Pulpit

Necessity for Reformation a Disgrace—Intelligence a Gift, Increased By Imparting—Spirit of God—Variety in Spiritual As Well As in Natural Organizations—God the Father of the Spirits of All Mankind—Etc.

Brigham Young

1857-03-08

Presumo que ninguém se oporá a que eu fale esta manhã, embora possa haver muitos que desejem ocupar o tempo.

Há alguns assuntos que desejo expor aos irmãos; o primeiro diz respeito à nossa missão ao norte. Muitos nomes de pessoas convidadas a ir para o norte foram lidos aqui, e quero dizer a todos esses irmãos que não desejamos que nenhum deles vá para o norte conosco nesta primavera, a menos que assim o desejem, e possam fazê-lo convenientemente, para ver a região. Dispensaremos todos os que não desejarem ir, bem como todos cujas circunstâncias antes o proíbam, e cujos outros deveres, de maior importância, os impeçam. Além disso, gostaria que todos os que desejam empreender essa viagem considerassem que têm um convite, na medida em que possam ir de acordo com suas circunstâncias. Convido a irem todos os que desejarem e puderem fazê-lo convenientemente. Penso que os irmãos entendem, tanto os que vivem no campo como os desta cidade, que o convite para ir ao norte não é feito por acepção de pessoas, mas que qualquer um que não tenha sido convidado, e deseje ir, pode ter esse privilégio; e os que foram convidados, mas não podem ir sem prejuízo, dispensaremos.

Dos irmãos que foram chamados para missões estrangeiras, esperamos que respondam ao chamado com alegria, onde isso é um dever; mas onde convidamos pessoas a nos acompanhar visitando diferentes regiões do país por nossa satisfação, saúde, informação e contentamento, o caso é um pouco diferente.

No último Sábado, estive aqui pela manhã, mas não me senti em condições de vir à tarde. Contudo, dei ao irmão Kimball um texto a respeito deste povo, para que pregasse sobre ele à tarde, e espero que assim o tenha feito, e presumo que se mostrou satisfatório para a congregação.

A respeito do que foi dito pelo irmão Orson Hyde desde que entrei, referente à luz e ao conhecimento, é digno de nossa séria atenção. Entendo que nem todos deste povo vivem à altura de seus privilégios. Já lhes disse que fiquei realmente mortificado ao ouvir os Élderes de Israel pregando uma reforma; isso é motivo de mortificação para mim, e as razões são estas. Quando a vida e a salvação são postas na posse de indivíduos, ou de uma comunidade, e eles têm todos os meios de obter o conhecimento de Deus, e a sabedoria de Deus, para compreender os caminhos de Deus e garantir para si mesmos luz, vida e imortalidade; e quando esses meios estão neles e ao redor deles, e em todas as suas comunicações e ocupações da vida estão presentes com eles, então pensar que esses indivíduos, ou aquela comunidade, negligenciariam tão grande oportunidade e prêmio, um prêmio que está além de todos os prêmios terrenos ou riquezas desta terra, que não podem comparar-se a ele, é extremamente espantoso; e ver que negligenciam esse grande prêmio, sua conduta é semelhante, falando à maneira do mundo, à de um avarento que se afastasse de uma montanha de ouro, tão valiosa, e fosse a um banco de areia raspá-lo, para escolher pedrinhas e enriquecer-se.

