Pulpit

O Homem Deve Usar Suas Energias e Cultivar os Dons de Deus—Necessidade de Seguir o Conselho—A Reforma Deve Ser Intrínseca e Não Uma Questão de Excitação

Lorenzo Snow

1857-01-18

A pedido do Presidente desta Estaca, o Élder Spencer, ocuparei um breve tempo falando as coisas que me vierem à mente, ou conforme o Senhor achar próprio ditar.

Tenho observado, irmãos, que tanto oradores quanto ouvintes são frequentemente perturbados por certas fraquezas, e quero ocupar um momento ou dois apontando algumas dessas fraquezas, já que este é um tempo de reforma. Presumo que, quando os Élderes se levantam para falar, aqueles que não têm o hábito de falar diante de assembleias, isso é às vezes muito difícil e árduo para eles, mas se colocarão diante de uma congregação porque é absolutamente seu dever fazê-lo. Fazem-no porque lhes é obrigatório; fazem-no porque não podem bem escapar dessa situação, da qual, porventura, ficariam bem contentes de escapar, se pudessem fazê-lo e se sentirem aprovados em suas próprias consciências. Esta é uma fraqueza que os indivíduos nesta posição sentem mais do que em qualquer outra, embora não penso que isso se aplique muito extensamente aos Élderes de Israel. Outra fraqueza consiste em não tomarem cuidado com o modo como se expressam ao comunicar suas ideias e instruções.

Não desejaria estar diante de vós esta manhã com o propósito de ser visto ou de me livrar de um sentimento desagradável, nem para que minha oratória seja comentada depois, mas desejo estar diante de vós com o propósito de comunicar aquilo que será para vosso bem e benefício.

Compreendo que somos irmãos juntos, que somos do mesmo Pai nos mundos celestiais, e que, se nos conhecêssemos uns aos outros como deveríamos, se cada um fosse investido do poder de Deus, nossas simpatias seriam despertadas mais do que estão no momento presente, e haveria um desejo, por parte de cada indivíduo, de estudar em suas próprias mentes como poderiam fazer bem a seus irmãos, como poderiam aliviar suas tristezas e edificá-los na verdade, como remover as trevas de suas mentes. Se compreendêssemos uns aos outros e o verdadeiro relacionamento que mantemos uns com os outros, sentiríamos diferente do que sentimos; mas este conhecimento só pode ser obtido à medida que obtemos o Espírito de vida, e à medida que somos desejosos de edificar uns aos outros na retidão.

Novamente, notei da parte do povo o que atribuí a fraqueza. Reúnem-se, alguns deles, mais com o propósito de se agradarem com a oratória do orador, com o propósito de admirar o estilo com que possa se dirigir a eles, ou se reúnem mais com o propósito de ver o orador ou especular a respeito de seu caráter, ou do verdadeiro relacionamento que ele mantém com o Senhor no Sacerdócio, do que com o propósito de receber instruções que lhes farão bem e os edificarão na retidão.

Penso que os oradores deveriam tentar se aperfeiçoar, onde veem suas fraquezas; os ouvintes deveriam tentar evitar suas fraquezas, para que, quando os Élderes forem chamados a falar, tenham em seus corações fazer bem ao povo.

Uma das maiores orações que um homem pode oferecer, no que entendo das orações e sua consistência, é que, quando um Élder de Israel se coloca diante do povo, ele possa comunicar e dizer alguns pensamentos que façam bem ao povo, e o edifiquem nos princípios da verdade e da salvação. Orações deste tipo são tão agradáveis aos ouvidos do Senhor quanto quaisquer orações que um Élder de Israel possa oferecer, pois, quando um Élder se coloca diante do povo, deveria fazê-lo compreendendo que se coloca diante deles com o propósito de comunicar conhecimento, para que possam receber a verdade em suas almas e serem edificados na retidão, recebendo mais luz, progredindo em sua educação nos princípios da santidade.

