Pulpit

Sacerdócio

Brigham Young

1861-05-07

Para chegarmos a um entendimento correto — para vermos face a face — é necessário que sejamos instruídos, para que sejamos operários que não precisem envergonhar-se diante de Deus e de seus santos anjos. Oro continuamente por vós, para que a sabedoria de Deus repouse sobre vós e sobre todos os seus Santos. Alegro-me com o privilégio de reunir-me convosco e posso dizer, segundo o melhor de meu conhecimento, que há um grande progresso no meio dos Santos: eles estão crescendo em entendimento. A pequena dificuldade aparente que pareceis ter aqui não é dificuldade alguma. No início desta Igreja, e por anos depois, se quatro homens tivessem sido designados para viver na condição de uma vizinhança, teria havido mais dificuldade real num só mês do que houve nesta Ala desde que o irmão Miller é seu Bispo. Isso prova que o povo está aprendendo a deixar as coisas em paz quando não sabe se são certas, e a esperar até saber o que é certo. Esta é uma grande lição a aprender. É também um dom precioso, que algumas pessoas parecem possuir, ter conhecimento suficiente para não falar até que possam dizer algo de proveito e benefício para si mesmas, ou para outros, ou para ambos.

As instruções de que alguns de vós precisais aqui, presumo, seriam boas para todos. Nem sempre é fácil para as pessoas entenderem a verdadeira posição que realmente ocupam diante de Deus e diante de seus irmãos. As pessoas parecem não entender plenamente sua posição e os deveres que são chamadas a cumprir; mas quando uma pessoa chega ao entendimento, ela não erra o caminho. Há tantas características na vida das pessoas que possuem o Sacerdócio que, por onde quer que o toqueis, não podeis tocá-lo erradamente; e se o conheceis e entendeis, isso é para vós uma fonte de grande satisfação, ao passo que os que não entendem permanecem ainda nas trevas.

Quando o irmão Miller esteve na reunião dos Setenta na cidade, no sábado de há uma semana, fiz algumas observações sobre os pontos de doutrina que temos diante de nós, e o escrivão anotou algumas delas. Tomei, creio, o teor dessas observações e publiquei-as no News da semana passada. Declarei então e ali que um Bispo, em seu Bispado, não pode julgar nenhum indivíduo por erro de doutrina. Refletindo sobre isso, permiti-me perguntar: como entendemos a doutrina? Por revelação. Quais são os privilégios de um Bispo? Tem ele o privilégio da administração de anjos? Sim; isso pertence ao Sacerdócio menor. Tem ele o privilégio de usar o Urim e Tumim? Sim. O peitoral de Arão de que ledes nas Escrituras era um Urim e Tumim, fixado em arcos semelhantes ao que Joseph Smith encontrou. Arão usava esse Urim e Tumim sobre o peito e olhava para dentro dele como quem olha para um espelho, e ali obtinha a informação de que necessitava. Esta terra, quando for purificada e santificada, ou celestializada, tornar-se-á como um mar de vidro; e uma pessoa, olhando para dentro dela, poderá saber coisas passadas, presentes e futuras; ainda que somente os seres celestializados possam desfrutar desse privilégio. Eles olharão para dentro da terra, e as coisas que desejam saber lhes serão mostradas, do mesmo modo que o rosto é visto ao olhar-se num espelho.

