O Culto Religioso, um Princípio Natural e Universal — A Sinceridade Não é Prova de Verdade — Autoridade Sacerdotal, Etc.
George A. Smith
Nosso Pai que está nos céus nos colocou neste mundo na presente geração, e colocou diante de nós leis e princípios pelos quais podemos obter exaltação e glória celestial. ¶
Na aquisição de qualquer ramo da ciência, é preciso apurar suas leis e fazer a devida aplicação, ou não está em nosso poder familiarizar-nos com seus ramos, de modo a dominá-lo e perceber o benefício de seus efeitos. Assim também, ao entrar no reino do Deus Altíssimo, entramos por uma porta preparatória; e, para todos os que foram tradicionados nas falsas religiões da época presente, esta porta parece ser pouco compreendida. ¶
Tenho observado os movimentos das pessoas que entram na Igreja de Cristo vindas de igrejas sectárias, por muitos anos, e descubro que estão quase inteiramente envoltas numa espécie de casca de ferro fundido; e é com a maior dificuldade que se despojam dela — de seus preconceitos e tradições. É obra de anos; e, embora muitos entrem nesta Igreja ainda jovens, sem amplo conhecimento dos princípios sectários, tal é a força da tradição, mesmo neles, que têm de parar, considerar, e questionar se os princípios são realmente verdadeiros e recebidos de fonte apropriada, ou se são falsos. ¶
Há um sentimento no peito humano de reverenciar algo. Encontramo-lo entre os selvagens sem instrução; encontramo-lo entre as chamadas nações pagãs — entre aqueles considerados pagãos, curvando-se para adorar imagens, obra de suas próprias mãos. ¶
Tive o prazer, enquanto estava nos Estados, de estar sujeito às regras de guarda do Sábado da companhia ferroviária. Desejei muito devotamente ter o privilégio de passar meu tempo com os Santos em Saint Louis: mas, para evitar viajar no Sábado, tinha saído o decreto da ferrovia de que não deveríamos deixar Chicago; assim, no Sábado, fui à Catedral de Santa Maria com o propósito de ouvir um discurso católico. ¶
Ali fiquei satisfeito de ouvir um cavalheiro muito eloquente explicar a razão pela qual as pinturas, a crucifixão, e emblemas desse tipo são usados nas igrejas católicas. Disse ele que não se entendia entre eles que uma pessoa, ao curvar-se diante de uma imagem ou retrato de um santo, o fazia com a intenção de adorar aquele santo ou retrato; mas que o propósito era inspirar no coração do adorador a disposição de emular os feitos virtuosos e as boas ações daquele santo. Assim, disse o orador, um retrato da Virgem Maria, colocado em posição apropriada onde as mulheres, especialmente as jovens, possam vir diante dele e oferecer suas adorações, inspira em suas mentes ideias castas e virtuosas, pensamentos santos, princípios puros, e desejos ardentes de viver tão perfeitamente, de ser tão humildes, e de observar as leis da retidão tão plenamente quanto o fez a virgem diante de cujo retrato estão. ¶
Trago isto à baila simplesmente para ilustrar o princípio pelo qual os católicos respondem às objeções levantadas pelo mundo protestante contra o uso de imagens, etc., em suas igrejas, acusando-os assim de idolatria. ¶
Há razões bem conhecidas de todo leitor de história para a introdução de pinturas nas igrejas católicas. Embora atribuam a isso as razões dadas pelo eloquente cavalheiro na Catedral de Santa Maria, em Chicago; contudo, originalmente não eram usadas nas igrejas católicas nem em nenhuma das igrejas cristãs antes de se misturarem com o Romanismo. ¶
Em sua origem, o império de Roma era ao mesmo tempo uma instituição religiosa e política: a seus imperadores e senadores estava vinculada autoridade sagrada; e sua religião incorporava em si o poder, a perfeição e a união consolidada das instituições pagãs daquela época, que consistiam numa série de sistemas de idolatria. ¶