Isso não pode ser feito senão por um labor da mente, por uma energia de fé, e buscando com todo o coração o Espírito do Senhor nosso Deus. É exatamente assim da parte dos ouvintes; a menos que se preste atenção particular àquilo que lhes é requerido, de tempos em tempos, por aqueles que se dirigem ao povo desta tribuna, e a menos que os indivíduos labutem em suas mentes com todo o seu vigor e com toda a sua força em suas orações diante do Senhor, não receberão o bem e o benefício para si mesmos que deveriam receber. Se, por exemplo, estivésseis frequentando a escola, tereis vossas lições para aprender, e justamente na proporção de vossa energia e fidelidade, e inteligência a respeito de adquirir um conhecimento dessas lições, estareis preparados para desfrutar de seu benefício, aquilo para o qual foram designadas. E, justamente na proporção em que negligencieis exercer vossa mente e vossa inteligência, vossa mente ficará estéril e infrutífera em relação a esse conhecimento que deveríeis ter alcançado.

Lembrai-vos, provavelmente, de uma revelação no Livro de Doutrina e Convênios, dando a Oliver Cowdery o privilégio de traduzir certos registros, e que, depois de recebê-lo, ele teve a ideia de que tudo o que tinha a fazer era ficar ocioso e não fazer nada; mas descobriu que sua mente estava estéril. O Senhor deu uma revelação para informá-lo da dificuldade, e lhe disse que, porque não exercitou sua mente, os poderes ou intelecto que lhe foram dados, sua mente tinha se obscurecido.

É precisamente assim a nosso respeito. Se não exercitamos essas faculdades que nos foram dadas, e não obtemos o Espírito do Senhor, pouca informação será recebida dos oradores, ainda que ideias de grande valor e mérito possam ser comunicadas. Não obstante, ideias podem ser comunicadas num estilo bastante fragmentado; se o povo se esforçar, como um menino deveria fazer na escola, logo aprenderá que nunca voltará da reunião sem que sua mente seja beneficiada pelos oradores.

Irmãos, direi que há uma falha, uma fraqueza, a respeito deste princípio, e eu o sei. Deve haver um labor da mente, um esforço daqueles talentos que Deus nos deu; devem ser postos em exercício. Então, sendo iluminados pelo dom e poder do Espírito Santo, podemos obter essas ideias e aquela inteligência, e aquelas bênçãos que são necessárias para nos preparar para o futuro, para os cenários que estão por vir.

O mesmo princípio se aplicará em todas as nossas ações relacionadas às coisas de Deus. Temos que nos esforçar, irmãos. Permanecer ocioso, sem nos colocarmos em ação, não serve para nada; se permanecermos perfeitamente neutros, nada é realizado. Todo princípio que é revelado dos céus é para nosso benefício, para nossa vida, para nossa salvação, e para nossa felicidade.

O conselho que nos é dado, quando vem da autoridade apropriada, é dado com um certo propósito; e esse propósito é nossa felicidade, no que diz respeito ao momento presente; é com o propósito de acrescentar felicidade a nós no estado presente, e também com o propósito de nos comunicar benefícios num estado futuro. Sobre este princípio o conselho é estabelecido, sobre o princípio de fazer bem a nosso semelhante; com o propósito de lhes fazer bem aqui e no futuro.

O desígnio do Senhor a nosso respeito, a respeito de Seu povo em geral, é levá-lo àquele estado e plenitude de conhecimento, e àquela perfeição que suas organizações espirituais são suscetíveis de receber ou de alcançar. Há certas leis estabelecidas desde toda a eternidade com o propósito de efetuar este objetivo.