O ofício de Bispo pertence ao Sacerdócio menor. Ele é o oficial mais alto do Sacerdócio Aarônico, e tem o privilégio de usar o Urim e Tumim — tem a administração de anjos, se tiver fé e viver de modo a poder receber e desfrutar todas as bênçãos que Arão desfrutou. Ao mesmo tempo, poderia Arão levantar-se e dizer: "Tenho tanto poder e autoridade quanto tu, Moisés?" Não; pois Moisés detinha as chaves e a autoridade acima de todos os demais sobre a terra. Ele detém as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque, que é o Sacerdócio do Filho de Deus, o qual detém as chaves de todos esses Sacerdócios, dispensando ao povo as bênçãos e os privilégios de ambos os Sacerdócios, como fez nos dias dos filhos de Israel quando os tirou do Egito. Este Sacerdócio esteve sobre a terra em várias ocasiões. Adão o teve, Sete o teve, Enoque o teve, Noé o teve, Abraão e Ló o tiveram, e foi transmitido até os dias dos Profetas, muito depois dos dias dos antigos. Mas o povo não quis receber os Profetas, e sim os perseguiu, apedrejou-os e expulsou-os de suas cidades, e eles tiveram de vaguear pelo deserto e fazer de covas e cavernas suas moradas. Os filhos de Israel nunca receberam o Sacerdócio de Melquisedeque; entraram em cativeiro para desfrutá-lo em parte, mas jamais receberiam em plenitude todos os seus privilégios e bênçãos, até que Jesus viesse, e mesmo assim apenas poucos deles o receberiam. Este Sumo Sacerdócio governa, dirige, rege e controla todos os Sacerdócios, porque é o mais elevado de todos.

Que ordenação deve um homem receber para possuir todas as chaves e poderes do Santo Sacerdócio que foram entregues aos filhos de Adão? Ele deve ser ordenado Apóstolo de Jesus Cristo. Esse ofício o coloca na posse de toda chave, todo poder, toda autoridade, comunicação, benefício, bênção, glória e reino que já foi revelado ao homem. Isso pertence ao ofício de Apóstolo de Jesus Cristo. No News da semana passada publiquei uma parte de uma revelação, mostrando a autoridade da Primeira Presidência da Igreja, composta a princípio por Joseph Smith, Sidney Rigdon e Frederick G. Williams. Quando essa revelação foi dada, os dois últimos irmãos mencionados eram conselheiros de Joseph Smith, e essa Primeira Presidência possuía o poder e a autoridade de edificar o reino de Deus sobre toda a terra e de colocar a Igreja em ordem em sua perfeição. Ledes na revelação aludida que, quando os Doze foram chamados e ordenados, possuíam o mesmo poder e autoridade que os três Primeiros Presidentes; e, lendo mais adiante, verificais que devem necessariamente existir apêndices e auxílios decorrentes deste Sacerdócio. Os Setenta possuem o mesmo poder e autoridade; detêm as chaves de estabelecer, edificar, regular, ordenar e colocar em ordem o reino de Deus em todas as suas perfeições sobre a terra. Temos um Quórum de Sumos Sacerdotes, e há muitos deles. Eles constituem um corpo local — permanecem em casa; mas os Setenta viajam e pregam; assim também fazem os Sumos Sacerdotes, quando chamados. Possuem precisamente o mesmo Sacerdócio que os Setenta, os Doze e a Primeira Presidência possuem; mas estão eles ordenados a oficiar em toda a autoridade, poderes e chaves deste Sacerdócio? Não, não estão. Ainda assim, são Sumos Sacerdotes de Deus; e se magnificarem seu Sacerdócio, receberão em algum momento toda a autoridade e poder que é possível a um homem receber.

Suponde que Sidney Rigdon e Frederick G. Williams tivessem sido retirados ou tivessem apostatado, como um deles o fez logo depois de dada a revelação a que me referi, e que houvesse restado somente Joseph Smith da Primeira Presidência: teria ele sozinho autoridade para colocar em ordem o reino de Deus sobre a terra? Sim. Novamente: suponde que onze dos Doze tivessem sido retirados pelo poder do Adversário; aquele um Apóstolo tem o mesmo poder que Joseph tinha, e poderia pregar, batizar e colocar em ordem todo o reino de Deus sobre a terra, tanto quanto os Doze, estivessem todos reunidos. Novamente: se, na providência de Deus, Ele permitisse que o Inimigo destruísse esses dois primeiros Quóruns, e depois destruísse o Quórum dos Setenta, todos menos um homem, qual seria o poder deste? Seria o de ir e pregar, batizar, confirmar, impor as mãos, ordenar, colocar em ordem, edificar e estabelecer todo o reino de Deus como ele é agora. Podemos ir ainda mais além? Sim; e creio que vereis a razão disso, e quão fácil é de entender, e vereis a propriedade disso. Realmente creio, e é minha doutrina, que se falo aos irmãos pelo poder do Espírito de meu chamado, as evidências são recomendadas aos que ouvem, e as razões eles as veem no espírito das observações que faço. Suponde que o Inimigo tivesse poder para destruir todos os Sumos Sacerdotes da face da terra, menos um: que possuiria esse único no poder de seu Sacerdócio? Ele teria poder e autoridade para ir e pregar, batizar, confirmar, ordenar e colocar em ordem o reino de Deus em toda a sua perfeição sobre a terra. Poderia ele fazer isso sem revelação? Não. Poderiam os Setenta? Não. Poderiam os Doze? Não. E perguntamos: poderiam Joseph Smith ou a Primeira Presidência fazer isso sem revelação? Não; nenhum deles poderia realizar tal obra sem revelação direta de Deus. Posso ir ainda mais longe. Todo aquele que é ordenado ao ofício de Élder possui, até certo grau, as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque; e suponde que apenas um Élder restasse sobre a terra — poderia ele colocar em ordem o reino de Deus? Sim, por revelação.

