Pulpit

Testemunho Verdadeiro—Preparação para os Acontecimentos Vindouros—Corrupção do Governo, etc.

Brigham Young

1861 April General Conference·Saturday Morning Session·1861-04-06

Palestra do Presidente Brigham Young, proferida no Tabernáculo, Great Salt Lake City, 6 de abril de 1861. Relatada por G. D. Watt.

Sempre tivemos congregações maiores em ocasiões como esta do que edifícios para as acomodar; e não fosse eu ter pedido aos irmãos da cidade que permanecessem em casa, para dar espaço àqueles que viriam de longe, a casa teria transbordado, e teria havido uma grande congregação do lado de fora. Não sei se, aquém do dia de descanso que esperamos, teremos algum dia um edifício grande o bastante para acomodar nossas congregações. Quando tivermos vencido o inimigo da retidão e tivermos mil anos para trabalhar sem sermos molestados, penso que então poderemos construir uma sala que conterá tantas pessoas quantas puderem ouvir a voz do orador. Temos o privilégio, é verdade, de nos reunirmos ao ar livre, onde a maioria de nossas Conferências têm sido realizadas.

Comemoramos agora o aniversário de nossa Conferência Geral. A Igreja completa hoje trinta e um anos. Parece pouco tempo -- apenas alguns dias, desde que havia apenas seis membros nesta Igreja. Parece pouco tempo desde que eu desejei mais fervorosamente ver alguém que fosse estrangeiro batizado nesta Igreja. Bem me lembro de quão ansioso eu estava por que um pregador inglês pertencente aos Independentes, e com quem eu era conhecido, entrasse na Igreja, para que pudesse ir a sua terra natal e ali pregar o Evangelho. Quais eram os sentimentos dos poucos, trinta e um anos atrás, neste mesmo dia?

O irmão Kimball observou em suas palavras que podia se lembrar da história desta Igreja desde seu início, e compreendia as perseguições contra este povo. O Livro de Mórmon foi traduzido perto de onde então residíamos, poderíamos dizer, em nossa própria vizinhança. Foi traduzido a uma distância de onde o irmão Kimball então vivia mais ou menos igual à daqui até Little Cottonwood; e onde Joseph primeiro descobriu as placas ficava mais ou menos tão longe de onde eu então vivia quanto daqui até Provo. Aqui teríamos considerado o descobridor daquelas placas e o tradutor do Livro de Mórmon como um de nossos vizinhos. Temos aqui o hábito de viajar mais frequentemente e mais longe do que ali. Desde o tempo em que Joseph teve sua primeira revelação, na vizinhança onde o irmão Kimball e eu então vivíamos, parece que passaram apenas alguns dias. Desde então este povo passou por, experimentou, e aprendeu muito.

Se há alguma pessoa no meio dos Santos dos Últimos Dias -- alguém que tomou o nome de Cristo como Santo dos Últimos Dias, que possa pedir testemunho mais literal do que o que temos, não sei o que pediria. Poderia desejar ver alguma pessoa com poder de trazer fogo do céu. Deveria tal pessoa aparecer, o exercício desse poder de forma alguma provaria que ela fosse um mensageiro de salvação. Ou suponde que eu visse um homem capaz de ressuscitar os mortos a cada hora do dia, poderia eu apenas por isso crer que fosse enviado por Deus? Não. Alguns podem achar estranho, mas se eu visse um homem vir aqui e lançar sua bengala no chão, e ela se tornasse uma serpente e saísse correndo pela porta, creria eu mais nesse homem como enviado de Deus? Não, não creria. Se eu visse uma pessoa encher o ar de criaturas vivas, transformar a poeira em vida, ou o rio Jordão em sangue, supondes que eu por isso mais consideraria aquele homem enviado de Deus? De modo algum. Há apenas uma testemunha -- um testemunho, pertencente à evidência do Evangelho do Filho de Deus, e esse é o Espírito que ele difundiu entre seus discípulos. Fazei sua vontade, e saberemos se fala pela autoridade do Pai ou por si mesmo. Fazei como ele nos ordena fazer, e saberemos da doutrina, se é de Deus ou não. É apenas pelas revelações do Espírito que podemos conhecer as coisas de Deus.