Quando a vida e a salvação são postas na posse de indivíduos, ou de um povo, ver que negligenciam esses princípios por qualquer coisa pertencente a este mundo, ou permitem que a tristeza, ou a aflição, ou as provações, ou as tentações, ou os golpes, ou os ataques, ou a perseguição pela espada, pelo fogo, ou qualquer outra forma que possa ser derramada sobre eles, e vê-los se afastarem das coisas de Deus e serem desviados do caminho da retidão que os conduziria à glória eterna, e os coroaria com coroas de glória, imortalidade e vidas eternas, é mortificante para meus sentimentos, e me sinto mortificado quando temos de dizer: "Reforma", e, contudo, tal é frequentemente o caso. E muitas vezes, quando o povo recebeu e desfrutou de grande luz e inteligência, as coisas deste mundo sufocam a boa palavra, espinhos e cardos brotam, e parecem ter pouca raiz em si mesmos. O sol se levanta e escalda as plantas tenras que parecem crescer neles, e temos de clamar ao povo: "Reformem-se, reformem-se, REFORMEM-SE", quando, na realidade, é uma desgraça que tal instrução seja alguma vez necessária. É uma grande desgraça; é mortificante para os anjos, e garanto que é mortificante para nosso Pai Adão. Seu coração se entristece com tais coisas; e os Profetas se entristecem com elas, e assim também todos os que compreendem e provaram ser dignos da vida eterna, tanto os que agora vivem na terra como os que passaram para além do véu.

Para nós, estarmos nos arrependendo e nos reformando é, na verdade, uma desgraça. Se é incômodo pedir luz emprestada aos outros, é uma desgraça seguir um rumo de vida que nos leve a arrepender-nos do uso feito dessa luz. É uma desgraça para nossa organização, para o desígnio do céu, e para a inteligência que Deus deu ao homem para seu benefício. Pessoas verdadeiramente sábias detestam olhar para tal conduta; olham-na com desprezo. São mais dignas e nobres do que para se rebaixarem a seguir um rumo de vida do qual continuamente têm de se arrepender.

Quanto à luz, assunto sobre o qual o irmão Hyde tem falado, apresentarei algumas de minhas opiniões em termos um tanto diferentes. Em primeiro lugar, dizer que "pedimos luz emprestada uns aos outros" — não sei se compreendo precisamente essa ideia, pois não tenho luz para emprestar. Talvez eu não seja tão bem dotado de luz quanto alguns que já viveram na terra, mas não tenho nenhuma para emprestar. Usarei outro termo, e talvez possa dizer, com bastante propriedade, que o poeta transmite minha ideia bastante corretamente em seus versos sobre as virgens sábias e loucas — "Ide aos que vendem e comprem, E provede-vos plenamente."

Outro escreveu — "O homem mais rico que já vi, foi aquele que mais mendigou; sua alma estava cheia de Jesus, e do Espírito Santo." Prefiro mendigar a pedir emprestado. Mas não é grande questão se a luz é emprestada ou mendigada, pois não é tanto o modo como obtenho o conhecimento, mas o uso que faço do conhecimento que obtive. O uso errado de nosso conhecimento é o que traz falta em mim ou em vocês.

Digo que não tenho luz para emprestar. Se Deus me deu luz, se possuo a luz do Espírito de revelação, e concedo esse conhecimento a meus irmãos, essa mesma fonte aumenta em mim; ao passo que, se eu a fechasse — se encerrasse a visão — e a retivesse do povo, seria como a candeia acesa e posta debaixo do alqueire, onde, naturalmente, a falta de ar livre a extinguiria; e, se a luz que há em mim se tornar trevas, quão grandes serão essas trevas! Esta é a minha explicação a respeito da luz que há em mim. Se recebo da fonte, quanto mais dou, mais recebo. Quanto mais livre estou para distribuir aquilo que o Senhor me concede, melhor preparada fica minha mente para receber mais da fonte; essa é a experiência de todo indivíduo.

Permitam-me dizer aqui, quanto ao que sei e compreendo de todo ramo de conhecimento, de sabedoria, de luz, de entendimento — tudo o que sei, tudo o que está dentro da minha organização, mental ou fisicamente, espiritual ou temporalmente, recebi de alguma fonte. Assim é com vocês. Não há conhecimento, nem luz, nem sabedoria que vocês possuam, que não tenham recebido de alguma fonte. Vocês pensam que isso é verdade?

