A Necessidade do Espírito para os Santos—O Sacerdócio—Vitalidade e Crescimento da Obra de Deus—Cumprimento dos Propósitos e Desígnios de Deus, Etc.
John Taylor
Tendo sido chamado esta manhã para dirigir-me a vós por um breve tempo, levanto-me com grande prazer para fazê-lo; pois sempre amo reunir-me com os Santos, contemplá-los, e contribuir com o meu quinhão oferecendo-lhes instruções, na medida em que o Espírito do Senhor me der a fala. Concebo que, sem o auxílio de Seu Santo Espírito, nós, como Santos, pouco podemos fazer, seja como oradores, seja como ouvintes. Pois, a menos que o Espírito do Senhor nos dirija e nos guie, todos nós estamos em uma posição bastante precária. De fato, é muito difícil para qualquer um de nós compreender real e positivamente o que seria para o nosso melhor proveito sem esse auxílio. No mundo, sabem comparativamente nada acerca disso. Chamam ao mal bem, e ao bem mal. Chamam à escuridão luz, e à luz chamam escuridão. ¶
Misturados como temos estado com o mundo gentio, e tendo formado nossos hábitos e costumes entre eles -- tendo-nos acostumado a sentir como eles sentem, a raciocinar como eles raciocinam, e a associar-nos com eles -- é por vezes muito difícil para nós compreender o que realmente seria para o nosso benefício e vantagem, seja pertinente a este mundo, seja ao mundo que há de vir. ¶
Presumo que, à medida que obtenhamos mais do Espírito de Deus -- à medida que recebamos a fé e a inteligência que fluem dele, e as revelações que ele imparte e continuará a impartir aos que são fiéis -- começaremos a compreender as coisas sob uma luz muito diferente daquela sob a qual muitos de nós as compreendemos no presente. Mesmo nas coisas temporais há uma grande diferença entre os homens quanto ao seu juízo, capacidades, poderes de raciocínio, e sua compreensão da justiça, da equidade, dos direitos do homem, dos deveres que devemos uns aos outros, e das várias responsabilidades que sobre nós recaem. Mas quando chegamos a contemplar as coisas de Deus, o fim de nossa existência, nossa origem, a posição que ocupamos em relação às nossas famílias, uns aos outros, e à Igreja e reino de Deus, é por vezes muito difícil para nós compreender corretamente as coisas em relação à posição do mundo, às coisas que foram, às coisas que são, e às coisas que hão de vir -- aos propósitos de Deus em relação à família humana, e como esses propósitos serão melhor promovidos. Havemos de descobrir, ao refletir sobre todos esses assuntos, que há uma grande diferença entre o raciocínio da família humana acerca dessas matérias e o plano que Deus adotaria para o cumprimento de seus propósitos e para trazer à realidade as coisas que foram faladas pelos santos profetas desde o princípio do mundo. ¶
Não há posição que possamos ocupar na vida, seja como pais, mães, filhos, senhores, servos, ou como élderes de Israel, portadores do santo sacerdócio em todas as suas ramificações, senão que precisamos continuamente da sabedoria que flui do Senhor e da inteligência por ele comunicada, para que saibamos como desempenhar corretamente os vários deveres e ocupações da vida, e cumprir as várias responsabilidades que sobre nós recaem. E daí a necessidade, todos os dias, a cada dia, semana, mês e ano, e sob todas as circunstâncias, de que os homens se apoiem no Senhor e sejam guiados por aquele Espírito que dele flui, para que não caiamos em erro -- para que não façamos nada errado, não digamos nada errado, nem pensemos nada errado, e que retenhamos sempre esse Espírito, o qual só se pode conservar observando a pureza, a santidade e a virtude, e vivendo continuamente em obediência às leis e mandamentos de Deus. ¶
Havia um povo a quem um dos antigos Apóstolos disse: "Mas vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine, por causa da unção que permanece em vós, que é verdadeira e não é mentira." ¶
Quando os homens obedecem ao evangelho de coração puro -- quando são batizados em nome de Jesus Cristo para remissão dos pecados, e têm mãos impostas sobre eles para o dom do Espírito Santo, e recebem esse Espírito e vivem em obediência aos ditames desse Espírito -- ele há de trazer-lhes à memória as coisas passadas e presentes, guiá-los a toda a verdade, e mostrar-lhes as coisas que hão de vir. Isso é parte integrante da nossa crença. ¶
