He That Loveth Not His Brother Loveth Not God—If We Have Not Confidence in Our Leaders We Shall Not Have It in a Higher Power—The Church Holds the Keys of Salvation—The Providences of God to the Saints
Brigham Young
Sou grato por o tempo ter se tornado tão ameno, que possamos nos reunir novamente neste Galpão, que é grande o suficiente para acomodar a congregação; também por estarmos aqui em circunstâncias confortáveis — felizmente situados —, e confio que, pelos próximos meses, nenhum dos Santos terá a necessidade de vir aqui uma ou duas horas antes de a reunião começar, a fim de obter um assento, nem de ir embora por não haver espaço. ¶
Muito foi dito pelos irmãos que acabaram de falar a vocês, e não ouvi nada senão o que me agrada, senão o que considero correto; suas ideias e doutrinas são boas. ¶
Estou feliz de ver o irmão Joseph L. Heywood aqui novamente. Ele teve uma viagem bastante tediosa, e uma temporada bastante cansativa em Devil's Gate, durante a maior parte do inverno passado. Muitos dos irmãos e irmãs nesta congregação podem testificar que Devil's Gate é um lugar bastante sujeito ao frio e às tempestades, e que as dificuldades são comuns daquele ponto até aqui. ¶
Muitas pessoas são de tal constituição que, se as colocarmos num salão, mantivermos um bom fogo para elas, lhes fornecermos chá, bolo, doces etc., e cuidarmos delas com ternura, molhando seus pés, e as colocando na cama, morrerão em pouco tempo; mas, lancem-nas em bancos de neve, e viverão muitos e muitos anos. O irmão Heywood já estaria em sua sepultura há muito tempo, se não tivesse levado uma vida ao ar livre, e assim é o caso de outros; mas ele está de novo aqui, e temos o privilégio de vê-lo. ¶
Alegra-me ouvir os irmãos se levantarem e contarem seus sentimentos, sua fé e suas opiniões. Fiquei muito satisfeito com as observações feitas pelos irmãos William H. Hooper e Robert T. Burton, especialmente sobre o assunto da obediência. ¶
Pode, à primeira vista, parecer estranho, e assim parece a uma mente não inspirada, que algum povo tivesse falta de confiança e fé num homem justo sobre a terra, uma falta que abate suas esperanças e sua fé mais depressa do que a falta de confiança em seu Deus. É este o caso, por mais curioso que pareça, embora possamos ouvir alguns homens declararem que desejam ter tal confiança em seus líderes, que não questionam se isto ou aquilo está certo, mas apenas cumprem o que lhes é ordenado. Nenhum homem terá esse grau de confiança, a menos que esteja fundado na verdade. Aqui ocorre imediatamente à mente uma pergunta: salvará o povo fazer o que lhes é dito por qualquer homem sobre a terra, se estiverem negligenciando seu dever para com seu Deus, e não desfrutarem do Espírito do Senhor Jesus Cristo? A resposta é óbvia; ninguém pode ter aquela confiança implícita num homem justo, a menos que essa pessoa esteja na linha do dever. ¶
A dificuldade com o mundo inteiro, em suas divisões e subdivisões, é que não têm mais confiança uns nos outros do que têm em seu Deus, e isso é nenhuma, absolutamente nenhuma partícula. Isso confunde as nações, e as desfaz; enfraquece-as, e elas se desmoronam em pedaços. Perturba cidades e países, e, realmente, as sementes da destruição estão dentro daqueles reinos onde o povo não tem confiança uns nos outros. ¶
O Apóstolo João, tratando do amor de Deus que deveria habitar em nós, escreve: "Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" É impossível. Este assunto não é compreendido pela família humana. Naturalmente, não têm concepção alguma do caráter que o Apóstolo chama de "irmão". Como acaba de observar o irmão Hooper, formaram, em suas mentes e credos, ideias de muitos caracteres diferentes que chamam de Deus. Com a maioria do mundo cristão, há três Deuses em um. Para eles, esse único Deus é três pessoas, e, contudo, apenas um, o que na verdade equivale a Ele não ser Deus algum. Por quê? Porque não tem corpo, partes, nem paixões, e, por conseguinte, não é nada; a ideia deles, na prática, aniquila o próprio ser que professam crer ser três em um. ¶