Quando possuiremos conhecimento, poder, glória e sabedoria de modo independente? Quando Jesus tiver concluído a Sua obra. Quando tivermos provado ser dignos de sermos coroados, quando tivermos passado por todas as provações de sofrimento, tentações e provas, e provado ao nosso Pai e nosso Deus que somos Seus amigos, que viveremos e O serviremos, e não abandonaremos nossos pais — não abandonaremos a casa de nosso Pai e Seus preceitos; quando tivermos provado ser fiéis na carne e tivermos atravessado o véu para o mundo espiritual — tivermos feito tudo o que se exige de nós, pregando àqueles que estão em prisão, e formos fiéis até recebermos novamente nossos corpos — até que estes tabernáculos que agora ocupamos sejam ressuscitados e trazidos de volta aos espíritos, e os espíritos aos tabernáculos, e Jesus nos chamar para subirmos e sermos coroados entre os fiéis que receberão coroas de glória, imortalidade e vida eterna, então receberemos aquele poder, conhecimento e sabedoria, e o possuiremos tão independentemente quanto os Deuses possuem o Seu poder. Ser-lhes-á então legado que tenham luz dentro de si mesmos. Por quê? Porque têm controle sobre os elementos, e isso jamais será, até então.

Não temos luz, nem poder, no momento presente, senão o que nos é dado. O irmão Hyde chama isso de tomar emprestado, mas eu chamo de dádiva livre, ou de mendicância. O dar do Senhor não diminui a Sua fonte de espírito, da qual nosso irmão filósofo Orson Pratt fala, que ele acredita ocupar o espaço universal, ou, em outras palavras, que o espaço universal está cheio dela, e que cada partícula dela é um Espírito Santo, e que esse espírito é onipotente e onisciente, cheio de inteligência e possuindo todos os atributos de todos os Deuses na eternidade. Mal me atrevo a dizer o que penso e o que sei, mas essa teoria, embora aparentemente muito plausível e bela, não é verdadeira, pois é, ou seria, contradita pelos Profetas, por Jesus e pelos Apóstolos, e por todos os homens bons que compreendem os princípios da eternidade, tanto os que viveram como os que agora vivem na terra. O irmão Hyde esteve certa vez nessa mesma teoria, e, em conversa com o irmão Joseph Smith, apresentou a ideia de que a eternidade, ou o espaço sem limites, estava cheio do Espírito de Deus, ou do Espírito Santo. Depois de descrever suas opiniões sobre essa teoria com muito cuidado e minúcia, perguntou ao irmão Joseph o que ele pensava a respeito. Ele respondeu que lhe parecia muito bela, e que não conhecia senão uma objeção séria a ela. Disse o irmão Hyde: "Qual é?" Joseph respondeu: "Não é verdadeira."

Com todo o conhecimento e sabedoria combinados na pessoa do irmão Orson Pratt, ainda assim ele não sabe o suficiente para manter o pé fora dessa armadilha, mas se afoga em sua própria filosofia, toda vez que empreende tratar de princípios que não compreende. Quando estava prestes a partir daqui para sua missão atual, fez uma promessa solene de que não se meteria com princípios que não compreendesse plenamente, mas se limitaria aos primeiros princípios da doutrina da salvação, tal como foram pregados pelo irmão Joseph Smith e pelos Apóstolos. Mas o primeiro que vemos em seus escritos é que ele está mexendo em coisas que não compreende; sua vã filosofia não é critério nem guia para os Santos em doutrina. Segundo sua filosofia, os demônios no inferno são compostos e preenchidos com o Espírito Santo, e possuem todo o conhecimento, sabedoria e poder dos Deuses. Se ele crê em sua própria doutrina a respeito do reino celestial e dos outros reinos, a saber, que os demônios no inferno possuem o mesmo poder que os Deuses, sendo eles opostos a Jesus e a Seu Pai, toda a estrutura tem de ruir. Quando leio alguns dos escritos de tais filósofos, eles me fazem pensar: "Ora, vovó, que rabo comprido tem o nosso gato!" As influências do Todo-Poderoso, por meio do Espírito Santo, têm de operar sobre nós para nos revolucionar. Devemos, com nossa organização, uma vez que fomos organizados para nos tornarmos seres independentes, embora ainda não independentes das influências ao nosso redor, trazer à sujeição nossa própria vontade e esforços, e submeter-nos ao princípio da obediência à lei celestial. E, quando tivermos vencido as sementes do pecado que há em nossos tabernáculos mortais, e trazido nossos corpos e espíritos à sujeição da lei celestial de Cristo, e provado ser dignos de receber aquela exaltação prometida aos fiéis, então será bem o momento de recebermos reinos, tronos, principados e poderes independentes. Não os temos agora, e, se os tivéssemos, não saberíamos o que fazer com eles.