Como surgiram esses Apóstolos, esses Setenta, esses Sumos Sacerdotes, e toda esta organização de que agora desfrutamos? Vieram por revelação. O Pai Cahoon, que faleceu recentemente em vossa vizinhança, foi um dos primeiros homens ordenados ao ofício de Sumo Sacerdote neste reino. No ano de 1831, o Profeta Joseph foi para Ohio. Deixou o Estado de Nova York no fim de abril, se minha memória não me falha, e chegou a Kirtland em algum momento de maio. Realizaram uma Conferência Geral, a primeira Conferência Geral já convocada ou realizada em Ohio. Joseph então recebeu uma revelação e ordenou Sumos Sacerdotes. Ledes no Livro de Doutrina e Convênios como ele recebeu o Sacerdócio em primeiro lugar. Ali se declara como Joseph recebeu o Sacerdócio Aarônico. João Batista veio a Joseph Smith e Oliver Cowdery. Quando uma pessoa passa para além do véu, ela só pode oficiar no mundo espiritual; mas, quando é ressuscitada, oficia como ser ressuscitado, e não como ser mortal. Ledes na revelação que Joseph foi ordenado, tal como está escrito. Quando recebeu o Sacerdócio de Melquisedeque, teve outra revelação. Pedro, Tiago e João vieram a ele. Podeis ler a revelação com vagar. Quando recebeu essa revelação em Kirtland, o Senhor lhe revelou que deveria começar a ordenar Sumos Sacerdotes; e ele então ordenou um bom número deles, cujos nomes todos não recordo agora; mas Lyman Wight foi um; os Pais Cahoon e Morley, John Murdock, Sidney Rigdon, e outros também foram então ordenados. Estes foram os primeiros a serem ordenados a esse ofício na Igreja. Relato isso para vos mostrar como Joseph procedeu passo a passo na organização da Igreja. Naquela época não havia Setenta nem Doze Apóstolos.

Há vinte e sete anos, no dia 5 deste mês, no ano de 1834, uma companhia partiu de Kirtland para redimir a terra de Sião. O irmão Heber C. Kimball e meu irmão Joseph estavam naquele acampamento. Não havia então sido ordenado nenhum dos Doze Apóstolos, nem nenhum dos Setenta, embora já houvesse uma revelação referente aos Apóstolos e Setenta. Havia Sumos Sacerdotes, mas não havia Quórum de Sumos Sacerdotes. Relato isso como um pequeno fato histórico que sem dúvida será interessante para os que não estavam lá.