Pergunta-se: "Por que estamos sob obrigação de seguir o conselho?" Porque esse conselho possui aquelas qualidades necessárias para nos tornar melhores aqui, e para nos exaltar à honra e à glória no futuro. Se não fosse assim, não haveria obrigação alguma de nossa parte de seguir o conselho. Um menor está sob obrigação de seguir o conselho de seu pai, pois esse conselho é destinado a torná-lo feliz enquanto estiver no estado de menino, e a qualificá-lo para agir num estado posterior, num estado de homem. Aquele conselho é destinado a beneficiar o pai que o deu, bem como o filho a quem é dado. É privilégio do pai aconselhar de tal modo que seja para o benefício desse pai, e que contribua para a maior felicidade daquele menino enquanto estiver em sua meninice, de modo que o beneficie ao máximo quando alcançar o estado de homem.

Sob a mesma luz, o Presidente Brigham Young é um conselheiro para todo este povo, e o conselho que dá é com o propósito de os beneficiar neste estado, também para os preparar a receber a maior felicidade que é possível a seres humanos receber no mundo vindouro. Isso realiza o duplo objetivo de beneficiar a si mesmo e àqueles a quem é dado. Nenhum homem pode dar conselho a ninguém sem que tenha a tendência de beneficiar a si mesmo tanto quanto aos outros. Somos assim constituídos e organizados, que não podemos aconselhar aquilo que contribuirá para o benefício e a exaltação de outros, sem, ao mesmo tempo, contribuir para nosso próprio bem.

Um pai, ao comunicar conselho a seu filho, deveria, em primeiro lugar, se preparar para comunicar aqueles conselhos apropriados que se adequarão à condição de seu filho. É seu privilégio estender a felicidade a si mesmo; é seu privilégio aumentar sua própria felicidade, e, ao aumentar sua própria felicidade, deveria estendê-la por todos os domínios de sua família. E quando está aumentando sua própria felicidade, sua própria glória, sua própria autoridade, ao mesmo tempo está aumentando a de seus filhos, desde que aquele conselho que revela seja sempre o que é melhor para sua família. Se um bom conselho não fosse estabelecido para o benefício do indivíduo que o comunica, e também daqueles que o recebem, não teria serventia alguma.

O povo está sob obrigação de obedecer ao conselho que é dado; é necessariamente exigido que apliquem o conselho do irmão Brigham, porque esse conselho possui esses objetivos. Nenhum homem pode ser mais feliz do que obedecendo ao conselho do irmão Brigham. Podeis ir do leste ao oeste, do norte ao sul, e percorrer todo este estrado do Senhor, e não encontrareis um homem que possa se fazer feliz nesta Igreja senão aplicando o conselho do irmão Brigham nesta vida; é impossível para um homem receber uma plenitude sem que seja suscetível de receber e executar o conselho do irmão Brigham. Um indivíduo que aplica o conselho desta Igreja está fadado a aumentar em tudo o que é bom, pois há uma fonte de conselho que o Senhor estabeleceu. Ele a fez, depositou aquele conselho, aquela sabedoria e aquelas riquezas, e ela circunscreverá tudo o que pertence ao bem, à salvação; tudo o que pertence à paz e à felicidade; todas as coisas que pertencem à glória e à exaltação dos Santos neste mundo e no mundo vindouro.

Se aquele conselho, se aquela inteligência, que está depositada no Presidente desta Igreja, fosse calculada para trazer miséria e infortúnio e infelicidade sobre o povo, e para desfazer ou impedir aquilo que sua natureza é suscetível de receber, então não estaria sobre aquele princípio de que temos falado. Mas é nosso privilégio segui-lo; e se levarmos a cabo os princípios que estão estabelecidos em nossa natureza e que nos estão sendo ensinados, continuaremos a subir e a ser exaltados. Se seguirmos aquele conselho, avançaremos naqueles princípios que pertencem à felicidade neste mundo e no mundo vindouro.