Qual é a razão de nem sempre compreendermos as coisas corretamente? Porque, em muitas ocasiões, cedemos à tentação. Deixamos que nossas antigas preconcepções, sentimentos e influências, pelas quais temos sido governados até então, predominem sobre o Espírito de Deus, e caímos em erro e em trevas; e "se a luz que em nós há são trevas, quão grandes serão as trevas!" Não basta, então, que sejamos batizados e tenhamos mãos impostas sobre nós para o dom do Espírito Santo. Não basta sequer que vamos além disso, e recebamos nossas lavagens e nossas unções, mas que diária e horariamente, e todo o tempo, vivamos à altura de nossa religião, cultivemos o Espírito de Deus, e o tenhamos continuamente dentro de nós "como uma fonte de água que salte para a vida eterna," desdobrando, desenvolvendo, manifestando-nos os propósitos e desígnios de Deus, para que sejamos capacitados a andar dignamente da alta vocação para a qual fomos chamados, como filhos e filhas de Deus a quem ele confiou os princípios da verdade eterna e os oráculos de Deus nestes últimos dias. Seria muito difícil para qualquer indivíduo, entregue a si mesmo, fazer o certo, pensar certo, falar certo, e cumprir a vontade e a lei de Deus sobre a terra; e daí a necessidade da organização da Igreja e reino de Deus sobre a terra, do sacerdócio devidamente organizado, do canal legítimo, dos freios, limites, leis e governos que o Todo-Poderoso introduziu em sua Igreja e reino para a orientação, instrução, proteção, bem-estar, edificação e progresso adicional de sua Igreja e reino sobre a terra. Assim como em uma escola se requer um homem mais competente para ser mestre do que aqueles que são ensinados, assim é na Igreja de Deus; e daí os vários graus e posições do sacerdócio. Quando um Presidente, Bispo, ou aqueles que possuem autoridade vivem à altura de sua religião e se apegam a Deus, espera-se de nós, em todo tempo, que compreendam as coisas sob sua jurisdição imediata -- as coisas que controlam, conheçam as necessidades do povo e o melhor curso a seguir, melhor do que os indivíduos que ensinam; e isso se estende por todas as várias ramificações da Igreja de Deus, desde a Primeira Presidência para baixo. E, com efeito, entre a Primeira Presidência e o Senhor dos Exércitos existe um canal devidamente organizado, pelo qual as bênçãos de seu reino fluem para seus Santos, quando estes se encontram em obediência às suas leis. ¶
É algo semelhante às correntes que abastecem nossa cidade. A princípio, saem em grandes correntes das montanhas; depois são divididas em seções, que se espalham e se diminuem em seções menores: mas todas fluem pelo canal legítimo. ¶
Como poderíeis vós regar vossos jardins, se o riacho da cidade fosse interrompido? Não pararia apenas o canal principal, mas todos os pequenos canais. Somos assim feitos para depender uns dos outros na ordem e no reino de Deus. Onde está a necessidade de tudo isso? Por causa das coisas que mencionei em primeiro lugar. Mas não temos todos o Espírito de Deus? Deveríamos ter. Bem, então, não podemos todos compreender? Sim, se vivermos nossa religião, podemos compreender os vários deveres que recaem sobre nós como indivíduos -- como pais, mães e filhos, ou como élderes de Israel. Podemos compreender esses vários e distintos deveres até certo ponto; mas não podemos conduzir a Igreja e reino de Deus -- não podemos apontar o caminho para ele andar. Por quê? Porque isso não nos pertence. Pertence à cabeça. Um daqueles pequenos riachos que obtendes para regar vosso jardim não pode abastecer toda esta cidade. Não: mas pode abastecer vosso jardim, se fluir pelo canal apropriado. ¶
Suponde que aquele pequeno riacho dissesse: "Sou independente da fonte" -- seria assim? Sabeis que não. É como os ramos de uma árvore e a raiz e o tronco de uma árvore. Os ramos florescem sobre um tronco saudável, e um pequeno galho na parte externa, com algumas folhas verdes e um pouco de fruto, é muito produtivo, belo e agradável de se contemplar; mas não é mais do que uma porção da árvore. Não é a árvore. De onde recebe seu sustento? Da raiz e do tronco ou caule, e através dos vários ramos que existem na árvore. É apenas uma pequena porção da árvore. É o conjunto de folhas, galhos, ramos, caule e raízes que compõe a árvore. Os ramos não sustentam a árvore, a raiz, ou o caule; mas o caule sustenta os ramos, e as raízes sustentam o caule; e é por meio disso que a vida e a vivacidade fluem para os ramos. ¶