Depois que voltamos do Missouri, meu irmão Joseph Young e eu havíamos cantado após pregarmos numa reunião; e quando a reunião foi encerrada, o irmão Joseph Smith disse: "Vinde, descei comigo até minha casa." Fomos e cantamos-lhe por longo tempo, e conversamos com ele. Ele então abordou o assunto dos Doze e dos Setenta pela primeira vez em que jamais pensei nisso. Disse ele: "Irmãos, vou chamar Doze Apóstolos. Penso que nos reuniremos, com o tempo, e selecionaremos Doze Apóstolos, e selecionaremos um Quórum de Setenta dentre os que foram a Sião, dentre os rapazes do acampamento." Em 1835, no fim de janeiro ou em fevereiro, ou por essa época, realizamos nossas reuniões dia após dia, e o irmão Joseph chamou os Doze Apóstolos naquela ocasião. Ele teve uma revelação enquanto lhe cantávamos. Os que o conheciam sabiam quando o espírito de revelação estava sobre ele, pois seu semblante trazia uma expressão peculiar a ele mesmo enquanto sob essa influência. Ele pregava pelo Espírito de revelação, e ensinava em seu conselho por meio dele, e os que o conheciam podiam perceber isso de imediato, pois em tais ocasiões havia uma clareza e transparência peculiares em seu rosto. Ele deu seguimento a essa revelação até organizar a Igreja, e assim por diante até que o batismo pelos mortos fosse revelado.

Relato essas circunstâncias para vos mostrar que uma pessoa que é ordenada ao ofício de Élder neste reino possui o mesmo Sacerdócio que os Sumos Sacerdotes, que os Doze Apóstolos, que os Setenta, e que a Primeira Presidência possuem; mas nem todos são chamados a ser um dos Doze Apóstolos, nem todos são chamados a ser um dos membros da Primeira Presidência, nem a ser um dos Primeiros Presidentes de todos os Setenta, nem a ser um dos Presidentes de um Quórum de Setenta, nem a presidir o Quórum de Sumos Sacerdotes; mas cada homem em sua ordem e lugar, possuindo uma porção do mesmo Sacerdócio, conforme os dons e chamados de cada um. Isso não esclarece o assunto? [Vozes: "Esclarece."] Isso vos explicará de modo que possais entender. Quando encontramos onde estão nossos chamados e posições no meio do povo de Deus, e cada pessoa disposta a agir no cumprimento de seu dever, há suficiente para todos nós fazermos. Todas as pessoas podem ter tudo o que desejam fazer para promover o reino de Deus sobre a terra; podem exercitar-se em tudo o que Deus lhes concedeu, para provarem-se dignas diante de Deus e do povo.

Referir-me-ei novamente ao ofício de Bispo. Se examinardes as revelações e perscrutardes as Escrituras, achareis que o ofício de Bispo foi conferido a Arão, meio-irmão de Moisés, por certos serviços que havia prestado, sacerdócio esse que deveria continuar com a posteridade de Arão. Não temos na Igreja os descendentes literais de Arão para preencher o Bispado, mas a Igreja é composta em sua maior parte pelos descendentes literais de Abraão, Isaque e Jacó, que têm direito ao Sacerdócio de Melquisedeque, que detém as chaves de todos os Sacerdócios já entregues aos filhos dos homens. Mas precisamos de Bispos na Igreja. Aqui temos irmãos estabelecendo-se em diferentes vizinhanças, e aprendemos que o ofício de Bispo é cuidar dos assuntos temporais da Igreja — zelar para que os pobres sejam amparados — zelar para que os irmãos se conduzam com juízo e sabedoria na condição de comunidade. O Presidente da Igreja não pode cuidar desses assuntos temporais em todos os diferentes povoados, e os Doze Apóstolos estão fora pregando, e os Setenta estão fora pregando, e os Sumos Sacerdotes estão espalhados aqui e ali em sua condição local; e precisamos de homens que sejam descendentes literais de Arão para atuar no Sacerdócio Aarônico, ao qual pertence o Bispado; mas não os temos. Nessas circunstâncias, tomamos um Sumo Sacerdote e o ordenamos ao ofício de Bispo, ao qual não tem direito por linhagem; mas em seu chamado ele possui as chaves e o poder do santo Sacerdócio do Filho de Deus sobre a terra, e isso o qualifica a oficiar em todos os ofícios menores. Tomamos esse homem e o colocamos à parte para ser Bispo. "Quê! Ordenar um Sumo Sacerdote ao Sacerdócio menor?" Não; chamamos isso de ordenar um Bispo; e embora digamos: "Nós te ordenamos Bispo, com as mãos sobre tua cabeça", na verdade e essencialmente significa: "Nós te colocamos à parte para oficiar como Bispo no meio do povo de Deus, em virtude do teu santo Sacerdócio, que é segundo a ordem de Melquisedeque, que é segundo a ordem do Filho de Deus. Nós te colocamos à parte para oficiar neste ofício do Sacerdócio Aarônico, abençoando-te com todas as chaves e autoridade do mesmo." Este Bispo pode chamar dois homens para serem seus Conselheiros, mas não seria assim se tivéssemos um descendente literal de Arão. Quando encontramos tal homem, e ele é ordenado a atuar ou é colocado à parte para atuar em seu Sacerdócio linear, ele é, para todos os efeitos, um Bispo, e não necessita de Conselheiros. Isso parece uma grande curiosidade. Um homem que é Sacerdote, e não pode ocupar nenhum ofício mais elevado, pode presidir como Bispo sobre uma comunidade de pessoas onde é designado a presidir, e ditar os assuntos temporais do povo de Deus, e isso também sem um Conselheiro dentre seus irmãos; mas um Sumo Sacerdote não pode atuar neste ofício sem dois Conselheiros. Não é isso algo insólito — uma peculiaridade estranha? São necessários três Sumos Sacerdotes para desempenhar os deveres, preencher o ofício e atender aos chamados de um descendente literal de Arão, que não pode possuir um Sacerdócio mais elevado. Essa é a ordem, e o que Joseph fez está de acordo com a revelação que recebeu.

