Evidências da Bíblia e do Livro de Mórmon Comparadas
Orson Pratt
Começarei meu discurso lendo o testemunho de três testemunhas do Livro de Mórmon. ¶
[O orador aqui leu o testemunho referido.] ¶
Lerei também o testemunho de oito testemunhas. ¶
[O orador então o leu.] ¶
Irmãos e Amigos--Apareço diante de vós hoje pela primeira vez em muitos meses, sentindo-me grato a nosso Pai celestial por sua condescendência e misericórdia para conosco como povo, por sermos mais uma vez, por sua bondosa providência, autorizados a nos reunir neste Tabernáculo com o propósito de culto público. ¶
Quer eu diga muito quer pouco, é meu sincero desejo ser ditado pelo Espírito do Deus vivo. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi estabelecida sobre a terra no ano de 1830. Não fosse pelo Livro de Mórmon, que agora seguro em minhas mãos, tal Igreja não teria existido. A probabilidade é que não teria havido povoados formados neste Território, nenhuma cidade a adornar estas terras desoladas, nenhum tabernáculo erguido para o culto divino, e nenhuma congregação reunida para ouvir as palavras da vida. As vastas solidões destes desertos teriam sido interrompidas apenas pelo uivar de feras selvagens, ou pelos gritos ainda mais tristes do selvagem feroz. Mas este maravilhoso livro operou uma vasta mudança; e estas regiões estéreis agora "se alegram e florescem como a rosa". Este livro professa ser enviado como revelação divina de Deus. ¶
Se for uma impostura, como muitos de nossos opositores dizem, então esta Igreja também é uma impostura, e nossa fé e esperança são vãs. Por outro lado, se o Livro de Mórmon for revelação divina, como as testemunhas testificaram--se Deus de fato trouxe a lume a história antiga do continente americano, e os escritos dos antigos Profetas e Apóstolos que uma vez habitaram esta terra--se fez isso, e restabeleceu seu reino e Igreja sobre a terra, então nossos opositores, que condenam o livro, serão achados sob condenação. Se este livro é de Deus, deve ter evidência suficiente que o acompanhe para convencer as mentes de todas as pessoas razoáveis de que é uma revelação divina. Se foi traduzido pelo dom e poder de Deus, por meio do urim e tumim, e anjos foram enviados do céu para testificar de sua verdade, então todos os habitantes do mundo estão envolvidos e têm interesse nele. ¶
Não são apenas os poucos indivíduos dentro das paredes deste Tabernáculo que estão interessados em suas verdades; não são apenas os poucos indivíduos que habitam este Território e os poucos Santos no exterior no mundo que estão nele interessados; mas todas as nações da terra, sem exceção--seus imperadores, reis e nobres--seus presidentes, governadores e governantes--seus papas, arcebispos e bispos--seus instruídos e não instruídos de toda sociedade religiosa, sejam judeus, maometanos, pagãos, ou cristãos, estão todos igualmente interessados nele, se for o que professa ser. ¶
Se o Senhor me ajudar e fortalecer por seu Espírito Santo, o que creio que fará, mediante vossas orações, procurarei trazer à luz algumas poucas das evidências que estabelecem a autenticidade divina do Livro de Mórmon. ¶
Compararei esta evidência com a evidência para a autenticidade divina da Bíblia. Se os dois livros são sustentados por igual quantidade de evidência, então todos são obrigados a ter a mesma fé num quanto no outro. Mas se a divindade do Livro de Mórmon não repousa sobre fundamento tão seguro quanto a Bíblia, então o povo terá alguma pequena razão para rejeitá-lo. ¶
Em primeiro lugar, examinarei que evidências a geração presente tem para crer que os vários livros incorporados nas Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento são de origem divina. Deve-se recordar que o livro chamado a Bíblia foi traduzido de manuscritos há 247 anos pelos tradutores do Rei Jaime. Os manuscritos dos quais a Bíblia foi tirada não existem hoje. Até o ano de 1749, estavam depositados numa universidade espanhola, chamada Alcalá, antigamente chamada Complutum. O bibliotecário os vendeu a um tal Toryo, que negociava fogos de artifício como materiais para fazer foguetes. (Para autoridade, veja o Michaelis de Marsh, vol. 2, parte 1, página 441.) ¶
Os manuscritos mais antigos de qualquer dos livros do Antigo Testamento hoje datam do século doze da era cristã. Encontrareis prova disto na Encyclopaedia Britannica, 8ª edição, vol. 4, página 695, série agora publicada em Edimburgo, Escócia. Aquela célebre obra diz: "Os livros sagrados do Antigo Testamento chegaram até nossos dias em manuscritos, dos quais os mais antigos datam do século doze. Nada se sabe da história do texto anterior a esse período depois do retorno dos judeus de seu cativeiro." ¶
Os instruídos acreditam que as Escrituras do Antigo Testamento foram todas destruídas pelos assírios cerca de seiscentos anos antes de Cristo. Os Apócrifos nos informam que Esdras foi inspirado a reescrevê-las. Desta maneira se conjectura que os judeus voltaram a estar de posse de seus escritos sagrados. Estes livros novamente pereceram na grande perseguição de Antíoco. (Para mais informação sobre este assunto, veja a Dissertação de Brett no Collect do Bispo Watson, vol. 3, página 5.) ¶
A história dos escritos inspirados anteriores ao cativeiro babilônico é muito breve. O número de cópias era muito pequeno. Nos dias de Josias, todos os judeus pareciam estar destituídos de uma cópia da lei. Durante o reinado daquele rei, ao reparar a casa do Senhor, uma cópia do livro da lei foi encontrada; e quando apresentada ao rei, ele enviou cinco mensageiros a Hulda, a profetisa, dizendo: "Ide, consultai ao Senhor por mim, e pelos que restam em Israel e em Judá, sobre as palavras deste livro que se achou." Os mensageiros voltaram e relataram ao rei que o livro encontrado era de fato uma revelação divina, e o rei fez com que todos os habitantes de Jerusalém se reunissem para ouvir as palavras do livro. (Veja 2 Crônicas 34.) ¶
Por longo período antes de encontrar o livro, os judeus haviam sido ignorantes das Escrituras, e caído na mais grosseira idolatria. Uma nova revelação por meio da profetisa Hulda parece ter sido suficiente para convencer o rei e todo Israel da divindade do livro. Devem ter sido inclinados, naquela era do mundo, a crer na história dos servos de Deus mais do que nesta era; pois agora o povo geralmente exige vasta quantidade de evidência. O testemunho de uma dúzia de testemunhas dificilmente é considerado. ¶
Já observei que, por meio das perseguições levantadas contra a casa de Israel, seus livros foram destruídos; sim, mesmo as tábuas de pedra, por alguma razão, lhes foram tiradas, e todo Israel ficou sem sequer uma cópia da lei, até que acidentalmente aconteceram de encontrar uma que fora escondida na casa do Senhor, como já mencionei; e estavam tão ignorantes quanto a esta cópia que foram obrigados a mandar chamar Hulda, uma das profetisas em Israel, para consultar o Senhor e saber se realmente era sua palavra. Encontraram um livro, mas não sabiam se era verdadeiro ou falso; e pensaram importante que fosse determinado pela palavra imediata de Deus. ¶
