Pulpit

Theocracy

Orson Pratt

1859-08-14

Neste momento fui solicitado a me dirigir ao povo sobre o assunto de uma forma teocrática de governo, ou sobre aquela forma particular de governo chamada o reino de Deus. Vou ler algumas passagens do livro do profeta Daniel relativas aos governos em geral—

"E nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não será deixado a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo estará estabelecido para sempre. Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro, o Deus grande fez saber ao rei o que há de ser depois disso; e certo é o sonho, e fiel a sua interpretação." (Ver Daniel 2:44-45.)

"Estavas vendo, até que uma pedra foi cortada, sem mãos, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou. Então foram juntamente esmiuçados o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, e se fizeram como pragana das eiras do verão, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, se fez um grande monte, e encheu toda a terra." (Ver versículos 34 e 35.)

"E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão." (Ver Daniel 7:27.)

A forma de governo dada ao homem imediatamente após a criação era teocrática; isto é, o Criador se tornou o grande Legislador. Ele nomeou os oficiais daquele governo, estabeleceu sua própria autoridade e organizou todas as coisas segundo sua própria ordem, que é eterna. Ele mesmo instituiu, aqui nesta criação, a mesma forma de governo que estabeleceu em outros reinos, mundos ou criações, na medida em que as capacidades e circunstâncias dos habitantes permitissem. Portanto, tal governo poderia em realidade ser chamado de teocracia, porque Deus foi o autor das leis, das formas e da instituição do mesmo. Depois de um período de tempo, os homens se afastaram de Deus, apostataram da forma de governo instituída do céu; e, ainda pensando que era necessário ter algum tipo de governo, a fim de controlar o povo e mantê-lo dentro dos devidos limites de sujeição, decidiram formar e estabelecer governos próprios, segundo o melhor juízo e sabedoria que possuíam. Por isso as várias nações, tanto antes quanto depois do dilúvio, instituíram governos segundo a sabedoria humana, algumas escolhendo uma forma, outras outra; algumas dando toda a autoridade nas mãos de um governante, chamado rei, imperador ou monarca; outras reservando uma porção do poder nas mãos de vários indivíduos, chamados nobres ou príncipes; outras deixando a forma de governo mais ou menos nas mãos do povo em geral, algo semelhante a uma república. Mas todas essas várias formas instituídas pelo homem eram inteiramente diferentes, num aspecto particular, daquela instituída por Deus.

O Senhor reivindica como um direito, em consequência de sua sabedoria e poder superior, e em consequência de ter criado os homens, governá-los; e se assim é, ele reivindica o direito de originar suas leis e de ditar a forma de governo pela qual devem ser governados. Este é o seu direito; e todo homem, quando reflete seriamente sobre este assunto, estará disposto a reconhecer que Deus certamente tem mais sabedoria, poder e conhecimento, em relação ao tipo de governo que seria melhor adaptado à família humana, do que aqueles seres finitos que ele criou; e se ele tem essa sabedoria, poder, autoridade e conhecimento superiores, devemos conceder-lhe esse direito.

Mas a humanidade não lhe permitiu exercer o direito que tão justamente lhe pertence. Usurparam a autoridade e negaram o direito do Todo-Poderoso de governá-los, e assim se originaram todas as formas de governos humanos que existiram sobre este globo nos últimos seis mil anos. É verdade que o Senhor teve parte no estabelecimento de algumas das leis ligadas ao governo de Israel; mas até mesmo aquele povo, em consequência da dureza de seus corações, se rebelou contra as leis justas, retas e santas que Deus ordenou para o seu bem, e desejou leis de natureza diferente, e uma forma de governo mais semelhante às nações corruptas ao seu redor. Eram um povo de coração endurecido, e se comprazia em andar nas tradições dos egípcios, e em seguir as imaginações de seus próprios corações; e quando a lei pura de Jeová veio e foi apresentada a esse povo, foi mais do que estavam dispostos a suportar; era pura demais para eles: queriam algo mais adequado às suas naturezas carnais. Por exemplo, quando um homem se casava com uma esposa, desejavam ter o privilégio de divorciar-se dela por qualquer causa trivial que viesse a ocorrer. O Senhor, vendo a dureza de seus corações, permitiu que Moisés lhes desse, segundo seus desejos, uma lei inferior. Mas essa lei adicional de mandamentos carnais não formava parte de um código teocrático puro, tal como o Senhor pretendia estabelecer entre aquele povo. Muitos outros elementos de lei foram dados aos filhos de Israel, segundo a dureza de seus corações, que foram permitidos pelo Senhor por meio de Moisés. Não podemos, portanto, supor que todo o código mosaico fosse aceitável e agradável a Deus. Parte dele foi dada em ira, para que os ímpios entre eles tropeçassem e caíssem, e não fossem permitidos entrar na plenitude do seu descanso. Mas Deus originou a maior parte do código mosaico, enquanto Moisés apenas permitiu as leis adicionais aplicáveis a um povo rebelde e de coração endurecido.

Os israelitas continuaram a ser governados, mais ou menos, por algumas dessas leis divinas, até a vinda do Messias; mas frequentemente as transgrediam por causa das tradições de seus Anciãos; frequentemente se afastavam do Deus vivo, e perdiam o espírito de revelação e comunhão com ele. Os poderes, privilégios e bênçãos do reino que se destinavam a continuar entre aquele povo lhes foram, em certa medida, tirados em diferentes períodos de sua história. Com o tempo, nosso Salvador veio abolir aquela parte da lei de Moisés que foi dada em consequência da transgressão, e reter aquela parte que pretendia que continuasse; por exemplo, os dez mandamentos dados pelo Senhor em meio aos trovões e relâmpagos do Monte Sinai: estes nunca se destinaram a ser abolidos pela lei de Cristo; mas quando ele veio, foram mantidos como parte da lei superior do Evangelho. O reino de Deus foi edificado nos dias de Cristo, sob essa lei superior; mas a maior parte da nação judaica decidiu rejeitar o Evangelho como seus pais fizeram no deserto: lançaram-no de si, e não estavam dispostos a ser governados por ele; portanto o reino de Deus, em vez de ser um governo concentrado entre Israel, existia em porções desagregadas aqui e ali. A lei de Deus, nos dias de Cristo, não tinha lugar entre eles em caráter nacional: não os governava como povo. Não estavam sujeitos a ela: lutavam contra ela. Por isso o reino, na medida em que existia, depois de algum tempo lhes foi tirado e transferido para as mãos dos gentios.