Como Santo, dizeis: "Penso que compreendo meu dever, e estou indo muito bem." Pode ser que sim. Vedes o pequeno galho: está verde; floresce e é a própria imagem da vida. Ele desempenha sua parte e proporção na árvore, e está conectado com o caule, os ramos e a raiz. Mas poderia a árvore viver sem ele? Sim, poderia. Não precisa vangloriar-se e ensoberbecer-se e dizer: "Como sou verde! E como floresço! E que posição saudável ocupo! Que bem estou indo! E estou em meu lugar próprio e fazendo o certo." Mas poderíeis vós passar sem a raiz? Não: desempenhais vossa devida parte e posição na árvore. Assim é com este povo. Quando eles cumprem sua parte -- quando magnificam seu chamado, vivem sua religião, e andam em obediência ao Espírito do Senhor -- recebem uma porção de seu Espírito para dela se aproveitarem. E enquanto forem humildes, fiéis, diligentes, e observarem as leis e mandamentos de Deus, permanecem em sua posição própria na árvore: estão florescendo; os brotos, flores, folhas, e tudo mais a respeito deles estão bem, e formam parte integrante da árvore, contribuindo para sua vida, saúde, simetria, beleza e aparência geral. ¶
Mas se não magnificarmos nosso chamado, o que então? Tornamo-nos como ramos ressecados. E o que se faz com eles? Um bom jardineiro os corta, porque desfiguram a árvore: não são agradáveis, formosos e belos de se contemplar. Mas será que o ramo mais florescente da árvore sustenta a árvore? Ele ajuda a fazê-lo; mas não é a árvore: depende dos ramos maiores, através dos quais a seiva ou o sustento flui até chegar ao pequeno galho e ao fruto na parte externa da árvore. ¶
Esta é uma boa analogia para a Igreja e reino de Deus. Estamos cimentados juntos -- unidos nos laços de um convênio comum. Somos parte integrante da Igreja e reino de Deus que o Senhor plantou na terra nestes últimos dias para o cumprimento de seus propósitos e o estabelecimento de seu reino, e para trazer à realidade todas as coisas que foram faladas por todos os santos profetas desde o princípio do mundo. Todos permanecemos em nossos lugares próprios. ¶
Enquanto magnificamos nosso chamado, honramos a nosso Deus; enquanto magnificamos nosso chamado, possuímos uma porção do Espírito de Deus; enquanto magnificamos nosso chamado, compomos juntos a árvore; enquanto magnificamos nosso chamado, o Espírito de Deus flui pelos canais apropriados, pelos quais e através dos quais recebemos nosso sustento próprio e somos instruídos nas coisas pertinentes ao nosso bem-estar, felicidade e interesse relativos a este mundo e ao mundo que há de vir. ¶
Mas assim como é muito difícil entrar em todas as minúcias pertencentes a uma árvore, um arbusto, ou uma erva, assim é difícil entrar em todos os deveres, responsabilidades e influências que recaem e pesam sobre os Santos de Deus e sobre sua Igreja e reino na terra. Por exemplo, a árvore requer água e boa terra para nutri-la; requer atmosfera propícia e, por vezes, a mão do podador, a fim de mantê-la em ordem. Assim também é com a Igreja e reino de Deus. Há várias influências que sobre ela atuam, a fim de que floresça e cresça. Como podemos crescer, como Igreja e reino, a menos que sejamos ensinados pelo Senhor por meio de algum instrumento que ele tenha designado? ¶
Quem há que possa levantar-se e dizer o destino desta Igreja e reino? Quem há, por exemplo, que possa apontar as implicações e a operação da soldadesca que agora está em nossas fronteiras? Quem pode dizer o desígnio do Senhor em relação a essas questões, e por que estamos assim situados? Por que somos chamados a resistir-lhes, tão poucos quanto agora somos? Não poderia o Senhor controlar isso de outra maneira? Poderia. Não tem ele os corações de todos os homens em suas mãos? Não poderia ele fazê-los recuar muito rapidamente? Sim; ou poderia fazê-los avançar até aqui. Por que permitiu que chegassem a certa distância, e ali os mantivesse, colocando-os como algumas de vós, mães, por vezes fazeis, quando pendurais uma vara para que as crianças a vejam, e para a qual podeis apontar quando elas se comportam mal? ¶