Suponde que víssemos um homem capaz de ressuscitar os mortos e ele dissesse, "Consequentemente, devo ser o líder da Igreja -- o herdeiro legítimo que Deus designou para realizar sua obra nos últimos dias," creria eu nele por isso? Não. Nunca vivi um dia, desde que cheguei aos anos de discernimento, em que isso fizesse alguma diferença em meus sentimentos. Uma das primeiras coisas que li na Bíblia foi que Saul, em suas trevas e incredulidade, recorreu à Feiticeira de Endor por uma revelação, e ela tinha poder para ressuscitar Samuel dos mortos. Que prova era essa de que ela era Santa de Deus? Se o povo quer mais testemunho do que já tem, não sei o que reclamaria. Buscai o Espírito de Verdade, e ele trará a vossa memória tudo o que Jesus falou e realizou -- tudo o que foi, é, e há de vir, tanto quanto for necessário. Esse é o Espírito por meio do qual Joseph falava.

Sou grato por vivermos para ver este dia, e termos o privilégio de nos reunirmos nestes vales. Não estamos agora nos misturando nos tumultos de contenda, guerra e disputa, em que teríamos sido obrigados a nos misturar, se o Senhor não tivesse permitido que fôssemos expulsos para estas montanhas -- uma das maiores bênçãos que poderiam ter nos sobrevindo. Foi designado por muitas gerações esconder os Santos nos últimos dias até que a indignação do Todo-Poderoso passasse. Sua ira será derramada sobre as nações da terra. Vemos as nações avançando firmemente rumo ao precipício. O Senhor falou dos céus, e está prestes a cumprir as profecias de seus Profetas antigos e modernos. Ele trará as nações a julgamento, e lidará com elas e fará um fim completo delas. Desejais ver isso feito hoje? Estais preparados para a crise que eventualmente virá? Não.

Frequentemente penso na preparação necessária. Suponde que viesse a palavra, "Retornai e edificai a Estaca Central de Sião," estaríamos prontos para isso? Não. Frequentemente aludi a nossos artesãos. Não temos um artesão sequer que saberia como assentar a primeira pedra para o fundamento da muralha ao redor da Nova Jerusalém, sem falar dos templos de nosso Deus. Estais preparados para o dia da vingança que virá, quando o Senhor consumirá os ímpios pelo brilho de sua vinda? Não. Então não fiqueis ansiosos demais para que o Senhor apresse sua obra. Que nossa ansiedade se concentre nesta única coisa, a santificação de nosso próprio coração, a purificação de nosso próprio afeto, a preparação de nós mesmos para a aproximação dos acontecimentos que apressadamente vêm sobre nós. Esta deveria ser nossa preocupação, este deveria ser nosso estudo, esta deveria ser nossa oração diária, e não estarmos apressados para ver a derrubada dos ímpios. Cuidado; pois se todos fossem derrubados de uma vez, quantos restariam que se chamam Santos? Não tantos quanto eu desejaria que restassem. Estamos preparados para o dia que se aproxima: preparemo-nos, então, para a presença de nosso Mestre -- para a vinda do Filho do Homem. Os ímpios e iníquos estão se preparando para sua própria total derrubada, e a nação em que vivemos está fazendo isso tão depressa quanto as rodas do tempo podem girar, e dentro em pouco a súbita destruição virá sobre eles. Não busqueis apressá-la, mas contentai-vos em deixar que o Senhor tenha seu próprio tempo e modo, e sede pacientes. Buscai ter o Espírito de Cristo, para que possamos esperar pacientemente o tempo do Senhor, e nos preparar para os tempos que estão vindo. Este é nosso dever.

Somos abençoados nestas montanhas. Este é o melhor lugar na terra para os Santos dos Últimos Dias. Buscai na história de todas as nações, e em toda posição geográfica sobre a face da terra, e não podereis encontrar outra situação tão bem adaptada para os Santos quanto estas montanhas. Aqui é o lugar em que o Senhor designou esconder seu povo. Sede gratos por isso; sede fiéis a vossos convênios; sede fiéis, cada um e todos vós. Quão frequentemente ouvimos uns dos outros, "Estai prontos para receber a verdade. Ainda que contrária a nossos sentimentos -- por mais oposta que seja a nossos próprios sentimentos ou afetos -- recebei as palavras de conselho daqueles que são designados para nos conduzir." Como meu coração anseia por ver os irmãos e irmãs em condição de que, quando as palavras de verdade e virtude -- palavras justas de conselho -- forem derramadas sobre eles, se encontrem como gotas de água se encontrando umas com as outras. Como anseio por ver os irmãos, quando ouvirem as palavras de verdade derramadas sobre eles, prontos para receber essas palavras porque são perfeitamente congênitas a seus sentimentos, e cada alma exclame, "Essas palavras têm o sabor do Espírito que há em mim; são meu deleite, minha carne, e minha bebida; são as correntes da vida eterna. Quão congênitas são, em vez de contrárias a meus sentimentos."