Os gentios não receberam esse reino transferido nacionalmente, mas individualmente—apenas poucos indivíduos o abraçaram. Como nações, rejeitaram-no tanto quanto os judeus. O reino de Deus naqueles dias, embora governado eclesiasticamente por leis divinas, não estava suficientemente concentrado para exercer qualquer jurisdição nacional entre quaisquer das nações do grande hemisfério oriental. Os indivíduos e ramos isolados que recebiam o reino estavam espalhados aqui e ali por todos os países do Oriente, sujeitos às várias formas e leis municipais dos governos feitos pelo homem. Essa ordem de coisas continuou por um curto período após o martírio dos Apóstolos, quando a humanidade novamente se afastou por completo das leis eclesiásticas do reino. Houve uma apostasia, de modo que o reino, que existia em condição espalhada e fragmentada entre as nações gentias, começou a perder todo o poder e as bênçãos a ele pertencentes: o dom de curar não mais se manifestava; o dom de profecia não mais existia; e tão completa e terrível foi a apostasia, que se poderia percorrer todo o continente oriental e não encontrar um Profeta, ou Apóstolo, ou Revelador, ou alguém que tivesse ouvido a voz de Deus ou recebido qualquer comunicação ou revelação dele. Então as visões cessaram, os anjos não mais apareceram, os milagres foram abolidos, e todo ofício e poder e autoridade e dom que caracterizasse o reino de Deus, ou que minimamente se assemelhasse a uma teocracia, cessou entre todas as nações gentias. Elas, assim como os judeus antes delas, perderam os frutos do reino de Deus; e os poucos Santos que restaram e que tinham, em algum grau, fé na causa que haviam abraçado, ficaram tão obscurecidos em suas mentes, pela iniquidade e apostasia que prevaleciam, que só foram considerados dignos de ser pisados sob os pés das nações gentias. Assim os poderes da terra fizeram guerra contra todos aqueles ramos que professavam ser o reino de Deus, e os venceram e destruíram da terra, e o reino de Deus não mais existiu, até onde temos conhecimento, no grande hemisfério oriental, por algo como dezessete séculos.

Quase dezessete longos séculos passaram sobre as cabeças das nações gentias na Ásia, na Europa e na África; e uma coisa como o reino de Deus era inteiramente desconhecida entre elas. Não existia nem de forma concentrada nem espalhada. Em vez de um governo teocrático, ou de origem divina, não se podia ver nada além de impérios, monarquias absolutas e limitadas, reinos, principados, ducados, repúblicas, e massas heterogêneas de elementos revolucionários conflitantes, lançadas juntas, como que por algumas circunstâncias fortuitas, fermentando, incendiando-se, e vomitando a lava quente da destruição, engolindo milhões de seres infelizes, e cobrindo todos os países com desolação, miséria e morte.

A seguir, voltemo-nos à história antiga deste grande hemisfério ocidental. Somos informados pelo registro sagrado e divino, chamado o Livro de Mórmon, que o reino de Deus floresceu em maior extensão aqui do que no mundo oriental. Neste hemisfério ocidental o reino de Deus foi estabelecido pelo aparecimento pessoal de nosso Senhor e Salvador após sua ressurreição. Doze discípulos foram nomeados nesta terra para administrar o Evangelho, as leis e as instituições daquele reino. Saíram pregando, profetizando, operando milagres, recebendo revelações, e administrando com autoridade leis divinas, ordenanças divinas—chamando, nomeando e ordenando em todo departamento do reino—oficiais inspirados que possuíam autoridade divina para julgar, para executar as leis, para governar em todas as coisas segundo a mente do Rei do céu, a quem viram, e cuja voz ouviram, e a quem obedeceram em todos os assuntos do governo. Isso foi de fato uma teocracia—uma teocracia nacional estabelecida em sua forma pura. E os antigos israelitas da América se tornaram universalmente um povo favorecido e feliz. Seus maiores assentamentos ficavam na América Central e nas porções norte da América do Sul. Contudo, cerca de trezentos anos depois de Cristo, seus assentamentos se estenderam do Cabo Horn ao Sul até as regiões geladas ao Norte—do Atlântico a Leste até o grande Pacífico a Oeste. Grandes cidades foram construídas em várias partes da terra, as artes e as ciências floresceram, e milhões de seres felizes se regozijavam nas bênçãos da paz e da liberdade universais. Essa condição feliz de coisas continuou por algo como três séculos, quando começaram a apostatar e a contender uns com os outros, formando uma variedade de seitas e partidos neste hemisfério ocidental, tal como no Velho Mundo.

Por fim uma porção da nação foi permitida a subjugar a outra. Aqueles que sobreviveram aos julgamentos avassaladores de guerra e fome foram deixados apenas para afundar nas profundezas mais baixas de degradação e miséria. Seus descendentes são por nós chamados índios americanos. Assim vemos que o reino de Deus não existiu, até onde temos conhecimento, nem no hemisfério oriental nem no ocidental de nosso globo por muitas gerações. Tornou-se inteiramente extinto da terra cerca de quatro séculos após a era cristã, e não restou nada na face da vasta terra além da sabedoria do homem, os governos do homem, a religião do homem, o poder do homem e o domínio do homem. Deus, anjos, profetas, reveladores, e todo vestígio de autoridade e governo divinos foram excluídos de toda nação debaixo do céu e inteiramente extirpados da terra. Esta foi a condição sombria, aflitiva e lamentável em que o ano de 1830 encontrou os filhos dos homens, tanto neste continente quanto no grande hemisfério oriental.

Governos! Sim, multiplicaram governos sobre governos. Há dezenas deles a serem encontrados na Europa, e dezenas a serem encontrados na Ásia e na África, de todo tipo e forma, desde a orgulhosa monarquia que esmaga a liberdade e as esperanças de milhões até o pequeno cacique que degradadamente vagueia com seu pequeno bando de cinquenta, todos pretendendo ser governados por algum tipo de princípios.

Enquanto a mão de ferro do despotismo assim mantinha as nações dentro de seu punho murchante, escravizando alma e corpo, o grande Deus, perto do fim do século quinze, moveu a mente de um Colombo, e o inspirou a lançar-se destemidamente sobre a grande extensão de águas desconhecidas a oeste da Europa; e guiado pela ação invisível do Espírito Santo, revelou às nações abatidas e desesperadas um novo mundo.

Mais de outro século se passou, durante o qual os grilhões do despotismo começaram a se afrouxar. Os dissidentes da Igreja Romana se multiplicaram, protestando contra muitas de suas abominações. Nações abraçaram sua causa. Guerras rugiram—protestantes contra católicos, e católicos contra protestantes, cada nação estabelecendo sua religião feita pelo homem por leis feitas pelo homem. Dissidentes dessas novas religiões formaram outras seitas, sendo os mais fracos perseguidos pelos mais fortes, e todos sendo perseguidos, mais ou menos, pelos governos cuja religião estabelecida haviam dissidido. Em meio a esse composto heterogêneo de credos conflitantes e espadas conflitantes, nenhuma voz de Deus foi ouvida—nenhuma inspiração do Todo-Poderoso para acalmar os elementos perturbados—nenhum Profeta ou Revelador para apontar o reino de Deus e dar boas-vindas às nações.

A sabedoria humana em assuntos religiosos ou governamentais é a grande fonte de desunião e todo o seu séquito de males. Tão grande se tornou a desunião entre as nações europeias, que muitas das almas mais honestas e humildes, para escapar da perseguição e da morte, vieram dos velhos países, e primeiro desembarcaram nos estados da Nova Inglaterra em 1620. São chamados os Pais Peregrinos. Estabeleceram a moralidade e muitas boas instituições, embora suas leis, em muitos aspectos, fossem muito opressivas. Instituíram leis rígidas contra o que chamavam de bruxaria, e as velhas leis azuis de Connecticut foram estabelecidas. Mas entre todos esses peregrinos não se podia encontrar uma forma teocrática de governo. Encontramos apenas leis instituídas segundo a melhor sabedoria e juízo de nossos antepassados; e com o tempo se tornaram suficientemente fortes neste país para se levantar contra as opressões da mãe-pátria: decidiram protestar contra a tirania e a opressão que lhes foram impostas pelo Rei da Inglaterra: daí surgiram as lutas revolucionárias. Um novo governo nasceu, formado segundo princípios mais liberais.