É negócio do pai estar qualificado para ensinar e instruir seus filhos, e apresentar-lhes princípios, de modo que, conformando-se àquelas instruções, possam ser os mais felizes que suas naturezas são suscetíveis de ser num estado de infância, ao mesmo tempo em que aprendem os princípios pelos quais podem obter a maior felicidade e satisfação num estado de virilidade. Esses filhos estão sob obrigação de seguir precisamente o conselho de seu pai, contanto que o conselho que o pai dá seja calculado para esse propósito expresso. Estão sob obrigação de segui-lo e de executá-lo em seu desígnio e em seu objetivo, e no momento em que se afastam e se separam do pai, tornam-se como um ramo que é separado de uma árvore; não mais florescem nem produzem fruto. O ramo que é cortado da árvore deixa de ter o poder vivificante, deixa de produzir fruto. Que uma pessoa seja desligada desta Igreja e ela não permanece mais um sábio diretor e conselheiro para seus filhos, senão enquanto tiver o privilégio de receber e ter conselho no qual esteja depositada aquela sabedoria e conhecimento, e poder que possa dar vida àqueles que estão ao seu redor.

Há necessidade de sermos mais diligentes, muitos de nós, em entrar no espírito desta reforma mais do que já se recebeu. Há perigo de nos satisfazermos com um avanço superficial, com apenas avançar na superfície. Falamos de caminhar na luz do Espírito e de senti-lo sobre nós, mas fazemos essas coisas? Deveríamos cavar fundo nas coisas de Deus, lançar nosso alicerce sobre a rocha, até chegarmos àquela água que será em nós uma fonte eterna de vida eterna no meio do povo nesta reforma. Quando os Élderes se apresentam nos diversos cultos de ala, nos cultos de oração, nas reuniões gerais, e quando os Bispos se exercitam no poder de seu Sacerdócio, e se sentem bastante animados, sempre tem havido este fato, estas circunstâncias, um certo espírito avassalador que o povo sente mais ou menos; e há um espírito de excitação acompanhando o exercício desses poderes. Alguns indivíduos, receio, não participam do espírito desta reforma mais do que o efeito externo que ela tem sobre eles; não há nada além de aparência, pelo poder que está ao seu redor e que está sendo exercido entre eles. Para alguns é simplesmente a popularidade da reforma, se me for permitida essa expressão, pois a reforma se tornou muito popular.

Se uma pessoa não vê a necessidade de uma reforma, é considerada grosseiramente ignorante. Poucas pessoas teriam a ousadia de dizer que não havia necessidade de uma reforma neste dia, quando o povo sabe que ela se tornou popular. Devemos ter cuidado de não sermos levados apenas pela popularidade, mas lançar um alicerce bom e forte sobre o qual edificar, e conhecer precisamente o fundamento desta reforma, e obter nós mesmos o Espírito, e não nos contentarmos em caminhar na luz tal como é projetada por outros; deveríamos tê-la incorporada em nossas organizações espirituais. Não deveríamos simplesmente nos contentar com a necessidade desta reforma, mas deveríamos ter o espírito dela dentro de nós mesmos.

Vou, com o propósito de expressar minhas ideias, apresentar uma figura. Suponhamos que há um grande exército organizado com o propósito de lutar contra seus inimigos. Todos os oficiais naquele exército, do general até os oficiais menores, estão vestidos em brilhantes uniformes; as bandas tocam sua emocionante música marcial, e tudo, para usar uma expressão mundana, é grandioso e glorioso. Há aqui uma excitação geral, um espírito de guerra está sobre cada homem, da coroa de sua cabeça às solas de seus pés, e o único sentimento é: "Deixai-me ir à batalha contra o inimigo." Todos se sentem fortes no meio desta excitação, mas quem se pronunciará a respeito da bravura deste exército? Todos estão excitados para avançar à batalha, mas está todo mundo preparado? Estão aqueles que clamam: "Conduzi-nos ao campo de batalha"? Quando chega o dia da prova e da provação, quando estão no campo de batalha, com as balas mortais voando, a artilharia disparando, então há uma cena diferente. As bandeiras alegres não mais se veem, a música marcial é afogada pelos gemidos dos moribundos, e, em vez do sol em pleno esplendor e tudo em grandiosidade, o ar se enche de fumaça, tornada lívida pelos clarões dos mosquetes e da artilharia. Então vereis um sentimento diferente naqueles soldados; a pompa, o esplendor, a exibição não são mais vistos, mas então permanecem em seus chamados, na proporção do verdadeiro valor intrínseco e mérito que adquiriram por uma longa série de experiência, e que se incorporaram completamente em seus sistemas.