Há poucos homens que sabem governar nas coisas temporais; menos ainda os que sabem controlar os sentimentos do povo, como guiar o poder de qualquer reino já organizado na terra. As nações e reinos deste mundo se erguem e florescem apenas por uma temporada. Qual é a dificuldade? Contêm em si as sementes de sua própria destruição, nelas semeadas pelos que formulam os governos humanos; esses elementos combustíveis já estão organizados em sua estrutura desde o início. Com toda a excelência, e todo o cuidado e correção exibidos na formação de constituições e leis, elas têm dentro de si as sementes da destruição. Nas leis de todo governo hoje existente sobre esta terra, há certos princípios em suas constituições que, dentro em breve, minarão os fundamentos de sua existência; e assim será, enquanto os homens continuarem a persistir em governar e fazer leis, em regular e controlar somente pela sabedoria humana, e em emitir seus mandados e enviar seus funcionários para administrar leis feitas pela sabedoria do homem. Repito: enquanto assim for, continuarão a lançar em suas leis, nas constituições de seus governos, princípios próprios para destruir suas estruturas.

Por que são assim levados a semear as sementes de sua própria destruição? Porque os reinos deste mundo não foram planejados para permanecer. Quando homens são postos à frente de um governo que são realmente controlados pelo poder de Deus — pelo Espírito Santo —, eles podem traçar planos, podem formular constituições, podem formar governos e leis que não contêm em si as sementes da morte, e nenhum outro homem pode fazê-lo. Por conseguinte, digo que há poucos que sabem controlar ou governar mesmo nos assuntos temporais desta terra. Então, por que teríamos reinos e tronos confiados à nossa responsabilidade, quando não estamos capacitados a governá-los? Estamos agora tentando ordenar nossas vidas de modo a estarmos preparados para viver num reino que é eterno, e será tudo o que pudermos fazer para nos prepararmos para entrar naquele reino que perdurará para sempre, sem que sejamos feitos Reis e Sacerdotes nesse reino por algum tempo ainda.

Pode algum homem dizer qual é a variedade de espíritos que existem? Não, ele nem mesmo pode dizer qual é a variedade que existe na porção de Seus domínios em que Deus nos colocou, nesta terra em que vivemos, pois podemos ver uma variedade sem fim neste pequeno lugar, que não passa de uma pequena horta em comparação com o restante dos reinos do nosso Deus. Além disso, vocês podem observar as pessoas, e verão uma variedade sem fim de disposição, e uma variedade sem fim de fisionomia. Tragam diante de vocês os milhões de rostos, e onde poderão encontrar dois rostos precisamente iguais em todo ponto? Onde poderão encontrar dois seres humanos precisamente iguais na organização de seus corpos com os espíritos? Onde poderão apontar dois precisamente iguais em todo particular de temperamento e disposição? Onde poderão encontrar dois que sejam operados precisamente do mesmo modo por um poder superior, de tal forma que suas vidas, suas ações, seus sentimentos, e tudo o que pertence à vida humana sejam iguais? Concluo que há tanta variedade no mundo espiritual quanto no mundo temporal, e penso que minha conclusão é justa.