Perguntemo-nos até que ponto esse governo foi estabelecido de acordo com a mente e a vontade de Deus. Cremos que, quando nossos antepassados lançaram fora o jugo da tirania e da opressão que lhes foi imposto pelo Governo da Inglaterra, não só foram inspirados a fazê-lo, como o Senhor tinha algo em vista a cumprir: ele tinha seus planos e propósitos todos traçados diante de si, e nossos pais foram os instrumentos para levar a cabo e cumprir esses propósitos. Nossos antepassados haviam conquistado sua independência, e haviam elaborado os artigos da Constituição, e o Governo foi estabelecido, dando ao povo uma voz e o privilégio de eleger seus próprios oficiais. Na Constituição, certos direitos foram garantidos ao povo, tais como a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, e a liberdade de emigrar de uma parte da União a outra, estabelecendo-se em qualquer Estado ou Território que julgassem conveniente. O povo preservou em suas próprias mãos o poder de proteger seus próprios direitos; portanto, quando a voz do povo é favorável aos direitos garantidos, todo o povo desfruta de um grau de liberdade. Se a voz do povo se declara pelo que é errado, então a minoria, por mais correta que seja, tem de sofrer com o restante. Mas este era, talvez, tão bom governo quanto poderia ser estabelecido nas circunstâncias.

Nossos bravos e vigorosos antepassados estavam apenas emergindo da tirania e opressão de eras: a estrela da liberdade apenas se levantara sobre seu horizonte: suas mentes ainda estavam encobertas pelas densas névoas, tradições, costumes, leis e formas de governos do Velho Mundo; e, em sua experiência, não estavam preparados para uma teocracia, e não podiam sequer compreender, como seus filhos o fazem, a extensão daquela liberdade em que tão subitamente haviam emergido. Antes que pudessem ampliar suas liberdades, e buscar um governo de forma mais pura e mais celestial, foram necessários alguns anos para que essas tradições se desgastassem.

Meio século se passou, durante o qual as lições da liberdade se implantaram profundamente nos corações da geração emergente: começaram a compreender e a desenvolver mais plenamente aquelas grandiosas doutrinas abraçadas na Constituição. Orgulhosos de suas instituições e da dignidade e honra de sua grande República, começaram a supor sua forma de Governo perfeita, e que nada poderia ser acrescentado para aumentar sua grandeza e magnificência. Mas, com toda a sua glória, grandeza e perfeição, era apenas um degrau para uma forma de governo infinitamente maior e mais perfeita—um governo fundado sobre leis divinas, com todas as suas instituições, ordenanças e oficiais nomeados pelo Deus do céu. Mas nossos pais revolucionários, tendo acabado de romper as amarras e sacudido o jugo, não tinham a experiência necessária para preservar inviolável a liberdade que haviam conquistado. Embora tivessem escrito a Constituição, e obtido poder sobre uma nação mais poderosa do que eles mesmos, isso não os despojou inteiramente de suas tradições; portanto não estavam preparados para que um Profeta se levantasse e dissesse—"Assim diz o Senhor Deus."

Depois que a nação lutou por algum tempo, aumentando em conhecimento, poder e experiência, e manteve sua independência e liberdade por mais de meio século, e deu passos rápidos no ensino, no desenvolvimento e no gozo dos princípios da liberdade física, moral e religiosa, o Todo-Poderoso determinou afirmar seu direito e estabelecer um reino eterno sobre os princípios inalteráveis da verdade eterna—um reino que jamais poderia ser destruído nem jamais abalado, ainda que os céus passassem e os mundos desaparecessem num estrondo universal.

O Senhor viu então que havia uma nação sobre a terra onde ele poderia se arriscar a começar a grande obra—onde uma teocracia poderia existir de forma eclesiástica, tendo legal e legitimamente direito a todos os direitos e proteção garantidos pela grande Constituição americana, em comum com todos os partidos religiosos. O reino de Deus não podia ser estabelecido sem chamar oficiais, e inspirar homens, e revelar leis, ao passo que esta República elege seus próprios oficiais e faz suas próprias leis.

O Congresso americano não pretende ter inspiração. O Presidente da Câmara, que ocupa a posição mais elevada e honrosa na Câmara Baixa, não é um Profeta: ele não profere a palavra do Senhor como lei; nem o honrado Presidente do Senado diz, Assim diz o Senhor Deus: mas todas as deliberações e decretos daquele ilustre corpo são resultado da sabedoria humana. Não permitiriam que um Profeta de Deus viesse ao seu meio e ditasse as leis que deveriam ser adotadas pela nação. Mostrar-lhe-iam a porta. Chamariam os oficiais nomeados para manter a ordem naquela honrada assembleia para expulsar tal personagem. Muito provavelmente diriam: "Não vamos por um momento sequer ouvi-lo, embora professe ser inspirado, e ter recebido visões celestiais, e ter visto a Deus, e falado com ele face a face, como Moisés, Abraão, Isaque e Jacó fizeram; contudo, faremos com que saiba que não deve vir entre nós e tentar nos ditar quanto ao tipo de leis que devemos aprovar. Esta não é uma forma teocrática de governo, e portanto não o ouviremos."

Nos tempos antigos, encontramos até mesmo poderes régios curvando-se a Profetas e Reveladores. Nabucodonosor, em toda a sua glória, pôde dar atenção ao Profeta Daniel—pôde ouvir a interpretação de seu próprio sonho. Ele acreditava em Profetas. Mas o povo destes últimos tempos se afastou tanto de uma forma teocrática de governo que sequer acredita em coisas como sonhos e visões inspirados por Deus; portanto seria coisa difícil que um homem como Daniel se aproximasse da augusta assembleia anualmente convocada na capital.

Muitas vezes comparei, em minhas reflexões, a fé das nações atuais da cristandade com a fé dos antigos egípcios e babilônios. Essas nações, por ímpias que fossem, criam no espírito de profecia e revelação; recebiam um Profeta. Por isso vemos os egípcios exaltando um José de um calabouço, porque ele teve um sonho, e porque deu a verdadeira interpretação dele. Disse Faraó: "Não há homem entre nós tão capaz de ditar, guiar e dirigir os assuntos desta nação quanto este homem. Ele teve um sonho. O Senhor lhe revelou algo sobre nossa condição futura—o que há de acontecer no Egito e nas nações vizinhas. O Senhor lhe revelou que haverá sete anos de fartura e sete anos de fome. Que homem está tão bem preparado para ficar ao meu lado em autoridade, para ditar e guiar os assuntos deste povo com respeito à fome que se aproxima? Que seja exaltado e honrado."