Daí, por ordem do governo, templos eram dedicados particularmente a seu deus da paz, para serem abertos em tempo de paz e fechados em tempo de guerra; templos também eram dedicados ao deus da guerra, para serem abertos em tempo de guerra e fechados em tempo de paz; pois em certas ocasiões os deuses da paz e da fartura deviam ser invocados; em outras, o deus da guerra devia ser cortejado. ¶
A religião cristã avançou silenciosamente até se tornar um poder a ser cortejado por homens sedentos de domínio. Quando Constantino tomou posse do trono, o império havia se tornado, em grau considerável, cristianizado, e tornou-se necessário fazer algo para consolidar os sentimentos do conjunto. Destruir os ídolos por completo seria mal recebido pela ordem superior do povo romano. Para resolver essa dificuldade, Constantino substituiu os ídolos por pinturas. Em vez da estátua de Minerva, teve o retrato da Virgem; em vez de um templo dedicado a Júpiter, uma igreja dedicada a São Pedro; em vez de uma estátua de Apolo, uma imagem de algum dos Apóstolos, ou de algum santo ou personagem, imaginário ou real; misturando assim completamente a religião cristã com a idolatria. Então homens se levantaram para atribuir razões a isso, e essas razões foram apresentadas no estilo eloquente do discurso que ouvi na Catedral de Santa Maria. ¶
Os ídolos gentios e pagãos são construídos com o mesmo propósito. Perguntai ao sacerdote de um templo gentio se a real intenção é adorar aquela pedra ou aquela imagem de ouro, prata, bronze, ou ferro, e ele vos diria que era apenas um representante de algo — que não podíeis ver o deus verdadeiro, e a imagem foi introduzida como um substituto. ¶
Entre os primeiros habitantes do mundo que rejeitaram a verdadeira religião, muitos começaram a prestar sua adoração ao sol, à lua, às estrelas, etc. Estes logo adotaram personagens que consideravam representar os objetos da adoração. Assim, achamos Júpiter representado como o rei dos deuses, ou mais particularmente como o deus do trovão — sendo o trovão, representando sua arma, o agente mais poderoso de que tinham ideia; e sua imagem ou estátua era adorada pelos primeiros habitantes da terra como representante daquele poder. Geralmente se ligava a essas divindades uma ideia de terror. ¶
Ao estudar os princípios da mitologia sustentados pelos gregos, considerados o povo mais clássico das eras antigas, descobrimos que a quase tudo associavam a ideia de terror; assim, quando um homem passava deste mundo para o próximo, consideravam necessário colocar um pouco de dinheiro em seu caixão para pagar sua passagem através do rio Estige. Tinham um personagem chamado Caronte, que, em sua mitologia, atuava como barqueiro; e no exato momento em que o espírito do morto atravessava o rio, entrava em contato com um cão, Cérbero, de três cabeças, e, em vez de pelo, coberto de serpentes: esse cão servia de guardião para impedir que o espírito falecido retornasse às moradas dos homens. ¶
A imaginação humana era torturada para produzir os quadros mais hediondos. Ao seguir essas imaginações, tinham uma variedade de detalhes; e neles achamos que quase nenhum par de escritores concorda. Os gregos eram tão unidos na adoração de seus deuses quanto o são os cristãos que professam adorar a Jesus. Empenhavam-se, contudo, em adorar todas as divindades, e alguns deles a um grande extremo. ¶
Por exemplo, ide a Atenas, nos dias de sua glória, como fez o Apóstolo Paulo, e podereis ver as estátuas de todos os deuses dos antigos; e, entre os demais, um altar ao "deus desconhecido." Havia um deus que não conheciam; mas estavam decididos a acertar em todos os casos e a estar preparados para adorar a todos, como o homem numa tempestade no mar — para ele era bom Senhor e bom Diabo, pois não sabia em cujas mãos cairia: portanto, para terem certeza de que adoravam a todos, ergueram um altar ao deus desconhecido, para que, se caíssem em suas mãos, pudessem alegar que o haviam adorado; e isso é, mais ou menos, a soma e a substância do assim chamado culto cristão da época presente. ¶