Quando tomamos um Sumo Sacerdote e o colocamos à parte para oficiar no ofício de Sacerdote como Sacerdote ou como Bispo, enquanto ele atua nesse chamado esperamos que ele oficie como Sumo Sacerdote? Quando o Bispo Miller percebe que os Setenta de sua Ala estão ensinando doutrina em que ele não crê, isso não lhe diz respeito enquanto atua na condição de Bispo. Ele diria: "Aqui estou como vosso Bispo, e não tenho nada a ver com as doutrinas que ensinais. Não posso controlar o Sacerdócio superior, enquanto estiver em meu chamado atual. Não posso oficiar aqui como Apóstolo, como Revelador, como alguém que tem autoridade para dizer ao povo 'Assim diz o Senhor' a respeito de assuntos espirituais." A Doutrina e Convênios nos ensina por quem essas questões devem ser decididas. Embora o irmão Miller, como Bispo, não deva dizer nada sobre pontos controversos de doutrina, ele pode, contudo, reunir-se com seus irmãos do Sacerdócio Superior que estiverem em sua vizinhança. Três Sumos Sacerdotes formam um Quórum; cinco formam um Quórum; sete formam um Quórum; doze formam um Quórum. Que um Quórum de Sumos Sacerdotes entre num aposento superior e ali compareça perante o Senhor com as vestes do santo Sacerdócio, e ofereça diante do Pai, em nome de Jesus, os sinais do santo Sacerdócio, e então peça a Deus uma revelação a respeito dessa doutrina, e terá o direito de recebê-la. Se não puderdes obter a informação de nenhum outro modo — suponde que estivésseis nas ilhas do mar, longe do corpo principal da Igreja — tendes direito à administração de anjos que ministram no reino terrestrial; e eles têm o direito de receber ministrações do celestial. Nessa condição, poderíeis pedir revelações referentes à doutrina.

