Atenção e Reflexão Necessárias para um Aumento de Conhecimento — Autodomínio — Unidade da Divindade e do Povo de Deus.
Brigham Young
Tenho o mesmo acanhamento nos meus sentimentos que a maioria dos oradores públicos tem, e sou propenso a pensar que outros podem falar melhor e de modo mais edificante do que eu. Há poucos oradores públicos que não sintam maior ou menor timidez. Isso provavelmente não é tanto um espírito de temer o homem quanto uma delicadeza ou timidez natural. Todos vós, sem dúvida, em certa medida, já experimentastes o mesmo sentimento, seja em grandes ou pequenas assembleias, e também em conversas sociais. As pessoas geralmente ficam mais ou menos perturbadas e desequilibradas pelo som de suas próprias vozes, especialmente ao falar diante de um público, mesmo depois de já muito acostumadas a dirigir-se a assembleias. Alguns de nossos oradores mais eloquentes e interessantes prefeririam fazer quase qualquer coisa a falar às congregações que se reúnem aqui. Desse acanhamento ou timidez devemos nos livrar. Quando se torna nosso dever falar, devemos estar dispostos a falar. Se nunca exibirmos o conhecimento que há dentro de nós, o povo não saberá realmente se temos algum. Trocar nossas ideias e exibir o que cremos e entendemos oferece a oportunidade de detectar e corrigir erros e aumentar nosso estoque de informação valiosa. Tenho frequentemente pensado que ficaria muito feliz se pudesse ouvir os élderes de Israel expressarem seus sentimentos e comunicarem seu conhecimento a respeito de seus semelhantes, das coisas terrenas, das coisas celestiais, da piedade, e de Deus. ¶
Estou ciente de que as pessoas não são dotadas e capacitadas igualmente. Não há em alguns a mesma profundidade de entendimento e intensidade de pensamento que há em outros, nem o mesmo alcance de percepção. Alguns são rápidos para apreender, enquanto outros são lentos. Também, enquanto um orador está comunicando suas opiniões, visões e sentimentos, uma parte de uma congregação tão numerosa quanto esta talvez esteja prestando a mais estrita atenção, enquanto a mente da outra parte está divagando no exato momento em que ele pode estar apresentando ideias ricas, vestidas em linguagem escolhida e eloquente. Essa desatenção de alguns leva a uma diferença de entendimento entre o povo, por má compreensão do sentido do orador. É verdade, algumas pessoas podem usar linguagem com a qual uma parte da congregação não está familiarizada; consequentemente, não se poderia esperar que apreendessem prontamente a ideia que se pretendia comunicar, embora isso de forma alguma seja um incidente comum nos ensinamentos deste púlpito. ¶
Se uma congregação deseja ser instruída de modo a entender igualmente e igualmente receber um aumento de sabedoria e conhecimento, sua mente deve estar atenta ao assunto diante dela. Não deve permitir que seus pensamentos vagueiem pela terra; não deve permitir que sua mente perscrute e percorra seus deveres e afazeres diários. Se o fizer, não será abençoada com aquela reserva de conhecimento que de outro modo poderia obter, ao prestar a atenção necessária para entender claramente. Reconheço que é uma obra-prima disciplinar nossa mente de modo a exercer, a todo momento, pleno domínio sobre ela. Se o povo se educasse de modo a controlar seus poderes de pensamento, obteria disso grande vantagem. Poderia progredir muito mais depressa do que progride agora. ¶
Muitos anos atrás, o Profeta Joseph observou que, se o povo tivesse recebido as revelações que ele tinha em sua posse, e agido sabiamente sobre elas, conforme o Senhor as ditaria, poderia, em seu poder de fazer e entender, estar muitos anos à frente do que então estava. A experiência nos ensinou que é preciso tempo para adquirir certos ramos de ofício, assim como todos os princípios e ideias dos quais desejamos nos tornar mestres. Quanto mais de perto o povo aplicar sua mente a qualquer propósito correto, mais depressa poderá crescer e aumentar no conhecimento da verdade. Quando aprender a dominar seus sentimentos, logo poderá aprender a dominar suas reflexões e pensamentos no grau necessário para alcançar os objetivos que busca. Mas enquanto ceder a um sentimento ou espírito que distraia sua mente de um assunto que deseja estudar e aprender, por tanto tempo jamais obterá o domínio de sua mente. Assim é com as pessoas que cedem à tentação e à maldade. ¶