Podeis ir a quase qualquer sociedade de pessoas e perguntar-lhes o que adoram, e elas vos dirão, com igual facilidade, que adoram o deus desconhecido. Podeis pegar seus credos, e eles declaram que adoram um Deus que não tem corpo, partes, nem paixões, e ainda assim tem três pessoas. Suas ideias são tão perfeitamente confusas, e seu conhecimento tão supremamente ridículo sobre este assunto, que fica claro para os que são iluminados pelo Espírito Santo que estão inteiramente ignorantes e totalmente às escuras nesta matéria. Devem ter feito seus credos sem pensar se as palavras que os compunham tinham sentido ou não. ¶
Quando eu tinha 18 anos de idade, fui enviado numa missão a pregar o evangelho. Fui certo Sábado visitar um amigo de persuasão batista. O velho cavalheiro quis que eu fosse à reunião batista com ele. Como eu não tinha compromisso até a noite, fui com ele. Não fazia muito tempo que estava ali quando ele se esforçou para que me deixassem pregar. Eles, porém, não se sentiram dispostos. O ministro deles havia saído, e um dos diáconos se levantou e leu um sermão antiquado, de comunhão fechada, seco como pão e mingau; e, além de o diácono ser um leitor pobre e lastimável, não fiquei muito interessado. ¶
Quando a reunião foi encerrada, o diácono veio até mim, e me perguntou onde eu morava. Eu lhe disse; e em retorno perguntei-lhe que igreja era aquela. Disse ele que era a Igreja de Cristo. Disse eu: "Que Apóstolo a fundou?" ¶
"O Apóstolo Paulo," respondeu ele. ¶
Eu disse que não tinha conhecimento de que Paulo havia estado neste país pregando e edificando igrejas. ¶
"Bem," disse ele, "foi edificada sobre sua doutrina." ¶
"De fato," disse eu: "que Apóstolo preside sobre ela?" ¶
"Não temos nenhum nestes dias." ¶
"Então não é a Igreja de Deus." ¶
"Sim, é," disse ele; "Apóstolos e Profetas foram abolidos." ¶
"Não é assim," disse eu; e tirei o Novo Testamento e li: "E a uns pôs Deus na igreja; primeiramente, apóstolos," etc. "Ora," disse eu, "o próprio fato de não haver Apóstolos e Profetas em vossa Igreja prova que não é a Igreja de Deus; e não quero nada com ela." ¶
Diz ele: "Você é um sujeito estranho: nunca havia pensado nisso antes." ¶
Disse-lhe que lesse as Escrituras, e disse: "Podeis ler para sempre sermões como os que tendes lido hoje, e eles vos manterão cegos. A menos que haja um princípio na organização da Igreja inspirado do Todo-Poderoso — a menos que haja uma autoridade governada pelo poder de Deus e seu Espírito, os homens poderiam tanto adorar ídolos mudos, os deuses fantasiosos dos antigos gentios, ou os quadros dos católicos, quanto ir à reunião ou realizar qualquer outro tipo de culto. Se empreenderdes ir a algum lugar, tendes de tomar o caminho certo: tendes de começar certo. Se começardes errado, com certeza sairás errado; e quanto mais avançardes numa direção errada, mais longe estareis do ponto de partida." ¶
Já ouvi dizer, no curso de minhas viagens, que se as pessoas pensam que estão certas, estão certas — que se as pessoas são apenas sinceras, tudo sairá bem. Isso pode servir de conversa para pessoas que sabem que estão erradas, e tentam convencer-se da ideia de que tanto faz estar errado quanto certo. Mas se desejamos entrar no reino dos céus, temos de entrar pela porta; pois, diz o Salvador, "Eu sou a porta: por mim, se algum homem entrar, terá vida." ¶
Mas suponde que entreis por meio de outra pessoa; onde se originou a ideia de que há a menor possibilidade de sair certo tendo começado errado? Suponde que um homem partisse para os Estados, mas, em vez disso, se dirigisse para o deserto ocidental, dizendo: "Não faz diferença alguma o caminho que eu tome;" qual seria o resultado? Ele vagaria pelo deserto e pereceria. Suponde que um homem, ao tentar servir ao Senhor, por engano sirva ao Diabo; vai o Senhor recompensá-lo por servir ao Diabo? De forma alguma. ¶