Honrariam eles assim a um Profeta nos dias de hoje? Não. Diriam: "Ele é um caráter falso, visionário, e não é apto nem para juiz de paz, nem para qualquer outro cargo de mínima responsabilidade." Os habitantes da grande Babilônia—uma das nações mais poderosas da terra, tendo saído conquistando e para conquistar, até que as nações judaicas e todas as nações fossem trazidas à sua sujeição, ainda assim tinham confiança em Profetas; e seu grande rei Nabucodonosor, cercado de toda a magnificência do poder, e sentado em seu trono, sonhou um sonho, e teve confiança de que havia algo nele. Ele não desprezou o Espírito de revelação como o faria o Congresso americano, ou como o fariam os reis, imperadores e nobres da terra neste dia; mas o considerou indicativo de algo no futuro; e uma proclamação foi enviada a todos os sábios da Babilônia, ordenando-lhes que revelassem seu sonho e a interpretação dele, ou seriam mortos. Por volta da época em que iriam executar a sentença do rei, e matar os astrólogos e sábios da grande Babilônia, Daniel exclamou: "Por que é tão apressado o decreto da parte do rei?" e pediu ao rei que lhe desse tempo, e que mostraria ao rei a interpretação. Por meio da oração de fé, o segredo foi revelado a Daniel, e ele se apresentou diante do rei e disse: "Tu, ó rei, vias, e eis uma grande estátua. Esta grande estátua, cujo esplendor era excelente, estava em pé diante de ti; e a forma dela era terrível. A cabeça desta estátua era de ouro fino; o peito e os braços, de prata; o ventre e as coxas, de bronze; as pernas, de ferro; os pés, em parte de ferro, e em parte de barro. Estavas vendo, até que uma pedra foi cortada, sem mãos, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou. Então foram juntamente esmiuçados o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, e se fizeram como pragana das eiras do verão, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, se fez um grande monte, e encheu toda a terra. Este é o sonho."

Vou agora relatar a substância da interpretação. Esta grande estátua que vistes representa os sucessivos reinos do mundo, até o estabelecimento do reino de Deus. A cabeça de ouro representa o grande reino sobre o qual reinas; o peito e os braços de prata representam outro reino inferior a ti, que sucederá ao teu reino, o qual todos os comentadores concordam ser o reino dos medos e persas. O ventre e as coxas de bronze representam outro reino que sucederá aos medos e persas, o qual todos concordam ter sido o império macedônio. As pernas de ferro representam o próximo em sucessão, que terá domínio universal. Todos concordam que o quarto representa o império romano. Os pés de ferro e barro representam os dez reinos que surgirão dos fragmentos quebrados do império romano. Governos, em seu estado fraco e dividido, deveriam ter lugar na terra até que o reino de Deus fosse estabelecido nos últimos dias.

O reino de Deus era inteiramente distinto desta grande estátua. Não fazia parte dela, mas foi representado como uma pedra cortada do monte sem mãos. Essa pedra feriu a estátua nos pés—não na cabeça, nem em qualquer outra parte do corpo: começou primeiro a operar sobre os pés e dedos da grande estátua; e então os pés, dedos, pernas, peito, braços e cabeça deveriam ser esmiuçados, e se tornar como a pragana das eiras do verão; e o vento levaria toda a estátua, e não se acharia lugar algum para ela, enquanto a pequena pedra cresceria a tal magnitude que encheria toda a terra; e o domínio, e a própria grandeza do domínio debaixo de todo o céu, seriam dados aos Santos do Altíssimo. Esta é a verdadeira interpretação deste notável sonho profético.

Não é minha intenção nesta manhã falar muito a respeito das relações particulares que o reino de Deus terá com as opiniões religiosas dos homens e das nações. Esse ramo deste grande assunto foi tão habilmente investigado por nosso Presidente, no sábado retrasado, que eu consideraria uma tolice tentar lançar qualquer luz nova sobre ele. Na verdade, seria muito difícil encontrar linguagem para expressar as ideias mais claramente e simplesmente do que ele o fez.

Meu objetivo foi, nesta manhã, tomar outro ramo deste assunto, e mostrar-vos os tempos e as estações do estabelecimento de uma teocracia sobre a terra, e talvez dizer algo sobre seu triunfo final.

Do que foi dito, podemos perceber que algumas partes da profecia de Daniel já se cumpriram. As predições eram de tal caráter que nenhum homem, por sua própria sabedoria, nos dias de Daniel, poderia possivelmente ter previsto aqueles acontecimentos distantes. Que homem, por sua própria sabedoria humana, poderia por um momento ter suposto que o reino dos medos e persas derrubaria o grande império da Babilônia, da maneira como foi predito por Daniel? De novo, que homem, não inspirado, poderia ter previsto que o império grego, sob o governo e domínio de Alexandre, sairia e derrubaria os medos e persas, e dominaria toda a terra; e finalmente, que ele morreria, e o reino seria dividido entre quatro de seus generais?—o que está claramente predito nos capítulos 7 e 8 de Daniel. Que homem, por sua própria sagacidade, sem a inspiração do Todo-Poderoso, poderia ter compreendido que surgiria um grande reino de ferro, diverso de todos os outros reinos, que esmiuçaria e devoraria toda a terra, e a pisaria com opressão e tirania?—o que é bem sabido ter sido feito pelo grande império romano. Todas essas coisas se cumpriram literalmente.

De novo, que previsão humana poderia ter predito que este grande reino seria vencido e fragmentado, e que os fragmentos comporiam os reinos modernos da Europa, junto com aqueles governos que emigraram da Europa para este continente ocidental? Todas essas profecias se cumpriram literalmente. Por que, então, não esperar que o reino de Deus surja literalmente das montanhas como uma pequena pedra, para esmiuçar a grande estátua? Se uma porção da profecia se cumpriu literalmente, por que não esperar o cumprimento literal do restante? Espero o cumprimento literal daquela profecia relativa aos Santos dos últimos dias surgindo como uma pequena pedra desconectada desta estátua, e desligada de todas as formas de governo, tanto civil quanto eclesiástico. Espero que tal reino surja, com uma forma separada de governo, e continue, e prevaleça, e progrida, até que o domínio e a grandeza do domínio debaixo de todo o céu sejam dados aos Santos do Altíssimo. Espero que isso se cumpra literalmente, tanto quanto sei que o outro se cumpriu literalmente. Sei que se argumenta frequentemente, por aqueles que professam ser homens sábios, que o reino representado por esta pequena pedra cortada do monte teve seu início 1.800 anos atrás. Examinemos isso, pois é da maior importância que compreendamos os tempos e as estações.

Daniel disse que o reino que seria estabelecido nos últimos dias jamais seria destruído, nem deixado a outro povo, mas existiria para sempre, e cresceria até que toda a terra fosse preenchida pelos Santos do Altíssimo. Como aconteceu com o reino de Cristo que foi estabelecido nos tempos antigos? Já o relatei; mas repetirei brevemente que o reino de Deus, estabelecido 1.800 anos atrás, não cumpriu os termos da profecia. Não foi estabelecido no momento apropriado. A estátua inteira que Nabucodonosor viu não estava então completa, da cabeça de ouro aos pés de ferro e barro, o que deveria ter sido o caso antes que a pedra fosse cortada do monte sem mãos. Estava ela completa 1.800 anos atrás? Não. Onde estavam as pernas de ferro em todo o seu poder e grandeza? Onde estavam os pés e dedos, que eram em parte de ferro e em parte de barro de oleiro? Ou, em outras palavras, os dez reinos que sucederiam ao grande império de Roma? Nos dias do antigo reino de Cristo, eles não existiam. A estátua não estava completa: faltavam-lhe as porções inferiores; faltavam-lhe as pernas e os pés de ferro e barro. É verdade que o império romano então existia, mas não como as grandes porções ocidental e oriental. Sabe-se que foi muito depois de Cristo que Roma se dividiu em dois reinos representando as duas pernas de ferro. A capital de um ficava em Constantinopla, e a do outro em Roma, na Itália. Mas onde estavam essas pernas, pés e dedos, alguns séculos antes, quando o reino de Cristo estava sobre a terra? Não existiam.

