueles que são chamados a atuar como Fideicomissários, ou em qualquer outro departamento dos assuntos internos de Sião. Requer-se de nós buscar sabedoria nos melhores livros, para que um fundamento seja lançado e todas as coisas devidamente preparadas para o grande futuro, para que nossas instituições possam ser tornadas permanentes e autossuficientes, para que todas as coisas possam ser devidamente conduzidas, segundo a mente e vontade do Céu. É nesse aspecto que os líderes do povo chamado Santos dos Últimos Dias têm se mostrado os sábios homens da terra, e é nesse aspecto, também, que grande parte do povo tem falhado em ver a grandeza e magnificência dos Conselhos da Primeira Presidência, mas se permitiu permanecer na ignorância e estupidez.

Presumo agora que, ao falar no presente momento, estou me dirigindo a uma parte considerável daqueles irmãos que foram chamados a fortalecer as estacas de Sião nas fronteiras sul de nosso Território. Sendo os Doze chamados a atuar na organização desta Missão, isso me fez cair em companhia de um número considerável desses irmãos que são aconselhados a ir para o sul e cultivar algodão, e posso perceber em grande medida os sentimentos que existem no peito de alguns deles. Um homem que veio a este Vale para fazer de Sião seu lar, se pôs a trabalhar e por incansável laboriosidade se cercou de conforto, e provavelmente de riqueza e abundância dos bens deste mundo; ele pode se proclamar um Élder em Israel que está pronto para qualquer coisa. Tal homem iria às montanhas para cercar o caminho de nossos inimigos, iria ao exterior pregar o Evangelho, e de fato se descobrirá constantemente chamado a ajudar a estabelecer Sião.

A palavra da Presidência é, irmãos, é necessário fortalecer a fronteira sul de nosso próspero Território, e isso é para o bem geral de todos. Ora, ide para o sul e cultivai algodão e sereis mais abençoados do que jamais fostes anteriormente, e sabei que ao fazer isso estais fazendo vossa parte para edificar Sião. Mas alguns não sentem assim. Ora, já vi rostos ficarem tão longos quanto o rosto de um pastor sectário, comparativamente falando; já vi doenças aparecerem em homens que até então haviam sido considerados saudáveis, e isso assim que ouviram que eram desejados para realizar alguma missão desagradável. Às vezes debati o caso, e tentei persuadi-los, quanto a esta missão, de que lhes faria bem. Ah, mas responderão, sempre fui doente em país quente. Bem, eu lhes disse, podemos, no país do algodão, em poucas horas de viagem, dar-vos qualquer clima, do tórrido ao frígido. Mas essa não é a dificuldade. Esta missão do algodão desperta sentimentos de cobiça, pois deve-se lembrar que as perspectivas para uma grande fazenda não são muito boas ali. Podemos fazer mais aqui; podemos obter mais riqueza e progredir mais depressa se ficarmos aqui, do que cultivando algodão no condado de Washington. E de fato alguns dos irmãos se sentem desanimados quanto a ir para o sul cultivar algodão, anil, e outros artigos que não podemos cultivar nesta parte do Território. Um irmão veio ao escritório outro dia e se voluntariou para ir ao país do algodão, no sul, depois voltou no dia seguinte e disse que havia se apressado demais ao se voluntariar, que não tinha roupas suficientes para vestir. Disse-lhe que era muito mais quente naquele país do que neste, e consequentemente ele poderia se virar com menos roupa. Mas ele sentia que devia ir trabalhar e obter mais roupa para sua família antes de poder ir. Respondi que considerava que a melhor coisa que ele poderia fazer era cultivar um quarto de acre de algodão. Mostrei-lhe um pano que minha esposa vinha fiando e tecendo. Então ele disse que sua esposa não sabia como. Disse-lhe que a minha também não sabia até aprender.

Coube-me tomar parte no início de povoados na porção sul deste Território; ajudei a povoar o país desde o distrito algodoeiro no condado de Washington até a montanha de Utah. Costumava ser quase tanto trabalho conseguir que um homem fosse ao condado de Iron quanto foi para Jetta Bunyan em O Progresso do Peregrino levar pobres cristãos ao céu. Quando os punha a caminho do sul, encontravam em todo povoado ao longo da estrada homens que os desencorajariam dizendo, "Ides para um país pobre, ah quanta pena sinto por vós, morrereis de fome naquele país miserável, aqui há um bom pedaço de terra bem perto de mim, é melhor pararem, posso vender-vos todo o grão que quiserdes para semente e para comer; ides para longe do mundo." Desse modo centenas dos que foram aconselhados a ir para o extremo sul foram detidos no condado de Utah, ou desviados de cumprir o que se desejava deles. Quando conduzi a primeira companhia a Parowan, alguns dos irmãos insistiram que não havia capim suficiente para manter seu gado durante o inverno, quando na realidade havia abundância de forragem para milhares de cabeças, e em poucas semanas mal reconheciam seu próprio gado, tanto haviam melhorado. Esses incidentes têm sido uma lição para mim, e senti que queria pregar aos irmãos sobre o assunto de ir para o sul. Estamos indo para lá cultivar algodão, e a Presidência quer que os homens chamados para esta Missão lhe dediquem sua atenção indivisa.