Quando Joseph Smith começou a proclamar ao mundo a verdade, o caminho da vida e da salvação, da maneira que foi inspirado do Senhor a fazê-lo, toda denominação religiosa, protestante, idólatra, ou o que fosse, no momento em que ouviram falar disso, começaram um lamentável uivo de "Falso profeta! Falso mestre! Impostura! Engano!" etc. Por quê? Porque havia uma luz diretamente do Todo-Poderoso; um homem havia surgido que ensinava em nome do Senhor; um ser deu testemunho do plano de salvação, que na verdade derrubaria, dissolveria, consumiria, aniquilaria e destruiria tudo o que não viesse de Deus. ¶
"Bem," diz o velho sacerdote, "se isto se espalhar, qual será o resultado? O povo verá a luz, a verdadeira doutrina, e deixará de vir à minha reunião e de me pagar por pregar; e não poderei mais resmungar e gemer sobre eles e bancar o hipócrita com eles; e terei de ir ganhar a vida honestamente: portanto vou incitar o povo a matar e destruir o homem." ¶
Este era o espírito e o desígnio de todo aquele sobre quem o espírito do Diabo tinha domínio. No exato instante em que a primeira mensagem de verdade começou a ser proclamada aos filhos dos homens, todos os demônios no inferno e todos os demônios na terra e os espíritos dos demônios se agitaram, e se puseram imediatamente a trabalhar para frustrar, destruir e derrubar esta obra. ¶
"Onde obtiveste tua autoridade?" dizem eles. ¶
Pela inspiração do Todo-Poderoso o santo Sacerdócio foi conferido, e fomos ordenados ao apostolado e ao Sacerdócio para irmos e vos pregar o plano de salvação. Onde obtivestes vossa autoridade? ¶
"Veio dos antigos Apóstolos, por meio da Igreja de Roma, e por meio dos Valdenses," diz o Batista, ou por meio dos Reformadores. ¶
Mas não foram aqueles reformadores expulsos pela Igreja de Roma? ¶
"Sim." ¶
Se, então, tinham sua autoridade da Igreja de Roma, essa Igreja deve ter tido também o poder de destituí-los daquela autoridade. Se admitimos que a Igreja Romana tinha esse poder e autoridade, temos de voltar até lá para encontrá-la; e se tomamos esse testemunho, prova que todos os reformadores não têm autoridade alguma. ¶
Os Batistas tentam mostrar que sua autoridade veio por meio de Valdo. Quem era este Valdo? Era um comerciante, e contratou um homem para lhe traduzir os quatro livros do Evangelho. Foi pregar sem inspiração, revelação, ou luz alguma do céu: tinha apenas a luz que podia discernir da tradução feita por um monge excomungado. Era zeloso e sem dúvida honesto em suas intenções, mas sem a inspiração do Espírito Santo, Sacerdócio, ou autoridade de Deus. ¶
Ora, como eu disse antes, se começardes errado, estareis errados durante todo o caminho. Sem um mensageiro de Deus, sem a revelação do Altíssimo, tudo é loucura e inútil tentar seguir o Salvador. Está escrito: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." ¶
O Salvador disse: "Se alguém quiser ser meu discípulo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me." Podeis seguir todos os homens e demônios do mundo; mas, a menos que sigais a Cristo, não podeis ser seus discípulos; e quanto mais homens e demônios seguirdes, pior estareis. ¶
Quando falamos em seguir a Cristo, ouvimos dizer que devemos crer nele com todo o nosso coração, arrepender-nos de nossos pecados, e ser batizados para a remissão deles. Antes de o Salvador começar sua missão na terra, ele foi ao Jordão para ser batizado, para que pudesse dar-nos um exemplo a seguir. Tomai qualquer outro caminho, e ireis errados. O caminho certo é o único plano, o único desígnio, e a única intenção que pode nos trazer ao gozo da salvação; e a salvação não depende apenas de começar certo, mas, uma vez começado, é necessário continuar até o fim. ¶