Naqueles dias não havia pedra alguma dos montes, e não havia pés nem dedos a serem esmiuçados. Em vez de a antiga Igreja cumprir a predição esmiuçando a estátua, os acontecimentos provaram um estado de coisas exatamente inverso. Alguns dos governos que compunham a estátua fizeram guerra aos Santos e os venceram, e o antigo reino de Cristo foi destruído da terra.

Ouçam o que os profetas predizem a respeito da Igreja antiga. Diz Daniel: "Eu olhava, e eis que esse chifre fazia guerra contra os santos, e os vencia." (Ver Daniel 7:21.) De novo, diz ele: "E se fortalecerá a sua força, mas não pela força dele mesmo; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os fortes e o povo santo." (Ver Daniel 8:24.)

Diz ainda mais—"E aos violadores do convênio com lisonjas fará usar de hipocrisia, mas o povo que conhece ao seu Deus se fortalecerá e agirá. E os sábios entre o povo ensinarão a muitos; todavia cairão pela espada, e pelo fogo, e pelo cativeiro, e pelo roubo, por muitos dias. E caindo eles, serão ajudados com pequeno socorro; e muitos se ajuntarão a eles com lisonjas." (Ver Daniel 11:32, 34.)

João, o Revelador, descrevendo esse mesmo poder sob a figura de uma besta, diz—"E toda a terra se maravilhou após a besta." "E deu-se-lhe poder para fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda tribo, e língua, e nação." (Ver o Apocalipse de João, capítulo 13.) Portanto, em vez de a antiga Igreja vencer a estátua, foi ela mesma vencida pela estátua. A história mostra o triste cumprimento dessas predições. Portanto o reino dos dias antigos não foi a pedra do monte. O antigo reino, sendo vencido, fugiu para o céu, e o Sacerdócio foi arrebatado até Deus e até seu trono; e ali os Santos são reservados no céu até a vinda do Filho de Deus para reinar sobre a terra, segundo as predições dos Profetas. Então ele trará consigo aquele reino que está no céu. Ele tem de estabelecer um reino na terra em preparação para aquele que virá do céu. Este reino preparatório deve ser estabelecido na terra, onde existem governos feitos pelo homem. Será um reino que crescerá em grandeza, poder e glória sobre a terra por muitos anos, em preparação para a vinda do Rei com o reino celestial, ocasião em que tanto o celestial quanto o terreno serão unidos em um só, sob seu grande Cabeça e Legislador.

Tendo demonstrado o fato de que um reino eterno há de ser estabelecido nos últimos dias, perguntemo-nos a seguir se chegou o período para que tão grandioso acontecimento se cumpra. Há algo que deva se cumprir antes que devamos esperar tal reino? Pode alguém apontar uma predição que precise ser cumprida antes que o reino de Deus seja estabelecido na terra, para nunca mais ser destruído?

Os remanescentes do antigo império babilônico, sob a forma de outros governos, se encontrarão principalmente na Ásia. O peito e os braços de prata também se encontrarão na Ásia. O ventre e as coxas de bronze se encontrarão em parte na Ásia e em parte na Europa. O reino de ferro fragmentado ainda existe na Itália, na Europa. Os pés e dedos existem por toda a Europa e entre os governos da América de origem europeia. Assim se conhece a localização da estátua, com sua cabeça na Ásia, e a outra extremidade na América. Nenhuma parte falta. Ela se estende sobre terras e mares, ocupando quase a totalidade dos dois grandes hemisférios de nosso globo. O velho monstro enrugado e desgastado parece prestes a se esmiuçar. Tudo o que parece necessário é que algum poder, distinto e independente, comece a esfacelar a velha coisa, e sua dissolução final logo se seguirá. Tal poder será o reino de Deus cortado do monte. A localização da pedra do monte não poderia estar na Ásia, na África ou na Europa, nem em nenhuma ilha distante do mar; mas deve estar na América, próxima às extremidades dos pés e dedos. Este reino da montanha não poderia se encontrar nos baixos países da América, mas em alguma região alta e elevada.

Não há país que melhor atenda aos termos da localização predita do que aquela região elevada que margeia a grande cordilheira das Montanhas Rochosas. Um reino nessa região elevada poderia bem ser chamado de reino da montanha, e assim ser designado pelo inspirado Daniel. Sua proximidade à extremidade ocidental da estátua quase excluiria a ideia de qualquer outra localização montanhosa.

Mas, para estabelecer tal reino, alguém precisa receber autoridade divina. E qual é o testemunho dos Santos dos Últimos Dias a respeito do chamado de alguém nesta Igreja? Queremos agora nos testar. Somos nós o reino de Deus que deveria ser estabelecido nos últimos dias? Ou não somos? Temos as características daquele reino? Fomos chamados da mesma maneira e forma em que os servos de Deus foram chamados nos dias antigos?

Para responder a esta pergunta, voltemos a Joseph Smith—aquele que organizou esta Igreja por mandamento do Todo-Poderoso. Quando, onde e como foste tu, Joseph Smith, primeiro chamado? Que idade tinhas? E quais eram tuas qualificações? Eu tinha entre catorze e quinze anos de idade. Tinhas ido para a faculdade? Não. Tinhas estudado em algum seminário de aprendizado? Não. Sabias ler? Sim. Escrever? Sim. Entendias muito de aritmética? Não. De gramática? Não. Entendias todos os ramos de educação geralmente ensinados em nossas escolas comuns? Não. Mas ainda assim dizes que o Senhor te chamou quando tinhas apenas catorze ou quinze anos de idade? Como ele te chamou? Vou dar-vos uma breve história tal como veio de sua própria boca. Muitas vezes o ouvi relatá-la.

Ele foi tocado pelo Espírito de Deus, e sentiu a necessidade de se arrepender de seus pecados e servir a Deus. Retirou-se um pouco da casa de seu pai, e se inclinou no deserto, e invocou o nome do Senhor. Era inexperiente, e estava em grande ansiedade e perturbação de espírito a respeito de qual igreja deveria se unir. Fora solicitado por muitas igrejas a se unir a elas, e estava em grande ansiedade para saber qual era a correta. Suplicou ao Senhor que lhe desse sabedoria sobre o assunto; e enquanto assim orava, teve uma visão, e viu uma luz se aproximando dele desde os céus; e à medida que descia e repousava sobre os topos das árvores, tornava-se mais gloriosa; e à medida que o cercava, sua mente foi imediatamente arrebatada de ver os objetos ao redor. Nessa nuvem de luz viu dois gloriosos personagens; e um, apontando para o outro, disse: "Eis o meu Filho amado! ouvi-o." Então foi instruído e informado a respeito de muitas coisas pertinentes ao seu próprio bem-estar, e ordenado a não se unir a nenhuma dessas igrejas. Também foi informado de que, em algum tempo futuro, a plenitude do Evangelho lhe seria manifestada, e ele seria um instrumento nas mãos de Deus para lançar o alicerce do reino de Deus.

Alguns poucos anos depois disso, tendo se mostrado fiel diante do Senhor, foi ordenado por um santo anjo a ir a uma colina a cerca de três milhas da casa de seu pai, e tirar do antigo local de depósito certas placas, nas quais estava registrada a história antiga deste grande continente ocidental, desde as eras mais remotas até que os registros foram escondidos por um antigo Profeta cerca de quatro séculos depois de Cristo.