Que efeito tem essa doutrina, onde quer que se estenda a influência do mundo cristão? Onde quer que preguem sua própria doutrina, destroem toda ideia de Deus nas mentes de toda pessoa sobre a qual têm influência, e, por conseguinte, nada sabem a respeito Dele, e, claro, não podemos esperar que o povo tenha confiança Nele. Ele, conhecendo as fraquezas dos homens, é compassivo; e, se falam contra Ele, de maneira depreciativa ao Seu caráter, deturpando Sua pessoa, e falando mal de Sua dignidade, Ele atribui isso à ilusão e à ignorância que Seu povo professamente cristão espalhou tão amplamente nas mentes das pessoas, e os considera não culpados, em consequência de sua ignorância. ¶
Falemos mesmo contra um semelhante nosso, com quem somos conhecidos e a quem compreendemos, alguém que podemos ver e entender, cuja vida e conduta nos são familiares, e, a menos que sejam manifestos defeitos que tenhamos o privilégio de expor nesse indivíduo, isso destruirá nossa fé e confiança, e nos enfraquecerá mais do que falar contra um ser de quem nada sabemos. Isso é razoável, e está de acordo com uma boa e sólida lógica, senso e argumento. ¶
É loucura extrema, para as pessoas, dizerem que amam a Deus, quando não amam seus irmãos; e de nada lhes serve dizer que têm confiança em Deus, quando não têm confiança em homens justos, pois nada sabem a respeito de Deus. É razoável que os Élderes de Israel sejam bastante enfáticos e veementes quanto a este ponto. E, se me perguntassem se tenho alguma experiência nesse assunto, poderia dizer ao povo que, uma vez em minha vida, senti falta de confiança no irmão Joseph Smith, logo depois de tê-lo conhecido. Não foi a respeito de assuntos religiosos — não foi a respeito de suas revelações — mas foi em relação à sua administração financeira — ao seu manejo dos assuntos temporais que empreendia. Veio-me um sentimento de que Joseph não estava certo em sua administração financeira, embora presuma que o sentimento não tenha durado sessenta segundos, e talvez nem trinta. Mas esse sentimento veio sobre mim uma vez, e apenas uma vez, desde que o conheci pela primeira vez até o dia de sua morte. Isso me deu tristeza de coração, e vi e compreendi claramente, pelo espírito de revelação que se me manifestou, que, se eu abrigasse em meu coração o pensamento de que Joseph pudesse estar errado em algo, começaria a perder a confiança nele, e esse sentimento cresceria, passo a passo, e de um grau a outro, até que, por fim, eu teria a mesma falta de confiança de que ele fosse o porta-voz do Todo-Poderoso, e ficaria, como observou o irmão Hooper, à beira do precipício, pronto a mergulhar no que poderíamos chamar de abismo da incredulidade, pronto a não crer nem em Deus nem em Seus servos, e a dizer que não há Deus, ou, se há, nada sabemos a respeito Dele; que estamos aqui, e logo partiremos daqui, e isso é tudo o que saberemos. Tais pessoas são como aquelas a quem o Apóstolo chama de "animais irracionais, feitos para serem presos e mortos." Embora eu admitisse em meus sentimentos, e soubesse o tempo todo, que Joseph era um ser humano e sujeito a errar, ainda assim não era da minha conta procurar seus defeitos. ¶
Arrependi-me de minha incredulidade, e isso também muito subitamente; arrependi-me quase tão depressa quanto cometi o erro. Não me cabia questionar se Joseph era ditado pelo Senhor em todos os momentos, e sob todas as circunstâncias, ou não. Nunca tive, por um só momento, o sentimento de crer que qualquer homem, ou grupo de homens, ou seres sobre a face de toda a terra, tivesse algo a ver com ele, pois ele era superior a todos eles, e detinha as chaves da salvação sobre eles. Se eu não tivesse compreendido e crido nisso plenamente, muito duvido que jamais tivesse abraçado o que se chama "mormonismo". Ele foi chamado por Deus; Deus o ditava, e, se Ele quisesse deixá-lo entregue a si mesmo e permitir que cometesse um erro, isso não era da minha conta. E não me cabia questionar isso, se o Senhor estivesse disposto a deixar Joseph desviar o povo, pois Ele o havia chamado e instruído a congregar Israel, e restaurar-lhes o Sacerdócio e o reino. ¶