Por que não faz esta geração o mesmo? Por que não consulta o Senhor se o Livro de Mórmon é uma revelação divina? A cópia encontrada antigamente continha as palavras do Senhor. E o povo se alegrou tanto que toda a nação judaica se reuniu para ouvi-lo lido, e se alegrou com ele, e deu atenção a seus preceitos. Não foram como a geração presente; não o combateram, nem testificaram toda sorte de mal contra ele, nem publicaram mentiras contra ele; mas creram nele com base no testemunho da profetisa. ¶
É muito provável que os judeus copiassem estes escritos sagrados sobre vários materiais. O Bispo Watson nos informa que "os hebreus chegaram a escrever seus livros sagrados em ouro, como podemos aprender de Josefo, comparado com Plínio." Ele diz ainda: "Aqueles livros que foram inscritos em tábuas de madeira, chumbo, bronze, ou marfim, eram unidos entre si por anéis na parte de trás, através dos quais uma vara era passada para carregá-los." "Os primeiros livros," continua o Bispo Watson, "estavam na forma de blocos e tábuas, dos quais encontramos frequente menção na Escritura, sob a denominação de sepher--isto é, tábuas quadradas. Aquela forma que prevalece entre nós (ele cita Plínio), é a quadrada, composta de folhas separadas, que também era conhecida, embora pouco usada entre os antigos." ¶
Estas cópias das Escrituras foram destruídas, de modo que os judeus novamente ficaram destituídos dos escritos sagrados. Como voltaram a obter uma cópia, esta geração não é informada. ¶
Esdras nos informa nos Apócrifos que foi inspirado por Deus a escrever grande número dos livros das Escrituras do Antigo Testamento, para que o povo judeu pudesse novamente estar de posse deles. Mas como há de saber esta geração se Esdras era verdadeiro Profeta ou não? Como há de saber que foi realmente inspirado por Deus a realizar obra tão grande? Parece que os instruídos não têm confiança nele, ou não teriam colocado seus livros entre os escritos apócrifos como duvidosos. ¶
Mas logo depois dos dias de Esdras os livros sagrados novamente pereceram. Como voltaram os judeus a obter cópias? Nenhum dos instruídos pode responder a esta pergunta. Por dezessete longos séculos, a história do texto sagrado é desconhecida. Somos informados por escritores instruídos que cerca de três séculos antes de Cristo as Escrituras hebraicas foram traduzidas para o grego, chamada a Septuaginta; mas temos alguma cópia da Septuaginta? Não. Podeis vasculhar todos os arquivos das nações, e não podereis encontrar uma daquelas cópias antigas. Mil e quinhentos anos depois desta suposta tradução, encontrais alguns manuscritos gregos e hebraicos. Indaguemos sobre a situação dos manuscritos dos quais nossas atuais Bíblias hebraica e grega foram formadas. Somos informados por São Crisóstomo, antigo escritor cristão que viveu logo depois dos dias de Cristo, que "muitos dos monumentos proféticos pereceram; pois os judeus, sendo descuidados, e não apenas descuidados, mas também ímpios, descuidadamente perderam alguns destes monumentos; outros em parte queimaram, em parte despedaçaram." ¶
Somos também informados por São Justino, outro antigo escritor cristão, que os judeus de fato destruíram grande número dos livros proféticos, a fim de que o mundo não percebesse a concordância entre os antigos Profetas no Antigo Testamento e o Cristianismo. Aqui, então, temos o testemunho de antigos escritores cristãos de que muitos dos livros proféticos do Antigo Testamento foram destruídos. ¶
Somos também informados pelos Católicos, "Que muitos, e muitíssimos dos livros canônicos da Escritura pereceram completamente, e nem sequer apareceram nos dias dos padres muito antigos; de modo que nada senão os nomes daqueles livros chegaram até nós." (Veja Question of Questions de Mumford, seç. 1. 7.) ¶
Somos também informados, por aqueles manuscritos que datam do século 12 da era cristã, que os poucos livros que foram preservados durante o longo reinado de perseguição e erro tornaram-se muitíssimo alterados e mutilados--tanto assim, que quando os instruídos reuniram grande número de manuscritos, não encontraram dois que concordassem. Grande variedade de leituras nestes manuscritos desencorajou muitos de nossos tradutores, há uns três séculos, de traduzir o Antigo Testamento, para que o mundo não se voltasse ao ateísmo. Se os tivessem traduzido todos, teriam tido várias centenas de Bíblias, todas em conflito e diferindo umas das outras. ¶
Deve-se recordar que o cânon Católico da Escritura não foi formado até o ano 397. Antes desse período, o povo era deixado, alguns deles a crer neste manuscrito, e alguns naquele--alguns a rejeitar este, e alguns aquele; e muitos dos padres cristãos nos séculos segundo e terceiro da era cristã eram inteiramente incapazes de determinar quais manuscritos eram espúrios, e quais deveriam ser recebidos como divinos. Mumford fala assim sobre este assunto-- ¶
"Se recorreis à tradição da Igreja apenas dos primeiros quatrocentos anos, lembrai-vos que o Concílio de Cartago, logo após o fim daqueles anos, alegou a antiga tradição de seus pais, que julgaram suficiente para definir nosso cânon. Eles, que estavam tão próximos daqueles primeiros quatrocentos anos, conheciam muito melhor a tradição mais universal daquela era do que nós podemos, mil e duzentos anos depois dela. É verdade (nada tendo sido definido até então), os doutores particulares eram livres para seguir o que julgassem mais verdadeiro; e assim como os achais variando de nosso cânon, alguns em alguns livros, alguns em outros, assim os achareis variando uns dos outros, e variando também de vós" (referindo-se ao Cânon Protestante). "Pois, naqueles primeiros quatrocentos anos, Melito e Nazianzeno excluíram o Livro de Ester, que vós acrescentais. Orígenes duvida da Epístola aos Hebreus, da segunda de São Pedro, da primeira e segunda de São João. São Cipriano e Nazianzeno deixam o Apocalipse ou Revelação fora de seu cânon. Eusébio duvida dela." ¶
Mumford diz ainda--"Todos aqueles santos padres sempre concordaram nisto, que tais livros eram evidentemente palavra de Deus que tinham evidentemente tradição suficiente a seu favor. Ora, nos dias daqueles padres que assim variavam uns dos outros, não era por nenhum meio infalível dado a conhecer a todos que aqueles livros sobre os quais sua divergência havia eram recomendados como a infalível palavra de Deus por uma tradição claramente suficiente para fundamentar a crença; pois a Igreja ainda não havia examinado e definido se a tradição mostrava claramente o suficiente que tais e tais livros eram a infalível palavra de Deus. Mas nos dias de Santo Agostinho, o terceiro Concílio de Cartago, ano 397, examinou quão suficiente ou insuficiente era a tradição da Igreja que recomendava aqueles livros como Escritura sobre os quais havia tanta dúvida e contrariedade de opiniões. Acharam todos os livros contidos em nosso cânon, dos quais tantos considerais apócrifos, terem sido recomendados por tradição suficiente para fundamentar a fé. Pois sobre este fundamento (Cân. 47), procederam a definir todos os livros de nosso cânon como canônicos. Porque, dizem eles, recebemos de nossos pais que aqueles livros deveriam ser lidos na Igreja. O Papa Inocêncio Primeiro, que viveu no Ano do Senhor 402, sendo solicitado por Exupério, Bispo de Toulouse, a lhe declarar quais livros eram canônicos, ele responde (Ep. 3), que tendo examinado o que a tradição suficiente demonstrava, ele estabelece quais livros são recebidos no cânon das Sagradas Escrituras, no fim de sua Epístola, cap. 7. A saber, exatamente aqueles que agora temos em nosso cânon; e embora rejeite muitos outros livros, contudo não rejeita um só destes." (Veja Question of Questions de Mumford, seç. 3, pars. 4, 12.) ¶