No ano de 1827 foi permitido a ele tirar aquelas placas de seu longo depósito, e com elas o Urim e Tumim—um instrumento sagrado tal como era usado pelos antigos Profetas entre Israel para inquirir do Senhor. Foi ordenado pelo Senhor, não obstante sua juventude e inexperiência, a traduzir as gravações naquelas placas para a língua inglesa. Assim o fez, e outros escreveram do que ele ditava. Aqui, então, foi a maneira pela qual o Senhor iniciou uma obra preparatória para o levantamento do reino de Deus. De que serviria ter levantado o reino de Deus sem dar nova revelação sobre doutrina? Se uma igreja fosse levantada sem o Espírito de revelação, não poderia permanecer para sempre: seria fragmentada e dispersa, do mesmo modo que os outros sistemas do tempo, em numerosos fragmentos, um contendendo que estava certo, e outro que estava certo; e assim seria qualquer outra coisa menos o reino de Deus: seria um perfeito manicômio. Mas, para preparar o caminho, o Senhor deu uma extensa revelação, contida no Livro de Mórmon, incluindo profecias e a plenitude do Evangelho, tal como ensinado pela própria boca do Salvador neste vasto continente 1.800 anos atrás.

Com tal revelação, o reino de Deus poderia ser estabelecido, tendo um guia infalível em assuntos doutrinários—algo para mostrar os verdadeiros pontos do Evangelho de Jesus e os primeiros princípios das leis do reino, e assim remover toda causa de qualquer divisão de sentimento e opinião.

Este livro inspirado foi revelado a Joseph Smith em cumprimento daquelas profecias que muitas vezes repeti diante de vós, e que claramente predizem que tal obra viria para estabelecer o reino de Deus sobre a terra. O livro foi impresso no início do ano de 1830, após o que o Senhor deu ordens expressas a esse jovem para reunir alguns poucos que criam na obra, e lançar o alicerce da Igreja. Assim, em 6 de abril de 1830, o Reino de Deus dos Últimos Dias começou em sua organização, consistindo de apenas seis membros, na cidade de Fayette, Condado de Seneca, Estado de Nova Iorque. Foi este, de fato, o reino de Deus? Sim; foi seu começo, ou meramente um núcleo ao redor do qual os materiais apropriados deveriam se reunir e ser organizados. No início de janeiro de 1831, o Senhor deu uma revelação para que os poucos membros de seu reino se reunissem do Estado de Nova Iorque e da Pensilvânia ao Estado de Ohio. Reuniram-se ao lugar chamado Kirtland, Condado de Geauga. Permaneceram ali por alguns anos, durante os quais o Evangelho do reino foi extensamente pregado nos Estados Unidos e nos Canadás. Os Santos continuaram se reunindo em Kirtland e no Condado de Jackson, Missouri.

O inimigo estava alerta, e sabia a diferença entre o estabelecimento do reino de Deus e aqueles sistemas estabelecidos pelo homem. Se a Igreja fosse permitida a prosperar, temia que seu tempo fosse curto. Com a esperança de destruir o reino, o Diabo travou guerra contra os Santos no Condado de Jackson, e 1.200 homens, mulheres e crianças foram espalhados nos meses frios de novembro e dezembro de 1833, vagando sem casa e sem abrigo, sem comida nem fogo, pelas pradarias selvagens e o deserto desolado daquele país, perseguidos por todos os lados por turbas impiedosas. Depois disso se estabeleceram no lado norte do rio Missouri, no Condado de Clay, onde residiram por uns dois anos; foram novamente forçados a partir, e buscaram refúgio de seus perseguidores ainda mais ao norte, nas porções não colonizadas do Estado. Enquanto isso, os Santos em Kirtland foram forçados a deixar seus lares, fugindo de seus inimigos para o Missouri. Em 1839, foram expulsos do Missouri para Illinois. Em 1844, o grande Profeta desta última dispensação foi assassinado enquanto sob a proteção prometida do Governador de Illinois. No inverno de 1846, cerca de quinze ou vinte mil foram forçosamente expulsos de seus lares em Illinois. No verão seguinte, os doentes, os pobres e os idosos, cujas circunstâncias não haviam permitido acompanhar seus irmãos, foram expulsos de Nauvoo sob canhoneio.

Em meio a essas perseguições mais desumanas e terríveis, os Estados Unidos convocaram quinhentos desses exilados sofredores e errantes para deixarem suas famílias nas Planícies em meio a selvagens indomados, sem abrigo ou comida, para lutarem as batalhas da nação contra o México. Em 1847, depois de incríveis dificuldades e sofrimentos, os Santos chegaram a estas montanhas.

O objetivo de nossos perseguidores ao nos levarem para cá foi destruir o reino. Ameaçaram-nos com extermínio total se parássemos aquém destas montanhas. Supunham que, uma vez aqui, nossa destruição seria inevitável. "Naqueles desertos áridos e estéreis não podem subsistir; a fome rapidamente os consumirá: nos livraremos deles." Essas eram suas expectativas. Mas o Senhor tinha outro objetivo em vista ao permitir que fôssemos levados a estas regiões elevadas: pretendia cumprir a predição de Daniel, para que a pedra pudesse ser localizada em seu lugar apropriado, e ser mais plenamente organizada e preparada para o dia em que fosse tirada do monte para cumprir os propósitos de Jeová, e ela mesma se tornar um grande monte e encher toda a terra.

Enquanto ainda lá embaixo, naqueles países baixos, a pedra não estava no lugar certo: não estava plenamente organizada. Eles nos levaram a estas montanhas; e quando chegamos, encontramos aqui e ali um pequeno vale, e aqui e ali um arbusto crescendo, coberto de grilos tão espessamente que mal se podiam ver os galhos. Parecia sombrio para muitos ver apenas grama ressequida, terra estéril, e grilos em abundância, devorando tudo em forma de vegetação. Começamos a construir casas; mas não preciso vos dar a história dos detalhes durante os doze anos de nossa estada aqui. Olhem para longe neste Território: contemplem os assentamentos florescentes, formando quase uma cadeia contínua por cerca de 400 milhas de norte a sul. Olhem para esta cidade como exemplo. Não testificam nossos edifícios confortáveis, nossas obras públicas, nossas extensas melhorias, diante do céu e da terra, de Deus, dos anjos e dos homens, que os Santos dos Últimos Dias têm sido um povo diligente, se nada mais? Vejam a quantidade de trabalho exigida dos homens aqui para ganhar a vida, que não é exigida em uma região mais fértil. Um homem tem de passar dois ou três dias tediosos para conseguir uma pequena carga de lenha de nossos desfiladeiros montanhosos quase inacessíveis. Tem de irrigar a terra, e gastar tanto trabalho nessa única coisa quanto o fazendeiro de Illinois gastaria em toda a sua colheita. Independentemente disso tudo, vejam as dezenas de cidades que surgiram como que por magia; as dezenas de milhares de casas que foram erguidas, muitas das quais são grandes e cômodas, e podem ser consideradas esplêndidas para um país novo.