Por que fomos expulsos, afligidos e perseguidos, e nossos nomes lançados fora como maus, e tivemos de suportar tantas privações, sofrimentos, fadigas e dificuldades nos últimos vinte anos? Quem pode resolver essas questões? Quem pode penetrar nos segredos do Altíssimo e desvendar os mistérios que residem na mente de Jeová? ¶
Quem pode dizer por que essas coisas são levadas a operar como operam, e por que somos colocados naquelas circunstâncias peculiares em que tão frequentemente nos encontramos ao atravessarmos este vale de lágrimas? Isso pertence aos pequenos galhos e ramos? Não. Pode ser um segredo na mente do grande Deus, que não nos é plenamente revelado. Podemos compreender uma parte dele, e perceber em certo grau a posição que ocupamos e os tratos de Deus para conosco; mas quem pode dizê-lo em toda a sua extensão? Quem pode compreender o fim desde o princípio? Quem pode ver o que o Senhor pretende para conosco como indivíduos e para conosco como povo? Ou, mais direta e propriamente, quem pode dizer o que ele destinou a respeito de sua Igreja e reino sobre a terra -- quando e como e por que meios ele há de progredir, seja pela aflição ou pela prosperidade, seja passando por cenas de aflição e dificuldade, ou nos elevando e dando-nos paz e a perspectiva de muito bem, segundo nossas ideias das coisas? ¶
Quem pode dizer de que meios o Senhor pode fazer uso para vos beneficiar, a ti ou a mim? Cabe ao pequeno galho exterior, ou ao pequeno riacho que flui da fonte, desvendar essas questões? Não. Quem pode apontar a posição que havemos de tomar em capacidade eclesiástica, na capacidade do sacerdócio, na capacidade de cabeças de família, em capacidade militar, ou em qualquer outra capacidade, em relação a todas essas questões? ¶
É necessária uma grande influência controladora e diretora para sustentar, governar, dirigir, iluminar e ditar. É necessário que cada ramo da árvore e cada galho esteja em seu lugar próprio, e receba aquele sustento da fonte apropriada, e aquele espírito, e aquela inteligência, e aquela direção que Deus ordenou de acordo com todas as leis da natureza, e que está entretecida em todas as suas transações com a família humana -- que haja uma grande influência diretora e controladora para guiar e dirigir seus negócios. ¶
Além disso, por que há tanta confusão no mundo -- por que absorvemos tantos princípios incorretos enquanto vivíamos entre eles, dos quais achamos tão difícil livrar-nos neste momento? É porque os homens não têm estado sob aquela influência e poder, mas cada homem tem feito aquilo que considerou certo, sem respeito algum aos grandes princípios fundamentais de governo e às leis que deveriam regular e controlar a família humana. Esta tem sido uma grande causa das calamidades que têm afligido o mundo em capacidade social, familiar e nacional; pois as nações, como os indivíduos, todas se corromperam, abandonaram a Deus, e nunca estiveram sob a grande influência governante que deveria regular e controlar os negócios do mundo. ¶
E por que sentimos, por vezes, tanto do espírito de rebelião em nosso peito, e o espírito de independência, falsamente assim chamado, e desejamos tanto seguir nosso próprio curso, e um princípio latente dentro de nós que se mostra tão relutante em prestar obediência às leis do reino de Deus? ¶
Em primeiro lugar, é por causa de nossas primeiras associações -- de nossos antigos hábitos de pensamento e reflexão. Em segundo lugar, é porque não cultivamos suficientemente o Espírito do Senhor, o qual, se o fizéssemos, nos mostraria o caminho certo e nos capacitaria a apreciar os privilégios que gozamos. É, talvez, uma das coisas mais difíceis para os que estão associados com a Igreja e reino de Deus, ou para a família humana, prestar obediência às leis que regem aquele reino e ao sacerdócio que Deus colocou em sua Igreja para governá-la. Por quê? Por causa de nossas antigas associações e hábitos, e por causa do poder do príncipe e potestade do ar que reina nos corações dos filhos da desobediência, e anda ao redor como um leão que ruge, buscando a quem possa devorar. ¶