Na condição de Bispo, tem alguém o direito de dirigir os assuntos espirituais do reino de Deus? Não. Nessa condição, seu direito se restringe a assuntos de ponto de vista temporal e moral. Ele tem o direito de tratar com o transgressor. Não me importa que ofício ocupe um transgressor na Igreja e no reino de Deus; se fosse um dos Doze Apóstolos, e viesse à vizinhança de um Bispo, e roubasse os bens de seu vizinho, profanasse o leito de seu vizinho, ou cometesse qualquer violação da lei moral, o Bispo tem o direito de levar esse homem perante si mesmo e seu conselho, e ali fazê-lo responder pelo crime de que se tornou culpado, e tratar com ele quanto à sua condição de membro da Igreja, e desligá-lo da Igreja para todos os efeitos, por todo o tempo e a eternidade, se ele não fizer restituição e se arrepender sinceramente. "Quê! Um dos Setenta?" Sim. "Um dos Sumos Sacerdotes?" Sim. "Um dos Doze Apóstolos?" Sim, qualquer pessoa que venha a entrar em sua vizinhança e transgredir a lei moral. Por outro lado, podem os Setenta julgar um Bispo? Não. Podem os Sumos Sacerdotes julgá-lo? Não, a menos que convoquem doze Sumos Sacerdotes na condição de Sumo Conselho; e então é preciso ter a Presidência do Sacerdócio de Melquisedeque para presidir o conselho, e aí sim podeis julgar um Bispo. Como tudo isso está curiosamente entretecido, para tornar o tecido tão forte que nenhum homem ou grupo de homens possa rasgá-lo! O Senhor o entreteceu tão eficazmente para a salvação do povo, que é necessário um poder tremendo para destruí-lo da terra. Tudo isso é planejado para proteger contra o mal. Um Bispo pode julgar um homem por violação de conduta moral, mas não pode sentar-se em julgamento sobre pontos controversos de doutrina, pois estes devem ser encaminhados aos que detêm as chaves do Sacerdócio superior, e a decisão deles é o fim de toda contenda.

Ao julgar todas as questões de doutrina, para que uma decisão seja válida, é necessário obter voz, fé e decisão unânimes. Na condição de Quórum, os três Primeiros Presidentes devem ser um em sua voz — os Doze Apóstolos devem ser unânimes em sua voz, para obter uma decisão justa sobre qualquer assunto que lhes seja apresentado, como podeis ler na Doutrina e Convênios. Os Setenta podem decidir segundo o mesmo princípio. Sempre que virdes esses Quóruns unânimes em sua declaração, podeis considerá-la verdadeira. Que os Élderes se reúnam, sendo fiéis e verdadeiros; e quando concordarem sobre algum ponto, podeis saber que é verdadeiro.

Direi agora algumas palavras a respeito dos chamados dos homens na condição de vizinhança ou de Ala. Alguns dos Sumos Sacerdotes podem ser ordenados a oficiar em chamados pertencentes à Igreja na condição de Ala. Perguntarei agora ao Bispo desta Ala se ele tem o direito de negligenciar esta Ala para reunir-se com o Quórum de Sumos Sacerdotes em suas reuniões. Ele não tem tal direito — não tem o direito de negligenciar esta Ala um só minuto por causa de tal reunião. Isso não é seu direito nem seu chamado quando seus serviços são requeridos aqui como Bispo. Há uma viúva pobre, uma família doente, negócios andando ao acaso aqui e ali, e ele não tem o direito de crer que tem o privilégio de deixar toda a sua Ala entregue a si mesma, e dizer: "Se procederdes bem, está bem; e se procederdes mal, não posso fazer nada, vou à minha reunião do Quórum." É seu dever dedicar seu tempo, desde a manhã de Ano Novo até a manhã de Ano Novo seguinte, em benefício de sua ala. Ele foi colocado para presidi-la, e ditará tudo em sua Ala. Se ele vir um Setenta ou um Sumo Sacerdote esbanjando seus bens, ou se vir alguém embriagando-se, jogando ou vadiando, desperdiçando seu tempo, tem todo o direito de chamá-los a prestar contas.