Há indivíduos que cedem àquele membro indisciplinado, a língua; e depois de ceder uma vez, não têm a mesma força para resistir como no início. Vão se enfraquecendo cada vez mais toda vez que cedem à tentação, até que se tornam incapazes de se controlar, quando são tentados seja a falar precipitadamente, seja a incorrer em qualquer espécie de maldade. Assim toda faculdade concedida ao homem está sujeita à contaminação — sujeita a ser desviada do propósito para o qual o Criador a destinou. Se um homem se permite usar linguagem calculada para ferir seu espírito e infringir seu melhor juízo, e não tenta resistir a essa prática, quando é novamente tentado nesse ponto é mais provável que ceda e tenha menos remorso de consciência do que antes. Se continuar dia após dia a se entregar como servo dos caprichos descontrolados de sua própria natureza e das influências más que possam ser exercidas sobre ele de fora, em poucos anos estará tão mergulhado no pecado a ponto de se entregar inteiramente ao erro de seus caminhos. Quanto mais cedo um indivíduo resistir à tentação de fazer, dizer, ou pensar o errado, enquanto tem luz para corrigir seu juízo, mais depressa ganhará força e poder para vencer toda tentação ao mal. ¶
Que o povo se esforce por trazer suas faculdades de pensar ou refletir à sujeição. Estamos pregando princípios que pertencem a este assunto todos os dias de nossa vida. No último Sábado falei sobre a concentração da fé, da ação, do sentimento, da reflexão. É um assunto sobre o qual frequentemente reflito, porque sou colocado em circunstâncias que o trazem diante de mim toda vez que ouço um homem orar. Sou eu, até agora, tão senhor de meus pensamentos e reflexões que nenhum pensamento ou desejo de meu coração tenta adiantar-se ao orador em pronunciar seus sentimentos e desejos? Tenho o poder de manter minha mente diretamente sobre suas palavras e desejos, pedindo continuamente que ele seja dirigido pelo Espírito Santo? Reconheço que ainda não sou perfeito neste ponto. Ainda não tenho esse poder sobre mim mesmo; mas, para louvor do nome do Deus a quem sirvo, de fato tenho progredido nisso. Quando minha mente me traiu, e detecto um desejo diferente daquele expresso por meu orador, sinto-me levado a retratar-me e oferecer meu desejo ao trono da graça, para que eu possa ter o poder de manter minha fé com o homem designado para orar. Os que pensam e refletem sobre este assunto podem perceber o que desejo de mim mesmo e o que desejo do povo. Pessoas irrefletidas podem não perceber plenamente a importância destas observações; mas toda pessoa que tenha um senso consciente dos deveres que lhe recaem — do caminho da vida e da salvação — daquilo a que fomos chamados no santo evangelho, deve estar ciente da importância deste assunto para todos os que estão decididos a viver sua religião. ¶
Todos vós estais familiarizados, ou professais estar, com o evangelho de salvação. Fizestes convênio com Deus — recebestes as ordenanças do evangelho; e se não recebestes o Espírito Santo, deveríeis tê-lo recebido. Tendes a história da administração do Espírito Santo tal como dada pelos Apóstolos nos dias de Jesus, e a ela se faz referência em todos os escritos sagrados. Este povo professa estar mais ou menos familiarizado com os princípios desenvolvidos pela administração do Espírito Santo. Admitiremos que o entendeis. Ora, perguntai a vós mesmos se credes que o Espírito Santo alguma vez começou a produzir uma obra ou um efeito antes que estivesse no coração e na mente daquele Ser a quem chamamos nosso Pai celestial. Pensais que o Espírito Santo alguma vez pensou em ditar a esse Ser a quem chamamos nosso Deus? Todo este povo aprendeu o suficiente sobre este assunto para responder imediatamente, que não cremos que o Espírito Santo jamais ditasse, sugerisse, movesse, ou pretendesse oferecer um plano, exceto aquele que o Pai Eterno ditou. ¶