Somos propensos a olhar as coisas em um compasso demasiado estreito, como um pequeno galho na extremidade ou no ramo mais distante de uma árvore. Ele é muito florescente; seus brotos e flores são muito elegantes e fragrantes, porque está em posição saudável. Mas seria muito tolo da parte daquele pequeno galho dizer que sabia tudo a esse respeito, quando não poderíeis cortá-lo da árvore por um único dia sem que ele murchasse e morresse, e toda a sua beleza e fragrância se desvanecesse. ¶
Temos alguma luz, alguma inteligência, algum conhecimento? Avançamos nos princípios da verdade que nos foram comunicados? Sim. Como obtivemos nossa inteligência? Dizei-me, sábios do mundo -- vós que vos misturastes com o mundo e estudastes suas leis, princípios de governo, usos, hábitos e costumes, e vos familiarizastes com sua erudição. Que sabeis vós da relação e adequação das coisas, da posição que o homem ocupa em relação a seu Criador? Que sabeis vós em relação a vós mesmos como indivíduos? Que sabeis vós em relação aos propósitos e desígnios de Deus? Que sabeis vós acerca dos primeiros princípios do evangelho de Cristo? Não penso que saibais coisa alguma a respeito deles. Se sabeis, sois mais sábios do que os homens que encontrei em minhas viagens pelo mundo. Assim como aquele pequeno galho é devedor de sua vida e vigor à árvore, assim também vós sois devedores inteiramente ao Senhor pela luz e inteligência que recebestes sobre todo assunto. Sois devedores ao Espírito de Deus por vossa sabedoria e inteligência, tanto quanto o pequeno galho é devedor à árvore por sua vitalidade, folhas, brotos e fragrância. ¶
Se assim é até aqui, quanto mais o será no futuro? Quem há que possa contemplar a mente de Deus e desvendar os desígnios de Jeová? Quem pode predizer o destino da família humana? Quem pode apontar o caminho em que, como povo, havemos de andar? Quem poderá dizer, a respeito de qualquer dos tratos de Deus para conosco, que isto é certo e aquilo é errado -- que tal coisa é para nosso benefício, e outra é para nosso prejuízo? Quem pode emendar, alterar, ou mudar esses acontecimentos, e torná-los melhores do que são? Se não podemos dizer todas essas coisas, sejamos lembrados de outra coisa -- nunca encontrar defeito nas coisas tal como transcorrem -- em coisas que não podemos melhorar. Alguns de nós talvez digam: "Bem, é um pouco duro que sejamos colocados como estamos no presente momento; e se estivéssemos no Egito, poderia ter sido melhor para nós. Contudo, se estivéssemos agora no Egito, não poderíamos dizer que comíamos os alhos-porros e as cebolas, pois já os comemos agora. Nossos inimigos estão do lado de fora. Mas poderíamos dizer que fomos lançados em circunstâncias desajeitadas. Tivemos de sair na estação inclemente do ano para enfrentar um inimigo, por causa de nossa religião; e se estivéssemos em algum outro lugar, poderíamos tê-lo evitado." Poderíeis, e poderíeis não: isso dependeria inteiramente das circunstâncias. ¶
Se estivésseis entre aqueles sujeitos lá pelo leste, estaríeis muito pior. Eu preferiria estar em nossa posição do que na deles. "Mas o futuro!" dizeis vós: "Como sabemos que na próxima primavera não virão aqui e nos engolirão por completo?" O irmão Brigham diz: "Teremos de ser engordurados primeiro." E não há gordura em seu gado para fazê-lo no momento. Que sabemos nós dessas coisas? Falo assim para que possamos refletir sobre elas. "Preferiríamos um pouco que aqueles homens estivessem em algum outro lugar." Não sei se eu preferiria. Sinto, apesar de nossa inexperiência, e dos muitos erros que cometemos, e dos vários males em que muitos de nós caem, que somos o melhor povo sob a face dos céus, e que Deus nos chamou, e nos separou, e colocou seu nome entre nós, e nos deu os oráculos de Deus para nos revelar sua mente e vontade, para que, por meio de nós, ele possa estabelecer seu reino na terra. ¶
Em relação a qualquer coisa que tenha acontecido ou possa acontecer, sinto que estamos nas mãos de Deus, e tudo está certo. "Mas gostaríamos de ter surrado aqueles homens" -- assim dizem alguns de nós. "Gostaríamos de vê-los também virar as costas e ir embora por conta própria." Mas eu não gostaria, porque o Senhor não gostaria. Sinto-me perfeitamente tranquilo de que estou nas mãos de Deus, e tudo o que tenho; e assim sois vós. Somos seu povo, e ele é nosso Deus, e seu Espírito dita, governa, controla e rege; e enquanto fizermos o certo, e guardarmos os mandamentos de Deus, e vivermos à altura de nossos privilégios, temos o direito de reclamar o Espírito de Deus e viver no gozo dele a cada momento de nossa vida. ¶