Temos numerosos ["mass"] Quóruns de Setenta na maioria dos povoados do Território; e tenho pensado com frequência que, se os irmãos não progredissem bastante depressa, seria necessário alterar um pouco o título; mas, como progrediram, não vemos necessidade de fazer a mudança e chamá-los de Quóruns "muss" [desordenados]. Joseph Smith jamais permitiu que os Setenta se reunissem e se considerassem um corpo separado do restante da Igreja. Nunca me importei muito com isso, pois não temia nem um pouco que obtivessem algum poder que realmente não lhes pertencesse; pois, se o obtivessem, sempre estive certo de que seria dissipado aos quatro ventos. Quero informar aos Setenta que vivem na Ala do Bispo Miller (e o que digo agora se aplica a todas as demais Alas e Bispos) que, se ele os chamar para atuarem como Mestres, é seu dever imperioso atuar como Mestres, buscando beneficiar e abençoar o povo ao ampliar seu entendimento, para que possam provar-se diante de Deus e uns diante dos outros. Há todo um mundo de inteligência a transmitir, e o Sacerdócio (em seus vários chamados, designações, auxílios e governos) é o meio pelo qual, por meio de seus ministros, essa inteligência é transmitida ao povo. Não é dever de um Setenta ou Sumo Sacerdote, que é designado Mestre ou Bispo, negligenciar os deveres desses chamados para comparecer a uma reunião de Setenta ou de Sumos Sacerdotes. Atendei aos desejos de vosso Bispo, e nunca pergunteis quem tem mais poder. O homem que tem mais poder junto a Deus o exercerá, e nem a terra nem o inferno poderão impedi-lo. Falar de poder, e dizer: "Quero que me deem influência!" Há poucas coisas que me ofendem mais do que ter homens vindo até mim e dizendo: "Irmão Brigham, dá-me influência, pois sou um grande homem neste reino." E que faria ele com ela? Levaria a si mesmo e a todos os que o seguissem ao Diabo. Todo homem que tem verdadeira influência a obteve diante de Deus por meio da fidelidade, e em todos esses casos não há o menor perigo de que ele não a tenha diante dos Santos. É o homem que conversa com os céus, que se compraz em fazê-lo, e que sabe por si mesmo que este é o reino de Deus, quem tem verdadeira influência.

Como disse no último Sabá, a maior prova, e a menor prova necessária, de que este é o reino de Deus consiste no fato de que ele abarca toda verdade e rejeita todo erro, e isso abrange Deus, o céu e todos os seres santos. Quem, então, tem o maior poder? Os que melhor fazem a vontade de Deus. Quando um Bispo chama um homem para oficiar como seu auxiliar, ele não o chama como Setenta ou como Sumo Sacerdote, mas como um membro de sua própria família — como membro de sua Ala. Sabeis o que o Espírito do Senhor me ensina: zelar para que as viúvas não passem fome, que os órfãos sejam vestidos, e que todo homem capaz seja empregado judiciosa e proveitosamente, e que todo homem cumpra o seu dever — zelar para que o gado e as carroças sejam reunidos quando forem necessários; e é tanto dever dos Setenta cuidar dessas questões quanto é dever de qualquer um de seus irmãos. Quando os Bispos dizem: "Vai e conduz aquela junta de bois, faz isto ou aquilo", "Ah, sim", diz um Setenta, "de todo o coração." "Bispo, pensamos em reunir-nos uma vez por semana como Setenta ou Sumos Sacerdotes; podemos ter tua permissão?" "Sim; ide à casa da escola e proclamai a vida eterna ao povo."

Disseram-lhes que o Presidente autorizou uma reunião de Quórum "muss" aqui! Não; nenhum poder desses está investido nos Setenta em lugar algum. Nenhum homem recebe poder de Deus para provocar perturbação em nenhum Ramo da Igreja. Tal poder é obtido de uma fonte maligna.

Agora, Sumos Sacerdotes e Apóstolos, ponde-vos a isso com todo o vosso vigor e auxiliai vossos Bispos a prover para as viúvas e os órfãos.

Se o Bispo Miller não é responsável por esta Ala, por ditar tudo nesta Ala, quem é? Ele é o homem que foi designado aqui para presidir, e, como Sumo Sacerdote, tem o direito de reunir-se com seus irmãos daquele Quórum, e de batizar, confirmar, abençoar crianças, ministrar aos enfermos, e desempenhar todos os demais deveres pertencentes ao ofício e chamado de Sumo Sacerdote. O fato de ser Bispo não lhe retira nenhuma parte de seu Sacerdócio ou poder.

Que Deus vos abençoe! Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Sacerdócio”, (1861-05-07). Pulpit Vault, 1861-05-07-young-priesthood. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).