Ora, é claro e razoável para mim por que as nações da terra buscam destruir os Santos. Pretendem que a Bíblia é sua plataforma, e ela os condena em cada página, tanto suas doutrinas quanto suas práticas. A fim de manter seus falsos sistemas, criaram uma espécie de aristocracia, chamada Sacerdócio, que é contratada para explicar de outro modo as palavras do livro sagrado. Por este meio, tendo comichão nos ouvidos, acumularam para si mestres para desviar seus ouvidos da verdade para as fábulas. ¶
Estes falsos mestres têm um forte domínio sobre a mente do povo; os governantes governam por meio deles, e a maioria do povo gosta que seja assim. Se alguém vem mudar esta ordem de coisas, quase todo homem se levanta em armas contra ele. Estão tão perfeitamente organizados que bastam poucos demônios para mantê-los em sujeição. ¶
Isto me faz lembrar de uma velha fábula chinesa. Um homem viajando pelo país chegou a uma grande cidade, muito rica e esplêndida; olhou para ela e disse ao seu guia: "Este deve ser um povo muito justo, pois só consigo ver um pequeno demônio nesta grande cidade." ¶
Respondeu o guia: "O senhor não compreende. Esta cidade está tão perfeitamente entregue à maldade, à corrupção, à degradação, e à abominação de toda espécie, que basta um demônio para mantê-los todos em sujeição." ¶
Viajando um pouco mais adiante, chegou a um caminho acidentado e viu um velho tentando subir a encosta, cercado por sete demônios grandes, robustos e de aspecto grosseiro. ¶
"Ora," diz o viajante, "este deve ser um velho tremendamente ímpio! Vede só quantos demônios há ao seu redor!" ¶
"Este," respondeu o guia, "é o único homem justo no país; e há sete dos maiores demônios tentando desviá-lo de seu caminho, e nem todos juntos conseguem." ¶
O Diabo tem estes sacerdotes cristãos e o mundo inteiro com eles tão perfeitamente à sua disposição, que bastam pouquíssimos demônios para mantê-los todos em sujeição; e toda a legião de demônios não tem nada a fazer senão cuidar dos "mórmons" e incitar o coração dos filhos dos homens a destruí-los — a eliminá-los da existência. ¶
Se examinardes os jornais públicos dos Estados Unidos dos últimos dois anos, encontrareis neles os artigos mais sanguinários, declamações cruéis, e terríveis imprecações, saídas das penas de sacerdotes religiosos e seus tolos seguidores. Dizem eles: "Se falarmos com os mórmons sobre princípios de religião, a Bíblia, é claro, os sustenta; se falarmos com eles sobre direitos humanos, esses princípios os sustentam; se falarmos com eles sobre a Constituição e as leis de nosso país, estas os sustentam; se falarmos com eles sobre os tratos de Deus com o homem, eles nos levam a melhor; e nosso único recurso é tentar destruí-los da face da terra." ¶
Este é o espírito que está sendo incitado no coração dos filhos dos homens. Nunca houve na realidade senão dois reinos nesta terra — o reino de Deus e o do Diabo; ou, direi, aqueles que estão dispostos a observar os princípios da verdade e aqueles que não estão. Estes últimos se colocam em ordem contra os Santos. ¶
Um cavalheiro, com quem tive contato em Washington, fez esta objeção contra o "mormonismo." Falando sobre a instituição da pluralidade de esposas, disse ele: "Isto nunca vai funcionar; vai acabar com todos os bordéis do país; pois as mulheres não permaneceriam em tais estabelecimentos nem os sustentariam, se pudessem apenas ter casas respeitáveis e confortáveis. Este sistema de poligamia vai destruir por completo aquela instituição (cristã)." ¶
O espírito de oposição ao "mormonismo" toma conta do rei em seu trono, do presidente em sua cadeira, e de todos aqueles pretensos sacerdotes sagrados — aqueles santos hipócritas que incitam o coração do povo a buscar derrubar a obra de Deus. Altos e baixos, grandes e pequenos estão unidos numa grande união para a destruição dos Santos de Deus, embora sejam inimigos mortais em todas as outras questões. ¶