Se eu, ou qualquer outro homem, der conselho que encontre oposição, que invada o afeto, a meditação e os sentimentos do povo, e seja áspero a seus ouvidos, amargo a suas almas, ou não são as palavras da verdade, ou não têm dentro de si a fonte da vida, uma das duas. Se o Senhor fala dos céus, revela sua vontade, e isso entra em conflito com nossos sentimentos e noções das coisas, ou com nosso juízo, estamos destituídos daquela fonte de verdade que deveríamos possuir. Se nosso coração está cheio do Espírito da verdade, do Espírito do Senhor, não importa quais sejam as verdadeiras palavras vindas do céu, quando Deus fala, todos os seus súditos gritam "Aleluia! Louvado seja Deus! Estamos prontos para receber essas palavras, pois são verdadeiras."

Muito se tem dito a respeito do Governo em que vivemos. Dizemos que é a melhor forma de governo humano na terra. As leis e instituições são boas, mas como pode um governo republicano permanecer de pé? Já vos fizestes esta pergunta? Pergunto-me se nossos grandes homens da nação já se fizeram esta pergunta. Os chefes de diferentes departamentos -- governadores, juízes, oficiais de gabinete, senadores, representantes, presidentes -- pergunto-me se algum dia se perguntam, "Como pode um governo republicano permanecer de pé?" Há apenas um modo de permanecer de pé. Pode perdurar; mas como? Pode perdurar, como perdura o governo do céu, sobre a rocha eterna da verdade e da virtude; e essa é a única base sobre a qual qualquer governo pode perdurar. Que o povo se torne corrupto, que comecem a enganar uns aos outros, e todos se enganarão a si mesmos, como fez nosso Governo. Quando fizemos requerimento ao Governo Geral pela restauração de nossa propriedade e direitos no Missouri, se Martin Van Buren tivesse dito, "Sim, restaurarei vossas terras, e vos defenderei na posse de vossos direitos, se eu tiver poder; e se não tiver, meu nome não permanecerá como Presidente dos Estados Unidos," ele poderia ter nos restabelecido em nossos direitos. Poucas palavras do Governo Geral ao Governo do Missouri teriam nos restaurado nossas terras e detido as operações da turba. Se Van Buren tivesse dito, "Ficai quietos, ou eu vos corrigirei e manterei sagrado o juramento de meu cargo," não teríamos sido tumultuados, e a nação não estaria como está hoje.

Nosso presente Presidente, qual é sua força? É como uma corda de areia, ou como uma corda feita de água. É tão fraco quanto a água. Que pode fazer? Muito pouco. Tem poder para executar as leis? Não. Sou cidadão nascido americano -- nascido sob as Montanhas Verdes em Vermont, de cujos cumes se pode olhar para baixo, para os Estados Atlânticos; e sinto-me envergonhado e mortificado quando reflito sobre a condição de minha nação. Ultimamente, às vezes, quase desejei ter nascido numa nação estrangeira. Sinto-me desonrado por ter nascido sob um governo que tem tão pouco poder, disposição e influência pela verdade e pelo certo; mas não posso evitá-lo. Qual é a causa de sua fraqueza e imbecilidade? Deixaram os caminhos da verdade e virtude, uniram-se à falsidade, fizeram das mentiras seu refúgio, desviaram os inocentes de seus direitos, e justificaram os malfeitores iníquos. Justificaram o furto e a mentira e toda espécie de devassidão; fomentaram aqueles que desviaram dinheiro do tesouro público -- aqueles que saquearam os cofres do povo, e disseram, "Que assim seja; escondeis minhas faltas, ajudai-me a saquear e enganar, e estou convosco para encobrir vossa iniquidade." Vergonha, vergonha aos governantes da nação! Sinto-me desonrado de saudar tais homens como meus compatriotas, embora penso que sobreviverei a isso. Suportá-lo-ei tão bem quanto puder; mas a corrupção, a iniquidade, e o engano dos homens em altas posições, nenhum homem pode contar.

