Man the Head of Woman—Kingdom of God—The Seed of Christ—Polygamy—Society in Utah
Orson Hyde
Amados irmãos e irmãs, é com sentimentos não pouco peculiares que me levanto para me dirigir a vocês nesta ocasião. Com este esforço, tenho por único objetivo a edificação de vocês no vasto campo da verdade, que foi aberto ao olho de nossa mente pela "chave do conhecimento", e somos convidados a entrar e nos deleitarmos entre as belezas imorredouras que florescem espontaneamente neste solo celestial. Desejamos ser feitos mais sábios pelo conhecimento dos verdadeiros princípios; e melhores, adotando-os em todos os caminhos práticos da vida. ¶
Se eu tivesse copiado o estilo de discurso adotado pelo mundo da moda, poderia ter dito: "Senhoras e senhores", colocando o belo sexo à frente; mas, como isso seria apenas inverter a ordem do nosso ser através do caminho espinhoso da vida, ordenada e estabelecida pela lei do céu, senti, e ainda sinto, o dever de observar o espírito dessa lei e dessa ordem, não somente na minha maneira de me dirigir a vocês, mas em todos os variados deveres, responsabilidades e prazeres da vida. O respeito hipócrita dispensado às mulheres pela etiqueta do mundo, ao empurrá-las para a frente e excitar sua vaidade, tornando-as as mais conspícuas em todos os romances e novelas que, como tanto lixo, inundaram a sociedade e amaldiçoaram a terra, serve apenas para torná-las presa mais fácil da sensualidade desenfreada e das luxúrias ímpias de seus autores obscurecidos. A lisonja é alimento para os tolos e de mente rasa, mas um coração sábio e uma mão pura jamais a administrarão. ¶
A ordem do céu coloca o homem na primeira posição; por isso, é a ele que primeiro me dirijo. A mulher o segue, sob a proteção de seus conselhos e da força superior de seu braço. O desejo dela deve ser para o seu marido, e ele deve dominar sobre ela. Aventuro-me aqui a afirmar que nenhum homem pode ser exaltado a uma glória celestial no reino de Deus se sua esposa dominar sobre ele; e, como o homem não existe sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor, segue-se, como consequência natural, que a mulher que domina sobre seu marido priva-se, com isso, de uma glória celestial. ¶
[Aqui o orador foi interrompido pela pergunta de alguém na congregação: "O que será, então, do Príncipe Alberto e da Rainha Vitória?" O orador respondeu: Princípios gerais e eternos são obstinados demais para ceder a acomodações individuais. Eles que cuidem dos seus próprios assuntos.] ¶
Mas, voltando ao meu assunto: o dia em que vivemos é importante — importante para o mundo em geral, e para nós como povo. Como o tempo nos é medido pelo dia, pela semana e pelo ano, nossa cota em breve se esgotará, e seremos chamados a prestar contas do uso e do proveito que dele fizemos. Que a pergunta se levante agora em cada peito: "Estou desempenhando bem o meu papel enquanto ocupo o palco da vida?" Lembrem-se de que sua oração diária a Deus é: "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." Lembrem-se, também, de que somos o povo favorecido e escolhido a quem esse reino veio, e ele permanecerá conosco, desde que nossas energias, unidas à sabedoria e ao poder de Deus, sejam dirigidas a esse objetivo — um objetivo pelo qual toda a Cristandade ora para que se cumpra, e um também contra o qual sua habilidade, seu saber e seu poder se hão de erguer. Até mesmo os demônios do inferno irromperão de suas celas de fogo para se unirem aos filhos decaídos da terra, a fim de se oporem a que os reinos deste mundo se tornem o reino do nosso Deus. Os reis e governantes da terra não lançarão de bom grado suas coroas e cetros aos pés do Sacerdócio, nem adorarão o Deus dos Exércitos. Somente o Seu poder todo-poderoso, em juízos, os humilhará a essa submissão. "Ele fará triunfar o juízo." Que a integridade estrita e a pureza de coração e de vida sejam nossos baluartes, e que a fé de Abraão, Moisés, Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seja nosso escudo e fortaleza agora, e no dia da tentação e da provação. Para incitá-los à diligência e à perseverança, deixem-me dizer que nossos inimigos não são apenas fortes, mas astutos; e, no entanto, para encorajá-los — para inspirar-lhes fé e esperança —, permitam-me dizer que Deus é mais forte e mais astuto do que eles. O Todo-Poderoso nunca demonstrou, nem jamais demonstrará, o Seu poder em favor do Seu povo até que este seja levado a lugares de provação e aperto; e o que importaria se alguns de nós déssemos a vida pela causa de Cristo? Todos temos de morrer algum dia; e, se estivermos apenas cumprindo fielmente o nosso dever, não deveria importar-nos quando ou por que meios partimos. Nossos inimigos podem dizer: não te matamos por causa da justiça, mas por causa da tua própria maldade e perversidade. ¶