Suportar este ódio — ser amaldiçoado, desprezado por seus amigos, escarnecido por seus vizinhos e por todos os que já o conheceram, e ser tido como um pobre, maldito, inútil e imprestável tolo "mórmon", requer, em qualquer homem ou mulher que se adiante para receber os puros princípios deste evangelho, uma coragem que é estranha ao coração do maior guerreiro que jamais enfrentou um inimigo no campo de batalha. ¶
É a animosidade do Adversário que enche o coração dos filhos dos homens até transbordar, de modo que desejam destruir os Santos — de modo que se enchem de ira, cólera violenta e indignação. Mas não conhecem a razão dessas coisas. ¶
Ide perguntar a um sacerdote cristão por que quer suprimir o "mormonismo;" e se reconhecesse a verdade honestamente, diria: "Vai perturbar nosso negócio, e," como disse o cavalheiro em Washington, "vai destruir nossas instituições peculiares." Os políticos dizem: "Se os mórmons adotarem o princípio de que homens honestos hão de chegar ao poder, e triunfarem com esse princípio, seremos arrancados pela raiz e nossos meios de ganho nos serão tirados." ¶
Compreendeis que uma petição foi enviada pela Legislatura deste Território, suplicando ao Presidente dos Estados Unidos que não enviasse mais malditos velhacos para cá, mas que enviasse homens de bem. Depois, prosseguia dizendo-lhe que, se não enviasse homens de bem, não os aceitaríamos. Foi considerado pelo Congresso e pelos grandes homens deste Governo um dos maiores ultrajes, e equivalente à traição, porque dissemos que não receberíamos os mais malditos velhacos que pudessem ser raspados da própria escória da terra, e nos curvaríamos a eles e lamberíamos o pó de seus pés. ¶
Estamos certos neste assunto, quer ajamos como Santos do Deus Altíssimo, quer como cidadãos da República dos Estados Unidos. Não poderia haver maior ultraje cometido contra qualquer comunidade do que colocar sobre ela, contra sua escolha, demagogos corruptos para governar seu destino. A ideia de impor esses cães corruptos a uma comunidade para governá-la é o que chamo de cão-matismo. ¶
Não sou muito familiarizado com o dicionário, mas vou contar uma história que ilustrará meu sentido. Um bom sujeito, que se considerava esperto, havia se casado com uma senhora instruída, e sentia-se muito orgulhoso de sua instrução e educação; e a fim de estar à sua altura, usava muitas palavras muito bonitas, e, de vez em quando, uma cujo sentido ele mesmo não entendia. Numa ocasião usou a palavra dogmatismo impropriamente. Diz ela: "Meu querido, qual é o sentido dessa palavra?" ¶
Ele fez uma cara severa e disse: "Dogmatismo, dogmatismo, minha querida — ora, é filhotismo crescido." ¶
Considero, de fato, que empreender este tipo de medida é filhotismo crescido, seja para exterminar homens por sua religião, seja para aniquilá-los da terra por motivos políticos. ¶
Todo ser humano tem direitos; e é princípio verdadeiro, em todos os governos sobre a terra, que os governantes devem governar pelo consentimento dos governados. Mas não há povo algum sobre a face da terra do qual eu tenha conhecimento, exceto os Santos dos Últimos Dias, que seja realmente governado desta forma. Em nosso governo, todos os nossos movimentos são pelo consentimento unânime dos governados; e somos o único povo sobre a terra que observa este princípio constitucional. Outros povos podem tentar fazê-lo em algum grau limitado. ¶
Quando homens são colocados como governantes e dirigentes para controlar os destinos de algum povo, devem fazê-lo pelo consentimento desse povo, ou é ilegal, inconstitucional, injusto, profano. O próprio Deus não governa os filhos dos homens sobre nenhum outro princípio. "Podeis servir-me, viver sob meu domínio, observar minhas leis, se assim o quiserdes," diz o Senhor: "se não, podeis servir ao Diabo e colher a recompensa que se segue." ¶