Vocês verão pessoas possuídas de espíritos diferentes; mas direi a vocês o que já disse frequentemente até agora, e o que o irmão Joseph Smith disse, e o que a Escritura ensina: os espíritos de vocês, quando vieram tomar tabernáculos, eram puros e santos, e preparados para receber conhecimento, sabedoria e instrução, e para serem ensinados enquanto na carne; de modo que todo filho e filha de Adão, se aplicassem sua mente à sabedoria, e magnificassem seus chamados, e aperfeiçoassem cada graça e meio que lhes foi dado, teriam ingressos para os camarotes, para usar a figura do irmão Hyde, em vez de irem para o fosso. Não há espírito algum que não fosse puro e santo quando veio aqui do mundo celestial. Não há espírito, entre a família humana, que tenha sido gerado no inferno; nenhum que tenha sido gerado por anjos, ou por qualquer ser inferior. Não foram produzidos por nenhum ser menor do que nosso Pai nos céus. Ele é o Pai dos nossos espíritos; e, se pudéssemos conhecer, compreender e fazer a Sua vontade, toda alma estaria preparada para retornar à Sua presença. E, ao chegarem ali, veriam que antes haviam vivido ali por eras, que anteriormente conheciam cada recanto, com os palácios, os passeios e os jardins; e abraçariam o seu Pai, e Ele os abraçaria, e diria: "Meu filho, minha filha, tenho-te de volta"; e o filho diria: "Ó meu Pai, meu Pai, estou aqui de novo."

Estes são os fatos do caso, e ninguém está destinado ao fosso, a menos que preencha esse ingresso por si mesmo, por sua própria má conduta. Todos os espíritos são dotados igualmente? Não, de modo algum. Serão todos iguais no reino celestial? De modo nenhum. Alguns espíritos são mais nobres do que outros; alguns são capazes de receber mais do que outros. Há a mesma variedade no mundo espiritual que vocês veem aqui, e, contudo, são da mesma linhagem, de um só Pai, um só Deus, para não dizer quem Ele é. São todos de uma só linhagem, embora haja diferença em suas capacidades e nobreza, e cada um será chamado a preencher a posição para a qual está organizado, e que pode preencher.

Fomos colocados nesta terra para provar se somos dignos de entrar no mundo celestial, no terrestrial, no telestial, ou no inferno, ou em qualquer outro reino ou lugar, e nos foi dada vida suficiente para fazer isso. E, como frequentemente digo, e penso ainda mais frequentemente, é uma desgraça para os Santos dos Últimos Dias dizer: "Ponhamos mãos à obra agora, e tenhamos uma reforma." Jamais deveríamos cessar de nos reformar e de buscar o Senhor nosso Deus; e, onde pudermos melhorar qualquer traço em nossa vida, ponhamo-nos a isso com todas as nossas forças, e reformemo-nos a nós mesmos, e não peçamos a um Élder que venha nos pregar a reforma, e descobriremos que cada um de nós terá ingresso para os camarotes, se fizermos o que devemos fazer. Se preenchermos nossos ingressos de modo a passarmos por Joseph, Pedro, Jesus, os Profetas, Abraão e os Patriarcas, nossos ingressos nos levarão ao reino celestial. E, se pudermos passar pelo Profeta Joseph, responder às suas perguntas, e suportar seu escrutínio, poderemos nos considerar bastante seguros. Podemos preencher nossos ingressos para assentos no reino celestial, terrestrial, telestial, ou em algum outro reino, como bem entendermos. Temos de preencher nossos próprios ingressos; nossa própria vida os preencherá, e seremos julgados segundo as obras feitas no corpo, cada um de nós, e isso é o preenchimento do ingresso.