No que diz respeito a seu reino e propósitos, preferiria arriscar-me no julgamento e plano dele do que no meu próprio. Sinto-me tão incompetente, e creio que sois iguais, e sabemos tão pouco acerca dos futuros desígnios de Deus e de seus propósitos pertinentes à família humana, e do que mais há de contribuir para nosso bem-estar individual e para nosso bem-estar como povo, que não desejo pôr minha mão para segurar a arca. ¶
Direi: "É o Senhor, e faça ele o que lhe parecer bom." Se ele tem em mente permitir que o Diabo envie mil, dez mil, ou quinhentos mil homens contra nós, tudo bem. Ia dizer, quem diabo se importa? Estamos nas mãos de Deus. E enquanto estivermos dispostos a fazer sua obra e cumprir os deveres que sobre nós recaem, cabe a ele cuidar de seus Santos. Ele disse que é assim, e sinto vontade de dizer amém a isso. ¶
Quero aprender qual é o meu dever, não apenas por um dia, mas todos os dias, e então tentar cumpri-lo. Este é um sentimento que todos devemos ter, tal como o compreendo. Uma grande obra tem de ser estabelecida na terra. ¶
Lemos e falamos sobre as coisas e refletimos sobre o que o Senhor vai fazer. Ele vai edificar seu reino, e todos os reinos, poderes e domínios serão levados à sujeição do reino de nosso Deus; e "toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e todas as coisas que neles há, ouvi eu dizendo: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder, para todo o sempre." ¶
Estas são palavras muito boas, e a perspectiva é, de fato, muito agradável. Mas a questão é: podemos reconhecer a mão de Deus? Posso eu reconhecer seus tratos para com minha família? Se refletirdes, alguns de vós estáveis em melhores circunstâncias do que agora: estáveis melhor vestidos e providos em muitos aspectos. Enquanto refletis sobre isso, e verificais que tendes muitas coisas duras a enfrentar, podeis dizer: "É a mão de Deus; faça ele como lhe parecer bom"? Se tiverdes de sair nas tempestades frias e na neve, e se vossas esposas se preocuparem com isso, vós, irmãs, podeis dizer: "É a mão de Deus, e faça ele como lhe parecer bom"? ¶
Podeis sentir que sois filhos de Deus, associados com seu reino, e que uma coisa é falar sobre algo, e outra é fazê-lo? Podeis sentir que estais dispostos a cumprir vossos deveres, magnificar vossos chamados, submeter-vos a tudo o que o Senhor colocar sobre vossos ombros, e dizer: "É o Senhor; faça ele o que lhe parecer bom"? Se nós, que professamos ser Santos dos Últimos Dias -- nós, que tomamos sobre nós o nome de Cristo -- nós, que fomos batizados em seu nome para a remissão dos pecados e tivemos a imposição de mãos para o dom do Espírito Santo -- que recebemos nossas lavagens, e unções, e ensinamentos da boca de Jeová -- nós, que vivemos sob o brilho da luz e da inteligência que fluiu da boca de Deus -- se nós, que participamos de privilégios e bênçãos tão grandes e preciosos, não pudermos fazer essas coisas, quanto tempo passará até que toda criatura no céu, na terra, e debaixo da terra seja ouvida dizer: "Ao que está assentado, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder," &c.? É necessário que reflitamos sobre esses deveres e responsabilidades, e tentemos, cada um de nós, viver, agir, mover-nos e obedecer de tal forma, e cumprir de tal forma as leis, mandamentos e ordenanças de Deus, que, em toda posição que ocuparmos, avancemos como uma peça de maquinaria bem organizada, ou como uma árvore em que cada ramo, caule, folha, galho e flor se encontre a florescer, para que todos possamos magnificar a nosso Deus e florescer diante dele. ¶
Não pensais que o Senhor cuidará de sua própria árvore, ou povo? E não pensais que ele fará exatamente o que é certo? Alguns de nós gostaríamos de ter matado um bom número daqueles soldados. Eu gostaria, se o Senhor tivesse assim dito; e se ele não o desejasse, eu também não o desejaria. É, de qualquer modo, um negócio um tanto sujo; e se ele tiver em mente usar outros meios e deixá-los se debater e sair a seu próprio modo, não tenho objeção a isso. Prefiro ir ao desfiladeiro e viver de pão e carne bovina do que trabalhar matando homens. Se o Senhor puder fazer uso de nós dessa maneira, tudo bem. ¶