Esqueci-me, porém, de que estava pregando um sermão religioso quando me desviei para a política; mas ultimamente tenho tido a cabeça um pouco carregada de política; e consequentemente, quando me proponho a pregar, é natural que eu me desvie para essa direção. ¶
Nós, como povo, temos de depender, em grande medida, da política que adotamos. Temos de respeitar a nós mesmos, ao menos, se o mundo não nos respeitar. Não faltarão muitos anos até que o mundo compreenda que, ao falar de nós, devemos ser respeitados. Perceberão, sentirão e compreenderão isso cada vez mais. ¶
É certo que nos submetemos a eles, permitimos que nossas casas fossem queimadas, e nós mesmos expulsos de nossos lares; permitimos que nossos amigos fossem assassinados, e fugimos para o deserto: por 20 anos fugimos diante de nossos inimigos. Mas é longo o caminho que nunca tem uma curva. Virá o dia em que nossos inimigos fugirão diante de nós. Há de haver uma mudança. Embora nos desprezem, que se lembrem — diz um velho ditado — que inimigos desprezados são perigosos. ¶
Em breve virá o tempo em que se considerará melhor política para os homens ficarem em casa e cuidar de seus próprios negócios do que marchar mil milhas para assassinar os "mórmons." Virá o dia em que se considerará mais saudável e mais propício à felicidade da família humana deixar os "mórmons" em paz. ¶
O irmão Hyde, ao dirigir-se a nós esta manhã, falou com muita força sobre extirpar uma úlcera. Quando qualquer homem se põe a cortar um membro de seu corpo, ele o estraga. Se apenas cortar o dedão do pé, não conseguirá pular tão bem quanto antes. Assim, quando o Governo dos Estados Unidos — nosso caro tio, de quem sempre tive tanto medo — corta um membro da grande confederação, começa a obra de desmembramento. ¶
A paz foi tirada da terra, e há pouca ou nenhuma confiança entre os filhos dos homens; e enquanto todos os demônios no inferno e todos os sacerdotes sobre a terra trabalham unidos para a extinção do reino, ele está nas montanhas, seguindo o curso tranquilo de seu caminho, cada homem cuidando de seus próprios negócios. Mas a confusão aumentará no meio dos ímpios — aqueles que são nossos inimigos, e, como diz a revelação, "o iníquo matará o iníquo." ¶
O Senhor diz que é da sua incumbência cuidar de seus Santos. O lugar mais seguro da terra é Sião. Se estivésseis na cidade de Nova York, São Francisco, Saint Louis, ou em qualquer daquelas grandes cidades, e tivésseis 10 dólares no bolso, um canivete valioso, ou um relógio de ouro, e acontecesse de estardes andando pelas ruas à noite, estaríeis sob a necessidade de manter constante vigilância, para que porventura vossa vida não fosse tirada pelos bens em vosso bolso. Os policiais não são de muita utilidade. Se colocardes dois policiais numa rua, haverá quatro roubos; se colocardes quatro, haverá oito roubos: quase todos se conluiam entre si, e nenhum homem decentemente vestido pode deitar-se ou caminhar pelas ruas em segurança ou tranquilidade em nenhuma dessas cidades sem arriscar sua vida quase tanto quanto arriscaria ao enfrentar um inimigo no campo de batalha. ¶
Estas são verdades solenes: são o que eu vi. Há alguém atrás de um estranho a cada momento em que ele está nas ruas, para roubá-lo. É assim aqui? Não. Este é o lugar mais seguro sobre a terra; e à medida que aprendermos mais retidão, nos despojarmos cada vez mais do egoísmo, e nos tornarmos cada vez mais instruídos quanto ao valor intrínseco dos bens terrenos, comparados com as riquezas eternas, o princípio da segurança aumentará e o Milênio de fato começará com este povo. ¶