Quanto a este ponto particular, direi que julgueis vós mesmos o assunto e sejais minhas testemunhas. Não aprendemos o suficiente a respeito do caráter do Pai, do Filho e do Espírito Santo, para de imediato crer, admitir e afirmar que o Espírito Santo sempre operou e sempre operará precisamente de acordo com a sugestão do Pai? Nem um desejo, ato, vontade, ou pensamento indulge o Espírito Santo contrário ao que é ditado pelo Pai. Todos nós sentimos isso em certo grau, porque sempre nos foi ensinado. É ensinado na Bíblia, nas revelações dadas por meio de Joseph, e na pregação dos élderes de Israel. É nossa tradição, educação e experiência no reino de Deus. O Espírito Santo, cremos, é um dos personagens que formam a Trindade. Não uma pessoa em três, nem três pessoas em uma; mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um em essência, como os corações de três homens que estão unidos em todas as coisas. Ele é um dos três personagens em quem cremos, cujo ofício é ministrar àqueles da família humana que amam a verdade. Afirmei que são um, como os corações de três homens poderiam ser um. Para que não me entendais mal, direi que não desejo que compreendais que o Espírito Santo é um ser que possui um tabernáculo, como o Pai e o Filho; mas ele é o mensageiro de Deus que difunde sua influência por todas as obras do Todo-Poderoso. ¶
Cremos ter uma ideia correta do caráter do Filho a partir dos escritos dos Apóstolos, na medida em que o aprenderam. Mas enquanto habitava na carne, ele estava mais ou menos contaminado pela natureza caída. Enquanto esteve aqui, num corpo que sua mãe Maria lhe deu, ele estava mais ou menos ligado a esta natureza que recebemos, e influenciado por ela. Segundo a carne, era da semente de Adão e Eva, e sofreu as fraquezas e tentações de seus semelhantes mortais. Teve fome e sede, cansaço e fraqueza, e teve de comer, beber e dormir. Nele se desenvolveram todos os traços pertencentes ao homem mortal. Segundo a escassa história que temos do Salvador, quase nula desde o tempo de seu nascimento até o tempo em que entrou em seu ministério aos trinta anos de idade, ele administrou seu evangelho por cerca de três anos e meio entre o povo, e levantou sua Igreja, ordenou seus Apóstolos, e estabeleceu seu reino; e desse tempo limitado temos apenas uma história escassa. Segundo essa história — segundo tudo o que aprendestes, e segundo tudo o que o Espírito Santo já testificou a vós a respeito dele, deixai-me fazer-vos a mesma pergunta a respeito dele que fiz a respeito do Espírito Santo; e que diríeis? Que ele nada fez de si mesmo. Operou milagres e realizou uma boa obra sobre a terra; mas de si mesmo nada fez. Disse ele: "Como tenho visto meu Pai fazer, assim faço eu." "Não vim para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." Devemos chegar à conclusão de que o Filho de Deus não sugeriu, ditou, agiu, ou produziu manifestação alguma de seu poder, de sua glória, ou de sua missão sobre a terra, senão como veio da mente e vontade de seu Pai. Não credes todos firmemente que toda a alma, o coração, as reflexões, os pensamentos, e todo o ser do Filho de Deus foram operados de modo a manifestar que tudo o que ele manifestou e produziu pertencente à sua missão estava de acordo com a palavra e a vontade de seu Pai? Certamente que sim. ¶