Já relatei anteriormente uma pequena circunstância, ocorrida não há muito tempo, ilustrativa do modo como às vezes se assegura o pagamento de reclamações contra o Governo. Certo cavalheiro havia comparecido a muitas sessões do Congresso, tentando obter o pagamento de uma reclamação devida a viúvas e órfãos; mas não conseguiu. Em pouco tempo, a reclamação foi ajustada. O irmão George A. Smith, quando em Washington, viu um cavalheiro que havia passado anos tentando conseguir uma reclamação aprovada e paga; mais mil dólares para lubrificar as engrenagens, e por meio disso passou -- a reclamação foi paga. Há muito tentamos que nossas reclamações pelos gastos em conter distúrbios indígenas em 1853 fossem pagas. Quando a apropriação chegou ao último movimento a ser feito, não pôde avançar. "Qual é o problema?" "Alguém está jogando areia no eixo, e a roda travou." "O que precisa ser feito?" "Mil e trezentos dólares precisam lubrificá-la." Então avançou -- a apropriação foi feita. É assim o tempo todo -- todo dia. Esses exemplos são comparativamente de pouca importância, e apenas aludo a eles para mostrar quão minuciosamente a corrupção prevalece onde deveria existir justiça.

Essas corrupções fluem muito naturalmente das dívidas contraídas para obter poder. Nas eleições, os bem-sucedidos ficam endividados a seus amigos; e prometem a eles o patrocínio do Presidente, que serão enviados como ministros para tal ou qual país, ou nomeados juízes aqui ou ali, ou governador em algum lugar. Não conseguem obter sua eleição sem pagar generosamente por ela, tanto em promessas quanto em dinheiro; e para recuperar os meios, devem ou se tornar ladrões ou repudiar suas dívidas. "Fulano me deve tanto por contribuir para sua eleição, e não me pagará." Frequentemente acontece que ele não pode, a menos que roube.

Todo o Governo se foi; é tão fraco quanto a água. Ouvi Joseph Smith dizer, há quase trinta anos, "Terão turba à satisfação de seus corações, se não repararem os males dos Santos dos Últimos Dias." As turbas não diminuirão, mas aumentarão até que todo o Governo se torne uma turba, e eventualmente será Estado contra Estado, cidade contra cidade, vizinhança contra vizinhança, metodistas contra metodistas, e assim por diante. Provavelmente vos lembrais de ler, há não uma semana, um relato de uma Conferência realizada em Baltimore, no curso da qual se separaram de suas igrejas irmãs nos Estados livres. Será o mesmo com outras denominações de professos cristãos, e será cristão contra cristão, e homem contra homem; e aqueles que não pegarem a espada contra seus vizinhos terão de fugir para Sião.

Onde está Sião? Preparemo-nos para receber os homens honrados da terra -- aqueles que são bons. Há alguma boa gente entre eles? Sim, centenas e milhares e milhares bem dentro de nosso Governo, corrupto como é; mas estão tão dominados pelos sacerdotes que não têm mente própria -- não têm força e fortaleza. E vos pergunto, e posso apelar a vossa própria experiência, colocai qualquer um de nós de volta no meio de nossos velhos vizinhos, não seria difícil irromper e dizer, "Somos Santos dos Últimos Dias e seguidores de Joseph Smith; cremos no 'mormonismo:' adeus?" Há centenas e milhares nesta situação nos Estados, que desejam ver a verdade, a retidão, e o certo prevalecer; mas não têm força e poder de mente para se libertar e dizer, "Seremos por Deus e por ninguém mais." Seguem os costumes de seus pais, e mais ou menos se apegam à fé e religião de seus pais. Estão amarrados pela artimanha sacerdotal. Aguardo com expectativa os dias em que suas amarras serão quebradas. Rogo a este povo que faça o certo. Purificai-vos, santificai-vos, e preparai-vos para receber essas pessoas em habitações eternas.

É hora de encerrar nossa reunião da manhã. Esta tarde, provavelmente, retomaremos os negócios da Conferência, e continuaremos nossa reunião; e quando terminarmos e desejarmos encerrar, o faremos. Todos nos sentimos inclinados a orar pela prosperidade do reino. Todo o corpo continuamente busca o bem-estar de cada parte individual. O olho deseja bem ao pé, o pé deseja bem à cabeça, e caminhará para obter alimento para a cabeça e o estômago, e estão unidos, e nos tornaremos cada vez mais unidos. E rogo que o Senhor derrame sua graça sobre seus filhos e filhas, e rogo aos Santos que aproveitem isso até estarmos santificados. Deus vos abençoe! Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Testemunho Verdadeiro—Preparação para os Acontecimentos Vindouros—Corrupção do Governo, etc.”, 1861 April General Conference, Saturday Morning Session (1861-04-06). Pulpit Vault, 1861-04-young-true-testimony-preparation-for-coming-events. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).