Que perseguidores dos seguidores de Jesus jamais reconheceram que martirizaram ou mataram os Santos por causa da justiça? Nenhum! Alegaram que o fizeram por causa da maldade destes; e, se nunca fizeram esse reconhecimento, vocês acham que algum dia o farão? Não! Com um zelo cego e enlouquecido contra os Santos, fortalecido pelo ódio e pelo ciúme eternos dos anjos caídos, encherão a taça de sua iniquidade e amadurecerão, sob o brilho de sua opressão, para os juízos do Deus Todo-Poderoso. ¶
Somos falados contra em toda parte? Quase todo jornal e periódico, com mil e um redatores anônimos de cartas, derrama seu rancor, suas censuras e suas maldições sobre os Santos em Utah? Desejam e pretendem levantar uma tempestade — um temporal que se abata sobre nossas cabeças com toda a fúria dos elementos combinados, para nos varrer da face da terra? Ou, secreta e disfarçadamente, pretendem armar algum ardil para explorar a paz e a felicidade dos Santos que fugiram da face da "serpente", desprotegidos e sem reparação, para esta terra desolada — para a qual nenhum outro povo viria, até que nós chegássemos e matássemos as cobras, construíssemos as pontes, testássemos a terra, produzíssemos o pão e construíssemos as casas para que eles pudessem vir —, uma terra em que nenhum outro povo pode ou quer habitar, caso os mórmons a abandonem! ¶
Por que esse ódio e essa má vontade contra vocês? O que fizeram para provocá-lo? Repreendemos a iniquidade; e, em alguns casos, em lugares bem elevados. Mas a verdadeira causa é explicada pelo nosso Salvador: "Porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso o mundo vos odeia." ¶
Lembrem-se de que Deus não apenas governa a tempestade, mas também visita as câmaras secretas. Ele pode silenciar a tempestade e dizer aos ventos: "Cala-te, aquieta-te", e apanhar o caçador em sua própria armadilha. ¶
A pureza professada desta geração não permitirá que as instituições de Utah existam sem perturbação, se puderem imaginar algum esquema para perturbá-las. É verdade que o povo de Utah crê na poligamia e a pratica. Não porque nossos desejos naturais nos levem a essa condição e estado de vida, mas porque nosso Deus assim o ordenou; e, desejando cumprir esse mandamento como todos os Seus outros mandamentos, somos como somos. Também desejamos ser contados entre os filhos de Abraão, a quem as promessas foram feitas, e com quem os convênios foram estabelecidos; e, sendo-nos dito que, se somos filhos de Abraão, faremos as obras de Abraão, não estamos pouco ansiosos por fazer como ele fez. Entre outras coisas que ele fez, tomou mais de uma esposa. Nisso não esteve sozinho, pois esse exemplo foi copiado pela maioria dos antigos varões dignos e por outros que o sucederam sob o mesmo convênio eterno. Até os homens mais sábios e melhores — homens segundo o próprio coração de Deus — entraram profundamente nessa prática. Tampouco essa prática se limitou aos dias do Antigo Testamento. ¶
Tenham em mente que, certa vez, houve um casamento em Caná da Galileia; e, numa leitura cuidadosa dessa passagem, descobrir-se-á que ninguém menos que Jesus Cristo se casou naquela ocasião. Se ele nunca se casou, sua intimidade com Maria e Marta, e também com a outra Maria a quem Jesus amava, deve ter sido, no mínimo, altamente inconveniente e imprópria. ¶
Aventuro-me a dizer que, se Jesus Cristo passasse hoje pelas nações mais piedosas da Cristandade com um séquito de mulheres, como as que costumavam segui-lo, acariciando-o, penteando seus cabelos, ungindo-o com precioso unguento, lavando-lhe os pés com lágrimas e enxugando-os com os cabelos de suas cabeças — solteiras, ou até casadas —, ele seria linchado pela multidão, coberto de piche e penas, e conduzido, não sobre um jumento, mas sobre um trilho. O que quis dizer o antigo profeta quando disse (falando de Cristo): "Verá a sua semente e prolongará os seus dias, etc."? Considerava Jesus necessário cumprir todo mandamento ou exigência justa de seu Pai? Certamente que sim. Disso é testemunha sua submissão ao batismo pelas mãos de João. "Assim nos convém cumprir toda a justiça", disse ele. Foi mandamento de Deus ao homem, no princípio, multiplicar-se e encher a terra? Ninguém pode negar isso, nem que fosse um mandamento justo; pois da obediência a ele dependia a perpetuidade de nossa raça. Veio Cristo para destruir a lei ou os Profetas, ou para cumpri-los? Ele veio para cumprir. Multiplicou-se ele, e viu a sua posteridade? Honrou ele a lei de seu Pai, cumprindo-a, ou não? Outros podem fazer como quiserem, mas eu não acusarei nosso Salvador de negligência ou transgressão neste ou em qualquer outro dever. ¶