O Papa de Roma reuniu estas pessoas em contenda na forma de um concílio, e sentaram-se em julgamento sobre vários manuscritos que professavam ser divinos. Aquele Concílio disputador e contendor decidiu que certo número de livros deveria ser admitido como divino, e deveria formar o verdadeiro cânon da Escritura, e que nenhum outro livro deveria ser acrescentado. Somos informados que este Concílio rejeitou vasto número de livros. Alguns destes livros rejeitados eram considerados por parte do Concílio de origem divina. ¶
Os manuscritos do Novo Testamento que estes antigos apóstatas no terceiro Concílio de Cartago pronunciaram canônicos jamais chegaram a nosso dia. Os manuscritos mais antigos do Novo Testamento de que esta era está de posse supõe-se datarem do sexto século da era cristã. Não temos nenhum dos manuscritos originais escritos por qualquer dos Apóstolos ou escritores inspirados. Temos cinco manuscritos existentes que se supõem terem sido escritos já no sexto ou sétimo século depois de Cristo. Três deles encontrareis depositados na Biblioteca Real de Paris. ¶
1º. O Manuscrito Vaticano, numerado 1.209. Foi provavelmente escrito pelos monges do Monte Atos; ouviu-se falar dele pela primeira vez como estando de posse do Papa Urbano oitavo. Algumas das folhas estão faltando; a tinta em alguns lugares desbotada. As letras foram retraçadas por mão hábil e fiel. (Veja os Editores Unitaristas da Versão Melhorada do Novo Testamento, e Marsh.) ¶
2º. O Manuscrito Clermont ou Regises, 2.245. Data do sétimo século. Foi encontrado no mosteiro de Clung, chamado Clermont, de Clermont em Beauvais, onde foi preservado. Trinta e seis folhas dele foram roubadas por um tal John Aymon, e vendidas na Inglaterra, mas desde então recuperadas. É grego e latino, e contém as Epístolas; mas a dos Hebreus por mão posterior. Como outros Códices greco-latinos, o grego foi acomodado ao latim. (Para autoridade, refira-se a Wetstein, Editores Unitaristas, Professor Schweyhausen, citado pelo Bispo Marsh, vol. 2, página 245.) ¶
3º. O Manuscrito Ephrem. Este também se diz ter sido escrito no sétimo século. Foi primeiro descoberto pelo Dr. Allix, no início do século dezoito. Está em grande desordem; muitas folhas perdidas, muitas totalmente ilegíveis; e o todo foi apagado para dar lugar às obras de Efrém, o Sírio, sob as quais o texto sagrado talvez possa ser decifrado por transparência. (Veja os Editores Unitaristas do Novo Testamento Melhorado.) ¶
Os Manuscritos Vaticano, Clermont, e Ephrem se encontrarão na Biblioteca em Paris. ¶
4º. O Manuscrito Alexandrino. Foi provavelmente feito no sexto século; Cassimer Odin diz o décimo. Foi depositado no Museu Britânico em 1753. Cirilo, Patriarca de Constantinopla, apresentou-o a Carlos Primeiro em 1628, por seu embaixador, Sir Thomas Roe. Foi escrito pelos monges para uso de um mosteiro da ordem dos Acemetas, isto é, vigilantes, nunca dormindo. Seu texto original não é mais visível; escrito com letras unciais; sem intervalos entre as palavras. Foi alterado a partir da versão latina, e foi escrito por pessoa que não dominava a língua grega. (Para autoridade, veja Cassimer Oudin, Wetstein, etc., etc.; conforme citado pelo Bispo Marsh em sua Introdução ao Michaelis, vol. 2, página 185, e seguintes.) ¶
5º. O Manuscrito de Cambridge, ou Códice Beza. A respeito deste, o Bispo Marsh diz--"Talvez, de todos os manuscritos agora existentes, este seja o mais antigo." Teodoro Beza o usou para sua edição do Novo Testamento. Foi encontrado em Lyon, no mosteiro de Santo Ireneu, A.D. 1562. O próprio Beza reconhece que deveria antes ser guardado para evitar ofensa de certas pessoas, do que ser publicado. Foi depositado na Biblioteca da Universidade em Cambridge, Inglaterra. Letras unciais; sem intervalos entre as palavras. É muito agramatical. Varia do texto grego comum em grau maior do que qualquer outro. (Veja os Editores Unitaristas, Bispo Marsh, vol. 2, página 229.) ¶
Além destes, há mais de vinte manuscritos de data posterior em letras grandes, de diferentes porções do Novo Testamento; e algumas centenas em caracteres menores. Parece, pelas superscrições de muitíssimos manuscritos de que estamos de posse, que foram escritos no Monte Atos, onde os monges se ocupavam em escrever cópias do Testamento Grego. Alguns manuscritos, atribuídos à mais alta antiguidade, foram descobertos serem a composição de impostores já no século dezessete, com o propósito de introduzir doutrinas favoritas e impor à credulidade cristã. Os manuscritos Montford e de Berlim, por exemplo. (Veja Marsh, vol. 2, página 295.) ¶
Todos os manuscritos mais antigos do Novo Testamento conhecidos do mundo diferem entre si em quase todo versículo. E o mesmo é verdade também em relação aos do Antigo Testamento. Um dos antigos escritores cristãos, Jerônimo, em seus comentários sobre os Profetas, queixa-se da corrupção de suas cópias manuscritas gregas. Belarmino testifica que as cópias gregas do Antigo Testamento estão tão corrompidas que parecem fazer uma nova tradução, bem diferente das traduções de outras cópias. Tudo, portanto, é incerteza, não apenas em relação aos manuscritos hebraicos, mas também os gregos. Se, logo depois do início da era cristã, os manuscritos do Antigo Testamento foram pelos judeus em parte destruídos, perdidos, queimados, e despedaçados, de modo que os instruídos daquela era antiga não puderam obter nada além dos nomes dos livros perdidos, não se deve supor que nós, que vivemos uns mil e setecentos anos depois, estejamos de posse de cópias mais puras e genuínas do que Jerônimo, Belarmino, e outros antigos escritores. ¶
Em relação aos manuscritos do Novo Testamento, o Sr. Cressy escreve nestas palavras--"Em minha presença, o Bispo Usher professou que, tendo por muitos anos antes desejado publicar o Novo Testamento em grego, com várias leituras e anotações; e para tal propósito havia usado grande diligência e gasto muito dinheiro para se prover de manuscritos, contudo, ao final, foi forçado a desistir completamente, para que, se ele tivesse honestamente anotado todas as várias diferenças de leitura que ele mesmo havia recolhido, a incrível multidão delas em quase todo versículo antes tornasse os homens ateus do que os satisfizesse quanto à verdadeira leitura de qualquer passagem particular." (Veja Exomol. Ca. 8, Nu. 3.) ¶
Os instruídos admitem que nos manuscritos do Novo Testamento apenas há não menos de cento e trinta mil leituras diferentes. (Veja a Encyclopaedia Britannica, oitava edição.) É verdade que muitas destas diferenças não têm particular consequência, pois não alteram materialmente o sentido. Mas há muitos milhares de diferenças em que o sentido é inteiramente alterado. Como hão de saber os tradutores qual dos manuscritos, se algum, contém o verdadeiro sentido? Não têm cópias originais com que compará-los--nenhum padrão de correção. Ninguém pode dizer se sequer um versículo, seja do Antigo seja do Novo Testamento, transmite as ideias do autor original. ¶