Há alguns que sempre se permitiram o indulgência de resmungar e encontrar falhas sempre que lhes aprouve. Isso é muito errado. Um espírito de encontrar falhas é inimigo de vossa paz e conforto, e também da felicidade daqueles ao vosso redor. É uma chave para vossa destruição. É assim em nossos assuntos internos, quando ides ao exterior e exerceis essa influência entre o povo, semeais um espírito de dissensão no meio de Israel. Se tendes uma porção de Sacerdócio sobre vós, o desonrais ao fazer isso. Se fostes batizados para a remissão dos pecados, desonrais esse batismo ao fazer isso. Alguns resmungarão e brigarão, até entrarem em sociedade com Satanás para se oporem ao reino, perderem o Espírito e negarem a fé. É negócio de Satanás se opor aos Santos, mas aqueles que professam ser Santos deveriam trabalhar pelo bem do reino de Deus.

Os povoados do sul foram a princípio considerados bastante ordeiros, mais do que alguns dos mais próximos desta cidade, mas na primavera de 1858, houve um influxo da Califórnia de grande número de pessoas, que haviam ido para lá porque não estavam contentes em viver neste país, e que não podiam desfrutar da liberdade que havia aqui. Muitos deles foram à Califórnia para enriquecer, mas veio sobre alguns deles um espírito de que o Senhor ia destruir todos os gentios, e que se viessem para cá por um tempo poderiam voltar depois que os gentios fossem mortos, e encontrar melhores minas, e muitos outros pensavam que seus irmãos estavam em dificuldade, e que, se não pudessem viver o mormonismo, lutariam por ele de qualquer maneira. Várias centenas de pessoas vieram para os condados do sul sob essas e semelhantes influências, e pretendiam ficar, sem dúvida, até que a vingança passasse e os gentios fossem varridos da terra, então alguns pensavam que poderiam voltar e manter uma taverna. Um homem que estivera entre os gentios e servido ao Diabo por vários anos, viria a este Território e esperaria ser tão respeitado quanto aqueles que ficaram em casa e cuidaram de seus próprios negócios e trabalharam pelo bem do reino, quando já era o máximo que um Élder que ficara em casa e ajudara a edificar Sião podia fazer, reter o Espírito do Senhor e magnificar seu chamado. Desse modo havia resmungos, e uma espécie de influência atrevida espalhada por todos os povoados. Vimos muito disso aqui, mas onde os povoados eram pequenos, uma influência desse tipo se enraizava mais profundamente e tinha um efeito muito mais poderoso. O espírito de avareza não foi gratificado, o Senhor não havia designado eliminar os ímpios para agradar a alguns mórmons avarentos. Ele designou que aqueles que professavam ser Santos vivessem vidas boas e retas, e exercessem uma influência santa sobre os filhos dos homens, para que todos os que amassem a verdade pudessem ser convertidos e salvos no reino de Deus. Assim que isso ficou claro, muitos voltaram novamente.

Irmãos, vós que estais indo daqui tendes o hábito de ouvir o Presidente, domingo após domingo, e onde tendes sido considerados exemplos, ali atuastes como Bispos, Sumos Sacerdotes, Setenta, Élderes, ou Mestres, e vosso exemplo deveria ser bom e digno de imitação. Muitos Élderes foram chamados a ir nesta Missão para cultivar algodão, e deveriam se considerar tanto numa Missão quanto se estivessem entre as nações pregando o Evangelho. Aconselho todo homem a fortificar sua mente contra se tornar como Satanás em acusar os irmãos, ou em resmungar, em encontrar falhas em palavra, em pensamento, ou em vosso coração. Se a Missão fosse ir construir uma cidade sobre uma rocha, meu conselho seria, ide adiante, pois se não escolhêsseis fazer isso teríeis a chance de escolher um fundamento de areia, o que não seria apropriado nem benéfico.