Todo esse imenso trabalho foi feito no curto espaço de doze anos. Por quem foi feito? Por um povo pisado e perseguido—um povo que já havia sido expulso cinco vezes de lares e fazendas, sofrendo a perda de milhões. Poderíamos perguntar aqui: Os Santos dos Últimos Dias tiveram muito tempo para fazer o mal, mesmo que estivessem muito inclinados a isso? Geralmente se descobre que um povo diligente é um povo moral—que um povo cujas mãos estão ocupadas, cujas forças físicas são exercidas do nascer ao pôr do sol, cujos membros cansados são obrigados a estar ativos irrigando o solo tanto de noite quanto de dia, e que são obrigados a subir às alturas das montanhas em busca de lenha e madeira, expostos de noite aos ventos gelados e às nevascas dessas regiões elevadas e sombrias, não têm muito tempo para tramar maldades. Por outro lado, vão vocês entre as nações onde comem, bebem e banqueteiam com o melhor, e o que encontram ali? Todo tipo de mal, embriaguez, lascívia, blasfêmias, e toda espécie de degradação e imoralidade. Tal classe de vadios preguiçosos e indolentes pode imaginar mais maldade em vinte e quatro horas do que todo o povo dos Santos viveria para fazer em vinte e quatro anos.

Mas o Diabo está tão furioso quanto sempre. Sua ira não cessou. Sente-se tão indignado, e um pouco mais, quanto quando estávamos nos Estados. Realmente pensamos, dizem nossos inimigos, que pereceriam naqueles desertos: supúnhamos que não pudesse haver uma espiga de milho cultivada nas vizinhanças das Montanhas Rochosas, e que, se pudéssemos apenas levá-los para lá, tínhamos certeza de que se reduziriam a nada. Mas eis que prosperam! O que faremos? Não podemos organizar turbas agora antes do café da manhã, e ir contra eles como fizemos no Missouri e em Illinois. Turbas estão fora de questão agora. Precisamos de algo mais plausível para operar sobre eles, para fazer o povo pensar que o fazemos legalmente. Precisamos persegui-los de qualquer forma. E lá foram os oficiais que aqui estavam espalhar toda sorte de mentiras, que eles mesmos e todo mundo sabiam serem mentiras; e o povo desde então provou que assim eram.

Mas, sem nomear uma comissão de investigação, e sem qualquer outra informação, o Chefe Executivo põe um exército em marcha, enquanto nada além de devastação, morte e extermínio total foram denunciados por toda a nação, bem como pelo exército, sobre as cabeças dos dedicados cidadãos de Utah. O correio foi retido, e meses se passaram antes que os pacíficos e diligentes cidadãos deste Território soubessem que um exército se aproximava, ou que algo tivesse ocorrido para perturbar nossas relações pacíficas com o Governo Geral. Sob essas circunstâncias alarmantes, decidiu-se preservar nossas cabeças sobre nossos ombros, se possível, até que pudéssemos obter alguma informação oficial quanto às intenções do Governo e do exército. Na providência de Deus, o exército não alcançou nossos assentamentos, como pretendia, senão no verão seguinte. Nenhuma batalha foi travada, nenhum sangue foi derramado, e continuamos vivos. Comissários chegaram de Washington, quando fomos pela primeira vez informados de que toda a nação, junto conosco e com o exército, havia trabalhado sob um completo engano—que o Presidente não tinha intenções contra o povo de Utah, mas apenas desejava estabelecer alguns postos militares.

Se a nação tivesse sido informada disso um ano antes, que terrível comoção e agitação teriam sido evitadas? Mas o Presidente, sem dúvida, gozou da piada à custa da nação. O reino de Deus está destinado a permanecer para sempre e encher toda a terra. Como poderão nossos inimigos ajudar a si mesmos? Tentaram fazer algo, mas ainda estamos aqui em nossa habitação; mas se não estivéssemos, o reino de Deus continuaria a rolar adiante. Ainda ocupamos nossas fazendas; mas se não ocupássemos, o reino de Deus continuaria a rolar adiante. De modo geral, ainda estamos vivos; mas se metade de nós estivesse morta, o reino de Deus continuaria a rolar adiante. E até agora nossas casas não foram queimadas, nossas colheitas não foram destruídas, nem nosso gado morto; mas se o fossem, o reino de Deus continuaria a rolar adiante.

Nem o exército dos Estados Unidos nem todos os exércitos da terra podem destruir o reino. Tudo o que reivindicamos é, como já afirmei anteriormente, em relação a nós mesmos, o direito garantido a nós pela Constituição americana. Não pedimos nenhum outro direito: não pedimos mais privilégios sob essa Constituição do que os que são desfrutados pelo povo de todo outro Território da União Americana. E até mesmo esses direitos não pedimos: são nossos sem que os peçamos. Não os mendigamos: não nos lamentaremos a ponto de nos curvarmos ao Congresso dos Estados Unidos para pedir direitos que já possuímos, e que todo cidadão americano deveria desfrutar aqui, nesta tão gabada terra da liberdade.

O quê! Pedir aquilo que já possuímos, que nos é garantido pela grande Constituição de nosso país, e que foi comprado para nós pelo sangue de nossos nobres antepassados! Não; não faremos tal coisa! Tomaremos os privilégios já nossos, e os desfrutaremos, até que a força nos prive deles; e este é o sentimento que todo cidadão americano deveria ter. Toda pessoa nos Estados, assim como nos Territórios, que tenha a menor partícula do sangue da liberdade correndo em suas veias, deveria manter a dignidade da Constituição de nosso país e as leis nacionais, e deveria estimá-las como o grande escudo e baluarte de nossa defesa contra a tirania e a opressão, e deveria mantê-las invioláveis, e reivindicá-las, se necessário for, até o derramamento da última gota de sangue que corre em suas veias. Deveríamos reivindicá-las até o fim, e dizer: Esses direitos são nossos, e os manteremos ou morreremos! Estes são meus sentimentos.

O reino de Deus está aqui. É uma teocracia? Sim, no que diz respeito à lei eclesiástica. Há algo na Constituição deste Governo que nos impeça de estabelecer qualquer tipo de leis que nos aprouver para nos governar eclesiasticamente, contanto que não infrinjamos as leis dos Estados Unidos, ou vamos contra qualquer dos direitos garantidos na Constituição americana? Não. O que nos é garantido naquele nobre instrumento entregue a nós por nossos pais? Ele dá a toda classe de pessoas, sejam poucas ou muitas, o privilégio de se organizarem, e de estabelecerem as leis que lhes aprouver para governá-las em caráter de Igreja; e ninguém tem o direito de perturbá-las. Nos consideramos sujeitos às leis civis? Sim. Deus, não obstante ter nos dado leis de Igreja, não nos isentou da autoridade da lei civil. Estamos sujeitos à Constituição tanto quanto Kansas está, e às leis dos Estados Unidos tanto quanto qualquer Território da nação. Transgredimos em algum aspecto? Se não transgredimos a lei, então sejamos livres, como qualquer outro cidadão americano, e adoremos a Deus segundo os ditames de nossa própria consciência. Examinem o Livro de Doutrina e Convênios desta Igreja—percorram todas as seções desse livro, e verão que a voz do Senhor é para com o povo: Faze isto, faze aquilo, e a outra coisa. Essa é a palavra do Senhor: é a lei dada para governar sua Igreja; e o Senhor diz naquele livro: Estais obrigados a guardar as leis da terra; e aquele que guarda minhas leis não tem necessidade de infringir as leis da terra.

O Senhor não saiu e disse aos Santos dos Últimos Dias: Ide contra todas as leis humanas ou civis; mas o contrário: deu-nos estas leis celestiais enquanto em nossa infância para nos governar em caráter de Igreja; e ao fazê-lo, não infringimos as leis do homem. De novo: Aqui está o Livro de Mórmon, que contém uma lei teocrática para governar os Santos de Deus. Não podeis encontrar neste livro nada que entre em conflito com a Constituição americana ou com as leis dos Estados Unidos.