Pensai só! 130.000 leituras diferentes apenas no Novo Testamento! Como puderam nossos tradutores separar o espúrio do genuíno é mais do que posso dizer. Como puderam distinguir entre o original comunicado aos antigos Profetas e Apóstolos, e as 130.000 leituras diferentes que foram introduzidas nas eras sombrias por copistas, não é fácil determinar. ¶
Mas, admitindo que tivéssemos uma cópia antiga da Bíblia, ou do Antigo e Novo Testamento--supondo que os tradutores de algum modo fossem colocados de posse de tal cópia, e que os indivíduos cujos nomes estão anexados a muitos daqueles livros professassem ser inspirados, contudo como há de determinar esta geração se aqueles autores, se de fato eram os autores, eram homens inspirados? Como sabemos que foram inspirados a escrever aqueles livros? Os Santos dos Últimos Dias creem que a Bíblia em seu original era a palavra de Deus, e foi escrita por inspiração divina. Mas não a cremos porque a história nos informa disso, ou a tradição no-lo diz; mas a cremos porque o Livro de Mórmon, confirmado pelo ministério de anjos, nos informa do fato. ¶
Mas como há de saber esta geração que aqueles antigos autores eram inspirados por Deus? Testificam de sua própria inspiração? O Bispo Chillingworth, Hooker, e muitos outros comentaristas instruídos nos disseram que a Bíblia não pode testificar de sua própria inspiração. Se a Bíblia não pode provar sua própria inspiração, como hão de saber as pessoas nas eras presente e passadas que estes livros são inspirados? É verdade, somos informados que alguns indivíduos escreveram por mandamento; e alguns, nos é dito, escreveram segundo suas próprias opiniões. Como havemos de detectar aquela parte que foram inspirados a escrever daquela parte que foi escrita segundo suas próprias opiniões? Não podemos, sem nova revelação. Sem algum testemunho de natureza mais elevada do que a tradição, jamais poderemos aprender estas questões. ¶
Tendo feito estas poucas observações a respeito do Antigo e Novo Testamento em sua condição e caráter presentes, e tendo aprendido que são muito imperfeitos em seu estado presente, e que foram traduzidos de manuscritos em que não se pode confiar--que não há cópias originais neste dia com que o mundo esteja familiarizado--tendo estabelecido estes fatos, voltemo-nos agora ao Livro de Mórmon, e vejamos se repousa sobre evidências da natureza daquelas que já apresentei a esta congregação. ¶
O Livro de Mórmon professa ter sido traduzido não de manuscritos contendo 130.000 leituras diferentes, nem pela instrução de homens que podem fazer uma tradução como lhes aprouver; nem professa ter sido traduzido de manuscritos alterados, mutilados, fabricados por monges ou impostores no Monte Atos para impor à credulidade cristã; mas foi traduzido das próprias placas originais--as mesmíssimas placas nas quais os próprios escritores inspirados escreveram: e também foram traduzidas, não pela instrução dos homens, mas pelo poder de Deus e a inspiração do Todo-Poderoso. ¶
Somos informados, no início do Livro de Mórmon, que três homens--Oliver Cowdery, David Whitmer, e Martin Harris, viram as placas, ou o original do qual este livro foi traduzido por Joseph Smith, Jr.; ele tendo obtido as placas na parte ocidental de Nova York por meio do ministério de um santo anjo, como testifica, de onde foram depositadas por um antigo Profeta que habitou a América há cerca de 1.400 anos. Ele testifica que foi enviado por um anjo de Deus para trazer estas placas de ouro à luz--que obteve com elas o urim e tumim, e traduziu o livro. Mas, antes que o Senhor permitisse que o livro fosse às nações, estava decidido que tivessem mais de uma testemunha. O testemunho de Joseph Smith não iria sozinho. Portanto, em 1829, cerca de um ano antes do surgimento desta Igreja, ou antes de este livro ser oferecido ao mundo, outros três nomes foram chamados por um anjo do céu. ¶
"Talvez," direis, "foram enganados." Examinemos se havia alguma possibilidade de serem enganados. Haviam aprendido, ao ler o manuscrito do qual este livro foi impresso, que o Senhor, quando trouxesse este livro à luz nos últimos dias, testificaria dele de maneira miraculosa e maravilhosa a três testemunhas, além do tradutor. Estes três homens, depois de terem aprendido este fato, se reuniram, e foram e viram o Sr. Smith, e lhe perguntaram se seria privilégio deles contemplar estas placas e saber do céu que este livro era verdadeiro. Joseph Smith consultou o Senhor sobre o assunto; e o Senhor lhes deu a promessa de que, se suficientemente se humilhassem, teriam este privilégio. ¶
Eles, sem nenhuma conexão com o Sr. Smith, que era o quarto indivíduo, saíram ao campo aberto, perto de um bosque de madeira, a pequena distância da casa de Whitmer, em Fayette, Condado de Seneca, Nova York. Curvaram-se diante do Senhor em plena luz do dia--não à noite; de modo que não pudesse haver engano: humilharam-se diante dele, invocaram seu santo nome com todo o coração; e enquanto assim se ocupavam em invocar o nome do Senhor, viram nos céus acima uma gloriosa luz, e uma personagem descendo. Esta personagem desceu e se pôs diante deles: pôs suas mãos sobre a cabeça de David Whitmer como uma das três testemunhas, e disse, "Bendito seja o Senhor e os que guardam seus mandamentos;" e então tomou as placas e as virou, folha após folha, exceto certa porção das folhas que estavam seladas, que o Sr. Smith não foi permitido traduzir; mas aquela porção que havia traduzido foi virada, folha após folha, e apresentada diante de seus olhos, e viram as gravuras nas placas. ¶
Este anjo, vestido de brilho e glória, ficou diante deles com as placas em suas mãos, mostrando-lhes as gravuras nelas. Ouviram também a voz do Senhor dos céus, ordenando-lhes que registrassem as coisas que viram e ouviram a todas as nações, tribos, línguas, e povos. O testemunho que prestaram eu li em vossos ouvidos. ¶
Ora, havia alguma possibilidade de estes três homens, juntamente com o Sr. Smith, que estava em sua companhia, serem enganados? Se foram enganados, então há a mesma razão para supor que os Apóstolos foram enganados, que professam ter visto Jesus ascender ao céu do Monte das Oliveiras. Haveria a mesma razão para supor que Pedro, Tiago, e João foram enganados quando viram Moisés e Elias no Monte da Transfiguração; se estes homens foram enganados, então não há verdade nem certeza em nada que jamais tenha sido contemplado; pois nenhuma pessoa poderia prestar testemunho em linguagem mais forte do que estas três testemunhas o fizeram no Livro de Mórmon. ¶
Joseph Smith, Jr., não podia ser enganado ele mesmo; pois foi por um anjo que lhe foi ordenado ir ao lugar onde os registros estavam depositados; foi por um anjo que lhe foi dito para tirá-los do lugar de seu longo depósito, juntamente com o urim e tumim; e foi pelo urim e tumim, associado à oração, que foi capacitado a traduzir as placas para a língua inglesa: consequentemente, não podia ser enganado. ¶