Desejo falar aos irmãos sobre este princípio de encontrar falhas. Se estamos dispostos a encontrar falha com o Bispo, com nossas esposas, com nossos vizinhos, com o Sacerdócio, e as autoridades gerais da Igreja, teremos todas as influências de Satanás necessárias para nos ajudar a realizar nosso desígnio. Aqueles que praticam essas coisas logo estarão cheios do inferno e terão bastantes demônios para ajudá-los a levá-lo adiante. Sois chamados a ir e edificar uma cidade e vilarejos para uma estaca de Sião.

Quando primeiro chegastes aqui, caístes num deserto, pusestes-vos a trabalhar e o fizestes florescer como a rosa. Então, tendo feito isso, tendes de ir a outros lugares e fazê-los florescer também. Tendes de traçar as ruas, fazer cercas, e construir casas, e fazer tudo o que tornará uma cidade agradável, prazerosa, e convidativa. Podemos nos levantar em nossa reunião e cantar --

"As cidades de Sião logo hão de se erguer." mas como se erguerão? Vamos construí-las, de modo que se erguerão muito acima das nuvens; e para realizar isso vamos construí-las nas altas montanhas. Não vamos apenas cantar sobre construí-las, mas vamos fazer o trabalho necessário para realizar nossos desígnios.

Ora, não desejo que um único homem sequer vá até lá para realizar este serviço que não possa ir de todo coração. Se tem uma casa esplêndida, um moinho, ou fazenda, ou máquina de cardar nesta parte do Território e seu coração está posto nisso, sua alma estará aqui. Será como alguns Élderes que são enviados à Inglaterra em missões; dizem "sim, irei e pregarei," mas quando lá chegam é, "Ah, se eu apenas estivesse em casa." Se eu presidisse tal homem, o mandaria para casa, para que eu pudesse me livrar da influência envenenadora de sua companhia. Quero um homem que vai numa Missão dizer, esposa, filhos, o Senhor vos deu a mim, irei e cumprirei meu dever, e assim mostrarei a ele e a todos os homens que sou digno de vós.

Neste caso, a Missão para a qual sois chamados, irmãos, é edificar uma cidade; ela requer esposas, filhos, maquinaria, artesãos, tudo o que é calculado para acrescentar ao conforto e felicidade dos cidadãos de uma cidade. Não vamos ficar por muito tempo isolados de nossos irmãos, mas vamos ajudar a edificar Sião. Queremos todo melhoramento necessário e importante, e se construirmos uma linha telegráfica daqui até Santa Clara, não custará mais do que cinquenta mil dólares. Mas não precisais temer deixar a sede, pois embora não possamos todos viver na sede, esperamos que a sede esteja conectada com toda parte do mundo, e quando Sião não for grande o bastante para nós, o Senhor estará disposto a estendê-la de modo a fazer espaço para seus Santos. Ah, diz um irmão, estou perfeitamente disposto a ir, mas entendo que devemos cultivar apenas três acres de terra cada um, e eu cultivo trinta em casa. Lembrai-vos de que o Senhor disse que é negócio dele prover para seus Santos, portanto se cultivarmos uma pequena fazenda quando isso nos for exigido, ele nos dará uma grande, pois há bastante terra nas mãos daqueles que não o respeitam, e se formos fiéis podemos esperar ser feitos governantes sobre muitas coisas.

Quero que nossas irmãs que são chamadas a ir com seus maridos cultivem um espírito de júbilo, alegria e satisfação, e sintam prazer em ir. Deveriam sentir que são honradas ao serem chamadas a ir edificar as cidades de Sião. Este é o conselho que dou aos irmãos e irmãs sobre este assunto, e não quero que os californianos nos povoados do sul digam, irmão George A., é este um exemplo dos resmungões de Salt Lake City? Podem nos superar, nós que estivemos na Califórnia, em murmuração, pois embora preferíssemos viver aqui a qualquer outro lugar, deveríamos disciplinar nossa mente para viver onde possamos ser mais úteis à causa de Sião. Deveríamos manifestar nosso júbilo por termos tido o alto privilégio de ajudar a ampliar as fronteiras de Sião, para os inspirar com um espírito de fidelidade e laboriosidade. Fiquei satisfeito quando o irmão Spencer me pediu para falar.

Que as bênçãos do Deus de Israel repousem sobre todos vós. Amém.

Como citar este discursoGeorge A. Smith, “Cobiça—Labores dos Élderes—Missão para Formar um Povoado no Sul—Murmuração”, (1861-10-20). Pulpit Vault, 1861-10-20-smith-covetousness-labors-of-the-elders-mission-to-form-a-southern-settlement-grumbling. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).