Não era minha prerrogativa questioná-lo a respeito de qualquer ato de sua vida. Ele era servo de Deus, e não meu. Não pertencia ao povo, mas ao Senhor, e estava fazendo a obra do Senhor, e, se Ele permitisse que desviasse o povo, seria porque este merecia ser desviado. Se Ele permitisse que fossem castigados, e alguns deles destruídos, seria porque o mereciam, ou para realizar algum propósito justo. Essa era minha fé, e ainda é minha fé. ¶
Se tivermos alguma falta de confiança naqueles a quem o Senhor designou para liderar o povo, como podemos ter confiança num ser de quem nada sabemos? É um absurdo falar disso. Enfraquecerá uma pessoa mais depressa perder a confiança naqueles que dirigem os assuntos do reino de Deus na terra, do que dizer: "Não sei se há um Deus ou não, e nada me importa Ele." Um homem ou uma mulher não estará tão prontamente preparado para ser tomado pelo inimigo, e levado cativo pelo diabo, por descrer de um ser que não conhece, quanto por descrer daqueles que de fato conhece. ¶
Para não falar de nomes, credos, ou títulos, o irmão Joseph ensinou, e é ensinado ao povo agora continuamente, a ter confiança implícita em nossos líderes, a nos certificarmos de que vivemos de tal modo que Cristo está dentro de nós como uma fonte viva, para que possamos ter o Espírito Santo dentro de nós, para nos impulsionar, ditar e dirigir a cada hora e momento de nossa vida. O povo é exortado, ano após ano, e Sábado após Sábado, a viver bem próximo ao Senhor, a abandonar todo pecado, e a apegar-se ao Senhor com todo o coração, mente e alma, para que possamos saber, pelo espírito de revelação, sempre que a verdade nos chegar. ¶
Quantas centenas e centenas de vezes lhes foi ensinado que, se as pessoas negligenciam suas orações e seus outros deveres diários, logo começam a amar o mundo, tornam-se vãs em suas imaginações, e sujeitas a se desviar, amando o dia inteiro fazer aquelas coisas que o Senhor odeia, e deixando por fazer aquelas coisas que o Senhor exige de suas mãos? Quando as pessoas negligenciam seus deveres particulares, se seus líderes as desviassem, elas iriam com os olhos vendados, estariam sujeitas ao diabo, e seriam levadas cativas à vontade dele. Quão inútil seria isso! Quão antinatural, irrazoável, e diferente do Evangelho e daqueles que nele creem! ¶
Como havemos de obter confiança implícita em todas as palavras e atos de Joseph? Por um único princípio: viver de tal modo que a voz do Espírito nos testifique o tempo todo que ele é o servo do Altíssimo; de modo que possamos perceber, por assim dizer, o Senhor declarando: "Joseph é meu servo, eu o conduzo, dia após dia, para onde eu quiser, e ditando-lhe que faça o que eu quiser; ele é minha boca para o povo. E digo às nações da terra: ouvi os servos que envio, ou não podereis ser salvos." Isso está compreendido nas observações que o irmão Burton acabou de fazer, o que constitui um dos maiores e mais completos sermões que se pode pregar no mundo. E gostaria que tivéssemos mais Élderes que fossem pregar exatamente tais sermões pelo poder de Deus, a saber: "Sei que Joseph Smith é um Profeta de Deus, que este é o Evangelho da salvação, e que, se vocês não creem nisso, serão condenados, todos vocês." ¶