Não me lembro de ter lido em nenhuma história, nem de ter ouvido relatar nenhuma circunstância em que um exército tenha sido subjugado com tanta facilidade, e seu poder consumido de forma tão eficaz sem derramamento de sangue, como este, em nossas fronteiras. Se isso não é a manifestação do poder de Deus para conosco, não sei o que é. Alguma vida foi perdida nisso? Não -- nem uma. É verdade que nossos irmãos foram alvejados; mas suas balas falharam em causar o dano que se esperava. Foi dito aos nossos irmãos que não retaliassem, e não o fizeram. Onde há tal manifestação do poder de Deus? ¶
Suponde que vós ou eu tivéssemos a direção deste assunto: teríamos estado disparando a plenos pulmões no Sweetwater, e teríamos matado um bom número deles antes que chegassem até aqui. Não fomos nós, então, que dirigimos este assunto. Não. Quem foi? Ora, foram aqueles que foram postos sobre nós; e as próprias coisas que nos pareciam duras de fazer naquele tempo realmente realizaram uma das maiores coisas que a história já revelou. O poder de Deus nunca se manifestou de forma mais clara. ¶
Onde isso ocorreu, e como? Da fonte principal. Fluiu através do caule da árvore: veio do desfiladeiro do riacho da cidade, para voltar a uma de nossas figuras anteriores, e pelos canais apropriados. Meu próprio juízo teria dito, há muito tempo: "Ide e matai-os." Eu teria dito: "Olá, aqui! -- 150 homens conduzam aqueles carros de bois que estão em Ham's Fork para cá antes que os soldados cheguem, e então mataremos os patifes aos poucos." E esse teria sido o juízo da maioria dos homens: teria sido de acordo com o raciocínio natural. Mas Deus não vê como os homens veem; ele não raciocina como o homem. Ainda que possamos compreender parcialmente nossos deveres individuais, não compreendemos como regular a Igreja de Deus. Ela precisa da organização regular e do Espírito para dirigir através dos canais apropriados; e daí o resultado desses acontecimentos que agora se manifestam diante de nossos olhos. ¶
Gostaríeis de que os soldados fossem embora? Não sei se eu gostaria; não me importo com isso. Talvez o Senhor os tenha pendurado ali, como a mãe pendura a vara e aponta para ela. Deseja a mãe machucar a criança? Não. Nem tampouco deseja estar continuamente repreendendo. O Senhor talvez não esteja irado conosco, mas não quer que continuemos desobedecendo à sua autoridade e agindo contrariamente à sua lei. ¶
Suponde que o Tio Sam se levantasse em sua ira acesa, e enviasse cinquenta mil homens para cá -- [o Presidente Brigham Young diz que seu próprio fogo o queimaria] -- quem de nós pode dizer o resultado? Falo dessas coisas para que possamos refletir. Quem pode dizer o que virá em seguida? Quem sabe acerca do futuro? Vedes a posição em que estamos colocados -- que dependemos do Senhor e de seu conselho, e que tudo o que pudermos fazer ou dizer será de acordo com isso, de agora em diante e para sempre. Sião começa a se levantar, sua luz veio. A glória do Senhor está se levantando sobre nós. ¶
Sairá a lei de Deus de Sião, e sua palavra de Jerusalém? Repreenderá ele nações fortes ao longe e manifestará seu poder por meio de seu sacerdócio? Como, quando, e de que maneira essas coisas serão realizadas? Quem pode dizer? Não vedes que somos hoje tão ignorantes quanto éramos, em relação a muitos dos acontecimentos pertinentes ao reino de Deus, no dia em que fomos batizados? Ao mesmo tempo, estávamos então ignorantes em relação a muitos princípios que agora nos são claros e familiares. E assim será daqui por diante. Precisa-se de uma mão que guie -- um homem cheio do Espírito de Deus, e não apenas isso, mas do Senhor com quem se comunicar, para que compreenda os desígnios de Deus e conduza Israel pelos caminhos que deve seguir. ¶
Que faremos, então? Havemos de começar a resmungar, a queixar-nos, a gemer e a gritar sobre isto e aquilo, porque pensamos que as coisas estão em muito mau estado? Devemos sentir que estamos na Igreja e reino de Deus, e que Deus está ao leme, e que tudo está certo e continuará a estar. Sinto-me tão tranquilo quanto um velho sapato. ¶