Observei ao irmão Kimball, no último Sábado, que este povo é o melhor povo que já viveu sobre a terra; estou, na verdade, bastante inclinado a pensar assim. Não se admirem dessa observação. Quanto tempo levou Enoque para purificar seu povo — para se tornar santo e preparado para aquilo que queremos que este povo esteja preparado em muito poucos anos? Levou-lhe 365 anos. Há quanto tempo este povo existe? Fará 27 anos, no dia seis do próximo mês, desde que esta Igreja foi organizada. O que vocês pensam a respeito deste povo? Digo que os atos virtuosos de sua vida superam o mundo inteiro. Os filhos de Israel foram alguma vez tão obedientes a Moisés quanto este povo é a mim? Não, jamais começaram a sê-lo; em obediência, não puderam comparar-se favoravelmente a este povo. Moisés conduziu seu povo por quarenta anos no deserto, em rebelião, brigas, roubos, prostituição, e toda a espécie de iniquidade; e seus males eram tão grandes, que Deus eliminou a todos eles no deserto, exceto Calebe e Josué. Não permitiu que um só deles entrasse na terra de Canaã, exceto os dois que mencionei; eles jamais se revoltaram contra Moisés, mas sustentaram suas mãos o tempo todo. Jamais se afastaram, nem mesmo quando Arão, seu meio-irmão e braço direito, fez o bezerro de ouro. Quando Arão recolheu os brincos, os anéis e as joias, e fez um bezerro, e desviou os filhos de Israel a adorar uma imagem, e dizer: "Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito, da casa da servidão," enquanto Moisés estava no monte, falando com o Senhor, Calebe e Josué não se afastaram; e, se estivessem naquela companhia, suas almas se horrorizariam enquanto o povo fazia aquele bezerro.

Foram os homens de Enoque tão obedientes e avançaram tanto quanto este povo no mesmo tempo? Penso que não. Que este povo continue a fazer o progresso que fez, e não levaria 165 anos até que pudessem tomar esta parte do país e partir, se fosse necessário, até que a terra seja purificada. Contudo, Enoque teve de viver e se esforçar, e labutar durante 365 anos, a fim de trazer seu povo sob o princípio da estrita obediência. Este contraste é encorajador para este povo.

Ora, deixem-me dizer-lhes que há centenas de homens e mulheres nesta comunidade que creem que deveriam se arrepender, mas não conseguem descobrir de quê, não conseguem dizer em que deveriam agir diferentemente do que agem, e não sabem o que fazer. Vocês fazem tudo o que sabem ser certo e agradável aos olhos de Deus? Sim, dizem centenas e milhares do povo. Vocês fazem algo que sabem ser errado? Centenas podem responder: "Não sabemos que fazemos, mas não sentimos que desfrutamos tanto quanto deveríamos." Esperem, não se afastem de nós. Se agora estivessem desfrutando das coisas de que têm um pressentimento em seus próprios sentimentos, que, na ansiedade de seus próprios corações, anseiam, se pudessem obter tudo isso em sua posse, não permaneceriam aqui; nós os perderíamos, pois seriam puros demais para permanecer em nossa sociedade. Não tenham pressa; permaneçamos juntos e combatamos o diabo um pouco mais. Alguns de vocês pensam que, até o outono que vem, devem obter tudo o que os Élderes pregam. Se o fizerem, irão para além do véu, e não poderemos ter a companhia de vocês.

Com muitos, surge em seus corações um pressentimento assim: "Queremos algo maravilhoso, ou devemos fazer algo que não fizemos. Devemos revolucionar nossa vida; devemos nos reformar," mas não sabem em quê. Sirvam a Deus segundo o melhor conhecimento que tiverem, e deitem-se e durmam tranquilamente; e, quando o diabo vier e disser: "Você não é um Santo muito bom, poderia desfrutar de maiores bênçãos e de mais do poder de Deus, e ter a visão de sua mente aberta, se vivesse à altura de seus privilégios," digam-lhe que se retire; que há muito abandonaram suas fileiras e se alistaram no exército de Jesus, que é seu capitão, e que não querem mais nada com o diabo.