Onde, então, estamos transgredindo ao estabelecer uma forma teocrática de Governo em meio a esta república? Não estamos transgredindo mais do que os metodistas ou os batistas, ou qualquer outra seita religiosa. Todos têm direitos iguais. Eu tomaria tão prontamente as armas de guerra para defender os direitos dos presbiterianos quanto os de qualquer outra seita e partido neste Continente Americano: todos têm direitos iguais aos dos Santos dos Últimos Dias, e portanto deveriam ser protegidos com eles. Não sei todas as coisas que estão no futuro; mas a profecia de Daniel apontou que a pequena pedra ferirá a estátua nos pés, e esmiuçará os pés, o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, e que toda a grande estrutura desabará junto num estrondo poderoso. Isso não está cumprido. Mas uma coisa sabemos—se nos deixarem em paz, os deixaremos em paz, e lhes faremos bem; mas se ilegal e injustamente pisarem em nossos dedos dos pés, não sei se não tentaremos cumprir o que está nas profecias. Se tentarem nos oprimir e nos trazer à servidão, e nos privar de nossos justos direitos garantidos pela Constituição, não sei se o grande Jeová não tem em mente fazer a eles o que eles nos fariam, se tivessem o poder; e não sei se nós, como cidadãos americanos, não seremos obrigados a nos levantar e defender nossos justos direitos e cumprir o que foi falado pelos antigos Profetas, agindo meramente em legítima defesa.

Pretendemos manter o Governo dos Estados Unidos e os princípios da Constituição. Foram dados indiretamente pela voz da inspiração a nossos antepassados: foram dados para manter invioláveis os princípios da liberdade civil e religiosa para todo o povo debaixo do céu. Pode o idólatra vir aqui e construir um templo para adorar ídolos? Sim. Vão à Califórnia e encontrarão um erguido pelos chineses: eles ali adoram ídolos mudos. O povo tentou puni-los por lei; mas o julgamento foi dado no sentido de que, uma vez que não infringiam os direitos dos outros, tinham o direito de adorar ídolos. É privilégio do idólatra adorar aqui? É privilégio do maometano vir aqui com suas muitas esposas? Deveria ser; mas, no que diz respeito às leis estaduais locais, elas se desviaram da Constituição. Essas leis estaduais fazem o maometano divorciar-se de todas as suas esposas, exceto uma, ou então o confinarão na prisão por anos. Essas leis estaduais desfarão sua família e o farão renegar e expulsar seus filhos ao vasto mundo, órfãos e desprotegidos. Dizem ao maometano: Podeis viver aqui no Missouri, ou em qualquer outro Estado, se apenas fizerdes isto.

Que liberdade maravilhosa! Vergonha ao Estado que assim aprovará leis em aberta violação da Constituição. Eu preferiria vê-los todos no céu ou em algum outro lugar, antes de agradecer-lhes por oferecer-me liberdade sob condição de desfazer minha família.

Onde podeis apontar o dedo para uma lei aprovada pelo Congresso americano que prive um homem dos direitos a ele garantidos em relação ao governo de sua família, não importando se tem uma esposa ou muitas? Tentem privar o povo desta única instituição doméstica, e podereis, pelo mesmo princípio, privá-lo de todas as outras.

Aprisionai o polígamo por ter mais de uma esposa, e tereis o mesmo direito de aprisionar um homem por ter mais de um filho, ou de punir o senhor de escravos por ter mais de um escravo. A mesma Constituição que protege este último também protege o primeiro. É tanto direito do povo ter doze esposas quanto ter doze filhos. Que pensaríeis de uma lei estadual que tentasse privar-vos do privilégio de ter apenas um filho? Isso não seria mais descaradamente injusto do que as leis estaduais contra a poligamia.

O maometano pode vir a Utah com suas esposas; qualquer um pode vir aqui, sem ter sua família desfeita, suas esposas arrancadas de seu seio, e seus filhos lançados ao mundo. Dizemos a todo o mundo: Vinde a Utah; e enquanto tivermos o poder de eleger legisladores sábios, vos protegeremos em vossos direitos domésticos, segundo a Constituição nacional.

Do que foi dito, começamos a entender algo sobre o reino de Deus. Ele há de se originar nas montanhas e rolar delas para baixo, como uma pedra; e à medida que rola ganhará força e grandeza, até que se torne, no devido tempo, como um grande monte, e encha toda a terra. E quando o grande Rei vier, sentado no trono de sua glória em meio aos exércitos do céu, todo olho o verá—todo ouvido ouvirá sua voz. Então todos os soberbos e os que praticam a maldade serão consumidos como restolho; então todos os que não derem ouvidos aos Profetas, e Apóstolos, e a Jesus serão eliminados dentre o povo, como foi predito por Moisés; então todos os povos, nações e línguas que forem poupados sobre a face de toda a terra servirão e obedecerão ao grande Rei—então não haverá seitas nem partidos—nem idólatras nem pagãos não redimidos; então se cumprirá a predição de Zacarias—"E o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um só será o Senhor, e um só será o seu nome." (Zac. 19:9.) Então o conhecimento de Deus cobrirá a terra assim como as águas cobrem o seio do grande mar.

Mas entre o tempo do estabelecimento do reino e seu triunfo final, haverá estágios sucessivos de sua grandeza e glória crescentes. Muitos dos Santos verão seu Rei muito antes de ele vir nas nuvens do céu. Antes daquele grande dia os Santos terão grande domínio e governo sobre a terra. Sião enviará suas leis e suas instituições, e seus oficiais de paz para proteger toda seita da cristandade e toda carne em seus direitos religiosos, tal como foi tão clara e eloquentemente exposto perante vós por nosso amado Presidente há dois sábados. Enquanto o tempo durar, o livre-arbítrio do homem deverá ser protegido; mas quando o arcanjo se erguer sobre a terra e sobre o mar, e jurar, em nome daquele que vive para todo o sempre, que o tempo não mais será, então ai dos ímpios e daqueles que rejeitaram os servos de Deus, pois serão consumidos pelo resplendor de sua vinda e punidos pelo abuso daquele arbítrio moral que lhes foi dado, e no exercício do qual haviam sido tão cuidadosamente protegidos pelas leis de Sião.

Vedes a diferença entre o período de tempo em que o reino está crescendo, espalhando-se e ampliando seus domínios, e aquele período mais glorioso em que o reino do céu virá ao encontro do reino terreno—quando todos os poderes do céu se manifestarão e terão lugar em nossa terra transfigurada e santificada. Que o Senhor nosso Deus, nosso grande Rei e Legislador, abençoe o povo! Que ele abra os olhos dos honestos, para que as palavras da verdade os penetrem! Que o poder do Espírito Santo, como uma suave corrente, flua sobre eles! Que o Espírito da verdade repouse poderosamente sobre os Santos dos últimos dias! Que sejam armados com poder e com a retidão de Deus em grande glória! Que se levantem em poderosa fé, como o povo nos dias de Enoque, para que os céus os revistam da glória de Deus! E que saiam conquistando e para conquistar, até que a falsa tradição, os males, os pecados e as abominações dos filhos dos homens sejam varridos da terra, e até que o Rei dos reis e o Senhor dos senhores reine triunfantemente com poder onipotente! Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Theocracy”, (1859-08-14). Pulpit Vault, 1859-08-14-pratt-o-theocracy. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).