Diante dessa doutrina, o hipócrita de rosto comprido e o fanático sanctimonioso provavelmente clamarão: Blasfêmia! Horrível perversão da palavra de Deus! Miserável ímpio! Não é digno de viver! etc., etc. Mas os sábios e reflexivos considerarão, lerão e orarão. Se Deus não é nosso Pai, avô, ou bisavô, ou algum tipo de pai em realidade, em ato e em verdade, por que nos é ensinado a dizer: "Pai nosso, que estás nos céus"? Por maior que seja o santo horror que essa doutrina possa suscitar em pessoas não impregnadas do sangue de Cristo, e cujas mentes são, por consequência, escuras e obscurecidas, ainda maior poderá ser esse horror quando lhes for dito que, se nenhum do sangue natural de Cristo corre em suas veias, não são elas as escolhidas ou eleitas de Deus. Não se oponham, portanto, com tanta veemência, ao casamento de Cristo, mas lembrem-se de que, nos últimos dias, as coisas secretas e ocultas hão de vir à luz, e que a vida de vocês também (que é o sangue) está oculta com Cristo em Deus. ¶
Abraão foi escolhido por Deus com o propósito de levantar uma semente escolhida, e um povo adquirido para o Seu nome. Jesus Cristo foi enviado ao mundo com propósito semelhante, mas em escala mais ampla. Cristo era a semente de Abraão, assim considerado. A estes foram feitas grandes promessas; uma delas, que em Abraão e em sua semente, que era Cristo, todas as famílias da terra seriam abençoadas. Quando? Quando os ímpios, ou os que não são de sua semente, forem eliminados da terra, e não restar sobre a terra família alguma senão a sua própria semente. Então, em Abraão e em Cristo, todas as famílias e parentelas da terra serão abençoadas — Satanás estará atado, e o milênio terá vindo por completo. Então os mansos herdarão a terra, e os eleitos de Deus reinarão sem perturbação, pelo menos, por mil anos. ¶
Não há nenhum meio provido para que aqueles que não possuem, em suas veias, sangue algum de Abraão ou de Cristo entrem nessa relação de convênio? Há! Praticando as obras de Abraão e de Cristo na fé de Abraão e de Cristo; não na incredulidade e na injustiça, como o mundo ímpio, que se condenou em sua própria corrupção e incredulidade. Se creres no Senhor Jesus Cristo, e te arrependeres de teus pecados, e os afastares todos, e os abandonares para sempre, e te voltares para o Senhor nosso Deus, e o servires com todo o teu poder, mente e força, o Espírito Santo mudará teu corpo vil, vivificará e renovará teu espírito e teu sistema natural, de modo que deporás, ou vencerás, aquela natureza decaída que há no corpo com seus pecados, e serás criado de novo em Cristo Jesus, com um novo coração e um novo espírito, a saber, o Espírito Santo; isso fará com que teu espírito clame: Aba, Pai. Teus lábios podem, mesmo agora, clamar "Aba, Pai"; mas teu espírito não pode fazê-lo até que seja renovado; e o culto de lábios, como sabem, é zombaria diante de Deus. Devemos adorar a Deus em espírito e em verdade, e também com entendimento. Mas, se vocês desejam nos destruir por praticarmos as obras de Abraão e de Cristo, saibam que Deus os amaldiçoará; e nem Ele nem o Seu povo permitirão que vocês tenham parte alguma no convênio da promessa; nem em Abraão, nem tampouco em Cristo, poderão vocês ser abençoados. Há algo mais implícito nessa mudança, à qual todos os que professam ser cristãos frequentemente aludem, do que normalmente se considera. É, contudo, verdadeiro tanto escrituralmente quanto filosoficamente. ¶