Provamos que as outras três testemunhas não puderam ser enganadas; consequentemente quatro homens testificam que não apenas viram as placas, mas também que viram um anjo de Deus: também ouviram sua voz, e viram as placas em suas mãos e as gravuras nas placas, e ouviram a voz de Deus do céu ordenando-lhes que prestassem seu testemunho a todo povo sobre a face da terra a quem a tradução fosse enviada. ¶
Podeis encontrar, entre todas as nações e reinos sobre a terra, um indivíduo que possa testificar que já viu o original de qualquer um dos livros do Antigo e Novo Testamento? Não. Desafiamos o mundo a produzir uma verdadeira cópia do original de qualquer livro da Bíblia, e provar que o é. Podem vasculhar suas bibliotecas do princípio ao fim, e examinar todos os arquivos das nações, e não podem encontrar uma cópia original, nem sequer uma cópia escrita séculos depois de o escritor original ter existido. ¶
Os instruídos conjecturaram que alguns daqueles cinco manuscritos que mencionei foram escritos no sexto século; mas isto é disputado. Cassimir Oudin diz que o Manuscrito Alexandrino, em vez de ter sido escrito no sexto século, foi feito no décimo. Quanto ao tempo em que foram escritos, nenhuma confiança se pode depositar. ¶
Mas aqui quatro homens de fato contemplaram as placas originais, viram um santo anjo, e ouviram a voz de Deus. São eles as únicas testemunhas? Não: há oito outros homens, cujos nomes e testemunho li diante desta congregação--pessoas com quem sou individualmente familiarizado assim como com o tradutor e as três testemunhas que já nomeei. Estive na casa onde esta Igreja foi organizada. Vi o lugar onde o anjo desceu e lhes mostrou as placas. ¶
Oito outras testemunhas testificam que Joseph Smith lhes mostrou as placas, e que viram as gravuras sobre elas, e que tinham a aparência de obra antiga e curiosa manufatura. Descrevem estas placas como sendo cerca da espessura de estanho comum, cerca de oito polegadas de comprimento, e de seis a sete de largura. Sobre cada lado das folhas destas placas havia finas gravuras, que estavam manchadas com uma mancha negra e dura, de modo a tornar as letras mais legíveis e mais fáceis de ler. Através da parte de trás das placas havia três anéis, que as mantinham juntas, e através dos quais uma vara poderia facilmente ser passada, servindo de maior conveniência para carregá-las; a construção e forma das placas sendo semelhante às placas de ouro, latão, e chumbo dos antigos judeus na Palestina. ¶
Assim vemos que doze indivíduos viram as placas antes que o conteúdo fosse apresentado ao mundo, e antes que fossem chamados a crer nele. Não é este testemunho e evidência suficiente? Se o mundo não creria em doze homens que viram os originais, os manusearam com suas mãos, contemplaram as gravuras sobre eles--quatro dos quais tinham visto o anjo de Deus e ouvido sua voz--se não creriam nisso, creriam na evidência e testemunho de dez mil indivíduos? Jesus declara--"Pela boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda palavra." ¶
Quando comparecermos diante do tribunal de Cristo, e formos à sua presença, somos informados que seremos julgados por sua palavra. "Minha palavra vos julgará no último dia," diz Jesus. "As palavras que vos falei essas vos julgarão." Se, então, as palavras que ele falou, e que inspirou seus Apóstolos e Profetas a declarar ao povo, hão de ser as leis pelas quais a humanidade há de ser julgada no último dia, é necessário que tenham alguma pequena evidência e testemunho a respeito de suas palavras. ¶
Estamos apresentando esta evidência e testemunho diante de vós; e se o Senhor deu quatro testemunhas, e por elas condenou o mundo antediluviano--a saber, Noé e seus três filhos--se sua pregação, seu testemunho, e obras de retidão condenaram os antediluvianos, e foram derrubados pelo dilúvio, por que não poderíamos supor que quatro testemunhas apenas, se Deus não julgasse próprio enviar mais nenhuma, condenariam qualquer outra geração? ¶
Descobrimos que Ló foi a única testemunha enviada para advertir os habitantes de Sodoma, e chamar seus parentes a fugir do meio daquelas cidades, a fim de escapar dos terríveis juízos anunciados contra eles. Testificou que um anjo de Deus veio a ele e lhe disse que o Senhor estava prestes a destruir aquelas cidades: disse que este anjo se hospedou com ele durante a noite, e que o Senhor o havia enviado como testemunha; e seu testemunho condenou seus parentes e os habitantes de Sodoma, e foram derrubados e pereceram em sua maldade. ¶
Quem foi enviado aos habitantes de Nínive para adverti-los? Apenas uma testemunha--a saber, Jonas. Foi enviado a uma nação estranha--a um povo que não o conhecia: não podiam saber por nenhuma aparência natural se era homem justo ou impostor. Tinha uma curiosa história para lhes contar, que veio parte do caminho até seu país num navio, e parte do caminho no ventre de uma baleia. Mas como poderiam saber que veio no ventre de uma baleia, ou que não era um impostor? Contudo o Senhor lhes disse, por meio de Jonas, que se não se arrependessem, todos seriam destruídos em quarenta dias. Decidiram se arrepender, e o Senhor os poupou, o que deixou Jonas irado. ¶
Quando o Senhor enviou uma mensagem preparatória para preparar o caminho para seu Filho, enviou uma testemunha, em vez de levantar quatro. João Batista saiu ao deserto, vestiu-se de maneira curiosa, vivendo de gafanhotos e mel silvestre, e começou a pregar arrependimento aos habitantes da Judeia e Jerusalém, e aos judeus por toda a terra. Como haviam de saber que era mensageiro enviado para preparar o caminho diante do Altíssimo? Contudo certamente seriam condenados por não receberem seu testemunho; pois o próprio Jesus disse--"Os escribas e fariseus rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele." ¶
Como convenceu João as vastas multidões de que fora enviado para testificar do primeiro advento do Filho de Deus? Somos informados por um dos Evangelistas que "João não fez milagre nenhum," por grande Profeta que fosse; contudo o povo foi condenado, porque rejeitaram o conselho de Deus contra suas próprias almas, ao rejeitarem seu testemunho. Quanto maior, então, será a condenação de indivíduos que rejeitam quatro testemunhas, em vez de uma! ¶
Se a geração presente tem o testemunho de quatro testemunhas soando em seus ouvidos--se o Livro de Mórmon, contendo seu testemunho, é publicado e enviado nas diferentes línguas da terra, e o povo tem o privilégio de ouvir e ler aquele testemunho, não produzirá isso sobre eles condenação muito maior do que a que veio sobre a nação judaica em dias antigos, por rejeitarem o testemunho de apenas uma testemunha? ¶
Vemos, então, que temos a vantagem sobre esta geração no que diz respeito à evidência a respeito do Livro de Mórmon. Há homens agora vivos que viram o original do Livro de Mórmon--que ouviram a voz de Deus. Onde há um homem que ouviu a voz de Deus testificando a respeito da verdade da tradução do Rei Jaime? Onde há um homem sobre a face da terra a quem isso jamais tenha sido confirmado pela administração de um anjo? Mas aqui vem evidência a favor do Livro de Mórmon tal que qualquer tribunal de justiça é obrigado a receber. ¶