Caso uma irmã, cheia de fé, imponha as mãos sobre um enfermo, e ele seja assim aliviado na hora da aflição, então o diabo virá e dirá: "Irmã, eu lhe digo que você tem mais fé do que o irmão Brigham, o irmão Heber, ou os Doze." Em tais casos, digam apenas ao Senhor Diabo que beije o pé de vocês e se retire, que vocês não têm mais fé e conhecimento do que seu Pai e Deus lhes deu; que vocês não são nada mais nem menos do que Seus filhos, e pretendem servi-Lo, e que romperam amizade com o diabo, e, portanto, ele deve retirar-se imediatamente. Algumas de vocês, irmãs, ficarão pensando: "Ah, quem me dera saber o que fazer. O irmão Kimball desabafa sobre mim e me diz para me arrepender; o irmão Brigham desabafa sobre mim, e o irmão Hyde e outros, e me dizem que não sou nem a metade tão boa quanto deveria ser." Esperem, não fiquem tão nervosas a ponto de não conseguirem comer seu pão e sua carne.

Temos Sião à vista, em sua perfeição, tal como vocês têm. Sabem como imaginavam Sião quando primeiro abraçaram o Evangelho? Pensavam que não haveria mais provação, nem mais tristeza ou vexação de espírito; que todos fariam o que é certo, e que não haveria mais erro; que, se uma vez alcançassem o local de reunião, ali suas almas estariam cheias de glória, e esperavam poder então sentar-se e "cantar seu caminho para a bem-aventurança eterna." Vocês têm de passar pelo moinho de ferrugem, a fim de serem purificados; depois têm de ser joeirados, depois moídos, e depois passar pela peneira; e, nessa operação, muitos, na verdade, "escaparão." Há muitos homens bastante bons que desejam ir para a Califórnia e para os Estados; sentiram o efeito das peneiradas. Vocês vieram para cá, e muitos passaram por grande dificuldade para fazê-lo, a fim de servir a seu Deus e viver sua religião; e, quando não souberem o que fazer para se tornarem melhores, contentem-se, e comam seu alimento com coração agradecido, para a glória de Deus. E, quando se deitarem, digam: "Tudo é paz, tudo está bem; e, se o Senhor deseja levar-me embora esta noite, estou pronto para ir." Há milhares deste povo que, se vivessem dez mil anos na carne, e de acordo com a oportunidade que tiveram, não estariam melhores do que estão agora.

Diz-se que é vida eterna "conhecer o único Deus sábio, e a Jesus Cristo, a quem ele enviou." Direi uma coisa, como disse o irmão Hyde: seria um excelente plano para nós nos pormos a trabalhar e nos conhecermos a nós mesmos, pois, tão certo quanto vocês se conhecerem a si mesmos, conhecerão a Deus, sejam vocês Santo ou pecador. Um homem não pode conhecer a si mesmo sem a luz da revelação; tem de se voltar e buscar o Senhor seu Deus, a fim de conhecer a si mesmo. Se vocês descobrirem quem foi Joseph, saberão tanto sobre Deus quanto precisam saber no momento presente; pois, se ele disse: "Eu sou um Deus para este povo," ele não disse que era o único Deus sábio. Jesus era um Deus para o povo quando esteve sobre a terra, já o era antes de vir a esta terra, e ainda o é. Moisés era um Deus para os filhos de Israel, e desse modo vocês podem retroceder até o Pai Adão.

Se vocês olharem para as coisas espiritualmente, e depois naturalmente, e virem como se apresentam juntas, compreenderão que, quando tiverem o privilégio de começar a obra que Adão começou nesta terra, terão todos os seus filhos virem e prestarem contas a vocês de seus ditos e atos; e responsabilizarão cada filho e filha seus, quando tiverem o privilégio de ser um Adão na terra.