Quando indivíduos são recém-batizados na Igreja, há mais ou menos excitação a respeito deles; sentem-se bem, sentem-se ótimos; tudo parece assumir uma nova aparência. Amam a todos e a tudo; desejariam poder tomar de imediato a linha de marcha para os vales das montanhas, para ali contribuírem com seus esforços à edificação do reino de Deus. Veem tudo numa condição deliciosa e num estado muito agradável, mas em poucos dias ou semanas sentem que há algo para fazerem, algo que requer um forte sacrifício para lhes permitir se conformar às doutrinas que abraçaram.

Tomai uma pessoa que é sovina, alguém que pensa bastante em sua propriedade, e que acumulou bastante; nunca lhe vem à mente, quando o bom espírito está sobre ela, que haverá algo que será difícil. Quando chega um chamado da Igreja pela propriedade que possui, porque é necessária para certo propósito, atinge-o como um choque elétrico. O espírito o atinge de tal modo que se sente perfeitamente impotente e paralisado, quando é exigido um esforço de sua parte. Todo aquele sentimento de alegria e regozijo, aquele estar selado ao Espírito de bondade que estava diante dele, se foi, e ele fica de tal modo que sente que tudo se foi. Mas resta um certo conhecimento que lhe diz que é certo para ele obedecer ao chamado, na medida em que pretende seguir as doutrinas da Igreja. Ele suporta a prova; está apenas apto a estender a mão e contribuir com o que é exigido; sente que cumpriu um dever, e sente que atravessou o campo de batalha e saiu ileso; não se feriu, mas saiu limpo. Este indivíduo, então, deve declarar a si mesmo que obteve uma vitória, e pode ganhar fé e confiança em si mesmo e em seu Deus. Pode ver que foi provado ao fazer o que lhe foi exigido, e pode olhar para trás, para aquele ponto e a posição em que estava, e ver que agiu sabiamente e fielmente. Então pode dizer a si mesmo o que fará, se circunstâncias de caráter semelhante surgirem diante dele; pode dizer, com um pouco de confiança, o que fará se, no futuro, um requerimento semelhante ou ainda maior lhe for feito.

Indivíduos que não passaram por tal prova não podem dizer a respeito de si mesmos o que farão, com aquela confiança que podem ter aqueles que tiveram a experiência. Deste modo, temos que aprender a fazer o que é exigido. Mas é uma guerra, e temos que viver de tal modo que possamos ser aprovados em nossos atos. Temos que olhar as coisas com calma, frieza, seriedade e firmeza, e viver de tal modo a ter a retidão incorporada em nossos sistemas. Somos colocados sob certos regulamentos, certas restrições, para que possamos obter a noção de agir a partir da prática.

Um indivíduo que se empenha em aprender a tocar flauta a princípio encontra dificuldade em fazer as notas, e, a fim de tocar uma melodia corretamente, requer-se muita diligência e paciência. Tem que continuar, pausar, voltar atrás e recomeçar, mas depois de um tempo consegue, por meio de muito esforço, dominar aquela melodia. Quando chamado a tocá-la depois, não há necessidade de se lembrar onde colocar os dedos, mas a toca naturalmente. Não era natural no início; era necessária muita paciência e trabalho, antes que se tornasse natural percorrer a melodia.