Mas havemos de receber o testemunho de todos os indivíduos que possam vir e pretender ter ouvido a voz de Deus e visto anjos? Não podem impostores surgir e dizer que viram anjos? Respondo que há esta distinção a fazer: um homem que é enviado por Deus, que tem verdadeira mensagem, será sempre capaz de apresentar algo conectado com a natureza da mensagem e as circunstâncias que a cercam, o que provará ser verdadeira. Se houvesse mil indivíduos testificando que ouviram a voz de Deus e viram anjos, sempre seremos capazes de distinguir o impostor do servo de Deus examinando a doutrina. Há evidências que distinguem uma mensagem verdadeira de uma falsa, que todo o mundo pode ser capacitado a discernir entre as duas. ¶
Por exemplo, não há indivíduo sobre a face da terra que possa provar diretamente que Joseph Smith não viu o anjo de Deus e obteve as placas: nenhum indivíduo sobre a face desta terra pode provar que as três testemunhas não viram o anjo e as placas: consequentemente, sua evidência não pode ser diretamente negada, a menos que neguem seu próprio testemunho, o que não fizeram. A única maneira possível de condenar estes homens como impostores é examinar a natureza de seu testemunho, para ver se é razoável e escriturístico. ¶
Há algo não escriturístico em ouvir a voz de Deus, ou num anjo descendo do céu, testificando de um livro em que todas as nações estão interessadas? É um livro enviado para preparar o caminho do Senhor para sua segunda vinda. Foi irrazoável que o Senhor enviasse anjos a Abraão, Isaque, e Jacó? Foi irrazoável que jantassem com Abraão, e que ele lhes lavasse os pés? Que Ló os hospedasse em sua casa? Que Josué, Gideão, Daniel, Isaías, Ezequiel, Pedro, Paulo, ou os sábios e pastores de Israel, ou José, o esposo de Maria, e Zacarias, ou vários outros santos homens e mulheres, vissem anjos enviados do céu? Não foi nem irrazoável nem não escriturístico. ¶
Paulo diz, "Não são eles (os anjos) todos espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" Se, então, este ofício lhes é designado, ministrar aos herdeiros da salvação, não é doutrina não escriturística que ministrassem àqueles quatro homens. É tão razoável que Deus enviasse um anjo a quatro homens nos últimos dias, e introduzisse seu reino e obra preparatória para o segundo advento do Filho de Deus, quanto foi que um anjo fosse enviado a Zacarias a fim de que um mensageiro pudesse ser levantado para preparar o caminho para sua primeira vinda. Uma é um pouco mais razoável do que a outra; pois a vinda dos últimos dias há de exceder em muito em glória e poder sua primeira vinda, quando apareceu entre os judeus. Em sua segunda vinda a terra tremerá e rolará como um bêbado; os montes cairão, os vales serão levantados, os lugares tortuosos endireitados, e os lugares ásperos aplainados, quando o Senhor for revelado em sua glória e poder. ¶
Se todas estas coisas hão de se cumprir, Israel reunido, a plenitude dos Gentios trazida, e Sião edificada--se a grande Obra dos Últimos Dias mencionada pelos antigos Profetas há de se cumprir, então não seria irrazoável que um anjo fosse enviado do céu para começar obra desta magnitude. ¶
Mas, talvez, admitais que é perfeitamente escriturístico e razoável que um anjo fosse enviado; mas, então, podeis perguntar se não pode haver algo conectado com o Livro de Mórmon que o tornaria inconsistente, e não merecedor de crédito, e que provaria que suas pretensões eram uma impostura. ¶
Em resposta, pergunto, O que há sobre o Livro de Mórmon que é inconsistente? O que professa ser? Professa conter a história de parte da tribo de José, que saiu da terra de Jerusalém 600 anos antes de Cristo, e colonizou o continente americano. Estas tribos índias são seus descendentes. Quando primeiro vieram para cá, eram povo justo, e tinham consigo as Escrituras, contendo a lei de Moisés. Quando vieram para cá, fizeram placas de ouro, e nelas registraram sua história, guerras, contendas, etc. Estas placas foram transmitidas entre os antigos habitantes da América por mil anos depois que vieram para cá. Suas profecias foram registradas de geração em geração. Jesus Cristo lhes apareceu nesta terra depois de sua ressurreição, exatamente como fez ao povo na Palestina, e mostrou-lhes as feridas em suas mãos e em seus pés. Desceu diante deles na América do Sul, e pôs fim à lei de Moisés, que praticavam neste continente; e introduziu o Evangelho em seu lugar, ensinou-lhes fé e arrependimento, e batismo para a remissão de pecados, como em Jerusalém. Ensinou o povo a vir com corações quebrantados e espíritos contritos, e a se humilharem, e serem batizados por imersão para a remissão de seus pecados, e fez com que seus servos impusessem as mãos sobre eles para o dom do Espírito Santo, como Paulo e Pedro fizeram. ¶
Os ensinamentos de Jesus foram registrados nestas placas de ouro, e foram transmitidos até cerca de 400 anos depois de Cristo. Muitas revelações sagradas estão neles registradas, e profecias que alcançam nosso dia, e até o fim de todas as coisas. ¶
Se examinardes este registro do princípio ao fim, achareis a parte histórica perfeitamente consistente. Não podeis provar que Joseph Smith é impostor a partir de qualquer inconsistência na parte histórica da obra. ¶
Se examinardes as descobertas de todos os antiquários que escreveram desde a descoberta da América a respeito dos antigos habitantes desta terra não podereis pôr o dedo em uma partícula de evidência de suas pesquisas que entre em conflito com o Livro de Mórmon. ¶
Se examinardes suas profecias, achareis muitas de que os registros judaicos nada falam--profecias que se relacionam aos índios, e que se relacionam ao surgimento desta Igreja, ao Milênio, e a muitas coisas que os outros Profetas não tocaram; e também muitos dos eventos preditos na Bíblia judaica foram entregues aos Profetas nesta terra. Comparai as profecias dos registros judaicos com as do Livro de Mórmon, e não achareis choque ou discordância; consequentemente, não podeis condenar o Livro de Mórmon, Joseph Smith, e estas testemunhas como impostores a partir das declarações proféticas daquele livro. ¶
Provai sua doutrina, e achareis que o Evangelho ensinado na antiga América há 1.800 anos é como o ensinado na antiga Judeia e regiões ao redor. Ensinaram os antigos Apóstolos na Palestina fé em Jesus Cristo, arrependimento, e batismo para remissão de pecados? Assim fizeram os antigos Apóstolos e Profetas na América. Praticaram os Apóstolos na Judeia a imposição de mãos para o dom do Espírito Santo? Assim fizeram os antigos israelitas da América. Organizaram Jesus e seus discípulos a Igreja na Ásia com reveladores e homens inspirados nela--com profetas e profetisas, com sonhos, visões, e revelações? Assim fizeram os antigos israelitas na América a mesma coisa. Eles, os antigos Apóstolos, organizaram a Igreja com milagres e dons, com poder para curar os enfermos, expulsar demônios, realizar milagres, e com poder sobre os elementos. O Livro de Mórmon nos diz que os israelitas na antiga América se organizaram segundo o mesmo padrão. Consequentemente, se examinarmos toda a estrutura da Igreja na Palestina e a estrutura da Igreja na antiga América, não achamos discordância; assim, nenhum homem sobre a face da terra pode condenar Joseph Smith e estas três testemunhas por qualquer inconsistência em sua doutrina. ¶