Esse é um dos mais importantes sermões que já se pregou, e então, se pudessem acrescentar algo mais pelo poder do Espírito, estaria tudo certo. Quando um homem ensina essa doutrina, pelo poder de Deus, numa congregação de pecadores, é um dos mais retumbantes sermões que já lhes foi pregado, porque o Espírito testifica a seu respeito. É essa a pregação que vocês ouvem o tempo todo, a saber — viver de tal modo que a voz do Espírito de Deus esteja sempre com vocês, e então saberão que aquilo que ouvem dos líderes do povo é correto. Quando não vivem assim, são ignorantes; e, então, quando testificam, testificam sobre aquilo de que nada sabem. Vivam de tal modo que possam conhecer e testificar de todo princípio que é certo, não com mero culto de lábios, mas do coração, sendo capazes de dizer verdadeiramente: "Sei que tudo está certo." ¶
Como frequentemente tenho dito a este povo, são um bom povo. Estamos nos esforçando por fazer o reino do céu. Muitos pensam que este povo tem de fazer grandes sacrifícios, mas o que temos nós a sacrificar? Nada, pois tudo é do Senhor. Mas suponham que tivéssemos algo a sacrificar; estariam dispostos a fazê-lo; estariam dispostos a fazer qualquer coisa pela salvação. Já abandonaram seus lares e amigos, e vieram para cá para servir ao Senhor, e agora continuem — direi continuem a se reformar? Sim, continuem essa reforma da qual se tem falado. Continuem a se aperfeiçoar, a viver de tal modo que sua fé e conhecimento aumentem nas coisas de Deus, para que nossas mentes se abram àquelas coisas pertencentes à nossa paz e salvação eterna, e não vivam mais nas trevas, pelas quais são constrangidos a dizer: "Não compreendo as coisas que são ensinadas, essas são coisas grandes e maravilhosas, estão além da minha compreensão; não sei por que sinto o que sinto tantas vezes; tenho sentimentos que me sobrevêm e que não consigo explicar." ¶
Se vocês viverem próximos de Deus, e a cada momento tiverem sua mente cheia de desejos ardentes de guardar a lei de Deus, compreenderão o Espírito que vem a vocês; saberão como edificar o reino do Senhor, e crescer em toda coisa boa; e será uma cena contínua de alegria, em vez de pranto. Os que choram, e sentem que realmente suportaram sofrimentos e aflições, e grandes sacrifícios pelo reino do céu, não desfrutam do Espírito de sua religião. Não desfrutam do Espírito deste Santo Evangelho, pois não vivem próximos o bastante do Senhor, para que Cristo esteja neles como uma fonte viva, como uma fonte de água que salta para a vida eterna. ¶
As pessoas que desfrutam desse Espírito jamais estão tristes, nem abatidas. Jamais suportam aflições, nem choram, por supor que sacrificaram algo pelo Evangelho, mas estão sempre alegres, sempre animadas, com um sorriso feliz no rosto, e, como disse o irmão Robert, isso deixa o diabo furioso. É verdade; deixa-o furioso o fato de não poder afligir este povo de modo a fazê-lo ter um semblante triste. ¶
Quando encontrarem aqueles que têm uma quantidade prodigiosa de problemas, problemas com suas esposas e com seu próximo, são esses os que não vivem sua religião. Os que têm o Espírito de sua religião sentem a esperança ligada aos seus sentimentos, e têm uma palavra de conforto para si mesmos, suas famílias, e seu próximo, e tudo está bem com eles. Façamos da edificação do reino do céu nosso primeiro e único interesse, e tudo estará bem, com certeza. ¶
Temos razão para nos alegrar? Temos. Não há outro povo sobre esta terra sob obrigação tão profunda para com seu Criador, quanto os Santos dos Últimos Dias. O Evangelho nos trouxe o santo Sacerdócio, que é novamente restaurado aos filhos dos homens. As chaves desse Sacerdócio estão aqui; temo-las em nossa posse; podemos abrir, e podemos fechar. Podemos obter a salvação, e podemos administrá-la. Temos o poder em nossas próprias mãos, e esta tem sido minha profunda mortificação, da qual tenho falado com frequência: pensar que um povo, tendo em sua posse todos os princípios, chaves e poderes da vida eterna, negligenciasse tão grande salvação. Temos essas bênçãos; elas estão conosco. ¶