Jesus ofereceu uma das mais essenciais orações que poderiam possivelmente ser oferecidas por um ser humano ou celestial — não importa quem, pertencente à salvação do povo, e incorporando um princípio sem o qual ninguém pode ser salvo, quando orou ao Pai para que fizesse seus discípulos um, assim como ele e seu Pai eram um. Sabia que, se não se tornassem um, não poderiam ser salvos no reino celestial de Deus. Se as pessoas não veem como ele viu enquanto na carne, não ouvem como ele ouviu, não entendem como ele entendeu, e não se tornam precisamente como ele foi, segundo suas respectivas capacidades e chamados, jamais poderão habitar com ele e seu Pai. Este mesmo princípio se destaca como o item mais proeminente de ensino em todos os ensinamentos e revelações jamais dados do céu aos homens sobre a terra. Esse fio de fé, de sentimento, de esperança, de alegria, e de ação pode ser encontrado por meio de todas as instruções já vindas do céu à terra, a fim de trazer os filhos de Deus — isto é, toda a família humana — os filhos de nosso Pai, e nós como irmãos e irmãs, pais e filhos, todos emanados de uma única origem, de volta novamente à presença do Pai e do Filho, para trazer toda a posteridade do pai Adão e da mãe Eva a desfrutar da luz, glória, inteligência, poder, reinos, tronos e domínios preparados para seres exaltados, o que não poderia ser até que tomassem sobre si tabernáculos. Não poderiam ser exaltados a menos que estivessem preparados para uma exaltação; e por nenhum outro princípio poderiam ser preparados, sem tomar tabernáculos de carne e serem sujeitos à vaidade. Todo o ensino Divino, desde os dias de Adão até agora, tem sido ensinar a família humana a ceder aos ensinamentos, ditames, influência e poder do santo evangelho para torná-los um. Sem essa unicidade, não há salvação para nós no reino celestial de Deus. ¶
Se fôssemos particularizar a respeito das diferentes organizações da família humana, aprenderíamos que alguns não são capazes da mesma exaltação que outros, o que surge da diferença na conduta e nas capacidades das pessoas. Há também uma diferença no mundo espiritual. É o desígnio, o desejo, a vontade e a mente do Senhor que os habitantes da terra sejam exaltados a tronos, reinos, principados e poderes, segundo suas capacidades. Em sua exaltação, um pode ser capaz de presidir sobre dez cidades, enquanto outro talvez não seja capaz de presidir sobre mais de cinco, outro sobre apenas duas, e outro sobre apenas uma. Todos devem primeiro ser sujeitos ao pecado e às calamidades da carne mortal, a fim de provarem-se dignos; então o evangelho está pronto para se apoderar deles e trazê-los para cima, uni-los, iluminar seu entendimento, e torná-los um no Senhor Jesus, para que sua fé, orações, esperanças, afetos, e todos os seus desejos possam estar sempre concentrados em um só. Esse é o desígnio e o desejo do Pai. ¶
Podeis perguntar: "Sabia ele previamente que seriam salvos?" Tenho visto muitos no mundo que jamais conseguiram discernir a diferença entre presciência e preordenação. Pensei que sempre pudesse discernir a diferença. Se eu sei que um ato acontecerá amanhã, isso de forma alguma significa que eu o tenha decretado. É o desígnio, o desejo, a vontade de nosso Pai Celestial que toda alma nesta congregação seja coroada no reino celestial. Serão? Não. Sei que alguns não serão. Mas segue-se disso que alguns estão ordenados para ir para o inferno? Não. É o desígnio do evangelho salvar esta congregação, todos os Santos dos Últimos Dias, e todo o resto do mundo que crer no testemunho de Jesus e se tornar obediente ao evangelho de salvação. E ninguém precisa se voltar e dizer: "Se é o desígnio do Senhor, serei salvo;" pois sendo esta a vontade e o desígnio do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e de todo Santo que já houve ou jamais haverá, que sejais um Santo, isso não vos fará um, contra a vossa própria escolha. Todos os seres racionais têm arbítrio próprio; e segundo sua própria escolha serão salvos ou condenados. ¶
Visto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um, o desejo do Salvador, tal como se manifesta em seus ditos e ensinamentos, é que seu povo também seja um, assim como ele e seu Pai são um. Se tivéssemos dentro de nós o coração, o sentimento e a fé que Jesus tinha enquanto aqui na carne, estaríamos dispersos em nossa fé? Estaríamos divididos em nossos interesses? Não: nos tornaríamos um. Não tenho tempo de vos dizer por que este povo não é identicamente um; mas para a mente perspicaz o Espírito Santo manifestará a razão num momento — a exporá diante de vós como uma visão aberta, e sereis capazes de discernir de imediato milhares de razões para isso. São capazes de ser um? Sim, se em todas as coisas trouxerem sua vontade à sujeição da vontade do Pai. ¶