Comparai os milagres registrados no Livro de Mórmon com os registrados na Bíblia, e não achareis milagres irrazoáveis num mais do que no outro. Não há história de peixe nele--nada sobre um homem carregado no ventre de uma baleia por três dias e três noites; embora, se tal história estivesse nele, o creríamos, assim como cremos na história judaica de Jonas. Nada se diz neste livro sobre três homens colocados numa fornalha de fogo, aquecida sete vezes mais quente do que de costume, e contudo os três homens não recebendo nenhum dano. Cremos na Bíblia quando registra este grande milagre; mas não há nada que ao ateu pareça tão inconsistente quanto isso. ¶
Os milagres registrados no Livro de Mórmon eram de tal natureza que mereciam o exercício do poder divino. Se os enfermos foram curados, foi porque Jesus prometera a seus servos que imporiam as mãos sobre eles, e seriam curados. Se profetizaram, foi a respeito de eventos futuros, porque o Senhor queria que compreendessem o que estava por vir. ¶
Há algo neste livro que contradiga alguma verdade científica? Podeis vasculhar todas as bibliotecas do mundo, e reunir todos os livros de ciência, e comparar com este livro, e não achareis choque; consequentemente, onde está vosso fundamento para condenação? Não podeis condená-lo por seus escritos históricos, proféticos, e doutrinários, ou por causa de algum milagre irrazoável que se diz ter sido operado entre os antigos israelitas nestas terras, ou porque contradiz alguma verdade científica, ou porque é não escriturístico ou irrazoável que pessoas vissem anjos nestes dias. ¶
Desafiamos toda esta geração a trazer qualquer testemunho para condenar a verdade deste livro. Enfrentará esta geração desde agora até a segunda vinda de Cristo, e depois através do Milênio. E quando esta geração se levantar de suas sepulturas no grande e último dia, os livros serão abertos, e pela palavra de Deus declarada neste continente e no continente oriental os habitantes da terra serão julgados. ¶
Podeis trazer todas as mentiras e histórias de jornal que puderdes tramar, e todas as deturpações que puderdes conceber, e usá-las contra as verdades divinas do Livro de Mórmon, para salvar vossos sistemas apóstatas em ruínas da destruição total; podeis amontoar vossas falsidades como montanhas; podeis encher vossos vagões de ferrovia até a borda com elas, ou podeis enviá-las pela corrente elétrica por todo o mundo, e isso não deterá o progresso avante das verdades do "mormonismo" revelado do céu: não pode deter o braço do Todo-Poderoso de edificar seu reino nos últimos dias, nem silenciar a voz de seus servos de advertir as nações a se arrependerem e se afastarem de suas mentiras e prostituições, e de toda sua maldade e abominações que continuamente praticam diante do Senhor. ¶
A palavra de Deus é algo que não pode ser destruído; mas aparecerá no dia do juízo, e vós e eu seremos julgados por ela. ¶
Creio no Livro de Mórmon; creio nele porque considero que tenho não apenas o testemunho destas doze testemunhas, mas vasta quantidade de outras evidências e testemunhos como não tendes em relação às coisas contidas no registro judaico. ¶
Por exemplo, que evidência e testemunho têm a geração presente e as gerações que viveram durante os últimos dezessete séculos de que Jesus Cristo, o grande Redentor do mundo, ressuscitou dos mortos? Tendes o testemunho de quatro indivíduos, e não mais, contanto que seu testemunho não tenha sido corrompido, alterado, e mutilado nos mais antigos manuscritos hoje conhecidos. Quem são eles? Mateus, João, Paulo, e Pedro. Os outros quatro escritores do Novo Testamento não disseram uma palavra sobre ver Jesus depois de sua ressurreição. O Novo Testamento foi escrito por oito homens--Mateus, Marcos, Lucas, João, Paulo, Pedro, Tiago, e Judas. Quatro destes homens deram seu testemunho de que viram Jesus depois de sua ressurreição; os outros quatro nada nos disseram a respeito. ¶
Mas pode-se perguntar, "Não testifica o Apóstolo Paulo que Jesus foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma vez?" ¶
Mas nenhum daqueles quinhentos irmãos falou disso, ou transmitiu seu testemunho. ¶
Talvez se argumente que as quatro testemunhas que viram Jesus--a saber, Mateus, João, Paulo, e Pedro, realizaram grandes milagres, e assim estabeleceram seu testemunho; e consequentemente, somos obrigados a crê-los. ¶
Mas como sabeis que realizaram milagres? ¶
"Eles nos disseram assim." ¶
Como sabeis que nos dizem a verdade? Estáveis lá para contemplar os milagres que realizaram? Apenas seis dos oito escritores do Novo Testamento dizem algo sobre milagres. Suponde que todos testifiquem que maravilhosos milagres foram realizados, não temos tão boa razão para crer em oito homens que testificam de milagres nestes dias? ¶
Se todos os homens nesta tribuna mantiveram diários (e alguns deles por um quarto de século), e se registraram o que seus olhos viram e seus ouvidos ouviram; e se as várias centenas de Élderes nesta grande assembleia fizeram o mesmo, e registraram todas as coisas miraculosas que seus olhos viram e seus ouvidos ouviram; e se as gerações vindouras reunissem nossos diários e manuscritos, e os intitulassem, Os Atos dos Apóstolos e Élderes do Século Dezenove, achariam dezenas de milhares de milagres registrados nestes diários onde os enfermos foram curados, os olhos dos cegos abertos, os ouvidos dos surdos desobstruídos--onde os coxos foram feitos saltar como cervos, e onde pessoas foram erguidas dos últimos estágios de cólera, em nome de Jesus Cristo, e onde aqueles nascidos cegos tiveram seus olhos abertos. ¶
Não teriam tanta razão para crer nos diários e escritos dos Santos dos Últimos Dias em relação aos milagres realizados quanto tendes para crer no testemunho dos seis escritores do Novo Testamento sobre o mesmo assunto? Quem são os escritores do Novo Testamento? São testemunhas interessadas, cada um deles. ¶
"Mas o mundo viu seus milagres." ¶
Como sabeis? ¶
"Estes seis escritores dizem assim." ¶
Tendes o testemunho de alguém do mundo de que realmente viu sequer um milagre realizado pelos Apóstolos de Jesus Cristo? Não, não tendes. ¶
Talvez digais que quando o coxo na porta formosa do Templo foi curado, foi feito publicamente diante da multidão. ¶
Como sabeis isso? Lucas diz assim em Atos dos Apóstolos, e o credes apenas com base em seu testemunho. Como sabeis que Jesus Cristo foi transfigurado no monte? Que Moisés e Elias apareceram a Pedro e Tiago e João naquela ocasião? Deram Pedro, Tiago, e João seu testemunho? Nem uma palavra; mas Mateus, Marcos, e Lucas--três homens que não estavam presentes, que não viram a transfiguração, e que não viram Moisés e Elias, dizem-no; mas seu testemunho é de segunda mão. ¶
Cremos que Pedro, Tiago, e João de fato viram santos anjos--contemplaram Moisés e Elias, e viram Jesus transfigurado, com base em testemunhos de segunda mão dados sobre o assunto. ¶
Ora, temos o testemunho dos próprios indivíduos a respeito do Livro de Mórmon--não apenas o testemunho dos Élderes Richards e Woodruff, ou de qualquer destes Élderes--mas os testemunhos de pessoas que contemplaram o anjo e ouviram sua voz. ¶