É exatamente assim a respeito dos assuntos que pertencem às coisas de Deus. Temos que nos esforçar e ir de graça em graça, para que a lei da ação seja tão incorporada em nossos sistemas, que se torne natural fazer aquelas coisas que nos são exigidas. O filho nem sempre consegue ver o benefício intrínseco do conselho de um pai quando é dado, mas o que sabe é que seu pai tem o direito de dar aquele conselho; também sabe que está obrigado, por dever, a agir de acordo com aquele conselho e aquele conhecimento. Agindo desse modo, se sentirá bem, e cumprirá seu dever.

É um grande assunto agir com firmeza, pois um dos principais objetivos que os Santos deveriam alcançar é serem perfeitamente calmos e serenos, não importa quão súbitos acidentes possam ocorrer. Se descobrirdes que estais cercados por uma hoste de espíritos maus que vos estão sufocando até a morte, tende presença de espírito suficiente para clamar ao Senhor; mas alguns não tiveram presença de espírito suficiente para isso.

Direi, em relação ao conselho dado pelo irmão Brigham, que frequentemente tudo o que sabeis é que ele tem o direito de dar aquele conselho; nem sempre podeis ver que o conselho é para vosso bem, tampouco podeis ver a propriedade de muitas coisas, até que as coloqueis em prática; tendes o direito de saber que a fonte é legítima, mas seu valor intrínseco nem sempre podeis prever.

O filho age sobre o conselho de seu pai, para que possa ter a lei estabelecida em si mesmo, para que possa ser impulsionado pela lei que está ou esteve incorporada nele. É exatamente assim conosco; valorizamos o conselho que nos é dado e aprendemos os princípios da retidão, e nos conformamos àquelas coisas que nos são necessárias, até que tenhamos a lei do reino celestial incorporada em nossos sistemas; uma lei que terá uma tendência direta a nos beneficiar aqui e no futuro. Mas em nosso presente estado de cegueira, a lei perfeita nem sempre está em nós, não a compreendemos plenamente.

Então, novamente, trarei outra figura a respeito de trazer e obter este espírito em nós, e cavar fundo, para que, no tempo da tempestade, não sejamos arrastados. Colocai um pepino num barril de vinagre, e pouco efeito se produz sobre ele na primeira hora, nem nas primeiras doze horas. Examinai-o e descobrireis que o efeito produzido é apenas sobre a casca, pois requer mais tempo para conservá-lo em conserva. Uma pessoa sendo batizada nesta Igreja tem um efeito sobre ela, mas não o efeito de conservá-la em conserva imediatamente. Não estabelece a lei do certo e do dever nela durante as primeiras doze ou vinte e quatro horas; deve permanecer na Igreja, como o pepino no vinagre, até que se sature do espírito certo, até que se torne conservada no "mormonismo", na lei de Deus; temos que ter essas coisas incorporadas em nossos sistemas.

Com estas poucas palavras e com estas exortações, irmãos e irmãs, cederei e deixarei o assunto à vossa cuidadosa aplicação, consideração e meditação, orando ao Senhor Deus de nossos pais para que derrame Seu Espírito sobre Seu povo. Sois aqueles a quem o Senhor escolheu para O glorificar em Sua presença, e que o Senhor vos abençoe e vos encha de Seu Espírito, e que vossos olhos estejam claros para discernir as coisas que pertencem à vossa salvação. E se houver algum homem ou mulher que não esteja completamente desperto, que venha logo o tempo em que o Espírito e o poder do Espírito Santo estejam sobre eles, para que lhes ensine as coisas passadas, presentes e vindouras, e, com o auxílio do Senhor, plante a retidão e o princípio da verdade em seus sistemas, para que estejam preparados para as tempestades que estão por vir. Estas são minhas orações, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoLorenzo Snow, “O Homem Deve Usar Suas Energias e Cultivar os Dons de Deus—Necessidade de Seguir o Conselho—A Reforma Deve Ser Intrínseca e Não Uma Questão de Excitação”, (1857-01-18). Pulpit Vault, 1857-01-18-snow-man-must-use-his-energies. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).