Durante a última sessão da Legislatura, aquele corpo recebeu uma nota muito cortês do Sr. Van Emman, agente da Sociedade Bíblica Americana, que desejava que os membros comparecessem ao seu depósito para examinar suas Bíblias, qualidade e preços, e anunciá-las nas várias localidades para onde estavam prestes a partir, e também expor-lhes o objetivo da sociedade ao enviar as Bíblias para Utah. A Legislatura julgou conveniente nomear uma comissão para atender o Sr. V., examinar seus livros etc.; e, sendo membro da Câmara, eu, juntamente com o irmão F. D. Richards, fui nomeado para essa comissão. No desempenho de nossos deveres, comentei ao Sr. Van Emman — que, aliás, nos recebeu muito cortesmente — que a sociedade que ele tinha a honra de representar, sem dúvida, nos considerava degradados e quase fora do alcance da verdade bíblica. Ele respondeu que não nos consideravam tão degradados quanto poderíamos supor; mas que o propósito da sociedade era colocar a palavra de Deus nas mãos de todo homem no mundo, sem excetuar Utah. Respondi que isso era muito bom. Mas, por mais caridosos e benevolentes que sejam os propósitos daquela sociedade, no que diz respeito a Utah, enviaram-nos o livro errado se desejam nos reclamar da crença e da prática da poligamia: pois, em vez de nos reclamar dela, ela nos confirma em nossa crença e prática, e em lugar algum a condena; e, portanto, temos a consciência tranquila em nosso modo de vida, tendo a palavra de Deus, que vocês nos trazem, como nosso padrão. Embora nossa fé e nossa prática sejam tais como as declaramos a vocês, nenhum povo na terra olha com maior repulsa e indignação para uma violação dos princípios que nos governam do que nós. Nenhum homem ou mulher entre nós, que não seja de nossa fé, que se comporte bem e não viole nossas leis e regulamentos, tem qualquer motivo para temer perseguição. Mas, se ele ou ela as violar e não desistir, não posso garantir sua segurança, seja ele membro de nossa Igreja ou não, nem posso assegurar que sua casa permanecerá de pé. ¶
Tivemos, e ainda temos entre nós, homens que escrevem de volta para os Estados relatos escandalosos sobre nosso caráter e conduta, e amargas queixas sobre o tratamento que lhes dispensamos; mas seria difícil para eles detalhar o tratamento terrível que fingem representar. Não costumamos agir sem motivo; e, com eles, estamos dispostos a comparecer perante o tribunal de Deus e responder por nosso tratamento. Fomos impiedosamente forçados a vir para Utah; mas não forçamos ninguém mais a vir; contudo, se vierem, queremos que se comportem bem e cuidem de seus próprios assuntos. Não consideramos que um funcionário do governo tenha mais direito de cometer maldade do que qualquer outra pessoa; e, se o fizer, merece uma repreensão tão severa, e ainda mais severa, pois não apenas destrói sua influência e seu poder de fazer o bem, mas também traz desonra ao poder que o enviou. Diria aos nossos amigos que não hesito em recomendar as Bíblias do Sr. Van Emman. São, sem dúvida, um livro bem elaborado, e oferecido a preço muito mais baixo do que costuma ser comprado neste lugar. Aos que desejam a Bíblia, aconselho a aproveitarem esta oportunidade favorável. ¶
São os "mórmons" um povo industrioso? Todos dizem que sim; eu digo que somos; e, quanto ao resto, que nossas obras falem. Mencionarei, porém, uma circunstância. Certo redator de cartas, provavelmente do corpo militar, achou profundamente degradante que a esposa de Orson Hyde, chefe dos Apóstolos, se ocupasse de lavar roupa para viver: mas, se ela mantivesse alguma outra casa que não uma lavanderia — não é necessário dizer de que tipo —, isso talvez a elevasse, na estima do cavalheiro, às fileiras da vida elegante. ¶
Se esse cavalheiro alguma vez tivesse subido o Nilo, teria aprendido que os homens nativos que rebocam e impulsionam os barcos rio acima, nos quais os viajantes são transportados, encontram-se, em sua maioria, em estado de completa nudez. Fazem isso por causa do calor excessivo, e também por conveniência, estando tantas vezes na água quanto fora dela. Não desejam ficar sobrecarregados com roupas. Os cavalheiros europeus que viajam com suas famílias pelo Nilo acima frequentemente lhes compram trajes completos, não por nenhuma consideração particular que tenham pelos nativos, mas por especial consideração pelo pudor e pela delicadeza de suas próprias famílias. Assim também algumas de nossas boas e industriosas esposas, que não se consideram acima de fazer o que for necessário em sua esfera, frequentemente se dignam (por mais humilhante que seja o serviço) a lavar a roupa de um estranho, para que ele possa aparecer na "sociedade mórmon" sem ser particularmente ofensivo. A industriosidade é o nosso elemento. ¶