Temos a mão visível de Deus conosco? Temos. Muitas circunstâncias ocorreram no ano passado, em relação às providências imediatas de Deus. Podemos ver a mão visível do Senhor em Seus tratos conosco nesta estação? Podemos. Qualquer pessoa que pudesse ter contado Israel nos vales das montanhas, e os alqueires de grão colhidos da terra no outono passado, teria dito que não havia grão suficiente colhido em 1856 para durar ao povo até o primeiro de abril de 1857. ¶
Essa era tão obviamente a perspectiva, que o irmão Kimball profetizou que haveria tempos mais difíceis em 1857, do que os que vimos em 1856. Eu lhe disse que traria à ação toda a minha fé, e todo o poder que eu tinha, e toda a minha habilidade, contra aquela profecia, quando ele disse que os tempos seriam mais difíceis este ano do que foram no ano passado. Ainda assim, não havia perspectivas humanas, sinais visíveis, meios ou recursos que pudessem impedi-lo, de acordo com o número de alqueires de grão colhidos da terra, e o número de pessoas neste Território a serem sustentadas por eles. Havia uma perspectiva maior de sofrermos por falta de alimento este ano, do que houve em 1856 ou em 1855, mas prometi a mim mesmo que exerceria meu poder contra aquela profecia. O irmão Heber diz "Amém" a essa declaração agora. Ele o dizia então, e sei que ele preferiria vê-la falhar a ver o povo sofrer. ¶
O irmão Heber diz: "O trigo incha." Eu creio nisso. Ele aumenta nos celeiros. Tenho crido nesse princípio há muitos anos. Sei que Deus tem tratado comigo, e com outros, de uma maneira que não pode ser explicada pelos modos comuns de raciocínio. Já mencionei antes o que alguns podem considerar a trivial circunstância de um homem encontrar dinheiro em seu bolso, que não poderia estar ali, a menos que um anjo, ou alguma outra pessoa, o tivesse colocado ali sem que o homem soubesse. Farinha e trigo já foram encontrados em barris e recipientes, depois de terem sido retirados até raspar o fundo dos barris, e isso também sem que o dono soubesse como o estoque havia sido reabastecido. Quem o colocou ali, não me cabe dizer; mas sei quem não o colocou. Que o povo adivinhe quem o colocou ali. ¶
Temos algum sinal visível das providências de Deus para conosco? Temos, se os homens tiverem os olhos abertos para ver por si mesmos. Se este povo, chamado Santos dos Últimos Dias, pudesse ver, pelas visões do Espírito, os tratos da mão do Senhor tão visivelmente quanto alguns veem, não haveria senão alegria entre nós, do mais velho ao mais jovem, do primeiro ao último, de um lado deste globo ao outro. ¶
Voltemo-nos agora, e perguntemos: há aflições? Sim. As pessoas adoecem e morrem, e não temos o poder de mantê-las vivas; e não penso que o faria, se tivesse o poder; e não penso que o farei, quando tiver o poder, porque terei então mais sabedoria do que tenho agora. Conhecimento é poder; e, à medida que ganho conhecimento, ganho poder. Se considerarmos essas coisas, veremos que a mão visível do Senhor está conosco continuamente. ¶
Que os Santos dos Últimos Dias, nestes vales das montanhas, façam a si mesmos esta pergunta: acreditamos nós, como comunidade, como Igreja e reino de Deus na terra, como indivíduos, que, se tivéssemos fechado as entranhas de nossa compaixão no outono passado, e dito à nossa imigração: "Sofram e pereçam nas montanhas, não tenho nada a poupar, não posso socorrê-los" — teríamos tanto grão e recursos em mãos quanto temos agora? Não exclamaria todo homem e mulher: "Estaríamos na pobreza e na necessidade"? O que nos enriqueceu nesse assunto? Um esforço unido deste povo para tirar homens, mulheres e crianças da neve, e das Planícies, e impedi-los de perecer. "Aqui estão o trigo, a cevada, o milho, os rapazes, os cavalos, as mulas, os cobertores, as selas etc.; vão, meus irmãos, e tragam essas pessoas das Planícies." Foram, e isso, também, de bom grado. ¶
O irmão Kimball diz que esse movimento impediu que sua profecia se cumprisse. Se foi isso que a impediu, gostaria de poder, com a mesma facilidade e baixo custo, desviar todas as profecias desse tipo e natureza, pois não desejo que este povo sofra, passe fome e frio, nem esteja doente e aflito, ou com dor. Desejo que vivam e cresçam em toda boa obra. ¶