Se alguns têm o hábito de tomar o nome de Deus em vão, cessai de fazê-lo hoje, amanhã, e durante toda a semana que vem, e assim continuai, e logo ganhareis força para vencer completamente o hábito; ganhareis poder sobre vossas palavras. Alguns têm o hábito de falar sobre seus vizinhos, de espalhar histórias que nada sabem, senão que a Tia Sally disse que a Prima Fanny contou à Tia Betsy que a velha Tia Ruth disse tal e tal coisa, ou que alguém teve um sonho; e quando a história ou o sonho chega até vós, já assumiu a aparência de um fato, e estais muito tolamente gastando vosso tempo falando de coisas que não valem nada, ou com as quais não tendes relação alguma. Espalha-se um boato de que fulano fez algo errado, e, quando termina de dar a volta, já está ungido com o unguento do maldizente e do mexeriqueiro — já ficou dotado do espírito deles. Um e outro concorda com ele e diz: "É verdade — a tua causa é justa, estás exatamente certo, e o outro é que certamente está errado," quando nada sabem sobre o assunto; engendrando assim sentimentos de má vontade inteiramente infundados uns contra os outros. Antes de condenarmos, deveríamos esperar até que os Céus indiquem claramente uma falta num pai, irmão, irmã, esposa, marido, ou vizinho. E se o Céu declarar uma falta, esperai até que o Espírito Santo vos manifeste que tal é de fato uma falta. Que o Pai vos revele que a pessoa sobre quem pensais ou falais está de fato errada. Não difameis pessoa alguma. Quando souberdes o que é certo, e fordes capazes de corrigir uma pessoa que está errada, então será tempo suficiente para julgardes. ¶
Há pouco vos disse que algumas pessoas pensam ser capazes de julgar todos menos a si mesmas. Julguemos a nós mesmos. E se alguns estão dispostos a deixar aquele membro indisciplinado, a língua, fazer o que ferirá o coração, escurecerá o espírito, e nos trará à sujeição de uma prática má, resisti a tal disposição — lançai-a fora de vós. Se o fizerdes, achareis que os ímpios abandonarão sua impiedade, e os que se inclinam a pensar mal cessarão de fazê-lo, e os que se inclinam a proferir palavras más sobre seus vizinhos cessarão esse hábito, e não passará muito tempo antes que o povo tenha perfeito controle sobre si mesmo. Se primeiro ganhardes poder para conter vossas palavras, então começareis a ter poder para conter vosso juízo, e por fim de fato ganhareis poder para conter vossos pensamentos e reflexões. ¶
Pela aplicação e estudo cuidadosos a respeito de nós mesmos e das exigências do Céu sobre nós, seremos capazes de nos disciplinar, até que, quando chamarmos um élder para abrir nossas reuniões, não haverá desejo, palavra, frase, sentimento, ou impulso de espírito sequer a um fio de cabelo à frente daquele escolhido para ser a boca. Credes que possamos fazer isso? Podemos. Já vos disse que ainda sou imperfeito nesse ponto; mas estou tentando aperfeiçoar-me nesse particular, de modo a tornar-me pleno senhor de meus pensamentos. ¶
Vou agora fazer uma pergunta. Pensais que um homem pode orar errado, quando os corações de talvez mais de duas mil pessoas estão ascendendo a Deus, em nome de Jesus Cristo, para dirigir o homem que ora, e desejando que o Senhor lhes faça saber sua vontade, e se esforçarão para cumpri-la? Poderia um homem orar aqui por coisas que não deveria, quando a fé de duas mil pessoas está concentrada no sincero desejo de que Deus dirija em todas as coisas pertencentes ao seu reino? Ele não pode pedir mal, pois a fé deste povo está concentrada por meio dele até o trono da graça. Este é um princípio verdadeiro — tão verdadeiro quanto os céus. ¶
Nossa fé está concentrada no Filho de Deus, e por meio dele no Pai; e o Espírito Santo é seu ministro para trazer verdades à nossa memória, para nos revelar novas verdades, e ensinar, guiar e dirigir o curso de toda mente, até nos tornarmos aperfeiçoados e preparados para ir para casa, onde poderemos ver e conversar com nosso Pai nos céus. É isso que queremos alcançar — que possamos o tempo todo ter a palavra do Senhor para nós mesmos. ¶