Portanto, o testemunho que estabelece a verdade do Livro de Mórmon é muito superior ao que estabelece a Bíblia em sua forma presente. ¶
Não sei se não vos estou cansando; mas procurei à minha maneira simples apresentar-vos a evidência e testemunho que tendes para crer no registro judaico, comparados com a evidência e testemunho que tendes para crer nos antigos registros da América, chamados o Livro de Mórmon; e quaisquer pessoas que examinarem cuidadosamente este assunto serão obrigadas em seus próprios corações a dizer que há cem vezes mais evidência para provar a autenticidade divina do Livro de Mórmon do que temos para provar os registros da Palestina. ¶
Mas isto não é tudo. Não apoiamos nossa evidência apenas no testemunho destas doze testemunhas; nossas esperanças estão edificadas sobre fundamento mais seguro do que todos estes testemunhos externos. Os Santos dos Últimos Dias não são aquele povo entusiástico que abre a boca e engole doutrinas porque são populares, porque seus pais as creram; mas cremos numa doutrina porque temos evidência para comprová-la; e então, além disto, buscamos mais verdade e conhecimento. ¶
O Livro de Mórmon nos informa como não apenas podemos ter fé naquele livro por causa da evidência e testemunho que o acompanha; mas como podemos obter conhecimento a respeito de sua verdade. O Livro de Mórmon nos informa, assim como as Sagradas Escrituras, que se nos arrependermos e formos batizados, receberemos o dom do Espírito Santo. ¶
Fizemos a experiência. Arrependemo-nos de nossos pecados, afastamo-nos de nossas transgressões, e nos humilhamos, como criancinhas, diante do Senhor; fomos sepultados na água, e tirados da água; então mãos foram impostas sobre nós, e recebemos o dom do Espírito Santo, e isso nos deu conhecimento da verdade. ¶
Quais são os efeitos do Espírito Santo? Jesus diz, no último capítulo de Marcos, "E estes sinais seguirão os que crerem: Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão." ¶
A promessa dos sinais não era apenas para os Apóstolos, mas ele lhes disse, "Ide e pregai a palavra em todo o mundo; e aquele que crê em vosso testemunho e é batizado receberá salvação, e os que não crerem serão condenados; e estes sinais seguirão os que creem." Cremos, arrependemo-nos, fomos batizados, e recebemos o dom do Espírito Santo; e achamos a promessa verificada. Se não fosse assim, saberíamos então que era uma impostura. Se achássemos que Jesus não cumpriu sua promessa depois de plenamente obedecermos sua palavra, saberíamos então que o mesmo era falso. ¶
Deixai-me dizer a esta congregação que não teria havido uma Igreja dos Santos dos Últimos Dias por cinco anos sobre a terra, se ele não tivesse cumprido sua promessa depois de termos obedecido sua palavra, porque fez esta promessa não apenas no Livro de Mórmon e no Novo Testamento, mas por revelação direta por meio do Profeta, de que se o povo fizesse assim e assado, seria abençoado com tais e tais dons. Ora, suponde que o povo, depois de o experimentar, não recebesse aqueles dons, toda a Igreja teria apostatado, e se voltado e declarado tudo falso--Livro de Mórmon, Bíblia, e tudo o mais. Por quê? Porque estes livros fizeram uma promessa sob certas condições, que não foi cumprida. ¶
Mas quando o povo creu e foi batizado para remissão de pecados, e cheio do Espírito Santo, e as visões do futuro se lhes abriram, e o espírito de profecia repousou sobre eles, e contemplaram os enfermos se recuperando, os cegos recebendo sua vista, e os surdos ouvindo, "Certamente," disseram eles, "isto deve ser de Deus; pois o Senhor jamais teria confirmado uma impostura a nós concedendo os dons do Evangelho." ¶
Mas não pode o Diabo realizar milagres? Satanás viria com todo poder, sinais, e falsos prodígios, e com todo engano de injustiça naqueles que perecem, porque tiveram prazer na injustiça. "Ora, como sabeis que estes não são algumas das fortes ilusões?" ¶
Mas provai-nos que tivemos prazer em algo contrário ao Evangelho de Jesus Cristo--que este povo não obedeceu às Escrituras da verdade eterna. Aqueles sinais que viriam, e estas maravilhas vivas, etc., seriam praticados por indivíduos que tinham prazer na injustiça e que rejeitavam o Evangelho de Jesus Cristo--sairiam como os magos nos dias de Moisés para resistir ao poder de Moisés. Vemo-los por um lado transformando a água em sangue, e Moisés fazendo o mesmo; em suma, Moisés realizou numerosos milagres (pelo poder de Deus), e os magos fizeram o mesmo. Como havemos de distinguir entre os dois? Moisés creu e obedeceu às palavras do Deus Altíssimo, e os magos lutavam contra ele, e contudo realizavam milagres--não em nome de Deus, mas por seus encantamentos; e assim é com todos os ímpios operadores de milagres desde seu dia até a segunda vinda de Cristo: realizam seus falsos prodígios pelo poder de Satanás--por meio de sonambulismo, batidas espíritas, escrita espírita, ou o que seja. Mas quando as pessoas se arrependem, e são batizadas, e realizam milagres em nome do Senhor, tais milagres são projetados para aproveitar e beneficiar a humanidade--tais como impor as mãos sobre os enfermos para que sejam curados, falar e interpretar línguas; por isso podeis saber que são de Deus: portanto é fácil distinguir qual dos dois poderes deve ser recebido, e qual deve ser rejeitado. ¶
Que Deus abençoe a todos os que amam a verdade, sejam judeus sejam gentios, escravos ou livres--sejam aqueles que receberam o Evangelho e o Livro de Mórmon, sejam aqueles que estão indagando para saber a respeito de sua verdade. Se desejam saber a verdade, que o Deus do céu, que enviou seu anjo e confirmou a verdade a muitos, derrame seu Espírito Santo sobre eles, e ilumine suas mentes, na medida em que se apresentem diante de Deus com coração honesto, para que possam saber, como os Santos dos Últimos Dias sabem, que esta obra é uma mensagem do Todo-Poderoso, a ser proclamada a toda nação, tribo, e povo sobre a face de toda a terra. E quando souberem por Deus que esta obra é verdadeira, não serão levados de um lado a outro e carregados por todo vento de doutrina, mas estarão edificados sobre um fundamento sobre o qual podem repousar seguros. Embora os turbilhões de perseguição possam bater sobre eles--embora possam ser odiados, escarnecidos, e sofrer a perda de todas as coisas, vez após vez--embora possam ser conduzidos de um lado a outro, e dispersos de cidade em cidade, e de sinagoga em sinagoga, e seus Patriarcas, Profetas, e Apóstolos sejam mortos, contudo, com toda esta angústia e pobreza trazida sobre eles por serem roubados e saqueados de suas legítimas posses, e com toda a injúria que possam sofrer de ano em ano, terão algo em meio a tudo isso que lhes dará alegria, paz, e felicidade; e essa coisa é UM CONHECIMENTO DA VERDADE--não meramente uma fé de que o fundamento sobre o qual estão edificados é de Deus, mas um conhecimento de que estão estabelecidos sobre uma rocha que não pode ser movida, tão firme quanto o trono de Jeová, e tão segura quanto os atributos eternos do Todo-Poderoso. ¶
Que Deus nos abençoe e nos prepare para seu reino celestial, e nos salve nele, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