Suponham que um de nós tivesse sido Adão, e tivesse povoado e enchido o mundo com nossos filhos; ainda que fossem bisnetos etc., digo, se eu tivesse sido Adão, seriam minha carne, meu sangue e meus ossos, e teriam posto neles o mesmo tipo de espírito que há em mim. E, quanto à carne, seriam todos meus filhos, e eu os chamaria a prestar contas, e, com o tempo, chamaria cada um deles para casa. Teriam de prestar ao pai uma conta, para que ele soubesse quais foram as suas obras na terra, pois o homem é julgado segundo suas obras na terra.

Comparando as coisas espirituais com as temporais, deve ser que Deus sabe algo a respeito das coisas temporais, e teve um corpo, e esteve numa terra; se não fosse assim, Ele não saberia julgar os homens com justiça, segundo as tentações e o pecado com que tiveram de lutar. Se eu puder passar pelo irmão Joseph, terei boa chance de passar por Pedro, Jesus, os Profetas, Moisés, Abraão, e todos, até o Pai Adão, e estar bastante seguro de receber sua aprovação. Se eu puder passar por toda essa provação, não estarei bastante seguro? Penso que sim.

Quando estivermos diante do pai Adão e da inumerável companhia que virá diante dele — quando nos aproximarmos do Ancião de Dias, com o restante dos seus filhos, e recebermos sua aprovação, não estaremos seguros? Se pudermos passar pela sentinela Joseph, o Profeta, entraremos no reino celestial, e nenhum homem poderá nos prejudicar. Se ele disser: "Deus os abençoe, venham por aqui"; se vivermos de tal modo que Joseph nos justifique, e diga: "Aqui estou, irmãos," passaremos por toda sentinela; não haverá perigo algum de não entrarmos no reino celestial. Nos tornaremos todos Deuses, e seremos coroados reis? Não, meus irmãos; haverá milhões sobre milhões, mesmo a maior parte do mundo celestial, que não serão capazes de uma plenitude dessa glória, imortalidade, vidas eternas e uma continuação delas, e ainda assim entrarão no reino celestial. Entrará todo este povo naquele reino? Penso que muitos terão de ser queimados por dentro, como um velho cachimbo, antes de poderem entrar em qualquer reino decente.

Pensem em quantos entraram nesta igreja, desde o seu início até agora, e apostataram. Nossa população atual se igualará a eles em número? Não, seria como uma gota num balde, em comparação com eles. Vocês conhecem algum outro povo que se esforce para entrar pela porta estreita, além deste povo? Sim, muitos no mundo sectário, e os honestos entre as nações gentias estão buscando, com todas as suas forças, entrar, e não sei se não são eles as virgens loucas de que o irmão Hyde tem falado. A parábola se aplicará a eles, tanto quanto a uma parte deste povo. Vivem segundo a lei moral que lhes foi dada, e nenhum povo pode ser moralmente melhor do que milhares e milhões deles, pois passaram dias e anos de joelhos, para obter o poder que temos, mas não puderam obtê-lo. Por quê? Porque não tinham as chaves do Sacerdócio eterno. Para onde irão? Para o céu, e terão todo o céu, a bem-aventurança e as coroas que anteciparam na carne, e então vocês podem acrescentar cem vezes mais. Poderão entrar no reino celestial? Não, não sem as chaves daquele reino.

Pois bem, irmãos e irmãs, que o Senhor os abençoe e console seus corações. Sejam fiéis ao seu Deus e à sua religião. Não os abandonem, mas abandonem o pecado onde quer que o vejam. Evitem o pecado, seja em mim ou em qualquer outra pessoa, e apeguem-se à retidão e ao Senhor. Não traiam o seu Deus nem os seus convênios, e digo: Deus os abençoe, e nos prepare a todos para o Seu reino celestial. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Necessity for Reformation a Disgrace—Intelligence a Gift, Increased By Imparting—Spirit of God—Variety in Spiritual As Well As in Natural Organizations—God the Father of the Spirits of All Mankind—Etc.”, (1857-03-08). Pulpit Vault, 1857-03-08-young-necessity-for-reformation-a-disgrace. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).