Frequentemente me ouvistes, a mim e a meus irmãos, dizer que se o povo, na capacidade de uma Ala, por exemplo, deixasse sua fé ser perfeitamente unida, e todo o seu desejo se elevasse ao Pai, em nome de Jesus Cristo, e mantivesse seu Bispo em seu chamado entre Deus e eles, dificilmente seria possível que aquele Bispo fizesse o mal, pois estaria cheio de sabedoria. Alguns dos irmãos, em conversa, esta manhã, comparavam os ministérios do Espírito Santo ao modo de distribuir gás por uma cidade. O gás é conduzido por um cano principal a partir do gasômetro ou reservatório, e daí por canos laterais e ramos cada vez menores, até ser distribuído de modo a fornecer luz a todos os que a requerem. Comparo os Bispos a alguns desses canos laterais colocados para conduzir o gás. Removei um segmento de um desses canos, ao qual na comparação chamaremos um Bispo, e como hão de os habitantes daquela Ala receber a luz? Ponde-o de lado — desprezai seus conselhos, e como sereis ensinados? Ensinar-vos-eis uns aos outros? Não sois chamados a fazê-lo nessa capacidade. Vosso Bispo é colocado pelo mestre construtor como o condutor do Espírito Santo até vós. Se tirardes esse condutor de seu lugar, a conexão entre vós e a fonte de luz se rompe. Se virdes um Bispo e sua Ala em contenda e confusão, podeis entender que o cano ou condutor que transmite a luz àquele povo está fora de lugar. Em vez de o Bispo estar errado e o povo certo, ou o povo errado e o Bispo certo, estão todos errados: há pouco ou nenhum certo ali. ¶
Tomai qualquer homem neste reino, e se o povo disser que o fará Presidente ou Bispo, ou o elegerá para preencher qualquer outro cargo, e a fé do povo se concentrar em receber luz por meio daquele oficial ou cano estabelecido pelo poder do Sacerdócio a partir do trono de Deus, tanto poderíeis tentar mover os céus quanto receber algo errado por meio daquele condutor. Não importa quem elejais para um cargo, se vossa fé estiver concentrada nele por meio de quem recebeis as coisas que ele está designado a administrar, a luz virá até vós. Que um oficial presidente ou um Bispo se afaste da retidão, e o Senhor Todo-Poderoso lhe daria o trismo, se não pudesse fechar-lhe a boca de outra forma, ou lhe enviaria um ataque de paralisia entorpecente, de modo que não pudesse agir, tão certo quanto o povo sobre o qual presidia estava certo, para que não fosse desviado. ¶
Se desejamos ser ensinados, receber e entender, devemos nos treinar. Estamos aguardando o período em que estaremos na presença do Pai e do Filho — quando perceberemos que somos de fato filhos de Deus, e seremos coroados de glória, imortalidade e vidas eternas. "Então," dizeis, "seremos perfeitos." Não sereis mais perfeitos em vossa esfera, quando fordes exaltados a tronos, principados e poderes, do que sois obrigados a ser e capazes de ser em vossa esfera hoje. O homem que pode ser chamado um homem perfeito é perfeito em todo chamado e esfera, como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são nos seus, e como os anjos são nos seus, o que constitui uma ordem perfeita do primeiro ao último — do princípio ao fim. ¶
Nesta prova, temos o mal para combater, e devemos vencê-lo em nós mesmos, ou jamais o venceremos em lugar algum. Se deixásseis vossa mente se expandir, aprenderíeis que todo o reino, com seus princípios, poderes, autoridade, glória, e tudo o que a ele pertence, está combinado na organização do homem, pronto para ser desenvolvido. Devemos começar a nos disciplinar, e assim trazer nossas reflexões à sujeição, para que possamos tornar nossa mente uma só na fé. Então, deixai-me perguntar-vos, quando orardes a Deus para que assim cerque o caminho de nossos inimigos, para que jamais possam vir a este Território, não serão muito provavelmente atendidas as vossas orações? Se a fé deste povo, chamado Santos dos Últimos Dias, tivesse sido unida como uma