E se formos expulsos para as montanhas? Que sejamos expulsos. E se tivermos de queimar nossas casas? Ora, ateai fogo a elas com boa graça, e dançai uma jiga ao redor delas enquanto queimam. Que me importa isso? Estamos nas mãos de Deus, e tudo está certo. O irmão Brigham diz que estamos acostumados a isso, e que não haveremos de sentir dificuldade. ¶
Irmãos, somos seres eternos e estamos associados com princípios eternos: estamos na Igreja e reino de Deus sobre a terra, e esse reino é um reino eterno, e estamos ligados a princípios eternos e associados com eles: estamos começando a viver para sempre, e agindo não apenas para o tempo, mas para a eternidade. E à medida que nossas mentes se expandem e as coisas de Deus se desdobram diante de nós de tempos em tempos, veremos a adequação das coisas e a sabedoria, orientação e proteção de Jeová, tanto quanto isso nos foi manifesto nos acontecimentos que ultimamente transcorreram. E se dormirmos ou morrermos, isso é apenas o ponto de partida para viver para sempre. ¶
Temos dentro de nós os princípios da vida eterna. Se nossos corpos vierem a desmoronar-se em pó, havemos de mover-nos em outra esfera e associar-nos com outras inteligências que estão ligadas ao mesmo reino e governo, e continuar a viver e a fazer avançar os propósitos de Deus. E se tivermos uma guerra e algumas coisas assim, não importa: quem se importa? Basta sorrir e suportar. Fazei o certo e apegai-vos a Deus, e tudo correrá bem. ¶
Essas ideias nos levam à reflexão e a considerar os desígnios de Deus; e, se formos fiéis, tenderão a purificar-nos. Nenhuma aflição, no presente, parece ser motivo de gozo, mas de tristeza; contudo, ela produz o fruto pacífico da justiça para aqueles que por ela são exercitados; enquanto não olhamos para as coisas que se veem, mas para as coisas que não se veem; pois as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas. ¶
Quantas más inclinações ainda permanecem em nosso peito! Como somos propensos a desviar-nos do caminho certo! Como são suscetíveis nossos espíritos de se rebelarem contra a ordem e o governo de Deus! Quantos sentimentos há em nós que não concordam com aqueles princípios que residem no seio de Jeová e não podem associar-se com aquelas inteligências que estão associadas com ele no mundo eterno! Como é necessário que tenhamos fé, ensino, instrução, e toda uma sequência de acontecimentos para manter nossas mentes despertas para o assunto de nossa existência como seres eternos, para que possamos honrar nosso chamado na terra, honrar a nosso Deus, cumprir nosso destino, e nos preparar para uma exaltação celestial no mundo eterno! Não vedes a necessidade dessas provações, aflições e cenas pelas quais temos de passar? É o Senhor quem nos coloca em posições que são as mais calculadas para promover os melhores interesses de seu povo. Minha opinião é que, longe de essas coisas que agora nos cercam serem um dano para nós e para o reino de Deus, elas lhe darão um dos maiores impulsos que já teve; e tudo está certo, e tudo ficará certo, se guardarmos os mandamentos de Deus. Qual é, então, a posição que devemos ocupar -- cada homem, mulher e criança? Fazer nosso dever diante de Deus -- honrá-lo, e tudo está certo. E quanto aos acontecimentos ainda por transcorrer, devemos confiá-los nas mãos de Deus, e sentir que "tudo o que é, é certo," e que Deus há de controlar todas as coisas para o nosso melhor bem e o interesse de sua Igreja e reino na terra. Se vivermos aqui e prosperarmos, tudo bem; se partirmos daqui, tudo bem; e se tivermos de passar por aflição, tudo bem. Com o tempo, quando viermos a contemplar a adequação das coisas que agora nos são obscuras, havemos de descobrir que Deus, embora se tenha movido de maneira misteriosa para cumprir seus propósitos na terra e seus propósitos relativos a nós como indivíduos e como famílias, governa todas as coisas por aquela sabedoria que flui de Deus, e que todas as coisas são certas e calculadas para promover o bem-estar eterno de cada pessoa diante de Deus. Que Deus vos abençoe e vos guie continuamente no caminho da verdade. Amém. ¶