Ainda há no coração de nosso povo, embora a reforma tenha realizado uma grande obra, um espírito de egoísmo. Temos de nos despojar deste princípio; temos de ficar tão perfeitamente despidos dele que amaremos o Senhor nosso Deus de todo o nosso coração e a nosso próximo como a nós mesmos, de modo que nosso coração não se apegue à nossa própria propriedade ou à propriedade de outros, a ponto de cobiçarmos as coisas que pertencem a este mundo, e que, com toda a nossa alma, mente e força, desejaremos servir ao Senhor nosso Deus — de tal modo que tão prontamente ateássemos fogo a nossas próprias moradas, sacrificássemos nossos bens, e fugíssemos para as montanhas, para habitar ali em covis, cavernas e buracos, como fizeram os antigos, quanto habitaríamos em palácios e desfrutaríamos das vestes suaves dos reis. ¶
Todo homem e mulher deveria cultivar em seu coração o desejo de amar ao Senhor, guardar seus mandamentos, e apreciar o espírito e a liberdade do evangelho e o privilégio e a bênção da plenitude do santo Sacerdócio mais do que todos os tesouros sobre a face da terra. ¶
Recordai-vos de que, quando os filhos de Israel invadiam a terra de Canaã, para expulsar os cananeus e herdar a terra, em algumas ocasiões cobiçaram os bens de seus inimigos? Numa ocasião, um indivíduo roubou uma cunha de ouro e um manto babilônico. Por causa disso, Deus se ofendeu e permitiu que Israel fosse derrotado diante de seus inimigos. Não sejamos apanhados nesta armadilha, mas expulsemos de nosso coração todo princípio de cobiça, e que nossos desejos sejam servir ao Senhor. ¶
Se nossos inimigos nos deixarem em paz, somos ricos o bastante, e podemos desfrutar de todos os confortos da vida que precisamos para nos manter saudáveis e felizes, e nos ergueremos como um povo poderoso. Se não nos deixarem em paz, Deus nos preservará e nos recompensará por todos os sacrifícios que temos de fazer. Não cobiceis nada que seja deles; que nosso espírito não o deseje, mas em todas as coisas façamos como somos aconselhados, e oremos a Deus por sabedoria, conhecimento e inteligência para vivermos retamente, sobriamente, e sermos desprovidos de idolatria, para estarmos preparados para habitar como Deuses e reinar e ter domínio em nosso tempo e estação. ¶
Não fosse pela fé e pelas obras, pela união e pelos esforços dos Santos, poderíamos hoje ter nossas ruas desfiladas pelas forças marciais de nossos inimigos. Mas Deus nos abençoou por nossa fé e esforços — por nossa disposição de ouvir o conselho daquele que ele designou para nos dirigir, para ser nosso pai e conselheiro em Israel. Por terem de passar seu tempo nas montanhas, alguns homens podem sentir que é um desperdício de tempo e trabalho sem proveito algum. Outros dizem: "Já fomos roubados de nossos lares tantas vezes, e tantos de nossos amigos assassinados, que gostaríamos agora de desembainhar a espada e matar nossos inimigos." Não fosse por este princípio no peito de muitos, não creio que nossos inimigos jamais teriam cruzado o South Pass. ¶
Creio que, se nós, como povo, fôssemos de um só coração e uma só mente, e nos colocássemos na posição correta perante o Senhor, e lhe pedíssemos o que precisamos, jamais teríamos incômodo sério algum de nossos inimigos. Mas é grande trabalho colocar todo o povo nessa posição. ¶
Creio que, pelo tempo em que a obra tem progredido, o povo da cidade de Enoque não estava mais unido do que estão os habitantes destes vales. Creio que a maior obra já realizada para trazer os filhos dos homens de volta à presença de Deus, desde que Joseph Smith começou a pregar o evangelho a esta geração, foi maior do que jamais houve desde a criação. Requer toda a nossa fé e vigilância para continuar a obra e fazê-la avançar rápido o bastante para nos mantermos fora do alcance de nossos inimigos. ¶
Se há alguns entre nós que não obedeceram ao evangelho, agora é bom momento para se arrependerem de seus pecados: ou, se há alguns que não renovaram seus convênios, agora é bom momento para vos arrependerdes de vossos pecados e serdes rebatizados para a remissão deles; e que seja nossa inteira intenção e único desejo servir ao Senhor nosso Deus todos os dias de nossa vida. Que as bênçãos do Deus de Israel repousem sobre nós, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