só, como deveria ter sido quatro meses atrás, quando pediram ao Pai, em nome de Jesus, para deter nossos inimigos do outro lado do South Pass, posso assegurar-vos, tão certo como vive o Senhor Deus, que jamais teriam visto este lado dele. Mas eles estão no Território. Quando estivermos unidos e pedirmos a Deus que deixe o iníquo matar o iníquo à medida que amadurecem na iniquidade, isso será feito, e não terão poder para vencer este punhado de povo nas montanhas. Ele colocará entre eles e nós uma barreira que não poderão superar. Ele erguerá entre nós um muro como jamais imaginaram, e cairão uns sobre os outros e se matarão uns aos outros. ¶
Sei onde estão as dificuldades, mas não tenho tempo agora para explicá-las. Se formos um e estivermos concentrados no Pai, por meio do Senhor Jesus Cristo, e por meio da cadeia e do fio traçados para que os sigamos, encontraremos a fonte principal; e então, se eu pedisse a este povo que orasse por certa coisa, orariam por ela. Mas o fazem agora? Não: oram por tudo o mais. Já fiz esse pedido até me cansar de fazê-lo. Muitos orarão por isto, aquilo e aquilo outro, diferente do que eu lhes havia aconselhado apenas vinte minutos antes. Sua fé não está concentrada, como frequentemente vos tenho dito, embora estejam progredindo e chegarão ao conhecimento da verdade. ¶
A Primeira Presidência tem, por direito, grande influência sobre este povo; e se saíssemos do caminho e conduzíssemos este povo à destruição, que pena seria! Como podeis saber se vos conduzimos corretamente ou não? Podeis saber por algum outro poder senão o do Espírito Santo? Tenho uniformemente exortado o povo a obter esta testemunha viva cada um por si mesmo; então nenhum homem sobre a terra poderá desviá-los. É meu chamado e ofício dirigir os assuntos da Igreja e do reino de Deus sobre a terra. É isto que me escolhestes para fazer por muitos anos, com o irmão Heber e outros como meus Conselheiros, dois dos quais já passaram além do véu; e agora tenho um terceiro — o irmão Daniel H. Wells, que é tão bom homem quanto jamais existiu. Pedistes-me para dizer ao povo o que fazer para ser salvo — para ser a boca de Deus a este povo. Está vossa fé de acordo com vossa profissão? Deixai-me continuar a exortar-vos, até que possais treinar vosso coração, vossos sentimentos e vossos afetos a tal grau, que, quando eu vos pedir para orar por certo objeto, possais pensar nele quando fordes para casa. ¶
Irmãos e irmãs, que Deus vos abençoe! Eu vos abençoo o tempo todo. Aleluia! Louvado seja o nome do Deus de Israel; pois minha alma exulta em seu nome. Somos felizes e livres do jugo da escravidão. O sopro do Todo-Poderoso pode espalhar nossos inimigos aos quatro ventos e soprá-los para o esquecimento, se tivermos fé. Podeis ler como os reis, profetas e homens poderosos em Israel costumavam matar seus semelhantes — obrigados a fazê-lo, por causa da maldade daqueles mesmos homens que estavam à frente de Israel. Se tivessem sido santificados e santos, os filhos de Israel não teriam viajado um ano com Moisés antes de receberem suas investiduras e o Sacerdócio de Melquisedeque. Mas não puderam recebê-los, e jamais o fizeram. Moisés os deixou, e não receberam a plenitude daquele Sacerdócio. Depois de chegarem à terra de Canaã, jamais teriam desejado um rei, se fossem santos. O Senhor disse a Moisés que se mostraria ao povo; mas eles suplicaram a Moisés que rogasse ao Senhor que não o fizesse. Moisés se irou com os pecados do povo e agiu mal, a tal ponto que, quando o Senhor se mostrou a ele, escondeu-o numa fenda de rocha, e só o deixou ver suas partes posteriores. ¶
Por causa da conduta do povo, Moisés às vezes sentia vontade de lutar. Depois de estar com o Senhor quarenta dias no monte, desceu e viu a idolatria do povo, e despedaçou as tábuas escritas pelo dedo de Deus, e moeu a imagem de ouro que adoravam, e a espalhou aos quatro ventos; e o Senhor matou muitos dos idólatras. ¶
Desejo ver este povo tão cheio do poder de Deus que possa pedir e receber. Que Deus nos ajude a assim fazer! Amém. ¶