É a industriosidade perseverante um índice fiel de todo o crime, devassidão e maldade de que somos acusados? Homens de reputação e bom senso, considerem! Pode uma massa de seres corruptos, como somos representados, manter-se unida, permanecer unida e submeter-se a regras e disciplina tão rígidas por tanto tempo — enfrentar toda dificuldade e privação que enfrentamos — e ainda assim permanecer alegre e cheia de esperança? Pode haver, ocasionalmente, algumas pequenas irregularidades familiares, mas logo são resolvidas. Não há desavenças familiares entre outros povos? Tenho lido com frequência sobre o marido assassinando a esposa, e a esposa o marido, entre aqueles que consideram um grande crime ter mais de uma esposa. Isso é algo de ocorrência frequente. Mas quem já ouviu falar de um "mórmon" que matasse intencionalmente qualquer de suas esposas, ou de alguma esposa que matasse seu marido? Ninguém! Respondo novamente: ninguém! ¶
Considerando agora todas as coisas com candura e imparcialidade, a que conclusão devem chegar os que não têm preconceito e são sinceros a respeito dos "mórmons"? Parece-me que devem concluir algo como o seguinte: ¶
Pode haver, entre eles, tanto homens como mulheres, que não se comportem como deveriam, pois sua rede apanha de tudo, tanto bom como mau. O cadinho, ou a panela de refinar, é Utah. Ali o calor é elevado a um grau que faz o puro derreter-se e afundar-se, fora da vista do observador casual, enquanto a escória, a borra ou a escória metálica está à vista de todos, e forma os principais assuntos sobre os quais nossos redatores de cartas e numerosos editores exibem seus talentos, enquanto o metal puro se consolida por baixo, não observado e não notado; e, contudo, essa escória é um índice fiel da existência real de metal puro nas proximidades. Não terá esta geração olhos claros e penetrantes, e ainda assim incapazes de ver; ouvidos, mas incapazes de ouvir; e corações, ainda incapazes de entender? Depois de tudo o que foi dito, feito e escrito sobre os "mórmons", a religião mórmon etc., não poderá haver um princípio incorporado a eles, que flui por um canal profundo, que opera sobre seus corações e consciências, e que esse princípio emane do próprio Deus? Não haverá fatos tangíveis relacionados à sua religião e história, suficientes para justificar essa conclusão? Vós, júris das nações, considerai bem — pesai o assunto imparcialmente — lembrai-vos de que vida e morte estão envolvidas nessa questão! Se houver alguma dúvida existente em vossas mentes, estais obrigados a dar ao acusado o benefício dessa dúvida; e, embora não seja de costume popular que um advogado seja testemunha em favor de seu cliente, ainda assim, conhecendo sua inocência e a justiça de sua causa — a retidão de sua intenção, a pureza de seu propósito e a benevolência geral almejada como o coroamento de seus esforços e esperanças —, não posso deixar de acrescentar meu testemunho em seu favor. ¶
Nas famílias mais piedosas e bem-reguladas da terra, às vezes ocorrem fatos dos quais nenhum membro dessa família se orgulharia de falar abertamente, e que nenhum, exceto um membro tolo e insensato, falaria. Quanto à aplicação dessa comparação à Igreja, guardo silêncio. Mas o osso e o tendão do "mormonismo", da religião, fé, doutrina e prática "mórmons" são verdadeiros como Deus é verdadeiro. Joseph Smith e Brigham Young, com tantas esposas quantas tiveram Davi e Salomão (excluindo-se as concubinas), são homens segundo o próprio coração de Deus; inspirados do alto para trazer a última dispensação de misericórdia à humanidade — para remover o véu que cobre todos os povos, e acender uma chama que, por fim, consumirá os ímpios, e encherá a terra do conhecimento e da glória do nosso Deus; e a "serpente" não poderá lançar água suficiente para apagá-la. ¶
Senhores do júri, podem estremecer por mim, por causa do testemunho que presto, pensando que terei de enfrentá-lo no tribunal de apelação. Alegro-me de que sejam assim sensíveis; e permitam-me lembrar-lhes que vocês também terão de enfrentá-lo perante o mesmo tribunal! Portanto, considerem bem; pesem o testemunho e os argumentos em favor da causa de Sião, numa balança justa e equilibrada, e proferam um veredito verdadeiro; pois de seu veredito depende seu próprio destino, para o bem ou para o mal. Com estas palavras, submeto o caso. ¶