Suponham que toda a comunidade se fizesse esta pergunta: não creem que o Senhor nos favoreceu e abençoou, em consequência de fazermos o que é certo? Sim, responderíamos de imediato: cremos que nossa fé em nosso Deus, e provarmo-nos amigos Dele e do Seu povo, e sermos bondosos para com os pobres sofredores, fizeram com que Suas bênçãos fossem derramadas sobre nós, e somos favorecidos como somos. Se o povo continuar humilde diante Dele, a guardar Seus mandamentos, a amar e servir ao Senhor, e a abandonar aquelas pequenas e triviais preocupações que pertencem ao mundo, e ao espírito do mundo, que é o espírito de tristeza, ansiedade e aflição, e obter o Espírito do Senhor, e viver nele, cresceremos nas facilidades da vida; teremos os confortos da vida em nossos jardins, fazendas, pomares, rebanhos e manadas, e teremos meios de reunir os pobres de toda a terra. ¶
Esta é a terra de Sião. A oeste de nós está uma extensão de água que chamamos de Pacífico, e a leste há outra grande extensão de água que chamamos de Atlântico, e ao norte é onde tentaram descobrir uma passagem noroeste; essas águas circundam a terra de Sião, e traremos os pobres para esta terra, sua casa. Estes vales não são mais do que um esconderijo temporário para os Santos, e, se fizerem o que é certo aqui, nenhum poder poderá perturbá-los. Sejam bondosos com todos, com nossos amigos, com a família da fé, e mesmo com nossos inimigos. Façam tudo o que puderem para salvar a todos, e a mão do Senhor estará sobre nós para o bem, e seremos preservados. ¶
Até agora, tem havido demasiado espírito de encontrar defeitos, mas espero que esse espírito esteja bem perto de ser expulso porta afora. E vocês ainda podem ouvir alguns dizendo: "Vêm tempos difíceis, aos poucos; a turba está vindo; os grilos e os gafanhotos nos devorarão." Já tentaram isso, e não tenho mais medo de um exército do que do outro; embora os grilos e os gafanhotos sejam a maior praga, pois podemos atingir os homens, mas, quando se atinge um grilo ou um gafanhoto, o ar logo se enche deles, e, se se mata um, dois vêm enterrá-lo. ¶
Dispensem todo sentimento de medo, e não falem nada a respeito. Que seja o único objetivo dos Santos saber como edificar o reino de Deus na terra. E, se quiserem saber como ocupar seu tempo, perguntem, hora após hora, o que podem fazer de bem. Se necessário, tirem o chapéu, e corram pelas ruas em busca de algo para fazer. Vão para a horta, plantem batatas, plantem árvores frutíferas, semeiem ervilhas, e ponham toda espécie de sementes úteis na terra. E, quando o diabo lhes disser para fazerem alguma grande coisa maravilhosa, esperem até se tornarem uma pessoa grande e maravilhosa, e reflitam que ainda são apenas como qualquer outra pessoa do povo, e devem cuidar de si mesmos. ¶
Alegro-me de que tenhamos o privilégio de novamente nos reunirmos neste Galpão, onde há bastante ar puro, e o povo pode estar confortável. O chão sob esta cobertura ainda está úmido, embora tenhamos mantido fogos acesos sobre ele, para torná-lo tão seco quanto possível, e talvez seja sabedoria que as irmãs que usam sapatos finos tragam um pequeno pedaço de oleado ou tapete, para colocar os pés sobre ele. Eu preferiria ver as irmãs virem à reunião com sapatos de sola de madeira, do que virem com seus finos sapatos de marroquim, e se resfriarem. Se se acostumarem a usar sapatos de sola de madeira, ou de sola grossa, poderão sentar-se aqui impunemente. ¶
Cuidem de si mesmos, e vivam o quanto puderem, e façam todo o bem que puderem. Procuremos viver até que possamos expulsar os demônios desta terra, e de toda a terra. Quero viver para isso, para ver Sião redimida, e a Igreja e o reino de Deus cobrirem a face de toda a terra, e haver um reinado universal de paz. Que o Senhor nos abençoe. Amém. ¶